A ‘entrega da Amazônia a bandidos por Jair Bolsonaro contribuiu para os assassinatos de Phillips e Pereira’

O desmantelamento de salvaguardas ambientais do presidente brasileiro é parcialmente culpado, diz político que lidera inquérito

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Randolfe Rodrigues, senador brasileiro que lidera um inquérito do Congresso sobre os assassinatos de Dom Phillips e Bruno Pereira, visita a região amazônica onde eles foram mortos. Fotografia: Roberto Stuckert

Por Tom Phillips para o “The Guardian”

A demolição dos serviços de proteção ambiental e indígena do Brasil por Jair Bolsonaro e a “entrega da Amazônia aos bandidos” desempenharam um papel direto nos assassinatos de Dom Phillips e Bruno Pereira, afirmou o político que lidera um inquérito do Congresso sobre o crime.

Um mês após o assassinato do jornalista britânico e defensor do índio brasileiro no rio Itaquaí, três homens estão presos: dois pescadores locais e um terceiro homem chamado Jeferson da Silva Lima.

A polícia federal inicialmente descartou o envolvimento de um mentor criminoso mais poderoso em uma região sem lei no coração do tráfico de drogas da América do Sul, embora os investigadores estejam examinando se o crime foi um assassinato ordenado.

Seja qual for a verdade, o político que lidera uma investigação do Senado sobre os assassinatos alegou que o presidente de extrema direita do Brasil também tinha culpa significativa por ter paralisado as agências de proteção que poderiam ter mantido os homens seguros durante sua viagem à região remota do Vale do Javari.

“O governo é cúmplice direto e participante dos assassinatos dos dois homens”, disse Randolfe Rodrigues, senador da oposição do estado do Amapá, no Amazonas.

“A política do governo Bolsonaro de desmantelar e desestruturar [as salvaguardas indígenas e ambientais] é responsável direta pelo ponto que o Vale do Javari chegou.”

Rodrigues, que visitou a região na semana passada, lembrou como Bolsonaro uma vez repreendeu publicamente Phillips quando o jornalista britânico o desafiou sobre o desmatamento crescente. “A primeira coisa que você precisa entender é que a Amazônia é do Brasil, não sua”, disse o nacionalista brasileiro a Phillips, um colaborador de longa data do  “The Guardian”.

O senador afirmou que Bolsonaro cedeu o controle da Amazônia para gangues de garimpeiros, caçadores e pescadores ilegais ligados ao crime organizado, abrindo caminho para o tipo de violência que custou a vida de Phillips e Pereira.

“Bolsonaro entregou a Amazônia aos bandidos, ao crime – e o que aconteceu com Dom e Bruno ilustra isso”, disse o senador, denunciando o naufrágio sistemático das agências indígenas e ambientais do Brasil desde que Bolsonaro assumiu o cargo em 2019.

“Não há mais presença estatal na região do Vale do Javari. O Vale do Javari não tem mais [o órgão ambiental] Ibama para coibir o crime ambiental. [A Agência Indígena] A Funai e os poucos especialistas indígenas que permanecem estão enfrentando ameaças de morte e intimidações. Há um número insuficiente de policiais federais lá e o exército brasileiro também não tem tropas suficientes”, disse Rodrigues.

“A região está entregue à pesca ilegal, à caça ilegal [e] ao garimpo ilegal – tudo ligado ao narcotráfico”, afirmou o senador. “Jair Bolsonaro falou em não entregar a Amazônia – mas a entregou ao pior banditismo que existe.”

A presidência do Brasil não respondeu a um pedido para comentar as reivindicações. 

Randolfe Rodrigues visita região amazônica onde foram mortos na semana passada

Randolfe Rodrigues visita a região amazônica onde Dom Phillips e Bruno Pereira foram assassinados. Fotografia: Roberto Stuckert

Membros do comitê de nove senadores de Rodrigues voaram para Atalaia do Norte, o portal ribeirinho para o Vale do Javari, na semana passada para reunir depoimentos para sua investigação de dois meses.

O político disse estar chocado com a “total ausência de presença e autoridade do Estado” ali. Ele temia mais derramamento de sangue à medida que criminosos ambientais fortemente armados continuavam avançando no território indígena do Vale do Javari supostamente protegido para saquear suas riquezas naturais. A vasta extensão de rios e selva, sobre a qual Phillips estava relatando quando foi morto, abriga a maior concentração de tribos isoladas da Terra.

“A região está à beira de um grave colapso humanitário”, alertou Rodrigues.

“Esses criminosos chegam armados com fuzis e quando encontram os povos isolados, os isolados reagirão a eles. Dado que os [criminosos] estão muito mais bem armados, vão promover um tremendo banho de sangue. Não há estado para proteger os povos indígenas lá.

