Carla Machado, como Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá. E o PT Campos arrisca ir junto

A então prefeita Carla Machado entregando a medalha de “Barão de São João da Barra” a Eike Batista

Esta postagem pode parecer uma sequência do preciso texto assinado pelo Douglas da Matta, e até certo ponto é, porque trata de uma mesma personagem, a ex-prefeita de São João e atual deputada estadual pelo PT, Carla Machado. Começo dizendo que sou do tempo em que a hoje deputada pelo PT era uma espécie de filial do chamado Garotismo nas terras que dão ao Brasil o conhaque de alcatrão São João da Barra. Depois por motivos que se tornaram óbvias, Carla Machado assumiu voo próprio e passou a fazer uma oposição visceral a Anthony Garotinho e seu grupo político.

Mas passada a introdução, eu tenho que dizer que Carla Machado foi uma personagem habitual no espaço deste blog desde sua criação em 2011 por um motivo que considero emblemático da sua trajetória pós-Garotismo que foi o processo de desapropriação de 7.500 hectares pertencentes a agricultores familiares para a implantação de um natimorto Distrito Industrial de São João da Barra que daria uma conformação produtiva ao Porto do Açu, empreendimento iniciado sob os auspícios de um grande amigo de Carla Machado, o ex-(des) governador Sérgio Cabral  (Aqui!, Aqui!, Aqui!, Aqui!).

Carla Machado foi uma figura instrumental não apenas para a Codin tomar terras cujas indenizações ainda não pagas, mas também para transformar terras que eram agrícolas em um grande latifúndio improdutivo, o que facilitou não apenas a instalação do Porto do Açu com Eike Batista, mas também todo o desarranjo social e produtivo que vigia no V Distrito de São João da Barra.

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Carla Machado e o então reitor do IFF, Jefferson Manhães na Feira de Oportunidades de 2019

As imagens abaixo mostram Carla Machado participando de uma espécie de divisão (neo) colonial do V Distrito com direito a poses com mapas que lembram muito o que as potências europeias fizeram na Ásia e na África no Século XIX.

O fato é que Carla Machado nunca foi cobrada por sua participação na tomada de terras de centenas de agricultores pobres que tiveram seu modo de produção e reprodução completamente dilacerados por um empreendimento que até hoje se mostra um pesado fardo para São João da Barra. As promessas de crescimento de empregos e da renda municipal não se confirmaram e o nível de miséria se manteve firme, mas Carla Machado continuou surfando nas boas ondas da política regional. O que ficou foi  salinização das águas continentais, erosão costeira, aumento dos problemas sociais, e perda da produção agrícola.

Uma das explicações para isso foi sua migração para o Partido dos Trabalhadores (PT) e sua eleição para deputada estadual, a despeito da trajetória anti-camponesa que ela construiu como uma das avalistas da tomada de terras pelo (des) governo de Sérgio Cabral. As cenas de agricultores idosos sendo removidos algemados de suas propriedades nunca resultaram na devida fatura política para Carla Machado e seu acolhimento nas hostes do PT serviu como uma espécie de indulto da qual ele se beneficiou alegremente.

Como alguém que trabalhou para conseguir o registro nacional do PT junto ao Tribunal Superior Eleitoral em 1982 subindo os morros na cidade do Rio de Janeiro para captar filiados, ver uma personagem como Carla Machado andando com a estrela no peito é não apenas fonte de desgosto, mas também de confirmação de que ter me retirado do partido a que ajudei a fundar foi um ato correto.  Mas como considero que existem militantes sinceros no PT de Campos, eu fico imaginando como eles estão se sentindo hoje com a ida de Carla Machado para a campanha da Delegada Madeleine, enquanto o partido tem um candidato no pleito, o Professor Jefferson Manhães.

Mas para além do desrespeito com a candidatura oficial do partido, o abraço de Carla Machado em outra candidatura de viés claramente mais à direita do espectro ocupado pelo PT torna ainda mais difícil o esforço que os membros da nominata de vereadores estão tendo que fazer para serem chances mínimas de eleição.  Curiosamente nesta nominata existem militantes do campo da reforma agrária, como no caso do Hermes Mineiro e do Mateus do MST. Pelo menos para esses, a boa notícia é que não terão a companhia de uma inimiga da agricultura familiar nas caminhadas em que estão gastando a sola do sapato e as cordas vocais para enfrentar alianças que possuem mais dinheiro para se viabilizarem.

