Darcy Ribeiro: a Universidade do Terceiro Milênio

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Por Isaac Roitman*

Em 1995 fui convocado pelo então reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), Wanderley de Souza, e por Darcy Ribeiro para colaborar na implantação dessa Universidade. O isolamento provocado pela COVID-19 me estimulou a revisitar minha passagem por Campos dos Goytacazes.

Leonel Brizola, em 1991, delegou a Darcy Ribeiro a tarefa de conceber o modelo e coordenar a sua implantação. Darcy fora o criador e o primeiro reitor da Universidade de Brasília (UnB) e autor de projetos de instauração ou reforma de universidades na Costa Rica, Argélia, Uruguai, Venezuela e Peru. Ao receber a missão de fundar a Uenf, Darcy se impôs o desafio de fazer da nova universidade o seu melhor projeto.

Concebeu um modelo inovador, onde os departamentos – que, na UnB, já tinham representado um avanço ao substituir as cátedras – dariam lugar a laboratórios temáticos e multidisciplinares como célula da vida acadêmica.

Cercou-se de pensadores e pesquisadores renomados para elaborar o projeto da Uenf e apresentou-a como a “Universidade do Terceiro Milênio”. Previu a presença da Uenf em Macaé (RJ), onde viriam a ser implantados os Laboratórios de Engenharia e Exploração do Petróleo (Lenep) e de Meteorologia (Lamet). Ela foi inaugurada em 1993.

As marcas da originalidade e da ousadia que Darcy imprimiu a seu último grande projeto de universidade se tornaram visíveis. A Uenf foi a primeira universidade brasileira onde todos os professores têm doutorado. A ênfase na pesquisa e na pós-graduação, sem paralelo na história da universidade brasileira, faz da Uenf uma universidade para formar cientistas. A essência do projeto era dotar o Rio de Janeiro de uma universidade moderna, que atualizasse o Brasil nos principais campos do saber, onde os laboratórios seriam a célula da vida acadêmica, e os centros de pesquisas pudessem praticar, ensinar e aplicar as tecnologias mais avançadas.

Por ter obtido o maior percentual de ex-alunos participantes da Iniciação Científica concluindo cursos de mestrado e doutorado, a Uenf ganhou, em 2003, o Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica, conferido pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Em 2009 recebeu novamente esse Prêmio.

Em 2008, a Uenf foi reconhecida pelo MEC como uma das 15 melhores universidades brasileiras, ficando em 12º lugar no ranking nacional baseado no IGC (Índice Geral de Cursos da Instituição). Também em 2008, a Uenf recebeu o Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos, categoria Extensão Universitária, concedido pela Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). Em 2007, 2008, 2009 e 2010, a Uenf foi apontada pelo Ministério da Educação (MEC) como uma das 15 melhores universidades do Brasil, com base no Índice Geral de Cursos (IGC).

A missão da Uenf é a de criar e disseminar o conhecimento científico, tecnológico e artístico em todos os campos do saber e formar profissionais capazes de inovar e buscar soluções aos desafios da sociedade contemporânea com vistas ao exercício pleno da cidadania.

Os princípios que a Uenf segue para cumprir sua missão são: 1. Compromisso estrito com a excelência; 2. Gratuidade e qualidade; 3. Autonomia didática, científica e administrativa; 4. Legalidade, impessoalidade, moralidade, transparência e eficiência; 5. Garantia ao pluralismo de ideias e concepções pedagógicas; 6. Inserção social e apoio efetivo ao desenvolvimento regional; 7. Valorização do ser humano; e 8. Respeito à diversidade.

Nesses 27 anos de existência, a Uenf, assim como outras Universidades estaduais do Rio de Janeiro, sofreu crises de natureza econômica. É fundamental que sua comunidade universitária, o governo e a sociedade blindem crises futuras para que os sonhos de nosso querido Darcy Ribeiro sejam realidade para todo o sempre. A sociedade do Rio de Janeiro e do Brasil serão os beneficiados. Vida longa para a Universidade do Terceiro Milênio.

Isaac Roitman é  Professor emérito da Universidade de Brasília, pesquisador emérito do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ciências e membro do Movimento 2022-2030 O Brasil e o Mundo que queremos.

