Os refugiados ambientais de Atafona

Mar já engoliu casas de 15 quarteirões e vai obrigando antigos moradores de balneário a mudarem de casa, de cidade e de profissão

ata 5Imóvel destruído pelo mar em Atafona: mais de 300 casas engolidas em 15 quarteirões criaram centenas de refugiados ambientais em balneário no litoral norte do Estado do Rio (Foto: Carolina Gomes)

Por Carolina Gomes para o Projeto Colabora

Ronaldo Cravo era conhecido no Balneário de Atafona, em São João da Barra, a cerca de 350 quilômetros ao norte da cidade do Rio, pelo seu famoso pirão de peixe e pelas frases otimistas nas paredes de seu bar, o “Não Me Viu”, tomado três vezes pelo avanço do mar. Em meados dos anos 1990, o comerciante e cozinheiro, nascido e criado da Praia de Atafona já havia perdido também duas casas no balneário: foi dormir nas ruas e virou alcoólatra.

“Vi essa praia crescer e estou vendo o mar comer de volta. Eu tinha uma palafita dentro do manguezal, e, na frente dele, tinham cinco ruas de casas com cooperativas, frigoríficos, postos… Tinha vida. De uns anos para cá, tudo foi levado pelo mar e ninguém toma providência”, disse Ronaldo ao dar entrevista, em outubro, sobre sua vida de refugiado ambiental. Havia se recuperado com a ajuda dos filhos e estava há 18 anos sem consumir bebida alcoólica. Morava numa parte do imóvel onde mantinha o bar na mesma Avenida Atlântica que margeia a praia, mas via o mar se aproximando de novo.

Cravo morreu de infarto, aos 63 anos, sem ver a solução para o avanço do mar, cada vez mais feroz, mudando a geografia do Pontal de Atafona e bloqueando a foz do Rio Paraíba do Sul. “A água do poço, de tão salgada, não serve nem para dar banho nos cachorros, porque a veia do mar já está aqui por baixo”, lamentava o cozinheiro, enquanto recordava vizinhos e amigos, que trocaram de cidade.

ata 4Ronaldo Cravo, em entrevista pouco antes de sua morte: duas casas e o bar perdidos para o mar em Atafona (Foto: Carolina Gomes)

A vida de Ronaldo foi uma das centenas afetadas pelo avanço do mar. Moradores da região ainda são obrigados a deixar suas casas, e pescadores estão com dificuldades para se manter em atividade em função da erosão costeira, que ocorre desde a década de 1970 e vem se agravando, nos últimos anos, com as mudanças climáticos. São os refugiados ambientais do Balneário de Atafona, onde mais de 300 casas, distribuídas por 15 quarteirões, já foram levadas pelo mar.

De acordo com a ONG Oxfam, os desastres climáticos tornaram-se a principal causa da deslocação de pessoas em todo o mundo na última década e forçaram mais de 20 milhões por ano a deixarem as suas casas. Em estudo apresentado no dia da abertura da Cúpula do Clima da ONU em Madri, a organização aponta que atualmente é “três vezes mais provável que alguém seja forçado a deixar a sua casa por ciclones, inundações ou incêndios florestais do que por conflitos”.

Ter a casa inundada não é novidade para Mary Lúcia Tavares, que mora à beira da praia em Atafona. Nas últimas semanas, o mar avançou mais e invadiu novamente sua residência. Ela precisou esperar que a água escoar e as escavadeiras retirarem areia dos portões; a Defesa Civil vistoriou o lugar e liberou a permanência dos moradores, por ora. A dona de casa já viu muitos vizinhos serem levados para residências sociais pela prefeitura, após o mar abalar a estrutura das casas.

Como todos os moradores mais antigos, a dona de casa lembra dos imóveis que foram sendo levados pelo mar: o farol da Marinha, o prédio da Colônia de Pesca, bares, pequenas lojas, a Capela de Nossa Senhora dos Navegantes, o posto policial, um posto de combustível para os barcos. Em 2008, a erosão costeira provocou a queda do único prédio de Atafona, com 48 apartamentos.

ata 3O mar já visitou a casa de Mary Lúcia onde os móveis estão sobre caixas plásticas: “Nesses dias, ninguém dorme, fica todo mundo andando pela rua. O mar é engraçado, tem hora que ele tá lá longe, daqui a pouco ele tá jogando aqui pertinho” (Foto: Carolina Gomes)

Mary Lúcia sabe que sua casa, em que os móveis estão sobre caixas plásticas, é uma das próximas. Ela sofre de ansiedade e dorme com a ajuda de remédios, já que a preocupação não lhe permite descansar, atenta para acordar os vizinhos quando a água invadir as casas novamente. “Nesses dias, ninguém dorme, fica todo mundo andando pela rua. O mar é engraçado, tem hora que ele tá lá longe, daqui a pouco ele tá jogando aqui pertinho”, conta.

