Brasil soma mais de 40.000 mil casos de intoxicação aguda por agrotóxicos em 10 anos

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Por Xepa para a Mídia Ninja

O Brasil, desde 2021, lidera o ranking global de consumo de agrotóxicos, despejando 719,5 milhões de toneladas dessas substâncias anualmente, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Por trás desses números, surge uma preocupação mais urgente: os danos diretos à saúde humana. Em apenas três décadas, o aumento de 1.300% no uso dessas substâncias coloca o país como um dos maiores consumidores e importadores mundiais, expondo a população a riscos crescentes de intoxicação.

Um relatório da Friends of the Earth Europe revela que, a cada dois dias, uma pessoa perde a vida no Brasil devido à exposição a esses venenos, sendo uma em cada cinco vítimas crianças ou adolescentes com até 19 anos. Este é o preço trágico que o país paga por liderar esse preocupante ranking global.

A exposição aos agrotóxicos pode causar uma série de doenças, que vão de irritações na pele ao câncer, dependendo do produto, tempo de exposição e quantidade absorvida pelo organismo. As consequências mais graves são sentidas por pelo menos 20 mil pessoas por ano – número de registros de mortes por consumo de agrotóxicos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas notificou que mais de 40 mil casos de intoxicação aguda por agrotóxicos foram registrados no Brasil na última década. Os casos são mais recorrentes entre os trabalhadores rurais, que estão em contato direto com os produtos nocivos à saúde.

Mas nem sempre esses efeitos são percebidos a curto prazo. Um estudo feito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) chama os agrotóxicos de “veneno invisível”, isso porque os efeitos na saúde podem demorar anos para serem sentidos. De acordo com a professora do Departamento de Bioquímica e Imunologia do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, Eliane Novato, casos crônicos – que ocorrem após exposições repetidas a pequenas quantidades de agrotóxicos por um período prolongado – podem se manifestar somente em gerações seguintes.

De acordo com o relatório “Atlas dos Agrotóxicos”, publicada em 2023 pela Fundação Heinrich Böll, o Brasil se destaca como um dos maiores consumidores e importadores mundiais desses produtos, sendo responsável por 18% da aquisição mundial. Além disso, 87% dos fertilizantes utilizados na agricultura nacional são importados, conforme a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). O país permite níveis mais elevados de resíduos desses produtos em águas e alimentos, agravando ainda mais os impactos na saúde da população.

O envenenamento tem sua origem na venda desenfreada desses produtos para países do Sul Global, onde a falta de regulamentação torna essas nações alvos principais. O “Atlas dos Agrotóxicos” ressalta que a União Europeia (UE), o maior mercado de exportação de agrotóxicos global, investe crescentemente em processos e exporta produtos proibidos em seu próprio território devido aos seus efeitos nocivos à saúde humana e ao meio ambiente. No Brasil, infelizmente, tais malefícios são ignorados.

A relação direta entre o aumento do uso de agrotóxicos e a expansão das áreas cultivadas com organismos geneticamente modificados é inegável. O Brasil, como maior exportador mundial de soja, carne bovina, carne de frango e açúcar, além de segundo maior exportador de grãos, viu um aumento de 70% na área cultivada com cana-de-açúcar e 75,6% na área cultivada com soja entre 2005 e 2022. Essa expansão abrange proporções preocupantes, ultrapassando os territórios combinados da Alemanha e da Bélgica.

Diante desse cenário, é evidente a dependência crescente da agricultura nacional em relação aos agrotóxicos, enquanto soluções ecológicas para preservação da saúde humana são negligenciadas. A necessidade urgente de regulamentação é clara. Chega de expor a população a esses venenos prejudiciais à saúde.

Fonte: Brasil de Fato, FAO, Atlas dos Agrotóxicos e Friends of the Earth Europe, OMS, UFMG.


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Este texto foi originalmente publicado pela Midia Ninja [Aqui!].