Aliás, o aparecimento de jovens militantes que ainda acreditam no PT como instrumento de luta era uma das poucas coisas boas que eu pude ver no atual ciclo eleitoral. Agora, com essa guinada pró-Madeleine de Carla Machado, fico me perguntando se até isso não está sendo jogado pelo ralo.

Aí me parece que não apenas se deverá fazer o devido balanço do custo de ter se incensado uma política que é efetivamente uma alienígena dentro do PT e perdido tanto tempo em um esforço para viabilizar uma candidatura impossível.   Há que se tirar consequências práticas não apenas sobre o que fazer com Carla Machado após sua migração para a candidatura da delegada Madeleine, mas também para que se evite o mesmo tipo de vexame político no futuro.

Uenf: o nome é Aula Magna, mas pode chamar de púlpito eleitoral

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Em muitas instituições de ensino superior é costume realizar um evento conhecido como “Aula Magna” no início de cada semestre letivo. Nesse evento, uma pessoa de destaque, de preferência para além dos muros da instituição, é convidada para discorrer sobre um tema acadêmico ou não a partir de uma visão mais ampla e ancorada em amplo reconhecimento acadêmico da pessoa que profere a Aula Magna. A “Aula Magna” é assim uma oportunidade para que uma dada comunidade universitária receba ares diferentes daquilo que está normalmente acostumada a receber. para dar início aos trabalhos letivos.

Curiosamente. em 2023, a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) decidiu colocar um dos seus membros, no caso a vice-reitora Rosana Rodrigues, para proferir a “Aula Magna”. Um primeiro fato a se reconhecer é que com isso, a atual reitoria apenas reforça o tom paroquial que caracteriza a gestão do professor Raúl Ernesto Palacio que tem se notabilizado por não conseguir atrair para a Uenf o mesmo tipo de presença de grandes líderes de pesquisa e de lideranças de agências de fomento que marcou a vida interna da instituição por boa parte de sua jovem existência.

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Mas paroquializar a “Aula Magna” é o menor dos problemas da atual administração.  É que assumidamente a vice-reitora da Uenf é a candidata da atual administração para continuar a “visão” (paroquializada, friso eu)  que marca a gestão da Uenf desde a posse do ex-reitor e hoje chefe de gabinete, Luís Passoni. Com isso, temos a transformação de um espaço acadêmico (o da Aula Magna) em um púlpito político.

O problema é que se a Uenf fosse um reinado ou uma ditadura autocrática, a passagem do bastão de mandatário para mandatário dispensaria algumas formalidades, como a realização de uma eleição. Como a Uenf é uma universidade pública, existe o requisito de que sejam realizadas eleições a cada quatro anos para que a comunidade universitária uenfiana possa decidir livremente quem será o próximo reitor.  Assim, ao utilizar a Aula Magna para claramente incensar uma candidata, o que a reitoria da Uenf está fazendo é dificultar enormemente os trabalhos da Comissão Eleitoral que irá trabalhar para que o pleito que ocorrerá no segundo semestre seja efetivamente democrático e que possa transcorrer sem mais interferências de quem hoje controla a máquina administrativa da instituição criada por Darcy Ribeiro.

Se me perguntassem sobre qual pode ser o efeito eleitoral dessa apropriação da Aula Magna para fins eleitorais, eu diria que pode ser um tremendo tiro no pé. É que já há muita gente que nota com alguma contrariedade alguns passos peculiares (na falta de melhor definição) adotados pela reitoria da Uenf nos últimos anos, sendo o imbróglio embaraçoso envolvendo a reforma do Solar do Colégio (que é o prédio que abriga o Arquivo Público Municipal) apenas o mais notório.

