O PT de Campos dos Goytacazes, de volta para o passado

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Por Douglas Barreto da Mata

Não me refiro a estes últimos meses, em que o PT campista correu atrás de uma bolha de sabão, ou melhor, uma miragem no deserto de votos e de ideias do partido, em sua seção local. Falo de anos, décadas. Quem ouviu ou assistiu a fala do ilustre Professor Luciano D’ Ângelo, hoje pela manhã, em um veículo de comunicação da cidade, ficou com a impressão, não incorreta, que o PT campista vai às ruas para tentar atacar o candidato favorito, o Prefeito Wladimir Garotinho.

Nada demais, afinal, uma das táticas possíveis aos que largam atrás é desgastar o capital daquele que tem mais para perder. Outra abordagem seria investir contra os outros concorrentes na disputa, mas aí não há quase nada para ganhar, isto é, juntando o PT, a candidata delegada, o candidato que é deputado estadual, e outros nanicos, não dá meia candidatura.  Não citei os outros, como dizem os institutos de pesquisa, porque estão no traço, quando falamos das intenções de voto.

O problema da tática do PT de Campos é que ela está dissociada de qualquer estratégia de médio e longo prazos, e tem sido assim desde sempre. O PT não vai herdar quase nada dos chamados 100 mil votos de Lula, essa tese é uma lenda.

Quando Lula esteve no ápice de sua carreira, com popularidade presidencial nas alturas, o PT local nunca refletiu esse desempenho em suas votações municipais locais, nem regionais, e quiçá, estaduais.

O PT do Rio, e de Campos são uma lástima, correias de transmissão do PT de SP, um puxadinho, nada mais. As razões já cansei de dizer, a legenda sempre preferiu o adesismo, personificado em figuras como D’ ngelo, a quem nutro profundo respeito, porém com quem sempre tive enormes discordâncias. O PT do Rio e de Campos sempre quiseram ser rabos de elefantes a serem cabeças de mosquitos.

Pois bem, com esse viés adesista, o PT campista sempre se privou de disputar o campo popular, ficando restrito a um nicho de classe média conservador e que torcia o nariz para qualquer política de proteção social, personificada na família Garotinho. Os Garotinhos são uma opção de esquerda? Não. Mas qual foi a opção de esquerda a qual o PT de Campos se aliou desde 1992? Arnaldo Vianna?  Alexandre Mocaiber? Rafael Diniz?

O resultado disso tudo?  O PT campista manteve uma faixa flutuante de eleitores da chamada “pedra”, tão conservador ou mais que os bolsonaristas que criticam, e cujo bolsonarismo Luciano tenta agora colar em Wladimir Garotinho.

A incoerência e o casuísmo saltam aos olhos, quando observamos que a carreira política dos D’ ngelo é um roteiro de costuras e alianças pragmáticas, com personagens muito mais conservadores que o prefeito atual.

Se queremos uma imagem desse adesismo petista mal sucedido, que encurrala o partido e o atual governo em uma coalizão onde Lula parece mais refém que articulador, é o Ministro Alexandre Padilha, para quem, não por coincidência, trabalha a filha do Professor.

Novamente é bom que se diga: aliança é uma coisa, adesismo é outra. Aliança você negocia, cede, ganha, no adesismo, você só adere, como diz o termo.   É o PT  e o governo federal, é o PT do Rio, é o PT de Campos, guardadas as proporções dos desastres que representam hoje.

Só essa inclinação ao adesismo explica, por exemplo, que o Professor Luciano tenha colocado o PT local na rota de colisão com a realidade, quando imaginou a candidatura da deputada Carla Machado, ela mesmo a expoente de um dos piores tipos de conservadorismo político da região, com “feitos” desastrosos para populações desprotegidas, como a do V Distrito de São João da Barra, e associação com tipos como Eike Batista.  O Porto do Açu é um clássico de destruição de gente e do ambiente. Um “case”, por assim dizer.  Também é de Carla Machado a gestão que afundou SJB nos piores índices de pobreza do país, mesmo a cidade contando com uma fortuna orçamentária per capita.

Então, o problema do Professor Luciano D’ Ângelo com Wladimir Garotinho não é o conservadorismo ou o bolsonarismo, senão o PT não estaria perto de gente que é capaz de tomar terra de gente pobre para dar aos ricos, ou atolar 77% de sua população na linha abaixo da faixa de pobreza, ou enfim, de dar espetáculos grotescos de misoginia, homofobia e outras condutas reprováveis, como são os padrinhos políticos da deputada.

A questão do Professor Luciano D’ Ângelo é tentar retomar seu quinhão de votos conservadores, aqueles da classe média e de parcela das elites, que giram entre 7 a 15% do eleitorado campista, e que hoje, por habilidade do prefeito e seu apetite por amplas alianças, acabou migrando, em parte, para o garotismo.

Como vemos, mais uma vez o PT campista na contramão da História, tenta uma volta ao passado para recuperar o que sempre o engessou como um partido antipopular.

