Mata Atlântica: o desafio de ZERAR o desmatamento para permitir a recuperação do Bioma onde vivem mais de 70% da população brasileira

Levantamento inédito do MapBiomas mostra que importantes bacias hidrográficas da região têm cobertura florestal baixa, ao redor de apenas 20%

bioma revela
Um quarto da cobertura florestal da Mata Atlântica está preservado. O dado, inédito, foi obtido pelo MapBiomas a partir do mapeamento de imagens de satélite entre 1985 e 2020 segundo os contornos determinados pela Lei n° 11.428 de 2006, também conhecida como Lei da Mata Atlântica. Com isso, foram analisados todos os remanescentes florestais do bioma, incluindo partes do Piauí e Ceará. Os 465.711 km2 remanescentes da Mata Atlântica são encontrados em 17 estados (a área contínua estende-se por apenas 15 estados). Este e outros dados serão divulgados nesta quarta-feira (15/09), em webinar no canal do YouTube da organização, a partir das 10h30.
O mapeamento das transformações da Mata Atlântica indica que a cobertura florestal passou de 27,1% em 1985 para 25,8% em 2020. Atualmente, outros 25% são ocupados por pastagens; 16,5% por mosaicos de agricultura e pastagens; 15,% pela agricultura; 10,5% por formação savânica e outras naturais.

A cobertura florestal manteve-se praticamente estável nos últimos 30 anos, após um período de alto desmatamento ocorrido entre 1985 e 1990. Por trás dessa estabilidade, no entanto, esconde-se a perda de florestas maduras e a regeneração de matas jovens. Entre 1985 e 2020 a perda de vegetação primária foi de 10 milhões de hectares. Nesse mesmo período, a área de vegetação secundária ganhou 9 milhões de hectares. Essa perda ainda pode ser observada em determinadas regiões do bioma, como as florestas de araucárias do Paraná e ao norte de Minas Gerais, na fronteira com a Bahia. O mesmo processo ocorre em áreas de campos naturais, como na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Entre 1985 e 2020, a perda de formações campestres foi de 28%.

“A aparente estabilidade da cobertura florestal da Mata Atlântica é enganosa porque existe uma diferença de qualidade entre uma mata madura, rica em biodiversidade e com carbono estocado, de uma área em recuperação”, alerta Marcos Rosa, coordenador técnico do MapBiomas. Além disso, uma área abandonada por quatro ou cinco anos já tem floresta em estágio inicial, mas muitas vezes ela é desmatada, evitando que essa floresta se recupere. “Precisamos interromper essa tendência de destruição de florestas maduras e fomentar a manutenção das matas recuperadas para garantir os serviços ambientais prestados pelo bioma”, afirma Luís Fernando Guedes, coordenador da equipe Mata Atlântica e Pantanal do MapBiomas. Na região da Mata Atlântica vivem mais de 70% dos brasileiros, que dependem dos serviços ambientais do bioma para manter a qualidade do ar e o abastecimento de água e energia. Incentivar a recuperação de florestas no entorno dos rios, áreas de nascentes e de recarga dos sistemas de abastecimento urbano pode reduzir o risco hídrico para essa população.

Uma parte desse processo já está em curso: as imagens de satélite mostram recuperação em Áreas de Preservação Permanentes (APPs) em torno dos rios, principalmente no interior de São Paulo e do Paraná, onde o pasto foi substituído pela agricultura, como cana de açúcar. “As áreas de pastagem ocupavam até a margem dos rios, favorecendo a erosão e o assoreamento dos cursos d’água. Com a substituição pela agricultura, a APP na borda dos rios foi respeitada e se recuperou – naturalmente ou com plantio de nativas. Essa vegetação, principalmente no entorno das nascentes, é fundamental para a qualidade e quantidade da água”, detalha Marcos.

Apesar disso, a situação de importantes bacias hidrográficas para o abastecimento de água desses estados, onde se concentram grandes centros urbanos, é preocupante. Muitas têm baixa cobertura vegetal e isso afeta a produção de águas. A bacia do Paraná, por exemplo, teve sua cobertura nativa reduzida de 24% em 1990 para 19% em 2020. A do Rio Grande também teve uma leve oscilação negativa, de 21% (1990) para 20% (2020). A bacia do Tietê passou de 19% (1990) para 20% (2020). Paranapanema permaneceu estável em 23% nas duas datas. A bacia do Paraíba do Sul oscilou levemente para cima (de 27% em 1990 para 29% em 2020).

“O planejamento da recuperação florestal da Mata Atlântica de acordo com as bacias hidrográficas é uma enorme oportunidade para gestores públicos”, destaca Marcos. “Como metade da vegetação nativa da Mata Atlântica está em áreas privadas, políticas como a de Pagamento por Serviços Ambientais e criação de corredores assume papel estratégico para a recuperação e conservação do bioma”, completa.

Nos últimos 36 anos, 12 estados perderam vegetação nativa. A Bahia foi o campeão em perda (com 9.642 km2), seguido pelo Rio Grande do Sul (6.899 km2), Santa Catarina (6.359 km2) e Paraná (com 3.744). A década de maior recuperação de áreas florestais ocorreu entre 2000 e 2010, quando a Mata Atlântica ganhou 5.754 km2 de florestas. Por duas décadas, desde 2000, o estado de São Paulo manteve o crescimento da área de florestas.

Fogo já impactou 90% das espécies de animais e plantas da Amazônia

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bori conteudo

Em quase duas décadas, 90% das espécies de animais e plantas da Amazônia já foram impactadas por incêndios. É o que mostra estudo publicado na revista “Nature” na quarta (1/09) de pesquisadores da Universidade do Arizona, com participação de pesquisadores brasileiros da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), com apoio do Instituto Serrapilheira.

O estudo buscou identificar quanto da distribuição das espécies da Amazônia brasileira foi atingida pelos incêndios florestais entre os anos de 2001 e 2019.  Por meio de imagens de satélites, os pesquisadores mapearam o fogo e sobrepuseram essas imagens com mapas que mostram as áreas de ocorrência de 11.514 espécies de plantas e 3.079 espécies de animais, a fim de quantificar a extensão da área impactada para cada espécie. Para algumas espécies, mais de 60% da área original sofreu impacto dos incêndios nesse período de quase 20 anos.

biodiversity Nature

Visão geral da riqueza de espécies de plantas e vertebrados e impactadas pelo fogo floresta na Bacia Amazônica.a, b, Mapa de riqueza de planta (a) e vertebrado (b) espécies na Bacia Amazônica. c, área queimada MODIS (reamostrada para 10 km) mostra floresta impactada pelo fogo, com preto representando áreas não florestais mascaradas fora deste estudo. Barra de escala, 500 km. d – f, exemplos de três espécies, Allantoma kuhlmannii (d) (status IUCN: criticamente em perigo), Opisthocomus hoazin (hoatzin) (e) (status IUCN: menos preocupação) e Ateles marginatus (macaco-aranha de bochechas brancas) (f) (status da IUCN: em perigo), que são estimado em 36,7–37,7%, 1,8–2,6% e 4,1–5,9% de sua área amazônica extensão da floresta impactada, respectivamente. Créditos da fotografia: d, adaptado de The New York Botanical Garden Herbarium sob uma licença CC BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/); e, Mathias M. Pires; f, adaptado de Rich Hoyer sob uma licença CC BY 2.0 (https: // creativecommons. org / licenças / por / 2.0 /).