Por outro lado, aos eventuais candidatos de oposição à atual reitoria deveria ficar óbvio que não se poderá assistir passivamente a este tipo de episódio, sob o risco de que a participação nas eleições seja apenas uma chancela da transformação da “prefeiturização” das práticas políticas dentro da Uenf.  E como vivemos em uma região marcada por seguidos escândalos envolvendo o uso da máquina pública em benefício de determinados candidatos, a primeira coisa a se fazer é impedir que isso aconteça. É que as consequências para a Uenf seria o aprofundamento do isolamento acadêmico e político que a instituição já vive. Pior ainda é que a “Universidade do Terceiro Milênio” de Darcy Ribeiro seria mortalmente ferida, comprometendo profundamente a sua habilidade de transformar a realidade social em que está imersa.

E, finalmente, não posso deixar de mencionar que esse ato da reitoria da Uenf, me faz uma estrofe da canção ” O tempo não para” de Cazuza, aquela que diz “Eu vejo o futuro repetir o passado. Eu vejo um museu de grandes novidades. Mas o tempo não para
Não para, não para”.   Pessoalmente desejo que o tempo não pare para a Uenf…..

Deputada bolsonarista Carla Zambelli faz perseguição armada contra jornalista negro nas ruas de São Paulo

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Com pistola em punho, a deputada bolsonarista Carla Zambelli (PL/SP) persegue um jornalista negro após discussão em ambiente público

Há uma semana atrás, o ex-deputado federal Roberto Jefferson deu 50 tiros e atirou 3 granadas contra uma equipe da Polícia Federal que fora enviada até a sua casa para prendê-lo. O fato causou um grande embaraço para o presidente Jair Bolsonaro de quem Jefferson é amigo de longa data e um forte apoiador nas redes sociais.

Pois bem, hoje a menos de 24 horas do início do segundo turno das eleições presidenciais, outra aliada próxima de Jair Bolsonaro, a deputada federal Carla Zambelli (PL/SP) protagonizou cenas dantescas ao perseguir com uma pistola na mão um jornalista negro com quem teve um entrevero verbal (ver vídeo abaixo).

O problema é que não apenas existe uma determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que civis não portem armas neste momento, Zambelli, o que se pode chamar de “Bolsonarista raiz”, já disse que desobedeceu conscientemente a determinação do TSE, o que configura o cometimento de um crime.

A campanha de Jair Bolsonaro já está tendo se distanciar de Zambelli como, aliás, já fez com Roberto Jefferson. O problema é que a cenas de perseguição armada onde foram dados tiros em um momento de grande circulação na rua onde o fato ocorreu já viralizaram. Essa “viralização”  já tornou as ações da deputada bolsonarista um fato de conhecimento nacional. Assim, se Jair Bolsonaro ainda tinha esperanças de atrair votos dos “indecisos”, pelo jeito agora a coisa ficou bem mais difícil.

É que, convenhamos, se uma apoiadora tão emblemática como Carla Zambelli protagonizou essas cenas em ambiente público, criando uma conexão indesejável com o candidato/presidente.

Questões ambiental e agrária, as grandes ausentes do debate eleitoral de 2022

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Algum distraído que olhar para o simulacre de debate eleitoral que está ocorrendo na campanha presidencial (e também nas estaduais) irá pensar que o Brasil e seus entes federativos já resolveram algumas questões dramáticas, permitindo assim que os candidatos se concentrem em pontos que apesar de importantes passam ao largo de problemas centrais. 

Exemplos disso são as questões ambiental e agrária que estão sendo flagrantemente omitidas pelos principais candidatos que preferem concentrar suas atenções em pautas que, apesar de importantes, não deveriam servir de desculpa para que os brasileiros sejam informados sobre o que eles têm como proposta para solução.

O problema é que essas duas questões caminham juntas no Brasil e servem para agravar a situação vivida pela maioria de brasileiros que hoje vivem alijados das condições mínimas de existência.  O domínio da lógica das grandes propriedades rurais e da dependência da exportação de commodities agrícolas e minerais vem consumindo amplas áreas de florestas e servindo para aumentar o padrão de concentração da terra, tanto rural como urbana, o que contribui não apenas para aumentar a acumulação de riqueza existente, mas também para desalojar populações tradicionais e povos indígenas de suas territórios. 