Brasil ganha antiprêmio “Fóssil do Dia” na COP28 pela adesão à Opep+ 

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A empolgação na COP do ano passado era palpável, com o Brasil de Lula prometendo ser um sopro de ar fresco na condição de campeão do clima. Mas, o Brasil é o vencedor do Prêmio Fóssil do Dia de hoje (4/12), na COP28, que acontece em Dubai, pois parece ter confundido a produção de petróleo com liderança climática.

O Ministro das Minas e Energia do Brasil, Alexandre Silveira, achou apropriado anunciar a adesão à Opep+ no primeiro dia da conferência. Seguindo essa lógica distorcida, serão leiloados 603 novos blocos de petróleo, em 13 de dezembro, apenas um dia depois do término da COP28. Isso não pode ser coincidência, certo? A corrida do Brasil pelo petróleo mina os esforços dos negociadores brasileiros que estão tentando quebrar impasses antigos e agir com senso de urgência.

De acordo com a Agência Pública, matéria publicada ontem, as emissões esperadas de uma das novas fronteiras de petróleo que o Brasil deseja abrir, a Margem Equatorial (que inclui blocos na foz do Rio Amazonas), anularão os cortes de emissões alcançados com o desmatamento zero até 2030. Contrariamente, ao que as empresas de petróleo declaram, não é possível compensar a destruição de todo um ecossistema com uma boa ação.

Brasil, não queremos um tour pelos campos de petróleo quando estivermos em Belém em 2025. E, se você apenas quer se juntar a um clube, podemos sugerir que siga o exemplo do seu vizinho mais próximo, a Colômbia, assinando o Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis em vez da Opep+.

“Ao reduzir o desmatamento em 22% em apenas 11 meses no cargo, o presidente Lula deu uma das contribuições mais significativas para mitigar o aquecimento global em 2023. Porém, com um grande poder vem uma grande responsabilidade. Não se pode liderar o Sul Global contra a crise climática investindo no produto que a causa.” Claudio Angelo, coordenador de política internacional do Observatório do Clima.

Sobre o Fóssil do Dia

A premiação foi apresentada pela primeira vez nas negociações climáticas em 1999, em Bonn. Durante as negociações das COPs, os membros da CAN (Climate Action Network) votam nos países que fizeram o ‘melhor’ para bloquear o progresso nas negociações nos últimos dias de conversas. O prêmio é oferecido diariamente e apresentado às 18:00 (horário do local da COP). Neste ano, a cerimônia do Fóssil ocorre na Action Zone 9, perto da entrada.

Brasil é o 2º pior país no ranking de mobilidade social

Os brasileiros estão entre os que mais encontram dificuldade em ascender socialmente

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Mobilidade social se refere à mudança do indivíduo na hierarquia social ao longo do tempo, que atualmente é dividida em três grupos: classe baixa, classe média e classe alta.

Um importante indicador para se medir a mobilidade social, é a quantidade de gerações necessárias para uma família sair da classe baixa, até alcançar a classe média.

Neste quesito, o Brasil se encontra na 3ª pior posição do ranking, sendo necessários 9 gerações para a ascensão.

Este valor é substancialmente alto, uma vez que representa um valor duas vezes maior que média mundial, de 4,5 gerações.

É o que revela um estudo divulgado pela plataforma de cupons de desconto CupomValido.com.br com dados da OCDE sobre mobilidade social.

O Brasil só fica atrás da Colômbia, que necessita de incríveis 11 gerações para sair da classe baixa para classe média.

Mobilidade Social no Brasil

No Brasil, a hierarquia social pode ser dívida em 5 subgrupos de acordo com a renda mensal domiciliar:

  • Classe A: Superior a R$ 22 mil
  • Classe B: Entre R$ 7,1 mil e R$ 22 mil
  • Classe C: Entre R$ 2,9 mil e R$ 7,1 mil
  • Classes D/E: Até R$ 2,9 mil

Apenas 2,8% da população brasileira estão na classe alta (classe A), enquanto as classes B e C representam respectivamente 13,2% e 33,3%

Surpreendentemente, mais da metade de toda população brasileira (50,7%) estão na classe baixa (classes D e E).

