A lama da Samarco e o licenciamento “Fast Food”

Abaixo vai o extrato de uma matéria publicada pela Folha de São Paulo sobre o “plano de emergência” da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) para o caso de um incidente na barragem do Fundão, aquela mesma que causou o TsuLama que invadiu o Rio Doce e a costa do Espírito Santo.

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O mais importante dessa matéria é que a Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) não previu a dispersão do TsuLama para além de Bento Rodrigues, ignorando o que a topografia da região de Mariana torna óbvio, qual seja, que o TsuLama alcançaria o Rio Doce e causaria impactos para muito além de seu epicentro.

A segunda informação que eu considero relevante para entender as relações estabelecidas no espectro do que eu chamo de licenciamento ambiental “Fast Food” é que quem previu de forma equivocada as consequências de um rompimento da barragem de rejeitos da Samarco foi uma empresa de consultoria. Tal fato evidencia, ao  menos para mim, os ônus da terceirização (quiça quarteirização) das diferentes fases do processo de licenciamento ambiental.

E tudo isso sob os narizes dos governantes tucanos que comandavam o governo de Minas Gerais!

Matéria do Estado de Minas coloca em xeque discurso de responsabilidade social da Mineradora Samarco

Famílias e empresas de municípios banhados pelo Rio Doce lamentam abandono pela Samarco

Indiretamente atingidas pela tragédia em Mariana, pessoas e empresas que tiveram perdas com o rompimento da Barragem do Fundão alegam que foram esquecidas pela Samarco, que ainda não atendeu seus pedidos

Por Pedro Ferreira , Paula Carolina /Estado de Minas

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Famílias e empresas de municípios ao longo do Rio Doce em Minas Gerais e no Espírito Santo, que tiveram suas vidas prejudicadas pelo rompimento da Barragem do Fundão, reclamam que não estão recebendo a mesma atenção dada pela Samarco às vítimas dos subdistritos de Mariana, na Região Central do estado, onde a barragem de rejeitos de minério estourou em 5 de novembro. Segundo essas pessoas, passados 37 dias da tragédia elas não receberam nenhum tipo de ajuda financeira da mineradora. Em Galileia, Vale do Rio Doce, muitos pescadores estão de braços cruzados, pois todos os peixes morreram e o rio continua cheio de lama.

Para complicar ainda mais a situação, a Secretaria Municipal de Saúde de Galileia denuncia que a água distribuída pela Samarco está contaminada com coliformes fecais, totais e escherichia coli, que causa diarreia e vômito na população. A análise da água foi feita pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Segundo a secretária de saúde, Meirimarcia Gonçalves Santos, 92 moradores da cidade adoeceram depois que passaram a usar a água fornecida pela mineradora, número considerado elevado para um universo de 7 mil habitantes. Antes, era um caso isolado de diarreia por mês, segundo ela. “Temos um surto da doença”, alerta Mairimarcia.

A secretária explica que água potável é aquela apropriada para o consumo humano. “A água distribuída, de acordo com ela, é captada em Governador Valadares, Ipatinga e Conselheiro Pena. “As análises feitas em diversas amostras comprovam que a água está contaminada.”

Quem depende do rio para sobreviver, como os pescadores, ainda não recebeu nenhum tipo de ajuda financeira da Samarco, segundo a secretária. “A mineradora mandou uma empresa fazer um levantamento de quem realmente foi atingido, mas até hoje ninguém recebeu qualquer quantia da Samarco”, afirmou. Ela acrescentou que foi feito um levantamento da população ribeirinha no município e muitos produtores rurais perderam todo o sistema de irrigação em plantações e pastos. “A gente solicitou da Samarco o ressarcimento do dinheiro perdido e também que ela contribuísse financeiramente com essas vítimas. Temos fazendas com muitas cabeças de gado que só tinham a água do Rio Doce para beber. Nesses casos, a mineradora está mandando caminhões-pipa”, disse.

Na reserva indígena krenak , em Resplendor, também no Vale do Rio Doce, não há mais peixes, segundo o cacique Adalto Krenak. “A única ajuda que temos é de caminhão-pipa trazendo água. Não recebemos nenhum dinheiro. A situação está muito difícil. A gente gosta muito de pescar, caçar, mas isso tudo já era. Estamos na luta pela água agora, mas depois vamos correr atrás de outras coisas, pedir projetos para criação de peixes”, disse o cacique.