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Um dos exemplos mais óbvios de ajuste dos candidatos à dominância política do latifúndio agro-exportador ocorreu no debate presidencial realizao pela Band TV onde pressionado a se manifestar sobre um suposto radicalismo anti-agronegócio do MST, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva preferiu enaltercer uma suposta guinada do mais importante movimento social brasileiro, em vez de aludir, por exemplo, ao congelamento da reforma agrária pelo governo Bolsonaro.

Entretanto, há algo igualmente grave acontecendo na Amazônia e no Cerrado que é um avanço exponencial da mancha de desflorestamento que está colocando em risco, entre outras coisas, o abastecimento futuro de água em áreas consideráveis do território nacional. Mas não há nada que se aproxime de um debate mínimo sobre essa situação.  A explicação para isso é que a maioria dos candidatos, o ex-presidente Lula incluído, são dependentes da bancada ruralista que, em função disso, impõe uma espécie de silêncio sepulcral sobre os crimes e violações que estão acompanhando o avanço do latifúndio agro-exportador sobre regiões ainda intocadas da Amazônia e do Cerrado,

O resultado dessa indisposição para debater essas questões centrais é que qualquer que seja o futuro presidente a dificuldade em desenvolver políticas públicas para resolver as questões aqui abordadas irá permanecer e provavelmente os problemas irão se agravar.

Prankster assume site de Bolsonaro e transforma presidente em ‘mentiroso de língua de cobra’

Opositor anônimo comanda domínio bolsonaro.com.br e destrincha líder de extrema-direita

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O desenho com uma cobra saindo das mandíbulas manchadas de sangue de Bolsonaro. Fotografia: bolsonaro.com.br

Por Tom Philips no Rio de Janeiro para o “The Guardian”

Um pregador de peças da internet sequestrou um site usado há muito tempo para glorificar o presidente de extrema direita do Brasil e o transformou em uma escoriação on-line devastadora do governo “palhaço” e “neofascista” de Jair Bolsonaro.

Bolsonaro e seus três filhos políticos teriam usado o domínio bolsonaro.com.br como porta-voz oficial desde o início dos anos 2000.

Mas no início deste mês um objetor brasileiro com menos afeição pelo clã populista conseguiu comandar a URL, aparentemente depois que os Bolsonaros não pagaram por sua renovação.

O resultado foi um fiasco de relações públicas para o agitador sul-americano, já que o ex-meio de propaganda de Bolsonaro começou a retratá-lo como um mentiroso cretino, subserviente, incompetente, duplicidade, corrupto e tirânico cheio de ódio.

Uma caricatura mostra uma cobra emergindo das mandíbulas manchadas de sangue do presidente brasileiro ao lado de um trecho do Salmo 140: “Salva-me, ó Senhor, dos homens maus… o veneno das víboras está em seus lábios”.

Uma das charges do site de Bolsonaro.

Uma das charges do site de Bolsonaro. Fotografia: bolsonaro.com.br

Uma segunda paródia mostra Bolsonaro atrás das grades, onde muitos eleitores irritados acreditam que ele pertence por causa de sua resposta condenada internacionalmente a um surto de Covid que matou mais de 680.000 brasileiros.

“Bolsonaro é fraco e patético”, proclama um texto no site dissidente denunciando o servilismo do líder brasileiro para com seu aliado dos EUA, Donald Trump.

“Bolsonaro é um bobo da corte”, anuncia outra crítica contundente ao lado de uma caricatura em que o líder brasileiro de 67 anos aparece como um palhaço de babados no pescoço.

Em outras partes do site, Bolsonaro é comparado a uma leiteira, o Ceifador, um fauno mitológico, uma galinha emplumada, Satanás e Adolf Hitler.

“Este site não é administrado nem pertence à família Bolsonaro”, diz um aviso ao pé da página.

A URL expropriada chega em um momento delicado para Bolsonaro, que pesquisas sugerem que não conseguirá a reeleição quando 156 milhões de brasileiros escolherem seu próximo líder em pouco mais de um mês.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atualmente lidera as pesquisas por uma margem de 12 pontos e detém o controle do site que leva seu nome .

