Bayer/Monsanto recebe pena de US$ 175 milhões em tribunal na Filadélfia por causa do glifosato

Uma série de perdas bilionárias causadas pela acusação de que o popular heribicida Roundup causa câncer

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Dezenas de milhares de ações judiciais estão sendo realizadas por pessoas alegando que o Roundup e outros herbicidas à base de glifosato causaram câncer

Por Douglas Fisher para a Environmental Health News

Um júri em Filadélfia (EUA) impôs na sexta-feira à  Monsanto com um veredito com uma pena total de US$ 175 milhões em favor de um paciente com câncer que alegou que a empresa não o alertou sobre agentes cancerígenos conhecidos em seu herbicida mais vendido, o Roundup.

O veredito faz parte de uma série de julgamentos de nove e 10 dígitos contra a subsidiária da multinacional alemã Bayer AG nos últimos anos, incluindo vereditos de 2019 de US$ 2 bilhões em Oakland, Califórnia, e US$ 289 milhões em São Francisco – embora esses vereditos tenham sido substancialmente reduzidos após apelo.

“É um resultado tremendo”, disse R. Brent Wisner, sócio-gerente e advogado principal da Wisner Baum, que ganhou o veredito de câncer causado pelo Roundup de US$ 2 bilhões contra a Monsanto em 2019.

“Este caso sempre foi uma questão de ciência, e este novo veredito coloca um enorme ponto de exclamação sobre esse fato. Já é hora da Monsanto finalmente, e de uma vez por todas, retirar este produto do mercado e negociar um acordo global. para pôr fim ao capítulo do glifosato em nosso país.”

A Bayer respondeu em um comunicado: “Discordamos respeitosamente do veredito dividido do júri e estamos confiantes de que podemos anular esse resultado infundado e reduzir os danos excessivos por meio de nosso recurso”.

O glifosato é o produto químico para matar ervas daninhas mais utilizado no mundo e é o ingrediente ativo do Roundup. Está ligada a uma série de problemas de saúde, desde cancro e doenças neurológicas até perturbações endócrinas e defeitos congénitos.

Mas a gama completa de efeitos do glifosato para a saúde permanece desconhecida, e diversas jurisdições – incluindo a União Europeia – estão debatendo a possibilidade de manter os produtos de glifosato no mercado.

A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer classificou o glifosato como “provavelmente cancerígeno para os seres humanos”. Mas a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos neste verão não identificou nenhuma “área crítica de preocupação” que impactasse a saúde pública ou o meio ambiente em sua revisão do glifosato. Nos Estados Unidos, a Agência Federal de Proteção Ambiental concluiu que o Roundup é seguro para uso e que o glifosato “provavelmente não é cancerígeno para os seres humanos”.

O veredito de sexta-feira em nome do restaurateur aposentado Ernest Caranci é o primeiro de mais de 200 casos movidos desde 2022 que aguardam para serem julgados apenas na Filadélfia, de acordo com o site do tribunal. A Bayer resolveu a maioria das reivindicações do Roundup contra ela em 2020 por um custo de US$ 10,9 bilhões. E embora a Bayer tenha recentemente vencido nove casos consecutivos que apresentaram queixas semelhantes às de Caranci, milhares de processos adicionais aguardam nos tribunais estaduais e federais dos EUA.


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Este texto publicado originalmente em inglês foi publicado pela “Environmental Health News” [Aqui! ].

Aumento de morte de crianças por leucemia é associada à expansão da soja no Brasil

Agrotóxicos: uso na soja aumentou morte de crianças por leucemia

Aplicação de agrotóxicos levou à morte adicional de 123 crianças em 11 anos na Amazônia e no Cerrado, revela pesquisa

Por Giovana Girardi para a Agência Pública

Em meio à discussão no Congresso de um projeto de lei para flexibilizar o acesso aos agrotóxicos no país, amplamente defendido pela bancada ruralista, um estudo divulgado nesta segunda-feira (30) associa o aumento de casos de leucemia infantil no Brasil à expansão do cultivo da soja e ao grande uso de pesticidas nas plantações do grão.

Eles encontraram pelo menos 123 mortes adicionais de crianças com menos de 10 anos entre 2008 e 2019 relacionadas indiretamente ao uso de  agrotóxicos no cultivo de soja no Cerrado e na Amazônia.

O trabalho fez uma análise populacional, considerando 15 anos de dados de saúde, cruzando informações de câncer infantil com o avanço da soja pelos dois biomas. 

O grupo de pesquisadores norte-americanos, liderados por Marin Skidmore, da Universidade de Illinois, aponta no artigo que a área de soja no Cerrado triplicou de 5 milhões de hectares para 15 milhões de hectares entre 2000 e 2019. Na Amazônia, cresceu 20 vezes: de 0,25 milhão para 5 milhões de hectares. Já o uso de agrotóxicos nessas duas regiões – que foram as analisadas no trabalho – cresceu entre 3 e 10 vezes no mesmo período.

Este aumento, revelam, se refletiu nos casos da doença. De acordo com os cálculos dos cientistas, a cada 10 pontos percentuais de aumento na produção de soja, houve 4 mortes adicionais de crianças de menos de 5 anos e de 2,1 abaixo de 10 anos por 100 mil habitantes.

“Os resultados sugerem que cerca de metade das mortes pediátricas por leucemia no período podem ser ligadas à intensificação agrícola da soja e à exposição aos agrotóxicos”, afirmou Skidmore em comunicado à imprensa. O trabalho foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)

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Aplicação de agrotóxicos levou à morte adicional de 123 crianças em 11 anos na Amazônia e no Cerrado

Os cientistas indicaram também que o contato com os produtos químicos deve ter se dado via fornecimento de água, em geral em localidades onde a produção de soja fica à montante na bacia hidrográfica. Eles chegaram a essa conclusão ao procurar evidências de aplicação de pesticidas rio acima. Os casos de leucemia estavam à jusante da mesma bacia. “Isso indica que o escoamento de agrotóxicos para as águas superficiais é um método provável de exposição”, explicou Skidmore.

Ou seja, as crianças que desenvolveram leucemia não moravam necessariamente nas áreas onde se dá a produção da soja – o que revela o amplo alcance dos agrotóxicos. Skidmore aponta que a área rural da região avaliada no trabalho tinha, de acordo com dados de 2006, cerca de 50% das casas com poços ou cisternas, mas a outra metade dependia do escoamento na superfície como fonte de água. “Se a água na superfície está acostumada, os pesticidas usados rio acima podem alcançar as crianças rio abaixo”, disse.

