Meio ambiente capturado: bomba semiótica publiciza captura corporativa do CMMADS de São João da Barra

Uma bomba semiótica vem a ser um acontecimento comunicacional planejado para chocar e saturar o ambiente midiático, utilizando signos, imagens e ações rápidas para moldar a opinião pública e pautar o debate. Inspirada na “guerrilha semiológica” de Umberto Eco, essa estratégia de “guerra híbrida” busca criar ruído, dissonância e fortes impactos visuais.

Pois bem, o caso aqui abordado da captura do Conselho Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMMADS) de São João da Barra ganhou uma nova abordagem com a abordagem do que bem pode ser caracterizado como uma bomba semiótica que está agitando as redes sociais por seu conteúdo simples, pedagógico e didático. Ao fim e a cabo de, esta bomba semiótica revela a grave distorção que está ocorrendo ao se ter uma representante de uma empresa ligada ao Porto do Açu na presidência do CMMADS (ver abaixo).

Como já foi notado por mim, a ocupação da presidência do CMMADS por uma empresa de propriedade do Porto do Açu, a RPPN Fazenda Caruara S/A, compromete de forma estrutural a capacidade do conselho de agir de forma isenta em áreas diversas, tais como licenciamento, fiscalização de danos ambientais e proposição de políticas ambientais.

Agora resta saber como corrigir essa distorção, e o quanto antes, melhor.

O leão e as hienas de Bolsonaro: a bomba semiótica que explodiu no colo de quem lançou

bolso leo 1

O vídeo abaixo aparentemente teria como objetivo incensar a base eleitoral do governo Bolsonaro para que se fortaleça a defesa política do presidente Jair Bolsonaro. Mas dado que o presidente o removeu de sua página oficial na rede social Twitter pouco tempo depois de ir ao ar, várias interpretações podem ser feitas, mas nenhuma que indique que houve o êxito pretendido.

É que ao pintar todas instituições, sindicatos, conselhos de classe, o próprio partido do presidente Jair Bolsonaro e até a Lei Rouanet como “hienas” que cercam um leão indefeso pode ter produzido o efeito de unir até inimigos figadais que, de fato, podem passar agora para uma ação mais unificada.

Um detalhe sobre o vídeo original é que o leão indefeso que aparece mortalmente acossado pelas hienas está, de fato, no final da sua vida. Assim, mesmo o aparecimento de um companheiro que surge para impedir o banquete das hienas está apenas atrasando o inevitável.  Eu fico imaginando se quem usou essa bomba semiótica levou em conta o fato natural que está por detrás das cenas mostradas no vídeo: um leão velho à beira da morte tendo que se deparar com seus competidores em condições de alta fragilidade. 

Enfim, o problema é que ao calcular todas as repercussões da bomba semiótica lançada para identificar todos os inimigos do presidente, o efeito final poderá ser oposto ao pretendido. Mas talvez mais em linha com o que o vídeo original mostra. A ver!