Flávio Bolsonaro e a suprema irresponsabilidade de um neófito

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Movimento Hamas emitiu comunicado de imprensa que irritou o senador Flávio Bolsonaro.

O agora (ou seria ainda?) senador Flávio Bolsonaro mostrou o característico pavio curto que parece caracterizar a sua família e respondeu a uma crítica do movimento “Hamas” dizendo (ou desejando) que queria que o movimento palestino explodisse (ver imagem abaixo)

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A mídia corporativa informa que provavelmente orientado por pessoas mais racionais que o acompanham na viagem que ainda realiza a Israel, Flávio Bolsonaro apagou o tweet em que informava ao Hamas seu desejo de que se explodisse.

O primeiro problema aqui é que o Hamas possui notório conhecimento em mídias digitais e certamente não só de um “print” no tweet com o desejo do filho mais velho de Jair Bolsonaro, como já o está circulando em suas mídias.

O segundo problema, que decorre diretamente do primeiro, é que faltou a um senador da república o mínimo de sensibilidade ao se dirigir a um movimento que já demonstrou forte capacidade de ação militar e de usar com grande êxito táticas heterodoxas típicas da guerra de guerrilha.

Juntados os dois erros, o que temos é um agravamento do risco político causado pela visita e dos compromissos firmados pelo presidente Jair Bolsonaro com o líder israelense Benjamin Netanyahu.

Outro aspecto que gostaria de ressaltar é a impossibilidade de concretização de desejos de boa parte da mídia corporativa de que o alto número de militares no governo Bolsonaro serviria como uma espécie de contrapeso racional às manifestações intempestivas que brotam do presidente e de seus três filhos.  O que está provocação ao Hamas demonstra é que eles são incontroláveis e impulsionados por sua condição de neófitos em ação política internacional estão a nos causar danos irreparáveis nas relações comerciais, e ainda nos expondo a uma possível fúria do Hamas. Simples, mas ainda assim totalmente trágico.

 

As bizarrices do ministro de Relações Exteriores vão custar caro ao Brasil

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De um governo que está à beira de assumir o poder do quinto país mais populoso da Terra se espera cuidado e pragmatismo para não comprometer parcerias existentes e nem ameaçar a realização de outras.

Mas nada disso vem marcando a exposição pública do presidente eleito (vide as treulocadas declarações durante a recepção ao primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu) e muito menos as declarações do futuro ministro das Relações Exteriores, o embaixador de segunda classe Ernesto Araújo em um artigo publicado na revista ultraconservadora “The New Criterion”  de que ““Deus uniu ideias de Olavo de Carvalho ao patriotismo do presidente” e que “Deus deverá assumir um papel central na vida política brasileira” [1].

Essas declarações deverão cair bem em congregações religiosas, especialmente aquelas centradas na crença de que estamos à beira do Apocalipse, mas dificilmente farão bem aos interesses multilaterais brasileiros. É que nas economias com que o Brasil faz a maioria de seus negócios, essa indicação de que seremos governados por Deus dificilmente abrirão portas. 

Desconfio, inclusive, que esse tipo de declaração é mais para o público interno do que para o externo. É uma espécie de reforço dos compromissos anunciados em altares de diferentes variantes do Cristianismo brasileiro pelo presidente eleito. O problema é que o ministro das Relações Exteriores não está a cargo da aplicação das doutrinas religiosas no plano interno, mas essencialmente dos interesses econômicos e políticos no plano internacional. 

Assim, imaginemos as repercussões que as imagens de Benjamin Netanyahu sendo recebido com pompa e circunstância por Jair Bolsonaro terão nos países árabes que compram uma parte significativa da produção pecuária brasileira.  Achar que esta recepção dada ao primeiro ministro israelense não está sendo acompanhada nos parceiros comerciais árabes chega a ser bizarro, dada a existência do canal Al Jazeera que, inclusive, possui profissionais sediados no Brasil.

De toda forma, tenho a impressão de que não haverá demora nas respostas que deverão vir do exterior como resposta das bizarrices do futuro ministro das Relações Exteriores. Ao contrário do que muitos acham, penso que Ernesto Araújo, e não Fabrício Queiróz (o vendedor de carros que gerou um sistema de cobrança diretamente associado ao dia do pagamento  de salários na Assembleia Lesgislativa do Rio de Janeiro), o foco da primeira crise do governo Bolsonaro. A conferir!


[1] https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/27/politica/1545925083_475905.html

 

 

Liberdade de expressão, pero no mucho

A recente onda de defesa da liberdade de expressão por governantes acostumados a pisoteá-la sempre que confrontados por cobranças e críticas é uma das muitas hipocrisias óbvias que se seguiram ao massacre realizado por dois extremistas islâmicos na revista parisiense Charlie Hebdo. Na gigantesca manifestação que ocorreu em Paris neste domingo passado, uma das muitas figuras estranhas aos gritos de liberdade de expressão foi o primeiro ministre israelense Benjamin Netanyahu. É que liberdade de expressão não é realmente o forte  de  Netanyahu. 

Agora, não mais do que 24 horas depois de marchar em Paris, Benjamin Netanyahu está no centro de uma controvérsia por causa de uma charge (essas charges sempre polêmicas) publicada pelo jornal britânico “Sunday Times) que aparece logo abaixo. É que como pode se ver na charge produzida pelo chargista Gerald Scarfe, Netanyahu aparece construindo um muro com o sangue e corpos de palestinos, com uma frase provocativa onde é dito “a colocação do cimento da paz vai continuar?”.

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Numa demonstração inequívoca que liberdade de expressão só é boa nos olhos dos outros, a charge já provocou reações iradas do embaixador de Israel no Reino Unido, e do líder do congresso israelense que consideraram a charge anti-semítica.  De quebra, também o ex-primeiro ministro britânico Tony Blair se juntou ao muro de lamentações em torno de uma charge que, convenhamos, não tem nenhum caráter anti-semita, como comentou o correspondente do jornal israelense Haaretz, Anshel Pfeffer, ao afirmar que ” a charge não foi anti-semita por qualquer padrão, já que a mesma não foi dirigida aos judeus, não mostra símbolos judaicos, e não usa imagens do Holocausto.”

Mas, como se depreende desta polêmica, liberdade de expressão só é boa para os outros. Mais detalhes desta polêmica podem ser encontrados (Aqui!).