A política neoliberal massacra a UENF… mas ela resiste!

2891b-sos2b9

Por Bruno Costa*

Querem deixar a Universidade Estadual do Norte Fluminense no escuro. Sem iluminação no espaço, sem luz para as pesquisas e com salários atrasados de seus servidores, a instituição resiste com sua greve de professores em busca direitos irrestritos. A proposição nos remete a uma política neoliberal de esfacelamento das universidades públicas. A velha faceta dos sombrios anos FHC da reprovação das instituições públicas para ali na frente privatizá-las.

Foi assim com a Vale, Embratel, CERJ, será com a CEDAE caso não haja uma grande mobilização, será com a Petrobras e também com as universidades estaduais: UERJ, UEZO e UENF. Dentro de um processo sistêmico e planejado pelas elites dominantes, articula-se o crime perfeito. Vendas subfaturadas apoiadas pela população passam às mãos de um mesmo nicho dominante, sistematicamente encabeçados por políticos ou laranjas, uma meia dúzia de milionários (até bi) que se apropriam dos recursos da nação com a retórica da corrupção estatal e da necessidade da gestão privada para garantir a qualidade dos serviços, deixando a população amargando na miséria. Tal fato sabemos que não é verdade visto a precariedade dos serviços de telefonia, elétricos, educação privada nas universidades, planos de saúde, dentre tantos outros, mas os lucros continuam exorbitantes e quando contrário, perdões de dívidas e financiamentos com dinheiro público.

Assim estão buscando concretizar esta política neoliberal de privatização da UENF. Percebi estupefato que alguns alunos da universidade compactuam com tal arbitrariedade e covardia. Não tenho informações sobre a origem secundarista e nem quais graduações cursam na instituição idealizada por Brizola e Darcy. Observei boquiaberto algumas publicações como:

“Da próxima assembleia, proponha um abaixo-assinado para doarmos a UENF pra vcs, grevistas, porque daqui a um tempo vai sobrar só vcs ai dentro!!!!”; “A pergunta que não quer calar. A quem interessa a greve? Já são quase um ano parados na aula, prejuízo em cima de prejuízo.”; “Sera que os senhores estão pensando no futuro dos estudantes e nas famílias que estão bancando alimentação, aluguel, etc…..”

Provoca-se, então, uma triste inversão dos fatos: as vítimas se tornam culpadas. O desastroso governo Pezão que deveria ser rechaçado, governo este que recheia o bolo de grandes empresários com isenções fiscais é o mesmo que massacra as universidades, um governo respaldado numa crise seletiva – para uns setores há crise, para outros não. Enquanto isso, professores-doutores sem salários são criminalizados e o campus continua sem qualquer estrutura mínima de funcionamento. O momento é de luta! Há tempos a Aduenf denuncia o descaso com as pesquisas e com os profissionais da instituição (leia Aqui!).

uenf greve

Fui aluno do Mestrado em Políticas Sociais na UENF e neste período houve greve. Fiz técnico e tecnológico (ETFC/Cefet), hoje IFF, e passei por diversas greves. Fui aluno nos anos 80 de escola pública estadual em minha cidade e passei por inúmeras greves. A história nos mostra que só com mobilização, paralisação, articulação e greve o funcionalismo, o cidadão, consegue ainda buscar um lugar digno na sociedade. O que se tem de direito hoje aí que muitos usufruem foi pela luta de muitas lá atrás, inclusive com a própria vida. O capital que nos domina prefere o status quo e a tranquilidade da ociosidade reivindicatória. Banqueiros lucram bilhões com apoio governamental e bancários mínguam. Políticos corruptos saqueiam os cofres públicos e a população na miséria.

Neste ritmo, alunos que reclamam que pagam aluguel em momento de greve, passarão a pagar também mensalidades absurdas e pior, sem qualquer qualidade no ensino universitário. Há os que defendem esta barbárie. Tentam sabotar o movimento, mas a UENF há de resistir.

*Bruno Costa é jornalista e Mestre em Políticas Sociais pela UENF.

Imagens inéditas da paralisação total das obras do Porto do Açu

Para quem achava que a saída de Eike Batista e a entrada do fundo estadunidense EIG ia resolver num passe de mágica os graves problemas que afligem as obras do Porto do Açu em São João da Barra, o dia de hoje deve estar servindo como um verdadeiro “wake up call”. Afinal, pelo que está transpirando, o descumprimento dos direitos trabalhistas continua, ocasionando um novo movimento grevista que está se alastrando por todas as empresas que ainda realizam ativididades no Açu.

baixo seguem imagens da mobilização dos trabalhadores que hoje para novamente a construção do Porto do Açu. As imagens são do jornalista Bruno Costa do site “quotidiano.com.br”.

manifestação manifestação2 manifestação3 manifestação4 manifestação5 manifestação6 manifestação7