Lama ou rejeito: as denúncias sobre o TsuLama da Samarco não param de aparecer

samarco rejeito

AMIGOS AMBIENTALISTAS E PROTETORES DOS ANIMAIS:

O que impulsiona este trabalho é a avalanche de mentiras que a Samarco divulga e que o governo brasileiro parece engolir como se fosse verdade.

A microscopia do rejeito mostra que há muito minério de ferro incrustado nas partículas de sílica que hoje revestem todo o leito do Rio Doce. O minério nada mas é que ferrugem ou óxido de ferro que é altamente friável (farelento), e lentamente se dissolve e entra em suspensão nas águas, funcionando como um corante vermelho. O Rio Doce não está barrento e sim contaminado com altos teores totais de óxidos de ferro o que aumenta sua turbidez ou opacidade.

A luz não consegue penetrar nas águas o que impede a fotossíntese do fitoplâncton no rio e no mar e a absorção dos raios aquecem as águas pois o Sol fornece a impressionante potência de 1400 W por metro quadrado.

A água doce menos densa e agora mais quente flutua no mar de uma forma como nunca antes o fez criando um tapete bloqueador para a fotossíntese das algas marinhas e do fitoplanctôn.

O problema vai além de onde as autoridades do Governo Federal tentam mascarar com relatórios incompletos feitos pelo CPRM e o IBAMA que passam as águas por um filtro de 0,45 micrômetros e apresentam apenas parte do ferro poluente do Rio Doce.

Os animais não possuem filtros e estão ingerindo o total teor de poluentes presentes nestas partículas da rocha britada e moída da jazida da Samarco. Temos além do ferro o alumínio, o manganês e o cromo nessa rocha e a Samarco sempre conheceu sua composição granuloquímica e deliberadamente escondeu da população tentando minimizar seu prejuízo financeiro com ações indenizatórias.

A “AMINA” tóxica usada na separação do minério da sílica também estava presente no rejeito e foi omitido das populações e autoridades de forma irresponsável e criminosa. As éter-aminas são corrosivas a pele, olhos e altamente tóxicas aos peixes.

Apenas para concluir e ser simplista, experimentem esquecer uma palha de aço molhada sobre uma pia de cozinha e entenderão o que estas incrustações nas partículas dispersas no Rio Doce farão nas décadas vindouras.

Está na hora da Samarco “fazer o que deve ser feito” que é dizer a verdade, porque se não o fizer, faço eu aqui na rede social.

Eng. Alexandre G. Valente

Fonte:

MICROSCOPIA:
Dissertação de Mestrado – Produção de um pellet feed a partir da concentração do rejeito da flotação mecânica da SAMARCO – Autor: Marcos Gomes Vieira.
(Vieira 2008) – Vide Pág 51
http://www.ppgem.eng.ufmg.br/defesas/936M.PDF

TOXIDADE DAS ÉTER AMINAS:

Ficha de segurança Éter Diamina – (Não é sabido ser ou não fornecedor Samarco)
ALTAMENTE TÓXICO AOS PEIXES – Solubilizável em água e alcool:
http://201.57.253.136/…/FI…/FISPQs/F/flotigam%202835%202.pdf

Ficha de segurança Éter Monoamina – (Não é sabido ser ou não fornecedor Samarco) Insolúvel em água.
http://201.57.253.136/…/FI…/F

FONTE: https://www.facebook.com/alexandre.galvaninivalente

Após o TsuLama, governo Dilma e mineradoras partem para o escárnio

escárnio

ESCÁRNIO: PARA RECUPERAR O RIO DOCE, GOV. FEDERAL PROPÕE FUNDAÇÃO GERIDA PELA SAMARCO, VALE E BHP

#NãoFoiAcidente #Ecocídio #SamarcoAssasina#ValeAssassina

Por Mães de Maio

Sim, vocês entenderam bem a chamada desta postagem. O jornal Folha de S.Paulo noticia hoje, na sua versão impressa, que o Governo Federal “criará uma fundação”, financiada pelas mineradoras envolvidas no desastre, a qual será “a responsável pela recuperação do Rio Doce”.