O artigo retrata o Brasil como o país que se tornou, nos últimos anos, tanto o líder mundial na produção de soja quanto de consumo de agrotóxicos perigosos. Segundo a análise, aplicamos, por hectare, 2,3 vezes mais agrotóxicos que os Estados Unidos e 3 vezes mais que a China, que são o primeiro e o terceiro colocado em volume total de agrotóxicos. O estudo relata ainda que o uso no cultivo de soja cresceu após a aprovação, em 2004, de variantes transgênicas do grão.

Um fator capaz de amenizar a mortalidade foi a presença de hospitais próximos às áreas de contaminação. De acordo com a pesquisa, as mortes de crianças por leucemia relacionadas com a expansão da soja se deram em regiões que ficavam a mais de 100 quilômetros de um centro de tratamento. A doença é tratável, mas depende de um atendimento oncológico especializado, o que não é amplamente oferecido no interior do Brasil, em especial na Amazônia, por exemplo.

“Nós certamente não estamos advogando por uma interrupção total do uso dos agrotóxicos”, diz a pesquisadora, reconhecendo que tiveram uma importância para a expansão da produção de soja. “São tecnologias importantes e válidas, mas precisam ser adotadas com segurança. [Os resultados] são um forte aviso de que o uso seguro de agrotóxicos é o melhor tanto para a produtividade agrícola quanto para as comunidades”, afirma. 

O recado final do artigo é mais duro: “Este trabalho sublinha a importância de considerar as implicações à saúde humana da intensificação da agricultura”.

Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), mais de 14 mil pessoas foram intoxicadas por agrotóxicos no Brasil, segundo levantamento inédito feito pela Agência Pública e Repórter Brasil, com dados de 2019 a março de 2022.

Nos últimos anos, vários estudos vêm revelando a relação entre o uso intenso de agrotóxicos com diversos problemas de saúde e ao ambiente. A presença de substâncias cancerígenas nos agrotóxicos é bem conhecida, mas a relação direta de causa e efeito com o câncer é mais difícil de estabelecer.  

Levantamento recente feito pelo InfoAmazonia com a Fiocruz observou que mulheres, crianças e adolescentes de municípios do Mato Grosso que têm pelo menos 5% da área ocupada por soja têm risco entre 26% e 33% mais chances de desenvolver e morrer por leucemia e linfoma.


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Este texto foi originalmente publicado pela Agência Pública [Aqui!].

Depois de 20 anos da proibição na Europa, MPT quer banir o agrotóxico cancerígeno Atrazina no Brasil

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Com um lapso de duas décadas, o Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com uma ação para finalmente proibir o agrotóxico Atrazina no Brasil, que em 2021 representou sozinho 5% do total de agrotóxicos consumidos em nosso país.  A atrazina é agente químico especialmente pernicioso por ter uma grande mobilidade nos solos, o que faz que haja uma rápida migração para sistemas aquáticos, incluindo os rios de onde se tira a água de abastecimento das cidades brasileiras.

Banido na União Europeia desde 2003 por ter sido associado a uma série de doenças graves, incluindo diversos tipos de câncer, a Atrazina é um herbicida de amplo uso nas grandes áreas de monocultura que se espalham pelo território brasileiro, especialmente as de soja. Segundo, a  professora aposentada Sonia Hess, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Atrazina é apenas um dos diversos agrotóxicos banidos na Europa que continuam sendo legalmente vendidos no Brasil que são conhecidos por causar diversos tipos de câncer.

Em um webinário realizado ontem pelo Grupo de Trabalho sobre Agrotóxicos da  Rede de Pesquisadores em Geografia (Socio)Ambiental/RP-G(S)A , o professor Wanderlei Pignati (UFMT), os agrotóxicos são parte essencial do motor que move o agronegócio brasileiro (ver vídeo abaixo).

Outro aspecto importante da conexão entre agronegócio e agrotóxicos é o fato de que são empresas da China (principal importador da soja brasileira) que, segundo a Forbes, responderam por 80% do fornecimento da Atrazina vendida no Brasil em 2022, sendo a empresa sino-chinesa Syngenta a principal delas. Essa conexão demonstra que a conexão entre produção e venda de commodities agrícolas tem como consequência o estabelecimento de um modelo agrícola especialmente pernicioso para o meio ambiente e especialmente para a saúde dos brasileiros (ver figura abaixo).

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Desta forma, a eventual proibição da Atrazina deverá ser apenas a primeira de muitas, visto que neste momento o agronegócio está utilizando diversos agrotóxicos altamente perigosos que já foram banidos não apenas na Europa, mas também na China que é hoje o principal produtor de agrotóxicos no mundo. Há ainda que se lembrar que neste exato momento está em tramitação no Senado Federal o chamado “Pacote do Veneno” que promete afrouxar ainda mais a legislação relacionada à importação, produção e exportação de agrotóxicos altamente perigosos, incluindo aqueles que são conhecidos como causadores ou indutores de câncer.

Lamentavelmente o governo Lula até agora vem mantendo a toada adotada pelo governo Bolsonaro e prossegue, contrariando as promessas feitas na campanha eleitoral de 2022, liberando agrotóxicos altamente perigosos em um ritmo acelerado.

Tribunal ouve caso de ação coletiva alegando ligação entre Glifosato e australianos com câncer

Tribunal federal disse que o herbicida produzido pela Monsanto causou linfoma não-Hodgkin, o que a empresa nega

Um australiano que afirma ter desenvolvido câncer após exposição regular a um herbicida popular durante a sua infância e vida profissional é um entre centenas que lutam para provar a ligação entre o produto e a sua doença num tribunal de Melbourne.

O julgamento apenas com juízes para o histórico caso de ação coletiva contra a Monsanto – a gigante química dos EUA – começou na segunda-feira no tribunal federal. O caso foi movido por Maurice Blackburn. Mais de 800 australianos, diagnosticados com Linfoma não-Hodgkin, alegam que o seu câncer está ligado ao uso do herbicida Roundup que tem o glifosato como ingrediente ativo.

Andrew Clements, KC, agindo em nome dos reclamantes, disse ao tribunal que argumentaria que o glifosato e o Roundup eram cancerígenos para os seres humanos e poderiam causar linfoma não-Hodgkin de várias maneiras.

Clements disse ao tribunal que o principal requerente do caso, Kelvin McNickle, 40, foi diagnosticado com Linfoma não-Hodgkin em maio de 2018, depois de usar o herbicida para pulverizar ervas daninhas durante duas décadas no trabalho e durante a sua infância. Ele foi submetido a quimioterapia e radioterapia e entrou em remissão no ano seguinte. Mas o coração da corte foi diagnosticado com câncer novamente há seis semanas.

Ele alega que desenvolveu câncer devido à exposição a dois produtos do tipo Roundup.

“O ingrediente ativo em ambos os produtos Roundup é e era um produto químico conhecido como glifosato, que é muito eficaz para matar ervas daninhas e todas as outras plantas”, disse Clements ao

McNickle foi regularmente exposto a batidas policiais durante sua infância, quando morava em uma propriedade rural perto de Coffs Harbour, em Nova Gales do Sul, ouviu o tribunal.