No domingo, Bolsonaro perdeu a calma durante um debate presidencial televisionado, atacando uma proeminente jornalista que ele chamou de “uma vergonha para o jornalismo brasileiro”.

Na quarta-feira, o constrangimento foi de Bolsonaro, pois relatos de que seu site havia sido capturado provocaram um tsunami de risadinhas e desprezo.

“Quero ver mais pessoas enfrentando o fascista”, escreveu o ativista supostamente responsável pela façanha no Twitter. “Agora não é hora de ficar calado.”


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Este escrito originalmente em inglês foi publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Pitacos sobre o que poderá vir após as ações policiais contra o grupo de empresários bolsonaristas

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Em seu livro publicado em 1995 “Democracia contra Capitalismo“, a já falecida Ellen Meiksins Wood postulava que a ideia  de que a  democracia ocidental é de alguma forma herdeira daquela praticada na Grécia antiga é equivocada, na medida em que o Capitalismo não toleraria um governo realmente orientado pela vontade do povo. A decorrência disso para Meiksins Wood é, que sob o capitalismo, seria impossível que viesse a ter a democracia em sua forma plena, tal como aquela em que viviam os cidadãos da Atenas da Antiguidade.

Pensei em Meisksins Wood ao ler algumas notícias que estão pululando na mídia alternativa e até na corporativa sobre as descobertas já feitas nos telefones dos “empresários bolsonaristas” que sofreram uma batida policial no dia de ontem, e que deverá ter muitos desdobramentos políticos e jurídicos nos próximos dias e semanas.

O que já surgiu de informação vai no sentido de que o seleto grupo de milionários bolsonaristas não estava, digamos, apenas regurgitando ideias perigosas sem finalidades práticas, mas envolvidos na captação (em alguns casos forçada) de recursos para financiar a propaganda eleitoral do presidente Jair Bolsonaro (um desses sendo o sócio majoritário da rede de restaurantes Coco Bambu, o sr. Afrânio Barreira Filho).  Esse dinheiro captado extra-oficialmente muito provavelmente não desembarcaria na campanha oficial, mas em uma outra que já está correndo pelos subterrâneos do Whatsapps e Telegrams da vida.

Assim, tudo indica que esse segmento das elites brasileiras estavam planejando reeditar campanhas que foram efetivas em 2018 como a “mamadeira de piroca” que fez tantos estragos na campanha de Fernando Haddad. Aliás, a sinalização de que a campanha subterrânea já estava azeitada e em curso foi a mirabolante história de que o ex-presidente Lula iria fechar as igrejas evangélicas em caso de vitória. Mirabolante, mas que forçou a que a campanha de Lula gastasse tempo para responder a uma questão que os ex-aliados da IURD sabem que não há qualquer fundo de verdade.

A ação contra os empresários Bolsonaristas pode secar a fonte dos recursos extra-oficiais da campanha de Jair Bolsonaro?

Há muita gente neste momento se perguntando qual será o efeito prático, se algum, da ação determinada pelo ministro Alexandre Moraes. Os indícios iniciais por quem vem acompanhando o grupo de Whatsapp onde os empresários bolsonaristas articulavam sua campanha pró-Bolsonaro é que o primeiro efeito prático foi um processo de fuga de parcela dos membros, a maioria receosa de sofrer o mesmo destino dos que tiveram seus bens congelados e telefones apreendidos no dia de ontem. Afinal de contas, sabe-se lá o que pode ser encontrado no telefone desse pessoal.

A segunda consequência que já deve estar ocorrendo é a diminuição do fluxo de recursos financeiros para as contas que estavam custeando determinadas ações, incluindo as antecipadas mobilizações pró-golpe no dia 7 de Setembro.  É que até o mais ingênuo dos brasileiros já deve ter notado que a apreensão dos telefones dos empresários bolsonaristas já rendeu revelações bombásticas nas últimas 24 horas. Com o passar do tempo é possível que mais coisa venha à superfície, tornando a situação ainda mais complicada para alguns personagens.

Se essas duas coisas realmente acontecerem, podemos esperar um arrefecimento na propagação das chamadas fakes news de cunho eleitoral, o que, por sua vez, gerará complicações para um candidato à reeleição que não possui nada muito positivo para oferecer como prova do trabalho realizado desde que ocupou a cadeira de presidente em janeiro de 2019. Como diriam os jovens, “pode ter dado ruim”.

