E o mistério do potencial tóxico da lama da Samarco foi solucionado!

Ontem fiz uma postagem sobre uma discussão que estava ocorrendo em torno da toxidade ou não da lama que está dentro da calha do Rio Doce após o rompimento da barragem de rejeitos da Mineradora Samarco em Mariana (Aqui!). Até ali a pendenga se dava porque a Samarco e sua corporação mãe . a Vale, afirmavam categoricamente que não havia contaminantes com potencial tóxico no material que está fluindo do Rio Doce para o mar em Regência.

Pois bem, a polêmica sobre se o tsunami de lama trouxe riscos tóxicos foi resolvido hoje com a divulgação de diferentes análises que foram feitas nos sedimentos e na água do Rio Doce, e as evidências apontam para a presença de metais pesados no material coletado após o dia 05 de Novembro quando ocorreu o incidente em Bento Rodrigues. Como mostram as imagens abaixo, até a Vale agora reconhece que há um nível alto de metais pesados e outros elementos potencialmente contaminantes nas águas e nos sedimentos analisados.

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Nesse reconhecimento da Vale existem duas “pegadinhas”. A primeira é que a Vale só reconhece a presença de metais pesados ou não na água e nos sedimentos do Rio Doce quando isto se tornou inevitável após a divulgação de diferentes análises como é o caso da que foi realizada pelo Instituto Mineiro de Gestão de Águas (Igam) (Aqui!).  Já a segunda pegadinha que é bem esperta é a de jogar a culpa da presença dos contaminantes sobre autores desconhecidos que cometeram o “crime” num passado indefinido, sobrando ainda para a Natureza (essa eterna culpada). 

O mais interessante é que repetindo outras corporações flagradas em situações complicadas, a Vale anunciou que vai estabelecer “voluntariamente” um fundo para recuperar o Rio Doce (Aqui!). Difícil mesmo vai ser convencer a população das áreas atingidas que essa promessa é genuína, e não apenas uma tática de procrastinação frente às inevitáveis ações que a empresa vai sofrer na justiça por pessoas e municípios que foram prejudicados com o derrame desse material que agora sabe tem sim potencial tóxico.

Em uma aparente reação a esse anúncio, o  Ministério Público do Espírito Santo recomendou nsta 6a. feira que a população não use a água captada do Rio Doce. Além disso, o MPES entrou com ação de busca e apreensão dos laudos que atestam a qualidade da água em Colatina e estava aguardando o resultado das análises dos documentos para decidir se proíbe a captação ou não (Aqui!).

Um aspecto final é o fato de que a partir desse reconhecimento os dirigentes da ONU que foram desmentidos em suas afirmações sobre a toxidade do material despejado no Rio Doce quase certamente vão voltar á carga, jogando ainda mais lama na reputação da  Vale e da BHP Billiton.

MPMG divulga resultados de análises laboratoriais da qualidade da água no rio Doce

RIO DOCE

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresenta o resultado das análises laboratoriais para metais pesados realizadas sobre a água bruta do rio Doce e aquela tratada pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Governador Valadares em estações de tratamento, bem como dos sedimentos coletados no rio Doce e no tanque de decantação do Saae.

Em exame técnico preliminar das análises, a Comissão Técnica Científica da Universidade Federal de Juiz de Fora – Campus Governador Valadares (UFJF-GV) concluiu que a água tratada se encontra dentro dos padrões para metais pesados descritos na Portaria 2.914/2011, do Ministério da Saúde.

Para as amostras de água bruta coletadas diretamente no rio e nos sedimentos, constatou-se, preliminarmente, a presença de metais, inclusive os classificados como metais pesados segundo a União Internacional de Química Pura e Aplicada (Iupac), os quais estão acima do padrão estabelecido pela Deliberação DNC Copam/CERH-MG.

A comissão de professores da UFJF concluiu que o processo de tratamento da água executado pelo Saae consegue eliminar os metais localizados na água bruta e sedimentos. O parecer científico final dos professores será apresentado na segunda-feira, 30 de novembro, com todas as conclusões acerca das análises laboratoriais em questão.