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Este texto foi inicialmente pelo Monitor Mercantil [Aqui!].

 

CPI do Previcampos: Governo Rafael foi buscar lã, e voltou tosquiado

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Por Douglas da Mata

A tentativa de reacender o clima inquisitorial de “lawfare” na cidade de Campos dos Goytacazes, que tem entre alguns parlamentares locais os “buchas-de-canhão” da administração local e outros grupos de interesse, tem como objeto principal reeditar a aliança com o partido do judiciário e do ministério público, para dar sobrevida ao pior governo da História desta cidade, e quem sabe, realinhar as variáveis que o elegeram.

Vai ser difícil, porque a “novidade” patrocinada pela Cambridge Analytics se esvaiu, e há uma certa fiscalização atual sobre tais manipulações algorítmicas, e porque a sociedade parece escaldada com os resultados da farsa-jato, que seja no plano local, seja no plano nacional, nos jogou no abismo social, político, econômico, e sanitário!

De certo que a população já sentiu no lombo o que foi o governo da “mudança”, que prometeu alterar os rumos da cidade, e o que fez em quatro anos foi dizer que a culpa era do passado.

Ora, pilordas, isso não basta para quem se disse “o pica das galáxias”, o “dream team” da administração!

O governo atual, eu ouço de interlocutores que privam da intimidade palaciana, é como um time que mesmo jogando sem adversário, com a meta escancarada, e a bola na linha do gol, é capaz de jogar a pelota na bandeira do córner.

O “timing” da investigação da CPI do PreviCampos é de doer!

Quatro anos para apurar algo?

Eles fizeram contas com ábacos?

Mas não é só isso que revela a indigência intelectual da base governista e seus aliados em outras esferas, como na imprensa local.

As análises da CPI estacionam justamente no início do atual governo, como se nada mais fosse merecedor da atenção fiscalizadora dos edis após este prazo.

Não é isso que diz documento recente do TCE, em manobra do atual governo para “descongelar” o dinheiro do PreviCampos para usar como bem lhe aprouvesse, mais ou menos como acusou o anterior de fazer.

No trecho do voto do Conselheiro, repudiando a suspensão da medida cautelar do TCE que impede o governo de manipular os recursos do PreviCampos, há a clara indicação de que desde 2017, o governo atual manteve a mesma prática que denunciou, e mais:

Tentou derrubar medida cautelar que impedia que ocorressem usos indevidos dos recursos, justamente o que diziam ser favoráveis, e que, de uma forma ou de outra, é objeto do relatório da CPI com data de “validade”.

O Conselheiro revela em seu voto a apreensão da Corte de Contas de que os argumentos esposados (emergência da COVID-19) dêem azo às mesmas práticas que deveriam ter sido coibidas desde 2017, mas que até agora estavam sob o mesmo signo da precariedade fiscal, para dizer o mínimo!

Eis o trecho que destacamos:

“(…)Contudo, o pedido de revogação pleiteado pelo jurisdicionado pretende ressuscitar o momento pretérito de ilegalidade vivido pelo município, conforme palavras do próprio requerente, pois desde 2017 esta metodologia de subtrair recursos a margem dos normativos previdenciários vem sendo executada pela atual administração, sem contar com a gestão anterior.

Chama atenção o fato de que a manutenção das irregularidades cometidas pela atual administração jazia por três anos sem restabelecimento da legalidade. Fato é que nenhum procedimento foi aplicado neste período para corrigir o descaminho praticado. Assim, atender o pleito aspirado pelo jurisdicionado poderá expor o sistema previdenciário local a irreversibilidade de manutenção dos pagamentos de benefícios futuros. Depreende-se no pedido que a única medida de enfrentamento da crise financeira esperada pelos gestores municipais com a queda da receita prevista é a utilização de recursos vinculados e a inadimplência das contribuições patronais e dos parcelamentos de débitos confessados, algo que gera grande apreensão a esta Coordenadoria Especializada..(…)”