Tentar colar no Prefeito Wladimir a pecha de extrema direita, o que ele, definitivamente não é, poderá ter dois efeitos:  aundar o PT local ainda mais, porque o campo eleitoral do antigarotismo está bem reduzido, e pior, encontra-se, aí sim, na mão de extremados, com quem o PT parece querer se igualar e;

Pode empurrar o eixo da política local ainda mais para a direita, o que, óbvio, no médio e longo prazos é a condenação à morte de quem já está, ou sempre esteve, na CTI.

Olhando o Professor Luciano D’ Ângelo hoje fiquei com a imagem do Christopher Loyd, o Professor Brown, da saga De Volta Para O Futuro, sucesso dos anos 80, nos cinemas. O problema é que o PT e o Professor Luciano embarcaram de volta para o passado.

Querer nem sempre é poder, especialmente quando se trata de governar municípios

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A delegada  da Polícia Civil e pré-candidata a prefeita de Campos dos Goytacazes Madeleine Dykeman ao lado do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, e pelo governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro

Por Douglas Barreto da Mata

Há um tempo atrás, escrevi no  Blog do Pedlowski um texto sobre a ampla vantagem construída pelo atual prefeito Wladimir Garotinho, que pode ser lido[Aqui!].  Pois bem, hoje cedo, ouvi a entrevista da candidata, melhor dizendo, pré-candidata Madeleine Dykeman.

É difícil falar sobre ela, porque por questões relacionadas à profissão, construí com ela, e com o marido dela, uma relação afetuosa, de carinho mesmo. Preciso dizer que respeito muito a coragem dela. Não é fácil despir-se do senso de autopreservação para se expor dessa maneira, ainda mais sendo o début dela nas disputas políticas.

Sem dúvida, Madeleine é uma mulher de coragem, e essa qualidade não pode lhe ser subtraída. Porém, nesta seara, coragem não é tudo. É nítido que falta à pré-candidata a embocadura, para dominar temas que escapam ao seu conhecimento. Não é vergonha não saber, diga-se.

No entanto, uma das características principais de raposas felpudas desse negócio é saber como driblar essa deficiência, e trazer a conversa para sua zona de conforto. Brizola era um craque nisso. Garotinho também não ficava atrás.Neste quesito, para a delegada, a porca torce o rabo.

Explico. Há um notório desconhecimento da delegada sobre temas que ela repisou em sua entrevista.  Primeiro, ela mencionou a questão dos empregos. Pareceu estranho uma conservadora (e por isso mesmo, uma adepta do capitalismo de direita) reivindicar para o Poder Público o papel de indução de empregos, ou de gerador de empregos.

Qualquer um que se aventure na questão saberia dizer que gerar riqueza e emprego é papel da iniciativa privada. Pois bem, mesmo aceitando esse falsete de esquerda no discurso conservador da Madeleine, fica a questão:  Ela sabe do que está falando, além do lugar comum que é veiculado em boatos (para os mais novos, “fakes”)?  Não me parece.

A insistência em palavras-chave, como “autoridade, gestão, inovação”, e a preferida dela, “humanização”, não consegue preencher a falta de conhecimento.  A cidade de Campos dos Goytacazes tem, reiteradamente, aparecido entre as três primeiras cidades geradoras de emprego dentre as 92 cidades do Estado, de acordo com o CAGED/IBGE.

Outro dado que a delegada parece não dominar é sobre a origem do investimento público na cidade, quando repete o jargão de que o Prefeito tomou para si a paternidade de recursos que seria da esfera estadual.

Eis os dados:

2021:   R$ 11.127.373,38

2022:   R$ 202.331.966,45

2023:   R$ 187.402.672,46

2024:   R$ 115.049.186,33

Total da  PMCG: R$ 515.911.198,62

Total de investimento na cidade :

R$ 828.011.434,99

Logo, teremos que o valor empenhado pelo Estado é de R$312.100.236,37, ou seja, 37.7% menor que o valor empenhado pelos cofres da cidade.

Há outros desconhecimentos, como a reivindicação comum na cidade, de que há uma desindustrialização, e que isso seria reflexo da má gestão.Aliás, esse indicador é usado também por uma certa parte da Academia dedicada aos estudos de Economia.  Fica evidente que está mais para econometria do que para o entendimento de Economia como ciência social que é.

Mesmo assim, mesmo que resumida à pobreza e frieza dos parâmetros econométricos, esses econometristas pecam pelo desconhecimento dos demais fenômenos e circunstâncias que levam à desidratação da atividade industrial.

O PIB da indústria decresce no país todo desde 1990 (e no mundo desde 1980), e só no ano passado recuou no país em 12%, aproximados, enquanto só o setor de serviços e comércio, e também da construção civil, conseguiram crescer, todos induzidos pelos massivos investimentos públicos em obras, e reconstrução da estrutura de bens e serviços.

Aqui na cidade de Campos dos Goytacazes, como mostraram os números recentes, e como já mencionamos, avançou muito em geração de empregos, e foi bem melhor nesse governo que outros com muito mais recursos per capita, como informou o economista José Alves de Azevedo Neto, em seu blog.

