The Guardian revela que erro de projeto poderá levar a desastre devastador em Belo Monte

Projeto de Belo Monte tem erro de design e ‘representa séria ameaça à vida’

A Norte Energia enfrenta a escolha de enfraquecer a barreira de 14 km ou potencialmente devastar um hotspot de biodiversidade

Por Jonathan Watts de Belo Monte 

O maior projeto hidrelétrico construído na Amazônia brasileira tem uma falha de design que representa uma ameaça “muito séria” à vida humana e a ecossistemas de importância global, de acordo com documentos e testemunhos de especialistas recebidos pelo jornal “The Guardian”.

Os estudos sugerem que os engenheiros não conseguiram antecipar o impacto da escassez de água na barragem de Pimental, em Belo Monte, que foi fechada e transformada em barreira. Isso está forçando os operadores a escolher entre um enfraquecimento estrutural da barreira de terra compactada de 14 km de largura e uma realocação de água no reservatório ou no Rio Xingu, que abriga comunidades indígenas, aldeias de pescadores e algumas das mais ameaçadas do mundo. espécies.

Um analista disse que havia risco de ruptura e, mesmo antes da publicação do relatório, os promotores federais estavam se preparando para pedir a suspensão do projeto. Eles também pretendem apelar ao governo brasileiro por ajuda humanitária de emergência para apoiar populações ribeirinhas que sofreram um declínio devastador da população de peixes dos quais dependem para nutrição e renda.

Após décadas de resistênciae R$ 40 bilhões  (8 bilhões de dólares) em investimentos, a quarta maior usina hidrelétrica do mundo deve ter a última de suas 18 turbinas instaladas este mês, mas os níveis de água abaixo do previsto nos reservatórios da barragem criaram um imprevisto problema estrutural, além de preocupações ambientais, sociais e econômicas de longa data.

mapa belo

O “The Guardian” e o El País  tiveram acesso a um relatório recente da Norte Energia alertando que a queda nos níveis de água nas últimas semanas expôs uma seção vulnerável da parede da barragem de Pimental, separada da barreira que abriga a maioria das turbinas, a ondas que às vezes se formam durante tempestades tropicais ou ventos fortes soprando através do reservatório.

O documento de 11 de outubro – ação urgente para controlar o nível do reservatório da UHE Belo Monte Xingu – é assinado pelo CEO da Norte Energia e endereçado ao chefe da agência nacional de água. Ele afirma que o nível da água caiu no dia anterior para 95,2 metros críticos, o que representa um risco de que as ondas “atinjam áreas da barragem não protegida por rochas”. Ele pede permissão para mais água do reservatório intermediário, um movimento que colocaria mais pressão em uma hidrologia já tensa.

Após dois desastres mortais de barragens de rejeitos nos últimos anos em Brumadinho e Mariana, a situação incerta levou os especialistas a convidar as autoridades brasileiras a aumentar o monitoramento da barragem, tomar medidas corretivas e esclarecer a magnitude do risco para o público.

André Oliveira Sawakuchi, do Departamento de Geologia Sedimentar e Ambiental da Universidade de São Paulo, disse que não está claro se os danos estruturais podem ocorrer dentro de semanas, meses ou anos, mas o pedido de ação imediata do relatório sugeriu que a ameaça era muito séria.

Suas preocupações foram ecoadas por Francisco del Moral Hernandez, especialista em ciências da energia que coordenou um painel de especialistas em Belo Monte em 2009. “Sempre soubemos que esse projeto é ineficiente do ponto de vista da geração de energia. O que não imaginamos é a fraqueza da engenharia civil ”, afirmou. “Se eu estivesse morando a jusante da barragem, me mudaria para o rio … É absurdo que isso não estivesse previsto.”

belo 1Partes do rio Xingu já são praticamente inavegáveis. Foto: Fábio Erdos / The Guardian

O relatório diz que o problema surgiu como resultado de fluxos de água incomumente baixos no reservatório, com vários dias no início de outubro quando caiu para 750 metros cúbicos por segundo. Isso está substancialmente abaixo do mínimo de 1.000 metros cúbicos por segundo que os documentos de planejamento dizem ser necessário para garantir a qualidade da água nos reservatórios e descarga a jusante suficiente para garantir um ecossistema saudável, inclusive para um refúgio de tartarugas, e navegação de comunidades indígenas e ribeirinhas.