A decisão teria sido tomada ontem após reunião entre a Advogacia Geral da União (AGU) e representantes das três mineradoras responsáveis pela devastação: Samarco, Vale e BHP. Acordaram criar uma fundação (público-privada? privada?) com um orçamento inicial estimado em R$ 20 Bilhões – os quais, na verdade, deveriam compor a multa (mínima) das 3 mineradoras por tudo o que cometeram em toda a região – e os incalculáveis prejuízos sócio-ambientais de curto a longo prazo.

AGORA A INFORMAÇÃO AINDA MAIS GRAVE, contida na mesma matéria (e confirmada por outras pessoas que estão acompanhando o caso de perto): Além de decidir o mecanismo pelo qual sua multa à sociedade será gerida, “Nas negociações, as mineradoras conseguiram que os [futuros] gestores da Fundação fossem indicados pelas [próprias] empresas, restando ao Poder Público [apenas] fiscalizar as ações”…

É isto mesmo: após um dos maiores crimes ambientais da história deste país, o Governo Federal – em conluio com as 3 mineradoras responsáveis pelo ecocídio – está viabilizando um meio jurídico-administrativo para que elas próprias sigam gerindo a multa (mínima) devida por elas, frente aos incalculáveis efeitos de sua exploração mineradora. Um fundo bilionário de, no mínimo, R$ 20 Bilhões que elas deveriam pagar à sociedade, mas que agora será fonte de um novo negócio “social, ambiental, sustentável” que elas vão gerir lado-a-lado com os interesses da sua atividade mineradora predatória, que seguirá.

Um verdadeiro escárnio com toda população dilacerada da região (cidades, ribeirinhos, indígenas, pescadores etc), e com todos nós que acompanhamos apreensivos os desdobramentos da calamidade. Os gestores ainda tiveram a desfaçatez de declararem, na mesma matéria, que “representantes da sociedade civil [muito provavelmente pessoas como o fotógrafo Sebastião Salgado e companhia já patrocinada pela Vale] e especialistas vão compor o conselho CONSULTIVO”. Aquele tipo de “consulta” e aqueles “conselhões” que, sabemos, são totalmente levados em conta pelos gestores estatais ou privados de turno… Teria sido minimamente mais honesto se propusessem a criação direta de um departamento interno, nas próprias mineradoras ecocidas, aqueles bem de fachada, totalmente subordinado aos interesses empresariais, com um nome de marketing pomposo do tipo “responsabilidade ambiental, social, sustentabilidade”, ou qualquer outra mentira que Vale…

Enquanto isso, quanto Vale todo um Rio? Quanto Vale a Vida de centenas de milhares de pessoas que dependem, direta ou indiretamente, desta brincadeira (ecocida e assassina) de mal gosto?!

Leiam abaixo com seus próprios olhos as matérias, e tiremos as nossas conclusões individuais, e consequências coletivas.

A matéria completa da Folha está aqui: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/01/1732152-governo-criara-fundacao-para-recuperar-do-rio-doce.shtml

E aqui na versão mais oficiosa da EBC: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-01/governo-vai-criar-fundacao-financiada-por-mineradoras-para-recuperar-rio-doce

FONTE: https://www.facebook.com/maes.demaio/photos/a.174007019401673.38528.173936532742055/730779910391045/?type=3&theater

Caos no Rio Doce: primeiro o TsuLama, agora a inundação

rio doce

A situação ambiental na bacia do Rio Doce já não era boa antes do rompimento da barragem do Fundão da Mineradora Samarco (Vale+BHP Billiton), mas piorou consideravelmente após o início do TsuLama. É que somado aos problemas da erosão de encostas e lançamento de rejeitos urbanos e industriais, há agora a carga física dos rejeitos entulhando trechos inteiros da calha principal do Rio Doce, e que causa reverberações no fluxo hídrico de seus tributários.

Se somarmos a situação do rio à ocorrência de chuvas torrenciais, como está ocorrendo nas últimas semanas, a possibilidade é que as cidades situadas à beira do Rio Doce comecem a sofrer com inundações que, por tabela, trarão para o interior delas parte dos rejeitos que escaparam em Bento Rodrigues.

Pois bem, observando jornais mineiros e capixabas já posso dizer que passamos do campo da possibilidade para o da realidade.  Informações divulgadas pela CPRM e pelas redes sociais dão conta de uma abrupta elevação da cota, e de episódios de inundação em várias cidades, incluindo Governador Valadares (MG) e Colatina (ES).

