Privataria fluminense: o preço irrisório da privatização da CEDAE

O (des) governo Pezão está querendo aprovar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o projeto Lei 2345/2017 que visa privatizar a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE) por R$ 3,5 bilhões de reais para viabilizar um empréstimo bancário que supostamente seria utilizado (não há qualquer garantia de que isso vai realmente ocorrer) para pagar os salários atrasados dos servidores públicos estaduais.

Mas além dos inevitáveis custos sociais que esta privatização trará, especialmente para os setores mais pobres da população fluminense, há uma forte controvérsia sobre qual seria o valor real da CEDAE, já que esse processo de privatização está sendo feito a toque de caixa, e sem que uma estimativa prévia do valor da empresa tenha sido feita por auditores independentes.

Aí é que temos especialistas que colocam o valor da CEDAE como sendo de quase R$ 14 bilhões, aproximadamente cinco vezes mais do valor pela qual o (des) governo Pezão pretende doá-la à iniciativa privada. Um desses especialistas, o economista Gilberto Braga, ofereceu explicações claras sobre esse valor ao jornalista Fernando Molica em seu programa na CBN Rio (Aqui!).

Se os números que Gilberto Braga estão corretas, o que temos para acontecer com a eventual aprovação do projeto de Lei 2345/2017 é um ataque ao patrimônio público que foi amealhado pelo povo do Rio de Janeiro. E, pior, em troca desse “presentão”, ao que tudo indica para futuros de investimentos internacionais como o canadense Brookfield Asset Management,  o que teremos será um encarecimento nas contas de água da maioria da população, justamente num período de recessão forte e alto nível de desemprego.

E ainda por cima temos que o (des) governo que pretende fazer isso está claramente desprovido de um mínimo de legitimidade para conduzir este negócio.  Assim, não é preciso ser vidente que esta venda da CEDAE, pelo preço e nas condições políticas em que está sendo conduzida, poderá ser o estopim do mesmo tipo de revolta social que ocorreu na Bolívia em 2000 quando houve a privatização dos serviços de água em Cochamba (Aqui! e Aqui!). 

Pelo jeito,  o (des) governo Pezão e sua base política dentro da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro estão contando com a mansidão da população para levar esse negócio a cabo. O problema é que o isolamento dentro de palácios nunca foi bom conselheiro. Que o diga a familia Romanov da Rússia. 

Bolívia celebra 12 anos da “Guerra da Água”. E o que temos nós a ver com isso?

agua

Um leitor do blog me enviou um link para uma matéria produzida pela Telesur que fala da guerra da água que sacudiu a Bolívia em Outubro de 2003.  Essa convulsão que marcou a história boliviana foi causada pelo processo de privatização dos serviços de água na cidade de Cochabamba serviu para  mostrar que existe outro caminho do que o de aceitar passivamente a cobrança de tarifas salgadas por parte das corporações que se apossam dos recursos hídricos.

A revolta da população de Cochabamba pode bem se repetir no Brasil nos próximos, pois temos atualmente a combinação explosiva entre o processo de escassez hídrica com a precificação abusiva da água.  E ao contrário do que aconteceu na Bolívia, poderemos ter essa revolta na principal cidade do Brasil, onde já temos todas as condições para que uma guerra da água também ocorra. 

Abaixo o vídeo para quem quiser assistir a matéria da Telesur.

http://videos.telesurtv.net/video/457490/bolivia-a-12-anos-de-la-guerra-del-agua-victoria-de-los-bolivianos