Nota técnica do INPE alerta sobre efeitos devastadores da explosão do desmatamento na Amazônia em 2020

Desmamento acumulado entre 1 de agosto de 2019 e 14 de maio de 2020, já representa 89% da área detectada para o periodo equivalente em 2018/2019.

Smoke billows during a fire in an area of the Amazon rainforest near Porto VelhoOndas de fumaça emergem de um incêndio florestal em Rondônia em 2019.  Reuters

Uma nota técnica preparada pelo Laboratório de Ecossistemas e Ciências Ambientais nos Trópicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apresenta dados  que deverão gerar repercussão internacional, na medida em que mostram um avanço consistente do desmatamento na Amazônia brasileira, e um recuo nos dispêndios financeiros por parte do governo Bolsonaro em medidas que pudessem frear este processo. 

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A referida nota técnica afirma, entre outras coisas, que “no ano de referência (2019/2020), a área de alertas de desmatamento acumulada entre , com uma projeção de desmatamento de 9.319±480 km2″ .  A nota acrescenta ainda que tal “estimativa de desmatamento corresponde a aproximadamente de 95% da taxa oficial de desmatamento em 2019 (9.762 km2)“. E que “sem uma intervenção imediata, espera-se que as atividades de desmatamento continuem crescentes nos próximos meses, como observado no mesmo período em 2019, e que mais um recorde de desmatamento na história recente da Amazônia brasileira” .

Os dados apresentados na nota técnica do INPE também  mostram que o estados do Pará, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas concentram o grosso do desmatamento, que agora avança de forma consistente dentro de unidades de conservação.(ver figura abaixo).

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E como onde há desmatamento, há fogo, a nota técnica aponta que a intensificação do
processo de desmatamento “resultará diretamente em mais eventos de queimadas na Amazônia em 2020”.  Além disso, a nota prevê que “o fogo do desmatamento, quando combinado com mais fontes de ignição, mais bordas florestais e a possibilidade de um clima mais seco, deverá intensificar a disseminação de focos de incêndio de forma descontrolada na paisagem, gerando incêndios como os observados em 1998, 2005, 2010, 2015/2016”, o que já está ocorrendo mesmo que a alta estação das queimadas não tenha sido iniciada (ver figura abaixo).

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Por outro lado, a nota técnica também indica clara preocupação com a redução orçamentária ocorrida no IBAMA para possibilitar as ações de Normatização e Fiscalização em 2020, pois houve na Lei Orçamentária Anual (LOA), traduz-se pela redução de R$ 97,6 milhões em 2019 para R$ 76,8 milhões em 2020,  o representa 21%  a menos para o financiamento das ações que poderiam impedir o avanço das atividades ilegais que hoje aceleram os processos de desmatamento e degradação dos biomas amazônicos. Mais grave ainda é que chegando ao sexto mês do ano,  o valor empenhado para a realização das ações de controle ambiental não está próximo sequer da metade do mínimo necessário para atingir a redução de desmatamento planejada para 2020 (ver figura abaixo).

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A nota conclui que é imperativo os cenários já ocorrendo no chão da Amazônia para que se evite a degradação ambiental, a propagação de queimadas, e o aprofundamento do colapso do sistema de saúde nos estados amazônicos que já se encontram sob forte pressão por causa do avanço desenfreado da pandemia da COVID-19.

Quem desejar ler a íntegra da nota técnica do INPE, produzida em conjunto com o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), basta clicar [Aqui!].

(Des) governo do RJ e suas prioridades tortas. O exemplo do fechamento do Cemaden

Ainda pessoas de boa índole que não imputam aos que (des) governam hoje as devidas responsabilidades sob a desculpa que estamos em meio a uma crise geral.  Mas como venho acompanhando, graças ao pessoal do blog Transparência RJ, a gastança desenfreada que anda sendo feito com o dinheiro público, me permito a apontar que a questão é de prioridade mesmo.

Vejamos um exemplo bem drástico do tipo de prioridade torta que controla as decisões sobre onde e quanto gastar. Na última quarta-feira (22/06), o Portal G1 publicou de forma até discreta o virtual desmanche da unidade fluminense do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais sob a desculpa de que não havia recursos para manter os técnicos que ali trabalhavam (Aqui!).

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Pois bem, e quanto custaria manter o CEMADEN/RJ em funcionamento? Em função dos serviços prestados isto sairia por módicos R$ 38.750,00 mensais ou R$465.000,00 por ano. Apenas por comparação, o custo anual do CEMADEN/RJ equivale a 2,3% do valor pago pelo aluguel de ambulâncias para os Jogos Olímpicos (Aqui!) e a 2,4% do valor de um dos trens chineses que foram comprados com dinheiro público para serem entregues à SuperVia (Aqui!).

Como estive nas áreas de desastre na região Serrana no início de , 2011 que decorreram de fortes chuvas torrenciais, pude testemunhar que a falta de um serviço de alerta como o representado pelo CEMADEN contribuiu para potencializar a tragédia que ocorreu. Por essa razão considero inexplicável que se sucateie o CEMADEN em prol, por exemplo, do aluguel de ambulâncias para as Olimpíadas. Aliás, inexplicável é pouco.