O preço do consenso

O Brasil se tornou um campo de testes global para finanças verdes, agricultura regenerativa e restauração florestal. À medida que governos, empresas e organizações filantrópicas se alinham cada vez mais em torno das mesmas soluções, a concentração de influência por trás dessas iniciativas merece uma atenção mais detalhada

Por Monica Piccinini para “YourVoiz”

Poucos países enfrentam um desafio da magnitude do Brasil. Lar de cerca de 60% da floresta amazônica, um dos mais importantes sumidouros de carbono do mundo, o país também é o maior exportador mundial de carne bovina e um dos principais produtores agrícolas. Proteger as florestas sem prejudicar uma indústria que movimenta bilhões de dólares tornou-se um dos principais testes da política ambiental brasileira.

Em vez de desacelerar a expansão agrícola, o Brasil tem buscado conciliar produção e conservação. Governos, multinacionais do setor alimentício, bancos de desenvolvimento , fundações filantrópicas e organizações ambientais estão investindo fortemente em restauração, agricultura regenerativa, rastreabilidade digital do gado, mercados de carbono e bioeconomia. Juntos, argumentam, esses métodos podem reduzir as emissões, permitindo que a produção agrícola continue crescendo.

As parcerias são documentadas publicamente, assim como os acordos de financiamento, os conselhos consultivos e as nomeações governamentais. Menos atenção tem sido dada à frequência com que as mesmas instituições, e por vezes os mesmos indivíduos, reaparecem nessas parcerias. Rastrear essas conexões oferece uma visão mais clara de quem está ajudando a moldar uma das transições ambientais mais influentes do mundo.

A indústria da carne bovina

O Brasil possui o segundo maior rebanho bovino do mundo, com cerca de 239 milhões de cabeças, e lidera as exportações globais de carne bovina há mais de duas décadas. Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Carne Bovina ( ABIEC ), as exportações ultrapassaram 2,8 milhões de toneladas em 2024, gerando cerca de US$ 12,8 bilhões. A China permaneceu como o maior mercado, respondendo por 46% das exportações brasileiras. A carne bovina é fundamental para o superávit comercial e para a economia rural do Brasil, tornando a pecuária política e economicamente indissociável das políticas ambientais.

Três empresas dominam o setor. A JBS , a maior processadora de carne do mundo, registrou receitas de cerca de US$ 77 bilhões em 2024. A Marfrig , após sua fusão com a BRF, tornou-se parte da MBRF Global Foods, com receitas anuais superiores a US$ 29 bilhões. A Minerva Foods exporta para mais de 100 países e consolidou o abate de cerca de 5,9 milhões de cabeças de gado em 2025. Juntas, as três empresas exercem enorme influência sobre o comércio global de carne bovina e o debate em torno da rastreabilidade, emissões e uso da terra.

Em 2026, a JBS anunciou que estava abandonando sua meta de atingir emissões líquidas zero até 2040.

Gema Hoskins, líder global em clima da ONG Mighty Earth, disse :

Recuar em relação a metas mensuráveis ​​não diminui o escrutínio a que a JBS será submetida por seu histórico de destruição climática e ambiental, incluindo poluição, desmatamento, grilagem de terras, violações dos direitos humanos e corrupção.

A organização sem fins lucrativos Changing Markets Foundation estimou que a JBS sozinha gerou cerca de 241 milhões de toneladas de emissões equivalentes de dióxido de carbono em 2023, mais do que muitas nações industrializadas.

Em seu relatório intitulado “A Agenda da Carne” , a organização escreve:

A realidade é bem diferente da retórica: a indústria é responsável por uma série de crimes bem documentados – do desmatamento às práticas exploratórias, passando pela apropriação de terras e poluição – que permeiam as cadeias de suprimentos de gigantes globais da carne como JBS , Marfrig e Minerva.

Embora a atenção internacional tenha se concentrado principalmente na Amazônia, o Cerrado passou por uma extensa conversão agrícola. Pesquisas da Changing Markets Foundation estimaram que um em cada três bovinos processados ​​pelas três maiores empresas de carne do Brasil provém de áreas desmatadas na região. Grande parte dessa conversão ocorreu em conformidade com o Código Florestal brasileiro, evidenciando a distinção entre conformidade legal e sustentabilidade ecológica.

Os sucessivos governos responderam sem tentar reduzir a produção. No âmbito do Plano Safra 2026/27 , Brasília destinou cerca de US$ 103 bilhões em crédito rural subsidiado para a agricultura comercial e aproximadamente US$ 16 bilhões, por meio do Pronaf, para a agricultura familiar. As linhas de crédito do Programa ABC+ apoiam a restauração de pastagens, sistemas integrados de produção agrícola, pecuária e silvicultura, agricultura de baixo carbono e agricultura de precisão. O objetivo é produzir a partir das terras existentes, em vez de desacelerar a expansão da pecuária brasileira.