Clements disse que McNickle e seu pai pulverizavam regularmente o herbicida Roundup em sua casa.

“Ele entrava em contato direto com o Roundup porque ele pingava ou vazava em sua pele, ou vazava em suas roupas e através de sua pele, além de entrar em contato com seus olhos”, disse ele.

Ele disse que McNickle argumenta que um conjunto de literatura epidemiológica fornece “evidências geralmente de apoio” de que a exposição ao glifosato e ao herbicida à base de glifosato aumenta o risco de um indivíduo desenvolver linfoma não-Hodgkin.

A Monsanto, que foi adquirida pela Bayer em 2018, foi a fabricante original do glifosato, o ingrediente ativo do Roundup. A Bayer afirma que os herbicidas à base de glifosato foram rigorosamente testados em centenas de estudos, e o peso desse extenso corpo científico confirma que o glifosato é seguro quando usado conforme as instruções e não é cancerígeno.

Clements baseou-se no testemunho do epidemiologista norte-americano Harvey Checkoway, que afirmou anteriormente que nem todos os estudos precisavam de demonstrar uma relação semelhante entre dose e resposta, mas sim que as provas deveriam ser extraídas do conjunto mais vasto de estudos.

“O fato de alguns estudos epidemiológicos não relatarem qualquer associação positiva entre a exposição ao glifosato e/ou ao GBS [herbicida à base de glifosato] e o risco de NHL [linfoma não-Hodgkin] não impede a descoberta de que há evidências genuinamente de apoio de que o GBS ambiental as exposições estão causalmente relacionadas aos riscos de LNH ou à descoberta de que causam um risco aumentado de LNH”, disse Clements.

Mas Steven Finch, SC, representando a Monsanto, disse que tentaria atacar a fiabilidade dos estudos apresentados pelos requerentes, dizendo que “não pediria desculpas” por fazê-lo.

“Não há evidências suficientes para apoiar respostas de que o requerente deseja responder às perguntas comuns para estabelecer que o glifosato ou a formulação à base de glifosato é cancerígeno”, disse ele.

Finch argumentou que se os requerentes conseguissem provar que os herbicidas à base de glifosato “poderiam” causar câncer, ainda assim não teriam provado que o composto era cancerígeno. Ele disse que os próprios especialistas do requerente poderiam ser usados ​​para refutar suas afirmações.

O chefe nacional de ações coletivas de Maurice Blackburn, Andrew Watson, disse que a ação coletiva incluía pessoas que usaram o Roundup no trabalho e em casa

“Cobrimos uma gama de australianos comuns que [alegamos] desenvolveram linfoma não-Hodgkin através da exposição ao Roundup”, disse ele aos repórteres antes do início do julgamento.

A primeira parte do julgamento perante o juiz Michael Lee deverá durar nove semanas.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo jornal “The Guardian”  [Aqui!].

Artigo na “Chemosphere” mostra que o glifosato exibe 5 das 10 das principais características de substâncias químicas causadoras de câncer

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Por Sustainable Pulse

Reforçando descobertas anteriores, uma nova revisão sistemática publicada na Chemosphere  descobriu que o popular herbicida glifosato e suas formulações (formulações à base de glifosato-GBF) exibem cinco das dez características principais (KC) de carcinógenos (produtos químicos causadores de câncer), relatou a Beyond Pesticides semana passada.

Especificamente, o glifosato apresenta fortes evidências de genotoxicidade, alterações epigenéticas (alterações hereditárias na expressão gênica), estresse oxidativo, inflamação crônica, desregulação endócrina e perturba a microbiota intestinal implicada na linfomagênese (crescimento e desenvolvimento do linfoma). Embora organizações como a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) designem o glifosato como um provável carcinógeno humano, e a literatura científica apoie as descobertas sobre esses efeitos adversos alegados pelo glifosato, o produto químico permanece no mercado dos EUA em várias formulações.

O glifosato é o ingrediente ativo mais comumente usado em todo o mundo, aparecendo em muitas fórmulas de herbicidas, não apenas no Roundup® da Bayer (anteriormente Monsanto). O uso desse produto químico tem aumentado desde o início das culturas geneticamente modificadas para tolerar o glifosato há mais de duas décadas.

O herbicida tóxico contamina prontamente o ecossistema com resíduos difundidos em alimentos e água. Além deste estudo, a literatura prova repetidas vezes que o glifosato está associado ao desenvolvimento de câncer, bem como a danos humanos, bióticos e ecossistêmicos. Portanto, os defensores apontam para a necessidade de políticas nacionais para reavaliar os riscos associados ao desenvolvimento e diagnóstico de doenças resultantes ou exacerbados pela exposição a poluentes químicos. O estudo destaca: “Nossas descobertas fortalecem a evidência mecanicista de que o glifosato é um  provável  carcinógeno humano e fornecem plausibilidade biológica para associações de câncer relatadas anteriormente em humanos, como o Linfoma Não-Hodgkin”.

Usando estudos mecanísticos in vivo, ex vivo e in vitro em humanos e mamíferos, os pesquisadores comparam a exposição ao glifosato/GBF com pouca ou nenhuma contraparte de exposição para evidências dos dez KCs de carcinógenos. Todos os carcinógenos humanos conhecidos têm um ou mais dos dez KCs, e esses mecanismos causam câncer através de:

  1. Ativação eletrofílica (uma afinidade por elétrons) ou metabólica (KC1),
  2. Genotoxicidade (KC2),
  3. Alterações no reparo do DNA, causando instabilidade do genoma (KC3),
  4. Indução de alterações epigenéticas (KC4),
  5. Indução do estresse oxidativo (KC5),
  6. Indução de inflamação crônica (KC6),
  7. Imunossupressão (KC7),
  8. Redução dos efeitos mediados por receptores/ruptura endócrina (KC8),
  9. Células cancerígenas imortalizantes (KC9),
  10. Alterações na proliferação celular, morte ou suprimento de nutrientes (KC10).

Os pesquisadores examinaram todos os estudos  in vivo, ex vivo  e  in vitro  de exposição ao glifosato/GBF em humanos/mamíferos, relatando qualquer resultado relacionado ao KC disponível no PubMed antes de agosto de 2021. Os pesquisadores usaram os estudos selecionados para construir uma matriz, analisando a matriz no programa R para determinar a força da evidência e as avaliações de qualidade. Embora apenas 175 dos 2.537 artigos atendessem aos critérios de inclusão, os pesquisadores extraíram mais de 50.000 pontos de dados relacionados aos resultados KC mencionados acima.