VOTO: I – Pela CIÊNCIA AO PLENÁRIO do atendimento aos itens II e III da Decisão Monocrática de 14/10/2019; II – Pelo INDEFERIMENTO do pedido de revogação da medida cautelar protocolizado nesta Corte como Doc. TCE-RJ nº 08.805-0/20, mantendo-se a Decisão Monocrática de 14/10/2019; III – Pela COMUNICAÇÃO ao Sr. José Paes Neto, Procurador-Geral do Município de Campos dos Goytacazes, com base no artigo 26, § 1º, do Regimento Interno desta Corte, para que tome ciência desta decisão; IV – Pela ANEXAÇÃO do presente ao processo TCE nº 220.120-7/19. GA-3, em / /2020. CHRISTIANO LACERDA GHUERREN Conselheiro Substituto

(…)”

Ou seja, se o pau que dá em Chico, dá em Francisco, está na hora da Câmara de Vereadores, ou dos órgãos externos de fiscalização (Polícia e MP) agirem para apurar o que houve no PreviCampos, desde 2017.

Ou não?

Aguardemos.

Pode isso, Arnaldo? Câmara de Vereadores engaveta desde março projeto de lei que baixaria valor da conta de água em 30% durante a pandemia da COVID-19

águas do paraibaA concessionária “Águas do Paraíba” e seu reino encantado custeado a tarifas altas parece ter excelentes relações não apenas com o executivo, mas também com o legislativo municipal em Campos dos Goytacazes

Uma das peculiaridades que marca a presença da empresa “Águas do Paraíba” como detentora da concessão pública de água e esgotos em Campos dos Goytacazes é a óbvia inação da Câmara Municipal de Vereadores em exercer o papel fiscalizador da qualidade dos serviços prestados.  Ao longo dos anos houve até anúncios de que uma Comissão Parlamentar de Inquérito ocorreria para depois o assunto cair, como em um passe de mágica, no mais completo esquecimento.  Em outras palavras, para se dizer o mínimo, a Câmara de Vereadores tem ficado aquém do que lhe permite a lei no tocante ao legítimo exercício de fiscalizar um serviço que combina preços caros com qualidade questionável.

Por isso mesmo é que tenho de reconhecer que na presente legislatura o vereador Álvaro Oliveira (PSD) tem tentado fazer o papel que todo edil deveria cumprir no exercício de um mandato que se proponha, ao menos em tese, a defender os interesses de quem o elegeu.  Um exemplo disso é o projeto de lei que Álvaro Oliveira protocolou no já distante dia 19 de março de 2020 para “implementar um desconto mensal de 30%  e proibir que haja a suspensão de serviços por 120 dias” (período que inicialmente se estimava a pandemia da COVID-19 deveria durar” (ver imagem abaixo).

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O curioso é que passados 120 dias a única coisa que aconteceu é que nada aconteceu e o projeto de lei proposto sequer foi colocado para tramitar, sem maiores explicações por parte do presidente da Câmara de Vereadores, o vereador Fred Machado (Solidariedade). 

Diante dessa completa inércia, o vereador Álvaro Oliveira usou do espaço de uma sessão virtual para, em seu estilo moderado, para “constatar e não cobrar” que o projeto de lei proposto em março ainda sequer começou a tramitar, correndo-se o risco da pandemia da COVID-19 terminar primeiro, ferindo-se o espírito da lei que ele propõe (ver vídeo abaixo).

Eu pessoalmente não me surpreendo com esse ritmo de tartaruga de pata quebrada da Câmara de Vereadores quando o assunto se trata de mexer com a concessionária “Águas do Paraíba”, pois isso é a marca da relação da empresa não só com o poder executivo municipal, mas também com o seu legislativo. A questão aqui é notar que uma proposição bastante justa vem sendo enterrada em alguma gaveta empoeirada, enquanto a maioria da população de Campos dos Goytacazes, cliente cativa da “Águas do Paraíba” sofre com os efeitos sanitários e econômicos de uma pandemia letal.

Finalmente, o que se espera é que o vereador Álvaro Oliveira não desanime em sua disposição para cobrar mais clareza e ações que retornem a questão da água e do esgoto algo que seja inerente aos interesses dos cidadãos campistas que pagam contas altíssimas para a “Águas do Paraíba”, enquanto o poder público municipal continua resistindo a tornar essa relação minimamente mais equilibrada, já que ao longo dos anos a empresa ficou com o filé mignon e os seus consumidores cativos ficaram com o osso.

