Extinção do MCTI e sucateamento das FAPs colocam em risco o sistema nacional de ciência e tecnologia

Uma das principais características de um país que procura alcançar novos níveis de desenvolvimento é o investimento sustentado em ciência e tecnologia.  A China, por exemplo, optou por um aumento consistente no orçamento do seu ministério de Ciências para o próximo quinquênio como uma forma de responder à crise econômica que está se abatendo sobre a economia mundial  (Aqui!).

No caso do Brasil, o que estamos assistindo é um processo totalmente oposto ao caminho adotado pela China. O fato é que estamos presenciando um ataque duro e direto às estruturas que foram desenvolvidas nos planos federal e estadual para providenciar recursos e estabelecer políticas voltadas para orientar o desenvolvimento científico e tecnológico. O principal exemplo disso foi a extinção do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) como um dos primeiros atos do governo “de facto” de Michel Temer. 

Há que se ressaltar que a desvalorização estratégica do sistema nacional de ciência não parou na extinção do MCTI. O fato é que os principais órgãos responsáveis pelo desenvolvimento científico brasileiro foram virtualmente colocados no limbo no novo ministério comandado por Gilberto Kassab. E não se fala apenas dos brutais cortes anunciados nos orçamentos do CNPq, da CAPES, e da FINEP . A questão da desvalorização está no tratamento de órgãos de segunda ou terceira categoria que os novos chefetes do tal Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Aliás, a única coisa notável que brotou do MCTIC até agora foi a tentativa de dar um presente bilionário para as empresas de telecomunicação e que só não se concretizou ainda porque a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Carmen Lúcia, resolveu pedir informações sobre mais essa bandalheira com o dinheiro público (Aqui!).

Agora, se a coisa está ruim no plano federal, a situação não é nada melhor na maioria dos estados. As chamadas “fundações de amparo à pesquisa” que são as responsáveis no plano estadual por apoiar o desenvolvimento científico e tecnológico, se encontram em sua maioria em situação falimentar. Basta ver os casos de estados como o Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Maranhão onde a falta de recursos impede qualquer suporte real num momento de encurtamento do aporte de verbas federais. Já no caso do Rio Grande do Sul, apesar de ter escapado da extinção que atingiu outras nove fundações, a  Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) deverá ser mantida na mesma situação de penúria que outras FAPs estão enfrentando.

A única exceção a este processo de sucateamento das FAPs ainda é a Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de São Paulo (Fapesp) que possui verbas próprias e um patrimônio invejável. Com isso, a Fapesp deverá continuar sendo capaz de financiar ações estratégicas como os do Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), o que deverá contribuir para a criação de uma espécie de colonialismo científico interno  com as universidades e institutos de pesquisa paulistas se tornando os únicos com nível de interagir com grandes centros científicos mundiais.

A repercussão desse processo de degradação dos órgãos federais e das FAPS foge a um análise de curto prazo. A verdade é que esta estratégia de fragilização do nossos sistema nacional de ciência e tecnologia terá implicações graves para o desenvolvimento econômico brasileiro. E como os chineses já explicaram ao anunciar  a sua transição de um modelo econômico baseado na exportação de manufaturas para outro baseado na venda de alta tecnologia, os países que ficarem para trás na corrida tecnológica certamente  enfrentaram desafios sociais e ambientais duríssimos no futuro.

O problema é que no Brasil estamos enfrentando uma verdadeira onda de ódio ao conhecimento científico, e que está sendo comandada pelos setores que dependem de algo ainda pior e mais atrasado do que a exportação de manufaturados, e que estão fortemente associados ao interesses das grandes mineradoras e o latifúndio agroexportador.  Para esses setores, o conhecimento científico é um entrave para suas aspirações de recolonização total do Brasil.

E será contra este tipo de interesse anti científico que teremos nos debater em 2017 para impedir a completa destruição do nosso sistema nacional de ciência e tecnologia. Simples assim!

 

Investimentos em CT&I: enquanto Brasil diminui, China aumenta

Para entender como estão as chances do Brasil em se tornar um país mais avançado não é preciso ir longe. Basta ver o que anda acontecendo com os investimentos em ciência, tecnologia e inovação ao longo do tempo.  