A indústria da carne agora apresenta o pastoreio regenerativo, a redução do metano, a restauração florestal e a rastreabilidade digital não apenas como compromissos ambientais, mas como necessidades comerciais, refletindo a crescente pressão de varejistas internacionais e mercados de exportação. Produtividade e sustentabilidade são cada vez mais retratadas como objetivos complementares, e não concorrentes.

Essa mudança vai muito além da pecuária. Com a expansão da agenda ambiental brasileira, profissionais têm transitado entre o governo, organizações ambientais, fundações filantrópicas e o agronegócio, levando consigo conhecimento e influência. Não há nada de incomum em carreiras que abrangem diferentes setores, mas, à medida que a política ambiental se ampliou para incluir finanças sustentáveis, reforma agrária e bioeconomia , essas redes profissionais tornaram-se cada vez mais influentes.

O povo

A crescente sobreposição entre governo, filantropia, organizações de conservação e agronegócio se reflete não apenas em parcerias institucionais, mas também nas trajetórias profissionais das pessoas que moldam a agenda ambiental do Brasil.

Carina Pimenta é um exemplo disso . Antes de se tornar Secretária Nacional de Bioeconomia no Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, ela cofundou a Conexsus , que apoia negócios comunitários e cadeias de suprimentos sustentáveis. Anteriormente, trabalhou no Fundo Vale , organização sem fins lucrativos criada pela gigante mineradora Vale para promover a conservação e restauração florestal, bem como a bioeconomia na Amazônia. Sua trajetória profissional reflete um padrão mais amplo, no qual a experiência adquirida em organizações da sociedade civil e filantrópicas contribui cada vez mais diretamente para as políticas públicas.

Valmir Ortega trilhou um caminho intersetorial semelhante. Trabalhou para o Ministério do Meio Ambiente, fundou a Belterra Agroflorestas e cofundou a Conexsus e a Rio Capim Agropastoril , empresa associada a sistemas regenerativos de produção animal. É também membro do conselho da FUNBIO e do WRI Brasil. A própria Belterra Agroflorestas foi criada em 2020 com o apoio do Fundo Vale . Em vez de se limitar ao governo, ao setor privado ou à sociedade civil, a experiência de Ortega abrange os três.

Roberto Waack dedicou décadas à liderança de organizações como a FUNBIO e o Forest Stewardship Council, além de ter atuado nos conselhos da Marfrig , WWF Brasil , Wise Plásticos, Instituto Ethos, Instituto Ipê e Instituto Arapyaú . Ele também integra os órgãos diretivos da Natura, Tupy e re.green. É ainda membro associado da Chatham House .

Os defensores argumentam que a experiência nesses setores ajuda a reduzir a lacuna entre conservação e agronegócio. Os críticos, no entanto, questionam se as instituições podem permanecer totalmente independentes enquanto trabalham tão de perto com as indústrias que buscam influenciar.  

Os cientistas tornaram-se parte da mesma paisagem. A pesquisa de Carlos Nobre sobre os pontos de inflexão da Amazônia moldou a compreensão internacional do desmatamento tropical, e ele tem argumentado consistentemente que a pecuária é responsável por cerca de 90% do desmatamento da Amazônia. Em uma entrevista ao Democracy Now! em novembro de 2025, ele disse :

90% do desmatamento nas terras baixas da Amazônia brasileira está relacionado à pecuária. E quando fazemos os cálculos, o Brasil é o único país do mundo onde 70% das emissões de gases de efeito estufa provenientes de combustíveis fósseis são resultado da mudança no uso da terra, cerca de 70% das emissões, 40% do desmatamento e cerca de 20 a 25% da agricultura, principalmente da pecuária. O gado, em particular, emite muito metano, assim como todos os ruminantes. Portanto, estima-se que 55% das emissões no Brasil estejam relacionadas à pecuária, ou seja, ao desmatamento para a criação de gado e à emissão de metano pelo gado.

Paralelamente ao seu trabalho acadêmico, Nobre integra o conselho consultivo do JBS Fund for the Amazon, uma organização sem fins lucrativos apoiada pela empresa de carnes JBS que promove o desenvolvimento sustentável e a bioeconomia. Ele também faz parte do conselho consultivo da Conservation International Brasil ( CI-Brasil ), é membro fundador do WRI Brasil e tem sido uma das principais forças motrizes por trás da Amazônia 4.0 , uma iniciativa que promove uma nova sociobioeconomia para a Amazônia.