PERTO DA TRAGÉDIA

 Também há pessoas e empresas nos arredores de Mariana que também não tiveram suas perdas reconhecidas pela mineradora Samarco, situação que levou a comarca de Mariana, do Ministério Público de Minas Gerais, a ingressar com nova ação, anteontem, contra a empresa, pleiteando ajuda exatamente para quem foi indiretamente atingido pela tragédia. Segundo o promotor Guilherme Meneghim, um levantamento em toda a região ainda está para ser concluído, mas a estimativa é de que cerca de 1 mil pessoas possam ser contempladas nesse pleito.

Ele cita, como caso mais emblemático, uma cooperativa de produtores de leite do distrito de Águas Claras. “Esses produtores dependiam dos produtores de leite de Paracatu, uam das comunidades afetadas. E como lá a produção foi interrompida, a produção de leite, como um todo, reduziu muito. E sozinhos eles não conseguem lucro suficiente para suplantar os prejuízos”, explica o promotor.

Mas, segundo o Meneghim, a Samarco entendeu que esse seria um conceito muito amplo de se determinar os atingidos, o que não permitiu a assinatura de um termo de compromisso com o MP, motivando a ação.

RESPOSTA

A Samarco informou que começou quinta-feira a distribuição dos primeiros 120 cartões de débito aos pescadores e ribeirinhos cuja subsistência foi impactada pelo acidente em Mariana. “Este é o primeiro passo de um programa de atenção social aos pescadores e ribeirinhos, que a mineradora está executando em parceria com o Ministério Público Federal e Ministério Público do Trabalho, com quem a empresa assinou um Termo de Compromisso Social e Ambiental”, disse a Samarco em nota.

A mineradora anunciou a contrataçaõ da empresa Golder Associates Brasil Consultoria e Projetos para fazer a avaliação socioeconômica dos municípios e grupos sociais afetados e, posteriormente, vai apresentar um plano de mitigação de impactos e compensação social. Esse estudo ainda está em andamento, segundo a mineradora.

O subsídio é uma medida emergencial e contempla o pagamento mensal de um salário mínimo, mais um adicional de 20% do salário mínimo para cada um dos dependentes e o valor referente a uma cesta básica (R$ 338,61)”, informou a Samarco.  A mineradora também divulgou que famílias atingidas em Barra Longa e distritos começaram a receber ontem cartões de auxílio financeiro. Foram entregues cartões de auxílio financeiro a 50 famílias da sede e distritos do município que perderam sua fonte de renda com o acidente da barragem, segundo a nota. “A entrega continuará sendo feita à medida em que os demais cadastros forem validados, até que todos os núcleos familiares elegíveis sejam atendidos”, informou.

Licenças ambientais da Samarco podem ter sido fraudadas

 

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Por FERNANDO GENTIL

Toda a questão que diz respeito à autorização de licenças ambientais, à fiscalização nas mineradoras e à relação entre elas e órgãos públicos já foi discutida aqui. Este jornal mostrou, de diversas formais, que é provável a existência de fraudes, negligência e lobby entre os empresários mineradores e o poder público.

Agora, a Controladoria-Geral do Estado passa a investigar o caso, e isso ocorre pouco tempo depois de o governo de Minas e do Brasil tentarem afrouxar as condições para se obter licenças ambientais. Além disso, foi comprovado que o Marco Regulatório da Mineração, de relatoria do deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), foi escrito no computador de um advogado da Vale.

O escritório Pinheiro Neto Advogados representa a Vale e a BHP, exatamente as donas da Samarco (empresa responsável por destruir o rio Doce e assassinar pessoas e animais em Mariana). As mudanças feitas no escritório vão de flexibilizações em questões ambientais até mudança em valores de multas em casos de infração. Os advogados relataram que fizeram um trabalho “voluntário” e que nada tem a ver com o trabalho deles no escritório. Difícil vai ser alguém acreditar nisso.

Já a Controladoria-Geral do Estado de Minas Gerais investiga funcionários da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, do Instituto Mineiro de Gestão de Águas, da Fundação Estadual de Meio Ambiente e do Instituto Estadual de Florestas. O objetivo é descobrir de qual forma as licenças ambientais para o funcionamento de barragens como a de Germano, Fundão e Santarém foram autorizadas, já que os três reservatórios de minério não tinham condições de funcionamento. Detalhe: a barragem de Santarém, por exemplo, estava funcionando mesmo com a licença vencida desde maio de 2013. A de Germano também está vencida desde julho de 2013. E a que estourou, Fundão, estava com a licença regular. Isso mesmo: regular. “Cento e vinte dias antes do vencimento da licença, o empreendedor deve formalizar no órgão o pedido de revalidação da licença. Durante o período de manifestação do órgão, a licença continua válida. Portanto, este procedimento é de rotina no licenciamento em todo o Brasil”, disse o subsecretário de Estado de gestão ambiental, Geraldo Abreu, ao afirmar que as licenças das três barragens “estão devidamente licenciadas”, o que é uma mentira.