Os resultados da análise encontram fortes evidências para KC2, KC4, KC5, KC6 e KC8, evidências limitadas para KC1 e KC3 e evidências inadequadas para KC7, KC9 e KC10. Especificamente, a genotoxicidade (KC2) e a desregulação endócrina (KC8) do GBF têm a associação mais forte com a carcinogenicidade. Os estudos revisados ​​demonstram que a evidência de genotoxicidade é mais forte entre humanos do que em estudos com animais, com o GBF tendo um impacto maior em ambos os grupos de estudo do que apenas o glifosato sozinho. Além disso, a revisão indica que o glifosato pode alterar os níveis hormonais (endócrinos) e a atividade dos receptores, sendo os receptores de estrogênio os mais sensíveis ao glifosato e aos GBFs.

Os resultados da revisão sistêmica destacam uma questão muito familiar. Apesar desses dados preocupantes, a evidência de exposição generalizada a um carcinógeno não conseguiu influenciar os reguladores da EPA, exigindo mudanças significativas por parte dos funcionários eleitos para reformar a lei de pesticidas. Os cientistas destacam evidências epidemiológicas associando o glifosato a cânceres no sangue, como linfoma não-Hodgkin, e fortes evidências de carcinogenicidade em pesquisas com animais de laboratório provocadas por genotoxicidade (dano ao DNA) e estresse oxidativo. Em 2015, o Grupo de Trabalho da IARC demonstrou que o glifosato tem fortes evidências de genotoxicidade (KC2) e estresse oxidativo (KC5). No entanto, estudos recentes que fornecem dados adicionais suportam evidências de KC2 e KC5, bem como alterações epigenéticas (KC4), inflamação crônica (KC6) e desregulação endócrina (KC8) em relação ao glifosato e GBF. Por isso, o glifosato apresenta evidências de todos os cinco KCs de carcinógenos. Embora haja evidências limitadas ou inadequadas para os KCs remanescentes, a revisão encoraja um exame mais aprofundado dos efeitos do glifosato e de outros produtos químicos em todos os dez KCs e sua relação com os cânceres linfoides.

O estudo conclui: “No geral, as evidências mecanísticas de glifosato e GBFs possuindo várias características principais de carcinógenos se tornaram mais fortes desde a avaliação da IARC em 2015 e implicam vários caminhos pelos quais essas substâncias podem induzir câncer, como linfoma, em humanos. […][O] nosso entendimento dos efeitos do glifosato usando os KCs abre caminho para explorar os intrincados mecanismos subjacentes ao seu potencial caminho para o linfoma.”

O câncer é uma das principais causas de morte em todo o mundo, com mais de oito milhões de pessoas sucumbindo à doença todos os anos. Notavelmente, a IARC prevê um aumento de novos casos de câncer de 19,3 milhões para 30,2 milhões por ano até 2040. Portanto, estudos relacionados a pesticidas e câncer ajudarão na compreensão dos mecanismos subjacentes que causam a doença.


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Este artigo escrito originalmente em inglês foi publicado pela Sustainable Pulse [Aqui!].

Xico Graziano e sua insustentável defesa dos agrotóxicos

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O ex-tucano Xico Graziano vem atuando há algum tempo como um defensor das causas impossíveis, o que ficou claro com sua adesão ao ex-presidente Jair Bolsonaro.  Agora, enquanto articulista do site Poder360, Graziano saiu-se com um texto bastante confuso para tentar desmentir algo que já está bem estabelecido na literatura científica, qual seja, a ligação entre agrotóxicos e o desenvolvimento de diferentes tipos de câncer.

Para tentar levar essa empreitada adiante, Graziano usou de um estratagema aparentemente inteligente. Ele acessou a lista de analisou todas as substâncias químicas, processos e fatores supostamente perigosos à saúde humana e propositalmente concentrou sua atenção no chamado grupo 1 que são os agentes considerados como carcinogênicos, com evidências comprovadas. Espertamente Graziano desprezou os grupos 2a e 2b que incluem 822 agentes que ainda não tiveram uma conclusão definitiva, mas que onde estão listados 25 agrotóxicos como potencialmente carcinogênicos em humanos apenas no período compreendido entre 1971 e 2014 (seja provável ou possivelmente).

Se isso não fosse o suficiente, Graziano deixou de acessar o sítio oficial da própria International Agency for Research on Cancer (IARC) onde existem múltiplos estudos associando diferentes agrotóxicos ao desenvolvimento de câncer.  Bastaria ter ido ao site do IARC que Graziano teria encontrado a negação da sua afirmação sobre a inexistência de agrotóxicos no mercado brasileiro com potencial para o desenvolvimento de câncer.  Mas como a intenção dele nunca foi informar, mas confundir, Graziano resolveu brindar os leitores do Poder360 com sua variante de negacionismo científico.

Os agrotóxicos na Europa que abundam no Brasil

Um das principais marcas da onda gigantesca de aprovações de agrotóxicos que começou no governo Bolsonaro e continua mais leve no governo Lula é de que em torno de 30% das substâncias liberadas estão proibidas na Europa por serem danosas ao meio ambiente e à saúde humana.  Entre as razões para tal banimento são justamente as evidências de que parte destas substâncias são potencialmente causadoras de diferentes formas de câncer.

Mas se é assim, por que a IARC não a lista no chamado grupo 1? A razão para isso é que boa parte das evidências clínicas está baseada em experimentos de laboratório que usam ratos como cobaias.  Esses experimentos apesarem de serem aceitos como geradores de evidência para o potencial carcinogênico das substâncias não tem evidentemente o mesmo impacto de terem sido testados em seres humanos, o que sabemos é praticamente impedido pelas normas éticas de realização de pesquisas.

Por outro lado, aqui mesmo no Brasil já temos estudos relacionando a alta exposição a agrotóxicos com o surgimento de taxas mais altas de câncer em determinadas regiões. Um estudo que foi citado por mim foi desenvolvido por um grupo binacional de pesquisadores que estabeleceram uma relação direta entre o alto nível de uso de agrotóxicos, a contaminação de água usada para consumo humano com a incidência de câncer em municípios produtores de grãos na região Oeste do Paraná.

Mas como evidência científica não é o que importa para Xico Graziano, ele tem que lançar mão de seu pequeno estratagema negacionista. Mas que fique claro: agrotóxicos causam câncer.

Estudo mostra relação entre agronegócio e taxas de câncer no Mato Grosso

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Foto: Agência Pública/Repórter Brasil

Por Mídia Ninja

Um estudo realizado pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) aponta diversos municípios do estado de Mato Grosso com alta incidência de casos de câncer. No estudo, os pesquisadores ressaltam que a maioria destes municípios mato-grossenses são grandes produtores de commodities agrícolas para exportação e concentram um grande contingente de pessoas envolvidas na agricultura e pecuária, com um menor grau de instrução – dificultando o manejo adequado de agrotóxicos – e maior exposição ocupacional e ambiental e esses produtos.