Consideradas individualmente, nenhuma dessas carreiras é incomum. Juntas, elas revelam como a expertise, a influência e a tomada de decisões circulam por um grupo relativamente interconectado de instituições públicas, organizações de conservação, fundações filantrópicas e agronegócio. O mesmo padrão torna-se ainda mais evidente quando se examina o fluxo de financiamento.

O dinheiro

O dinheiro tornou-se tão importante quanto a legislação na definição da agenda ambiental do Brasil. Na última década, bancos de desenvolvimento, fundações filantrópicas, empresas multinacionais e organizações ambientais canalizaram bilhões de dólares para a restauração florestal, a agricultura regenerativa, o financiamento sustentável e a bioeconomia . Embora essas iniciativas sejam gerenciadas de forma independente, elas frequentemente apoiam modelos semelhantes de desenvolvimento rural.

Restaurar Amazônia é um exemplo . Gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ( BNDES) , por meio do Fundo Amazônia , o programa planeja restaurar 15.000 hectares em Terras Indígenas (TI), Unidades de Conservação (UC), assentamentos de reforma agrária e pequenas propriedades rurais dentro do chamado Arco de Restauração, uma região que abrange 256 municípios onde ocorre a maior parte do desmatamento na Amazônia.

Em vez de ser implementado diretamente pelo Estado, o programa é coordenado por três organizações: o Instituto Brasileiro de Administração Municipal ( Ibam ), a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável ( FBDS ) e a Conservation International Brasil ( CI-Brasil ), cada uma responsável por uma parte da Amazônia Legal.

O financiamento provém de cerca de 87 milhões de dólares do Fundo Amazônia, juntamente com mais 9,7 milhões de dólares da Petrobras , tornando a petrolífera estatal brasileira uma das principais financiadoras do programa.

Os defensores argumentam que o projeto restaurará florestas degradadas, ao mesmo tempo que criará empregos, fortalecerá as economias locais e ajudará o Brasil a cumprir seus compromissos climáticos. Mas ele também evidencia uma contradição notável.

A Petrobras , cujo negócio se baseia na produção de petróleo e gás, está ajudando a financiar um dos programas de restauração florestal do Brasil. A empresa apresenta o investimento como parte de seu compromisso com soluções climáticas baseadas na natureza. Ao mesmo tempo, seu envolvimento ilustra como as maiores empresas emissoras de gases de efeito estufa e indústrias extrativas do mundo estão se tornando participantes influentes na política ambiental.

Uma investigação recente da jornalista Mirna Wabi-Sabi acrescentou outra dimensão a esse debate. Examinando registros de financiamento, parcerias e declarações públicas, a investigação concluiu que a Petrobras gastou centenas de milhões em patrocínios ambientais que vão além de projetos de conservação, ajudando a fortalecer a reputação pública da empresa. Constatou-se que diversas organizações que recebem financiamento da Petrobras permaneceram praticamente em silêncio sobre os planos da empresa de expandir a exploração de petróleo, inclusive na sensível Margem Equatorial.

Os resultados levantam questões incômodas sobre se o patrocínio ambiental se tornou uma poderosa ferramenta de reputação, obscurecendo a linha divisória entre a conservação genuína e a influência corporativa.

A mesma combinação de políticas públicas e financiamento privado é visível em outros lugares. O Bezos Earth Fund está apoiando o governo do Pará e a The Nature Conservancy (TNC) no desenvolvimento de um sistema digital de rastreabilidade de gado, que deverá abranger mais de 26 milhões de animais. O objetivo é melhorar a transparência em toda a cadeia de suprimentos de carne bovina, reduzir os riscos de desmatamento e fortalecer o acesso aos mercados internacionais.

Organizações de pesquisa têm adotado abordagens semelhantes. O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) promove sistemas de pecuária sustentáveis ​​no estado do Pará, lar do segundo maior rebanho bovino do Brasil. O WRI Brasil, o Conexsus e a Coalizão Brasileira de Financiamento da Restauração e Bioeconomia (BRBFC) estão desenvolvendo mecanismos financeiros destinados a atrair investimentos em restauração, agricultura de baixo carbono e empreendimentos comunitários.

Em conjunto, esses atores revelam um sistema cada vez mais interconectado. Muitos dependem da mesma expertise técnica, atraem financiamento semelhante e envolvem muitas das mesmas instituições. A política ambiental está sendo moldada por uma densa rede de organizações públicas e privadas que trabalham em prol de um modelo compartilhado.

As implicações

A estratégia ambiental do Brasil agora se baseia em um amplo consenso. Restauração florestal, pecuária regenerativa , rastreabilidade digital, finanças sustentáveis ​​e bioeconomia não são mais apresentados como alternativas ao crescimento agrícola, mas como formas de esse crescimento continuar, reduzindo seu impacto ambiental.