Mas e a democracia brasileira como fica nesse rolo todo? Certamente sua saúde dependerá do que se fizer contra aquele impoluto grupo de senhores que usavam o Whatsapp para sonhar com a imposição de uma nova ditadura no Brasil.

Rafael Diniz, o exterminador do futuro de Campos, importa flautistas de Hamelin para fazer campanha nas redes sociais

exterminadorDepois de exterminar as políticas sociais e gastar bilhões de orçamento sem a prometida melhoria na gestão, Rafael Diniz faz opção de alianças pela direita e uma campanha centrada nas redes sociais

O jovem prefeito Rafael Diniz (Cidadania) manteve no dia de ontem um encontro auspicioso com o principal fiador das reformas ultraneoliberais do governo Bolsonaro, o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM) no que pareceu um prenúncio de uma aliança para as próximas eleições municipais em Campos dos Goytacazes ( ver abaixo uma foto do encontro).

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Para quem pensa que essa aliança entre Rafael e Rodrigo é despropositada, basta olhar as práticas do prefeito para ver que ele é o precursor da destruição das políticas sociais em Campos dos Goytacazes, que o deputado federal tão ferozmente tenta expandir para o resto do Brasil. Essa é uma aliança que unirá dois políticos que tem clara aversão às necessidades dos mais pobres. E, por causa disso, faz todo sentido e não surpreende.

À primeira vista, a candidatura de Rafael Diniz é aquilo que em inglês se chamaria de um “sitting duck” (um pato pousado na lagoa), pois o seu (des) governo amealhou tanto desgosto na maioria dos pobres que formam o grosso do eleitorado local, que em condições normais de temperatura e pressão, o prefeito não deveria estar se dando ao trabalho de concorrer.

Mas estes não são tempos normais por causa da mistura entre um ambiente político conflagrado pela crise econômica, mas também pelos efeitos devastadores da pandemia da COVID-19. Com isso, se tem uma diminuição da circulação das pessoas e do contato direto entre candidato e eleitor.

Entretanto, o que é defeito para a maioria dos candidatos, para Rafael Diniz é vantagem. É que depois de ter destroçado a maioria das políticas sociais, o jovem prefeito não teria mesmo como visitar pessoalmente a maioria das localidades do município que, aliás, o seu governo deixou em estado de completo abandono. Assim, também faz sentido a informação recebida pelo blog dando conta que Rafael Diniz irá tentar vencer as eleições via as redes sociais, tal como já o fez em 2016. Para tanto, ele já teria importado uma equipe de profissionais de mídia que irão começar a tentar a dourar a pílula amarga que seria mais quatro anos de um governo completamente e inteiramente anti-pobre.

Flautista-de-HamelinCom seus flautistas de Hamelin importados, Rafael Diniz tentará usar as redes sociais para vencer uma eleição na qual as ruas não lhe querem

O problema para Rafael Diniz e seus “flautistas de Hamelin” é que o raio até caiu 2 vezes no mesmo lugar, mas com dificuldades. A primeira delas é que Rafael Diniz fez um péssimo governo, daquele tipo que só destruiu e nada construiu. Até a bandeira da melhoria da gestão foi para as calendas, pois ele não só manteve a política de encher a prefeitura de Campos com apadrinhados de políticos em cargos comissionados, como gastou mal fortunas inteiras, especialmente nas áreas de saúde e educação. Com isso, cria-se uma dificuldade para ilusionismo digital, pois há que se convencer as pessoas que elas não viveram o inferno de uma administração que olhou mais para a “rua das Pedras” em Búzios do que para a avenida Zuza Mota às margens da Lagoa do Vigário de cujas proximidades o avô de Rafael, o ex-prefeito Zezé Barbosa, por tanto tempo reinou sobre a política de Campos dos Goytacazes.