O estudo, denominado “Ambiente, saúde e agrotóxicos: desafios e perspectivas na defesa da saúde humana, ambiental e do(a) trabalhador(a)”,  tem por objetivo tratar do cenário atual das contaminações por agrotóxicos no ambiente, nas águas, nas populações e classe trabalhadora; os desafios para atuação do poder judiciário e do Ministério Público e a produção de uma vigilância popular; as contribuições de saberes plurais, ancestrais e originários para o enfrentamento da realidade de destruição socioambiental analisada. 

Em um trecho, os pesquisadores questionam o forte apelo em torno do agronegócio, com discursos que defendem a atividade como sendo o melhor negócio para seus países, apresentando alta do Produto Interno Bruto (PIB) e avanços tecnológicos como algumas de suas vantagens.

“De fato, o Brasil é um dos maiores produtores agropecuários do mundo e o segundo maior exportador de commodities, mas a que custos social e ambiental?” pergunta o estudo.

Caso do Mato Grosso

Em maio deste ano, a Mídia NINJA fez uma matéria onde apontou o estado do Mato Grosso como, além de ser o maior produtor do agronegócio do país, também o que mais sofre com acidentes envolvendo agrotóxicos, criando um mercado que é completamente dependente do veneno para que possa ser produtivo.

“Eu chamo esse modelo econômico de modelo químico dependente de fertilizante. Isso leva ao risco sanitário, alimentar, ambiental. É claro que Mato Grosso é campeão nacional de produção de soja, de milho, de algodão, mas também é campeão nacional de consumo de agrotóxico”, destacou o professor Wanderlei Pignati, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso.

Ilustração: Ambiente, saúde e agrotóxicos: desafios e perspectivas na defesa da saúde humana, ambiental e do(a) trabalhador(a)

Acidentes de trabalho

A publicação da UFMT aponta para outro dado importante: o estado do Mato Grosso é também campeão nacional de incidência de acidentes e mortes no trabalho, dos quais 70% estão relacionados ao agronegócio (agropecuária, frigoríficos, usinas de açúcar/álcool, madeireiras e transporte/silagem).

“Em 2020, por exemplo, o Brasil plantou 75,6 milhões de hectares de lavouras em 21 dos maiores tipos de cultivos, nos quais foram pulverizados um total de 1,2 bilhão de litros de agrotóxicos (produtos formulados de herbicidas, inseticidas e fungicidas) e usados 7 bilhões de quilogramas de fertilizantes químicos. Destes agrotóxicos, 15% eram extremamente tóxicos, 25% altamente tóxicos, 35% medianamente tóxicos e 25% são pouco tóxicos na classificação de toxicidade aguda para humanos”, diz o estudo.

Os pesquisadores mostram que a contaminação por esses venenos se dá pela maneira que são manuseados, sendo mecanizados ou não, além da contaminação no próprio consumo.

Ilustração: Ambiente, saúde e agrotóxicos: desafios e perspectivas na defesa da saúde humana, ambiental e do(a) trabalhador(a)

Mais tarde, eles associam também o agronegócio a incidências de câncer no estado. De uma forma geral, os autores do artigo observaram que as maiores taxas da doença ficaram concentradas em municípios das partes Norte, Centro e Sul do estado.

E concluem que “A exposição ambiental e ocupacional por agrotóxicos pode estar relacionada, pois os municípios da região Norte, Centro e Sul do estado com maior concentração de casos são também os maiores produtores agrícolas do Centro-Oeste e com alto consumo de agrotóxicos.”

Em outro estudo chamado “Câncer infantojuvenil: nas regiões mais produtoras e que mais usam agrotóxicos, maior é a morbidade e mortalidade no Mato Grosso”, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Mato Grosso, foi mostrado que durante os oito anos nos quais a pesquisa foi realizada, o estado do Mato Grosso registrou mais de 10,9 mil internações por câncer infantojuvenil, sendo que 30% são crianças de 0 a 4 anos. Além disso, 406 pessoas de 0 a 19 anos morreram por câncer, dos quais 30,7% foram adolescentes e jovens de 15 a 19 anos.

As leucemias foram os tipos de câncer mais presentes entre os pacientes internados, correspondendo a 50,2% dos casos. A leucemia linfóide (quando surge um linfócito imaturo e danificado na medula óssea) causou 37,2% das mortes.

O estudo observou correlação positiva entre o uso médio de agrotóxicos em litros e a média de mortes e internações por câncer infantojuvenil.

O estudo “Ambiente, saúde e agrotóxicos: desafios e perspectivas na defesa da saúde humana, ambiental e do(a) trabalhador(a)” pode ser encontrado no link : EBOOK_Ambiente-saude-e-agrotoxicos.pdf (pedroejoaoeditores.com.br)


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Este texto foi inicialmente publicado pelo Mídia Ninja [Aqui!].

Johnson & Johnson processa pesquisadores que ligaram o uso de seu talco ao câncer

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Por Dietrich Knauth para a Reuters 

12 de julho (Reuters) – A Johnson & Johnson processou quatro médicos que publicaram estudos citando ligações entre produtos de cuidados pessoais à base de talco e câncer, ampliando um ataque a estudos científicos que a empresa alega serem imprecisos.

A LTL Management, subsidiária da J&J, que absorveu a responsabilidade pelo talco da empresa em um controverso spin-off de 2021, entrou com uma ação na corte federal de Nova Jersey na semana passada pedindo para forçar três pesquisadores a “retratar e/ou emitir uma correção” de um estudo que dizia que produtos de talco de consumo contaminados com amianto causavam o desenvolvimento de mesotelioma.

Um dos pesquisadores, Richard Kradin, se recusou a comentar. Os outros dois, Theresa Emory e John Maddox, não responderam aos pedidos de comentários. Os advogados que representaram os três pesquisadores em processos semelhantes no passado se recusaram a comentar.

A J&J está enfrentando mais de 38.000 ações judiciais alegando que os produtos de talco da empresa, incluindo o produto para bebês, foram contaminados por amianto e causaram cânceres, incluindo câncer de ovário e mesotelioma. A J&J está tentando resolver esses processos, bem como quaisquer processos futuros sobre talco, por meio de um acordo de US$ 8,9 bilhões no tribunal de falências.

A J&J parou de vender produtos com base de talco em favor de produtos à base de amido de milho, citando um aumento de ações judiciais e “desinformação” sobre a segurança do produto talco.

A empresa em 2021 começou a explorar a falência como uma solução potencial para os processos, que tiveram um histórico misto no julgamento, incluindo várias vitórias de defesa, mas também um veredicto de US $ 2,1 bilhões concedido a 22 mulheres que culparam o câncer de ovário ao amianto nos produtos de talco da empresa. A J&J disse em processos de falência em abril que os custos de seus veredictos, acordos e honorários advocatícios relacionados ao talco chegaram a cerca de US$ 4,5 bilhões.