Esse consenso aproximou governos, empresas, organizações filantrópicas e ambientalistas como nunca antes. Frequentemente, financiam os mesmos projetos, assessoram as mesmas instituições e promovem políticas semelhantes. Ao fazer isso, também influenciam quais ideias atraem apoio político, autoridade científica e investimentos.

Consequentemente, a política ambiental é influenciada por uma rede relativamente pequena de organizações cujas prioridades ajudam a definir os termos do debate.

É improvável que o Brasil seja um caso isolado. Em todo o mundo, as políticas climáticas estão caminhando para o financiamento misto, parcerias público-privadas e iniciativas voluntárias de sustentabilidade. À medida que esses modelos se expandem, compreender as relações que conectam governos, empresas, pesquisadores e organizações filantrópicas pode se tornar tão importante quanto avaliar os próprios projetos.

Muitas dessas parcerias trouxeram importantes conquistas ambientais, mas quando as mesmas organizações financiam projetos, assessoram governos, produzem pesquisas e ajudam a moldar políticas, a fiscalização torna-se tão importante quanto a cooperação.

A questão é se um sistema construído sobre amplos acordos permanece aberto a contestações, responsabilização e ideias concorrentes. À medida que o consenso se consolida, compreender quem o molda pode se tornar tão importante quanto mensurar os resultados que ele proporciona.

Imagem em destaque: negócios e natureza – conceito de construção de consenso. Crédito: Malp/Alamy 


Fonte: YourVoiz

Tecnologia de ponta e novos produtos: os avanços do projeto Impacta Bioeconomia

Equipe da Sudene visitou laboratórios que serão utilizados para experimentos e pesquisas de insumos de origem natural típicos da caatinga

impacta bio

Petrolina (PE) – Quem tem a oportunidade de viajar pelo interior do Nordeste e observar a paisagem típica da caatinga talvez não possa imaginar que este bioma é capaz de sustentar uma cadeia produtiva que envolve alta tecnologia e muita inovação. Os processos envolvidos na produção de medicamentos a partir de insumos típicos deste território foram conferidos de perto por uma equipe da Sudene durante visita técnica realizada ontem (11) à Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). A instituição de ensino superior é parceira da autarquia no Impacta Bioeconomia

Os coordenadores da Sudene Beatriz Lyra e José Farias foram recebidos pelo professor do Colegiado de Farmácia da Univasf, Jackson Guedes. O objetivo do encontro foi demonstrar a infraestrutura que será utilizada para pesquisar produtos fitoterápicos, dermatológicos, cosméticos e de suplemento alimentar a partir do maracujá do mato, do licuri e do umbu.

A equipe esteve presente nos laboratórios do Núcleo de Estudos e Pesquisas de Plantas Medicinais (Neplame) da universidade. Na unidade de Bioquímica, serão realizados os procedimentos de extração e isolamento dos princípios ativos de origem vegetal. Nas instalações do laboratório de Fisiologia, ocorrem experimentos para avaliação da atividade farmacológica das plantas medicinais.

Também foram visitados os laboratórios da Central de Análise de Fármacos, Medicamentos e Alimentos (CAFMA), que possui equipamentos como infravermelho, ultravioleta, cromatografia líquida de alta eficiência e ressonância magnética nuclear (RMN). Este equipamento é o único dessa natureza instalado no interior do Nordeste. “Ele nos ajuda a avaliar a composição química dos extratos para relacioná-la com os princípios ativos que compõem os medicamentos que poderão se originar a partir desta pesquisa”, explicou o professor Jackson Guedes.

Além de fármacos, o Impacta Bioeconomia poderá identificar o potencial de desenvolvimento de itens das indústrias de cosméticos e alimentícia a partir de insumos típicos da caatinga. “A tendência de mercado é retirar da composição dos produtos os sintéticos como sulfatos, conservantes, silicones e incorporar óleos vegetais, que são naturais. Uma das matérias-primas que iremos estudar é o do maracujá”, destacou Guedes. A casca deste fruto pode ser transformada em farinha, que funciona como um suplemento alimentar. Outro insumo a ser pesquisado é o licuri, também conhecido como coco catolé, que pode dar origem a produtos dermatológicos e para higiene dental.

O Impacta Bioeconomia conta com R$ 553 mil em investimentos da Sudene. Além da Univasf, a iniciativa conta com a participação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), através do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Complexo Econômico Industrial da Saúde (iCeis). Para o início do projeto, a rede conta com a parceria das cooperativas Coopercuc (Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá), localizada na Bahia, e a Cooates (Cooperativa de Trabalho Agrícola, Assistência Técnica e Serviços), de Pernambuco.