Olhar para o cenário de TODAS as cidades petro rentistas é reconhecer um fato:  Nenhuma cidade, nem Maricá, que hoje é a maior em arrecadação per capita, conseguiu criar um ciclo de industrialização sustentável.

O dado importante talvez tenha escapado, propositalmente ou não, à maioria, e também à Delegada:  Como estão a desigualdade e os níveis de pobreza? Olhemos ao redor próximo.

A cidade governada por outra pré-candidata do mesmo grupo que apadrinha Madeleine ostenta números de pobreza dramáticos, quando observamos que o valor per capita disponível para aquela cidade é muito maior que Campos dos Goytacazes, Macaé, e Rio das Ostras, por exemplo, que estão em situação muito melhor que São João da Barra (ver blog do José Alves Azevedo Neto).

A cidade está menos desigual, com menos pobres, longe do ideal, diga-se, mas ao menos recuperou a rede de atendimento social que foi destruída pelo seu antecessor, Rafael Diniz, que por coincidência foi apoiado também pelo mesmo grupo que hoje lançou a pré-candidata, embora na entrevista ela tenha procurado se desvincular desta condição.

Voltando aos empregos “industriais”, é preciso dizer que quem entende um pouco de economia, e nem precisa ser economista, sabe que os montantes de acumulação primitiva de capital necessários à criação de um arranjo industrial não se resumem às rendas não-tributárias (royalties).

Ao longo da História, estas acumulações necessárias à industrialização nunca foram resultantes de acumulações orçamentárias públicas, como é o caso da Inglaterra, o clássico motor da Revolução Industrial.

Portugal, Espanha, e etc, todos países que foram pioneiros na acumulação colonial não conseguiram dotar seus países das condições de industrialização, que só aconteceu onde os primitivos excedentes das cidades comerciais (burgos) possibilitou uma dinâmica própria e independente dos humores dos reis e do clero.

Atualmente, quando o mundo está abandonando a indústria, ou pelo menos, implantando esses arranjos industriais em locais de altíssima rentabilidade e ultra exploração de mão-de-obra, como Sudeste Asiático, e outras áreas, como Índia, China, etc, as chances de atração de indústrias vão requerer ações muito mais complexas.

Em Campos dos Goytacazes, se não fossem os investimentos públicos, a economia estaria em situação ainda pior, muito pior.

A cidade é presa secular do capitalismo de monocultura, e agora, há, pela primeira vez, a inversão dessa lógica, com o crescimento de receitas próprias do município, talvez como retorno de arrecadação, por certo, dos investimentos públicos em obras, que geram empregos, e empregos geram impostos locais.

Pode-se discutir as escolhas do prefeito Wladimir Garotinho sobre os setores atendidos, e/ou as prioridades a serem adotadas.

Porém, hoje, não só os dados de aceitação eleitoral lhe favorecem, mas os resultados da gestão também, por mais que eu hesite em admitir.

Em resumo, falta à Madeleine Dykeman talvez o que lhe sobra coragem: entender os limites que a História impõe.

Em Campos, a aposta no conflito continuado resultou em um tremendo risco de se tornar um “bloco do eu sozinho” à beira do precipício

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Por Douglas Barreto da Mata

O ser humano é um animal gregário, ao mesmo tempo que age com fortes inclinações individualistas.  É esse paradoxo, ou é esse dilema que orienta nossa interação com outros humanos e o ambiente.  Esta contradição nos permitiu alcançar o topo da cadeia evolutiva, dominando outras espécies, desenvolvendo sistemas sociais complexos que, ao mesmo tempo, são diariamente ameaçados por nossa tendência a esquecer o valor dos princípios de vida em coletividade.

Nossa inteligência é nossa salvação e perdição cotidiana.  Na ação política, traço exclusivamente humano em sua natureza e objetivos, o isolamento sempre foi um sinal de iminente derrota.

Vejam o caso de Campos dos Goytacazes. A história recente revela que todas as dinastias políticas locais e regionais chegaram ao auge, quase sempre personificadas em personagens mais relevantes, outros menos, e que conheceram o declínio quando acreditaram que poderiam seguir sozinhos ou fazer com que todos os seus interesses prevalecessem sobre todos os demais.

No plano nacional não foi diferente. Grandes figuras conheceram o ápice, enquanto foram capazes de agregar pessoas e esperanças ao seus redores, e caíram em desgraça quando esqueceram essa lição, e imaginaram que tudo podiam, como Vargas, Jânio Quadros, Collor, etc.

Na planície foi assim com Zezé Barbosa, com o ex-governador Garotinho, com o médico Arnaldo Vianna, e ao que nos parece, em tempo muito precoce, com o Presidente da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes, Marquinhos Bacellar, e seu irmão, o Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar.

O alardeado poder imenso conferido ao clã dos Bacellar nos parece grande demais para eles. Hoje, os irmãos se encontram encurralados, sem saída, resumidos a uma agenda que pode ser definida em não ser cassado no plano estadual, para o mais velho, e sobreviver politicamente ao domínio do Prefeito e seu grupo, no caso do mais novo. É muito pouco para quem sonhou ir bem mais longe.