Pai rico, filho rico. Pai pobre, filho pobre

A dificuldade em alcançar a mobilidade social é uma realidade em todas as classes sociais, mas é particularmente agravada na classe baixa.

Os filhos provenientes de famílias de baixa renda, têm maior probabilidade de frequentar escolas com baixa qualidade de ensino.

A falta de uma educação adequada, limita severamente as oportunidades desses jovens no mercado de trabalho, resultando em empregos mal remunerados, com poucas possibilidades de crescimento salarial, o que, por sua vez, contribui para a perpetuação do ciclo de pobreza.

FonteOCDECupomValido.com.br

Documentário inédito investiga os impactos do consumo excessivo das redes sociais no cérebro

O filme revela que brasileiros ficam, em média, 5 horas e 30 minutos por dia nas telas dos smartphones — mais de um terço do tempo em que estamos acordados

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Em um mundo cada vez mais acelerado, os smartphones se tornaram uma extensão de nós mesmos, proporcionando acesso instantâneo a uma infinidade de conteúdos. As redes sociais, em particular, têm um poder magnético graças aos reforços intermitentes habilmente incorporados em nossas experiências digitais. Para jogar luz sobre o tema, o documentário científico inédito “Dopamina – Os Efeitos das Redes Sociais no Cérebro”, a ser exibido com exclusividade no Curta!, parte de pesquisas e depoimentos com especialistas, e questiona com humor nossos hábitos e comportamentos relacionados aos aplicativos. A direção é de Léo Favier, com produção da ARTE France e da Les Bons Clients.

Laurent Madelain, especialista em comportamento humano, nos explica como esses reforços moldam nossas interações com os aplicativos. “Quando somos recompensados de forma imprevisível, seja com likes, mensagens ou descobertas inesperadas, nosso cérebro entra em um estado de antecipação. A incerteza dessas recompensas cria um loop vicioso, onde nos sentimos compelidos a rolar o feed em busca de mais gratificação”, explica.

Outros especialistas narram que, com o tempo, esse padrão de comportamento se transforma em hábito. A motivação inicial de receber recompensas é substituída pela rotina diária. Ao entrar no metrô ou esperar em uma fila, nosso cérebro automaticamente recorre ao telefone, sem pensar na possível recompensa. É como se a própria situação se tornasse um gatilho para o uso do smartphone.

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No entanto, esse hábito não é impulsionado apenas pelas recompensas imediatas. Mesmo que elas se tornem escassas ou inexistentes, ainda continuamos rolando o feed em busca de algo interessante. Essa busca incessante por estímulos novos e agradáveis é alimentada pela memória de experiências passadas e pela esperança de que algo valioso esteja à espreita nas próximas rolagens.

O resultado é um fenômeno crescente: passamos cada vez mais tempo em nossos smartphones, muitas vezes sem perceber a quantidade de horas que se acumulam ao longo do dia. A produção apresenta dados, revelando que na França e na Alemanha o tempo de tela já chega a 3h30 diárias, um aumento significativo em relação a alguns anos atrás. Nos Estados Unidos, esse número ultrapassa as 4 horas, superando o tempo gasto assistindo televisão. E no Brasil, atinge impressionantes 5h30, mais de um terço do tempo em que estamos acordados.

O documentário também levanta questionamentos no que se refere a essa conexão contínua com nossos dispositivos. “Estamos aproveitando ao máximo nosso tempo de forma produtiva? Ou estamos nos perdendo em um ciclo vicioso de hábitos digitais? É essencial refletirmos sobre nosso uso de smartphones e redes sociais, reconhecendo a importância de estabelecer um equilíbrio saudável entre a tecnologia e o mundo real”, questiona.