Nas análises, Mathias Pires, pesquisador da Unicamp e um dos autores, identificou a ocorrência do fogo em áreas bem mais centrais da Amazônia nos últimos anos e não só naquelas que estão nos limites do bioma, que são áreas mais propensas a incêndios devido ao clima mais seco. No primeiro caso, as queimadas são causadas pela ação humana para transformar a floresta em pasto para gado.

Além de causar a morte de animais, o fogo também transforma o habitat das espécies, comenta Pires. “As plantas amazônicas não têm adaptações ao fogo como as plantas do Cerrado, por exemplo, e geralmente morrem após a passagem do fogo, transformando a floresta fechada em ambientes abertos”. O pesquisador afirma que as mudanças climáticas tornarão essa região mais seca, favorecendo ainda mais o aparecimento de incêndios.

Os ciclos do fogo na Amazônia

O estudo identificou, também, três grandes ciclos de incêndio na Amazônia, que se relacionam com os momentos políticos do país: até 2008, os incêndios eram mais frequentes e impactavam uma área bem maior; já entre 2009 e 2018, com as políticas de controle de desmatamento, mesmo com o tempo seco, conseguiu-se evitar os incêndios. Em 2019 houve um impacto do fogo maior do que esperado, o que coincide com o relaxamento de aplicação dessas políticas pelo governo.

“Nosso estudo destaca uma conexão muito estreita entre a política brasileira, o desmatamento e as queimadas na Amazônia”, comenta o pesquisador da UFMG Danilo Neves, co-autor da pesquisa. Para reverter essa situação, seria preciso investir na fiscalização e monitoramento das queimadas na região. “Caso contrário, mais espécies serão impactadas e ecossistemas inteiros entrarão em colapso”, alerta.

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Este material foi originalmente publicado pela Agência Bori [Aqui!].

Dia de Proteção às Florestas: saiba de onde vem o produto que você consome e a importância disso

Comprar alimentos da Amazônia, produzidos de maneira sustentável, mantém a floresta em pé, famílias no território e gera bem-estar e saúde para todos

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A biodiversidade é um bem compartilhado com o planeta. Por isso, a preocupação em conservar a Amazônia não é somente uma questão nacional e está no topo da lista dos grandes líderes mundiais. Mas não são apenas eles que podem ajudar nesta empreitada. Qualquer consumidor pode fazer uma enorme diferença se souber escolher os produtos que escolhe. “O consumo afeta o meio ambiente de várias maneiras e o impacto ambiental pode ser irreversível – para melhor e para o pior”, afirma Fabiana Prado, coordenadora do LIRA – Legado Integrado da Região Amazônica, do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas.

O Projeto LIRA desenvolve, junto com uma rede de parceiros, uma série de ações e impulsiona diretamente negócios sócio-produtivos vinculados a 12 cadeias de valor da Amazônia: castanha, farinha de mandioca, turismo, açaí, pesca, pirarucu, artesanato, artefatos de madeira, cumaru, cacau silvestre e borracha. “Quando vamos ao mercado para fazer as compras do dia a dia, devemos rever alguns hábitos e ter atenção àquilo que compramos, saber de onde veio aquele produto e como foi produzido. Parece uma ação pequena, mas pode ajudar a manter a floresta em pé”.

A castanha-da-Amazônia, por exemplo, também conhecida como castanha-do-Pará, ou castanha-do-Brasil, ocupa o segundo lugar entre os produtos de extração vegetal mais produzidos no Brasil, (IBGE/2019). “Tem uma importância enorme como alimento, está intimamente ligada à cultura local e é fonte de renda de comunidades tradicionais”, afirma Cristina Tófolli, coordenadora do MPB – Monitoramento Participativo da Biodiversidade que, assim como o LIRA, é conduzido pelo IPÊ. Segundo ela, na Reserva Extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, no Acre, os moradores extrativistas notaram a diminuição na produção de castanha com o decorrer dos anos, o que já estava impactando significativamente a renda familiar local e foram eles mesmos que pediram a inclusão da castanha entre os produtos monitorados pelo projeto. “Quem compra hoje as castanhas da Resex, está apoiando uma extração sustentável, além de apoiar uma comunidade engajada pela Amazônia, inclusive de jovens, que passaram a se orgulhar em participar de um modo de vida tradicional em aliança com a conservação da floresta” conclui.

Dia de proteção das florestas. É preciso ter consciência!

Viva o pirarucu!

Com o pirarucu ocorre algo similar. O maior peixe com escamas de água doce do mundo é nativo da Amazônia e desempenha um papel-chave na pesca de subsistência realizada pelas populações ribeirinhas da região Norte. Ele está entre os mais apreciados nas demais regiões do país. Sua pesca é permitida apenas em área com manejo autorizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e precisa vir de áreas manejadas, um trabalho de séculos das comunidades tradicionais com algumas adaptações científicas e metodológicas. Desde 2014, com a participação de monitores locais, já foram registrados 216.699 kg de pescados de pirarucu em 4 áreas de manejo (RESEX do Rio Unini, RESEX Baixo Juruá, RESEX Médio Juruá e RDS Uacari) – todas no estado Amazonas.

Para ajudar no momento de escolher as compras, existem selos que podem ser encontrados nos produtos que foram produzidos de maneira sustentável, como é o caso do “Origens Brasil”. “Consuma produtos que vêm de áreas protegidas e manejadas, assim você colabora significativamente com a bioeconomia e valoriza a cultura dos povos tradicionais da Amazônia, além de conservar a floresta mais biodiversa do planeta”, conclui Fabiana Prado.

Sobre o LIRA

O LIRA é uma iniciativa idealizada pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, Fundo Amazônia e Fundação Gordon e Betty Moore, parceiros financiadores do projeto. Os parceiros institucionais são a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Amazonas – SEMA-AM e o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará – IDEFLOR-Bio. O projeto abrange 34% das áreas protegidas da Amazônia, considerando 20 UCs Federais, 23 UCs Estaduais e 43 Terras Indígenas, nas regiões do Alto Rio Negro, Baixo Rio Negro, Norte do Pará, Xingu, Madeira-Purus e Rondônia-Acre. O objetivo do projeto é promover e ampliar a gestão integrada para a conservação da biodiversidade, a manutenção da paisagem e das funções climáticas e o desenvolvimento socioambiental e cultural de povos e comunidades tradicionais. Mais informações: https://lira.ipe.org.br/

Sobre o MPB

O Projeto de Monitoramento Participativo da Biodiversidade (MPB) em Unidades de Conservação da Amazônia, é parte da iniciativa para implementação do Programa de Monitoramento da Biodiversidade – Monitora do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). USAID, Gordon and Betty Moore Foundation e Programa ARPA são parceiros da iniciativa.