Resultados 7163/15

Resultados 7164/15

FONTE: http://www.mpmg.mp.br/comunicacao/noticias/mpmg-divulga-resultados-de-analises-laboratoriais-da-qualidade-da-agua-no-rio-doce.htm#.VljEwXarSUl

O outro lado da maior tragédia ambiental do país

A relação entre a tragédia em Mariana e o abandono das instituições públicas ambientais

Por Fernando Lima

MORTE

 “A última coisa que eles vão te cobrar aqui é qualidade… o estado não te dá treinamento, assim eles não podem exigir qualidade nenhuma no serviço…”, foram umas das primeiras frases que ouvi de um colega, provavelmente na segunda semana de trabalho após ter me tornado servidor público em um órgão ambiental do estado de Minas Gerais, quando na ocasião demonstrei uma preocupação em desenvolver o serviço de forma adequada. Já era minha segunda aprovação em concursos para o cargo de analista ambiental, depois de anos de estudo. Saí de um órgão ambiental municipal em outra região do país, para atuar agora em um órgão estadual: ora estava progredindo!

A primeira impressão que tive ao ouvir a frase acima vinda do meu colega foi de surpresa, porém poucas semanas depois aquilo já me pareceu fazer todo o sentido. Todavia é importante ressaltar antes, a situação por meio da qual a minha entrada nesta instituição foi tornada possível. Há tempos existe uma grande necessidade de aumentar e principalmente qualificar o quadro de pessoal do sistema estadual de meio ambiente, sobretudo de técnicos — tal termo neste sentido quer dizer, profissionais de nível superior com formação específica nas mais diversas áreas que se deve compor a pasta ambiental. Visto que em décadas de existência, apenas um concurso havia sido realizado pela administração pública, que sempre se utilizou desta condição para engrossar o cabide de empregos, introduzindo no serviço público os apadrinhados por meio de critérios bastante restritos, só entra quem é indicado. E também pelo método ineficiente e danoso da terceirização de pessoal. E é claro que em muitas vezes, o profissional que entra em uma determinada instituição, não é o profissional mais adequado para o cargo, em muitos casos o protegido não tem nem a formação específica desejada para atuar na função.

Em consequência da incapacidade do estado em promover o que está consagrado na constituição federal há quase trinta anos, que diz que o ingresso no serviço público deve ser por meio de concurso público, o Ministério Público Estadual pressionou pela realização de mais um tão esperado certame. E assim fui aprovado e nomeado como centenas de outros profissionais em diversos cargos para diversas localidades estaduais. Em meu local de lotação, no interior do estado, entraram em exercício como concursados apenas três servidores, enquanto deixaram o órgão, por pressão do MPE, mais de uma dezena de pessoas que estavam atuando sem o crivo do concurso. Fazendo um cálculo bem simples, cada um dos que ingressaram estaria fazendo o serviço de pelo menos três pessoas. Ou seja, há uma grande preocupação do governo quando o assunto é mão de obra contratada ou terceirizada, bem diferente quando o assunto é servidor efetivo. Infelizmente situação comumente encontrada na maioria dos órgãos públicos espalhados pelo país.

A carência e o abandono do órgão eram evidentes. Faltava tudo: estrutura; equipamentos; insumos; orientações; treinamentos; linhas de atuação definidas; planejamento de trabalho; pessoal técnico.

Ao passo que sobrava: desorganização; burocracia administrativa; desvios de função; dificuldades diversas. Enfim não havia ali condições mínimas necessárias para realizar um serviço decente. Servidores recém-chegados atuando sozinhos em determinados setores e de forma surreal chegando ao ponto de ficarem sós em alguma repartição pelo interior do estado. Mesmo assim, com pouco ou nenhum respaldo, a maioria dos servidores contrariando as expectativas continua trabalhando, atendendo de forma precária o público interessado, analisando importantes processos sem supervisão alguma, conduzindo veículos inapropriados e utilizando instrumentos sucateados para realizar as vistorias de campo, ou seja, continua representando um estado incompetente e irresponsável. Cabe ressaltar que em Minas Gerais, a secretaria de meio ambiente é a segunda em arrecadação dentre todas as pastas do poder executivo, porém os recursos obtidos não são utilizados para a melhoria ambiental.