O processo da semana passada contra Emory e Maddox, patologistas afiliados à Peninsula Pathology Associates em Newport News, Virgínia, e Kradin, um pneumologista que trabalhou no Massachusetts General Hospital Cancer Center antes de sua aposentadoria, vem na sequência de outra queixa apresentada pela LTL contra outra médica, Jacqueline Moline, que trabalha na Northwell Health em Great Neck, Nova York, por motivos semelhantes.

Moline publicou um artigo em 2019 estudando 33 pacientes que disseram que sua única exposição ao amianto veio de produtos de talco, e Emory, Kradin e Maddox seguiram com um estudo de 2020 com 75 pacientes semelhantes.

Todos os quatro médicos forneceram depoimentos de especialistas em processos contra a J&J, e suas pesquisas foram citadas em processos em que não testemunharam, de acordo com as denúncias.

LTL disse que os pesquisadores esconderam o fato de que alguns ou todos os pacientes envolvidos em seus estudos foram expostos ao amianto de outras fontes.

A empresa também está pedindo ao tribunal que obrigue os pesquisadores a revelar a identidade dos pacientes.

Os processos alegam depreciação e fraude de produtos, entre outras reivindicações.

Adam Zimmerman, professor da Faculdade de Direito Gould da Universidade do Sul da Califórnia, disse que as empresas raramente abrem processos por pesquisas com as quais discordam. Será muito difícil para a LTL provar que os pesquisadores prejudicaram intencionalmente a reputação da J&J, o que é necessário para casos de depreciação de produtos em Nova Jersey, mas a empresa pode ver os processos como uma forma de desencorajar outros pesquisadores ou recuperar a narrativa sobre a segurança do talco, disse Zimmerman.

“Quando um litigante começa a processar especialistas adversários, isso é muito agressivo”, disse Zimmerman. “Ele envia uma mensagem de que as luvas estão fora.”

Moline argumentou em documentos judiciais que o litígio da LTL teria um efeito profundamente assustador em pesquisas médicas futuras se a empresa pudesse desmascarar os pacientes “na esperança de difamá-los publicamente”. Seus processos judiciais dizem que o processo da LTL foi feito para “atacar e silenciar” os cientistas, e que ela tem uma obrigação ética de proteger as identidades de seus sujeitos de pesquisa.

Os processos da LTL alegam que a pesquisa dos médicos lhes permitiu coletar milhões de dólares dos advogados dos queixosos para promover uma “narrativa falsa” sobre a J&J. A queixa contra Moline, por exemplo, dizia que ela havia feito uma “pequena fortuna” testemunhando como especialista paga em ações judiciais, recebendo mais de US$ 3 milhões por seu trabalho em ações judiciais relacionadas ao amianto. A LTL alegou que Kradin também ganhou mais de US$ 3 milhões testemunhando como especialista dos queixosos.

Os pesquisadores não puderam ser imediatamente contatados para comentar.

A LTL entrou com processos semelhantes contra os pesquisadores em dezembro de 2022, mas essas reclamações estavam relacionadas ao primeiro pedido de falência da LTL e foram indeferidas junto com o restante da falência em abril.

Os casos são LTL Management v. Moline e LTL Management v. Emory, Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito de Nova Jersey, nºs 23-cv-02990 e 23-cv-03649.

Para LTL: Peter Harvey de Patterson Belknap Webb & Tyler; Allison Brown de Skadden, Arps, Slate, Meagher & Flom; e Kristen Fournier de King & Spalding

Para Moline: Kevin Marino e John Tortorella de Marino Tortorella & Boyle

Para Emory, Kradin e Maddox: Ainda não disponível 


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela agência Reuters [Aqui!].

Agência europeia causa indignação ao dar luz verde ao glifosato baseada em estudos feitos pelas indústrias químicas

FRANCE-EU-AGRICULTURE--GLYPHOSATE-WIN FARM

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) deu hoje conselhos positivos chocantes para prosseguir com o prolongamento do uso do herbicida glifosato mais amplamente utilizado na Europa, apesar de uma série de lacunas de dados e questões pendentes. Em suas conclusões, destaca que a genotoxicidade potencial de impurezas e a avaliação de risco para os consumidores permaneceram incompletas. O potencial dos produtos de glifosato para causar neurotoxicidade no desenvolvimento e prejudicar o microbioma e a biodiversidade é claramente reconhecido. No entanto, a EFSA propõe continuar com o processo de aprovação, enviando a bola para o campo dos Estados-Membros.

A EFSA, à semelhança da ECHA e das agências nacionais, baseia as suas avaliações predominantemente em estudos financiados pelas indústrias químicas. O sistema de autorização de agrotóxicos profundamente falho da UE negligencia uma riqueza de estudos científicos independentes e revisados ​​por pares que ligam o glifosato a graves problemas ambientais e de saúde humana. Muitos estudos comprovam que o glifosato é genotóxico, neurotóxico, danifica o microbioma intestinal e causa sérios danos ao solo, à vida aquática e à biodiversidade.

Uma ampla coalizão de ONGs e sindicatos na coalizão ‘Stop Glyphosate’ insta a Comissão Europeia a propor uma proibição e os Estados-Membros a apoiá-la. A autorização renovada por 5 anos em 2017 já foi altamente contestada, incluindo uma bem-sucedida Iniciativa de Cidadãos Europeus. Muitos políticos da UE, como o presidente francês Emmanuel Macron, prometeram usar os 5 anos para trabalhar em uma eliminação gradual. Cidadãos europeus entretanto – expresso em outro ECSave Bees and Farmers, em barômetros alimentares e no relatório Futuro da Europa que os políticos precisam entregar.

Para apoiar seu apelo, a coalizão Stop Glyphosate lança hoje um novo site stopglyphosate.eu. Isso fornece uma visão geral das informações e procedimentos independentes (científicos) de última geração como uma plataforma confiável e independente sobre o infame herbicida. Ele capacita os cidadãos a expor a verdade oculta do glifosato a seus políticos eleitos.

Após muitos anos de debate, é absolutamente claro que o sistema de autorização da UE ainda não protege a saúde humana e o meio ambiente, o objetivo da legislação da UE sobre pesticidas (Regulamento (CE) n.º 1107/2009). O conselho da EFSA é um tapa na cara de muitos cientistas independentes, que desde a avaliação da agência de câncer IARC em 2015 (a ligação com câncer e genotoxicidade em humanos ainda é válida [i]), publicaram muitos estudos científicos mostrando a toxicidade do glifosato, ainda o herbicida mais usado no mundo[ii], que representa 30% de todos os herbicidas usados ​​na UE[iii].