Embora as redes sociais proporcionem valiosas conexões e oportunidades, os profissionais entrevistados garantem que é crucial que sejamos mais conscientes sobre nossos comportamentos digitais. Ao estarmos cientes dos efeitos dos reforços intermitentes e dos hábitos que criamos, podemos fazer escolhas mais informadas e construtivas em nosso relacionamento com a tecnologia. Afinal, o poder de moldar nossas experiências digitais está em nossas mãos.

“Dopamina – Os Efeitos das Redes Sociais no Cérebro” pode ser assistido também no Curta!On – Clube de Documentários, disponível na Claro TV+ e em CurtaOn.com.br. Novos assinantes inscritos pelo site têm sete dias de degustação gratuita de todo o conteúdo. 

O documentário tem produção da ARTE France e Les Bons Clients. A estreia é na Sexta da Sociedade, 25 de agosto, às 23h.

Sexta da Sociedade (História Política, Sociologia e Meio Ambiente) – 25/08

23h – “Dopamina – Os Efeitos das Redes Sociais no Cérebro” (Documentário)

Facebook, WhatsApp, Instagram, Tiktok… O que acontece em nosso cérebro para que consultamos compulsivamente esses aplicativos sociais? Bem-vindo ao mundo da dopamina, uma molécula que a indústria de tecnologia sequestrou para melhor capturar nossa atenção e nos tornam cada vez mais viciados. Direção: Léo Favier. Duração: 52 min. Classificação: Livre. Horários alternativos: 26 de agosto, sábado, às 03h e às 16h30; 27 de agosto, domingo, às 22h.

Produção de ciência no BR caiu pela 1ª vez em 2022; queda em número de artigos foi observada em 23 países

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Foto: Julia Klobitz / UNSPLAS

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A produção científica mundial cresceu 6,1% em 2022 em relação ao ano anterior. Apesar do saldo global positivo, 23 países tiveram queda no número de artigos científicos publicados em 2022 em relação a 2021 — incluindo, de maneira inédita, o Brasil. O país vinha crescendo sua produção de artigos anualmente desde que os dados começaram a ser tabulados (em 1996).

Nesse cenário, 2022 se tornou o ano com a maior quantidade de países que perderam produção científica na história. O recorde anterior tinha sido em 2002, quando 20 países observaram queda no número de artigos científicos publicados em relação ao ano anterior (2001).

As informações inéditas são do relatório da Elsevier-Bori “2022: um ano de queda na produção científica para 23 países, inclusive o Brasil” lançado nesta segunda (24). Os dados são da base Scopus/Elsevier e, para os cálculos, foi usada a ferramenta analítica SciVal/Elsevier. O relatório analisou todos os países que publicaram mais de 10 mil artigos científicos em 2021 — em um total de 51 países.

O documento mostra que o Brasil teve um decréscimo de 7,4% na sua produção científica em 2022 em comparação ao ano anterior. A queda na quantidade de ciência brasileira em 2022 se assemelha à da Ucrânia, país que entrou em guerra naquele ano. Brasil e Ucrânia tiveram a maior perda de produção científica entre os países analisados.

Fonte: Elsevier

Os dados vêm à tona na semana da reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), que acontece de 23 a 29 de julho na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. É o principal evento científico do país, que debate, também, o estado da arte e os rumos da ciência brasileira.

“É muito provável que o decréscimo no último período se deva, em boa parte, aos efeitos da pandemia, especialmente considerando-se o número de países afetados”, diz Carlos Henrique de Brito Cruz, Vice-presidente Sênior de redes de Pesquisa da Elsevier.

Em sentido contrário, países como China e Índia apresentaram crescimento significativo na produção científica em 2022 em relação a 2021 — em torno de 20%. A Índia, aliás, superou o Reino Unido pela primeira vez, passando a ser o 3º país com mais publicações no mundo, depois de China e EUA.

Ciência brasileira

No Brasil, com exceção da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), todas as instituições de pesquisa do país sofreram redução importante na produção científica em 2022 em relação a 2021. Foram consideradas as instituições de pesquisa do país com mais de mil artigos científicos publicados em 2021 — o que resultou em um total de 35 analisadas.