Para exemplificar apenas alguns dos descasos, sabe-se cientificamente que a conservação e preservação de recursos naturais só têm condições de ocorrer efetivamente em uma Unidade de Conservação, principalmente de proteção integral. Mesmo assim as condições estruturais da maioria das UC’s são deploráveis, visto que quando há gestores atuando, eles comumente não têm como trabalhar de forma eficaz, pois falta até combustível para abastecer os veículos. Muitas vezes uma única pessoa é responsável pelo monitoramento de milhares de hectares de áreas protegidas. Áreas essas que muitas vezes não foram nem desapropriadas pelos estados ou união. Então qual é mesmo o objetivo de se criar essas áreas protegidas? A princípio apenas objetivos simbólicos, pois boa parte desses espaços existe apenas no papel. Da mesma forma, outros setores coordenados pelos órgãos ambientais estão abandonados ou funcionando de forma rudimentar, como por exemplo, a gestão da fauna. São pouquíssimos os centros de triagem para atender uma demanda crescente de fauna oriunda de um dos maiores corredores de tráfico de animais silvestres do Brasil. Muitas vezes espécies com riscos elevados de extinção.

Com relação aos sistemas de regularização e fiscalização ambientais, fundamentais para o ordenamento de quaisquer atividades potencialmente poluidoras, o colapso já é uma realidade. Uma considerável quantidade de autos de infração emitidos pelos agentes ambientais levam muitos anos para serem relatados e finalizados, contribuindo sobremaneira com a impunidade e estimulando a ação do infrator. São tantos os recursos que quando realmente há o pagamento da multa (se houver), tal valor é inferior ao lucro logrado com a prática lesiva. Quando o assunto passa a ser o licenciamento ambiental, a situação consegue piorar ainda mais. Em decorrência de extrema carência de profissionais habilitados para a análise dos processos, os pedidos vão se acumulando com o passar dos anos, e como consequência, os empreendimentos passam a funcionar sem o aval ou com anuência inadequada dos órgãos competentes. O que será que isso pode ocasionar?

É muito importante ressaltar que o sucateamento alcançado pelos órgãos ambientais estaduais, assim também como os federais, com toda certeza está relacionado com o pensamento historicamente enraizado, de que os assuntos ambientais são de importância secundária, e pior, são entraves para o desenvolvimento econômico. E desta forma essas instituições vão sendo totalmente abandonadas pela administração pública e seus servidores têm suas atuações totalmente inviabilizadas. Fundamental salientar que o descaso tem origem multipartidária, não sendo exclusividade de um partido ou outro, ele se origina do pensamento equivocado de que os recursos naturais só têm importância quando valorados economicamente. Talvez isso possa ser traduzido na maior dificuldade para se mudar culturalmente uma ideia (muitas gerações cometendo os mesmos erros), o não entendimento de que a valoração ambiental (ou o serviço ambiental) de um determinado recurso natural é bem mais elevada e duradoura do que sua valoração econômica, que é finita.

É impossível não relacionar o maior desastre ambiental da história do Brasil com o caos total em que se encontram praticamente todos os órgãos públicos ambientais brasileiros. E não é surpresa que tal catástrofe tenha acontecido no estado de Minas Gerais. Claro, primeiramente, porque lá são desenvolvidas atividades de extrema degradação ambiental como a mineração, mas não se pode esquecer do abandono em que se encontra a pasta ambiental no estado. Foram irreparáveis perdas de vidas humanas. O descaso com o meio ambiente agora também tira vidas humanas, característica antes exclusiva do descaso com a saúde, segurança e educação principalmente. Adicionalmente um corpo d’água da magnitude do rio Doce foi esterilizado. Não se sabe o que sobrou de biodiversidade. Provavelmente nunca se saberá ao certo quantas espécies da fauna e flora aquáticas desapareceram. Será que ali existiam espécies desconhecidas pela Ciência ainda? E os impactos no oceano?