Cúpula da Amazônia: declaração final precisa incluir a bioeconomia, dizem especialistas

bioeconomia

Os presidentes que se reunirão nos dias 8 e 9 de agosto em Belém (PA) na Cúpula Amazônica – 4a Reunião dos Chefes de Estado das Partes do Tratado de Cooperação Amazônica – têm por missão chegar a uma visão comum de desenvolvimento sustentável para os povos que habitam o bioma. Para quase 300 líderes e especialistas de mais de 100 organizações dos nove países da Pan Amazônia, isso não é possível sem colocar a bioeconomia no centro de um novo modelo de desenvolvimento para a região.

“A floresta amazônica está perigosamente perto de seu ponto de colapso. Em algumas regiões, ela já se degradou. Ainda estamos em tempo de impedir a imensa perda de biodiversidade que isso acarretaria e promover as economias lideradas pelas comunidades, que são os atores principais de sua conservação. A próxima década será crucial para a sobrevivência – ou não – da floresta e do modo de vida e cultura de seus povos”, alerta Rachel Biderman, Vice-presidente Sênior para as Américas da Conservation International.

A rota para a implementação e fortalecimento da bioeconomia na Pan-Amazônia foi desenvolvida por um grupo de mais de 300 especialistas, que se reuniram em Belém no final de junho. Eles chegaram a um roteiro com nove eixos de ação, subdivididos em 31 recomendações, que foram entregues aos ministros presentes no encontro preparatório realizado em Letícia, na Colômbia. A expectativa agora é que a bioeconomia faça parte das metas estabelecidas pelo documento da Cúpula de Belém e venha a ser fortalecida com investimentos concretos dos nove países do bioma, onde vivem mais de 47 milhões de pessoas.

“A bioeconomia é a chave para desbloquear o potencial econômico da região, preservando seu patrimônio ecológico e, como tal, precisa estar no centro de qualquer plano de desenvolvimento sustentável e inclusivo da Amazônia. Precisamos preservar a Amazônia não só pelas consequências de uma eventual perda, mas também pelo que ela pode oferecer permanecendo viva”, explica Vanessa Pérez, Diretora Global de Economia do World Resources Institute.

O programa de trabalho proposto engloba uma série de elementos essenciais destinados a aproveitar o potencial da bioeconomia para salvaguardar a Amazônia e seus povos:

Estabelecer um compromisso conjunto para conservar a floresta amazônica: a declaração insta os governos participantes a se unirem e se comprometerem a conservar pelo menos 80% da floresta amazônica, reconhecendo sua importância para a estabilidade climática global e suas contribuições vitais para o bem-estar das comunidades.

Promover a bioeconomia como forma de proteger a Amazônia: evidências recentes destacam o potencial da economia como uma ferramenta poderosa para salvar a Amazônia e, ao mesmo tempo, fortalecer os meios de subsistência A conferência pede a priorização de práticas bioeconômicas sustentáveis como a pedra angular dos esforços de conservação ambiental.

Combater atividades ilícitas e aplicação do Estado de Direito: para garantir a viabilidade da bioeconomia, a conferência enfatiza a necessidade de os governos intensificarem os esforços para erradicar todas as atividades ilícitas na Amazônia. Fortalecer a repressão aos crimes contra a natureza e defender o estado de direito são passos cruciais para alcançar esse objetivo.

Proteger as terras dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais: preservar a rica biodiversidade da Amazônia e as áreas ricas em carbono depende da proteção e respeito às terras dos povos indígenas  e comunidades tradicionais. A salvaguarda destes territórios é essencial para o património ecológico único da região.

Mudar as finanças públicas para incentivar uma bioeconomia próspera: os participantes da conferência pedem aos governos que redirecionem as finanças públicas para longe dos subsídios nocivos e priorizem incentivos que promovam cadeias de valor de bioeconomia prósperas e Essa transformação é vista como essencial para o crescimento sustentável do setor bioeconômico.

Reduzir requisitos legais desnecessários para as cadeias de suprimento da bioeconomia local: para facilitar o crescimento das cadeias de suprimento da bioeconomia local, a conferência pede que os governos adaptem e reduzam os requisitos legais desnecessários. Isso criará um ambiente favorável à inovação e ao empreendedorismo na região.

Tornar obrigatórias a transparência e a rastreabilidade de commodities para garantir que sejam livres de desmatamento: para combater o desmatamento, a conferência defende a implementação de medidas de transparência e rastreabilidade na produção e comércio de commodities. Isso ajudará a identificar e mitigar práticas que contribuem para a destruição da Amazônia.