O relatório Elsevier-Bori mostra, ainda, que as Ciências Agrárias — área especialmente importante para o país — teve um decréscimo maior na produção científica do que a média nacional: 13,7% artigos científicos publicados de 2021 para 2022.

“A queda inédita da produção científica brasileira também acompanha os expressivos cortes orçamentários de recursos públicos para pesquisas dos últimos anos, o que precisa ser analisado em futuros documentos”, diz Estêvão Gamba, cientometrista e cientista de dados da Agência Bori.

Este é o segundo relatório da parceria entre a editora científica Elsevier e a Bori, que pretende analisar, periodicamente, a ciência brasileira e disponibilizar essas informações para jornalistas. O primeiro, A pesquisa brasileira sobre oceanos – Estado da arte da produção científica do Brasil de 2017-2022”, trouxe uma análise da produção científica especificamente na área de Oceanos. A ideia é ter um retrato da produção científica nacional e munir o debate público com informações relevantes para políticas científicas e para tomadas de decisão.


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Este texto foi originalmente publicado pela Agência Bori [Aqui!].

Pesquisa sobre microplástico dispara no Brasil; tema se tornou um dos principais na área de Oceanos

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Foto: Soren Funk/ Unplash

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Em seis anos (2017 a 2022), o número de pesquisas no Brasil sobre “microplástico” aumentou 560%. O tema insere-se num universo de mais de oito mil artigos sobre oceanos publicados por instituições brasileiras no período. Os dados estão em relatório inédito lançado na segunda (5) pela editora científica Elsevier com a Bori. O documento inaugura a parceria entre Elsevier e Bori no sentido de analisar, periodicamente, dados da produção científica brasileira e disponibilizá-los a jornalistas.

A pesquisa faz um mapeamento da produção científica do Brasil sobre os oceanos, de 2017 a 2022, com uso das ferramentas Scopus e SciVal, essa última desenvolvida pela Elsevier, que mapeia publicações científicas em documentos públicos utilizados em tomadas de decisão mundo afora. A ideia é entender o foco que a ciência brasileira dá ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (ODS 14), “Vida abaixo da água”, da Organização das Nações Unidas (ONU), já que o Brasil tem uma das maiores zonas costeiras do mundo, com 8 mil quilômetros de extensão em linha contínua de costa.

O documento mostra que, de 2012 a 2021, houve um crescimento de 12% ao ano nas publicações brasileiras sobre Oceanos. Além do tema “microplástico”, os temas “seashore” (costa marinha), “aquaculture” (aquicultura) e “Oreochromis Niloticus” (tilápia) compõem a lista de temas mais relevantes dos artigos produzidos por pesquisadores brasileiros relacionados ao ODS 14. Apesar de aparecerem em 2.000 (seashore), 1.230 (aquaculture) e 562 (Oreochromis Niloticus) artigos, a referência a esses temas diminuiu – principalmente a partir de 2021.

A possibilidade de relacionar o conteúdo de publicações científicas com Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) tem trazido informações importantes sobre os alvos de pesquisa em regiões ou instituições, segundo aponta Carlos Henrique de Brito Cruz, Vice-presidente Sênior de redes de Pesquisa da Elsevier. Ele observa que, no caso brasileiro, há um crescimento acima da média do país em estudos sobre o ODS 14. “Este crescimento mostra como a comunidade científica no país tem escolhido focalizar seus esforços em temas de grande relevância para o avanço do conhecimento e, ao mesmo tempo, para os objetivos de sustentabilidade planetária”.

Na 11ª posição mundial entre países que mais publicam estudos sobre oceanos, o Brasil tem uma pesquisa com importância internacional: cerca de 40% das publicações são fruto de colaborações com instituições de pesquisa estrangeiras. Além disso, elas alcançaram um impacto de citações 2% acima da média mundial de citações.