Logo no início do surgimento do TsuLama comentei aqui no blog e em entrevistas a jornalistas que uma das possíveis consequências do aumento da carga de sedimentos na calha dos rios atingidos direta ou indiretamente pelo problema seria justamente a propensão ao aumento de inundações. Para dizer isso me baseei numa monografia que orientei sobre os efeitos do derrame de bauxita em Miraí (MG) e que atingiu o Rio Muriaé, e que teve como consequência direta o aumento de inundações.

O problema das inundações é apenas mais um que decorre do TsuLama, mas é um particularmente importante porque tenderá a ter efeitos de multiplicação no tempo e no espaço. É que parte significativa do material acumulado na calha do Rio Doce irá demorar muito tempo para chegar ao oceano, o que provavelmente causará a repetição de inundações anuais, mesmo em anos em que o montante de chuvas não justifique a ocorrência.

Por essa e outras é que o recente acordo entre o governo federal e os de Minas Gerais e Espírito Santo com a Vale e a BHP Billiton se torna completamente esquisito. É que em vez de oferecer leniência e o controle efetivo da situação às corporações, o caminho que deveria estar sendo adotado deveria ser justamente o oposto, ou seja, a adoção de punições exemplares e o fortalecimento dos órgãos ambientais.

Agora, aos habitantes das cidades próximas do Rio Doce e de seus tributários o caminho é cobrar a responsabilização de quem causou o TsuLama. Do contrário, o tango da impunidade vai continuar, mas quem vai realmente dançar serão os próprios atingidos.

MPF questiona termos de acordo da AGU com Samarco

Ministério Público Federal cobra explicações sobre negociação para adiar depósito de R$ 2 bi, previsto para esta quarta-feira. Ofício foi enviado à Advocacia-Geral da União e a representantes de Minas e Espírito Santo.

Por Paulo Henrique Lobato

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(foto: Jair Amaral/ EM/D.A Press)

O Ministério Público Federal (MPF) enviou ofício à Advocacia-Geral da União (AGU) e aos côngeneres do órgão em Minas Gerais e Espírito Santo cobrando explicações sobre o pedido da Samarco para que os três órgãos concordem em prorrogar em 15 dias o depósito de R$ 2 bilhões que a mineradora precisa efetuar numa conta judicial. O prazo nesta quarta-feira.

O MPF enviou 19 questionamentos à AGU e aos dois estados. “Nossos questionamentos envolvem aspectos que precisam ser melhor esclarecidos, pois esse acordo deve atender primordialmente aos interesses da sociedade e do meio ambiente. A pressa, imprimida pela velocidade política e econômica, não pode atropelar os direitos das comunidades atingidas e a efetiva reparação ambiental”, afirmou o procurador José Adércio Leite Sampaio.

O depósito de R$ 2 bilhões foi determinado pela 12ª vara da Justiça Federal em Minas, em dezembro passado, em atendimento a uma ação civil pública ajuziada pela AGU e os dois estados. A ação visa garantir uma espécie de fundo para financiar a revitalização do meio ambiente.

Ontem, num encontro em BH, o diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, solicitou a prorrogação do prazo. A AGU consultou vários órgãos federais e estaduais, que não colocaram dificuldades em atender o pedido. Porém, a resposta oficial da AGU ainda não foi divulgada, o que deverá ocorrer até o fim da tarde.

O MPF quer saber todos os detalhes da proposta apresentada pela mineradora. “Até agora nos pareceu uma proposta demasiadamente genérica, pondo em dúvida se haverá efetiva proteção dos interesses fundamentais das pessoas direta e indiretamente atingidas pelo rompimento da barragem, assim como a tutela integral do meio ambiente degradado”, disse o procurador.

Um dos 19 questionamentos feitos pelo MPF trata do valor da ação civil pública ajuizada pela AGU, Minas e o Espírito Santo. A Justiça Federal determinou o depósito de R$ 2 bilhões, mas o total ainda poderá chegar a R$ 20 bilhões, pois há uma estimativa de que o meio ambiente seja recuperado em 10 anos.

“Como será solucionada a questão se os valores necessários superarem o total de R$ 20 bilhões ou se for necessário o aporte de mais de R$ 2 bilhões em determinados anos?”, indaga o procurador.