A imagem de um plenário esvaziado, no início dessa semana, na Casa de Leis municipal, quando se discutiu em audiência pública os problemas e soluções orçamentárias da mobilidade urbana da cidade, é um recado importante de que algo está muito mal para o grupo político representado pelos dois.

Todos na planície concordam que a mobilidade urbana é um dos graves problemas a serem resolvidos e debatidos pela comunidade.  Um olhar mais pragmático diria que seria a grande chance de mobilizar forças oposicionistas contra o favoritismo inconteste do atual Prefeito Wladimir Garotinho, de encher galerias, ampliando a ressonância das demandas reprimidas pela gestão do IMTT, porém, o que se ouviu foi um silêncio ensurdecedor.

A Presidência da Mesa Diretora da Câmara Municipal pareceu incapaz de reunir os afetados e interessados no tema.  É flagrante a impossibilidade da Câmara Municipal, na pessoa do seu Presidente, de superar divergências pessoais e estratégias eleitorais que se mostraram inadequadas. A legislatura atual pode ser definida por três momentos, a eleição conturbada para a Presidência da Mesa Diretora, o caso da LOA 2024, e o da CPI da Educação.

Os casos mais graves para a vida municipal foram o risco da não votação do orçamento de 2024, e uma CPI que foi instaurada sem uma justa causa definida, e que acabou morta por inanição, haja vista a absoluta falta de elementos probatórios.

O tom mais elevado do Prefeito, nominando o relatório final de vergonhoso, não está muito distante da realidade, embora alguns possam ter entendido o desabafo com um exagero.

Assim, sem os conflitos citados, nada mais houve que desse foco à atuação desta legislatura, personificada em seu Presidente.  Nenhum tema de interesse coletivo, nada de alcance e profundidade para o debate institucional e para a elaboração de políticas públicas necessárias, nada. Essa postura individualista da Mesa Diretora impôs ao colegiado de vereadores um confinamento político, que se materializa no afastamento daquela Casa dos cidadãos e cidadãs, com prejuízo óbvio para todos.  A fracassada audiência pública sobre mobilidade é a prova cabal dessa circunstância.

Apesar das reclamações do Presidente da Câmara sobre o desinteresse geral, o fato dele não entender, ou pior, desejar desviar a atenção sobre os reais motivos da situação, mostram a inexistência de um espírito público, próprio aos ocupantes das cadeiras de presentação dos poderes, principalmente na atividade parlamentar, que requer, sim, a firmeza na defesa de posições, mas a flexibilidade para buscar e estabelecer consensos possíveis, evitando assim, rupturas institucionais.

Dizem os analistas que o atual Presidente se reelegerá com uma votação grande, talvez seja o mais votado. É bem possível.  Usando a metáfora do futebol, vai ser artilheiro de um campeonato que seu time (a Câmara) foi rebaixado para a quinta divisão. De que adianta? Para a cidade, nada. Talvez seja a hora de aprender com os erros e péssimos resultados recentes, e quem sabem dar um passo atrás para dar dois à frente?

Aos Bacellar, se optarem pelo isolamento no qual se encontram, só restará o precipício político. Ensina a sabedoria dos povos das estepes africanas: Elefante longe da manada vira brinco de marfim.

Tudo indica, porém, que a depender da Presidência da Mesa Diretora, vamos ouvir um samba de uma nota só tocado pelo bloco do eu sozinho.

MPF e Ouvidoria Agrária promovem audiência pública em Campos (RJ) sobre reforma agrária e prevenção da violência no campo

Evento será realizado no auditório da sede da UFF em Campos dos Goytacazes no dia 6 de junho

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O Ministério Público Federal (MPF) vai realizar, em parceria com a Ouvidoria Agrária Nacional, no próximo dia 6, às 9h, no auditório da sede da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Campos dos Goytacazes (RJ), uma audiência pública para tratar de políticas de reforma agrária e prevenção da violência no norte fluminense.

O objetivo do evento é consolidar as discussões sobre o tema e estabelecer uma agenda conjunta entre as instituições participantes. Foram convidados representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário, do instituto de Colonização e Reforma Agrária, da Secretaria de Segurança Pública e da Secretaria de Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, da Defensoria Pública Estadual e da União, da Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes e da Prefeitura do Município de Campos dos Goytacaze.

A realização da audiência é um desdobramento da atuação da Procuradoria da República em Campos em parceria com a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) no Rio de Janeiro. Em abril deste ano, o MPF solicitou providências da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado sobre denúncias de intimidação policial contra assentados rurais.

De acordo com documento enviado pelo MPF à SSP e à Secretaria de Polícia Militar, ações policiais desproporcionais teriam ocorrido durante projeto da Defensoria Pública estadual, realizado no assentamento Dandara dos Palmares, no dia 6 de abril. Os relatos que chegaram ao MPF falam de abordagens policiais agressivas e tentativas de intimidação contra membros de movimentos sociais, que estavam conduzindo atividade de conscientização agrária durante a atividade da Defensoria Pública.

