Famílias e empresas de municípios banhados pelo Rio Doce lamentam abandono pela Samarco
Indiretamente atingidas pela tragédia em Mariana, pessoas e empresas que tiveram perdas com o rompimento da Barragem do Fundão alegam que foram esquecidas pela Samarco, que ainda não atendeu seus pedidos
Por Pedro Ferreira , Paula Carolina /Estado de Minas

Famílias e empresas de municípios ao longo do Rio Doce em Minas Gerais e no Espírito Santo, que tiveram suas vidas prejudicadas pelo rompimento da Barragem do Fundão, reclamam que não estão recebendo a mesma atenção dada pela Samarco às vítimas dos subdistritos de Mariana, na Região Central do estado, onde a barragem de rejeitos de minério estourou em 5 de novembro. Segundo essas pessoas, passados 37 dias da tragédia elas não receberam nenhum tipo de ajuda financeira da mineradora. Em Galileia, Vale do Rio Doce, muitos pescadores estão de braços cruzados, pois todos os peixes morreram e o rio continua cheio de lama.
A secretária explica que água potável é aquela apropriada para o consumo humano. “A água distribuída, de acordo com ela, é captada em Governador Valadares, Ipatinga e Conselheiro Pena. “As análises feitas em diversas amostras comprovam que a água está contaminada.”
Quem depende do rio para sobreviver, como os pescadores, ainda não recebeu nenhum tipo de ajuda financeira da Samarco, segundo a secretária. “A mineradora mandou uma empresa fazer um levantamento de quem realmente foi atingido, mas até hoje ninguém recebeu qualquer quantia da Samarco”, afirmou. Ela acrescentou que foi feito um levantamento da população ribeirinha no município e muitos produtores rurais perderam todo o sistema de irrigação em plantações e pastos. “A gente solicitou da Samarco o ressarcimento do dinheiro perdido e também que ela contribuísse financeiramente com essas vítimas. Temos fazendas com muitas cabeças de gado que só tinham a água do Rio Doce para beber. Nesses casos, a mineradora está mandando caminhões-pipa”, disse.
Na reserva indígena krenak , em Resplendor, também no Vale do Rio Doce, não há mais peixes, segundo o cacique Adalto Krenak. “A única ajuda que temos é de caminhão-pipa trazendo água. Não recebemos nenhum dinheiro. A situação está muito difícil. A gente gosta muito de pescar, caçar, mas isso tudo já era. Estamos na luta pela água agora, mas depois vamos correr atrás de outras coisas, pedir projetos para criação de peixes”, disse o cacique.
PERTO DA TRAGÉDIA
Ele cita, como caso mais emblemático, uma cooperativa de produtores de leite do distrito de Águas Claras. “Esses produtores dependiam dos produtores de leite de Paracatu, uam das comunidades afetadas. E como lá a produção foi interrompida, a produção de leite, como um todo, reduziu muito. E sozinhos eles não conseguem lucro suficiente para suplantar os prejuízos”, explica o promotor.
Mas, segundo o Meneghim, a Samarco entendeu que esse seria um conceito muito amplo de se determinar os atingidos, o que não permitiu a assinatura de um termo de compromisso com o MP, motivando a ação.
RESPOSTA
A mineradora anunciou a contrataçaõ da empresa Golder Associates Brasil Consultoria e Projetos para fazer a avaliação socioeconômica dos municípios e grupos sociais afetados e, posteriormente, vai apresentar um plano de mitigação de impactos e compensação social. Esse estudo ainda está em andamento, segundo a mineradora.
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O subsídio é uma medida emergencial e contempla o pagamento mensal de um salário mínimo, mais um adicional de 20% do salário mínimo para cada um dos dependentes e o valor referente a uma cesta básica (R$ 338,61)”, informou a Samarco. A mineradora também divulgou que famílias atingidas em Barra Longa e distritos começaram a receber ontem cartões de auxílio financeiro. Foram entregues cartões de auxílio financeiro a 50 famílias da sede e distritos do município que perderam sua fonte de renda com o acidente da barragem, segundo a nota. “A entrega continuará sendo feita à medida em que os demais cadastros forem validados, até que todos os núcleos familiares elegíveis sejam atendidos”, informou.