Desde 2013, o projeto apoia a realização de monitoramentos participativos da biodiversidade, e promove o envolvimento socioambiental para o fortalecimento da gestão das Unidades de Conservação (UC) e a conservação da biodiversidade em UCs da Amazônia. A principal motivação é acompanhar o estado da biodiversidade das UCs e envolver a comunidade local na gestão dessas áreas. Esse processo é fundamental para entender e moderar a extensão de mudanças que possam levar à perda de biodiversidade local, subsidiar o manejo adequado dos recursos naturais e promover a manutenção do modo de vida das comunidades locais. Para saber mais acesse [Aqui!

Aquecimento global e miopia: estudo alerta para perda de biodiversidade em hotspots e suas consequências negativas

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Os leopardos da neve vivem nas altas montanhas – aqui no Pamir. Quando fica mais quente, eles geralmente não conseguem se mover mais alto. Foto: dpa / Igor Kovalenko / epa

Os botos-vaquita no Golfo da Califórnia, os lêmures em Madagascar, os elefantes da floresta na África Central e os leopardos das neves no Himalaia, todos têm uma coisa em comum: eles estão na via de mão única para a extinção se a mudança climática elevar a temperatura global em três graus Celsius.

Esses animais não estão sozinhos neste destino. A menos que as nações melhorem drasticamente a implementação do Acordo de Paris de 2015 para reduzir as emissões de CO2, o aquecimento global destruirá irreversivelmente os lugares com a mais rica diversidade de animais e plantas em nosso planeta. Essa é a avaliação preocupante da situação de um estudo publicado na revista “Biological Conservation” (Endemism increases species’ climate change risk in areas of global biodiversity importance) como botos vaquita, leopardos das neves, lêmures e elefantes da floresta, que estão sujeitos a condições ambientais muito específicas em locais muito específicos para sua sobrevivência, são as mais afetadas pelas mudanças climáticas.

O grupo internacional de cientistas liderado pela ecologista brasileira Mariana Vale, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, analisou 8.000 avaliações de risco publicadas sobre a biodiversidade em quase 300 “pontos quentes” em terra e no mar sob a perspectiva de um aumento da temperatura global de três graus Celsius acima dos níveis pré-industriais. A investigação não é um mero exercício acadêmico do tipo “e se?”. Porque o mundo já está a caminho de um aquecimento global de três graus. A temperatura mundial já subiu um grau acima do nível pré-industrial. Os autores do estudo alertam que os três graus seriam atingidos no máximo até o final deste século, mesmo que os países aderissem às metas estabelecidas no acordo climático de Paris de redução das emissões de CO2. »Mudanças climáticas ameaçam áreas

Mais de 90% de todas as espécies endêmicas – ou seja, nativas de uma determinada área – e 95 por cento de todas as espécies marinhas endêmicas são afetadas pela extinção se a terra aquecer mais dois graus, de acordo com o estudo. Parece ainda mais ameaçador em habitats muito especiais. Nas regiões montanhosas, 84% dos animais e plantas endêmicos estão ameaçados de extinção, enquanto nas ilhas é 100%. “Muitas dessas espécies não conseguem se adaptar às mudanças climáticas por diversos motivos”, diz Vale. Essas espécies têm necessidades ambientais muito específicas para sua vida, sua reprodução e sua alimentação e, portanto, não podem simplesmente migrar para novos ambientes.

Além das mudanças climáticas, outro problema é a crescente perda de habitat para animais e plantas não endêmicas devido ao uso de cada vez mais terras para agricultura, cidades e estradas. “Isso impede que muitas espécies se mudem para áreas climaticamente mais adequadas, o que tem sido uma resposta normal e efetiva aos eventos climáticos da história da Terra”, diz Vale.

Mark Costello, um dos autores do estudo, se preocupa com a sobrevivência dos animais marinhos quando as temperaturas sobem. Sua pesquisa mostrou que “muitos animais marinhos não conseguem sobreviver a temperaturas médias anuais de mais de 20 graus”, diz o biólogo marinho da Universidade de Auckland (Nova Zelândia).

Agora pode-se perguntar: é realmente tão ruim se algumas espécies nunca mais forem vistas? O encolhimento de espécies ocorreu com frequência na história da Terra e a evolução sempre produziu espécies novas e maravilhosas. Wolfgang Kießling da Geo-Zentrum Nordbayern da Friedrich-Alexander-Universität Erlangen-Nürnberg torna claras as dimensões do atual processo evolutivo. “A perda de espécies é preocupante porque leva muito tempo para ser equilibrada novamente por meio de processos evolutivos”, disse Kießling, também co-autor do estudo. “Durante a maior extinção em massa induzida pelo clima na história da Terra, na fronteira do Permiano-Triássico, levou cinco milhões de anos para a biodiversidade global retornar ao nível que estava antes da extinção das espécies. Este não é um problema para a terra, mas para a humanidade.

Em um pedido urgente,  a Dra. Vale deixa claro que não se trata apenas de preservar plantas bonitas, animaizinhos fofos e peixes coloridos como belos enfeites em nosso mundo. O especialista enfatiza que a humanidade depende da biodiversidade para sua própria sobrevivência. Não se trata apenas de segurança alimentar, água e energia, mas também de “nosso bem-estar espiritual e emocional”. Conduzir espécies ao extermínio é, portanto, “não só eticamente errado”, mas também “estúpido da nossa parte”, diz Vale, acrescentando, tendo em vista a crise da coroa: “Os cientistas vêm alertando sobre isso há muito tempo, assim como fizeram têm alertado sobre a crescente probabilidade de uma pandemia alertaram sobre a degradação ambiental generalizada. Queremos esperar até ficarmos sem recursos? Espero que não.”

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal “Neues Deustchland” [Aqui!].

Cientistas cobram de líderes mundiais enfrentamento conjunto de mudança climática e perda de biodiversidade

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O Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services (IPBES) e o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC )lançaram hoje (10/06) o relatório do workshop sobre biodiversidade e mudança climática. O workshop foi realizado em dezembro de 2020, em formato virtual, durante quatro dias e reuniu 50 dos principais especialistas mundiais em biodiversidade e clima, selecionados por um Comitê Científico Diretor de 12 pessoas criado pelos dois órgãos intergovernamentais.

A primeira colaboração desse tipo apela aos líderes para enfrentarem de maneira conjunta a mudança climática e a perda da biodiversidade, oferecendo caminhos para resolver essas crises inter-relacionadas.

O relatório, criado pelos 50 dos maiores especialistas mundiais em biodiversidade e clima , conclui que as políticas anteriores enfrentaram a perda de biodiversidade e a mudança climática de forma independente uma da outra. O documento argumenta que abordar as sinergias entre mitigar a perda da biodiversidade e a mudança climática, ao mesmo tempo em que considera seus impactos sociais, oferece a oportunidade de maximizar os benefícios e atingir as metas de desenvolvimento global.

A natureza oferece maneiras eficazes de ajudar a mitigar a mudança climática, mas estas soluções só podem ser eficazes se forem construídas com base em reduções ambiciosas em todas as emissões de gases de efeito estufa causadas pelo homem. Uma agenda integrada de mudanças climáticas e biodiversidade, diz o relatório, não deixaria nenhuma pessoa ou ecossistema para trás.