Rodrigues admitiu que seu comitê teria apenas um efeito “paliativo” dada a oposição de Bolsonaro às proteções ambientais e indígenas. “Enquanto Jair Bolsonaro continuar governando, uma mudança de paradigma é inconcebível”, admitiu Rodrigues, que esperava que os eleitores acabassem com “o pesadelo de Bolsonaro” nas eleições presidenciais de outubro. Pesquisas sugerem que Bolsonaro perderá esse voto para o ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, cuja campanha Rodrigues está ajudando a coordenar.

No entanto, o senador disse que a comissão fará recomendações concretas, incluindo a destituição do chefe da Funai indicado por Bolsonaro e “uma ofensiva anticrime determinada” no Vale do Javari.

Rodrigues relembrou sentir-se impotente com os assassinatos de Phillips e Pereira e perceber que a região havia sido “conquistada pelo crime”.

“Era como se a seleção brasileira tivesse acabado de sofrer o quinto gol em uma partida da Copa do Mundo e não tivesse a menor esperança de revidar.” ele disse.

Ele ficou indignado com a tentativa de Bolsonaro de difamar os dois mortos, ao insinuar que eles eram responsáveis ​​por suas próprias mortes terem empreendido uma “aventura” imprudente. “Mas, ao mesmo tempo, me deu muita coragem para lutar ainda mais contra ele. Bolsonaro é… um dos piores fascistas que a humanidade já produziu”, disse Rodrigues.

Phillips havia relatado extensivamente sobre o desmantelamento das salvaguardas ambientais e indígenas no Brasil desde que o antecessor conservador de Bolsonaro, Michel Temer, assumiu o cargo após o impeachment de Dilma Rousseff em 2016.

“Na base da Funai em Atalaia do Norte, cidade mais próxima da reserva [do Javari], os telefones estão cortados e a internet parou de funcionar. Contratos de combustível e outros suprimentos estão sendo encerrados em meio a rumores de que será fechado”, escreveu Phillips em 2018.

No ano seguinte, ele viajou para o território Yanomami para relatar como milhares de garimpeiros ilegais invadiram aquelas terras. “A atual  invasão piorou depois que Bolsonaro assumiu o cargo”, relatou Phillips .

Rodrigues disse que é crucial que o trabalho de Phillips e Pereira seja mantido vivo. “Não podemos permitir que sejam esquecidos… A sociedade – não apenas a sociedade brasileira ou a sociedade amazônica – mas a sociedade global deve manter seus olhos na Amazônia… Devemos sempre nos levantar e nos fazer ouvir.”


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Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

O Oeste selvagem da Amazônia: onde drogas, peixes e extração de madeira valem muito dinheiro, mas a vida é barata

Negócios ilegais formam uma teia interligada na região remota brasileira onde Dom Phillips e Bruno Pereira foram mortos, ameaçando comunidades indígenas e ecologia local

pirarucuUm pescador carrega um grande pirarucu – um peixe gigante da Amazônia que pode ser vendido por US$ 1.000 por unidade. Fotografia: Ricardo Oliveira/AFP/Getty Images

Por Oliver Laughland e Roberto Kaz no Rio Itaquaí para o “The Guardian”

Perto de uma curva fechada do rio Itaquaí, empoleirada em uma margem íngreme e lamacenta, uma estrutura de madeira solitária marca o último posto avançado de uma frágil resistência.

Este é o posto de controle informal usado pelo defensor dos direitos indígenas Bruno Pereira, um barraco isolado que ele esperava que pudesse ajudar a conter o crime organizado desenfreado que ameaça a floresta tropical intocada do remoto Vale do Javari, os ecossistemas dentro dele e as comunidades indígenas que o chamam de lar .

Mas duas semanas depois que os corpos de Pereira e do jornalista Dom Phillips foram recuperados, há pouco aqui para sugerir qualquer melhoria na segurança.

O posto avançado é frequentado de forma intermitente por membros da Univaja, o coletivo de direitos indígenas para quem Pereira trabalhou. Mas atualmente é ocupado por um morador solitário: um peruano de 76 anos chamado Juan da Silva e seu vira-lata labrador preto. Equipado com uma tocha, uma vara de pescar, algumas latas de comida e ocasionalmente um rádio, ele teme por sua vida todas as noites.

“Quero sair daqui”, diz Silva. “Eu não quero morrer. Eu quero viver.”

O posto avançado é onde Phillips e Pereira dormiram na noite anterior à morte. Da Silva aponta para os ganchos que prendiam suas redes, presos a postes de madeira sob uma pequena varanda.

Pereira dormiu no lado direito do prédio, que dá para um pequeno estuário usado por pescadores ilegais para entrar em um lago com milhares de valiosos pirarucu – e um caminho para a terra indígena que escapa de um posto de controle do governo alguns quilômetros rio acima.