É evidente que a responsável pelo desastre no município de Mariana, com consequências terríveis em centenas de municípios mineiros e capixabas, é a mineradora Samarco, controlada pelas multinacionais Vale e BHP. Porém não se podem simplificar tanto assim os fatos, essa responsabilidade é evidentemente compartilhada com o estado. O processo de liberação de um empreendimento de mineração deve ser analisado e aprovado por instituições diferentes. Pelo Ministério de Minas e Energia por meio do Departamento Nacional de Produção Mineral, responsável pela fiscalização e também pelo órgão ambiental licenciador, que na maioria dos casos é o órgão estadual. De forma alguma uma barragem pode funcionar sem a anuência do órgão ambiental responsável. Não há dúvidas de que o estado é corresponsável direto pelos fatos ocorridos e isso tem sido comentado de forma muito superficial pela maioria dos veículos de comunicação.

Importante lembrar que poucos meses antes da tragédia, o governo de Minas Gerais estava muito preocupado com o atraso na emissão das licenças ambientais no estado. Para solucionar este “entrave”, foi criada uma força tarefa para acelerar a emissão das licenças ambientais atrasadas. Uma das ações adotadas pela administração foi oferecer gratificações para que servidores de outras pastas do poder executivo estadual se transferissem temporariamente para o órgão estadual ambiental, com o intuito de “resolver esse passivo”. Lembrando que esses funcionários convidados a atuar na pasta muitas vezes não possuíam nenhuma vivência na área ambiental, e pior, com concurso vigente do sistema de meio ambiente com centenas de profissionais com formação específica, aprovados e aguardando nomeação.

Em reportagem veiculada no próprio site institucional do governo mineiro, o governador durante um fórum que debatia os desafios atuais da mineração no Brasil comenta: “Os licenciamentos são muito lentos, demorados, que exigem muitas vezes procedimentos quase punitivos do licenciado e, muitas vezes não são feitos de forma adequada…” e ele continua: ”…Eram coisas pequenas, mas coisas muito grandes também. Projetos de bilhões de reais estavam parados por falta de licenciamento ambiental. O fato é que esse problema já está sendo enfrentado.” O problema foi enfrentado? Ele foi resolvido? Foi solucionado? Será que vem coisa pior pela frente? Muitas dúvidas ainda pairam sobre a questão ambiental e com consequências diretas a todo e qualquer ser vivo. Animais e plantas não podem se manifestar, mas pessoas sim, essas podem e devem sempre que necessário.

Não é muito difícil compreender os motivos que levam ao sucateamento dos órgãos públicos ambientais no país. É só imaginar como seria a realidade se as instituições fossem bem estruturadas e equipadas, se o quadro de servidores fosse composto por uma mão de obra especializada, bem treinada e motivada. Se existissem realmente condições satisfatórias para executar o que está descrito nos dispositivos legais. É óbvio que a situação seria outra, os órgãos conseguiriam atuar de forma eficaz e independente. A administração pública inviabiliza o trabalho das instituições, para que estas se enfraqueçam e passem a atuar como representantes dos interesses escusos da classe política no poder em questão e de uma parcela da classe empresarial, sua financiadora. Infelizmente não é exclusividade da área de meio ambiente, essa aberração ocorre na grande maioria das pastas e em todas as esferas.

Durante muito tempo meu objetivo profissional foi atuar como servidor público em um órgão ambiental. Para isso me qualifiquei e me preparei durante um bom tempo. Porém, após ter vivenciado a realidade de alguns órgãos de meio ambiente, percebendo que muito dificilmente a situação mudaria, acabei por solicitar minha exoneração. Solução definitiva pra mim. Acredito que posso contribuir de outra forma com a conservação dos recursos naturais e a efetivação do desenvolvimento sustentável.