Serviço

  • O quê: audiência pública sobre políticas de reforma agrária e prevenção da violência no norte fluminense
    Quando: 6 de junho, às 9h
  • Onde: auditório da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Campos dos Goytacazes (RJ) – Rua José do Patrocínio, nº 71

Karoline vai à luta e desvela situação vexaminosa em relação ao saneamento urbano em Campos

karoline

Conheço a agora psicóloga e ativista política Karoline Barbosa há mais de duas décadas, e sempre achei que ela seria uma pessoa de opinião forte, pois desde criança mostrava a capacidade de ser pró-ativa e eloquente. Eu só não esperava que a Karoline crescesse para se tornar a pessoa corajosa que iria desvelar o estado lamentável em que se encontra parte do serviço de coleta e tratamento de esgotos em Campos dos Goytacazes.

É que munida de ferramentas que a tecnologia de sensoriamento desenvolveu, Karoline resolveu fazer algo que muita raposa política felpuda já poderia ou deveria ter feito. Falo aqui da documentação áerea do despejo de esgoto in natura em corpos hídricos no Distrito de Guarus (ver vídeo abaixo).

Mas mais do que documentar, Karoline foi até a justiça para exigir algo que me parece minimamente justo: que a concessionária Águas do Paraiba não possa mais cobrar por um serviço que efetivamente não presta aos campista em troca de uma tarifa para lá de salgada.

O curioso é que não tenho visto nenhum tipo de reação por parte dos vereadores campistas em relação ao minucioso processo de levantamento dos problemas ambientais que estão sendo causados pelo despejo de esgoto sem tratamento em corpos hídricos. Aliás, ao silêncio dos vereadores também se soma o silêncio de outros segmentos que deveriam estar se aproveitando do trabalho de Karoline Barbosa, a exemplo da silenciosa mídia corporativa local.

De minha parte cabe desejar que Karoline continue sendo a pessoa que me acostumei a ver, e que continue desvelando o que não pode mais continuar sendo encoberto.

Do lote à feira: um estudo sobre a resiliência dos assentados e quilombolas em face do flagrante abandono pelo Estado

horta zumbi ivHorta instalada na agrovila do Núcleo IV do Assentamento Zumbi dos Palmares

Uma das tarefas mais plenas de dificuldades, contratempos, mas também de resultados que dão sentido à labuta de professore universitário é quando um orientando conclui um estudo sobre algo que tem sentido o potencial de trazer conhecimento transformador da realidade que nos envolve.  Esse é o caso da dissertação de Mestrado recentemente concluída pela minha orientanda Mariana de Souza Batista no Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Uenf.

Intitulada “Investigando os canais e gargalos do processo de comercialização dos alimentos produzidos pela reforma agrária em Campos dos Goytacazes/RJ”, esta dissertação reflete uma pesquisa que envolveu o uso de métodos múltiplos de pesquisa que resultou na aplicação de questionários em uma amostra de assentados do Assentamento Zumbi dos Palmares, e a aplicação de entrevistas com lideranças de quatro assentamentos, e agricultores que participam de duas feiras livres que são realizadas na área urbana de Campos dos Goytacazes.

Os resultados apontam para uma realidade complexa na qual a maioria dos assentados depende da ação dos chamados atravessadores para escoar boa parte da produção, na medida em que inexistem canais coletivos de comercialização. Esta dependência gera um diminuição na margem de remuneração que os assentados obtém pela produção de alimentos. No entanto, a pesquisa também mostra que a realidade é heterogênea entre os diferentes assentamentos, e mesmo no Zumbi dos Palmares os assentados possuem estratégias para aumentar a margem de remuneração a partir da adoção de mecanismos de venda direta que diminuem a hegemonia dos atravessadores.

Um dos pontos de maior interesse na pesquisa foi analisar se as feiras livres (Feira da Roça e a  Feira Agroecológico e Solidária de Campos, a FAS-Campos) são canais efetivos para a venda direta dos alimentos produzidos nos assentamentos à população de Campos dos Goytacazes.  A pesquisa que esse não é o caso, pois poucos assentados possuem as condições necessárias para transportar a produção até os locais em que as feiras ocorrem (ver o mapa abaixo).

mapa feiras

Uma razões para que as feiras, especialmente a tradicional Feira da Roça, não sejam os canais que os assentados necessitam para melhorar a remuneração obtida com a venda dos seus produtos é que, na prática, inexiste um apoio efetivo do governo municipal para que a produção chegue até as feiras.  Uma descoberta importante é que em ambas as feiras, a única coisa que a Prefeitura Municipal faz, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Pesca, é emprestar as barracas (obviamente todas paramentadas com os símbolos municipais) nas quais os alimentos são comercializados.  Já a Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Pesca e Desenvolvimento do estado do Rio de Janeiro oferece também um apoio pontual a partir da ação de técnicos da EMATER que apoiam a realização da FAS-Campos. Já em relação ao INCRA, a quem competiria apoiar mais fortemente os assentamentos de reforma agrária que ficam sob sua jurisdição, nada se apurou. Como resultado, as feiras acabam acontecendo apenas pela resiliência dos agricultores e assentados envolvidos.