Wladimir e Marcão Gomes enfim juntos… só que não por uma boa causa

marcaovladimirMarcão Gomes e Wladimir Garotinho, normalmente em polos opostos na política municipal, votaram juntos contra a extensão do auxílio emergencial e prejudicaram milhares de famílias pobres em Campos dos Goytacazes

Todos que acompanham a política em Campos dos Goytacazes sabem que os deputados Marcão Gomes (PL) e Wladimir Garotinho (PSD) estão, ao menos em aparência, em polos opostos das disputas políticas que abalam frequentemente a terra do chuvisco

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Eis que agora Marcão e Wladimir colocaram suas diferenças de lado e votaram juntos em uma proposta. O problema é que essa união inédita não foi por uma boa causa. É que Marcão Gomes e Wladimir Garotinho estão entre os 309 deputados federais que votaram contra a ampliação do auxílio emergencial de R$ 600 até dezembro deste ano.  Lembremos que este benefício foi criado pelo governo para auxiliar trabalhadores autônomos, informais, desempregados e microempreendedores individuais (MEIs) durante a crise provocada pela pandemia da COVID-19 (para dirimir dúvidas assista ao vídeo abaixo).

Como esses dois deputados federais têm base política em Campos dos Goytacazes é impossível que eles não saibam que na primeira fase da liberação do Auxílio Emergencial, o número de beneficiários era igual ao daqueles que ainda detinham algum tipo de vínculo empregatício. Aliás, esse número de acordo com Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) era antes da eclosão da pandemia algo em torno de 130 mil pessoas.

Em função disso é que não surpreendeu o fato de que 128 mil campistas tenham sido reconhecidos como elegíveis pelo governo federal para receberam o Auxílio Emergencial.  Aliás,  é bom lembrar que cerca de 14 mil trabalhadores comprovadamente sem renda receberam o benefício do auxílio emergencial na primeira fase de pagamento. E, mais, foi esse auxílio que impediu que milhares de famílias campistas afundassem na miséria absoluta em um momento em que a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes demonstra óbvia incapacidade de gestão para restabelecer as políticas sociais que foram exterminadas pelo jovem prefeito Rafael Diniz no ínicio do seu mandato.

Assim, dado que o valor médio recebido pelos campistas foi de R$ 800,00, a votarem contra a extensão do Auxílio Emergencial, Marcão Gomes e Wladimir Garotinho fizeram com que, em trocados e miúdos, cerca de R$ 102 milhões deixem de circular mensalmente na economia municipal, e exatamente nos últimos meses de 2020.

Tamanha incapacidade de zelar pelos campistas mais pobres, e também pela economia de um município que deve salários a uma quantidade desconhecida de servidores, é uma tremenda bola fora desses dois deputados federais que em péssima hora resolveram votar juntos. Que esse voto não seja esquecido nas próximas eleições municipais pelas milhares de famílias campistas que serão deixadas ao léu em meio a uma pandemia que não dá sinais de que vai passar em 2020. Estes são os meus sinceros votos.

O que vai ser: bacilo ou vírus?

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Aos cristãos: Jesus crucificado está vendo tudo!

Aos descrentes: Vamos animar para transformar essa realidade!

A saúde pública e a política de saúde pública são mais do que pauta jornalística. Em Campos dos Goytacazes implicam em vida e morte de meio milhão de pessoas. Vida e morte que acendem no cenário mundial diante de uma pandemia pautando, dos valores cristãos às questões ético- morais, dividindo a população brasileira em quem torce pelo o vírus e quem torce pelo presidente, diante de sua suposta e anunciada contaminação.

No município de Campos dos Goytacazes, oficialmente, temos 2.253 casos confirmados; 148 mortes por COVID 19;  porém 6.752 casos de síndrome gripal e 212 de SRAG (Boletim epidemiológico do município de 09/07/2020). Sem hospital de campanha, com superlotação dos leitos de UTI, os números são ainda mais assustadores se levarmos em conta a subnotificação.