Esse é apenas um relato de vivência sem nenhum viés político-partidário, sindical e muito menos corporativo. Trata-se de uma conclusão racional e honesta da minha experiência, baseada no meu ponto de vista. Contudo, não trago aqui nenhuma informação inédita. Tudo que foi dito é muito bem conhecido por grande parte dos servidores públicos da área ambiental ou não. O intuito é apenas conseguir enxergar as coisas a partir de outra ótica, para quem sabe, aproximar-se de uma solução que ainda não veio.

Fernando Lima é biólogo e ex-servidor público

FONTE: https://medium.com/@fernandolrcunha/o-outro-lado-da-maior-trag%C3%A9dia-ambiental-do-pa%C3%ADs-b6f780e4d10a#.kazyf68dh

 

Seria irônico, se não fosse trágico: Alemg “convoca” dirigente da CUT para explicar críticas sobre o caso Samarco

Presidenta da CUT é convocada a prestar esclarecimentos na ALMG por criticar atuação de políticos no caso de Mariana

 “Aqui em Minas Gerais continua a máxima do PSDB e amigos de que ‘quem fala a verdade merece castigo’!”, protestou Beatriz Cerqueira após saber da convocação

 

Por Joana Tavares, De Belo Horizonte (MG)

A presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG) e coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG), Beatriz Cerqueira, foi convocada para prestar esclarecimentos sobre “referentes às acusações feitas” à comissão extraordinária das Barragens, criada pela Assembleia Legislativa de Minas para acompanhar o caso do rompimento da barragem de rejeitos Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana. 

A proposta inicial era a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os crimes da mineração, mas, por falta de assinaturas e devido ao período de recesso parlamentar, foi criada a comissão, que tem realizado audiências públicas e se propõe a recolher elementos sobre o assunto. 

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Em artigo assinado no Portal Viomundo, Beatriz criticou a demagogia dos políticos, em audiência pública realizada em Mariana, no dia 17 de novembro. “Após 12 dias do rompimento das duas barragens de rejeitos da Samarco/Vale/BHP, em Mariana, a Assembleia  Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou a primeira audiência pública, em Belo Horizonte, para debater o assunto. Em tese, seria o momento para que deputados estaduais ouvissem os atingidos pela tragédia e órgãos do governo e de fiscalização colhessem informações para os trabalhos da Comissão Especial recém-criada. Mas a audiência se transformou na mais demagógica atividade protagonizada por nossos políticos.  Era uma audiência conjunta com a Câmara dos Deputados.  Mas estes, após tirar fotos, dar entrevistas à imprensa e falar primeiro, foram embora”, disse, na abertura do texto.

Beatriz criticou o “convite” da Assembleia. “Aqui em Minas Gerais continua a máxima do PSDB e amigos de que ‘quem fala a verdade merece castigo’! Ou uma tentativa de intimidação! Pelo menos é o que pensam os deputados estaduais da Comissão especial que “investiga” o crime da Samarco/Vale/BHP que aprovaram hoje um “convite” para que eu preste esclarecimentos sobre o artigo que escrevi! A idéia original era que eu fosse “convocada”. Estou aguardando ansiosamente o dia! Tenho muito mais a dizer! Ou a escrever!”, disse.

O Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, também citado no requerimento da ALMG, ainda não foi notificado. Seu presidente, Kerison Lopes, diz que não entendeu o motivo da convocação, mas afirma que comparece à reunião “com prazer”. “Será uma  oportunidade de denunciar o absurdo que continua sendo cometido no caso da Samarco/Vale. O silêncio, o impedimento das apurações, o abandono às famílias que foram prejudicadas direta e indiretamente pelo crime ambiental”, afirma Kerison.

Ele considera um absurdo a convocação de Beatriz, que estava exercendo seu direito de liberdade de expressão.

Sind-UTE processado por criticar governo tucano

Em outubro do ano passado, sete diretores do Sind-UTE/MG, entre eles Beatriz Cerqueira, foram processados por veicularem uma campanha denunciado a situação da educação no estado. A coligação “Todos por Minas”, encabeçada pelo PSDB, entrou com 17 ações contra o sindicato, alegando “propaganda eleitoral negativa”. 