“Os pescadores ficam muito zangados se não os deixamos passar”, diz Silva, apontando para o riacho, onde um martim-pescador de crista desgrenhada está sentado em um galho vasculhando a água. “Às vezes não consigo detê-los, porque se o fizesse, eles me matariam.”

Tais são os contrastes nesta parte subnotificada da floresta amazônica, ondemagníficas belezas naturais se tornaram pano de fundo para o aumento da violência e da impunidade . É o cenário para uma batalha pelo acesso a recursos que se intensificou após a eleição do presidente de extrema direita do Brasil, Jair Bolsonaro, em 2018.

Autoridades policiais dizem que o Vale do Javari, uma área do tamanho de Portugal e lar da maior concentração mundial de tribos indígenas isoladas, é agora a segunda maior rota de tráfico de drogas do Brasil, onde as indústrias ilícitas de pesca, extração de madeira e mineração proliferaram ao longo do Década passada.

A poucos quilômetros do posto de controle improvisado, na pequena comunidade pesqueira de São Rafael, o presidente da vila, Manoel Vítor Sabino da Costa, conhecido como “Churrasco”, falou das muitas ameaças que enfrentou nos últimos anos. Churrasco foi inicialmente suspeito do assassinato, mas negou qualquer conhecimento ou envolvimento. 


Comunidade da aldeia de São Rafael

Comunidade da aldeia de São Rafael. Fotografia: Danilo do Carmo/Guardião

Pereira e Phillips tentaram se encontrar com ele pouco antes de serem mortos, mas o pescador estava em um lago próximo quando chegaram, disse ele. Ele puxou uma tira de papel pautado de uma pequena gaveta e mostrou um bilhete que o par deixou para trás com um pedido para ligar.

Pereira havia trabalhado com aldeões aqui, tentando afastá-los da pesca ilegal – muitas das espécies do rio estão sujeitas a uma regulamentação estrita para gerenciar os estoques, e é proibido pescar em território indígena mais a montante. Mas um único pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo, que chega a pesar mais de 100 quilos, pode ser vendido por US$ 1.000 a preço de mercado, enquanto uma única tartaruga do rio Amazonas pode ser vendida por US$ 200.

Moradores dizem que atividades ilegais se tornaram comuns nos últimos anos. Um aldeão avistou recentemente um barco com três homens carregando espingardas, carregadas de peixes capturados ilegalmente. Pescadores ilegais usam pequenos barcos, carregados de gelo, para navegar em terras indígenas sob o manto da escuridão, de acordo com um relatório da Univaja , e depois retornam para entregar suas capturas a barcos maiores que aguardam no rio principal.

Churrasco conhecia os três homens presos por suspeita dos assassinatos ; eles moravam na vila de pescadores vizinha de São Gabriel, agora assustadoramente quase vazia. Dois eram seus sobrinhos distantes. Ele disse que um dos supostos assassinos, Oseney da Costa de Oliveira, o ameaçou recentemente com uma espingarda no lago. 

Manoel Vítor Sabino da Costa, conhecido como Churrasco.

Manoel Vítor Sabino da Costa, conhecido como Churrasco. Fotografia: Danilo do Carmo/The Guardian

“Ele colocou a arma na minha cara e ameaçou me matar”, lembrou ele, dizendo que os homens queriam ter acesso a pesca ilegal. O gatilho nunca foi puxado, mas eles afundaram seu barco e Churrasco foi deixado para nadar até a praia.

“Eles estavam envolvidos com pessoas más”, disse Churrasco sobre os supostos assassinos. Ele alegou não saber mais do que isso.

Na semana passada, a polícia disse que havia expandido sua investigação dos assassinatos para examinar se os assassinatos foram cometidos, mas disse que sua teoria de trabalho permanecia de que era “um crime de oportunidade”.

A indústria pesqueira ilegal no Vale do Javari tornou-se tão lucrativa quanto o tráfico de drogas e opera sob um guarda-chuva interligado do crime organizado, disse Alexandre Saraiva, policial federal sênior.

Saraiva atuou como superintendente do estado do Amazonas até 2021, quando foi afastado pelo governo Bolsonaro após liderar uma investigação que ligava o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles à extração ilegal de madeira na floresta tropical.

“Fizemos dezenas de paradas em Manaus [capital do estado do Amazonas] de barcos que transportavam drogas e pirarucu”, disse ele, acrescentando que um único barco pode transportar cinco toneladas de pirarucu, que podem ser vendidas por US$ 50.000. Em um caso, disse Saraiva, seus oficiais apreenderam um barco que transportava 600 tartarugas, com um valor de mercado de mais de US$ 100.000.

Peixe Pirarucu é apreendido pelo Exército após investigação da Polícia Federal examinar embarcação apreendida pela Força Tarefa para o resgate do indigebista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, no porto da cidade de Atalaia do Norte, Amazonas, em junho 11.