Hernandez e Sawakuchi disseram que os planejadores estavam otimistas demais, porque dados históricos mostraram que o rio Xingu estava mais baixo em pelo menos quatro ocasiões durante os 50 anos anteriores ao início da construção. Prevê-se que as mudanças climáticas cortem os fluxos de água em cerca de 30% até 2050. “É muito estranho que esses problemas não estivessem previstos”, disse Sawakuchi. “Os riscos estruturais são uma surpresa.”

O projeto de Belo Monte tem sido afetado por problemas desde o seu início, durante a era da ditadura militar brasileira. Comunidades indígenas e ribeirinhas se aliaram ao sistema de barragens, que bloqueia um dos maiores afluentes da Amazônia com 2,1 milhões de toneladas de concreto e 79,2 milhões de metros cúbicos de terra.

belo 2Um pescador local guarda peixes mortos que encontrou nas margens do rio Xingu, no estado do Pará, Brasil. 5 de novembro de 2019. Fotografia: Fábio Erdos / The Guardian

Ambientalistas e cientistas alertam que isso iria devastar um dos hotspots de biodiversidade mais exclusivos do mundo. Os economistas questionaram a viabilidade de um esquema pago com fundos de pensão e receita tributária, mas projetado para funcionar com apenas 40% de sua capacidade de 11.200 MW. Os promotores envolvidos na investigação de corrupção conhecida como “Lava Jato” descobriram que os empreiteiros de Belo Monte recebiam taxas inflacionadas em troca de propinas a partidos políticos.

 

Ativistas disseram que as autoridades ambientais emitiram uma licença para a barragem, apesar dos avisos científicos e das preocupações de sua própria equipe técnica. “À medida que os detalhes do escândalo de corrupção se desdobram, as motivações subjacentes a essas decisões imprudentes se tornaram abundantemente claras, bem como suas conseqüências trágicas”, disse Brent Millikan, da International Rivers.

belo 3Os níveis de água no rio Xingu já estão tão baixos que os habitantes locais precisam arrastar os barcos por algumas das áreas mais rasas. Foto: Fábio Erdos / The Guardian

Em uma pequena ilha no rio, mais de 50 moradores chegaram de barco na semana passada para testemunhar os problemas causados pela barragem. Além de aumentar a fome e diminuir a renda, vários disseram que sofreram depressão como resultado do súbito colapso da paisagem ribeirinha com a qual cresceram. “Tudo está piorando”, disse Sarah Rodrigues de Lima. “Eu pesco aqui há 35 anos, mas todos os peixes fugiram. O rio está secando.

Outros descreveram como costumavam capturar o Filhote, uma das espécies mais apreciadas do rio, pesando mais de 100 kg antes da barragem, mas agora raramente capturam um dos 20 kg. O próximo ano será ainda pior. Este será o início de um novo sistema de gestão da água que priorizará a barragem e o ecossistema em anos alternados. Mesmo no seu melhor cenário, a volta grande terá menos água de pico das chuvas do que durante a seca severa de 2016, que matou tantos peixes que os habitantes locais chamam de “ano do fim do mundo”.

O novo sistema “transformará o rio em cemitério”, disse Cristiane Costa, bióloga que trabalha no escritório do promotor público. “Eles estão gerando energia às custas do ecossistema e das pessoas.”

O aquecimento global aumentará a luta pela água. O governo, no entanto, quer mais exploração dos recursos da Amazônia. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que planeja participar da cerimônia de conclusão de Belo Monte, enfraqueceu as proteções ao meio ambiente e às comunidades indígenas. Os políticos locais o instarão a avançar com outro megaprojeto na volta grande, uma nova mina de ouro gigante chamada Belo Sun, que seria movida pela barragem.

A Norte Energia afirmou em comunicado que “cumpre rigorosamente” as condições de sua licença ambiental. A agência nacional de água e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis não responderam ao pedido de comentário do  “The Guardian”.

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Este artigo foi publicado originalmente em inglês pelo jornal britânico “The Guardian” [Aqui!].

Belo Sun vai se pondo no brejo

Maior investidor do empreendimento canadense de exploração de ouro no rio Xingu abandona o projeto e vende todas as ações

No dia 20 de abril, a Agnico Eagle Miners, maior investidora da mineradora canadense Belos Sun Mining Corp, anunciou a venda da sua fatia de 19,14% de ações da empresa.

Belo Sun quer construir a maior mina de ouro a céu aberto do Brasil na Volta Grande do Xingu, o coração da Amazônia já atingido letalmente pela hidrelétrica de Belo Monte.