Nesse sentido, o gráfico produzido pela revista Nature sobre a evolução dos investimentos das principais economias mundiais em ciência, tecnologia e inovação que vai logo abaixo. É que enquanto o Brasil nem aparece no gráfico, a China salta para o segundo lugar nesse tipo de alocação de recursos públicos.

giphy

A decorrência disso é que a China, que em 2016 aumentou em 70% o orçamento do ministério da Ciência, já planeja sair da fase da exportação de manufaturados para a de produtos científicos de ponta.

Já o Brasil não apenas acabou com o seu ministério de ciência, tecnologia e inovação, juntando o que sobrou com uma estapafúrdia mistura com as comunicações, como também continua incapaz de entregar as verbas já alocadas para ações estratégicas como os dos institutos nacionais de tecnologia.

Os resultados desse tipo de comportamento inverso entre Brasil e China no tocante aos investimentos em CT&I não tardarão a aparecer.  E lamentavelmente, continuaremos a regredir para o Século XVI, bem ao gosto das elites que dominam o nosso país desde a chegada dos conquistadores portugueses.

Ciência nacional, outra potencial vítima do golpe. A China diz tchau, baby!

xi jinping

Já abordei aqui neste blog, e também repercuti matérias de outras fontes, mostrando que a ciência brasileira está entre aqueles segmentos que estão marcados para enfrentar grandes perdas com a instalação do governo interino (ou seria golpista?) de Michel Temer. 

É que a essência do grupo que tomou de assalto o governo federal a partir do golpe branco em Dilma Rousseff é da negação de um projeto de Nação. Essa questão não aparece claramente, mas a sanha com que desmantela qualquer resquício da afirmação de uma identidade nacional se tornou óbvia com a destruição do Ministério da Cultura, mas obviamente não para ai.

Acabo de ler um artigo publicado pelo Jornal da Ciência, vinculado à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) dando conta do grave risco representado pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº143/2015 que, se aprovada, desvinculará 25% da receita de estados e municípios de áreas como saúde, tecnologia e pesquisa (Aqui!).

Como várias outras propostas de PEC que estão tramitando de forma quase invisível pelo Senado Federal, a PEC 143/2015 representará uma tesourada extrema no financiamento da da saúde e da ciência, já que os estados e municípios ficarão desobrigados de investir em tecnologia e pesquisa. Essa “liberdade” certamente será aproveitada, já que a maioria dos ocupantes de cargos executivos no Brasil não entende (e nem quer entender) os ganhos exponenciais que o desenvolvimento científico e tecnológico representa para a afirmação de um projeto de Estado Nação forte. Se preocupar com a saúde da maioria da população, isto então nem é bom lembrar!

Como já observei anteriormente, no caso do desinvestimento na área científica é justamente o oposto do que está fazendo a China neste exato momento. E as razões para o governo da China aumentar o investimento no desenvolvimento da ciência chinesa estão  relacionadas ao objetivo estratégico de transformar o pais num exportador de tecnologia avançada e diminuir a dependência da balança comercial chinesa da venda de manufaturas. Aliás, a ideia de que a China produzindo apenas penduricalhos baratos para saciar o apetite de consumo mundial já é ultrapassada, e tenderá a ficar ainda mais nos próximos anos.

Enquanto isso, aqui no Brasil a guilhotina no financiamento da ciência está sendo armada de forma furiosa.  Adivinhem quem vai ficar na poeira do desenvolvimento com a aprovação da PEC 143/2015 e a aplicação dos planos de desenvolvimento científico da China? 

China e Brasil estão em crise, mas oferecem respostas completamente opostas na área do desenvolvimento científico

Um dos mantras preferidos atualmente entre governantes e opositores no Brasil é o corte de investimentos (que eles acham que são gastos) em áreas estratégicas para “equilibrar as contas públicas”. Dois locais que já sentiram o ferrão neoliberal foram a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) que tiveram seus orçamentos fortemente drenados. Na Capes, como informa o jornalista Maurício Tuffani no seu blog “Direto da Ciência” (Aqui!), houve um corte de 9% no total de bolsas de pós-graduação oferecidos pela agência. J

Essa tendência de cortar em áreas estratégicas como a ciência sequer é explicada pelos que seguram a tesoura em Brasília, provavelmente porque não há qualquer explicação justifique a opção por atrasar ainda mais o desenvolvimento científico nacional..