FAS Campos

Mosaico de fotografias dos diferentes pontos da FAS – Campos

Um fato que salta aos olhos especialmente no tocante às ações do governo de Wladimir Garotinho no tocante ao apoio à comercialização da produção dos assentamentos (mas também dos quilombos existentes no municípios) é que os resultados deste estudo colocam em questão o objetivo real da prometida criação de um suposto complexo comercial dos feirantes na Praça da República.  É que se não existe um apoio efetivo para que a produção local chegue às feiras de rua, o que poderia se esperar em termos desse tal complexo? O abandono dos assentamentos e quilombos vai continuar? Se for assim, quem é que vai vender alimentos nesse complexo? Parte dos resultados da pesquisa da Mariana Batista sugere que serão os atravessadores que monopolizam a compra da produção gerada nos assentamentos de reforma agrária.

Mas daí resta uma pergunta ao prefeito Wladimir Garotinho: esse complexo comercial dos feirantes vai precisar de um apoio mais efetivo para que a produção dos assentamentos e quilombos chegue à população. Do contrário, o que poderemos ter é mais um colossal desperdício de dinheiro público que ainda arruinará um pouco o patrimônio arquitetônico da cidade de Campos dos Goytacazes.

Estará Campos preparada para a próxima grande inundação? Tudo indica que não!

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Enquanto assistia a cenas estarrecedoras de cidades inteiras sendo engolidas pelas águas dos rios no RS, me coloquei a pensar o que acontecerá aqui em Campos dos Goytacazes se tivermos uma combinação semelhantes de fortes chuvas nas bacias do Paraíba do Sul e do Muriaé nos próximos anos.  Como já se ensaiou em anos recentes com a elevação do nível dos rios e a entrada de suas águas em partes da cidade, também pudemos ver diferentes prefeitos ostentando impecavelmente limpos jalecos da Defesa Civil como se fossem uma criança indo pela primeira a um desfile de Sete de Setembro.

Mas e o orçamento destinado à Defesa Civil? E os investimentos na manutenção de diques e barragens? E a limpeza de canais com a necessária recomposição das matas ciliares? E, mais ainda, os planos para iniciar o urgente processo de adaptação climática, começando por Santo Eduardo?

Cerca de 90% da população de Santo Eduardo foi atingida pelas fortes chuvas  Folha1 - Geral

Quem assiste hoje de forma aliviada e condescendente às cenas que mostram a desgraça do povo pobre do Rio Grande do Sul deveria estar tomado com o mesmo de alarde e urgência daqueles que hoje estão com água até o pescoço ou abrigados em ginásios de esportes sabendo que não terão mais casas para onde voltar quando as enchentes finalmente retrocederem porque elas foram levadas pelas águas?

Uma coisa é certa: a desgraça dos gaúchos não é algo natural, mas foi produzido por um sistema que despreza os conhecimentos científicos e os alertas sobre a necessidade de se mudar as formas de usar a paisagem natural e de se investir na conservação ou construção de estruturas de adaptação climática.

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05/09/2023, Enchente do Rio Taquari na cidade de Lajeado (RS). Foto: marcelocaumors/Instagram

E sim, quem hoje acha que está fora de perigo precisa saber que esse é um sentimento ilusório e que nas próximas chuvas o Rio Grande do Sul poderá ser aqui.

Wladimir Garotinho: mais para imbatível ou para tigre de papel?

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Tenho publicado neste espaço reflexões de Douglas da Mata a quem nutro muito respeito por sua verve crítica e sacadas que vão muito além de que alguns coleguinhas com diploma de doutor jamais conseguirão ir.  Como um leitor ferrenho de obras complexas e dotado de um olhar que oscila entre o sardônico e o contundente, o Douglas tem em muitos anos tirado o sono de muita gente que teme suas análises e sua sinceridade. Eu, pelo contrário, sempre fui um admirador de sua capacidade analítica e, porque não, do seu jeito extremado de confrontar ideias.

Pois bem, as últimas análises do Douglas da Mata sobre a campanha eleitoral ainda não iniciada apontam para um cenário que deixa pouco espaço para dúvidas em relação ao potencial eleitoral do prefeito Wladimir Garotinho, especialmente em face de uma oposição que carece acima de tudo de um projeto político que além do desejo de ter alguém diferente sentado na cadeira de prefeito.  

Mas se falta um projeto de oposição, isso não quer dizer, em minha modesta opinião, que Wladimir Garotinho deveria sentar sobre os louros da vitória antes do tempo. É que como Jânio Quadros já mostrou para Fernando Henrique Cardoso, ninguém deve sentar antes na cadeira de prefeito antes dos votos serem apurados.

O problema para Wladimir é que ser melhor que Rafael Diniz está longe de ser algo que se possa mostrar como grande coisa. Rafael, como Douglas da Mata já mostrou, foi uma espécie de serial killer de políticas sociais que causou horror até na classe média campista, motivo pelo qual ele não conseguiu chegar ao segundo turno em 2019.  Essa derrota acachapante, se deu apesar dele deter um exército de RPAs, fato que deveria ter garantido, pelo menos, a chance de concorrer com Wladimir na segunda rodada eleitoral.

