A crise político-financeira na Uerj como um sinal para a Uenf: eu sou você amanhã

Estudantes da Uerj protestam contra mudanças nas regras para auxílios

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) vem sendo palco de uma revolta estudantil contra a reitoria da instituição que resolveu fazer um corte profundo na distribuição dos recursos destinados à chamada “assistência estudantil”. A alegação da reitoria da Uerj para tal corte é de que a Uerj simplesmente não tem recursos orçamentários para continuar atendendo nos limites estabelecidos por administrações anteriores.

Os estudantes da Uerj, que contam com a simpatia dos sindicatos de servidores e docentes, partiram para um modelo clássico enfrentamento que inclui a ocupação física de prédios e manifestações de rua. A intenção declarada é fazer a reitoria retroceder e continuar praticando o modelo anterior de distribuição de recursos. Por sua vez, a reitoria da Uerj também se mantém em uma posição clássica de para conter a o movimento dos estudantes, com o uso até aqui de seguranças patrimoniais para conter a revolta estudantil.

Enquanto isso, o governador Cláudio Castro (PL) se mantém completamente à vontade para, entre outras coisas, sair pelo estado fazendo campanha por seus candidatos a prefeito e vereador, a despeito do fato de que a educação fluminense afunda em crise profunda, ocupando o penúltimo lugar nos índices do IDEB que acabam de ser divulgados pelo MEC.  É como se Cláudio Castro sapateasse sorridente sobre a educação fluminense enquanto asfixia escolas e universidades para continuar praticando uma injustificada política bilionária de isenções fiscais.

Candidata do grupo Bacellar, Madeleine lança campanha à Prefeitura de Campos  - Campos 24 Horas | Seu Jornal Online.

Enquanto o Rio de Janeiro ocupa o penúltimo lugar no IDEB, um Cláudio Castro sorridente faz campanha para sua candidata em Campos dos Goytacazes

O curioso é que até agora o quadro conflagrado da Uerj não está se repetindo na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf). Alguém mais distraído poderia achar que Cláudio Castro está sendo mais benevolente com a Uenf por causa de sua localização estratégica em Campos dos Goytacazes, onde o ainda governador do Rio de Janeiro esteve fazendo campanha pela sua candidata a prefeita, em companhia de uma numerosa delegação de deputados estaduais que chegaram na cidade em uma espécie de revoada de aviões de carreira.

O meu diagnóstico é que a situação de paz aparente na Uenf não tem nada a ver com uma suposta benevolência de Cláudio Castro. A coisa na Uenf se explica mais pela indisposição de seus sindicatos, especialmente os dos estudantes (DCE e Associação de Pós-Graduandos) e dos servidores técnicos (Sintuperj) de se comportarem como representantes não dos interesses de seus dirigentes, mas daqueles que dizem representar. 

Agora, como o torniquete que aperta a Uerj também arrocha e asfixia a Uenf, o corte de bolsas que começou nos projetos de extensão, ceifando ações estratégicas para beneficiar a população, poderá em um futuro não muito distante chegar à outras modalidades de bolsas estudantis e também nos auxílios que deram um refresco na penosa situação causada pela corrosão inflacionária dos salários.

E aí pode ser que a paz aparente reinante na Uenf se transmute nas cenas de enfrentamento que estão ocorrendo na Uerj em uma espécie de “eu sou você amanhã”.  Curioso vai ser acompanhar a reação da reitoria da Uenf que, ao contrário do que ocorreu na Uerj, se elegeu com o apoio explícito de dirigentes sindicais de estudantes e servidores técnico-administrativos. 

Em nova nota “Pôncio Pilatos”, reitoria dá pistas sobre o tamanho da crise financeira que assola a UENF

Certamente sob pressão da crescente insatisfação estudantil frente ao atraso no pagamento de diversos tipos de bolsas acadêmicas, a reitoria da UENF veio à público no final desta 3a. feira (03/03) com mais um nota no estilo “Pôncio Pìlatos” que, pelo menos dessa vez, foi assinada pelo reitor, Silvério de Paiva Freitas.

Apesar do tom lacônico e conformado, a nota da reitoria da UENF deixa transparecer que todas as atividades da universidade estão sendo prejudicadas pelo atraso das bolsas. O fato é que uma parcela significativa de todas as atividades em qualquer universidade brasileira são realizadas por estudantes que, em contrapartida, recebem bolsas que na maioria das vezes estão com valores completamente defasados.

Agora, o mais grave é que enquanto professores e servidores técnicos podem fazer greve, e rotineiramente o fazem para defender seus direitos, os estudantes não possuem uma estrutura sindical própria, e nem possuem quaisquer direitos assegurados em relação ao cumprimento dos prazos de pagamentos de suas bolsas. Na prática, os bolsistas ficam jogados à mercê da própria sorte, o que acaba sendo agravado pela postura submissa da reitoria da UENF frente ao processo de sucateamento e desmanche que o (des) governo comandado por Luiz Fernando, o Pezão, vem impondo às universidades estaduais.