Além disso, outra denúncia foi feita esta semana. O Ministério Público Federal afirmou que a Vale continua lançando rejeitos de minério em uma barragem que já chegou ao seu limite. Ela também fica na cidade de Mariana. Atuar acima do que a barragem aguenta é um dos motivos que fez o mar de lama descer de Fundão e destruir os distritos da primaz de Minas Gerais e toda a bacia do rio Doce. “Uma das causas possíveis do rompimento era o volume exagerado de rejeitos. O laudo que nos foi apresentado pelo DNPM, no final da semana passada, que indicava que a Vale depositava sim, na barragem de Fundão, volumes muito acima do que a Vale havia reconhecido”, afirmou o procurador federal José Adércio Leite Sampaio.

O que se espera é que as investigações continuem sendo feitas para que todos os culpados paguem pelo crime que cometeram. É preciso, de forma imediata, construir novos distritos para que os moradores de Bento Rodrigues e Paracatu tenham de volta sua vida em comunidade. É preciso começar logo um plano de recuperação do rio Doce. É preciso mais fiscalização sobre a atuação das mineradoras em todo o país. É preciso que os culpados sejam presos.

FONTE: http://www.figueira.jor.br/licencas-ambientais-da-samarco-podem-ter-sido-fraudadas/http://www.figueira.jor.br/licencas-ambientais-da-samarco-podem-ter-sido-fraudadas/

 

Matéria da Folha de São Paulo mostra detalhes dos megaproblemas causados pelo incidente da Mineradora Samarco

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A matéria abaixo assinada pelos jornalistas Eduardo Geraque, Estévão Bertoni e José Marques para a Folha de São Paulo lança luz sobre aspectos ainda pouco tocados no rompimento da barragem de rejeitos da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton). A primeira é que havia em curso uma obra para unir as barragens existentes e transformá-las numa megabarragem que seria capaz de estocar estratosféricos 255 bilhões de litros de rejeito de minério. E como em muitos casos, quem realizava a obra era uma empresa terceirizada que operava a fusão das barragens sabe-se-lá sobre quais condições contratuais.

Outro elemento interessante mostrado na matéria é que o incidente de Mariana seria simplesmente o maior causado pela mineração em todo o mundo nos últimos 100 anos! Esta informação deveria ser o bastante para que forças tarefas estivessem sendo formadas para se apurar de forma minuciosa o impacto que esta hecatombe de rejeitos está tendo sobre os ecossistemas do Rio Doce e da região costeira do Espírito Santo, bem como as comunidades humanas que vivem e trabalham ao longo do trajeto do TsuLama.  Lamentavelmente o que tem se visto até agora por parte do Estado brasileiro é algo muito próximo da completa omissão, pois nem as multas iniciais teriam sido entregues à Mineradora Samarco. Que dizer das medidas para integrar todos os grupos de pesquisa que já estão produzindo dados sobre diferentes aspectos desta tragédia socioambiental!

Felizmente, apesar da inércia oficial e das táticas de procrastinação da Samarco e de suas proprietárias, muita informação está sendo gerada e a mobilização nas comunidades mais atingidas parece continuar alta.  Acrescido a isso as contínuas manifestações que estão ocorrendo no exterior contra a Vale e a BHP Billiton, fico na expectativa de que essa lama toda não seja empurrada para debaixo de um megatapete.

Samarco construía megabarragem em reservatório palco da tragédia

EDUARDO GERAQUE e ESTÊVÃO BERTONI, DE SÃO PAULO & JOSÉ MARQUES DE BELO HORIZONTE

A informação consta do auto de fiscalização feito pela Secretaria de Meio Ambiente de Minas após a tragédia que deixou 16 mortos e três desaparecidos, além de um rastro de destruição ambiental por cerca de 600 km até o litoral do Espírito Santo.

megabarragem

Presidida por Ricardo Vescovi, a mineradora é controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton.

