Pego com “diploma fake”, Ricardo Salles dá uma de Chacrinha

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Pego no escândalo do seu “fake” diploma de mestre pela Universidade de  Yale pelo site “The Intercept”, Ricardo Salles, o ainda ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, está lançando mão de duas conhecidas táticas de diversionismo para dar vida ao famoso lema de Abelardo Barbosa, o Chacrinha: eu não estou aqui para explicar, mas para complicar.  A primeira é lançar mão do descrédito ao jornalista que fez a matéria, imputando a ele o adjetivo que cabe ao seu inexistente título de mestre (ver reprodução de uma manifestação de Ricardo Salles em sua página oficial no Twitter).

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A segunda tática é jogar a culpa sobre a informação agora sabidamente falsa nas costas de sua assessoria que teria se equivocado ao fornecer o dado à Folha de São Paulo no longínquo ano de 2012.

Mesmo que se admita que em 2012, a assessoria de Ricardo Salles tenha se equivocado em fornecer um dado falso, o problema é que só agora ele veio a público desmentir a informação. Em suma, ficou 7 anos sendo validado por uma informação que agora diz ser “equivocada” e que só está esclarecendo porque foi fisgado pela capacidade investigativa do jornalista Leandro Demori.

Mais interessante é o fato de que o primeiro cargo público que Ricardo Salles atesta em seu “franciscano” currículo profissional na área pública que está depositado na página oficial do Ministério do Meio Ambiente é o de “secretário particular”  (seja lá isso  o que for) do governador Geraldo Alckmin, o que teria se dado apenas em 2013.  Então qual teria sido a “assessoria” de Ricardo Salles que produziu a informação sobre o diploma inexistente na Universidade de Yale?

A verdade é que se estivesse no ministério de qualquer outro presidente brasileiro, Ricardo Salles já estaria tomando o rumo de caso depois dessa revelação que lhe cobre de vergonha. Mas como estamos sob o governo Bolsonaro é possível que ele ainda resiste algum tempo no cargo.

 

E o “Troféu Abacaxi” vai para a Prefeitura de São João da Barra!

A mídia corporativa local anunciou nos últimos dias a realização do “I Festival do Abacaxi” de São João da Barra. A matéria produzida pelo site “Ururau” teve até espaço para uma declaração curiosa do prefeito  Neco que teria declarado que “a cultura do abacaxi cresce a cada dia em São João da Barra, principalmente no quinto distrito, e a administração municipal caminha ao lado do produtor rural incentivando e prestando todo apoio necessário. Os investimentos no setor agrícola continuarão a serem feitos para que os resultados sejam cada vez melhores” (Aqui!).  Essa declaração é, no mínimo, curiosa já que a desapropriação de cerca de 7.500 hectares de terras onde o abacaxi era uma das culturas âncoras, e como não assisti nenhum aumento nas áreas restantes que compensasse o que foi tirado da agricultura familiar para beneficiar Eike Batista e seu conglomerado de empresas pré-operacionais, essa declaração de Neco parece ser um tanto descolada da realidade. Terra essa hoje que repousa nas mãos da corporação multinacional EIG Global Partners, diga-se de passagem.

O verdadeiro quadro no V Distrito está muito distante dessa realidade rósea que a prefeitura de São João da Barra tenta pintar com a realização desse festival. O fato é que os agricultores que teimam em continuar trabalhando para produzir alimentos agora estão pagando caro para arrendar terras, o que aumenta os custos sem que haja qualquer apoio para seja agregado valor para aumentar a lucratividade da produção. É até penoso ouvir a narrativa desses agricultores em relação ao suplício que sua labuta na agricultura, pois um número significativo deles continua esperando algum tipo de apoio oficial, inclusive para que se acelere o pagamento das compensações devidas pela expropriação de suas terras.

Assim, o verdadeiro festival do abacaxi de São João da Barra foi promovido por Eike Batista que usou dos seus contatos para expropriar terras produtivas e construir um grande latifúndio improdutivo em terras de agricultores humildes que tiravam da areia toneladas de alimentos todos os anos sem muito apoio oficial, diga-se de passagem.

E nunca é demais lembrar que está em curso um processo de salinização que pode ameaçar o que restou de área livre para a prática da agricultura! Aliás, com a volta das chuvas esse processo deverá mostrar seus efeitos nas áreas em que a cultura ainda é pratica. Assim, em vez de fazer um festival “fake” do abacaxi, o que a prefeitura de São João da Barra deveria estar fazendo era monitorar o andamento desse processo de contaminação ambiental. Bom, ai já é pedir demais de quem vende a imagem de que o Porto do Açu é a salvação da lavoura, não é?

Por essas e outras, é que no melhor estilo do Chacrinha, a prefeitura de São joão da Barra deveria receber o “troféu abacaxi” pelo tratamento dispensado aos agricultores desapropriados no V Distrito!