Um pirarucu é apreendido pelo Exército após uma investigação da Polícia Federal ter examinado uma embarcação apreendida pela força-tarefa para o resgate de Bruno Pereira e Dom Phillips em Atalaia do Norte, no Amazonas, no dia 11 de junho. Fotografia: João Laet/AFP/Getty Images

“A pesca ilegal custa quase nada”, explicou. “Você não precisa desperdiçar dinheiro alimentando os peixes, eles são relativamente fáceis de pegar e a mão de obra é barata.” Um pescador ganha cerca de um a dois mil reais (cerca de US$ 400) por um mês inteiro de trabalho. “E envolve muito menos risco legal do que o tráfico de drogas.”

A extração de madeira é outra atividade criminosa lucrativa. Saraiva descreveu o caso de um mafioso local, Alcides Guizoni, que foi condenado a seis anos de prisão por contrabando de cocaína e depois orientou suas atividades para a extração ilegal de madeira da qual, segundo um documento da Polícia Federal, ele ganhou 16,8 milhões de reais (US$ 3,2 milhões). m) mais de quatro anos.

Os lucros potenciais a serem obtidos no Vale do Javari atraíram organizações criminosas de todo o país, incluindo a Família do Norte, o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, três dos maiores grupos do crime organizado do Brasil – e um traficante local operando no Lado peruano do rio Javari, conhecido como “Colômbia”.


Vista do Rio Itaquai Posto Univaja

O Rio Itaquaí visto do posto Univaja. Fotografia: Danilo do Carmo/Guardião

Com grandes cortes governamentais na região – não há sede do Ibama aqui desde 2018 e apenas três postos avançados da Funai, com poucos recursos –, as apreensões despencaram sob o governo Bolsonaro, de acordo com um relatório da Publica , uma redação investigativa brasileira. De acordo com documentos internos da Funai vistos pelo Guardian, o posto avançado da Funai mais próximo de onde Pereira e Phillips foram mortos foi atacado sete vezes nos últimos dois anos.

O vazio deixou defensores como Pereira e Univaja forçados a realizar operações de vigilância cada vez mais perigosas sem o apoio do Estado.

Depois que Phillips e Pereira desapareceram, Bolsonaro pareceu culpá-los, descrevendo sua viagem de reportagem “uma aventura que não é recomendável”. Saraiva desprezou o comentário.

“Dom Phillips não estava em uma ‘aventura’. Ele era um correspondente de guerra documentando uma guerra.”

Saraiva argumentou que o governo brasileiro tem recursos mais do que suficientes para acabar com a onda de crimes aqui, citando sua própria experiência no combate à mineração ilegal de ouro no território indígena Yanomami, usando o exército para atacar infraestrutura ilegal, como barcos e equipamentos.

“Mas eles [o governo Bolsonaro] não estão fazendo isso por falta de vontade política.”

O chefe de polícia, agora afastado de um pequeno município fora do Rio de Janeiro, disse acreditar que é quase certo que o assassinato de Pereira foi aprovado por um chefe do crime.


Protesto em frente ao escritório da Funai em Atalaia do Norte

Protesto em frente ao escritório da Funai em Atalaia do Norte Foto: Danilo do Carmo/The Guardian

O trecho do Itaquaí onde Phillips e Pereira foram mortos a tiros é patrulhado por um grupo de botos em extinção. Eles pescam juntos, o sopro agudo de seus respiradouros perfurando o silêncio na água.

Grupos de busca indígenas identificaram o local onde o barco dos homens atingiu a costa ao detectar mudanças sutis na folhagem ao redor das margens. Os galhos se quebravam em ângulos retos. Manchas de pastagem na casca. Duas linhas de fita amarela da polícia permanecem amarradas a uma árvore de munguba: uma esvoaça na brisa, a outra se inclina para a água. Mas fora isso não há nada para distinguir onde os dois homens morreram.

Em Atalaia do Norte, a pequena cidade ribeirinha para onde Pereira e Phillips deveriam retornar, houve um longo período de luto. Mas também tem havido preocupações crescentes entre as comunidades indígenas de que as coisas ficarão ainda piores nos próximos meses.

“Bruno e Dom Phillips foram nossos grandes guerreiros”, disse Delcimar Tamakuri Kanamari, líder indígena e membro da Univaja. “Eles faziam parte do nosso movimento.”


Delcimar Tamakuri Magalhães Kanamari – liderança indígena e membro da Univaja.

Delcimar Tamakuri Magalhães Kanamari – liderança indígena e membro da Univaja. Fotografia: Danilo do Carmo/The Guardian

Um serviço memorial na semana passada atraiu dezenas de indígenas de pelo menos cinco comunidades do Vale do Javari . Alguns passam a maior parte do ano na floresta tropical protegida e ouviram falar dos assassinatos pelo rádio. A portas fechadas, um líder tribal Kanamari informou o Guardian sobre como o aumento do tráfico de drogas causou estragos em sua comunidade.