Nesse documento, ao qual a Folha teve acesso, funcionários do governo de MG registram que o coordenador de meio ambiente da Samarco, Euzimar Rosado, informou que, “no momento do acidente, uma equipe terceirizada estava realizando obras de unificação de duas barragens (Fundão e Germano)”.

O documento também traz detalhes da obra que estava sendo feita em Fundão –que também recebia rejeitos de uma mina da Vale. A causa de seu rompimento ainda está sendo investigada.

Ainda de acordo com o relatório, o funcionário Wanderson da Silva, da equipe de geotécnica da mineradora, afirmou que “uma manutenção estava sendo realizada no sistema de drenagem nas ombreiras direita e esquerda [da barragem de Fundão]”.

Os trabalhos em curso, de acordo com Silva, faziam “parte do projeto de alteamento [elevação] da cota da barragem de 920 m para 940 m”.

Em entrevista após a tragédia, os diretores da mineradora confirmaram a elevação da parede da barragem, para aumentar sua capacidade, mas não citaram a unificação.

Em julho deste ano, representantes da mineradora se reuniram com vereadores de Mariana para explicar as obras. Segundo o presidente da Câmara, Tenente Freitas (PHS), a Samarco também não fez referência à unificação. “Em momento algum falaram disso. Só citaram o alteamento da barragem”, diz.

A barragem de Germano, que armazena cerca de 200 bilhões de litros de rejeitos, começou a operar no fim dos anos 1970 e havia esgotado sua cota em 2009, um ano após o início da operação de Fundão, que comportava cerca de 55 bilhões de litros de lama.

Com a fusão, que demoraria dois anos para ficar pronta, a nova estrutura comportaria, ao menos, 255 bilhões de litros de rejeito de minério.

PLANO DE EMERGÊNCIA

A licença para que a mineradora Samarco pudesse começar as obras de unificação da megabarragem foi emitida em julho pelo governo de MG.

A Reta Engenharia, uma das empresas terceirizadas para o serviço, era a responsável pelas obras de terraplanagem, drenagem e montagem das tubulações. O contrato entre ela e a Samarco existe desde maio, dois meses antes da publicação da licença para início das obras.

Tanto o Ministério Público do Estado como a Procuradoria Federal apuram se as empresas já estavam fazendo as obras antes mesmo de a licença ter sido concedida à Samarco, o que é proibido.
Os conselheiros do órgão mineiro que decidem pela emissão das licenças ambientais resolveram empurrar para o DNPM (Departamento Nacional de Proteção Mineral) a responsabilidade pela cobrança, à Samarco, de um novo plano de emergência.

Segundo o promotor que assinou o parecer para as licenças prévia e de instalação da megabarragem, Mauro Ellovitch, o plano de emergência seria cobrado à Samarco antes que a nova estrutura entrasse em operação.

Ainda assim, a empresa deveria ter o documento pronto e enviado ao DNPM.

“Nós não abrimos mão do plano de emergência, até porque ele é uma obrigação da Samarco”, disse o promotor.

OUTRO LADO

A mineradora Samarco, controlada pela brasileira Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton, não quis fazer comentários sobre o projeto de unificação das barragens de Germano e de Fundão.

Por meio de nota, a empresa presidida por Ricardo Vescovi disse apenas que as obras em andamento eram as necessárias para viabilizar o alteamento (elevação) futuro das barragens de Mariana (MG).

Essa fase de preparação, de acordo com a Samarco, estava programada para durar dois anos. Só em 2018, diz a mineradora, começaria de fato o início da operação de alteamento da elevação de 920 metros para 940 metros (em relação ao nível do mar).

Até lá, a lista de ações que deveriam ser feitas inclui a construção de um novo extravasor, sistema de drenagem interna, sistema de adução de rejeitos e relocação de bueiros, por exemplo.

PLANO

A Samarco também não informou sobre o novo plano de emergência, cobrado pelo Ministério Público estadual de MG, durante o processo de pedido da licença.

Na avaliação dos promotores, como a fusão das duas barragens vai formar uma megaestrutura, as consequências socioambientais em caso de ruptura do sistema seriam gigantescas. E, portanto, precisariam ser de conhecimento de todos.

Segundo a Samarco, durante o processo de licenciamento ambiental, ela entregou aos órgãos competentes o Estudo de Impacto Ambiental, o Relatório de Impacto Ambiental, o Plano de Controle Ambiental e o Plano de Utilização Pretendida.

A Reta Engenharia, terceirizada contratada pela Samarco para as obras de preparação da fusão das duas barragens, não respondeu aos questionamentos até a conclusão desta edição.