FONTE: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2016/01/20/interna_gerais,726852/mpf-questiona-termos-de-acordo-da-agu-com-samarco.shtml

Estudo revela potencial ruptura de novas barragens em Mariana

Digital Globe/Global Geo/Reprodução

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Um estudo feito pela mineradora Samarco a pedido da Justiça considera a possibilidade de rompimento das barragens de Santarém e Germano, as únicas que ficaram de pé em Mariana (MG), após a tragédia em 5 de novembro que aniquilou o distrito de Bento Rodrigues. Segundo o jornal Folha de S. Paulo desta quarta-feira, o levantamento estima que seriam liberados 105 bilhões de litros de rejeitos em caso de novos rompimentos.

Quando a barragem de Fundão se rompeu, avalia-se que 40 bilhões de litros de rejeitos de minério foram despejados da estrutura. O volume foi suficiente para riscar do mapa Bento Rodrigues e devastar a fauna e a flora da Bacia do Rio Doce – a quinta maior bacia hidrográfica brasileira. O “mar de lama”chegou ao Oceano Atlântico, ameaçando ainda o recife de corais de Abrolhos, que possui a maior biodiversidade do Brasil.

As estruturas de Germano e Santarém foram danificadas após o rompimento da barragem de Fundão, mas a mineradora afirma que os reservatórios remanescentes estão “estáveis”. A empresa diz ainda que trabalha para reforçá-los até o fim de fevereiro.

No documento obtido pela Folha, cinco possibilidades foram avaliadas, mas todas levam em conta que a barragem de Santarém, que armazena água para a produção mineral e fica mais próxima de Bento Rodrigues, transborde ou se rompa. O pior cenário supõe que isso aconteceria após a ruptura da barragem de Germano, que fica atrás de Santarém.

Também são exibidos cenários que chagariam, ao menos, até a hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga), a 109 quilômetros das barragens. Além do assoreamento e da mudança do curso de rios, foram levados em consideração também a destruição de áreas de preservação ambiental, o que acabaria com a vida animal, interromperia os fornecimentos de água e luz e inundaria propriedades urbanas e rurais.

As previsões indicam que a lama chegaria em dez minutos ao local onde antes morava o povoado de Bento Rodrigues, que hoje está completamente submerso pela lama de Fundão. O município de Barra Longa, a 77 quilômetros de distância, seria atingido após 11 horas, intervalo próximo ao do dia da tragédia.

A consultoria Pimenta de Ávila, que fez o estudo, pede que a Samarco cadastre as habitações que podem ser atingidas, a fim de facilitar a evacuação. Ela pede também que a mineradora elabore um novo plano de emergência para as barragens. O Ministério Público de Minas Gerais vai solicitar que a Justiça determine as medidas. Conforme a mineradora informou ao jornal, o plano já está em “fase de elaboração de escopo para a contratação de empresa especializada”.

FONTE: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/estudo-revela-potencial-ruptura-de-novas-barragens-em-mariana-mg

Enquanto governo e mineradoras dançam tango da impunidade, o espectro da destruição sobrevoa MG

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Abordei ontem aqui neste blog, o ensaio do tango da impunidade que o governo Dilma e as mineradoras estão ensaiando para que o TsuLama da Samarco não receba a pesada punição financeira que o incidente demanda ( Aqui!).

Pois bem, as imagens abaixo vindas do site UOL e dos jornais Estado de São Paulo e  O Tempo dão conta de que as ” negociações” estão caminhando em favor de desobrigar a Samarco (leia-se Vale e BHP Billiton) de começaram a pagar pelos casos imensuráveis que o TsuLama está causando na bacia do Rio Doce e na região costeira do Espírito Santo.

Dessas imagens a minha favorita é a manchete da edição desta 4a .feira do jornal O Tempo que diz “União alivia Samarco de pagar R$ 20 bilhões”.  É que essa manchete expressa tão bem o conteúdo das “negociações” em curso que nem é preciso ler sequer a matéria que a mesma anuncia.