 Pessoal médico do exército brasileiro em um barco ao longo do rio Javari.
Polícia perde guerra do narcotráfico na região amazônica onde dupla desapareceu

O rio Javari marca a fronteira entre Brasil e Peru, onde o cultivo de coca – a planta usada para fazer cocaína aumentou quase 20% no ano passado,segundo dados da ONU. Laboratórios na selva no lado peruano do rio transformam ilegalmente coca em cocaína e depois a transportam através do rio para armazenar em terras indígenas protegidas no Brasil, onde a polícia peruana não tem jurisdição, disse o líder tribal.

“Dessa forma, ninguém vai encontrá-lo”, disseram eles. “Não há fiscalização aqui e os criminosos têm como alvo qualquer um de nós que tente detê-los.”

Os traficantes também começaram a recrutar homens e meninos indígenas mais jovens para as próprias operações de drogas, disse Tamakuri. Atraídos por pagamentos de algumas centenas de dólares por meses de trabalho, promessas de roupas e telefones celulares, os recrutas enfrentam a execução se tentarem escapar.

Na semana passada, Tamakuri e outros entregaram um documento de 20 páginas ao escritório da Funai na cidade, contendo fotografias de acampamentos ilegais, barcos de pesca e uma casa flutuante usada por traficantes em suas terras. 


Demo Funai - Silvana Marubo e Colegues

Uma manifestação da Funai – Silvana Marubo e colegas. Fotografia: Danilo do Carmo/The Guardian

“Estamos sendo ameaçados pelos brancos que vêm pescar, os madeireiros peruanos e os narcotraficantes colombianos”, disse, mencionando também as ameaças de caçadores e missionários evangélicos da região.

Phillips passou grande parte de sua carreira recente dedicada a reportar sobre a violência sofrida pelas comunidades indígenas aqui, incluindo um suposto massacrede uma tribo isolada por garimpeiros em 2017.

Quando o memorial chegou ao fim na semana passada, o antropólogo Almerio Alves Vadique dirigiu-se aos enlutados perto de uma grande imagem dos dois homens, cercados por flores tropicais alaranjadas.

“Esta foi uma tragédia anunciada”, disse ele para a multidão silenciosa. “Ontem foram Bruno e Dom. Mas amanhã pode ser qualquer uma das pessoas aqui.”


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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Associação indígena refuta PF e aponta ação de grupo organizado nas mortes de Bruno Pereira e Dom Phillips

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Em nota, a direção da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari questionou as informações dadas pela Polícia Federal  à imprensa no sentido de que os assassinos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips teriam agido sozinhos (ver imagem abaixo)

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A nota da Unijava afirma que os assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips não “se trata apenas de dois executores, mas sim de um grupo organizado que planejou minimamente os detalhes desse crime”.

A direção da Unjivaja exigiu não apenas a continuidade e aprofundamento das investigações, mas também que a PF “considere as informações qualificadas” que a entidade teria repassado via ofício ao órgão policial.

Mortes de Bruno e Dom são citadas na capa da edição diária do “The Washington Post”

Dom e Bruno foram mortos a tiros, confessa Pelado - Amazônia Real

Os assassinatos brutais do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips são um dos assuntos mais comentados fora do Brasil neste dia de Corpus Christi. O jornal “The Washington Post” dedicou uma matéria de capa ao assunto (ver imagens abaixo).

É importante notar que a matéria assinada pelos jornalistas Terrence McCoy e Gabriela Sá Pessoa não apenas expõe as condições nas quais Pereira e Phillips foram assassinados, mas também enfatiza a posição pró-  garimpeiros e desmatadores ilegais do presidente Jair Bolsonaro, indicando ainda que o mandatário brasileiro culpou Phillips por seu desaparecimento.  Neste caso os jornalistas se referem a um comunicado ocorrido na quarta-feira,  quando Jair Bolsonaro afirmou que o jornalista era “malvisto na região”, por ter feito ” muitas matérias contra a mineração de ouro e sobre questões ambientais”.

Com esse relato jornalístico é quase certo que a imagem de Jair Bolsonaro, e a do Brasil por associação, que já não era boa, certamente vai piorar. E eu acrescento, com toda a razão.

Nota do WWF-Brasil sobre assassinato de Dom Phillips e Bruno Pereira

bruno dom

O que todos nós temíamos aconteceu: a Polícia Federal confirmou na noite desta quinta (15/6) que encontrou “remanescentes humanos” que provavelmente são do indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian. Eles foram mortos na região do Vale do Javari, na Amazônia, e dois suspeitos já estão presos: Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como Dos Santos, e Amarildo da Costa Oliveira, o ‘Pelado’.