Além do fato de que ser melhor de que Rafael é pouco, um rápido olhar para a cidade de Campos dos Goytacazes indicará situações horrorosas em áreas diversas como a cultura, esportes, mobilidade urbana, educação e saúde.  Quem olha para o eternamente fechado Palácio da Cultura, para a vexaminosa situação da decrepita sede da Fundação Municipal de Esportes, para a degradante condição das duas rodoviárias do município, para a péssima situação de escolas e hospitais municipais, e para o pífio desempenho do IMTT vai achar que vivemos em um rincão abandonado em que não há dinheiro para nada, quando, de fato, vivemos em um município com orçamento bilionário.

Não posso me esquecer ainda da escandalosa situação dos caríssimos e péssimos serviços prestados pela concessionária Águas do Paraíba que tem sido explicitada pela psicóloga Karoline Barbosa e seus voos de drone por lagoas afogadas em esgoto in natura. Se a oposição usar minimamente a trilha aberta por Karoline e vasculhar os aditivos assinados pela Prefeitura de Campos, sob a batuta de Wladimir ou de sua mãe, a coisa pode ficar, digamos, mal cheirosa para Wladimir, a ponto de contaminar suas chances eleitorais. A situação fica ainda mais problemática quando se observa a dança fingida de resistência aos salgados reajustes anuais de tarifas.

Todo esses detalhes explicitam incompetência e desorganização, algo que já teria corroído completamente as chances de reeleição, tal como ocorreu com Rafael Diniz há quatro anos.  Com isso, o que eu quero dizer que discordo de Douglas da Mata quando ele projeta uma virtual reeleição de Wladimir, mesmo no primeiro turno em outubro.  O problema, e aí eu concordo com Douglas, é que a população de Campos, especialmente a mais pobre, não vai trocar de prefeito sem que haja um projeto claro de melhoria em áreas essenciais como as que eu apontei acima. Então, quanto mais cedo essa discussão for iniciada, melhor para quem quiser seriamente ter uma chance de sair do traço no momento em que os votos forem apurados.

No entanto, o que me parece evidente é que em Campos temos diante de nós uma situação curiosa de um prefeito que tem cara de imbatível, mas pode se revelar um tremendo tigre de papel se um mínimo de esforço organizado for realizado pelos que se dizem de oposição.

Eleições 2024. Cenários e perspectivas para Campos dos Goytacazes

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Por Douglas Barreto da Mata

Ninguém ousa duvidar de números e da ciência estatística. Guardadas as margens de erro, o fato é que a ciência estatística tem considerável margem de acerto, que se eleva devido a um truque sutil. Usar a prospecção de um momento ou de uma conjuntura, e dar a esse evento um caráter profético.

A chamada previsão auto-realizável, ou, como o nome de um dos institutos de pesquisa sugere: futuro pré-fabricado (Prefab future). A enorme vantagem de Wladimir Garotinho sobre seus concorrentes não é irreal.  Ela existe e reúne em si (esta vantagem) um conjunto de circunstâncias: o enorme carisma do prefeito e sua habilidade em manejar suas redes sociais,  o bom governo, ainda mais se comparado à tragédia anterior de Rafael Diniz,  a capacidade em circular entre forças políticas distintas, desde PT até o Bolsonarismo.  E claro, o bônus de herdar um sobrenome com imenso recall entre as camadas mais pobres.

Porém, não são apenas as qualidades dele que sobressaem. A incapacidade da oposição é um fator crucial. Desde a derrota do governo Wladimir, na desastrada antecipação da votação para presidência da Câmara, em 2021, quando o grupo liderado por Marquinhos Bacellar conseguiu criar um embaraço real ao governo que começava, nunca mais, a partir daí, a oposição conseguiu sequer arranhar o governo.

Não rimaram ré com cré, parecem sem rumo, um bando disperso, sem liderança. Dentre os principais fiascos, o Impasse da LOA, a CPI da Educação, culminando com a perda da maioria, a oposição patina.  Hoje, a Câmara tem uma rejeição ainda maior àquela já normal aos parlamentares. 

Pesquisas não divulgadas indicam que a preferência do eleitor pelo presidente da Câmara, se ele fosse considerado como candidato a prefeito, caiu de 6% para 2%, durante estes embates até aqui.  Se é verdade que a presidência da Alerj elevou Rodrigo Bacellar nas divisões da política nacional, é certo que isso não se repercute em Campos dos Goytacazes.

Tentaram emplacar, ou tentam emplacar uma candidata mulher, orientados por sondagens que indicam que esse flanco seria o único com alguma chance. Nada. A candidata que tem mais intenções está inelegível, e ponto. Colocam-na apenas para tentar fazer a chamada candidatura-cavalo (na tradução da umbanda, cavalo é quem recebe a entidade).

A tática é explorar as intenções de voto da deputada petista, mesmo que o registro seja negado, colocando uma substituta para “incorporar os votos” da deputada. Dizem que será Elaine Leão do sindicato dos servidores. Jefferson foi preterido, dizem, porque não aceitou o jogo. Esta alternativa (Elaine dublê de Carla Machado) não se concretiza só pela questão do prefeito itinerante. 