Mas quem clicar na imagem da matéria do mesmo jornal O TEMPO publicada ontem verá a frase lapidar do ministro da Advocacia Geral da União, Luis Inácio Adams, explicando o raciocínio em se aliviar a Samarco (leia-se Vale e BHP Billiton) de arcarem com suas responsabilidades. É que segundo Adams, a multa poderia matar o paciente (no caso a Samarco). O problema aqui é que o paciente que deveria ser salvo é outro, o Rio Doce. Mas na ânsia de livrar a cara das mineradoras, sequer a mísera multa de R$ 250 milhões imposta pelo IBAMA logo após a eclosão do TsuLama em 05.11.2015 foi recolhida. 

Mas enquanto o Estado brasileiro e as mineradoras dançam o tango da impunidade, duas matérias publicadas também no dia de hoje pelo site UOL e pelo jornal Estado de Minas mostram que o espectro da destruição causado pela combinação de negligência das mineradoras e leniência do Estado (seja ele representado na forma de governo federal ou estadual) continua fazendo com que o espectro da destruição continue bailando sobre os céus de Minas Gerais.

E o que vemos é que não apenas há um enorme risco potencial de que a montanha de rejeitos ainda presa em Bento Rodrigues escape, aumentando dramaticamente a dimensão do TsuLama, mas que já existe pelo menos um caso de outra barragem de rejeitos que se rompeu nos últimos dias em Minas Gerais. E essa bem próxima da cidade de Belo Horizonte.

Essa situação toda exigirá respostas bem mais duras para impedir que as dezenas barragens em condição considerada crítica explodam em diferentes partes do território mineiro. O problema é que a reação dificilmente partirá do Estado e das mineradoras.  Simples assim!

Mais lama a caminho do rio Doce

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O grande volume de chuvas na região de Mariana levará mais lama para o rio Doce nos próximos dias. A denúncia foi feita pelo biólogo Dante Pavan. Em sua página no Facebook, ele postou fotos mostrando que a lama retirada do leito do rio Gualaxo, pela Samarco, após a tragédia que devastou Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, está novamente sendo engolida pelas águas por negligência da própria empresa.

FONTE: http://mundovastomundo.com.br/18919-2/

TsuLama da Samarco: Governo Dilma e mineradoras ensaiam o tango da impunidade

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Desde que o TsuLama da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) eclodiu em Mariana (MG) e devastou o Rio Doce e partes do litoral capixaba, o governo federal e dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo vem ensaiando um belo tango da impunidade.

As características desse tango entre governantes e importantes financiadores de suas campanhas eleitorais ficou evidente por um lado com a demora de Dilma Rousseff de ir visitar as áreas destruídas pelo TsuLama da Samarco e, por outro, pela celeridade de Fernando Pimentel de realizar uma coletiva de imprensa na sede da Samarco para declarar basicamente que a empresa também era vítima do evento que sua negligência tornou possível.

Depois tivemos manifestações pífias da ministra do Meio Ambiente Izabela Teixeira e da sua ajudante de ordens e presidente do IBAMA, Marilene Ramos. Somado tudo o que essas duas autoridades disseram, a impressão que ficou é que a coisa no Rio Doce e no litoral capixaba não era tão feia quanto as redes sociais pintavam.

Ainda tivemos a manifestação de um pesquisador contratado pelo Ministério do Meio Ambiente que foi na imprensa nacional e internacional anunciar que a ressurreição do Rio Doce ocorreria num prazo de até 5 meses (Aqui!)

Toda esses fatos colocados juntos apontam para a submissão do Estado brasileiro em relação às duas mineradoras, Vale e BHP Billiton, que são as efetivas proprietárias da Mineradora Samarco.

Mas agora, em meio a pesadas chuvas e mais material do TsuLama chegando no Rio Doce, vemos uma etapa mais objetiva desse tango da impunidade que combina dois passos: 1)  a ação da Vale para impedir que sua empresa seja obrigada a pagar as multas determinadas pela justiça e 2) a entrada em campo do governo Dilma para chegar a um acordo “por fora” da justiça que certamente jogará qualquer desembolso de recursos por parte da Vale e da BHP Billiton para um cenário fictício.

Há que se ressaltar que este tango não é algo de ocasião, pois é dançado toda vez em que um grande incidente ambiental acontece no Brasil. A diferença é que agora Estado e corporações tentam esse tango para escapar dos tribunais que ameaçam, provavelmente por causa da dimensão do problema, ter uma ação mais diligente e rápida.