Estabelecer uma plataforma de financiamento da bioeconomia Pan-Amazônica: os especialistas propõem a criação de uma Plataforma Ad-hoc de Financiamento da Bioeconomia Pan-Amazônica que priorize investimentos em ciência, tecnologia e inovação. Essa plataforma impulsionará a pesquisa, o desenvolvimento e a implementação de iniciativas bioeconômicas sustentáveis.

Investir em infraestrutura sustentável e revitalizar rios: ao investir em infraestrutura sustentável, a conferência visa transformar as cidades da Amazônia em polos de inovação para a bioeconomia. Além disso, a restauração dos rios contribuirá para o equilíbrio ecológico e apoiará o desenvolvimento sustentável.

“A floresta amazônica está perigosamente perto de seu ponto de colapso. Em algumas regiões, ela já se degradou. Ainda estamos em tempo de impedir a imensa perda de biodiversidade que isso acarretaria e promover as economias lideradas pelas comunidades que são os atores principais de sua conservação. A próxima década será crucial para a sobrevivência – ou não – da floresta e do modo de vida e cultura de seus povos”, alerta Rachel Biderman, da Conservation International.

Os organizadores e participantes da conferência defendem que os diversos setores da sociedade, em especial as populações da Amazônia, sejam ouvidas e tenham suas necessidades contempladas na

Declaração da Cúpula da Amazônia. “O Programa de Trabalho sobre a Bioeconomia que Queremos não é apenas um slogan: é um chamado à ação para que todas as partes interessadas se unam e abracem um futuro que assegure uma bioeconomia próspera, preservando o inestimável patrimônio natural da floresta amazônica”, declara Vanessa Pérez.]

Sobre a Conferência de Bioeconomia da Panamazônia

A Conferência de Bioeconomia da Panamazônia reúne especialistas, formuladores de políticas e partes interessadas da região amazônica para promover práticas bioeconômicas sustentáveis e inclusivas. A conferência é uma plataforma para troca de conhecimento, discussão de desafios e formulação de soluções acionáveis para proteger a floresta amazônica e seu povo. Para o conjunto completo de recomendações transformadoras apresentadas na Conferência de Bioeconomia da Panamazônia, visite: https://amzbio.org/

Instituto de Engenharia lança estudo inédito sobre Amazônia e as oportunidades da bioeconomia no Brasil

Caderno foi elaborado com a participação de grandes nomes da academia, do mercado e da ciência com coordenação de Carlos Nobre

O Instituto de Engenharia, entidade centenária nacional, acaba de lançar um estudo inédito: Amazônia e Bioeconomia – Sustentada em ciência, tecnologia e inovação.
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O material completo pode ser baixado no http://www.institutodeengenharia.org.br/site/amazonia-e-bioeconomia/ e mostra como a Amazônia e o investimento em  bioeconomia pode levar o Brasil para uma onda de desenvolvimento econômico. Nele são indicados caminhos e condições para que o País alcance protagonismo nesta nova bioeconomia circular que se baseia na descarbonização das atividades econômicas.

O caderno foi coordenador pelo cientista e engenheiro, Carlos Nobre e pelo conselheiro e engenheiro do IE, George Paulus e teve a participação do reitor da Universidade de São Paulo, Vahan Agopyan; Carlos Brito Cruz, VP sênior da Elsevier e ex- reitor da UNICAMP; Tatiana Schor, secretária-executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas; Ana Euler, pesquisadora da Embrapa Amapá; Adalberto José Val, pesquisador do INPA e um dos integrantes do Conselho da Amazônia; Ary Plonski, diretor do IEA-USP; Ricardo Kenzo, VP de Relações Externas do IE e Victor Brecheret, conselheiro do IE.

“Esse projeto representa uma contribuição do Instituto de Engenharia à discussão sobre as oportunidades e desafios do Brasil na Bioeconomia. O nosso País precisa imaginar, discutir e escolher que desenvolvimento quer e pode fazer acontecer, principalmente usando de forma sustentável os recursos encontrados na Amazônia”, afirma Eduardo Lafraia, presidente do IE.

Durante a produção deste material ficou claro que o País precisa investir com qualidade em Educação, Ciência e Tecnologia para inovar e se apropriar de seu mais significativo diferencial para o século XXI, a Amazônia. “Manter o status quo de ocupação do território significa atrair um movimento migratório em que as pessoas mudam para Amazônia sem condições, e acabam numa situação de miséria”, comenta Tatiana Schor, secretária-executiva de CT&I do Amazonas.