Esse é o caso do artigo Studies of the effects of microplastics on aquatic organisms: What do we know and where should we focus our efforts in the future?, publicado em 2018 na revista “Science of the Total Environment”. Com colaboração brasileira, da Universidade Federal de Goiás (UFG), e autoria de pesquisadores das universidades da Suécia, de Aveiro, em Portugal, e de Queensland, na Austrália, o trabalho é uma das cinco publicações mundiais mais citadas sobre microplástico. Seu impacto de citações normalizado é igual a 7,79, ou seja, 679% acima da média mundial de citações, que é 1. O impacto de citações é medido pela quantidade de vezes que um artigo científico é mencionado em outras publicações do mesmo tipo, disciplina e ano de publicação.

A Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e as universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ), Santa Catarina (UFSC) e de Rio Grande (FURG) são as instituições que mais publicaram pesquisas sobre oceanos nos cinco anos analisados, reunindo mais de 3 mil publicações. Em seguida, aparecem as universidades federais do Paraná (UFPR), Fluminense (UFF), Pernambuco (UFPE) e Ceará (UFC). A maioria dos estudos são das áreas de agricultura (57%), ciências ambientais (42%) e ciências da terra (25%).

Os impactos da pesquisa em políticas públicas

Os dados dão, ainda, uma dimensão sobre o impacto da pesquisa brasileira sobre oceanos em políticas públicas: 4.8% dos 8 mil artigos foram citados e embasaram tomadas de decisão sobre proteção de oceanos. Grande parte das menções aos estudos foram feitas pela FAO (Food and Agriculture Organization), União Europeia e United Nations Environment Programme.


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Este texto foi originalmente publicado pela Agência Bori [Aqui!].

Brasil é o 4º país com a maior taxa de desemprego no mundo

País tem uma das maiores taxas do ranking, em 4ª posição no G20 e na América Latina

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Com 9,4 milhões de desempregados, o Brasil é o 4ª país com mais desempregados do G20.

Somente a África do Sul, Espanha e Turquia ficam a frente do Brasil, que possui 8,8% de desempregados.

Na ponta oposta, Singapura é o país com a menor taxa de desemprego, com apenas 1,8%.

É o que revela um estudo divulgado pela plataforma de descontos CupomValido.com.br sobre os dados de desemprego.

Ao comparar com países da América Latina, o Brasil também fica na 4ª posição, atrás do Haiti, Costa Rica e Colômbia.

Já a Guatemala é o país que tem a menor taxa de desemprego na América Latina, com 2,2%.

Cenário de Desemprego no Brasil

Com 12,2% de desempregados, o Nordeste é a região com a maior taxa de desempregados do Brasil.

O valor é mais que duas vezes o valor da região Sul, com 5,0%, sendo a região com a menor taxa.

O Centro-Oeste, Sudeste e Norte, estão respectivamente com as taxas: 7,0%, 8,6% e 9,1%.

No Brasil existem 97,8 milhões de pessoas ocupadas (que exerce atividade profissional, seja formal ou informal), e o valor expressivo de 9,4 milhões de desempregados.

Um outro número que impressiona, é a quantidade de desalentados (pessoas que desistem de procurar emprego). Atualmente existem mais de 3,9 milhões de desalentados no Brasil.

Carne representa 86% da pegada de carbono na dieta dos brasileiros, mostra pesquisa

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De 2008 a 2017, a presença da carne aumentou 12% no prato dos brasileiros de todas as faixas de renda. Por isso, o consumo deste alimento contribui com 86% da pegada de carbono da dieta, um indicador de emissão de carbono na atmosfera. Os dados são da análise de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) publicada hoje (31) no periódico científico “Environment, Development and Sustainability”. 