Operando desde 1953, a Agnico é considerada uma das empresas mais sólidas do setor de mineração de ouro no Canadá. Em 2016, investiu 15 milhões de dólares canadenses em Belo Sun, que no mesmo ano recebeu sua primeira licença ambiental.

No final de 2017, em resposta ao volume crescente de denúncias de violações de direitos das populações ameaçadas – indígenas, ribeirinh@s, pescador@s, agricultor@s – e de ações judiciais da defensoria e do ministério público, a Justiça Federal cancelou a licença de instalação do projeto e exigiu que a empresa fizesse uma consulta prévia às comunidades Juruna e Arara que serão afetados pela mina.

Uma semana antes de sua assembleia de acionistas, a Agnico também cancelou sua participação em Belo Sun.

A mina de Belo Sun na Volta Grande do Xingu é questionada pelo Ministério Público Federal, Conselho Nacional de Direitos Humanos, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Fundação Nacional do Índio, Defensoria pública da União, Defensoria Pública do Estado do Pará, acadêmicos e pesquisadores da Universidade Federal do Pará, movimentos sociais da Volta Grande, e mais de 750 mil signatários de todo mundo que subscreveram a petição da AVAAZ contra a mineradora e seus investidores.

Belo Sun foi acusada de aquisição irregular de terras e promoção de conflitos fundiários. Foi acusada de violar os direitos indígenas e moradores na região do Projeto de Assentamento (PA) Ressaca. Teve cobertura negativa da imprensa de todo o mundo. Está envolta em insegurança jurídica, em protestos sociais e ambientais, em litígios jurídicos e em maledicências.

“Nós não aceitamos Belo Sun na nossa região. Nem na nossa região nem no Brasil. Que essa empresa canadense deixe o que é nosso!”, afirmou a liderança indígena Bel Juruna durante ato no Rio de Janeiro em 2017.

Agnico Eagle Mines vendeu seus 19.14% de Belo Sun para a própria Belo Sun, que emprestou 10 milhões de dólares a quatro de seus diretores para comprá-las, na tentativa de evitar maior desvalorização.  Que não seja bem-sucedida!

Falta agora:
Sun Valley Gold se desfazer de seus 16.33%

Sun Valley Gold Master Fund se desfazer de seus 10.44%
RBC Global Asset Management se desfazer de seus 6.98%
1832 Asset Management se desfazer de seus 6.46%

e

O Rio Xingu e seu povo se desfazerem de 100% de Belo Sun. Que nos deixe e deixe o que é nosso!

Movimento Xingu Vivo para Sempre, Rio Xingu, abril de 2018 

Para Saber mais
Estudo: As Veias Abertas da Volta Grande do Xingu – uma análise dos impactos da mineradora Belo Sun sobre a região afetada por Belo Monte
Video: O que fazer quando o ladrão chegar

Mais informações: 93 3515-9089, Xingu Vivo para Sempre

FONTE: http://www.xinguvivo.org.br/2018/04/24/belo-sun-vai-se-pondo-no-brejo/

Suape: Belo Monte esquecida

SUAPE

Complexo de Suape. Foto: Governo do Estado de Pernambuco

Por Heitor Scalambrini Costa*

Um amigo sulista, ao conhecer mais detalhes das violações socioambientais ocorridas no território do Complexo Industrial Portuário de Suape (CIPS), cunhou a frase utilizada como titulo deste artigo.

Sem dúvida a comparação entre as duas realidades destas megaobras tem tudo a ver. Refletem a crueldade, perversidade, destruição, truculência, barbaridade, improbidade, desumanidade , indignidade, crime; cometido contra as populações nativas/tradicionais e contra a natureza. O que deve ser ressaltado é o papel do Estado brasileiro; por um lado o governo federal e por outro o governo de Pernambuco, como o grande e maior violador de direitos humanos e da natureza. Sem dúvida, não esquecendo a responsabilidade das empresas

Com relação ao número de trabalhadores envolvidos nestas duas mega obras, a de Suape foi o dobro de Belo Monte. No ápice das obras de Belo Monte, em outubro de 2013, atingiu 25 mil pessoas; e em Suape, entre 2012 e 2013 superou 50 mil pessoas (segunda maior desmobilização de trabalhadores depois da construção de Brasília). O que existe em comum neste caso foi a total falta de planejamento na desmobilização dos trabalhadores finda a parte da construção civil destes empreendimentos.