É também um tapa na cara de todos os cidadãos, bem como dos formuladores de políticas que veem a necessidade de proteger a biodiversidade (e o futuro da produção de alimentos), a saúde e a segurança dos trabalhadores agrícolas e reduzir o uso geral de agrotóxicos e especificamente o glifosato [iv] . Uma prorrogação do glifosato estaria em conflito direto com a meta de redução de agrotóxicos de 50% da UE da Biodiversidade da UE e na Estratégia Farm to Fork [v] (proposta SUR) e a Declaração de Montreal após a COP15 sobre Biodiversidade.

Angeliki Lysimachou, chefe de ciência e política da PAN Europe, disse: “O escândalo do glifosato continua. A resposta positiva da EFSA para prosseguir, apesar das reconhecidas lacunas de dados e deficiências na avaliação do glifosato, mina a confiança do público nas instituições europeias que têm um papel na proteção da saúde dos cidadãos e do meio ambiente. Embora a EFSA reconheça que os produtos de glifosato podem prejudicar a biodiversidade, ser neurotóxico e afetar o microbioma, ela se abstém de fornecer uma opinião negativa e, em vez disso, transfere a responsabilidade para os Estados-Membros, que nunca examinam a toxicidade humana de longo prazo de seus produtos, apesar dos requisitos da UE lei.”

“Estamos profundamente preocupados com todo o processo até agora, em que todos os atores envolvidos, não apenas a EFSA, mas também a ECHA, os quatro estados membros relatores e suas agências, não garantem os altos níveis de proteção previstos na legislação da UE. Do câncer, neurotoxicidade, impacto no microbioma, saúde do solo, abelhas e ecossistemas, nossos reguladores dão as costas a todos os danos potenciais relatados após a exposição ao glifosato”.

Peter Clausing, cientista da PAN Germany disse: “Como um escândalo recente  chamado Pestgate mostrou – os cidadãos da UE não estão protegidos contra os efeitos neurotóxicos dos agrotóxicos. Os produtores de agrotóxicos retiveram estudos sobre neurotoxicidade no procedimento de autorização da UE. E ao lado desse sigilo inaceitável, a ciência independente ainda não é levada em consideração adequadamente.”

 Hans van Scharen, pesquisador do Corporate Europe Observatory (CEO), disse: “Isso fará com que as multinacionais agroquímicas e seus acionistas estourem garrafas de champanhe, mas prejudicará as pessoas e o planeta. As pessoas estão cansadas do glifosato e nós estamos cansados ​​de mentiras. Como a EFSA poderia dar um sinal de positivo ao glifosato com base principalmente em estudos científicos de má qualidade liderados por empresas, quando a IARC e depois disso muitos outros cientistas alertaram que é genotóxico e provavelmente causador de câncer também? Sem falar na biodiversidade. Agora vemos novamente o que já sabíamos: o sistema de autorização de agrotóxicos da UE não é adequado para o propósito. O objetivo é proteger as pessoas e o meio ambiente. O sistema é tóxico em si.”

Childhood exposure to common herbicide may increase the risk of disease in  young adulthood - UC Berkeley Public Health

Notas adicionais

 [i]1 Em março de 2015, a IARC classificou o glifosato como “provavelmente cancerígeno para humanos” (Grupo 2A). Isso foi baseado em evidências “limitadas” de câncer em humanos (de exposições do mundo real que realmente ocorreram) e evidências “suficientes” de câncer em animais experimentais (de estudos de glifosato “puro”). A IARC também concluiu que havia evidências “fortes” de genotoxicidade, tanto para glifosato “puro” quanto para formulações de glifosato.

[ii] 2 De acordo com pesquisas de mercado globais, mercado global de glifosato foi estimado entre US$ 7,6 e 9,3 bilhões em 2020 e está projetado para atingir entre 10,6 e 17,7 bilhões em 2030, com taxas de crescimento anual projetadas entre 3,0% e 6%. Conforme demonstrado, alternativas ao glifosato estão disponíveis para todos os usos .

[iii] 3 As evidências sobre a saúde humana são esmagadoras – a exposição ao glifosato tem sido associada a doenças graves em humanos (egrise de biomarcadores de câncer e disrupção no microbioma. A avaliação epidemiológica do câncer e avaliação de genotoxicidade da IARC foi recentemente confirmada pelo instituto francês INSERM. Além disso, um relatório do HEAL publicado em junho de 2022 mostra que as evidências científicas que provam que o glifosato é cancerígeno foram até agora descartadas na avaliação científica da UE. Este relatório examinou de perto os 11 estudos de ratos e camundongos fornecidos por empresas fabricantes de agrotóxicos em 2019 como parte do dossiê de aplicação. Em 10 de 11 estudos, foram observados tumores associados ao tratamento com glifosato. Além disso, a literatura científica pública também vincula a exposição ao glifosato a várias doenças graves. Por exemplo, estudos recentes mostram que o glifosato e os produtos à base de glifosato podem ser neurotóxicos e pode contribuir para o desenvolvimento da doença de Parkinson, pode causar doença renal e perturbar o microbioma humano e animal. A exposição materna ao glifosato também tem sido associada a partos espontâneos com duração gestacional reduzida e desenvolvimento anormal de órgãos reprodutivos em recém-nascidos.

[iv] 4 O destino do glifosato no meio ambiente está bem documentado pela ciência de ponta. O glifosato danifica os ecossistemas, incluindo polinizadores e insetos benéficos, minhocas e biota do solo, e causa danos diretos à agricultura. Afeta o microbioma do solo. – o glifosato pode alterar o microbioma endofítico e da rizosfera das plantas, o que pode enfraquecer a defesa das plantas por meio da diminuição da produção antimicrobiana contra ataques de patógenos. É perigoso para o ambiente aquático – Tanto o glifosato quanto seu metabólito AMPA apresentam riscos a ambientes aquáticos e o glifosato já é classificado  como sendo tóxico para a vida aquática com efeitos duradouros (Aquatic Chronic 2; H411), embora uma classificação mais rigorosa se justificasse com base em dados da literatura científica.

 [v] 5 O glifosato é um herbicida não seletivo que mata não só ervas daninhas indesejadas, mas todas as plantas, bem como algas, bactérias e fungos, tendo assim um impacto inaceitável na biodiversidade e no ecossistemaNuma Resolução de 2016, o Parlamento Europeu já havia assinalado que “como tal, o glifosato não cumpre o disposto na alínea e)(iii) do artigo 4.º, n.º 3, do Regulamento (CE) n.º 1107/2009”.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela PAN Europe [Aqui!].

