Atos pró-governo Bolsonaro encolhem e dependem cada vez mais de ângulos fechados para criar multidões

tamanhos ilusóriosMesmo ato pró-governo Bolsonaro em Brasília com dois ângulos completamente distintos: qual é afinal o tamanho da multidão?

Os últimos atos realizados por militantes pró-governo Bolsonaro (muitos deles detentores de cargos comissionados na esplanada dos ministérios em Brasília) estão mostrando um claro encolhimento em número de participantes. A saída para tentar passar a imagem de uma força política inexistente tem sido o uso amplo de imagens com ângulos fechados no presidente Jair Bolsonaro. Esse é um truque manjado que qualquer cinegrafista ou fotógrafo recorre para não deixar quem paga pelas imagens em maus lençóis.

Vejamos por exemplo o ato que foi realizado hoje em Brasília para que o presidente Jair Bolsonaro possa fazer aquele costumeiro passeio onde ele vai de encontro a todas as regras sanitárias definidas pelo próprio Ministério da Saúde.  As informações que chegam pela mídia corporativa são um tanto vagas, pois não fica claro qual teria sido o número de aficionados que decidiram desconhecer o risco causado pelo coronavírus para ir fazer a costumeira pregação contra o congresso nacional e o Supremo Tribunal Federal.

O problema para aqueles que querem gerar imagens fechadas é que hoje existem os drones que podem gerar imagens aéreas que acabam jogando por terra essa tática.  Uma boa demonstração disso é o vídeo abaixo que mostra duas perspectivas acerca do tamanho da “multidão” que teria ido hoje apoiar o presidente Jair Bolsonaro.

Como se vê no vídeo, dependendo do ângulo utilizado o tamanho imaginado da multidão varia bastante, indo de uma multidão expressiva a um bando de gato pingados.  O psicólogo estadunidense Albert Ellis dizia que “o que importa não são os fatos, mas o significado que esses fatos têm para cada pessoa” Melhor ainda é quando se tem uma máquina de propaganda para se criar multidões ilusórias. 

Mas com a existência dos drones e das tomadas aéreas até isso tem o seu limite. E pensando bem, viva os drones!

Equipe de canoagem feminina do DF é destaque em festival internacional

Grupo Canomamas representou o Brasil na competição, que aconteceu entre os dias 1º e 9 de julho. Elas venceram três das quatro baterias do evento

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As meninas do Canomamas fizeram bonito em Florença, na Itália, entre os dias 1º e 9 de julho. A equipe brasiliense formada por mulheres que venceram o câncer de mama foi destaque no Dragon Boat Festival. A competição reuniu cinco mil mulheres, de todos os continentes, em 197 equipes.

De quatro baterias de competição, a equipe conquistou três delas. Esta foi a primeira vez que o Brasil participou do festival.

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A associação Canomama foi criada em 2017 com a missão de atuar entre mulheres que passaram pelo tratamento do câncer de mama. O principal objetivo do grupo é proporcionar a reabilitação delas com a prática da canoagem polinésia e do bote-dragão, para garantir melhor qualidade de vida. O time é formado por sobreviventes, entre elas: Barbara Matos, Deyse Fernandes, Larissa Lima, Lourinete Santana, Luciene Araújo, Margareth Vidal, Rozélia Silva, Sabrina Capita, Sara Martins, Suzana Dallet e Thaís Madureira.

FONTE:  Objetiva Comunicação e Assessoria

Violência em Brasília mostra os limites do golpe e escancara a fraqueza de Michel Temer

Uma manifestação realizada por movimentos sociais e sindicatos foi reprimida duramente pela Polícia Militar do Distrito Federal na tarde desta 3a. feira (29/11), numa repressão que lembra os piores momentos da Ditadura Militar de 1964. 

Essa repressão toda em meio à discussões dentro do Senado Federal que conta com uma clara maioria para congelar investimentos públicos pelas próximas duas décadas, contraditoriamente, representa e explicita a falência do governo “de facto” de Michel Temer.  É que para começo de conversa, governo que tem o controle político da situação não precisa reprimir ninguém e, tampouco, com a ferocidade com que a perseguição aos quase 12.000 manifestantes se deu hoje em frente do congresso nacional.