Doutor em Geologia e Geofísica Marinha pela UFF, o professor Eduardo Bulhões explica que o problema de Atafona acontece por causa do déficit de areia na praia. “Todas as praias se equilibram com areias que chegam e que saem. Em Atafona, esse equilíbrio foi quebrado, então entra menos areia do que sai e, por isso, a praia entra em um processo de erosão extrema”, explica. Esse desequilíbrio foi quebrado pelo processo de urbanização e de ocupação do litoral e das margens do Rio Paraíba do Sul, que deságua no mar em Atafona.

O geólogo e geofísico acrescenta que Atafona sofre déficit de sedimento, pois o Paraíba do Sul não consegue repor a quantidade de areia necessária para manter o equilíbrio. “O rio não consegue fazer isso desde a década de 80, sobretudo após construções de barragens ao longo do seu leito. Isso fez com que ele não consiga empurrar a areia para praia, ao passo que o mar continua removendo essa areia”, esclarece Eduardo Bulhões.

Foz fechada

O desequilíbrio ambiental teve novo ápice no final de outubro quando a foz do Rio Paraíba do Sul, em Atafona, foi fechada pela areia. A água do rio só está desaguando no Oceano Atlântico no vizinho município de São Francisco de Itabapoana, através de um braço menor do curso d’água. O desequilíbrio não é apenas ambiental, mas também econômico, já que hoje os pescadores – a maioria da população de Atafona vive da pesca – precisam seguir até São Francisco do Itabapoana para ir para alto-mar. Muitos voltam da pesca sem esperança.

À beira do rio, no Pontal de Atafona, ficam frigoríficos de peixes onde as embarcações atracam, descarregam, enchem o tanque de gasolina e o depósito de gelo, antes de os pescadores saírem de novo para o alto-mar e voltarem até uma semana depois. Nos últimos anos, apenas barcos com menos de 10 toneladas conseguiam atravessar a foz do Rio, já que a areia estava assoreada na foz do rio o que já fazia com que alguns barcos atolassem na barra.

ata 2O pescador Nilson Ferreira e o drama de quem está sofrendo com a mudança climática: fechamento da foz do Rio Paraíba do Sul dificulta ainda mais a vida de quem vive da pesca (Foto: Carolina Gomes)

Nilson Ferreira, de 44 anos, pesca desde os 8 anos de idade. Seu pai o incentivou a ser pescador, mas ele pede para que seus filhos não sigam na profissão. “A renda caiu porque não consigo mais sair com tanta frequência por causa do fundo do rio. Tem dia que saio às quatro da manhã e volto sem nada. Não temos mais acesso ao cais para carregar e descarregar a mercadoria. Às vezes fico até devendo, as contas do mês não fecham”, lamenta Nilson, que pensa em mudar de ramo ou se mudar de Atafona, como fizeram muitos outros pescadores do pontal.

O Rio Paraíba do Sul sofre com a redução de sua vazão, o assoreamento, o desmatamento nas margens e um processo de salinização na foz, que causa prejuízo às produções pesqueiras, além de extinguir manguezais. Os ambientalistas alertam que, se, de um lado, o Paraíba do Sul perde vazão pela ação humana, do outro, o aumento do nível dos oceanos, provocado pelo aquecimento global e as mudanças climáticas, faz o mar subir de forma mais intensa e violenta em Atafona.

Sem solução à vista

Pesquisadores observam a região há décadas, mas não há consenso sobre a melhor forma de resolver o problema. Em 2015, estudo realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias apontava para necessidade de construção de nove espigões costeiros – estruturas para conter o mar – com comprimento de 240 metros cada e espaçados entre si para compartimentar a praia e evitar a perda de areia, além de um aterro de 100 metros de largura, a transferência de um volume de areia de 2.650.000 metros cúbicos e de um volume de pedra de 262.650 metros cúbicos. Esse projeto estava orçado, na ocasião em cerca de R$ 100 milhões.