O WWF-Brasil vem, em primeiro lugar, expressar sua solidariedade e seu apoio às famílias, aos amigos e aos colegas destes defensores da floresta.

O nível de violência aplicada a Bruno e Dom explicita como a Amazônia está à mercê da lei do mais forte, sob a qual a brutalidade é a moeda corrente. Isso eleva nossa indignação com a situação na qual os povos da floresta e seus defensores foram deixados pelo Estado brasileiro. Enquanto nos discursos oficiais “a Amazônia é nossa” e “não abrimos mão de nossa soberania”, na prática o que vemos são assassinatos brutais sem esclarecimento ou punição e o domínio territorial, baseado na coerção e na violência, por diversos criminosos: narcotraficantes, garimpeiros, grileiros, madeireiros ilegais, caçadores e pescadores ilegais. As declarações reiteradas do presidente da República de que é preciso escolta para transitar numa região onde há forte presença militar há muitos anos confirma que a tão proclamada soberania não existe: o Estado abandonou a Amazônia por conta de um projeto sem sentido de destruição da floresta e de extermínio de seus povos.

Temos visto uma série de assassinatos impunes, ou melhor, sem esforço ou empenho do Estado para esclarecer e punir. No caso de Dom e Bruno, houve inclusive relutância em iniciar as buscas. É o descaso do governo com a Amazônia e os defensores de seus povos e da floresta que permitiu o assassinato de Dom e Bruno e também de inúmeras pessoas que dedicaram suas vidas à proteção dos povos indígenas: Ari Uru Eu Wau Wau, Paulino Guajajara, Maxciel Pereira dos Santos, Zé do Lago e família. O Brasil é o quarto país do mundo que mais mata ativistas ambientais, segundo levantamento da ONG Global Witness.

É notório que nos últimos anos todas as instâncias de proteção aos povos da floresta e ao meio ambiente vêm sendo sistematicamente desestruturadas e desacreditadas. A violência contra eles aumentou exponencialmente nos últimos três anos e nada tem sido feito – muito pelo contrário, pois há no Governo Federal, conforme estudo divulgado esta semana, um projeto de destruição da Funai, órgão que deveria zelar pelos direitos indígenas, e no Congresso projetos de lei que fragilizam ainda mais a proteção a esses povos.

Não podemos deixar de destacar que a perda das vidas de Dom e Bruno está no contexto de morte da própria Amazônia. Só em maio deste ano os números de queimadas e desmatamento bateram recordes na Amazônia – as queimadas tiveram 184% de crescimento em relação à média do mês de maio dos últimos dez anos e perdeu 2.867 km de florestas entre janeiro e maio, batendo recorde de devastação pelo terceiro ano consecutivo. Nunca estivemos tão perto do ponto a partir do qual a floresta não consegue mais se sustentar. O Painel Científico da Amazônia já apontou que 17% da floresta foram desmatados e outros 17% encontram-se degradados. Apesar disso, volta e meia entram na pauta do Congresso Nacional projetos de lei que favorecem a destruição da maior floresta tropical do planeta, da qual depende o regime de chuvas que garante o abastecimento de água e energia elétrica do nosso país e do qual nossa agropecuária depende. Matar a Amazônia é matar o Brasil – um Brasil que morreu um pouco com o assassinato de Bruno e Dom.

A Amazônia morre cada dia de forma cruel e desumana, diante dos nossos olhos, assim como aqueles que a protegem, aqueles que cuidam e se esforçam em manter a floresta em pé. Diante desta nova tragédia, é necessária uma apuração rígida para identificar se há outros envolvidos, dado os indícios de relação entre este crime e o narcotráfico na região. É preciso também que este caso tenha uma punição exemplar, que se tornem referência no combate à impunidade na região, dominada pelo crime. Não menos importante: o governo precisa cumprir seu papel com ações concretas que previnam novos massacres, como a retirada dos invasores da TI Yanomami, Uru Eu Wau Wau e nas demais terras indígenas invadidas. Não é aceitável que a Amazônia continue como terra sem lei, sem controle e atuação do Estado, vitimando seus defensores.

Anistia Internacional cobra transparência e respeito aos direitos humanos nas buscas por Bruno Pereira e Dom Phillips

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 Em resposta às informações de que as autoridades brasileiras estão tratando as buscas por Dom Phillips e Bruno Pereira como uma investigação de homicídio, Erika Guevara-Rosas, diretora da Anistia Internacional para as Américas, declarou:

“As autoridades brasileiras devem garantir total transparência nas buscas por Dom Phillips e Bruno Pereira por meio de uma investigação exaustiva, imparcial e independente, e o total cumprimento do devido processo legal em todos os momentos.”