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FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/12/1718231-samarco-construia-megabarragem-em-reservatorio-palco-da-tragedia.shtml

 

Estudo do Ibama reúne 12 mil imagens da área impactada por rejeitos da Samarco

Brasília (10/12/2015) – O Ibama realizou levantamento aéreo com 12 mil fotos georreferenciadas de toda a área impactada pela lama de rejeitos da mineradora Samarco (Vale/BHP) após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), no último dia 05/11.

Uma câmera de alta resolução acoplada ao helicóptero utilizado nas operações de emergência ambiental registrou a situação nos 663,2 km de rios da barragem até a foz, no Espírito Santo, com uma foto a cada dois segundos. O mapeamento foi realizado pelo Centro de Sensoriamento Remoto (CSR) uma semana após o rompimento, de 13 a 20 de novembro. O estudo será atualizado na próxima semana com novas imagens da foz do Rio Doce.

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O levantamento está disponível no site do Ibama: http://siscom.ibama.gov.br/mariana/

Para visualizar as fotos, selecione os trechos de voo no lado direito superior da tela e a imagem de fundo de sua preferência (Google Maps ou Open Street Map). É só clicar nos pontos vermelhos para ter acesso às imagens.

O Ibama está atuando na região do desastre desde a manhã do dia 06/11 e continuará monitorando o avanço da pluma de rejeitos no mar com sobrevoos diários, além da análise de imagens do satélite Modis, da NASA. Veja abaixo imagem com informações obtidas em sobrevoo realizado nesta quarta-feira (09/12) e mapa elaborado com base em imagem do satélite de 01/12:

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BBC: Homenagem a CEO de sócia da Samarco provoca petição de estudantes na Inglaterra

Montagem em petição na internet critica King’s College de Londres por título concedido a CEO de mineradora

A entrega do título de doutor honoris causa ao CEO da mineradora anglo-australiana BHP Billiton, uma das donas das barragens que se romperam em Mariana (MG), motivou uma reação dura de alunos do King’s College, uma das universidades mais tradicionais da Inglaterra.

O geólogo escocês Andrew Mackenzie recebeu a homenagem em outubro, uma semana antes do maior desastre ambiental da mineração no Brasil. O título foi concedido em reconhecimento a seu trabalho de destaque como geólogo e “por ter chegado aos mais altos níveis de liderança em negócios globais através de uma combinação de tino comercial, liderança regida por princípios e uma contínua fascinação com a ciência”.

Na semana passada, estudantes organizaram um abaixo-assinado na internet em protesto contra a honraria. Pedem que a universidade revogue o título ao “executivo da mineradora responsável pelo derrame de lama tóxica no Brasil”. Até a publicação da reportagem, a iniciativa reunia cerca de 150 apoiadores.

“Como uma instituição de pesquisa de ponta que pretende reconhecer sua responsabilidade em sustentabilidade e proteção ambiental, o King’s deveria estar liderando um caminho de respeito ao ambiente global, mais do que conceder títulos honorários a CEOs de empresas que estão lucrando por meio de práticas empresariais irresponsáveis e danosas”, afirma o texto da petição.

A BHP é a maior mineradora do mundo. Ao lado da brasileira Vale, controla a Samarco, dona das barragens que se romperam em Mariana e lançaram 40 bilhões de litros de rejeitos de mineração na bacia do rio Doce, em Minas Gerais e no Espírito Santo. Ao todo, 15 pessoas morreram e quatro ainda estão desaparecidas.

Ainda não há dados definitivos sobre a composição dos rejeitos e seus potenciais danos à saúde. Não houve estudos de órgãos de governo, apenas análises de qualidade da água, com resultados distintos.

Na semana seguinte à tragédia, Andrew Mackenzie esteve em Mariana. Ao lado dos presidentes da Vale e da Samarco, disse “lamentar muito” o desastre e prometeu reconstruir casas de famílias atingidas.

Image copyrightBHP Em entrevista em Mariana ao lado dos presidentes da Vale e da Samarco, Andrew Mackenzie disse “lamentar profundamente” o desastre e prometeu apoio aos atingidos

“Lamentamos profundamente por todos que sofreram, e irão sofrer, por essa terrível tragédia, por amigos e parentes dos mortos e desaparecidos e a aqueles que perderam suas casas e bens, e que sentem que sua sobrevivência pode estar em risco”, disse o CEO da BHP na ocasião.