Fazendo uma relação com a tuberculose – outra doença infecto contagiosa, na maioria das vezes ataca o aparelho respiratório – nos deparamos com um Programa que atua em nível nacional traçando uma trajetória excelente de vigilância, controle e prevenção da doença.

O Brasil ocupa o 15º lugar entre os 22 países responsáveis por 80% do total de casos de tuberculose no mundo. Estima-se uma prevalência de 50 milhões de infectados com cerca de 111.000 casos novos e 6.000 óbitos, ocorrendo anualmente. (Aqui!). Em Campos dos Goytacazes foram 322 casos confirmados, no ano de 2019 (Aqui!).

No nosso município, historicamente, o Programa de Combate à Tuberculose atua com uma equipe de saúde de excelência, comprometida com a prevenção e controle da doença, sempre pronta para realizar atendimento humanizado, atento, realizando busca ativa quando necessário, acolhendo e fazendo as devidas orientações e avaliações clínicas.

Todavia, é lamentável como esses profissionais e pacientes são submetidos a condições insalubres de atendimento. As fotografias mostradas abaixo, e que foram tomadas essa semana, falam por si só. O que nos resta expressar é indignação, denúncia. Como um espaço destinado ao cuidado de saúde, controle e tratamento de uma doença infecto contagiosa pode se encontrar nessas condições, transformando-se em vetor de proliferação de mais doenças?

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Imagens mostram situação no interior do Centro de Referência Augusto Guimarães (que fica localizado ao lado do Hospital Geral de Guarus)

Em tempos de pandemia, em que cada um exerce o esforço possível de deixar os calçados fora de casa, banhar-se e trocar de roupas logo que chega a casa (para aqueles que têm água), além de tantas outras medidas de proteção (muitas estressantes), se depara com um espaço público de saúde nessas condições. Que exemplo de higiene e salubridade os serviços de saúde do município estão oferecendo? Sem torneira no banheiro, mofo nas paredes, teto com uma lona improvisada…

Essa guerra é contra os pobres. Apesar da tuberculose não escolher endereço, a maioria dos contaminados é negra e pobre. A tuberculose e a COVID andam de mãos dadas com a desigualdade social. Terrível!

Quem de nós vai agir? Vamos aguardar ser contaminados pelo bacilo ou pelo vírus para podermos sair da zona de conforto?

 

Justiça expede mandado de busca e apreensão de documentos contra Águas do Paraíba e Prefeitura de Campos

Por Ralfe Reis

O juiz da 3ª Vara Cível de Campos dos Goytacazes, Leonardo Cajueiro, determinou a busca e apreensão de documentos na concessionária Águas do Paraíba e na Prefeitura.

A determinação foi após um pedido do vereador Álvaro Oliveira, na Ação Popular nº 0001430-76.2019.8.19.0014, que alegou a recusa por parte da concessionária em liberar documentos referentes a concessão.

O oficial de justiça terá apoio da polícia para cumprimento do mandado de busca e apreensão.

Ação Popular

Álvaro Oliveira propôs uma Ação Popular em 2019 contra o aumento de tarifa de água e esgoto, e também questiona a prorrogação da concessão. À época a justiça chegou a conceder uma liminar para suspender os efeitos do decreto que aumentava a tarifa, mas a Águas do Paraíba recorreu e ganhou uma liminar no Tribunal de Justiça.

Relembre: Justiça suspende decreto de Rafael Diniz que aumentou tarifa de água e esgoto

Lucro de Águas do Paraíba

Só em 2019, a concessionária Águas do Paraíba teve um lucro líquido, segundo balanço publicado em Diário Oficial, de R$ 52,7 milhões.

Leia aqui: Águas do Paraíba teve lucro de R$ 52,7 milhões

Enquanto a Águas do Paraíba gasta fazendo propaganda, moradores de diversas localidades sofrem com falta d’água e esgoto a céu aberto.

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Este artigo foi inicialmente publicado no site Tribuna NF [Aqui!].