As recomendações do relatório do workshop incluem:
• Parar a perda e degradação de ecossistemas ricos em carbono e espécies em terra e no oceano;

• Restauração de ecossistemas ricos em carbono e espécies;

• Aumentar as práticas agrícolas e florestais sustentáveis;

• Eliminação de subsídios que apóiam atividades locais e nacionais prejudiciais à biodiversidade;

• Orientar melhor as ações de conservação, coordenadas com e apoiadas por uma forte adaptação e inovação climática;

• Assegurar que os programas e políticas de conservação sejam multifuncionais, abordando as paisagens de terra, água doce e oceano em vez de se concentrar apenas em alguns elementos da natureza. Essas iniciativas também precisam beneficiar as comunidades locais;

• Quando soluções baseadas na natureza são utilizadas como compensações de carbono, elas são mais eficazes quando sujeitas a condicionantes rigorosos, e não devem ser utilizadas para retardar ações de mitigação em outros setores. Isto é particularmente importante dado que as soluções baseadas na natureza são provavelmente menos eficazes sob a crescente mudança climática e seus impactos.

Os autores também afirmam que as seguintes medidas de mitigação e adaptação climática seriam prejudiciais à biodiversidade:
• Plantio de monoculturas bioenergéticas sobre grandes extensões de terra;

• Plantio de árvores em ecossistemas que historicamente não foram florestas e reflorestamento com monoculturas – especialmente com espécies de árvores exóticas;

• Aumentar a capacidade de irrigação para a agricultura em resposta às pressões da seca;

• Alertam ainda: quaisquer medidas que se concentrem muito na mitigação da mudança climática devem ser avaliadas em termos de seus benefícios e riscos gerais.

Algumas das principais estatísticas são:
• 77% das terras (excluindo a Antártica) e 87% da área do oceano foram modificadas pelos efeitos diretos das atividades humanas;

• Estimativas globais das necessidades exatas de áreas efetivamente protegidas e conservadas para garantir um clima habitável, biodiversidade autossustentável e uma boa qualidade de vida ainda não estão bem estabelecidas, mas variam de 30% a 50% das áreas de superfície oceânica e terrestre.

• Há 12.983 compensações de biodiversidade listadas implementadas em 37 países, porém apenas um terço das compensações de biodiversidade atende comprovadamente ao princípio de “nenhuma perda líquida” (NNL).

• Globalmente, foi estimado que o sistema alimentar é responsável por 21-37% do total das emissões líquidas antropogênicas de gases de efeito estufa ao incluir as atividades de pré e pós-produção.

• Manter ou restaurar 20% do habitat nativo em “paisagens habitadas/alteradas pelo homem pode contribuir para as metas globais de clima e biodiversidade, ao mesmo tempo em que gera múltiplos benefícios, através de soluções baseadas na natureza e outras abordagens baseadas em ecossistemas.

Os autores do relatório ressaltam que, embora a natureza ofereça formas eficazes de ajudar a mitigar a mudança climática, essas soluções só podem ser eficazes se forem baseadas em reduções ambiciosas em todas as emissões de gases de efeito estufa causadas pelo homem.

Ana María Hernández Salgar, presidente do IPBES, diz: “A terra e o oceano já estão fazendo muito – absorvendo quase 50% do CO2 das emissões humanas -, mas a natureza não pode fazer tudo. Uma mudança transformadora em todas as partes da sociedade e de nossa economia é necessária para estabilizar nosso clima, deter a perda da biodiversidade e traçar um caminho para o futuro sustentável que desejamos. Isto também exigirá que enfrentemos ambas as crises em conjunto, de formas complementares”.

Hans-OttoPörtner, co-presidente do Comitê Científico Diretor, diz: “A evidência é clara: um futuro global sustentável para as pessoas e para a natureza ainda é alcançável, mas requer uma mudança transformadora com ações rápidas e de longo alcance de um tipo nunca antes tentado, com base em reduções ambiciosas de emissões. A solução de alguns dos fortes e aparentemente inevitáveis compromissos entre clima e biodiversidade implicará uma profunda mudança coletiva de valores individuais e compartilhados relativos à natureza – como o afastamento da concepção de progresso econômico baseado unicamente no crescimento do PIB, para um que equilibre o desenvolvimento humano com múltiplos valores da natureza para uma boa qualidade de vida, sem ultrapassar os limites biofísicos e sociais”.

Especialistas não envolvidos no relatório reagiram dizendo:
Lucy Almond, Presidente da Nature4Climate: “Este relatório conjunto é um acréscimo bem-vindo à pesquisa que mostra que não podemos resolver a crise climática sem investir na natureza. Precisamos de uma ação política que reconheça que, para atingir os objetivos do Acordo de Paris, precisamos tanto de uma transição energética quanto de um investimento muito maior em soluções baseadas na natureza. Qualquer recuperação econômica deve ser à prova de futuro também para a natureza. Não podemos mais agir em nichos; investir na natureza é investir no clima e na prosperidade econômica.”

Beatriz Luraschi – Diretora de Políticas – Política Global – RSPB: “O Relatório do Workshop IPBES-IPCC reafirma o que já sabemos: que sem proteger e restaurar a natureza, não podemos enfrentar a mudança climática. Não há espaço para complacência – o relatório faz importantes advertências sobre “soluções climáticas” mal concebidas que minam diretamente a natureza, tais como o uso de bioenergia em larga escala. Sabemos que precisamos proteger, restaurar, criar ecossistemas naturais e gerenciar melhor as terras agrícolas, a fim de reduzir as emissões e proteger a vida selvagem. Os líderes globais, que se reunirão para a Cúpula do G7 na Cornualha neste fim de semana, devem estar atentos à ciência para lidar com as emergências da natureza e do clima.”

Brian O’Donnell, Campanha pela Natureza: “A era do enfrentamento isolado das crises da natureza e do clima deve chegar ao fim. Os principais cientistas mundiais da natureza e do clima nos mostraram um caminho a seguir onde priorizamos ações climáticas que beneficiem a natureza. Se os líderes mundiais concordarem em proteger pelo menos 30% das terras e oceanos do planeta e garantir os direitos de posse da terra dos povos indígenas e comunidades locais, podemos fazer um enorme progresso para o clima e a natureza.”

Dr. Enric Sala, National Geographic Explorer in Residence, Diretor Executivo da Pristine Seas, autor de “The Nature of Nature: Por que precisamos da natureza selvagem”: “Não podemos pensar no aquecimento global e na perda da natureza como crises diferentes. Elas são uma e a mesma coisa. A causa de nossa crise global é nosso abuso de nosso sistema de suporte de vida, nossa crescente destruição e poluição do mundo natural em prol de um crescimento econômico sem restrições. Este importante relatório nos lembra que as principais soluções incluem proteger pelo menos 30% do planeta até 2030, mudar a maneira como produzimos alimentos e reduzir nossas emissões de gases de efeito estufa a quase zero até 2050.”