Mas um paralelo curioso em relação ao percentual de 9,0% vem da China (como mostra a ilustração abaixo tirada do sítio da revista Science (Aqui!)). É que para responder à desaquecimento da economia chinesa, o governo chinês decidiu aumentar o orçamento do ministério da Ciência em exatos 9,1% para o ano de 2016.

china

Além disso, o governo se comprometeu a diminuir as amarras burocráticas que têm dificultado o uso dos recursos governamentais pelos cientistas chineses.  E este é outra diferença marcante  em relação às políticas aplicadas no Brasil, onde os pesquisadores são obrigados a explicar cada centavo gasto e perder horas em relatórios científicos que sabidamente são apenas rotinas burocráticas que pouca gente lê e nenhuma utilidade têm para o avanço do conhecimento.

Mas a matéria da Science ainda traz as áreas em que a ciência chinesa deverá receber mais aportes nos próximos cinco anos, e sua leitura revela a amplitude estratégica com que o governo chinês trata o desenvolvimento científico e tecnológico do país.

china 2

Uma coisa que me chamou a atenção quando visitei a China em 2010 foi a preocupação dos líderes de governo com a questão da poluição ambiental.  E não é que nessa mesma matéria da Science que o governo chinês está reorganizando o Ministério do Ambiente para tratar dos problemas relacionados à poluição (do ar, solos e água) ambiental.

Enquanto isso, aqui no Brasil ficamos assistindo o desmanche das nossas universidades em prol do financiamento de cervejarias e montadoras de automóveis.  E, sim, tolerando incidentes como o da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) que após cinco meses ainda continua jogando seus rejeitos no Rio Doce.

Notícias de além mar: Anglo American sangra ao extremo com esfriamento da economia da China

crise

A matéria mostrada abaixo foi publicada pelo jornal Financial Times (Aqui!) e dá conta da erosão profunda do valor das ações da Anglo American, principalmente por causa da perda de apetite do mercado chinês por commodities minerais, incluindo o minério de ferro.

anglo american

Para quem não conseguir entender o linguajar economês em inglês, a situação da Anglo American é apontada pelo jornalista Bryce Elder como desesperadora, e que está suscitando sugestões para a adoção de medidas extremas para salvar a empresa.

Uma delas, e que toca aos interessados nas chances de sucesso do Porto do Açu em São João da Barra (RJ), seria a suspensão das atividades de mineração em Conceição do Mato Dentro até que os preços do minério de ferro voltem a patamares viáveis em termos da relação custo/benefício que praticamente inviabiliza a utilização do mineroduto Minas-Rio. E como todas as previsões do mercado é de que nada vai melhorar em 2016, já se pode antever que a suspensão não seria por pouco tempo.

Outra sugestão que também diz diretamente à situação da empresa do Brasil seria o apartamento das operações na América do Sul do restante do grupo com a criação de uma espécie de “Anglo American da América do Sul’.

Essas medidas seriam todas voltadas para impedir um rebaixamento ainda maior do valor da empresa, o qual já se encontra fortemente deteriorado em função do cenário estabelecido com a crise das bolsas chinesas por um lado e, de outro, pelo afundamento do preço da tonelada do minério de ferro.

Mas voltando ao Porto do Açu, vamos ver como é que a Prumo Logística e seus áulicos inveterados reagem à situação crítica em que se encontra a Anglo American, efetivamente a principal parceira do empreendimento. É que não é preciso ser nenhum Einstein para intuir que se a Anglo American optar por colocar suas atividades em estado de congelamento em Conceição do Mato Dentro, a coisa que já não anda boa vai piorar ainda mais. A ver!

Retornando ao reino desencantado das commodities

porto

No dia 03 de junho de 2012 publiquei o artigo abaixo na Revista Somos Assim. Ao reencontrá-lo em uma dessas buscas que se faz na rede mundial de computadores, eu não consegui resistir à tentação de republicá-lo aqui no blog. É que ao reler o que eu mesmo escrevi há mais de 3 anos, não posso deixar de dizer o famoso “eu avisei!“. 

