Prefeito usa Twitter para celebrar ausência de Jair Bolsonaro em Nova York

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Bill de Blasio, prefeito de Nova York, foi uma das primeiras vozes a se levantar contra a visita de Jair Bolsonaro. Hoje ele usou o Twitter para festejar o cancelamento da viagem que o presidente brasileiro faria para receber prêmio de “personalidade do ano”.

O prefeito da cidade de Nova York, que jogou papel importante nas pressões realizadas para impedir a visita do presidente Jair Bolsonaro, usou hoje sua conta oficial na rede Twitter para expressar seu contentamento com o cancelamento anunciado na noite de ontem (03/05) (ver imagem abaixo).

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Além de dizer que a visão política de Jair Bolsonaro não é bem vinda em Nova York, de Blasio afirmou que “o assalto de Jair Bolsonaro contra os direitos dos LGBTQ e seus planos de destruição da Terra estão presentes em muitos líderes, inclusive muitos dentro dos EUA, e que TODOS devem se levantar, falar e lutar contra este tipo de ódio sem consequência“.  

De Blasio disse ainda que os “habitantes de Nova York não se omitem frente à opressão. Nós chamamos a atenção para a intolerância de Bolsonaro e ele fugiu.  Não estou surpreso, pois valentões normalmente não aguentam um soco“.

Para finalizar de Blasio ainda emendou um “Good Riddance” para o presidente Bolsonaro, o que explicita o sentimento de grande felicidade quando alguém se livra de uma pessoa indesejável.

Em uma postagem que escrevi no dia 19 de março de 2019 durante a visita de Jair Bolsonaro afirmei que ele estava cometendo erros estratégicos e que teria efeitos catastróficos para o Brasil pelo fato dele se alinhar tão diretamente ao governo Trump.  A ampla rejeição a uma visita protocolar que permitiria ao presidente brasileiro receber um prêmio de segunda linha é uma prova que a fatura está começando a chegar. E, claro, com custos catastróficos que ainda não são os principais.

Jair Bolsonaro do Brasil cancela abruptamente a visita aos EUA após protestos

A desistência do líder de extrema direita, que deveria receber um prêmio de prestígio, está sendo chamada de “um grande constrangimento”

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Jair Bolsonaro faz um gesto durante uma cerimônia no Palácio do Planalto em Brasília, Brasil. Foto: Adriano Machado / Reuters

Por Dom Phillips para o “The Guardian”, desde o Rio de Janeiro

O presidente de extrema direita do Brasil, Jair Bolsonaro, cancelou abruptamente uma viagem dos EUA onde iria receber um prêmio de prestígio depois de uma tempestade de protestos sobre sua história de comentários homofóbicos, racistas e misóginos e planos de corroer as proteções ambientais na Amazônia.

O cancelamento, anunciado de repente na sexta-feira, veio depois que o local originalmente escolhido para abrigar a cerimônia se recusou a sediar o evento, o prefeito de Nova York atacou sua presença, e os principais patrocinadores corporativos foram embora. O porta-voz de Bolsonaro culpou ataques ideológicos de grupos de interesse e Bill de Blasio, o prefeito de Nova York.

O cancelamento é uma saída humilhante para Bolsonaro, que idolatra os Estados Unidos e foi homenageado por Donald Trump durante uma visita em março a Washington. Analistas dizem que é um sinal da reprovação internacional que suas visões extremistas e posições anti-ambientais estão começando a despontar no mundo.

“É um grande constrangimento”, disse Paulo Baía, professor de ciência política da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A cerimônia anual de premiação da Personalidade do Ano seria realizada no dia 14 de maio pela Câmara de Comércio Brasil-EUA. Juntamente com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, Bolsonaro seria homenageado por “fomentar laços comerciais e diplomáticos mais estreitos entre o Brasil e os Estados Unidos” e seu “compromisso de construir uma parceria forte e durável” entre os dois países, disse a Câmara.

O evento de gala estava originalmente previsto para ser apresentado no Museu Americano de História Natural – mas o museu suspendeu o uso de suas dependências pelo evento após críticas de grupos LGBT e ambientalistas. No mês passado, Bolsonaro disse que o Brasil não poderia se tornar um paraíso do “turismo gay” e que seu governo tem sido criticado por planos de desmantelar as proteções da Amazônia e desenvolver economicamente reservas indígenas protegidas.

“Jair Bolsonaro é um homem perigoso”, o prefeito Bill de Blasio twittou  enquanto agradecia ao museu pela decisão de não sediar o evento.

O evento de gala foi transferido para o hotel Marriott Marquis, mas depois a Delta Airlines e a Bain & Company, uma empresa de consultoria de gestão, retiraram o seu apoio, informou a CNN. O Financial Times fez o mesmo.

“Aparecer de verdade poderia ter sido um desastre completo, com manifestantes lotando a Times Square e o evento se tornando um símbolo da sociedade civil que se opõe ao líder da extrema direita”, disse Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas de São Paulo.  

Em comunicado na sexta-feira, o porta-voz de Bolsonaro, general Otávio do Rêgo Barros, culpou a “resistência e ataques deliberados do prefeito de Nova York e pressão de grupos de interesse”. O general disse que esses ataques foram “ideológicos”.

Maurício Santoro, professor de relações internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, disse que era notável que Bolsonaro estivesse enfrentando tais protestos corporativos apenas quatro meses após sua presidência.

“Podemos imaginar o que vem pela frente”, disse ele.

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Este artigo foi originalmente publicado em inglês pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Prefeito de Nova York demanda cancelamento de cerimônia de premiação de Jair Bolsonaro no Museu de História Natural

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O prefeito da cidade de Nova York, o democrata Bill de Blasio,  aumentou o nível da controvérsia em torno do uso das dependências do Museu de Historia Natural de Nova York (MHNNY) para sediar um evento da Câmara de Comércio Brasileira-Americana” que irá entregar o prêmio de personalidade do ano ao presidente Jair Bolsonaro.

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Segundo Bill de Blasio, não seria conveniente receber Jair Bolsonaro no MHNNY em funão de suas posições políticas que seriam altamente racistas e homofóbicas, além das políticas do atual presidente brasileiro estarem colocando em risco a preservação da floresta amazônica.  O prefeit oDe Blasio arrematou dizendo que Jair Bolsonaro seria uma “pessoa extremamente perigosa” e, que por isso, o MHNNY deveria cancelar a permissão de uso de suas dependências pela Câmara de Comércio Brasileira Americana.

A entrega desse prêmio que certamente seria alardeada aos quatros ventos pelo governo Bolsonaro como uma prova de sua boa passagem política nos EUA ameaça se transformar em mais um mico para a diplomacia brasileira.

E como venho acompanhando a mídia internacional em sua cobertura das tiradas políticas do presidente Bolsonaro, esse talvez seja apenas dos muitos incidentes que serão caudados pela imagem altamente negativa que acompanha Jair Bolsonaro fora das fronteiras brasileiras.