Em 2018, o próprio professor Eduardo Bulhões apresentou, a pedido da Defensoria Pública de Barra de São João, estudo e proposta para enfrentar a erosão costeira em Atafona, que parte da dragagem e do bombeamento hidráulico de areias compatíveis de dentro da calha fluvial do Paraíba do Sul para o pontal de Atafona. Esta “transposição artificial de areias” – como é chamada no estudo – seria complementada pelo espalhamento deste material por uma faixa de 1,5 km com a formação de dunas artificiais. O custo deste projeto ficaria entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões.

ata 1Restos de casas destruídas pelo mar em Atafona: combinação de erosão costeira e mudanças climáticas (Foto de Oscar Valporto)

Nenhum dos projetos avançou. Em março de 2019, a maré subiu quase dois metros e foram necessários mobilizar caminhões de areia para formar uma barragem e evitar a chegada da água em pontos mais vulneráveis da praia. Em julho, uma nova subida brusca da maré alagou mais de uma dezena de casas. No fim de outubro, parte do asfalto desmoronou na esquina da Avenida Atlântica com a rua Elias Beirute por conta da erosão costeira.

Os moradores temem que Atafona se transforme numa nova Ilha da Convivência. O lugar fica a 850 metros do pontal e era residência de pescadores. Já chegou a reunir 400 famílias, mesmo com a água potável chegando em barcos e sem luz elétrica. Hoje, o panorama é diferente. Quem visita o local não vê nada além de uma faixa de areia. Até o mês passado, chegar até a Ilha só era possível de barco, entretanto, agora que foz do Rio Paraíba do Sul secou, o trajeto pode ser feito a pé. “O rio secou, está todo mundo revoltado e com medo que seque tudo, e os barcos não consigam sair mais”, conta Mary Lúcia

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Este artigo foi originalmente publicado pelo Projeto Colabora [Aqui!].

A erosão em Atafona avança em meio à inércia dos (des) governos

Estive hoje no Pontal de Atafona para uma atividade de campo da disciplina de Geografia Geral que ministro para discentes do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Norte Fluminense e o que vi me deixou impressionado. É que por alguns anos não usei essa parte da costa sanjoanense para ilustrar os processos que decorrem da ação de processos naturais e antrópicos na modelagem costeira ( ver imagens abaixo).

Apesar desse processo erosivo não ser recente, o que  mais me impressionou é o estágio atual em que a perda da face de areia parece estar ocorrendo de forma mais acelerada,  em que pese o fato de estarmos uma período de chuvas intensas que altera o padrão de descarga do Rio Paraíba do Sul em relação a pelo menos os três últimos anos. Mas nem esse volume acentuado parece estar compensando a força das correntes que atuam naquela área.

Interessante notar que há vários anos são anunciadas medidas para mitigar o processo de erosão no Pontal de Atafona. Mas entram governantes e saem governantes (muitas vezes os mesmos que tinham saído antes) e nada é feito. 

A consequência disso é que provavelmente em campos futuros deverei ter ainda mais exemplos a dar sobre como a inércia governamental somada à ação das forças da natureza contribuíram para a destruição de um dos pontos mais bonitos e atrativos do litoral norte fluminense.

Mas é interessante notar que os estudantes que estavam no campo parecem ter apreciado bem a oportunidade de ver fora da sala de aula alguns dos processos que apresentei em sala de aula. Só não tenho muita certeza se isso serve de consolo para quem está perdendo suas casas e sossego em Atafona.

Pescadores de Atafona articulam manifestação para fechar Porto do Açu

Por Arnaldo Neto

As dificuldades que os pescadores de Atafona têm enfrentado (veja o vídeo) para conseguir passar pela barra — canal de acesso ao mar — ganhou destaque neste mês de julho, com recorrentes cenas de barcos encalhados na foz do Paraíba. Com o rio perdendo força, bancos de areia estão se formando e bloqueiam a passagem dos barcos. A classe pesqueira já se reuniu (aqui) no último dia 9 com representantes das secretarias de Pesca, Maio Ambiente e Obras de São João da Barra, por intermédio da vereadora Sônia Pereira (PT), para debater o assunto e buscar uma solução. Somente na última semana, três barcos ficaram encalhados na foz. Eles alegam que, de imediato, seria necessário a dragagem da área, feita por um navio que executou o serviço de aprofundamento e a abertura de um canal no Porto do Açu.