Mesmo que houvesse entendimento diverso, este não pode fazer efeito para esse próximo pleito, pois há um prazo mínimo para tanto. Ainda que a deputada estivesse apta, seu capital eleitoral é reduzido, olhando os dados, ao centro da cidade e setores da baixada. Apesar de seus correligionários, como era de se esperar, dizerem o contrário. Ela detém o que se chama de voto de vizinhança, como acontece com alguns políticos que orbitam entre a capital do Rio e suas zonas metropolitanas, principalmente, a baixada. Tendo sido prefeita de São João da Barra, cidade-veraneio de boa parte da classe média e classe C de Campos, é normal que ela tenha alguma votação por aqui. Ao mesmo tempo, ela captura uma parte do antigarotismo, hoje já parcelada com a delegada e outros candidatos. É só.

A pulverização pretendida pela oposição parece ter explodido dentro das linhas da oposição. Pulverizou os votos deles, e cristalizou a liderança do prefeito.

Chama atenção que, mesmo muito menos exposta que o prefeito, para o bem e para o mal, tenha ele uma rejeição quase idêntica à dela, ou seja, é claro que isso indica que, sendo muito menos conhecida, sua rejeição é muito maior.

Em outras palavras, quem tem 18% de intenções de voto e 8% de rejeição, tem quase metade de rejeição em relação a intenção de voto. Já o prefeito tem 53% e 9% de rejeição, isto é, um sexto de rejeição aproximados, relativos aos votos declarados.

Alguns correlegionários da deputada falam que o prefeito estaria próximo do teto, mas olhando os dados comparados entre votos e rejeição, a deputada parece bem mais limitada que ele. O mesmo pode se dizer da delegada, pois sua rejeição, aparentemente baixa, chega próxima à metade das suas intenções. Sendo um pouco cruel, podemos concluir que são pouco rejeitadas porque pouco conhecidas.

Outro dado, na espontânea, o prefeito mantém-se acima de 50%, e ela despenca das suas intenções para próximo de 3%.

Existe outro dado que foi avaliado de forma enviesada. Trata-se do percentual de indecisos, algo como 40%. Se considerada a série histórica, os indecisos ficaram entre 25 a 30%. Ou seja, a margem de disputa estará entre 10 a 15% de indecisos, e não 40%, como argumentam os que torcem pela deputada/sindicalista.

Na referida pesquisa, outro truque: colocar o nome da deputada na cabeça do questionário, o que eleva as intenções de voto em 2 a 4%. 

Esses números podem mudar? Sim, mas a pergunta honesta a se fazer é: o prefeito tem mais chance de fazer a previsão virar fato, ou a oposição tem mais chance de transformar o futuro, que parece pré fabricado?

O que é ruim sempre pode piorar, e o IMTT conseguiu exatamente isso

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Por Douglas Barreto da Mata

Não há nada que se aproveite na gestão municipal de mobilidade urbana em Campos dos Goytacazes. O IMTT, através de seus administradores, revelou-se totalmente incapaz de dotar o município de um plano mínimo de mobilidade.

Não se trata apenas (que já seria muito) de organizar, planejar e regulamentar o transporte público, com ênfase nos modais de maior capacidade, com emprego de ônibus, VLT, trens, recuperando a malha que serviu a movimentação desde a sede até o interior da cidade.

Há, por fim, a possibilidade (remota) de uso de veículos aquáticos, aproveitando o curso do Rio Paraíba, reduzindo a carga de demanda em horários de pico, entre as duas margens, com integração com outros modais. Isso requer tempo, investimento e, acima de tudo, o binômio: vontade política e capacidade, que o IMTT já demonstrou não ter.

Eu falo de coisas mais imediatas e dramáticas.  Como previsto, a recuperação da malha asfáltica, junto com a implementação de programação de semáforos, com o objetivo de aumentar a velocidade média das vias, as chamadas “ondas verdes”, aumentam, geometricamente, o índice de sinistros de trânsito na cidade.

Na verdade, deveriam se chamar “ondas vermelhas”, da cor do sangue das vítimas de incidentes de trânsito.

Com isso, aumentam os efeitos subsidiários, que impactam os três níveis orçamentários da federação, como: internações, incapacitações, os sistemas previdenciários, e por derradeiro, aquilo que não se pode calcular, o preço da vida e da integridade física das pessoas.  Nem as chamadas ciclofaixas, inseridas neste contexto caótico de aumento de velocidade dos veículos, podem ser consideradas um avanço.

Junto com isso tudo, a total ausência de repressão das infrações de trânsito, de uso de radares, redutores de velocidade, presença de agentes, enfim, qualquer coisa que contenha a fúria assassina dos donos de veículos, proporcionam a tempestade perfeita.

Afinal, de quem é a cidade? Não será exagero dizer que, ao menos no trânsito, Campos dos Goytacazes é uma cidade sem lei.  Quer dizer, tem lei sim, a lei do cão, a lei do mais forte.

Há na planície campista uma ditadura dos carros? Então, corram para as montanhas.