Após o desastre e multas impostas por órgãos de governo à Samarco, as ações da BHP atingiram o menor valor em dez anos. A empresa também revisou para baixo sua meta de produção de minério de ferro para o ano fiscal de 2016.

‘Ficha demorou a cair’

A mobilização contra a homenagem partiu, sobretudo, de estudantes brasileiros do King’s College ligados ao Brazil Institute, centro de estudos brasileiros da universidade.

“Demorou um pouco para cair a ficha (em relação à homenagem). Depois veio a revolta, e não só pelo título, mas pela prática de grandes universidades de conceder homenagens a representantes de empresas que não se pautam pela ética”, afirmou Grace Souza, aluna de doutorado no Brazil Institute.

Souza disse considerar que falta diálogo com a comunidade acadêmica no processo de definição dos homenageados.

“Apesar de saber que a universidade não irá revogar o título, até porque houve uma petição contrária antes mesmo da homenagem, achamos que vale demonstrar que a comunidade brasileira e simpatizantes da causa ambiental não estão satisfeitos. A universidade está jogando lama em seus alunos”, afirmou.

AF Desastre liberou cerca de 25 mil piscinas olímpicas de rejeitos de mineração e causou graves danos ambientais e sociais

Antes da concessão do título, uma outra petição online, encabeçada por ativistas ambientais, já pedia que a homenagem não fosse concretizada. O abaixo-assinado, que reuniu 227 apoiadores, apontava contradição entre o ato e a política da instituição de incentivo à economia de baixo carbono.

Procurado pela BBC Brasil, o King’s College disse que a comunidade acadêmica pode indicar nomes para as homenagens, e que todo o processo é detalhado no site da instituição.

“O King’s homenageou o dr. Andrew Mackenzie em reconhecimento a seu trabalho de destaque como geólogo e um dos principais líderes empresariais do mundo. Eleito para a Royal Society (a academia britânica de ciência) em 2014, dr. Mackenzie publicou mais de 50 artigos como cientista, e integra o subcomitê de Ciência Ambiental e de Sistemas Terrestres para universidades do Reino Unido”, informou a universidade.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da BHP para eventuais comentários sobre a petição, mas não havia obtido resposta até a publicação desta reportagem.

FONTE: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151210_protesto_bhp_tg

Novo número Poli, revista da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, também traz matéria sobre os efeitos do TsuLama da Samarco

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O TsuLama da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) está dando espaço para uma série de contribuições da comunidade científica, o que me parece ser uma garantia mínima de que este incidente socioambiental causado pelas mineradoras não vai cair tão facilmente no esquecimento como ocorreu em outros eventos anteriores.

Abaixo segue link para quem tiver interesse na matéria de capa do último número da Revista Poli que é publicada pela Escola Politécnica de Saúde Pública Joaquim Venâncio (instituição ligada à Fundação Oswaldo Cruz) basta clicar no link abaixo!

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TsuLama da Samarco: INPE e SOS Mata Atlântica calculam perdas da cobertura florestal

A matéria assinada pelas jornalistas Bárbara Ferreira e Juliana Baeta do jornal O TEMPO apresenta uma avaliação conjunta produzida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela organização não governamental SOS Mata Atlântica sobre um aspecto que estava obscuro até agora acerca dos efeitos do TsuLama da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) que foi a supressão de áreas florestadas. E esse relatório que eu considero inicial aponta para a perda de pelo menos 324 hectares de mata, o que não é um valor insignificante numa região onde a remoção da floresta nativa foi quase total.
 
Entretanto, considero que a surpressão vegetal é ainda mais grave nesse caso pelo simples fato de que nas áreas de vegetação que foram cobertas pelo TsuLama também havia fauna e flora endêmicas, bem como nascentes que alimentavam o Rio Doce e seus afluentes. Deste modo, a perda não é só de um serviço ambiental, mas de múltiplos.
 
Enquanto isso, a Mineradora Samarco continua procrastinando a entrega de um plano de emergência para as barragens remanescentes na área em que o TsuLama teve origem.  Isso sim é preocupação corporativa com o ambiente!

Lama destruiu 324 ha de mata 

Foram 236 hectares de floresta nativa e 88 de vegetação natural afetadas pela barragem de Fundão

Depois de imensuráveis impactos humanos, sociais e hídricos, a lama despejada pela barragem de Fundão, no início do mês passado em Mariana, na região Central de Minas, também é responsável por uma significativa supressão de vegetação nativa da região afetada. De acordo com análise da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 324 hectares (ha) de mata atlântica foram destruídos pela lama de rejeitos.

