Jair Bolsonaro pinta calmamente em Miami, enquanto o Real e ações derretem

oil crashQueda do preço do petróleo faz com que as bolsas globais entrem em colapso

A economia global amanheceu hoje sobre os escombros de um rápido colapso das bolsas de valores em todo o mundo; processo este alavancado por um mistura de pandemia do coronavírus e uma guerra aberta dentro da organização dos países produtores do petróleo (OPEP). Com isso, o Real, que já era uma das moedas mais desvalorizadas do mundo, está passando por um rápido derretimento, com o dólar turismo chegando a R$ 5,26; euro a R$ 5,93, e a libra esterlina a R$ 6,94 em São Paulo.

Esses são sinais péssimos para o Brasil que possui uma economia completamente aberta às idas e vindas dos especuladores financeiros globais e com uma balança comercial que depende de forma exagerada da exportação de commodities agrícolas e minerais. É que com uma recessão global apontando no horizonte bem próximo, países como o Brasil serão os grandes perdedores de mais este ciclo de recessão global. E isto tudo em meio a uma recessão interna que já criou algo em torno de 13 milhões de desempregados.

Se eu fosse presidente da república, o dia de hoje já teria me obrigado a sair de onde estivesse para retornar rapidamente a Brasília onde um gabinete de crise estaria instalado para tentar estabelecer os melhores e mais eficazes mecanismos para isolar o Brasil da tsunami que está se montando nos mercados globais.

Mas o presidente da república da vez é o ex-capitão do exército Jair Bolsonaro e ele parece ter encontrado uma forma de aliviar as eventuais tensões do atual momento político e financeiro. É que como mostra o vídeo abaixo, o presidente Bolsonaro não apenas continua nos EUA, como está por lá se dedicando a atividades lúdicas como a pintura.

Mas a bem da verdade é que o presidente Jair Bolsonaro não é o único que parece reconhecer a gravidade do momento que atravessamos.  Outro exemplo peculiar de calma é o dublê de banqueiro e ministro da Fazenda, Paulo Guedes. É que em entrevista concedida no dia de hoje, Guedes disse apenas que “o preço do petróleo vai cair”, quando se sabe que o preço dessa commodity mineral já baixou para níveis semelhantes a 1991, ano da primeira guerra do Golfo Pérsico. E isso em um momento em que a balança comercial depende fortemente da estabilidade dos preços de suas commodities para se manter acima do nível crítico.  Além disso, Guedes continua apostando nas suas reformas ultraneoliberais, como se não existisse um quadro externo que literalmente tritura os ganhos mínimos que as mesmas poderão trazer em um momento de crise sistêmica.

A verdade é que o momento é extremamente grave para toda a economia global, mas isso não parece estar sendo devidamente apreciado pelo governo Bolsonaro. Os próximos dias deverão determinar o tamanho do buraco em que a economia global vai se meter, e isto deverá nos mostrar quão fundo será o poço em que o Brasil estará entalado. Uma primeira análise indica que o fundo desse poço será bem profundo, o que apenas deverá piorar o estado de humor dos especuladores financeiros que estão retirando seus dólares do Brasil em direção a ativos mais seguros do que a instável economia brasileira.