Em meio à pandemia, gestão Diniz aprofunda choque neoliberal e impõe licenças e férias sem pagamento de adicional

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Em muitos sentidos o governo do jovem prefeito Rafael Diniz é uma espécie de antessala em Campos dos Goytacazes da agenda ultraneoliberal que o governo Bolsonaro vem tentando impor ao resto do Brasil.  Com um pouco de uso da memória, todos vão lembrar que o governo Diniz foi o primeiro a exterminar em ampla escala as políticas sociais que criavam uma, ainda que precária, rede de proteção social para os mais pobres. Mas assim que sentou na cadeira de prefeito, Rafael Diniz exterminou de forma meticulosa (e impiedosa)  cada uma das políticas sociais que livraram os mais cidadãos mais pobres da fome e da habitação forçada em calçadas e praças.

Mas afora os pobres, o governo Diniz tem sido particularmente nefasto com os servidores públicos municipais, sejam eles concursados ou precários. No caso dos servidores contratados em regime precário, os chamados RPAs, as informações que circulam dão conta que existem trabalhadores que não veem a cor do dinheiro há elásticos cinco meses, tendo muitos já desistido de obter o acesso a salários que fizeram jus enquanto trabalhavam sem salários. Essa situação tem causado constrangimento e assédio psicológico, e muitos se encontram hoje mentalmente sobrecarregados.

Entretanto, como não hã que esteja tão ruim que não possa piorar, hoje recebi o documento abaixo que mostra uma determinação que possui todos os tons de estar eivada de ilegalidade, já que impõe a servidores públicos concursados o gozo de licenças prêmios e férias, estas sem que seja feito o pagamento do 1/3 de adicional de férias como determinado na forma da lei.

wp-1593261016600..jpgObviamente sempre há a chance do documento ser falso, já que na internet e nos grupos de aplicativos como os do Whatsapp existe a circulação de fake news e documentos falsos. Entretanto, quem me enviou garantiu que já há uma revolta incontida em um grande número de servidores, simplesmente porque o documento é legítimo.

Agora me digam, o que mais precisa acontecer aos servidores públicos municipais em meio a esta pandemia? Muitos têm trabalhado na modalidade do home office arcando com os custos que isto demanda, sem que haja qualquer notícia de que o governo Diniz está custeando o trabalho em casa como, aliás, determina a legislação pertinente.

E há maior castigo de que impor férias em meio a uma pandemia e sem o pagamento do adicional de férias? A primeira coisa é que férias são um artefato destinado a propiciar ao trabalhador um mínimo de descanso físico e mental, enquanto que o adicional de férias foi idealizado para permitir que isto efetivamente ocorra. 

Assim, eu não me surpreenderei se o jovem prefeito Rafael Diniz tiver que se defrontar com ações na justiça por parte dos servidores que irão, justificadamente, se sentir lesados em seus direitos.

Há que se notar que há pelo menos um caso sendo apurado envolvendo a aquisição superfaturada de cestas básicas por causa dos valores vultuosos envolvidos. Isso prova que o problema na gestão do jovem prefeito Rafael Diniz não é a sempre alegada falta de recursos financeiros, mas das opções de como gerir e usar o dinheiro público, bem ao estilo do que o então vereador tanta gostava de dizer (corretamente em muitos casos, é preciso que se frise) em relação à gestão da ex-prefeita Rosinha Garotinho.

Por último, não deixa de ser irônico lembrar que durante a campanha eleitoral de 2016, Rafael Diniz prometia respeitar e valorizar os servidores públicos municipais. Agora se vê que tudo não passava de lorota de campanha.

Em Campos é assim: COVID-19 ou queimadas de cana, façam a sua escolha

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Não bastasse a COVID-19, agora os moradores de Campos dos Goytacazes vão ter que se virar com a poluição causada pelas queimadas de cana

Por uma dessas coincidências nefastas que ocorrem de tempos em tempos, publiquei nesta manhã uma postagem mostrando os efeitos agregados entre a pandemia da COVID-19 e os índices de poluição atmosférica.

Eis que no meio desta tarde comecei a notar aquela característica chuva de fuligem que ocorre durante a safra da cana de açúcar em Campos dos Goytacazes. Sem me dar conta disso, pensei que era apenas um vizinho queimando lixo. Ledo engano! Ao transitar pelas ruas de Campos dos Goytacazes, a verdadeira causa se desvelou e se revelou como sendo uma série de queimadas que estariam ocorrendo na parte norte da cidade (ver imagens abaixo).