O estudo sobre o desmatamento e supressão vegetal é feito anualmente pelas instituições, e a última versão havia sido divulgada poucos dias antes do desastre causado pela barragem da Samarco. Após o rompimento, a fundação e o Inpe decidiram fazer um novo levantamento para detectar o que foi destruído pela lama. Imagens de satélite dos dias 25 de setembro e 12 de novembro foram usadas na última análise.

O estudo constatou que os rejeitos impactaram uma área total de 1.775 hectares (17 km²), equivalente a 2.150 estádios do tamanho do Mineirão. A lama chegou a regiões de vegetação nativa, sendo 236 hectares de florestas nativas e outros 88 hectares de vegetação natural (um total de 324 hectares).

De acordo com a diretora-executiva do SOS Mata Atlântica, Marica Hirota, a destruição deve servir para mobilizar governos e sociedade para aperfeiçoar os mecanismos de controle de atividades de grandes impactos ao meio ambiente.

“Minas Gerais já é um Estado bastante castigado em relação à supressão de vegetação nativa e foi campeão do ranking do desmatamento da Mata Atlântica por cinco anos consecutivos. A tragédia de Mariana, com seu rastro de degradação, se soma a essa realidade e reflete as trágicas consequências do desmonte gradativo da legislação ambiental brasileira e da sua não aplicação”, conclui Marcia Hirota.

Usina

Foram analisados 114 km de cursos d’água e a vegetação em seu entorno, desde a barragem de Mariana, onde ocorreu o rompimento, até a represa da Usina de Candonga (UHE Risoleta Neves), no município de Rio Doce.

Segundo Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo Inpe, a represa da Usina Candonga absorveu o impacto da onda de lama que afetou a área do entorno dos rios e evitou que a vegetação fosse destruída depois desse ponto. “Após a represa, o impacto foi no leito do rio, na qualidade da água e no deslocamento de sedimentos, não havendo remoção de vegetação nas margens dos rios, ou ao menos na escala do estudo, que considera áreas com no mínimo 1 hectare”, explica.

cobertura florestal

Saiba mais sobre o trabalho

Hidrografia. A lama atingiu 680 km de cursos d’água, entre eles 114 km da barragem até a usina de Candonga, parte já analisada pelo SOS Mata Atlântica e pelo Inpe. Após a Usina de Candonga, são 403 km do rio Doce até a divisa com o Espírito Santo e mais 161 km até o mar. Uma equipe das duas entidades está agora em expedição por esse trecho para analisar o impacto pelo rio Doce.

Vegetação. Além dos 324 hectares de mata, há 1.451 hectares de áreas urbanas, pastagem e agricultura afetados.

Pontos afetados. As áreas atingidas de florestas remanescentes (236 ha) estavam todas em Mariana. Já no caso de vegetação nativa, foram 58 hectares em Mariana e 3 hectares em Barra Longa. Nos outros lugares, o impacto foi em matas, várzeas, áreas urbanas, pastagens e agricultura. Foram 493 hectares em Barra Longa, 163 ha em Rio Doce, 67 ha em Santa Cruz do Escalvado e 40 ha em Ponte Nova.

ImportânciaA área devastada, segundo o estudo, é importante no contexto local, em especial para a proteção do solo e preservação da quantidade e qualidade da água que abastece a região.

FONTE: http://www.otempo.com.br/cidades/lama-destruiu-324-ha-de-mata-1.1188943

 

Grupo de pesquisa da UFJF lança relatório sobre os múltiplos efeitos do TsuLama da Samarco

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O  Grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS) ligado À Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) acaba de publicar o relatório de pesquisa Antes fosse mais leve a carga: avaliação dos aspectos econômicos, políticos e sociais do desastre da Samarco/Vale/BHP em Mariana (MG). Mimeo, p. 1-100. 2015.

O documento responde a demandas das organizações e movimentos sociais críticos ao modelo neoextrativista e em favor do controle social da indústria extrativa mineral no Brasil e analisa as dimensões econômica, política e social do comportamento da Samarco e suas controladoras em face do desastre por elas provocado. Este relatório final será lançado na Plenária do Comitê em Defesa dos Territórios Frente à Mineração (CNDTM), em Mariana (MG), entre 13 e 15 de dezembro deste ano. O documento pode ser acessado no link abaixo.