De acordo com o secretário de Pesca do município, Joel Serra, o secretário de Obras, Marcos Sá, já apresentou um projeto para desobstrução do canal de navegação e uma reunião com o prefeito Neco (PMDB), agendada para esta segunda-feira (27), vai discutir os próximos passos em busca de uma solução para o problema. “Na segunda-feira teremos uma reunião com o prefeito Neco, os secretários de Obras e de Meio Ambiente. Estamos recolhendo assinatura dos pescadores, para anexar um abaixo assinado ao projeto. Uma coisa é certa, do jeito que está não dá para ficar”, relatou Joel.

Em vídeo publicado nas redes sociais (aqui), os pescadores mostram as dificuldades encontradas para passar pelo canal até mesmo com a maré cheia. No áudio, é possível ouvir seus relatos e o aviso que irão organizar uma manifestação em frente à Prefeitura e a ameaça de fechar o Porto do Açu caso uma solução imediata não seja apresentada.

Os pescadores acreditam que a Prumo e outras empresas do Porto devem participar do projeto, como forma de medida compensatória aos impactos do empreendimento na principal atividade econômica de Atafona. Além disso, eles alegam que se o canal fechar, o entreposto pesqueiro — apresentado como plano de compensação da ainda LLX em 2009 —, com obras que se arrastam desde 2012, ficaria inutilizável, se um dia ficar pronto. “Era só a draga que eles usam no Açu vir aqui e abrir o canal de navegação. A gente sabe que isso (a barra fechar) é a força da natureza, mas precisa ser feito alguma coisa para ajudar o pescador”, relatou Carlos Pereira, ex-vereador e proprietário de embarcações.

FONTE:http://fmanha.com.br/blogs/arnaldoneto/2015/07/27/pescadores-de-atafona-articulam-manifestacao-para-fechar-porto-do-acu/

O DIA produz matéria sobre a erosão marinha em São João da Barra

Seca agrava avanço do mar em São João da Barra

Para especialista, baixo nível do Rio Paraíba do Sul influencia fenômeno

EDUARDO FERREIRA

Rio – A velocidade cada vez maior com que o mar avança e destrói construções no litoral de São João da Barra, Norte Fluminense, pode ter relação direta com a estiagem que assola o Rio Paraíba do Sul no estado. Dados da Defesa Civil do município apontam que nos últimos quatro meses, o mar avançou cerca de oito metros nos distritos de Atafona e Açu. O fenômeno acontece desde a década de 1970, mas está se agravando na cidade onde o Paraíba do Sul deságua e o nível do rio já chega a 2,20 metros — o normal seria 4,8m. Um quarteirão, 15 ruas e cerca de 500 casas já desapareceram do mapa.

Escombros na Praia de Atafona: força do mar se intensificou com baixo nível do Paraíba, diz especialista. Foto:  Nanci de Azeredo / Foto do leitor

De acordo com o oceanógrafo David Zee, o rio funciona como um espigão hídrico enfrentando as ondas. Quando sua vazão diminui, o equilíbrio de força com o mar acaba. Ele explica que o litoral tem muitos sedimentos de areia e argila. Com o rio baixo, o carregamento desses detritos diminui e, com isso, há um menor aporte de água doce. “Todo o material se acumula na embocadura do Paraíba do Sul. O mar, então, passa a atuar com mais intensidade. O equilíbrio de forças que existia antes está acabando. O ciclo hídrico está todo desbalanceado”, ressaltou o oceanógrafo.

Duas famílias tiveram que deixar suas casas na última semana, em Atafona, porque corriam risco de morte. “As pessoas moravam em frente à praia e a onda estava alcançando as residências. O mar está impróprio para banho por causa dos escombros”, disse o sub-coordenador de Defesa Civil do município, Wellington Barreto.

Ex-moradora de Atafona, a professora Vera Lúcia Fernandes, 52 anos, teve que se mudar há dois meses para a casa da irmã, em Campos dos Goytacazes, por causa do avanço do mar. “Tive que sair com meus dois filhos porque me sentia ameaçada. Fiquei triste porque sempre morei em São João da Barra, mas não tive condições de ficar. Não tenho dinheiro para comprar outra casa. Infelizmente não podemos fazer nada contra a natureza”, lamentou.

