RJ: alianças eleitorais escandalosas mostram centralidade no cenário político nacional

A evolução das chamadas “alianças” que estão juntando gregos, troianos e espartanos, e até os persas em nominatas que olhadas por aqueles que vivem no Rio de Janeiro parecem coisas feita por ETs recém-chegados ao planeta Terra.

Mas num segundo olhar é interessante notar que a confluência heterodoxa que ocorra no Rio de Janeiro está se dando por todo o Brasil, com partidos da base do governo e da dita oposição se misturando como se tudo não passasse realmente de uma suruba ou de um bacanal partidário.

A explicação para tanta liberalidade não está apenas na fraqueza ideológica dos partidos brasileiros ou na fraca institucionalização da democracia brasileira. O problema parece ser mais estratégico, pois o que está se desenhando é a posição que a burguesia brasileira terá para enfrentar uma crise sistêmica do Capitalismo que promete se agravar em 2015. Ai fica a disputa entre o “neoliberalismo” e o “neodesenvolvimentismo” que são apenas duas faces da mesma moeda podre. E nisso tudo, o Rio de Janeiro é o laboratório mais avançado desse redesenho entre quem diz ser de oposição ou de situação.

Felizmente, há algum movimento no que se chama de esquerda e alguns candidatos poderão mesmo sem o horário eleitoral ajudar na consolidação de uma alternativa política aos que está se desenhando por cima.

Uma nota final cabe ao que decidirá o deputado federal Anthony Garotinho. Do jeito que ele é pragmático e sempre olha o tabuleiro político com olhos de Lince, eu não me surpreenderia se ele acabasse no palanque de Lindbergh Farias. Ai é que a coisa ficaria ainda mais heterodoxa. Mas ele também poderá apostar no fenômeno que Brizola causou nas eleições de 1982 e derrotou até a Rede Globo. A ver!

Eleições 2014 no RJ: suruba ou bacanal?

Os últimos arranjos de alianças entre os partidos que dominam a política fluminense estão provocando reações inusitadas até mesmo dentre os que sempre ganharam com as opções que são feitas para garantir melhores chances eleitorais. O interessante é que essas reações estão sendo manifestadas por meio de metáforas que veiculam a ideia de praticas sexuais. O primeiro a usar uma metáfora nesse sentido foi o deputado federal Alfredo Sirkis (com certeza uma vestal ideológica) que equiparou a aliança que juntou Romário e Lindbergh numa mesma nominata como sendo uma “suruba”.  Agora ao reagir a uma aliança igualmente curiosa foi a vez do prefeito do Rio de Janeiro de classificar a chapa que unirá Pezão e César Maia como sendo um “bacanal”.

A primeira reação de todo cidadão fluminense que preza o seu voto e acompanhou a situação em que estamos neste momento é de dizer a Sirkis e Paes que eles deveriam se responsabilizar pelo que eles mesmos ajudaram a construir. Se chegamos a esse ponto agora, o fato é que esse tipo de aliança despudorada (só para usar um jargão que parece ser tão caro a Sirkis e Paes neste momento) se tornou capaz por sucessivas ocasiões onde o interesse da população foi colocado abaixo dos interesses fisiológicos dos partidos.

De minha parte, só posso dizer que felizmente existem alternativas de voto nessas eleições e que implicam em nos retirar de um tipo de política que oscila entre a suruba e o bacanal.