PoEMAS-2015-Antes-fosse-mais-leve-a-carga-versão-final

FONTE: http://www.ufjf.br/poemas/2015/12/10/1055/

Samarco se nega a assinar TAC relativo ao TsuLama de Mariana. MP reage com ação civil pública

Depois de procrastinar a entrega de uma resposta à proposta feita pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para confecção de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), a Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) comunicou por ofício sua recusa à proposta que lhe fora apresentada pelo promotor Guilherme Meneghin.

Quais foram os principais pontos de discordância? Os quatros pontos citados na matéria são a colocação dos atingidos pelo TsuLama en casas alugadas até o dia 24 de dezembro, sob pena de multa diária de R$ 200 mil por família.  É que 150 famílias que tiveram suas casas destruídas pelo TsuLama ainda estão vivendo em hotéis. O segundo ponto se refere ao oferecimento de uma renda mensal de R$ 1.500 por mês para cada família, com o acréscimo de 30% por dependente. Além disso, haveria que se garantir reativação das atividades esportivas e o pagamento de indenizações dos veículos dos moradores de Bento Rodrigues e outras localidades que foram destruídos pelo TsuLama.

Em função da negativa da Samarco, o MPMG decidiu acionar a empresa, bem como suas proprietárias de fato, a Vale e a BHP Billiton, o que me parece mais do que justo. Agora, como a justiça é lenta quando se trata de punir as corporações, vamos ver como ficarão os atingidos do TsuLama. Não esquecer deles e do drama em que estão imersos  desde o dia 05 de Novembro será uma tarefa coletiva.

MPMG entrará com ação civil pública contra Samarco

Medida foi resposta à recusa da mineradora em assinar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC)

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Lincon Zarbietti / O TEMPO O promotor Guilherme Meneghin anunciou que o MPMG entrará com ação civil conta a Samarco

BERNARDO MIRANDA
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) irá entrar nesta quinta-feira (10) com uma ação civil pública contra a Samarco e suas controladoras Vale e BHP Billiton.

Diante da negativa da empresa em assinar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), o promotor de Direitos Humanos de Mariana, Guilherme Meneghin, decidiu provocar a Justiça para garantir a assistência emergencial para as famílias atingidas e também garantir a completa indenização delas.

A ação tem dois pontos: o primeiro garante o atendimento emergencial das famílias. Nessa a área, o MPMG pede que todas estejam assentadas em casas alugadas até o dia 24 de dezembro, sob pena de multa diária de R$ 200 mil por família. Atualmente, 153 famílias já foram para casas alugadas pela Samarco e outras 150 estão no hotel ainda. O segundo ponto pede na ação que a empresa garanta uma renda mensal de R$ 1.500 por mês para cada família, com o acréscimo de 30% por dependente. Hoje, o auxílio pago é de um salário mínimo mais 20% por dependente.

Outra exigência na ação é a apresentação de um plano de reativação econômica dos atingidos é de um plano de reativação das atividades esportivas no prazo de dez dias. A multa nesses dois casos é de R$ 100 mil por dia.

A ação também requer o pagamento de indenização dos carros perdidos pela tabela Fipe. Outra parte da ação requer a garantia da indenização definitiva, individual e reconstrução das comunidades.

O promotor decidiu incluir a Vale e a BHP na ação, por entender que as duas empresas tem responsabilidade pela tragédia.

A Vale porque utilizava a barragem de Fundão para jogar rejeitos da Mina de Alegria, e a BHP porque usufruía dos lucros gerados pela atividade da Samarco e participava do conselho de administração da empresa.

O promotor Guilherme Meneghin destacou os pontos de divergência que levaram a empresa a não assinar o acordo. O primeiro foi a abrangência dos atingidos que seriam contemplados pelo TAC.

A Samarco não aceitou que produtores rurais que não foram afetados diretamente pela lama, mas que perderam estradas de ligação para escoar a produção fossem contemplados. O outro ponto é que a mineradora queria a liberação dos R$ 300 milhões que foram bloqueados.

“A Samarco nos comunicou que não assassinaria o TAC por meio de um ofício. Nem sequer houve reunião para discutir e haver uma negociação sobre os pontos do TAC. Esse é um direito que a empresa tem, mas avaliamos que essa condição está sendo feita de forma ineficiente”, alegou o promotor.

FONTE: http://www.otempo.com.br/cidades/mpmg-entrar%C3%A1-com-a%C3%A7%C3%A3o-civil-p%C3%BAblica-contra-samarco-1.1188007