A minha impressão é que diferente de eleições realizadas recentemente, o próximo ciclo eleitoral voltará a depender da capacidade dos candidatos de “vender o peixe” diretamente aos eleitores. Uma razão para isso, como observou um experiente observador do uso político das redes sociais, é que todos os partidos agora usam os espaços virtuais para fazer campanha. Isso não apenas congestiona as redes, mas como deixa todos os gatos parecendo que são da mesma cor. Se isso se confirmar, Rafael Diniz terá poucas chances até para chegar ao segundo turno, tamanha é a sua rejeição popular (existindo até áreas onde ele já está proibido de entrar).

Por último, há quem ache que existam chances de que tenhamos um aperto nas regras de isolamento social nas próximas semanas em função da expansão da pandemia da COVID-19. Se isso acontecer há que se ver se isso deve realmente aos índices de contágio e óbitos. Afinal, as razões para apertar o confinamento sempre estiveram postas e Rafael Diniz, ao contrário do que apontam as estatísticas, tem cada vez mais flexibilizado o funcionamento do comércio local. Daí que qualquer aperto no confinamento terá que ser muito bem explicado por um prefeito que claramente não poderá usar as ruas para fazer a sua campanha de reeleição.

Placas tectônicas da política se movem e fazem várias vítimas: é o que mostra a capa do O Globo

Quem abriu o site do jornal O GLOBO nesta 6a. feira (28/09) notará que as placas tectônicas da política brasileira estão se movendo rapidamente e os resultados não são bons para três candidatos: Jair Bolsonaro, Marina Silva e Geraldo Alckmin, os quais são agraciados por vários artigos dos principais colunistas do jornalão da família Marinho (ver imagem abaixo).

capa ogloboA principal vítima do que hoje parece ser um “landslide” de notícias negativas é Jair Bolsonaro que mereceu um artigo intitulado “As barbaridades que Jair Bolsonaro e seu vice dizem” do inabalável Merval Pereira. Mas Ancelmo Gois também nos informa que Bolsonaro já até marcou sua próxima cirurgia, enquanto Nelson Motta nos conta quais critérios afetarão o voto feminino no dia 07 de Outubro. 

Quando colocadas juntas essas peças há um apontamento único que é a de que a situação de Jair Bolsonaro começa a passar por um processo de derretimento, o qual deve ser acelerado pela onda avassaladora de denúncias que circula hoje na mídia corporativa.

Mas também há espaço para que se anuncie mais problemas para o PSDB quando as operações da Polícia Federal contra Marconi Perillo, um dos principais grão tucanos que ainda não tinham passado por um escrutínio similar ao de Aécio Neves.  Não faltou ainda um anúncio fúnebre para a candidatura de Marina Silva na forma de um artigo assinado por Bernardo Mello Franco.

E quem sobra nessa sopa? Aparentemente Fernando Haddad e Ciro Gomes. Se for isso mesmo, vamos ver com quem a família Marinho irá se alinhar.  Alguém arrisca um palpite?

Missão impossível! Diretor do Polo UFF de Campos dos Goytacazes recebe intimação judicial para impedir militância partidária

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O diretor do Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional (ESR) da UFF em Campos dos Goytacazes, Prof. Roberto Rosendo, recebeu na noite de ontem (19/09) uma intimação vinda do juiz Ralph Manhães, que se apresenta como um daqueles desafios que todo dirigente de universidade pública terá sempre dificuldade de cumprir, dada a natureza da pluralidade de costumes e práticas que são inerentes à vivência universitária (ver figura abaixo).

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A intimação informa que o Professor Rosendo :

deve se abster de praticar ou permitir ato de adesivação e panfletagem no interior dessa instituição, bem como a realização de reunião partidária ou manifesto político em desrespeito à legislação eleitoral e o princípio da isonomia com demais partidos e correntes políticas durante o período pré-eleição sob as penas da lei”.

A primeira parte certamente da intimação (a que diz que ele de se abster de praticar atos que firam a legislação eleitoral) será rapidamente cumprida pelo Prof. Rosendo, uma pessoa que conheço pessoalmente e sei que dificilmente se envolveria num ato de desobediência a uma ordem judicial.