Pautas para debate e ação no estudo

Para que o País de fato se torne uma potência mundial da Bioeconomia, transformações importantes precisarão ser enfrentadas por nossa sociedade. Essas mudanças podem levar anos ou até décadas e não há tempo a perder para iniciá-las. A velocidade de implementação é sem dúvida o fator mais importante. Com isso, o IE defende:

Centralidade Estratégica da Bioeconomia para o Brasil: essa estratégia deve assumir explicitamente uma relação de subordinação à biodiversidade, que precisa estar no comando das atividades econômicas e promover um processo de reindustrialização.

Governança: o Estado brasileiro deve assumir o papel de criar e implementar uma Política Nacional de Bioeconomia com a criação de um Conselho Nacional da Bioindústria. O conselho deve acelerar o avanço da bioeconomia nas seguintes questões:

• Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação

• Empreendedorismo competitivo globalmente

• Educação e capacitação profissional

• Obtenção de financiamento nacional e internacional

• Acesso aos mercados globais

• Comunicação com a sociedade

Desenvolvimento do sistema de CT&I: é necessária a implantação de um programa de atração e fixação de pesquisadores e empresas para atuarem na região. Ao mesmo tempo é necessário estruturar e apoiar as instituições e entidades de excelência, com foco em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) junto a parques tecnológicos que transformem as inovações em produtos e serviços de alto valor agregado. Gargalos do sistema de CT&I a serem atacados:

i. Investimento em educação
ii. Investimento em infraestrutura básica
iii. Investimento privado em CT&I
iv. Recursos públicos para CT&I

Fortalecimento das instituições de ensino e pesquisa: retomada dos investimentos nas instituições de pesquisa e ensino e com foco nos seguintes pontos:
i. Atualização da Formação em Engenharia para sustentabilidade
ii. Desenvolvimento da Engenharia Biológica
iii. Rede de Ciência, Tecnologia e Inovação

Hub de excelência em CT&I da Amazônia: para que o Brasil alcance a autonomia na nova Bioeconomia é preciso que se desenvolva Capacidade e Conhecimento nacional. Assim como aconteceu nos casos das indústrias aeronáutica e do agronegócio, o País precisa agora de um agente de excelência em CT&I, que assuma tanto a responsabilidade pelo estímulo e coordenação das atividades de CT&I de ponta na Amazônia, como o desenvolvimento de polos tecnológicos que atraiam e capacitem empreendedores para levar as inovações ao mercado. E ainda articule os esforços das Universidade e Institutos de Pesquisa da região.

Evolução populacional: estima-se que hoje 29,3 milhões de pessoas vivam na Amazônia Legal brasileira, com parte significativa abaixo da linha da pobreza. Como será a região quando chegar aos 40 milhões, 50 milhões de habitantes? Replicaremos os movimentos de favelização de outras regiões? Qual desenvolvimento dos amazônidas querem para região?

“O modelo de desenvolvimento do País dos últimos 500 anos fatalmente comprometerá nossa biodiversidade. Precisamos encontrar um novo modelo que garanta o acesso a saúde, educação e habitação, sem comprometer as oportunidades das gerações futuras. A meu ver, isso pode ser alcançado com o desenvolvimento científico e tecnológico no campo da bioeconomia circular”, argumenta George Paulus, coordenador do caderno e conselheiro do IE.

Para Carlos Nobre, é possível conciliar desenvolvimento econômico, intelectual e social da Amazônia, com a simultânea conservação a floresta tropical. Durante pelo menos duas ou três décadas, apenas duas vertentes eram pensadas como possíveis, a primeira via, que afirma que há a necessidade de isolar completamente e garantir a preservação de grandes extensões da floresta, e a segunda via, baseada em uso intensivo de recursos naturais, por meio das atividades e serviços da pecuária, agricultura, mineração e geração de energia. “A Terceira Via Amazônica representa uma oportunidade para desenvolver uma ‘economia verde’ que aproveite todo o valor de uma ‘floresta produtiva permanente’ para, com a ajuda de novas tecnologias físicas, digitais e biológicas já disponíveis ou em evolução, estabelecer um novo modelo de desenvolvimento econômico socialmente inclusivo”.

Bancos criam o Conselho Consultivo Amazônia

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Bradesco, Itaú Unibanco e Santander anunciam hoje os nomes dos sete integrantes do Conselho Consultivo Amazônia, instância criada para apoiar a implementação das dez medidas propostas pelos bancos para impulsionar o desenvolvimento sustentável da região. Os profissionais escolhidos aportam ao projeto diferentes experiências e conhecimentos sobre as questões sociais e ambientais envolvendo a Amazônia.