Diferentemente do que prometiam os governos, a grande maioria dos empregados das construtoras contratadas não eram da região, vinham de toda parte do Brasil. E nada foi feito para realoca-los em outras atividades econômicas. O que gerou, e tem gerado um alto desemprego, resultando em graves problemas nas áreas urbanas dos municípios onde se encontra o Complexo Suape, como a favelização, violência, prostituição, aumento significativo da criminalidade. Além de déficits em áreas como saúde, saneamento, moradia, etc, etc. Nada diferente do que ocorreu em Altamira.

Foi incalculável a destruição ambiental promovida, tanto na construção da hidrelétrica, a terceira maior do mundo, quanto na instalação das indústrias no CIPS. Neste caso atingindo mangues (mais de 1.000 ha foram e continuam sendo destruídos), restinga, resquícios da Mata Atlântica, corais marinhos. Ademais a poluição de riachos, rios, e nascentes que compõem a bacia hidrográfica da região metropolitana do Recife.

É de ressaltar a atração e o incentivo para que as indústrias sujas viessem se instalar em Suape. Como é o caso de termoelétricas a combustíveis fósseis, estaleiros, refinaria, petroquímica, parque de armazenamento de derivados de petróleo.

Hoje estes dois territórios, o de Belo Monte, e o de Suape sofrem as perversas consequências de um desenvolvimento predatório, excludente e concentrador de renda. Cuja principal característica comum é a destruição da vida.

Enquanto acontecem estes crimes contra as populações nativas e tradicionais (índios, ribeirinhos, pescadores catadores de mariscos, agricultores familiares), com reflexos nas áreas urbanas; a sociedade brasileira, em sua maioria, finge em desconhecer esta triste realidade cometida pelo poder público com cumplicidade das empresas. Tudo em nome do “progresso”. De alguns, evidentemente.

Até quando?

Heitor Scalambrini Costa, Articulista do EcoDebate, é Professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco

FONTE: https://www.ecodebate.com.br/2017/05/03/suape-belo-monte-esquecida-artigo-de-heitor-scalambrini-costa/

Destruição da Amazônia: estão abrindo as comportas para as mineradoras e o latifúndio!

Em mais uma demonstração que a mídia internacional consegue produzir matérias que revelam melhor o que está acontecendo no Brasil, o site Vice News publicou no dia 21/03 uma matéria assinada por Miguel Martinez que aborda o avanço do dematamento na Amazônia brasileira (Aqui!). Com sugestívos títulos e subtítulos, a matéria aponta para os vários riscos que estão colocados neste momento sobre os ecossistemas amazônicos e as populações que os utilizam para sua sobrevivência (ver reprodução abaixo.

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A matéria demonstra com dados bastante robustos como o Brasil “está abrindo as comportas” e “entregando a floresta Amazônica para mineradoras e o latifúndio “.  Mas a matéria vai além e explica como isto está sendo feito com o relaxamento da legislação ambiental e no estabelecimento de mecanismos que dificultam o processo demarcação de terras indígenas. Terras indígenas que tem ocupado um papel importante na contenção da remoção das florestas amazônicas, diga-se de passagem.

No tocante ao papel das mineradoras, Martinez mostra a interessante conexão existente entre a construção da hidrelétrica de Belo Monte (que ele caracteriza como sendo um desastre) com o estabelecimento de vários projetos de mineração, inclusive um que está sendo planejado pela mineradora canadense Belo Sun. Essa sinergia já tinha sido mais do que alertada por cientistas e ativistas ambientais brasileiros, mas o projeto foi levado a frente de qualquer maneira pelo governo Lula, e agora o presidente “de facto” Michel Temer está, digamos, apenas terminando o serviço.

A matéria alerta ainda para um renovado ciclo de violência, o qual já me foi notificado por pesquisadores que conhecem bem a região Amazônica. Este ciclo de violência está se caracterizando pela morte de ativistas sociais, como foi o caso do assassinato de um ativista do MST na cidade de Paraupebas no Pará (Aqui!). 

Há que se lembrar que a floresta amazônica possui muito mais valor em pé, não apenas em função da sua biodiversidade e de diversos serviços ambientais, mas também pelo seu papel na regulação climática em nível regional e global. Ao se permitir a aceleração do desmatamento e degradação de seus diversos ecossistemas, o que o Brasil está fazendo é complicar ainda mais os complexos ajustes que estão ocorrendo no clima da Terra.