O estudo foi realizado a partir da análise da Pesquisa de Orçamento Familiar, nos anos 2008 e 2017, que divulgou informações sobre consumo individual e também do  preço dos alimentos. “Juntar informações sobre consumo e preço dos alimentos não é muito comum na literatura científica. Essa é uma inovação do artigo”, explica Aline Martins de Carvalho, docente da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Nele são especificados as características do consumo de acordo com cada tipo de carne. Entre todos os grupos, o consumo de peixe reduziu 23%; de porco aumentou 78%; frango, 36%; e a carne bovina não apresentou mudanças expressivas no consumo no período analisado, apesar de ser a carne mais consumida pelo brasileiro.

A partir de um recorte de renda, os pesquisadores constataram que as famílias mais pobres, com menos de meio salário mínimo por pessoa, não aumentaram o consumo total de carne no período analisado. Este grupo reduziu o consumo de peixe, mas as refeições com frango e porco aumentaram. Dessa forma, seu impacto ambiental foi menor que os demais grupos. Entretanto, isso pode ter se dado pelo preço, acesso e aspectos sociais envolvidos no consumo de carne.

De acordo com Carvalho, o consumo da carne em altas quantidades impacta o meio-ambiente e a saúde das pessoas, aumentando o risco  de quadros de câncer de intestino, hipertensão, diabetes e obesidade. Dessa forma, reduzir o seu consumo é uma saída importante, mas não é a única para melhorar a saúde das pessoas e do planeta. “Também é preciso verificar relações de preço, acesso, cultura, consumo e sustentabilidade nos diferentes grupos econômicos”, recomenda a pesquisadora.

Além disso, a nutricionista reforça a importância de discutir os impactos do consumo de carne com a população por meio das políticas públicas. “É necessária também uma abordagem inter e transdisciplinar para investigar as variações do consumo de carne no Brasil, com foco nos valores e na intencionalidade dos sujeitos”, conclui a autora do artigo. 


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Este texto foi originalmente produzido pela Agência Bori [Aqui!].

A posse de Lula representa uma virada no Brasil

lulaEm 1º de janeiro, Luiz Inácio Lula da Silva, de 77 anos, assumirá pela terceira vez a presidência do Brasil, cargo que ocupou de 2003 a 2010. Naquela época, ele conseguiu grandes sucessos na luta contra a pobreza. Foto: AFP/Evaristo Sat

Por Martin Ling para o “Neues Deutschland”

Em termos de política externa, amanhece um momento de esperança e, em termos de política interna, um momento de tensão. Com o ano novo, um velho conhecido, Luiz Inácio “Lula” da Silva , assume a presidência do Brasil; Afinal, o dirigente de 77 anos já cumpriu dois mandatos (2003-2010). 

Na América Latina e no mundo, isso gera grandes esperanças. Na América Latina, há esperanças de mais cooperação e integração regional, depois que o ultradireitista Jair Bolsonaro cultivou seu “Brasil acima de tudo e Deus acima de tudo” e se orientou principalmente para Donald Trump nos EUA em vez de um contrapeso no subcontinente. Espera-se que Lula em todo o mundo interrompa o desmatamento acelerado da floresta amazônica, que atingiu níveis recordes sob o governo de Bolsonaro. Lula prometeu que: “O Brasil está pronto para retomar seu papel na luta contra a crise climática”.

Lula fez muitas promessas durante a campanha eleitoral – a resistência à implementação de seus planos será grande. As perspectivas econômicas estão severamente obscurecidas pelas consequências da guerra na Ucrânia e certamente não facilitarão a integração regional que Lula e os demais chefes de governo de esquerda da América Latina têm em mente. O fato de haver algum esforço de cooperação regional é um passo à frente. Juntos, podemos enfrentar melhor a crise.

Lula pode contar com vento favorável internacionalmente, mas não internamente. Os planos de ataque frustrados e os alertas de bomba antes de assumir o cargo são sinais do país polarizado e dividido que Bolsonaro deixou para trás. Trazer a paz a este país será uma tarefa hercúlea. Para isso, Lula vai precisar de toda a sua experiência e habilidade tática.


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Este artigo escrito originalmente em alemão foi publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].