É que essa repressão toda, com um congresso completamente controlado e submisso aos interesses dos grandes bancos e instituições financeiras que comandam a economia mundial, representa um reconhecimento tácito de que Michel Temer e seu governo “de facto” perderam o controle da situação e lançam mão da repressão policial para conter, momentaneamente as manifestações contrárias aos planos de desmanche do Estado brasileiro e de retirada de direitos sociais e trabalhistas.

A questão agora é de verificar como os protestos  vão evoluir em diferentes partes do território brasileiro.  O fato é que depois do imbróglio envolvendo Geddel Vieira Lima e a prisão de Sérgio Cabral, o PMDB se tornou a bola da vez em termos de atrair a ira popular. A aprovação da PEC da Maldade somente servirá para que os protestos ganhem momento e se espalhem. A ver!

Liberticídio de Brasília

Por João Batista Damasceno

“Prisões para evitar manifestações é o apogeu do Estado Policial. Mas o liberticídio não é coisa de reles chefes das polícias estaduais; é parte de uma política federal de repressão aos movimentos sociais em todo o país e se intensificou após reunião de secretários de segurança no Ministério da Justiça. O governo federal tem atuado na esfera reservada pela Constituição aos estados, e os governantes locais aproveitam a oportunidade para exercitar seus desejos mórbidos, pondo suas polícias contra a sociedade, tal como no tempo do Dops. O emprego das Forças Armadas como polícia é emblemático. Setores do próprio Judiciário funcionam nestes episódios como força subalterna, abdicando indevidamente do papel de garantidores dos direitos.”

O ministro da Justiça se manifestou sobre prisões de pessoas previamente à prática de ilícitos e expressou não haver ilegalidade, pois atendidos os requisitos formais. Tal pensamento é similar ao dos gorilas que sequestraram as liberdades em 1964, período no qual — atendidos os requisitos formais — não se permitia analisar a substância dos atos, sobretudo durante a vigência do AI-5. Por vezes, formalidades davam roupagem de aparente legalidade à prisão, mesmo ante a falta de fundamento que lhe desse legitimidade.

Os gorilas violaram a Constituição sob o fundamento de que o poder revolucionário, que se atribuíam, era constituinte. Em 1969 editaram a Emenda Constitucional 1. Outorgaram uma Constituição, mas, do ponto de vista formal, era só uma emenda.

Prisões para evitar manifestações é o apogeu do Estado Policial. Mas o liberticídio não é coisa de reles chefes das polícias estaduais; é parte de uma política federal de repressão aos movimentos sociais em todo o país e se intensificou após reunião de secretários de segurança no Ministério da Justiça. O governo federal tem atuado na esfera reservada pela Constituição aos estados, e os governantes locais aproveitam a oportunidade para exercitar seus desejos mórbidos, pondo suas polícias contra a sociedade, tal como no tempo do Dops. O emprego das Forças Armadas como polícia é emblemático. Setores do próprio Judiciário funcionam nestes episódios como força subalterna, abdicando indevidamente do papel de garantidores dos direitos.

Movimentos sociais têm sido cooptados e seduzidos por custeios e oportunidades de negócios ou severamente trucidados. A presidenta Dilma Rousseff, em entrevista na Globo News, após o jogo do Brasil com a Holanda, falou da “política federativa de segurança” e do “padrão de segurança na Copa”. Mas não se implementou política de investigação dos homicídios de trabalhadores, de jovens e de negros nas periferias, nem das violações reiteradas aos direitos humanos.

Um sistema que precisa prender advogados e filósofos para se manter demonstra falta de razão para convencer dos fundamentos que o legitima. Mais do que uma demonstração ao capital financeiro internacional de que o Brasil é um país seguro para suas especulações, a política repressiva visa a afastar a pretensão popular de participação na vida pública.

Benedito Valares, velho político mineiro, dizia gostar do povo visto do palanque, pois lá estava para aplaudi-lo. Anastácio Somoza, ditador nicaraguense derrubado pela Revolução Sandinista em 1979, dividia o povo em três categorias: os amigos, a quem dava ouro; os indiferentes, a quem dava prata, e os inimigos, a quem destinava chumbo. No Brasil, quem ficou com o ouro foi a Fifa. Aos que não se domesticaram para receber a prata restaram chumbo, remoções, repressão brutal e prisões.

Publicado originariamente no jornal O DIA, em 20/07/2014. Link:http://odia.ig.com.br/noticia/opiniao/2014-07-19/joao-batista-damasceno-liberticidio-de-brasilia.html