Dr. Simon Zadek – Presidente de Finanças para a Biodiversidade: “Cada dólar, emprego e produto na economia global de 80 trilhões de dólares depende da natureza. E ainda assim, embora as instituições financeiras tenham reconhecido cada vez mais o clima como um importante motor de riscos e oportunidades, a natureza ainda é largamente ignorada. O relatório científico do IPCC e do IPBES fornece mais evidências de que esta negligência representa um perigo existencial e reforça a necessidade de aumentar a ambição e acelerar o progresso de iniciativas como a Task Force sobre Divulgação Financeira Relacionada à Natureza.”

Dra. Pamela McElwee, professora associada do Departamento de Ecologia Humana da Rutgers: “O relatório do Workshop do IPCC-IPBES chega quando os líderes do G7 se reúnem para discutir – entre outras questões vitais – a necessidade de maior financiamento climático. 50 importantes especialistas afirmaram que as medidas que tomamos para deter a mudança climática também devem ter como objetivo deter a perda da biodiversidade. Há um risco real de financiar as chamadas soluções climáticas que podem exacerbar a crise da biodiversidade, como o reflorestamento rápido e em larga escala sem a proteção da biodiversidade. Os países precisam cumprir suas promessas climáticas para reduzir rapidamente as emissões de combustíveis fósseis e, ao mesmo tempo, melhorar a gestão e a conservação de nossas preciosas terras e oceanos. O fato de muitos dos pacotes de recuperação econômica pós-COVID no G7 e em outros lugares não apenas não conseguirem enfrentar a enormidade da crise climática, mas que praticamente ignoram a biodiversidade, mostra que este problema continua difícil de ser superado”.

Você pode encontrar mais informações e o relatório completo aqui 

Webinar discute meios de frear extinção em massa de animais

Evento debaterá formas de recuperação de espécie em risco de extinção para manutenção da riqueza e equilíbrio dos ecossistemas

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No dia 26 de janeiro, às 10h, a CEO do Parque das Aves, Carmel Croukamp, participará do webinar Changing the outcome for threatened species (“Mudando o resultado para espécies ameaçadas”, em português) juntamente com Bruno Oberle, diretor geral da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), e Jon Paul Rodriguez, presidente da Comissão de Sobrevivência de Espécies da UICN (UICN CSE). 

A União Internacional para a Conservação da Natureza é a maior organização internacional e intergovernamental de conservação de biodiversidade mundial, aliada às Nações Unidas (ONU) e reconhecida como a autoridade global sobre a situação do mundo natural e as medidas necessárias para sua conservação.

O objetivo do evento é promover uma discussão entre as principais autoridades sobre o processo de extinção em massa de espécies. Para entender as implicações disso e formas de reverter esse processo de degradação ambiental, o webinar visa apontar meios efetivos de inverter o processo de extinção.

A Dra. Carmel Croukamp foi convidada para participar como representante da Associação Mundial de Zoológicos e Aquários, e como cofundadora do Centro de Sobrevivência de Espécies Brasil, cujo lançamento será abordado no evento.

O evento será online via Zoom com limite de 500 participantes e em inglês. E será aberto ao público interessado, jornalistas, empresários, pesquisadores, tomadores de decisão e formadores de opinião. As inscrições são gratuitas e serão realizadas pelo link https://smithsonian.zoom.us/webinar/register/WN_Xe0DJkWjSjuQrkYPssu-rQ.

Carmel acredita que o webinar servirá como uma troca de experiências que deram certo de autoridades de instituições renomadas no mundo e que muitas delas podem ser replicadas em território nacional. A executiva lembra que o ano de 2020 será lembrado pela pandemia da Covid-19, mas também como de grandes catástrofes ambientais que afetam diretamente as espécies.

“O Brasil é um país megadiverso e possui um patrimônio genético incomparável nos seus mais ricos ecossistemas. Uma de suas principais características é estar relacionado aos expressivos níveis de endemismos e à grande diversidade de habitats e à extensão territorial do país. No entanto, nos últimos anos tivemos muitas perdas na área ambiental e é preciso debater formas efetivas de reverter isso”.

Brasil no centro das atenções

Durante sua fala, Carmel pretende tratar especificamente da recuperação ambiental de aves da Mata Atlântica a partir da divulgação e conscientização pública, conservação de remanescentes da fauna e da flora, proteção da biodiversidade e recuperação ambiental de áreas degradadas.

Ela abordará com os participantes sobre o Centro de Sobrevivência de Espécies Brasil, cuja sede fica no Parque das Aves. Esse hub permanente da UICN CSE foi fundado em 2019 e trabalha para apoiar avaliações, planejamentos estratégicos e ações para salvar espécies nativas brasileiras da extinção, em aliança e no apoio multidisciplinar de profissionais brasileiros que já fazem um excelente trabalho para esse fim.

“Precisamos desacelerar a pressão sobre os ecossistemas. Uma das formas é compartilhando essa nossa experiência positiva vivenciada no Centro de Sobrevivência de Espécies Brasil e também conhecendo outros métodos e vivências positivas que acontecem em vários lugares do mundo”, afirma.

O UICN CSE Centro de Sobrevivência de Espécies Brasil é uma parceria entre a Comissão de Sobrevivência de Espécies, o Grupo Especialista em Planejamento para Conservação (CPSG) e o Parque das Aves.

Serviço

O quê: webinar Changing the outcome for threatened species (“Mudando o resultado para espécies ameaçadas”, em português)

Quando: dia 26 de janeiro, às 10h, via Zoom

Inscrições em: https://smithsonian.zoom.us/webinar/register/WN_Xe0DJkWjSjuQrkYPssu-rQ

OBS: Interessados também poderão acompanhar diretamente do Facebook em https://www.facebook.com/events/1054242941720904/

Cientistas alertam sobre ‘futuro horrível de extinção em massa’ e distúrbios climáticos

Novo relatório diz que o mundo não está conseguindo compreender a extensão das ameaças representadas pela perda de biodiversidade e pela crise climática

fogoFumaça e chamas aumentam de um incêndio ilegal na reserva da floresta amazônica, ao sul de Novo Progresso, no estado do Pará, Brasil. Fotografia: Carl de Souza / AFP / Getty

Por Phoebe Weston para o “The Guardian”

O planeta está enfrentando um “futuro horrível de extinção em massa, saúde decadente e transtornos climáticos” que ameaçam a sobrevivência humana por causa da ignorância e da inação, de acordo com um grupo internacional de cientistas, que alertam que as pessoas ainda não perceberam a urgência do biodiversidade e crises climáticas.

Os 17 especialistas, incluindo o professor Paul Ehrlich da Universidade de Stanford, autor de The Population Bomb, e cientistas do México, Austrália e Estados Unidos, dizem que o planeta está em um estado muito pior do que a maioria das pessoas – até mesmo os cientistas – entendem.

“A escala das ameaças à biosfera e todas as suas formas de vida – incluindo a humanidade – é de fato tão grande que é difícil de entender até mesmo por especialistas bem informados”, escrevem eles em um relatório na Frontiers in Conservation Science que faz referência a mais de 150 estudos detalhando os principais desafios ambientais do mundo.

O atraso entre a destruição do mundo natural e os impactos dessas ações significa que as pessoas não reconhecem o quão vasto é o problema, argumenta o jornal. “[O] mainstream está tendo dificuldade em compreender a magnitude dessa perda, apesar da erosão constante da estrutura da civilização humana.”