Leia sobre isso aqui: http://www.brasildefato.com.br/node/29957

Leia os artigos de Beatriz sobre o caso de Mariana:

http://www.brasil247.com/pt/247/minas247/206160/’Vale-comanda-a-apura%C3%A7%C3%A3o-do-crime-que-cometeu-controlando-pol%C3%ADticos-v%C3%ADtimas-e-jornalistas’.htm

http://observatoriodacomunicacao.org.br/clippings/tragedia-ambiental-e-social-em-minas-gerais-promiscuidade-entre-poderes-politico-e-economico-no-brasil/

http://www.viomundo.com.br/denuncias/beatriz-cerqueira-samarco-comanda-a-apuracao-do-crime-que-cometeu-controlando-politicos-vitimas-e-jornalistas.html

http://www.brasildefato.com.br/node/33444

FONTE: http://www.brasildefato.com.br/node/33561

E a ironia continua… licenciamento ambiental “Fast Food” em BH, queda das ações da BHP em Sidney

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Já fiz várias postagens sobre a ironia que está sendo ver o Estado brasileiro se esmerando em proteger as mineradoras envolvidas no caso de Mariana, enquanto as ações da Vale e da BHP Billiton estão literalmente afundando nas bolsas de valores, como mostra a matéria abaixo do jornal Estado de Minas.

E a coisa está piorando por causa da posição expressa num relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) onde está expressa que as medidas tomadas pela Mineradora Samarco da qual a BHP Billiton detém 50% do capital “foram claramente insuficientes” para impedir o agigantamento dos efeitos socioambientais que incidente na represa de Fundão acabou tendo.

Pois é, o Estado brasileiro pode até perdoar, mas o mercado de ações não. É irônico ou não?

Por causa da tragédia de Mariana, ações da BHP têm queda na Bolsa de Sidney

Situação do grupo australiano ficou pior depois que especialistas da ONU publicaram relatório denunciando que as empresas e as autoridades brasileiras não conseguiram evitar os danos causados pelo rompimento da barragem do Fundão

Os reflexos negativos do rompimento da barragem do Fundão em Bento Rodrigues, subdistrito de Mariana, no dia 5, atingiram a mineradora australiana BHP Billiton, que detém 50% do controle da Samarco (os outros 50% são da Vale). Matéria publicada nesta quinta-feira no site do jornal inglês The Telegraph mostra que as ações da BHP na Bolsa de Sidney tiveram queda de 3,7% e alcançaram o menor valor desde 2005, sendo vendidas a A$ 18,94 (dólares australianos), o equivalente a 9 euros, nesta quinta-feira.

Um dos fatores para a queda do valor das ações do grupo empresarial australiano foi o relatório divulgado pela ONU nesta quarta-feira, no qual dois especialistas em direitos humanos afirmarm que as medidas tomadas para evitar os danos causados pelo rompimento da barragem do Fundão “foram claramente insuficientes”. A ONU cobrou publicamente ações mais efetivas da BHP, da Vale, da Samarco e das autoridades brasileiras, alertando que os resíduos tóxicos da lama que vazou da barragem são ameaças reais ao meio ambiente e às pessoas.

Para tentar reverter a curva descendente do valor de suas ações, a BHP tem negado de forma veemente que os resíduos presentes na lama sejam tóxicos, mas, até o momento, a atuação para diminuir a desconfiança dos investidores não tem dado bons resultados. Em Londres, na manhã desta quinta, a queda do valor das ações do grupo australiano chegou a 2,5%.

FONTE: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/11/26/interna_gerais,711855/por-causa-da-tragedia-de-mariana-acoes-da-bhp-tem-queda-na-bolsa-de-s.shtml

Afinal, a lama da Mineradora Samarco é ou não tóxica?