Especialistas em sustentabilidade dos três bancos formaram um grupo de trabalho, que já tem se reunido regularmente para propor iniciativas e ações concretas para a região. O grupo de especialistas do Conselho Consultivo Amazônia se reunirá a cada três meses com o objetivo de trazer reflexões sobre as dinâmicas da região e desafiar os bancos quanto à efetividade do impacto das ações propostas. Conheça os profissionais que aceitaram o convite dos bancos:

• Adalberto Luís Val, biólogo e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), é um dos cientistas mais reconhecidos e com maior domínio sobre adaptações biológicas às variações ambientais na Amazônia.

• Adalberto Veríssimo, pesquisador associado e co-fundador do Imazon, um dos principais centros de pesquisa e ação estratégica da Amazônia, e diretor de programas do Centro de Empreendedorismo da Amazônia.

• André Guimarães, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), co-facilitador da Coalizão Brasil Clima Florestas e Agricultura, foi vice-presidente de Desenvolvimento da Conservação Internacional (CI), gerente de projetos do Banco Mundial e também dirigiu entidades do terceiro setor, como o Instituto BioAtlântica (IBio) e Imazon.

• Carlos Afonso Nobre, cientista destacado principalmente na área dos estudos sobre Mudanças Climáticas e Amazônia e atual responsável pelo projeto Amazônia 4.0, de fomento à Bioeconomia e Bioindustrialização.

• Denis Minev, diretor-presidente das Lojas Bemol, co-fundador da Fundação Amazonas Sustentável, do Museu da Amazônia e da Plataforma Parceiros pela Amazônia, foi secretário de planejamento e desenvolvimento econômico do Amazonas entre 2007 e 2009.

• Izabella Teixeira, bióloga e doutora em Planejamento Ambiental pela COPPE/UFRJ, foi ministra do Meio Ambiente de 2010 a 2016.

Teresa Vendramini, pecuarista e socióloga, é presidente da Sociedade Rural Brasileira.

“O conceito foi escolher um grupo de pessoas de alta qualificação e notório saber que são comprometidas com a ciência, com a defesa do meio ambiente e com a vida. Estamos bastante seguros que as diferentes visões e formações dos membros do Conselho darão substância e massa crítica ao trabalho de propor e orientar medidas que envolvem o futuro da Amazônia. São desafios não só ambientais, mas também sociais e econômicos”, afirma o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior.

“Estamos muito satisfeitos por termos conseguido reunir este grupo altamente qualificado e que conhece profundamente os desafios do Brasil na área ambiental e, mais especificamente, na Amazônia. A colaboração dos conselheiros consultivos será fundamental para que nossa atuação na região seja efetiva e gere os impactos positivos que buscamos”, afirma Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco.

“O conselho funcionará com um grupo de especialistas renomados, responsável por dar o respaldo necessário às nossas propostas para o desenvolvimento sustentável da região Amazônica. Para além disso, esses líderes excepcionais utilizarão sua vasta experiência acumulada em áreas de conhecimento complementares para nos ajudar a subir a régua, propondo ações e metas desafiadoras, que provem ser possível gerar riqueza para o País e beneficiar a população local sem sacrificar nossa biodiversidade e recursos naturais”, diz Sérgio Rial, presidente do Santander Brasil.

O Plano Amazônia inclui 10 medidas que foram construídas a partir de três frentes de atuação identificadas como prioritárias para a região: conservação ambiental e desenvolvimento da bioeconomia; investimento em infraestrutura sustentável; e garantia dos direitos básicos da população da região amazônica.

Medidas definidas pelo plano:

1) Atuar visando ao desmatamento zero no cadeia da carne, reforçando diligências internas, apoiando a transição e articulando com empresas e associações para a criação de compromisso setorial.

2) Estimular as cadeias sustentáveis, como a do cacau, açaí e castanha, por meio de linhas de financiamento diferenciadas e ferramentas financeiras e não financeiras.

3) Estimular o desenvolvimento da infraestrutura de transporte mais sustentável, como o hidroviário, com aplicação de metas ambientais, em troca de condições diferenciadas de financiamento.

4) Viabilizar investimentos em infraestrutura básica para o desenvolvimento social da região, como acesso à energia, internet, moradia e saneamento.

5) Fomentar projetos que visem o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental por meio de instrumentos financeiros de lastro verde, como o Pagamento por Serviço Ambiental (PSA) e Crédito de Carbono.

6) Incorporar os impactos das mudanças climáticas nas políticas de crédito e investimentos de longo prazo e dar ênfase a isso em nossos relatórios.

7) Ampliar o alcance de negócios que promovam a inclusão e a orientação financeira na região.

8) Articular e apoiar a implantação do sistema informatizado de registro de regularização fundiária.

9) Articular a criação de um fundo para atores e lideranças locais que trabalhem em projetos de desenvolvimento socioeconômico na região.

10) Atrair investimentos que promovam parcerias e desenvolvimento de tecnologias que impulsionem a bioeconomia.