O relatório alerta que migrações em massa induzidas pelo clima, mais pandemias e conflitos por recursos serão inevitáveis, a menos que ações urgentes sejam tomadas.

“O nosso não é um chamado à rendição – nosso objetivo é fornecer aos líderes um ‘banho frio’ realista sobre o estado do planeta, que é essencial para o planejamento de evitar um futuro medonho”, acrescenta.

Lidar com a enormidade do problema requer mudanças de longo alcance no capitalismo global, educação e igualdade, diz o jornal. Isso inclui a abolição da ideia de crescimento econômico perpétuo, precificando apropriadamente as externalidades ambientais, interrompendo o uso de combustíveis fósseis, controlando o lobby corporativo e dando poder às mulheres, argumentam os pesquisadores.

O relatório vem meses depois que o mundo falhou em cumprir uma única meta de biodiversidade da ONU Aichi, criada para conter a destruição do mundo natural, a segunda vez consecutiva que os governos falharam em cumprir suas metas de 10 anos de biodiversidade. Esta semana, uma coalizão de mais de 50 países se comprometeu a proteger quase um terço do planeta até 2030.

Um recife de coral dominado por algas nas SeychellesUm recife de coral dominado por algas nas Seychelles … a crise climática está mudando a composição dos ecossistemas. Fotografia: Nick Graham / Lancaster University / PA

Estima-se que um milhão de espécies estão em risco de extinção, muitas em décadas, de acordo com um relatório recente da ONU .

“A deterioração ambiental é infinitamente mais ameaçadora para a civilização do que o Trumpismo ou a Covid-19”, disse Ehrlich ao Guardian.

Em The Population Bomb, publicado em 1968, Ehrlich alertou sobre a explosão populacional iminente e centenas de milhões de pessoas morrendo de fome. Embora ele tenha reconhecido que alguns horários estavam errados, ele disse que mantém sua mensagem fundamental de que o crescimento populacional e os altos níveis de consumo das nações ricas estão causando destruição.

Ele disse ao Guardian: “Growthmania é a doença fatal da civilização – deve ser substituída por campanhas que tornem a equidade e o bem-estar os objetivos da sociedade – não consumir mais lixo”.

Grandes populações e seu crescimento contínuo levam à degradação do solo e à perda de biodiversidade, alerta o novo artigo. “Mais pessoas significa que mais compostos sintéticos e plásticos perigosos descartáveis ​​são fabricados, muitos dos quais contribuem para a crescente toxificação da Terra. Também aumenta as chances de pandemias que alimentam caças cada vez mais desesperadas por recursos escassos. ”

Extinção em massa de pássaros no sudoeste dos Estados Unidos ‘causada pela fome’

Os efeitos da emergência climática são mais evidentes do que a perda de biodiversidade, mas ainda assim, a sociedade não está conseguindo reduzir as emissões, argumenta o jornal. Se as pessoas entendessem a magnitude das crises, as mudanças na política e nas políticas poderiam corresponder à gravidade da ameaça.

“Nosso ponto principal é que, ao perceber a escala e a iminência do problema, fica claro que precisamos muito mais do que ações individuais, como usar menos plástico, comer menos carne ou voar menos. Nosso ponto é que precisamos de grandes mudanças sistemáticas e rápidas ”, disse o professor Daniel Blumstein da Universidade da Califórnia em Los Angeles, que ajudou a escrever o artigo, ao Guardian.

O documento cita uma série de relatórios importantes publicados nos últimos anos, incluindo:

Bushfires em Eden, Austrália

A Austrália viu uma temporada de incêndios florestais devastadores em 2020. Foto: Tracey Nearmy / Reuters

O relatório segue anos de severos avisos sobre o estado do planeta dos principais cientistas do mundo, incluindo uma declaração de 11.000 cientistas em 2019 de que as pessoas enfrentarão “sofrimento indizível devido à crise climática”, a menos que grandes mudanças sejam feitas. Em 2016, mais de 150 cientistas do clima da Austrália escreveram uma carta aberta ao então primeiro-ministro, Malcolm Turnbull, exigindo ação imediata para reduzir as emissões. No mesmo ano, 375 cientistas – incluindo 30 vencedores do Prêmio Nobel – escreveram uma carta aberta ao mundo sobre suas frustrações com a inação política em relação às mudanças climáticas.

O professor Tom Oliver, ecologista da Universidade de Reading, que não esteve envolvido no relatório, disse que era um resumo assustador, mas confiável, das graves ameaças que a sociedade enfrenta em um cenário de “negócios como de costume”. “Os cientistas agora precisam ir além de simplesmente documentar o declínio ambiental e, em vez disso, encontrar as maneiras mais eficazes de catalisar a ação”, disse ele.

O professor Rob Brooker, chefe de ciências ecológicas do James Hutton Institute, que não esteve envolvido no estudo, disse que o estudo enfatizou claramente a natureza urgente dos desafios.

“Certamente não devemos ter dúvidas sobre a enorme escala dos desafios que enfrentamos e as mudanças que precisaremos fazer para lidar com eles”, disse ele.

Encontre mais cobertura da era da extinção aqui e siga os repórteres da biodiversidade Phoebe Weston e Patrick Greenfield no Twitter para obter as últimas notícias e recursos

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Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo “The Guardian” [   ].

Degradação, uma ameaça contínua para a Mata Atlântica

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A Mata Atlântica é uma das florestas tropicais mais importantes do mundo, mas suas florestas são altamente fragmentadas. Crédito da imagem: Angeloleithold / Wikimedia Commons , licenciado sob Creative Commons 3.0

Dê uma olhada

  • Mata Atlântica já perdeu mais de 80 por cento de suas florestas
  • Monitorar a degradação florestal é tão importante quanto considerar o desmatamento, dizem os cientistas
  • Combate à degradação da Mata Atlântica atrairia grandes investimentos em créditos de carbono

Por:Washington Castilhos para a SciDev

Os impactos humanos sobre os remanescentes da Mata Atlântica causaram perdas de até 42% de sua biodiversidade e reservas de carbono, elementos essenciais para a conservação da vida e a regulação do clima, concluiu um novo estudo.

Com uma variedade de florestas tropicais de vários tipos e vegetação única – como o pau-brasil, a espécie de planta que deu o nome ao Brasil – a Mata Atlântica já cobriu toda a costa do Brasil e partes da Argentina, Paraguai e Uruguai. Hoje, apenas fragmentos sobrevivem.

Por meio da análise de 1.819 levantamentos, que levaram em consideração o clima, o solo, o nível de degradação florestal e o tamanho do que resta, uma equipe científica determinou que, em média, os fragmentos florestais apresentam um índice de 25-32. porcentagem menos biomassa (elementos da floresta, como raízes, tronco, folhas e galhos); 23-31 por cento menos espécies e 33, 36 e 42 por cento menos indivíduos de espécies endêmicas, de sucessão tardia e de sementes grandes, respectivamente.

Juntos, isso equivale à perda de 55.000-70.000 km 2 de florestas ou US $ 2,3-2,6 bilhões em créditos de carbono , destaca o estudo publicadona Nature Communications .