Uma coisa que é comumente dita é que nas guerras a primeira vítima é sempre a verdade. Como eu encaro o que aconteceu em Bento Rodrigues com a explosão da barragem de rejeitos da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) muito semelhante a um ato de guerra contra a população e os ecossistemas naturais que foram atingidos pelo tsunami de lama, não fico nem um pouco surpreso com o embate sobre se o material é tóxico ou não. 

Na verdade, como respondi hoje em uma entrevista no “Programa Faixa Livre”, a questão da toxidade tem a ver com vários aspectos, incluindo questões “para quem”, “por quanto tempo” ou mesmo “em que dose”. Além disso, toxidade também tem tanto a ver com a composição química de um dado material e sua capacidade de interagir com um organismo vivo, quanto com os parâmetros legais utilizados para estipular que algo é ou não tóxico. No caso do Brasil, há que se dizer que a legislação ambiental é normalmente pró-poluidor, e, consequentemente, as faixas estabelecidas como indutoras a danos ambientais e à saúde humana são muito mais flexíveis do que em outras partes do mundo, a União Européia seria um bom exemplo disso. Em outras palavras, muitas coisas que são seguras para os brasileiros, são perigosas para os europeus. 

Agora, prezados leitores deste blog, vejam duas matérias que estão circulando hoje na internet e me respondam sinceramente em quem vocês levam mais fé: nos porta-vozes da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) ou nos representantes da Organização das Nações Unidas (ONU)!

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E antes de me responderem lembrem-se da máxima que foi citada logo no primeiro parágrafo desta postagem. Mas,convenhamos, quem em sã consciência ainda acreditaria a estas alturas do campeonato num laudo encomendado pela Samarco? Provavelmente nem os membros dos conselhos dirigentes da Vale e da BHP Billiton!

Manifestação na sede da Vale em Vitória para protestar contra o derrame de lama da Mineradora Samarco

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HOJE: TRANSMISSÃO AO VIVO (EM TEMPO REAL) PARA A INTERNET #NINJAES #Carreata#SOSRioDoce #NãoFoiAcidente #VaiTetProtesto#VitóriaES

Os organizadores da carreata estão animados e já confirmaram a presença de surfistas e atletas como Neymara Carvalho, Krystian Kymerson e também da banda Macucos.

O NINJA ES fará a transmissão da intervenção AO VIVO, a partir das 19:30. Basta clicar no linhttp://twitcasting.tv/ninjalivre

Em breve novas informações!!!

NINJA ES

FONTE: https://www.facebook.com/ESNINJAES/photos/a.562353377133925.1073741826.562350287134234/920962607939665/?type=3&theater

BBC Brasil: Governo rebate críticas da ONU sobre resposta ‘inaceitável’ à tragédia em Mariana

AFP
Image copyrightAFP Texto da ONU afirma existir falta de transparência nas informações sobre riscos de contaminação

O governo brasileiro afirmou na noite desta quarta-feira que entrará em contato com a ONU para oferecer esclarecimentos sobre as medidas que vem tomando em relação à tragédia de Mariana.

No início do dia, a ONU fez duras críticas ao que considerou uma resposta “inaceitável” por parte do governo e também da Vale e da mineradora anglo-australiana BHP.

E um comunicado com declarações de seu relator especial para assuntos de Direitos Humanos e Meio Ambiente, John Knox, e do relator para Direitos Humanos e Substâncias Tóxicas, Baskut Tuncak, a ONU criticou a demora de três semanas para a divulgação de informações sobre os riscos gerados pelos bilhões de litros de lama vazados no Rio Doce pelo rompimento da barragem, no último dia 5.

“As providências tomadas pelo governo brasileiro, a Vale e a BHP para prevenir danos foram claramente insuficientes. As empresas e o governo deveriam estar fazendo tudo que podem para prevenir mais problemas, o que inclui a exposição a metais pesados e substâncias tóxicas. Este não é o momento para posturas defensivas”, disseram os especialistas da ONU no documento.

Em resposta, a Presidência informou que entrará em contato com a ONU para esclarecer seis pontos do comunicado: atendimento emergencial, abastecimento de água, monitoramento do Rio Doce, multas à Samarco, recuperação do Rio Doce, e força-tarefa para salvar animais ameaçados.