Como uma vítima anual de problemas respiratórios pela combinação de ar seco e alta quantidade de material particulado no ar, fato que já me vez frequentar incontáveis visitas à áreas de emergência hospitalar e realizar outras incontáveis sessões de inalação, fico me perguntando o que será de mim se eu ficar no mesmo estado lamentável em que fiquei em safras passadas?

Pois em Campos dos Goytacazes é assim: as vias pelas quais se pode contrair doenças respiratórias são inúmeras, incluindo a COVID-19. Mas a mais tradicional e de longa contribuição para doenças respiratórias certamente não será ela.

Será que custa lembrar pela Lei 5.990 de junho 2011 o  prazo para a erradicação da queimada no Estado do Rio de Janeiro acaba em 2020 para lavouras implantadas em áreas passíveis de mecanização da colheita e em 2024 para áreas não passíveis de mecanização?

Coronavírus em Campos dos Goytacazes: pesquisa inicia nova etapa de testes rápidos neste domingo

Pesquisadores do IBOPE Inteligência vão aplicar testes rápidos para o coronavírus em visitas domiciliares a moradores de 133 cidades do Brasil entre os dias 21 e 23 de junho

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A pesquisa EPICOVID19-BR, que estima a proporção de casos de infecção por coronavírus no Brasil, inicia nova etapa a partir deste domingo (21), com a meta de realizar 33.250 testes rápidos e entrevistas em Campos dos Goytacazes e em mais 132 cidades de todos os estados do país. Cerca de 2,6 mil pesquisadores do IBOPE Inteligência vão às ruas, nos dias 21, 22 e 23 de junho, para visitar residências e convidar 250 moradores a realizar testes rápidos para o coronavírus em cada uma das cidades incluídas na pesquisa.

“É fundamental que a população aceite participar da pesquisa. Em cada cidade, por exemplo, é preciso realizar pelo menos duzentos testes, para que possamos apresentar estimativas sobre a real dimensão da COVID-19. Além de contribuir com o esforço coletivo de enfrentamento da pandemia, o participante tem a oportunidade de realizar o exame e saber o resultado na hora”, diz a epidemiologista Mariângela Freitas da Silveira, integrante da coordenação do estudo.

O Estudo de Prevalência da Infecção por COVID-19 no Brasil (EPICOVID19-BR), coordenado pela Universidade Federal de Pelotas com financiamento do Ministério da Saúde, é o maior levantamento populacional do mundo a estimar a prevalência de COVID-19. A segunda etapa da pesquisa apresentou evidências inéditas sobre a velocidade de expansão do coronavírus em 83 cidades do país. A proporção de pessoas que já contraíram o vírus no Brasil aumentou em 53% no período de duas semanas entre a primeira etapa, realizada de 19 a 21 de maio, e a segunda, de 4 a 5 de junho. Os dados mais recentes também mostram que, para cada diagnóstico confirmado, existem ao redor de seis casos reais não notificados na população. Para se ter uma ideia, as estimativas somam mais de 1,7 milhão de pessoas que têm ou já tiveram o coronavírus, contra o total de 296.305 casos notificados em 120 cidades brasileiras na véspera do segundo levantamento da pesquisa.

Como funciona a pesquisa

O estudo inclui a cidade mais populosa de cada uma das 133 sub-regiões definidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o território brasileiro. A seleção das residências e das pessoas que serão entrevistadas e testadas ocorre por meio de um sorteio aleatório, utilizando os setores censitários do IBGE como base.

Para o exame, os pesquisadores coletam uma gota de sangue da ponta do dedo do participante, que será analisada pelo aparelho de teste em aproximadamente 15 minutos. Enquanto aguarda o resultado, o participante responde a perguntas sobre sintomas da Covid-19 nas últimas semanas, busca por assistência médica e rotina em relação às medidas de prevenção e isolamento social. Em caso de resultado positivo, os profissionais comunicam a Vigilância Epidemiológica local.