De toda forma, apesar de todas as dificuldades que eu apontei acima, os sinais que recolho em conversas com os estudantes é que eles não estão dispostos a esperar pela boa vontade de Pezão ou da tomada de uma postura mais pró-ativa da reitoria da UENF. Assim, que ninguém se surpreenda se o caldo entornar não apenas na UENF, mas também na UERJ e na UEZO. É que se os estudantes resolverem suspender suas múltiplas atividades vinculadas às bolsas que não são pagas, a situação que já está ruim, vai ficar ainda pior.

Nota da Reitoria

Ciente dos transtornos que vêm sendo causados à comunidade universitária em decorrência do atraso no pagamento dos bolsistas, a Reitoria esclarece que as bolsas UENF em atraso são todas aquelas pagas com a chamada “verba descentralizada da Faperj”.

Trata-se de uma verba concedida pela Faperj a todas as universidades estaduais, especificamente, para que estas possam conceder bolsas para atuar em projetos vinculados às Pró-Reitorias de Graduação (PROGRAD); Pesquisa e Pós-Graduação (PROPPG); e Extensão e Assuntos Comunitários (PROEX).

Todos os procedimentos referentes ao pagamento de janeiro/2015 foram concluídos no tempo correto e, desde o dia 09/02/15, encontram-se à disposição da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) aguardando a sua execução. Do mesmo modo, todos os procedimentos referentes ao mês de fevereiro/2015 foram concluídos hoje, 03/03/15, restando a liberação financeira pela Sefaz.

Informamos que a Reitoria tem feito e continuará fazendo gestões cotidianas junto às diversas Secretarias de Governo, principalmente a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Sect), à qual a UENF está vinculada, bem como à Faperj, no sentido de solucionar este problema.

A Reitoria assegura aos bolsistas que as bolsas em atraso estão previstas no orçamento da Universidade e serão saldadas tão logo a liberação financeira seja providenciada pela Sefaz.

A Reitoria aguarda da Sefaz uma previsão de pagamento e, tão logo tenha essa informação, divulgará à comunidade da UENF.

Silvério de Paiva Freitas
Reitor

Crise na UENF: Diretório Central dos Estudantes convoca assembléia extraordinária para organizar a luta

 

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Assembleia Geral dos Estudantes – URGENTE

Terça às 17:00 Restaurante Universitário Cícero Guedes

O Conselho Representativo do DCE-UENF vem por meio deste comunicado convocar Assembleia Geral Extraordinária em caráter de URGÊNCIA para discutir as seguintes pautas:

1 – Atraso no pagamento das Bolsas;

2 – Discussão/organização de futuros atos;

3 – Representações das câmaras de graduação;

4 – Outros assuntos.

Vale ressaltar a necessidade de todos os estudantes estarem presentes, as assembleias convocadas pelo DCE são de suma importância por ser o espaço de deliberações dos estudantes e onde decidimos e encaminhamos as propostas de mobilizações, atos e atividades. Essa luta é de todos! Participem, Uenfianos!

FONTE: https://www.facebook.com/events/426772627489608

A reitoria da UENF e seus estranhos métodos de diálogo

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Hoje o ato “Bom dia, reitor” promovido pelo DCE-UENF parece ter assustado bastante os membros da reitoria da UENF, já que os policiais militares que estão dentro do campus foram chamados para garantir a passagem para o interior do prédio.  O interessante é notar que a porta da entrada da reitoria estava apenas bloqueada por uma mesa onde foi colocado o café da manhã que os estudantes haviam preparado recepcionar os gestores da UENF em sua chegada ao campus.

O fato é que esse uso do  contingente da PM que está trabalhando dentro da UENF para garantir entrada no prédio desmascara os argumentos da reitoria quando da contratação do PROEIS para policiar o campus que supostamente seria para impedir casos de violência pessoal e assaltos. Agora está claro que a intenção da reitoria foi sempre a de coagir atos de manifestação política realizados pela comunidade universitária.

Para não ficar totalmente mal,  membros da reitoria se reuniram com o DCE para oferecer explicações dos atrasos do pagamento de bolsas estudantis. O trágico disso é que durante a reunião, além de não haver qualquer sinalização do reajuste compromissado pelo reitor Silvério Freitas durante a greve ocorria em 2014, ainda foi dito que novos atrasos poderão ocorrer ao longo de 2015.

Essa situação é preocupante para as centenas de estudantes da UENF que precisam dos recursos das bolsas para garantir sua permanência dentro da instituição. Ao sinalizar que novos atrasos poderão ocorrer, a reitoria está efetivamente se isentando de suas responsabilidades de defender os interesses da comunidade que deveria estar representando.

Felizmente para os estudantes, o DCE-UENF está cumprindo o seu papel de defender os interesses dos estudantes. Esse é um exemplo que eu espero contagie os demais sindicatos que representem professores e servidores da UENF.  Do contrário, os ataques aos direitos vão ser aprofundados pelo (des) governo Pezão, sempre com a célere ajuda da reitoria da UENF.