O prefeito José Amaro de Souza, o Neco, pediu um estudo para o Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) e espera receber conclusão até o próximo mês, já com os números e custos de todo o projeto, que inclui Atafona. Já para o Açu, a prefeitura solicitou à empresa Prumo Logística, responsável pelo porto, que custeasse o estudo junto ao mesmo instituto.

Cenário de destruição

Quem passa por Atafona e Açu pode perceber os entulhos que chamam a atenção à beira-mar. São dezenas de casas destruídas. No Açu, uma área equivalente a três campos de futebol foi levada pelo mar. “Várias pessoas abandonaram suas casas antes mesmo de a Defesa Civil interditar. A situação é preocupante porque o mar não para de avançar”, disse.

Moradora do Açu, a aposentada Gracilda Francisca do Nascimento, 71, relembra a orla antes de tudo começar. “Aqui havia barracas, cadeiras e bares. Meu medo é a água do mar destruir tudo”, disse. Já a freira Nanci de Azeredo fez fotos dos estragos. “Aquela casa (foto) caiu na sexta-feira (dia 20). As pessoas estão em estado de alerta. Há muitas casas interditadas. O mangue que tinha em Atafona não existe mais”, disse.

Porto do Açu nega ligação a fenômeno

Para o pesquisador do Núcleo de Estudos Socioambientais da UFF, Aristides Soffiati, as obras do Porto do Açu agravaram a situação. “A empresa fez dois espigões. Abriu um canal no continente para fazer um estaleiro e criou dois prolongamentos de pedra”. Com isso, a água passa, mas a areia fica e causa o engordamento da praia. “O mar está perdendo areia. Não encontra mais a resistência da praia”.

A Prumo, responsável pelo porto, contratou a Fundação Coppetec para realizar um estudo e diz que o resultado indicou ser inviável associar o estreitamento da faixa de areia às obras do porto.

FONTE: http://odia.ig.com.br/odiaestado/2015-03-07/seca-agrava-avanco-do-mar-em-sao-joao-da-barra.html

Terceira Via: Defesa Civil de SJB está em alerta e monitora praia do Açu

No dia 23 de setembro, os moradores do Açu foram surpreendidos pela invasão do mar. Na segunda-feira (10), o mar voltou a avançar

A Defesa Civil de São João da Barra está em alerta monitorando a praia do Açu devido aos impactos ambientais ocorridos no local nos últimos meses. O órgão informou que o avanço do mar “sempre acontece quando há maré alta ou ressaca” e enfatizou que não há decreto de emergência sobre esse fato e nenhuma família está desabrigada ou desalojada nas imediações do Açu.

 No dia 23 de setembro, os moradores do Açu foram surpreendidos pela invasão do mar na principal avenida da localidade. No dia seguinte, uma equipe do Ministério Público Federal (MPF) fez um levantamento na área, onde foram coletados depoimentos da população residente, além de fotos e vídeos. Na segunda-feira (10), moradores voltaram a viver o drama com o avanço do mar.

 O local fica na área de influência direta do Complexo Industrial do Superporto do Açu – empreendimento que vem acentuando o processo de erosão do mar.

 O ambientalista Aristides Soffiati compara os impactos causados na Praia do Açu com a Praia de Atafona. “As duas praias sofrem o processo de erosão. Em Atafona esse processo acontece há cerca de 50 anos. Já no Açu acontece recentemente em função das obras do Complexo. Em ambos os casos, o homem acentuou os fenômenos naturais”, disse.

 O Complexo Logístico Industrial Portuário do Açu vem sendo investigado pelo MPF desde 2008 quando foi instaurada uma ação civil pública para apurar o licenciamento do Porto do Açu, da extração do minério, em Minas Gerais, e do mineroduto. De acordo com o procurador Eduardo Oliveira, a obra do complexo logístico causa impactos em três estados brasileiros e, por esse motivo, a licença deveria ser concedida em conjunto por um órgão federal, como manda a lei.

FONTE: http://jornalterceiravia.com.br/noticias/norte-noroeste-fluminense/59639/defesa-civil-de-sjb-esta-em-alerta-e-monitora-praia-do-acu