Pesquisa disponibiliza canais de informação sobre visitas

Os pesquisadores que realizam as visitas estão identificados por crachá do IBOPE Inteligência e utilizam os equipamentos de proteção individuais (EPIs): máscaras, toucas, aventais, sapatilhas (todos descartáveis), óculos de proteção e luvas. Todos os profissionais são testados e apenas aqueles que tiverem resultado negativo realizam as visitas domiciliares. O estudo tem aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa e cumpre todos os requisitos de segurança necessários, para proteger os pesquisadores e a população.

Em caso de dúvidas, os participantes podem entrar em contato para esclarecimentos sobre as visitas às casas pelos telefones 0800-800-5000, (11) 3335-8583, (11) 3335-8606; (11) 3335-8610, ou pelos e-mails pesquisa.covid-19@ufpel.edu.br pesquisa.covid-19@ibopeinteligencia.com.

NEABI/UENF distribui cestas básicas com fundo do Projeto Baobá e Vaquinha online

Contribuindo para o combate ao Coronavírus em comunidades vulneráveis.

20200515_121742. Frutas, farinha

O  Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas da Universidade Estadual do Norte Fluminense (NEABI/UENF) realizou a entrega de cestas básicas, produtos de higiene e máscaras para famílias na comunidade de Donana, localizada na periferia de Campos dos Goytacazes com o apoio da Associação Bem Faz Bem (ABFB), presidida por Erivelton Rangel de Almeida.  A entrega foi feita para famílias negras que estão em situações de precariedade, atendendo assim ao Edital Baobá da Equidade Racial.

A doação das cestas só foi possível com os recursos provenientes do Edital de Apoio Emergencial, promovido pelo Fundo Baobá para Equidade Racial, cujo montante foi de R$2.500,00, e uma “vaquinha online” que arrecadou R$2.970,00. Ambas as iniciativas partiram da Profa. Dra. Maria Clareth Gonçalves Reis através do NEABI/UENF, do qual é coordenadora.

As cestas foram montadas com alimentos e produtos de higiene adquiridos nas redes de supermercados. Também foram acrescentados outros alimentos como laranja, limão, banana, aipim, potes de tempero e farinha, provenientes da agricultura familiar agroecológica das comunidades quilombolas de Cambucá, Aleluia de Campos dos Goytacazes/RJ e Machadinha, de Quissamã, também no Norte Fluminense do estado do Rio de Janeiro.

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“Optamos pela compra de alimentos saudáveis cultivados pela agricultura agroecológica quilombola porque estas famílias, que já enfrentavam inúmeras dificuldades, também sofrem os efeitos da pandemia. Dessa forma, conseguimos contemplar o Edital Baobá tanto em relação a estas comunidades fornecedoras dos alimentos quanto à comunidade que os recebeu, no caso as famílias negras da Donana”, afirmou a professora Clareth Reis.

Ainda segundo a professora Clareth, o trabalho de toda a equipe foi muito gratificante. “Não podemos deixar de agradecer a todas as pessoas que contribuíram de alguma forma para o sucesso da nossa ação, especialmente àquelas que participaram da construção e do desenvolvimento do projeto: Lucas Santos, Luiza Almeida, Stella Freitas, Karolina Alves e Maiara Tavares; à Associação Bem Faz Bem (ABFB) e ao mestrando em serviço social da UFRJ, Abilio Maiworm-Weiand, pelo apoio em todo o processo”.

A professora Clareth e toda equipe do NEABI/UENF agradecem ainda ao Fundo Baobá da Equidade Racial; à Universidade Estadual do Norte Fluminense, especialmente à Gerência de Comunicação – ASCOM, à Prefeitura do Campus, ao Sr. Osvaldo, do Centro de Convenções, ao Sr. Joselmo Vilarinho, Assessoria de Transportes – ASTRAN; a todos que fizeram suas doações por meio da “Vaquinha Online”; a Igreja Santo Amaro, especialmente a Tânia Rodrigues e ao Diácono Márcio Fernandes, à Danielle Corrêa, Judith Farias, Flávia Comelli, Leonardo Barreto, aos assistentes sociais Rita e Cleiton. Enfim, a todas/os que, de alguma forma, contribuíram para a concretização desta ação.