Além disso, é preciso considerar a possibilidade de que  esta volúpia em chegar a um valor para este tal fundo de reparação se deva à possibilidade que as dimensões ambientais e sociais tornem a quantia de R$20 bilhões uma pechincha.

Fortes chuvas na bacia do Rio Doce aumentam risco de ampliação da catástrofe iniciada pelo TsuLama da Samarco

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Ao contrário de que alguns “especialistas” anunciaram o início do período das chuvas não está causando uma diminuição dos riscos associados à erupção do TsuLama da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) no distrito de Bento Rodrigues em Mariana (MG). É que depender do imponderável para corrigir o drama iniciado pela negligência das mineradoras é como atrair a primeira lei de Murphy (aquela que diz que não há nada tão ruim que não possa piorar).

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Como mostra o mapa sinótico acima, a intensidade aguda das chuva ao longo da bacia hidrográfica do Rio Doce está potencializando uma combinação desastrosa entre o afogamento da sua calha pelos rejeitos da Samarco com a quantidade elevada que está vindo dos diferentes tributários. A combinação desses dois componentes está causando uma série de alertas pela Defesa Civil de Minas Gerais por causa da possibilidade de inundação de várias cidades.

Para não deixar dúvidas dos efeitos dessa combinação de fatores negativos, posto abaixo duas páginas do Boletim Extraordinário que foi emitido hoje pelo Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Doce que é mantido pela Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais (CPRM).

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As informações postadas pela CPRM confirmam a sinergia negativa entre o aumento da pluviosidade e a consequente elevação das cotas de diversos rios, bem como um esperado aumento no nível de turbidez ao longo da calha principal do Rio Doce até a sua foz em Regência no Espírito Santo. Ainda que nem toda a elevação da turbidez no Rio Doce esteja sendo causada pela chegada de mais material associado ao TsuLama da Mineradora Samarco, o fato que não pode se desprezar é que o aumento da pluviosidade está sim contribuindo para que mais lama que escapou da barragem do Fundão consiga se mover para fora dos locais onde o material se assentou inicialmente.

E mais do que nunca, a pergunta que não quer calar: como será que anda a estabilidade das estruturas que restaram em Bento Rodrigues? É que a pior combinação possível ainda não se realizou e que seria a destruição das barragens que ainda estão precariamente segurando os rejeitos da Samarco e da Vale desde a explosão da barragem do Fundão no dia 05/11/2015.

 

Mistério resolvido em Mariana: desde 2013 Samarco sabia que barragem podia desabar

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Desde o dia 5 de Novembro uma debate que eu considero estéril ocorreu sobre se teria havido ou não um acidente na barragem do Fundão operada pelo Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) em Mariana (MG). Desde os primeiros dias após o início do TsuLama me alinhou com aqueles que viram a negligência e a ganância corporativa como a real causa do incidente que destruiu vidas e colocou o Rio Doce numa condição de coma profunda. 

Eis que hoje a Rede Globo colocou no programa “Fantástico” uma matéria mostrando que apurações do Ministério Público de Minas Gerais possui documentos que mostram que a Samarco sabia do risco de desabamento da barragem do Fundão desde 2013 (Aqui!).

Essa veiculação no Fantástico já foi ecoada pelo jornal Valor Econômico que dá maiores detalhes sobre a investigação realizada pelo MPMG (Aqui!)

A matéria do Valor Econômico informa que um documento da Polícia Federal obtido pelo “Fantástico” mostrou que em Setembro de 2014, a Samarco (Vale + BHP Billiton)  foi alertada sobre a presença de trincas na estrutura da barragem do Fundão, as quais caracterizavam um início de movimento de escorregamento do maciço da pilha[de rejeitos.

Em palavras curtas, os dirigentes da Samarco sabian que a barragem poderia romper, e não adotou as medidas técnicas necessárias para impedir a explosão da barragem, o que acabou acontecendo no fatídico dia 5 de Novembro de 2015, quase um ano depois do alerta. 

Agora que essa etapa da disputa retórica sobre as causas do incidente de Mariana está superada, vamos ver como fica esse caso.  Mas o mínimo que se espera é que as multas bilionárias sejam de fato cobradas das mineradoras, e que a população de Mariana e de todas as cidades atingidas pelo TsuLama não sejam deixadas à mercê do destino, como, aliás, está acontecendo até agora.