O governo brasileiro afirmou que “o Serviço Geológico Brasileiro (CPRM) antecipou o início da operação 24 horas de monitoramento contínuo do Sistema de Alerta da Bacia do Rio Doce”, monitorando amostras de água e concluindo que “não há indicações de que a lama seja tóxica em relação a metais pesados.”

Reuters
Image copyrightReuters ONU detalhou consequências do acidente, como chegada da lama ao mar

Esclareceu, no entanto, que “os resultados obtidos em mais de 40 coletas mostram uma quantidade de material em suspensão (turbidez) muito acima dos valores observados pela CPRM em 2010. Além da turbidez, os resultados revelam também uma diminuição significativa na quantidade de oxigênio dissolvido na água que pode está relacionada com a mortandade de peixes.”

Isso porque, em sua crítica, a ONU menciona a contradição nas informações divulgadas sobre o desastre, em especial a insistência da Samarco, joint venture formada por Vale e BHP para explorar minérios na região, de que a lama não continha substâncias tóxicas. E descreve com detalhes o desastre ecológico provocado pelo vazamento, incluindo a chegada da lama ao mar.

“As autoridades brasileiras precisam discutir se a legislação para a atividade mineradora é consistente com os padrões internacionais de direitos humanos, incluindo o direito à informação. O Estado tem a obrigação de gerar, atualizar e disseminar informações sobre o impacto ambiental e presença de substâncias nocivas, ao passo que empresas têm a responsabilidade de respeitar os direitos humanos”, afirmou Tuncak.

Multa e diálogo

A nota da Presidência também cita a multa de R$ 250 milhões à Samarco e diz que “o governo vem cobrando a atuação da empresa na contenção e na reparação dos danos causados pela tragédia”.

O comunicado salientou ainda que o governo federal “iniciou um diálogo com os governos mineiro e capixaba para definir um plano conjunto de recuperação da Bacia Hidrográfica do Rio Doce” e “vêm fazendo ações de emergência para proteger a fauna da região afetada pela catástrofe, como a retirada de ovos de tartaruga de locais ameaçados na costa capixaba, bem como a captura e transporte de matrizes de peixes também ameaçados.

Em entrevistas, a presidente Dilma Rousseff tem negado negligência no caso. A Samarco, por sua vez, tem afirmado que suas operações eram regulares, licenciadas e monitoradas dentro dos melhores padrões de monitoramento de barragens.

Nesta quarta-feira pela manhã, no programa Bom Dia Ministro, os ministros Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Gilberto Occhi (Integração Nacional) disseram que “desde o primeiro momento” o governo “atuou em uma força tarefa com todos os setores na busca de salvar pessoas”.

Quadro desolador

Os dois especialistas classificaram a tragédia como mais um exemplo de negligência de empresas em proteger os direitos humanos e traçam um quadro desolador pós-desastre para as comunidades afetadas.

“Poderemos jamais ter um remédio eficaz para as vítimas, cujos parentes ou ganha-pão podem estar debaixo dessa onda de lixo tóxico, e nem para o meio ambiente, que sofreu danos irreparáveis. Empresas trabalhando com atividades envolvendo o uso de material de risco precisam ter a prevenção de acidentes no centro de seu modelo de negócios.”

A BBC Brasil entrou em contato com a Samarco, a Vale e a BHP. Até a noite desta quarta-feira, a Vale respondeu dizendo que não comentaria a nota da ONU mas que esclarece, em seu site, que os rejeitos de mineração não são tóxicos.

A Samarco afirmou que “respeita o direito de expressão da ONU, porém afirma que todas as medidas estão sendo tomadas para prestar assistência emergencial às famílias e comunidades afetadas e para a mitigação das consequências socioambientais desse acidente” e que “desde a ocorrência do acidente em sua Barragem de Fundão vem permanentemente informando à sociedade, autoridades e imprensa que o material proveniente das barragens não apresenta perigo à saúde humana”.

FONTE: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/11/151126_governo_onu_mariana_mdb