“Os comentários cruéis e insensíveis do presidente Bolsonaro caracterizaram a insensibilidade do manejo das autoridades na busca pelos dois desaparecidos. Seus comentários insensíveis e a incerteza alimentada pela falta de informações claras, consistentes e confiáveis das autoridades brasileiras apenas revitimizam as famílias de Dom e Bruno. Ao invés de aprofundar ainda mais seu sofrimento, as autoridades devem fazer tudo o que estiver ao seu alcance para garantir seus direitos à verdade e à justiça”. finalizou Guevara-Rosas.

“Os comentários cruéis e insensíveis do presidente Bolsonaro caracterizaram a insensibilidade do manejo das autoridades na busca pelos dois desaparecidos. Seus comentários insensíveis e a incerteza alimentada pela falta de informações claras, consistentes e confiáveis das autoridades brasileiras apenas revitimizam as famílias de Dom e Bruno.”

A Anistia Internacional pede às autoridades brasileiras que providenciem uma atualização completa sobre a investigação. Desde o início, as autoridades demoraram a responder perguntas sobre o caso, com a maioria das informações disponíveis sendo provenientes da mídia.

Uma ode a Bruno e Dom, por André Abujamra

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O vídeo abaixo é fruto de um trabalho realizado pelo talentoso André Abujamra é uma espécie de ode aos desaparecidos (e provavelmente assassinados) Dom Philips e Bruno Pereira que desapareceram durante um trabalho de jornalismo de investigativo na tríplice fronteira (Brasil-Colômbia-Peru).

Em um momento histórico de muita violência contra os povos originários e as florestas amazônicas que os abrigam, há um misto de profunda tristeza com demanda por justiça que emana de todos os que tiveram conhecimento a esse lamentável episódio que se soma a uma centenas de outros que tem ocorrido na Amazônia brasileira.

Que o clamor por justiça seja maior do que a tristeza e que possamos todos cobrar que mais essas mortes (se elas se confirmarem) não passem em brancas nuvens como tantas outras já passaram.

Os perigos da fronteira na Amazônia e o massacre dos seus defensores

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A não ser que haja alguma grande surpresa, o indigenista Bruno Pereira e o jornalista  Dom Philips são as novas vítimas do espírito de fronteira que cerca o saque desenfreado das riquezas naturais existentes na Amazônia, e certamente não serão as últimas.

Como alguém que realizou trabalhos de campo no flanco oeste da fronteira amazônica, posso testemunhar que ali, mais do que em qualquer outra parte do Brasil, o que perdura mesmo é a ocupação do aparelho de estado por indivíduos e grupos que participam diretamente do saque.  Como estava em Rondônia fazendo minha pesquisa no massacre da Fazenda Santa Elina em Corumbiara, posso afiançar que aquele talvez tenha sido apenas o mais exemplar dos eventos de matança ocorrido via as forças policiais em terras rondonienses, mas que é pouco lembrado porque logo depois ocorreu outro massacre mais famoso, o de Eldorados de Carajás.

Quem vê a Amazônia de longe pensa que a instalação formal de instituições do Estado brasileiro significa alguma melhoria significativa nos mecanismos que devem regular as relações sociais e as formas de uso das riquezas amazônicas. Mas ver de longe o que acontece na Amazônia é sempre ilusório, pois o que os últimos três anos revelam é que basta termos uma administração federal que apenas se omita na aplicação da lei para que como dizem os gringos “all hell breaks loose” (ou em uma tradução literal para que as portas do inferno sejam escancaradas).

A verdade é que a Amazônia é um lugar extremamente perigoso para quem quer defender seus ecossistemas naturais e os povos tradicionais que lograram estabelecer um equilíbrio tenso, mas mais harmônico do que o desequilíbrio imposto pela lógica da acumulação capitalista.

Toda a situação da Amazônia é agravada porque inexiste no Brasil uma real preocupação, principalmente nas elites, das consequências desastrosas que a destruição dos ecossistemas amazônicos trarão para o Brasil e o resto do mundo. É como se todo o conhecimento científico acumulado sobre o papel das florestas amazônicas no oferecimento de múltiplos serviços ambientais (a começar pela regulação climática) pudesse ser jogado no lixo em troca de um punhado de dólares.

Entretanto, o problema não é apenas interno, mas tem a ver primariamente com a necessidade de acumulação das grandes corporações capitalistas que moem a vida do planeta para manter as condições nababescas em que vive uma porção mínima da população humana. Aliás, se olharmos para as interconexões existentes entre o saque em curso na Amazônia e a atual crise sistêmica do capitalismo, veremos que qualquer discurso em prol da sustentabilidade do planeta que seja feito, por exemplo, no Fórum Econômico Mundial de Davos não passa de mera hipocrisia.

Agora de volta ao caso de Bruno Pereira e Dom Philips, como já ocorreu no caso de Chico Mendes e Dorothy Stang, se não houver uma contínua pressão para que a situação seja devidamente esclarecida, o mais provável é que mais este martírio suma das manchetes e o massacre dos defensores das florestas amazônicas continue seguindo seu curso e, pior, de forma impune.

