As bizarrices do ministro de Relações Exteriores vão custar caro ao Brasil

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De um governo que está à beira de assumir o poder do quinto país mais populoso da Terra se espera cuidado e pragmatismo para não comprometer parcerias existentes e nem ameaçar a realização de outras.

Mas nada disso vem marcando a exposição pública do presidente eleito (vide as treulocadas declarações durante a recepção ao primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu) e muito menos as declarações do futuro ministro das Relações Exteriores, o embaixador de segunda classe Ernesto Araújo em um artigo publicado na revista ultraconservadora “The New Criterion”  de que ““Deus uniu ideias de Olavo de Carvalho ao patriotismo do presidente” e que “Deus deverá assumir um papel central na vida política brasileira” [1].

Essas declarações deverão cair bem em congregações religiosas, especialmente aquelas centradas na crença de que estamos à beira do Apocalipse, mas dificilmente farão bem aos interesses multilaterais brasileiros. É que nas economias com que o Brasil faz a maioria de seus negócios, essa indicação de que seremos governados por Deus dificilmente abrirão portas. 

Desconfio, inclusive, que esse tipo de declaração é mais para o público interno do que para o externo. É uma espécie de reforço dos compromissos anunciados em altares de diferentes variantes do Cristianismo brasileiro pelo presidente eleito. O problema é que o ministro das Relações Exteriores não está a cargo da aplicação das doutrinas religiosas no plano interno, mas essencialmente dos interesses econômicos e políticos no plano internacional. 

Assim, imaginemos as repercussões que as imagens de Benjamin Netanyahu sendo recebido com pompa e circunstância por Jair Bolsonaro terão nos países árabes que compram uma parte significativa da produção pecuária brasileira.  Achar que esta recepção dada ao primeiro ministro israelense não está sendo acompanhada nos parceiros comerciais árabes chega a ser bizarro, dada a existência do canal Al Jazeera que, inclusive, possui profissionais sediados no Brasil.

De toda forma, tenho a impressão de que não haverá demora nas respostas que deverão vir do exterior como resposta das bizarrices do futuro ministro das Relações Exteriores. Ao contrário do que muitos acham, penso que Ernesto Araújo, e não Fabrício Queiróz (o vendedor de carros que gerou um sistema de cobrança diretamente associado ao dia do pagamento  de salários na Assembleia Lesgislativa do Rio de Janeiro), o foco da primeira crise do governo Bolsonaro. A conferir!


[1] https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/27/politica/1545925083_475905.html

 

 

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