Clorotalonil: um agrotóxico altamente perigoso continua sendo exportado da Europa para o resto do mundo

A União Européia e a Suíça ainda exportam o clorotalonil, um fungicida comercializado pela Syngenta e outras empresas, apesar de terem proibido o uso desse produto químico em suas próprias fazendas devido ao seu potencial de contaminar os lençóis freáticos e causar câncer. Os principais destinos são países de baixa e média renda, onde os governos não têm capacidade de administrar os riscos desse perigoso agrotóxico

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Por Laurent Gaberell para a Public Eye

“É um desastre como os produtores de água potável provavelmente nunca enfrentaram”, escreveu o Le Monde em 5 de abril, após a divulgação de um relatório da Agência Nacional Francesa de Saúde e Segurança Alimentar, Ambiental e Ocupacional (Anses), alertando que a água potável na França é amplamente poluída por metabólitos de clorotalonil. Cerca de um terço da água distribuída no país não cumpre as normas de qualidade. Consertar o problema pode custar bilhões.

Também na Suíça, o clorotalonil chegou recentemente às manchetes . De acordo com dados coletados pelas autoridades cantonais, 700.000 pessoas estão expostas a metabólitos de clorotalonil em sua água potável em níveis que excedem o valor limite. O Planalto Suíço, intensamente utilizado para a agricultura, é a principal região afetada. O Escritório Federal para o Meio Ambiente (FOEN) alertou que o clorotalonil pode “prejudicar significativamente as águas subterrâneas por muitos anos”. O custo da limpeza pode levar a um aumento de 75% no preço da água.

Exportações tóxicas

Comercializado pela primeira vez na década de 1970, o clorotalonil foi por muito tempo um dos fungicidas mais vendidos na Suíça e na União Europeia (UE). Em 2019, no entanto, foi banido da UE, depois que a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) recomendou que a substância fosse classificada como um provável carcinógeno humano e identificou uma “preocupação crítica” em relação à contaminação de águas subterrâneas por metabólitos de clorotalonil. – as substâncias criadas quando o produto químico começa a se decompor no meio ambiente, que também são prejudiciais à saúde. O clorotalonil também foi proibido na Suíça imediatamente depois disso.

Inauguração de um centro de produção na fábrica da Syngenta em Monthey, a maior fábrica da empresa no mundo

No entanto, três anos depois de bani-lo de seus próprios campos, a UE e a Suíça ainda permitem que fabricantes como a Syngenta exportem clorotalonil para países de baixa e média renda (LMICs), onde as regulamentações são mais permissivas. Esta é a principal conclusão de uma nova investigação da Public Eye e Unearthed , com base em documentos obtidos de autoridades europeias sob as regras de liberdade de informação. Isso mostra que, em 2022, quase 900 toneladas de clorotalonil foram “notificadas” para exportação da UE.

Mais da metade dos embarques teve como destino países da África, em especial Egito, Argélia e Camarões, onde os governos não dispõem de recursos adequados para evitar a contaminação ambiental pelo uso de agrotóxicos. Colômbia, Filipinas e Guatemala também estiveram entre os principais destinos. As agências da ONU alertam que nesses países o risco de exposição humana e ambiental é, “quase sem exceção”, muito maior do que na Suíça e na UE, onde o uso do clorotalonil foi proibido.

Veneno na agua

A UE enviou pelo menos 130 toneladas de clorotalonil para a Costa Rica desde que aprovou uma proibição doméstica de seu uso em 2019. Neste país da América Central, o governo tem que fornecer água a algumas comunidades por caminhão, depois que a água da torneira foi descoberta fortemente contaminados pelo pesticida, mostra nossa investigação . Os ministérios do meio ambiente e da saúde temem que essa contaminação se espalhe por toda a região agrícola do norte da província de Cartago, onde vivem dezenas de milhares de pessoas.

As autoridades da Costa Rica devem entregar água potável por caminhão à população de Cipreses e Santa Rosa, devido à poluição por clorotalonil.  ©José Díaz / Public Eye

A Syngenta, gigante agroquímica com sede na Suíça, foi a maior exportadora de clorotalonil, respondendo sozinha por mais de 40% (quase 380 toneladas) dos volumes de produtos de clorotalonil notificados para exportação da UE em 2022. Arysta Lifescience, que agora faz parte da Índia A empresa multinacional de pesticidas UPL, sediada na Itália, a Sipcam Oxon, com sede na Itália, e a Cheminova, uma subsidiária da gigante americana de pesticidas FMC, também notificaram o clorotalonil para exportação em 2022 da Bélgica, Itália, Holanda e Espanha.

A Suíça também exporta clorotalonil, apesar de ter proibido seu uso em seu próprio território. Impossível, porém, saber a verdadeira dimensão dessas exportações e os principais destinos. O clorotalonil ainda não está listado na legislação suíça que regula a exportação de produtos químicos perigosos e, portanto, as empresas não têm obrigação de notificar suas exportações às autoridades. No entanto, dados obtidos junto das autoridades europeias mostram que em 2022 foram notificadas pela Syngenta quase 30 toneladas para exportação da UE para a Suíça, para reexportação para países terceiros.

Fechando a torneira

Mas o laço está apertando os gigantes agroquímicos. Tanto a Bélgica quanto a Alemanha, que são os principais exportadores de clorotalonil da UE, estão seguindo oexemplo da Françae avançando com planos de proibição nacional da exportação de pesticidas proibidos, embora os regulamentos propostos enfrentem forte resistência da indústria. Uma proibição de exportação de pesticidas proibidos também poderia ser adotada a nível da UE. A Comissão Europeia comprometeu-sea apresentar propostas concretas este ano para “garantir que os produtos químicos perigosos proibidos na União Europeia não sejam produzidos para exportação”. Isso ocorreu logo após a publicação de umainvestigação anterior da Unearthed and Public Eye sobre as exportações proibidas de pesticidas.

A estratégia enfrentaforte oposiçãodo lobby químico. Mas acaba de ser lançada uma consulta públicae a Comissão confirmou que ainda tenciona apresentar uma proposta antes do final do ano. Ao lançar a consulta, o comissário do Meio Ambiente, Virginijus Sinkevičius,disse quea UE “não seria consistente em sua ambição de um ambiente livre de tóxicos se produtos químicos perigosos que não são permitidos para uso na UE ainda pudessem ser produzidos aqui e depois exportados”.

Os lobbies, portanto, ainda não ganharam o dia. E o Parlamento Europeu e os Estados-Membros têm em mãos outraproposta da Comissão , que visa consagrar na lei a obrigação de as empresas respeitarem os direitos humanos e o ambiente quando operam no estrangeiro. Essas novas regras – desde que se apliquem a toda a cadeia de valor, incluindo o uso de produtos – podem obrigar as empresas de pesticidas a levar a sério os riscos associados ao uso de seus produtos em países mais pobres. Mais uma pedra no sapato dos gigantes agroquímicos.


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Este texto inicialmente escrito em inglês foi publicado pela ONG Public Eye [Aqui!].