O Diário: Sem bolsas, 60% dos alunos da Uenf não voltam às aulas

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Isaías Fernandes

As aulas na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) foram retomadas nesta segunda-feira, porém nem 40% dos alunos compareceram. O principal motivo, segundo o diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Bráulio Fontes, é o atraso no pagamento da bolsa de dezembro. Caso, o benefício não seja pago até quarta, haverá uma mobilização dos estudantes.

De acordo com Bráulio, os pagamentos de todas as modalidades de bolsas estão atrasados. Na modalidade dos estudantes cotistas de graduação ou de apoio acadêmico são cerca de 1.300 alunos que recebem R$ 300,00 por mês. Eles, segundo Bráulio, são os mais afetados, pois dependem exclusivamente desse dinheiro para arcar com os custos de alimentação e moradia. “Como o dinheiro ainda não caiu na conta, muita gente não retornou e vai continuar assim até que seja pago”, observa.

Existem ainda as modalidades de bolsas de mérito, de mestrado, doutorado, pós-doutorado e professores bolsistas de apoio ao ensino, cujos valores são diferentes. Ainda segundo Bráulio, essa situação acontece em outras universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro, como a Universidade Estadual do Rio de Janeiro e o Centro Universitário Estadual da Zona Oestes e universidades federais, onde bolsistas são pagos com recursos do Estado.

Mobilização

Segundo Bráulio, se o dinheiro não for pago até quarta-feira, o DCE deverá organizar uma mobilização, já que a reitoria não deu informações sobre a data do pagamento. A assessoria de imprensa da universidade foi contatada, mas ainda não conseguiu um posicionamento oficial. No dia 22, quinta-feira, será realizada na Uerj, no Rio, uma assembleia estudantil em prol da regularização das bolsas e outras questões.

Em abril do ano passado, dois alunos da Uenf, acamparam no pátio da reitoria e fizeram greve de fome por três dias, que foi suspensa após o reitor da unidade, Silvério de Paiva Freitas, se comprometer a equiparar o auxílio-cota dos estudantes carentes ao mesmo que é praticado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, que é de R$ 400,00, o que não aconteceu.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/sem-bolsas,-60-porcento-dos-alunos-da-uenf-nao-voltam-as-aulas-18294.html

O DIÁRIO: Estado não libera recursos para UENF reajustar bolsas

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Diretor do DCE, Bráulio Fontes, disse que não descarta outras manifestações

O Governo do Estado, mais uma vez, descumpriu uma promessa feita à Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e negou a liberação de recursos que garantiriam a equiparação das bolsas concedidas aos alunos de Campos com as que são pagas aos estudantes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). O compromisso do Governo em aumentar o valor do auxílio-cota dos estudantes e ainda a majoração das bolsas de apoio acadêmico foi a maior motivação do retorno dos professores às atividades e do fim da greve de fome dos estudantes, no final de junho.

A justificativa da impossibilidade de conceder o reajuste foi comunicada pela secretaria estadual de Planejamento e Gestão através de ofício, que ainda informou sobre um possível corte de orçamento na Universidade. “Não temos no Estado um cenário que nos permita um acréscimo de recurso ora pretendido pela Uenf, e mais, considerando a necessidade de obtermos o equilíbrio nas contas públicas de que trata a Lei de Responsabilidade Fiscal, estamos antevendo a necessidade de promover um provável contingenciamento orçamentário, no que trata dos recursos do Tesouro, que afetará, inclusive, o orçamento daquela Universidade”.

O presidente da Associação de Docentes da Uenf, Luís Passoni, criticou o posicionamento do Governo. “Temos a sensação de que o Governo não gosta da Uenf. O Estado não só deixa de cumprir mais uma promessa, mas resiste na política de privilegiar as universidades da capital e desmerecer as do interior. Além disso, ainda tenta, e consegue, estrangular o orçamento da Uenf”, ponderou.

Outras manifestações

Na próxima segunda-feira, 11, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) irá se reunir para definir que posicionamento tomar diante da negativa do Governo. O diretor do DCE, Bráulio Fontes não descartou a possibilidade de nova greve e manifestações. “Eu estivesse pessoalmente com o governador Luiz Fernando Pezão e, na ocasião, ele se comprometeu a não medir esforços para atender nossa reivindicação. Das duas uma: ou ele não tem palavra, ou realmente não tem forças dentro do seu próprio governo”, desabafou.

O presidente da Aduenf avaliou criteriosamente a situação. “Por um lado o Governo anuncia o corte de verbas e, por outro propõe a presença de policiais no campus, o que ainda não foi aprovado. Isso mais me parece um plano macabro. Pode ser só coincidência, mas caso o Proeis seja aprovado, será também uma forma de criar a repressão necessária para enfraquecer ou impossibilitar a realização de manifestações. Com certeza, teremos mais dificuldades em fortalecer nossos movimentos”, disse Passoni.

Fonte: http://www.odiariodecampos.com.br/estado-nao-libera-recursos-para-uenf-reajustar-bolsas-13856.html