“É preciso destacar que a Mata Atlântica tem nível endêmico igual ou superior ao da Amazônia, mas pouco se fala sobre sua riqueza em biodiversidade”.  Marcos Pedlowski, geógrafo da Universidade Estadual do Norte Fluminense, Rio de Janeiro

Esses números têm implicações diretas para a mitigação das mudanças climáticas, já que um dos mecanismos para enfrentá-las é o combate à degradação florestal, explica à SciDev.Net o principal autor do estudo, Renato Lima, pesquisador do Instituto de Biociências do Universidade de São Paulo.

A pesquisa reconhece que “quantificar os impactos da degradação florestal é difícil e, portanto, tem recebido menos atenção do que o desmatamento nas mudanças climáticas e nas agendas de conservação , como o Acordo de Paris”.

A degradação ocorre quando o acúmulo de distúrbios dentro da floresta (como queimadas, extração de madeira e proliferação de espécies invasoras) altera todo o ecossistema e o funcionamento da floresta, afetando sua capacidade de armazenar carbono e água e prejudicando a biodiversidade.

Embora o desmatamento tenha recebido muita atenção nas últimas décadas, os cientistas alertam que o destino das florestas tropicais depende não só de promover o reflorestamento de áreas desmatadas, mas também de mitigar a degradação florestal nos fragmentos remanescentes de floresta.

As projeções do Centro Comum de Pesquisa – o serviço de ciência e conhecimento da Comissão Europeia – mostram que, se as taxas atuais de perturbação forem mantidas, as florestas tropicais virgens desaparecerão em 2050.

De acordo com essas projeções, algumas das florestas virgens da África Subsaariana desaparecerão entre 2024 e 2090; 2034 seria o ano do desaparecimento das pessoas localizadas na Tailândia ou no Vietnã; em 2040, os de Madagascar e da Índia desaparecerão, e em 2129 os da Amazônia brasileira.

Um mapa do Centro Comum de Pesquisa da UE mostra o ano esperado de desaparecimento das florestas em todo o mundo, com base nas perturbações observadas na última década

Antes da próxima COP15 – a Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (CDB), a ser realizada em maio de 2021 em Kunming, China – pesquisadores de doze países mapearam 2,9 bilhões de hectares de diferentes tipos de ecossistemas degradados e Eles foram divididos em uma escala de prioridades, da mais alta à mais baixa.

Nessa escala, a Mata Atlântica está entre as áreas de maior prioridade global e, em outros trabalhos , aparece como uma das áreas críticas de conservação com maior área de restauração.

Para Marcos Pedlowski, geógrafo da Universidade Estadual do Norte Fluminense, no Rio de Janeiro, a importância do novo estudo reside no fato de ter como foco a degradação da Mata Atlântica.

“Os esforços mais recentes levam em conta o desmatamento da Amazônia , sem levar em conta todos os outros biomas ou o problema da degradação. É importante ressaltar que a Mata Atlântica tem nível endêmico igual ou superior ao da Amazônia, mas pouco se fala sobre sua riqueza em biodiversidade ”, afirma Pedlowski, que não participou do estudo.

Esta vista aérea mostra o desmatamento da Mata Atlântica, porém medir a degradação florestal é muito mais difícil. Crédito da imagem: Cnes – Spot Image / Wikimedia Commons , licenciado sob Creative Commons 3.0

O geógrafo, cujo estudo recente chama a atenção para o índice de degradação da Amazônia, acrescenta que quanto menos perturbado o fragmento, mais serviços ambientais ele pode oferecer.

“Além de ser um ecossistema diversificado, a Mata Atlântica está localizada no entorno das maiores concentrações urbanas do Brasil e a água é um elemento importante para esses centros urbanos. Passamos por graves crises de água; entretanto, a geração de água é um dos serviços ambientais que as florestas preservadas podem oferecer ”, explica Pedlowski.

Segundo o estudo, o combate à degradação florestal no que resta da Mata Atlântica pode atrair bilhões de dólares em investimentos relacionados aos créditos de carbono.

Renato Lima acrescenta que como a maioria dos fragmentos está localizada em propriedades privadas, é fundamental criar alternativas atraentes para os proprietários.

“ A restauração florestal tem seus custos, mas pode gerar ganhos no mercado de créditos de carbono. A formulação de políticas pode ser a chave para a captação de recursos para a Mata Atlântica ”, afirma.

No Brasil, os recursos para reduzir as emissões de carbono por desmatamento e degradação florestal estão concentrados principalmente na Amazônia. Atualmente, apenas o estado do Rio de Janeiro possui um fundo voltado para a proteção da Mata Atlântica.

O estudo é financiado pela FAPESP, doadora da SciDev.Net

Link para o estudo na Nature Communication

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Este artigo foi escrito originalmente em espanhol e publicado pela SciDev [Aqui!].

Segundo edital do ‘Conexão Mata Atlântica’ para organizações beneficiará centenas de produtores rurais em São Paulo

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Na sessão pública que ocorreu em 24 de novembro (edital 001/2020) O projeto Conexão Mata Atlântica selecionou quatro Associações de Produtores Rurais de São Paulo.Serão disponibilizados até R﹩ 200.000,00 por organização que tenha entre seus associados beneficiários do projeto, para aquisição de bens e serviços, incentivando deste modo a adoção de ações de conservação e restauração do solo e da água, bem como práticas produtivas mais sustentáveis, com o propósito de proteger o bioma Mata Atlântica. O edital tem o objetivo de apoiar a consolidação das Cadeias de Valor Sustentável nos territórios em que atua e fortalecer essas organizações, e assim viabilizar melhores condições de apoiar os produtores associados.

As associações paulistas contempladas neste edital são: AMOVALE – Associação de Moradores e Amigos do Vale da Bocaina, de Bananal; ACBVGA – Associação Comunitária do Bairro da Vargem Grande e Adjacentes, de Natividade da Serra ; Associação dos Produtores de São Francisco Xavier, em São José dos Campos; e Associação dos Meliponicultores e Apicultores de Peruíbe, Pedro de Toledo, Miracatu e Itariri.

Suzana Vaz e Dora Lima, produtoras rurais e consultoras da AMOVALE, destacam as principais ações estimuladas pelo projeto Conexão: saneamento rural, regeneração florestal, compostagem, rotação de pastagem, análise de solo e adubação orgânica. “Esperamos que as propriedades adquiram conhecimento e adotem técnicas e ferramentas de manejo agroecológico na produção e se tornem mais autossustentáveis, dependendo menos de insumos externos. Com os recursos do edital de organizações, faremos também a implantação coletiva de um viveiro de mudas florestais e frutíferas; e um entreposto de produtos agroecológicos”.