O desafio posto para ele, e afirmo desde já de difícil cumprimento, é de impedir a ocorrência de atos de adesivação e panfletagem, bem como de impedir reunião partidária e, pior, de manifesto político, dentro da UFF Campos. E a razão é simples para isto: o diretor do pólo da UFF não possui poder de polícia ou, sequer, pessoal suficiente para conseguir controlar as ações da comunidade acadêmica que freqüenta a unidade diariamente, quanto mais para impedir a realização dos atos ditados a ele para impedir. 

É quase como se tivesse sido dada uma ordem para impedir que o sol nasça após a noite. E, pior, se o professor Roberto Rosendo tentar obedecer a ordem judicial, ele certamente criará para si um ambiente hostil que comprometerá completamente a sua habilidade de realizar a já difícil tarefa de fazer o pólo da UFF Campos funcionar dentro de condições mínimas de qualidade, basicamente porque lhe faltam recursos financeiros para tanto.

Além disso, me parece estranho que atividades partidárias deste ou daquele partido sejam impedidas por ferir a isonomia com demais partidos e correntes políticas. É que mesmo que seja desejável tal isonomia não será garantida por decisão judicial, mas pela sim pela existência de apoiadores de todas os partidos e correntes existentes entre os membros de uma determinada comunidade, o que sabemos ser praticamente impossível.

Diante deste quadro de impossibilidade, me parece que o professor Roberto Rosendo deverá receber todo o apoio legal que possa receber da reitoria da UFF. É que como esta situação foi posta, o mais provável que cedo ou tarde ele será indiciado por descumprir uma ordem incumprível.

E pergunto a vocês: será que não existem outros locais na cidade de Campos dos Goytacazes em que a legislação eleitoral esteja merecendo mais proteção do que no interior de uma universidade pública onde a pluralidade é garantida pela convivência direta entre seus membros?

Além disso, nunca é demais lembrar de uma tal de “autonomia universitária” garantida pela Constituição Federal de 1988, essa tão judiada e esquecida carta suprema.

Jair Bolsonaro prova do próprio veneno ao ser esfaqueado em comício

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Informações que estão vindo de Juiz de Fora dão conta que o candidato Jair Bolsonaro  (PSL) teve de passar por uma cirurgia no fígado por causa de um atentado contra a sua vida [1]. Esse caso materializa de forma bastante exemplar o tipo de ambiente hostil que foi criado na atual campanha presidencial pelo próprio Bolsonaro que disseminou propositalmente com fins eleitorais. Basta lembrar a cena em que segurou um tripé de fotografia e o transformou em uma metralhadora metafórica para, segundo ele mesmo, metralhar petistas [2].

A possibilidade de que um ataque fosse promovido contra sua vida aparentemente estava clara para Bolsonaro, na medida em que ele andava protegido por um colete de balas e cercado de seguranças pelos eventos onde ele disseminava sua não plataforma baseada, entre outras coisas, na homofobia e na misoginia.

Convenhamos, como esse atentado mostrou, Jair Bolsonaro  é apenas uma expressão da violência que campeia na sociedade brasileira. Aliás, a própria viabilidade eleitoral de sua candidatura é expressão de algo ainda pior, que é a capacidade das elites brasileiras apoiaram qualquer um que possa servir de instrumento para manter a abjeta desigualdade social que existe no Brasil.

Mas uma coisa é certa: Bolsonaro provou do próprio veneno. Afinal, quem adota a violência como método de ação política, cedo ou tarde acaba experimentaondo uma espécie de efeito boomerang e se transformando no alvo daquilo que pregou.

Por último, esse ataque adiciona um grau de conflitividade ainda maior a um processo eleitoral que já se desenhava como um dos mais polêmicos no pós-Ditadura de 1964. Vamos ver como se comportam os meios de comunicação e o judiciário brasileiro que até agora, convenhamos, passaram a mão na cabeça de Jair Bolsonaro. Só falta ele ser transformado em algum tipo de mártir da democracia brasileira. A ver!


[1] https://oglobo.globo.com/brasil/bolsonaro-leva-facada-em-ato-de-campanha-em-minas-assista-ao-video-23046155

[2] https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/noticia/2018/09/06/stf-da-10-dias-para-bolsonaro-explicar-declaracao-sobre-fuzilar-a-petralhada.ghtml