Acidente em obras de Belo Monte deixa três feridos e três desaparecidos

belo monte

Um acidente nas obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, deixou três pessoas feridas e outras três ainda estão desaparecidas, informou o consórcio responsável pela obra; de acordo com o consórcio, um dos silos da central de concreto da obra desabou durante uma operação de descarga de um caminhão por volta das 2h deste sábado (30)

SÃO PAULO (Reuters) – Um acidente nas obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, deixou três pessoas feridas e outras três ainda estão desaparecidas, informou nesta sábado o consórcio responsável pela obra.

De acordo com o consórcio, um dos silos da central de concreto da obra desabou durante uma operação de descarga de um caminhão por volta das 2h deste sábado.

“Até o momento, lamentavelmente, três funcionários que trabalhavam no local não foram localizados pelo Corpo de Bombeiros de Altamira (PA) e pelas equipes de resgate baseadas naquele canteiro de obras”, informou em nota o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM).

“Outros três funcionários atingidos pelo desabamento foram atendidos no local por equipes médicas do CCBM –dois com ferimentos leves, já liberados, e um com fratura no ombro.”

Ainda de acordo com a nota, equipes da perícia e da Polícia Civil estão trabalhando no local do acidente.

Construída no rio Xingu, no Pará, a usina hidrelétrica de Belo Monte deve se tornar a terceira maior do mundo quando estiver concluída, o que deve acontecer em 2019. A expectativa é que a usina gere 11.233 megawatts de energia no período de pico da produção.

(Por Eduardo Simões)

FONTE: http://br.reuters.com/article/topNews/idBRKBN0OF0TW20150530

CSP CONLUTAS faz relato sobre greves no SUAPE e Belo Monte

Cerca de 100 mil operários em greve em Suape e Belo Monte; no Comperj 20 mil se mobilizam!

É hora de exigir o “Acordo Coletivo Nacional Articulado!”

 Em SUAPE (PE), noticia-se que a manifestação dos operários é em decorrência do atraso no pagamento de salários de mais de mil operários empregados do consórcio COEG – formado pelas empresas Conduto e Egesa. Além disso, os trabalhadores são contra  a demissão de cerca de 200 operários ocorridas recentemente. Esse clima está também associado às previsões de órgãos governamentais e do próprio Ministério Público do Trabalho (MPT) de demissão de  cerca de 40 mil na obra do complexo, nos próximos dois anos.

 Em Altamira (PA), os 27 mil operários de todos os sítios da obra da Usina Hidrelétrica de Belo Monte (UHE) estão de braços cruzados desde o dia de ontem. Os trabalhadores reivindicam 15% de reajuste nos salário entre outros inúmeros benefícios. Reunidos, eles rejeitaram a proposta do CCBM, consórcio construtor, de apenas 11%. A greve é por tempo indeterminado e além do reajuste nos salários eles, há tempos, reivindicam aumento no valor da cesta básica, direito folga a cada 90 dias, equiparação salarial entre os que exercem a mesma profissão .

Os operários do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), na manhã de hoje, intensificaram suas discussões ao receberem o boletim “Acorda Peão” (que tem o apoio da CSP-Conlutas). Esses trabalhadores também estão em mobilização por reajuste de salários e outros benefícios. Como em Belo Monte, eles já estão em campanha salarial e há uma imensa disposição de luta na categoria.

Para o membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Atnágoras Lopes, mais uma vez a disposição de luta desses operários se enfrentará com o aparato repressor dos governos federal e estaduais e a “omissão” da Petrobrás, no caso de Pernambuco e Rio de Janeiro. Em Belo Monte, o canteiro segue ocupado pela Força Nacional de Segurança que, como fez a pouco mais de um mês atrás, está pronta para prender e criminalizar a luta dos trabalhadores.

“Mais uma vez está colocada a necessidade de unir essas mobilizações e greves e exigir do Governo Dilma, como já reivindicam todas as centrais sindicais, a negociação e atendimento das pautas contidas na proposta de ‘Acordo Coletivo Nacional Articulado’ e, de maneira imediata, os sindicatos, que representam o s operários dessas três obras mobilizadas, precisam chamar um comando nacional unificado”, propõe Atnágoras.

FONTE: http://cspconlutas.org.br/2013/11/cem-mil-operarios-em-greve-em-suape-pe-e-belo-monte-pa-no-comperj-rj-cerca-de-20-mil-tambem-se-mobilizam/