A proteção à Mata Atlântica e a implantação de práticas sustentáveis também são objetivos da Associação dos Meliponicultores e Apicultores de Peruíbe, Pedro de Toledo, Miracatu e Itariri. O presidente, Márcio Piedade, acredita que o Conexão Mata Atlântica dará maior visão de sustentabilidade aos associados na produção de enxames, mel e seus derivados. Ele enfatiza que “O projeto incentiva para que os produtores protejam ainda mais suas matas e invistam em plantio e pasto apícola, permitindo assim o aumento das populações de abelhas sem ferrão”. E anunciou uma iniciativa que vai fortalecer a cadeia do mel. “Com a construção da Casa do Mel, nossos produtos vão ganhar mercado, com a possibilidade até de exportação. Cada produtor vai poder agregar valor, beneficiando o seu produto na Casa do Mel e envasando com o selo da Associação”.

O Conexão Mata Atlântica também oferece muitos ganhos aos produtores da ACBVGA. De acordo com seu presidente, Jhonata Santana, os produtores já receberam apoio do projeto para o cercamento das áreas de mata e beiras de rios; a construção de fossas ecológicas para dejetos humanos; tratamento de ‘água cinza’; construção de piquetes e de melhores estruturas de curral para manejo de bovinos; e para o plantio de pomares consorciados. “Com acompanhamento técnico, esperamos melhorar as condições ambientais das propriedades e, com isso, melhorar os sistemas de produção.” Com os recursos desse edital, “Serão inúmeros benefícios, como segurança e qualidade na oferta e no processamento do leite na Mini Usina da Associação; e destino certo da produção, com a regularização para venda do leite no comércio e Merenda Escolar, com o Serviço de Inspeção do Estado de São Paulo – SISPE. O resultado é a melhoria na renda das famílias”.

Já o diretor da Associação de São Francisco Xavier, em São José dos Campos, informa que os recursos do edital serão destinados ao fortalecimento da entidade, que disponibilizará o acesso às ferramentas de uso comum aos produtores associados. “Esperamos alavancar ainda mais a sustentabilidade entre os produtores rurais. Nossos associados já são atendidos pelo projeto Conexão, por meio dos componentes PSA, CVS e Certificação”, conclui Leonardo Jusho Abe.

Sobre o projeto

O projeto Recuperação de Serviços de Clima e Biodiversidade no Corredor Sudeste da Mata Atlântica Brasileira – Conexão Mata Atlântica – é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que utiliza recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (Global Environmental Facility – GEF), oriundos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A gestão do projeto está a cargo da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos – Finatec. No estado de São Paulo, o projeto é conduzido pela Coordenadoria de Fiscalização e Biodiversidade, da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente; e a Fundação Florestal.

O objetivo do Conexão Mata Atlântica é o de aumentar a proteção da biodiversidade e da água e combater mudanças climáticas. Para isso, usa instrumentos como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), Certificação e apoio à Cadeias de Valor Sustentável para incentivar proprietários rurais à execução de ações mais sustentáveis na gestão do imóvel rural, por meio de atividades de conservação da vegetação nativa e a adoção de sistemas mais produtivos e sustentáveis.

Mais informações:

Assessoria de imprensa da Finatec – Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos

Ex-Libris Comunicação Integrada

Brasília: Luciana Sendyk (61) 3033-6088 / (61) 99226-3156 – luciana@libris.com.br

RJ: Cristina Freitas (21) 99431-0001 – cristina@libris.com.br

Savanização das florestas tropicais impactará mais de 200 espécies de animais

nathalia regatoFOTO: NATHALIA SEGATO / UNSPLASH

Por  bori

As florestas tropicais da América do Sul estão se transformando em cerrado (savana brasileira), o que impactará na sobrevivência de mamíferos “especialistas” em ambientes florestais. É o que observam pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Universidade de Miami, em estudo da revista “Global Change Biology”. O trabalho mostra que uma parte da fauna do cerrado, que geralmente tolera ambientes mais abertos e secos, poderá invadir regiões de floresta degradada e “savanizada” em decorrência das mudanças climáticas e de ações humanas, como desmatamento e queimadas.

Ao analisar 349 espécies de mamíferos com base em modelos computacionais, que possibilitam previsões sobre como a distribuição das espécies pode mudar ao longo do tempo, os autores projetam que, até o final do século 21, as espécies relacionadas à savana aumentarão em 11% a 30% e se espalharão pelas florestas amazônicas e atlânticas. Paralelamente, as espécies que dependem de ambientes florestais para se movimentar, alimentar e reproduzir, caso de primatas e algumas espécies de cervos e roedores, ficarão confinadas em regiões menores com remanescentes de floresta, processo que aumentará a competição por alimento.

“Os animais vindos do Cerrado vão competir com a fauna da floresta pelos já escassos recursos que vemos lá. Com isso, eles  podem trazer consigo as sementes das plantas do Cerrado, que eles consomem preferencialmente. Os mais afetados serão os primatas neotropicais, algumas espécies de cervos, a paca, e várias espécies de roedores”, afirma o biólogo e um dos autores do estudo, Mathias Mistretta Pires, do Laboratório de Estrutura e Dinâmica da Diversidade do Departamento de Biologia Animal, do Instituto de Biologia, da Unicamp.

De acordo com o especialista, embora, segundo as análises do estudo, determinadas espécies do Cerrado como o lobo-guará e o tamanduá-bandeira possam aumentar sua distribuição territorial em decorrência do fato que as condições ambientais serão mais adequadas a essas espécies do que às espécies florestais, isso não significa que os mamíferos do Cerrado estejam livres de ameaça. “O Cerrado também é um bioma muito impactado por ações humanas”, alerta.

Como proteger o equilíbrio da fauna

Mais importante do que pensar em reverter o processo de savanização, é preciso atuar sobre suas causas principais, com ações individuais e políticas de mitigação das mudanças climáticas, como o uso de técnicas agrícolas que não incluam o fogo e o combate ao desmatamento. A observação é da bióloga e autora principal do estudo, Lilian Patrícia Sales, que também atua no Instituto de Biologia, da Unicamp.

O cerrado tem sido convertido em plantações e pastagens que são inadequadas como habitat para a maior parte da fauna. Enquanto isso, os ecossistemas florestais estão sendo degradados e se transformando em ambientes mais secos devido às mudanças no clima, que não são nem floresta, nem savanas de fato. Essas florestas degradadas se tornam inabitáveis para as espécies florestais, mas podem se tornar refúgios para as espécies de savana. Com isso, reforçam os autores, até o fim do século pode haver modificações em grande escala na distribuição territorial da biodiversidade do continente sul-americano.

No estudo, também foi avaliado o efeito do desmatamento sobre a capacidade das espécies de se locomover de uma região a outra. “Para espécies florestais, uma plantação de cana ou soja, por exemplo, pode ser uma barreira intransponível. Isso impede que essa espécie colonize ambientes que seriam adequados a ela. Portanto, as atividades humanas não só transformam o ambiente, como limitam a capacidade de deslocamento dos animais”, observa Lílian Sales.

Outro ponto importante para mitigar os efeitos da savanização, ressalta a bióloga, é a manutenção de corredores florestais que permitam a dispersão de espécies de floresta entre as manchas remanescentes. Sem isso, conclui, muitos locais que poderiam ser  utilizados como habitat se tornam inacessíveis para essas espécies, o que limita sua distribuição aos refúgios, áreas que mantêm características climáticas e de vegetação.

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Este artigo foi originalmente produzido pela Agência Bori [Aqui!].