Encontro entre Biden e Bolsonaro acontece em meio ao desaparecimento de jornalista inglês e indigenista brasileiro na Amazônia

Organizações brasileiras, incluindo o Greenpeace Brasil, assinam uma carta com um apelo ao presidente norte-americano, pelo respeito a democracia e ao meio ambiente

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Protesto contra o desaparecimento do indigenista Bruno Pereira do jornalista Dom Phillips em frente à prefeitura de Los Angeles (EUA) durante Cúpula das Américas — Foto: Apu Gomes/ AFP

São Paulo, 9 de junho de 2022 – Nesta quinta-feira (9), os presidentes do EUA e do Brasil, respectivamente, Joe Biden e Jair Bolsonaro, vão se reunir pela primeira vez. O encontro é uma contrapartida à participação do Brasil na Cúpula das Américas, em Los Angeles (EUA), organizada pelos Estados Unidos para discutir com países da América do Sul, América Central e América do Norte o fortalecimento das relações geopolíticas na região. A reunião entre os dois presidentes ocorre simultaneamente ao desaparecimento do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Pereira, na região do Vale do Javari, no Estado do Amazonas, que escancara a situação calamitosa na Amazônia e dos povos indígenas na região. Essa situação é um desdobramento trágico do desmonte das políticas e instituições socioambientais realizado nos últimos três anos, o que levou, nesta terça (8), 70 organizações brasileiras, incluindo o Greenpeace Brasil, a assinar uma carta com um apelo à Biden para que cobre Bolsonaro o respeito a democracia e o meio ambiente.

A carta, que já foi entregue a equipe do presidente norte-americano, manifesta a preocupação da sociedade brasileira pela possibilidade de Bolsonaro utilizar o encontro com Biden para alegar que o governo americano chancela os seus ataques à democracia, às eleições, ao meio ambiente, à ciência, aos direitos humanos e à floresta amazônica. Em um trecho da carta, é retratada a situação atual do país, proporcionada pelo atual governo: “Neste momento, a inflação, a fome, a violência e o desmatamento estão aumentando no Brasil. Em vez de dirigir seu país fora da crise, Bolsonaro está dando um golpe.”

A publicação também menciona que o Brasil não tem se comprometido com as metas de emissões de gases do efeito estufa, o que tem agravado ainda mais a crise climática e colocado em risco o futuro do país: “Da mesma forma, a continuação do governo de Bolsonaro condenaria a floresta amazônica e seus povos, acabando com as poucas chances que o mundo ainda tem de manter viva a meta de 1,5ºC.”

Por fim, a carta também clama que qualquer acordo com o Brasil sobre a Amazônia deve envolver a sociedade civil: “As conversas só devem avançar quando o Brasil provar seu compromisso com a proteção da floresta, reduzindo as taxas de desmatamento e interrompendo os esforços políticos para enfraquecer as leis ambientais por meio de várias projetos de lei que são apoiados por Bolsonaro.”

Para Mariana Mota, coordenadora de políticas públicas do Greenpeace Brasil, é necessário que o encontro entre os dois presidentes não omita a política de destruição feita no país nos últimos anos: “Enquanto as taxas de desmatamento explodem no Brasil, puxando o aumento da violência, projetos de lei apoiados pelo governo federal avançam e pioram ainda mais esse cenário. Encontros com Bolsonaro, além de não garantir compromisso ambiental do Brasil, podem ser usados pelo governo para legitimar sua política antiambiental e antidemocrática”.

O desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Phillips escancara um cenário de omissões e desmontes promovidos pelo governo Bolsonaro. Nesse encontro, é esperado também que Biden se some às pressões internacionais e exija que o Estado brasileiro disponibilize todos os seus recursos nas buscas, assim como tenha postura firme em defesa da democracia, eleições livres e justas, ação climática e a proteção da Amazônia, em frente ao histórico de ataques de Bolsonaro ao espaço democrático, as políticas socioambientais e de estímulo à violência contra os povos originários e defensores ambientais.

Brasileiros se manifestaram contra Bolsonaro e o desaparecimento de Bruno e Dom em Los Angeles

Ontem (7), ativistas brasileiros se manifestaram contra Bolsonaro nas ruas de Los Angeles, onde se realiza a 9ª Cúpula das Américas. Um caminhão com telas de LED circulou pela cidade com mensagens como “Fuera, Bolsonaro”, “Don’t trust Bolsonaro” (não confie em Bolsonaro), “Bolsonaro loves Trump” (Bolsonaro ama Trump) e também de apelo pelo desaparecimento do Dom Phillips e Bruno Pereira, “ Where are Dom and Bruno?” (Onde estão Dom e Bruno?).