E como o Sr. Júlio Bueno continua ocupando papel de relevo no (des) governo Pezão, também fico com aquela tremenda vontade de perguntar a ele onde anda o prometido desenvolvimento que viria após se retirar centenas de famílias de suas terras em troco de nada!

Aliás, esta semana comi um delicioso maxixe que ganhei de presente de um agricultor do V Distrito, o qual até hoje está sem receber a justa compensação financeira por uma de suas pequenas propriedades que foi 

expropriada pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin). E saibam todos que o maxixe estava delicioso.

Problemas à vista no reino desencantado das commodities 

Marcos A. Pedlowski, artigo publicado no número 247 da Revista SOMOS ASSIM em 03.06.2012

O fato de que a economia brasileira se tornou perigosamente dependente da exportação de commodities minerais e agrícolas já deveria ter feito soar o alarme de perigo para as autoridades federais há quase uma década. Mas não foi o que se viu e, aliás, o caminho assumido por Lula e Dilma Rousseff foi justamente o oposto, pois todas as apostas feitas foram no sentido de fortalecer o papel ocupado pelas commodities na balança comercial. Assim, bilhões de reais retirados do FGTS e do Fundo de Apoio ao Trabalhador (FAT) foram usados para apoiar um pequeno número de empresas. Exemplos desta aposta nas commodities são a JBS-Friboi, atualmente a maior empresa da área de carnes, a Vale que atua na área de minérios, e o Grupo EBX cujo motor é a área de petróleo e gás. Mas, além de turbinar os negócios destas mega empresas, o governo federal também investiu vultosas somas de recursos na área de infraestrutura e logística através do chamado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). 

A aposta no peso econômico das commodities estava ancorada em dois aspectos básicos: a elevação sem precedentes nos preços de recursos minerais e produtos agrícolas, e o crescimento vertiginoso da economia da China, que passou a se comportar como um aspirador de pó gigante que absorvia grande parte da produção mundial de produtos primários. Além disso, a transformação das commodities em elemento com os quais as grandes corporações financeiras faziam o seu jogo especulativo contribuiu para dar uma aura de inevitabilidade de que o Brasil se dobrasse ao seu apelo comercial. 

Mas, agora que a economia chinesa está dando claros sinais de que vai entrar num ciclo menos virtuoso e os países europeus permanecem enredados numa colossal crise econômica, a aposta nas commodities está se mostrando um erro descomunal. E os sinais disto estão por todo lado. Primeiro foram as indústrias de celulose que congelaram seus planos de expandir os plantios de eucalipto e pinus na região Sul; só a papeleira sueca Stora Enso diminuiu em 80% as suas metas de plantio, além de ter fechado o escritório que mantinha em Porto Alegre, num claro sinal de que está querendo dar um “adjö” ao Brasil. Outra evidência apareceu numa entrevista dada à Revista Exame por Ruben Ometto, que até recentemente jogava fundo na área de produção de açúcar e álcool, mas que repentinamente decidiu mudar o seu foco para a área de logística, e se manter o mais distante possível de tudo que tenha a ver com a cana de açúcar. Mas um sinal mais próximo de que o chamado “superciclo” das commodities pode ter chegado a um final pouco glorioso foi a desistência das multinacionais Ternium (francesa) e Wisco (chinesa) de instalarem siderúrgicas no chamado Complexo Portuário-Industrial do Açu. Apesar de Eike Batista ter tentado, como sempre aliás, colocar uma face risonha na derrocada de suas sonhadas siderúrgicas, o fato é que a produção do aço também está comprometida com o que está acontecendo na China e na Europa. 

Os mais puros de alma poderiam dar de ombros para a débâcle das commodities e se refugiar no mito disseminado pelos ideólogos do governo Dilma de que a economia brasileira está forte o suficiente para resistir à pulverização dos valores estratosféricos que as commodities desfrutaram por mais de duas décadas. Aliás, há que se ressaltar: os valores inflacionados das commodities serviram ainda para disseminar e legitimar o mito de que o Brasil tinha superado nosso histórico atraso econômico para se inserir no fechado clube das economias desenvolvidas. 

Neste processo todo o Brasil perdeu a oportunidade de efetivamente reorganizar para melhor o modus operandi da economia brasileira. Assim, ao invés de apostar em políticas estruturantes como a reforma agrária e o desenvolvimento de alternativas de ponta na área energética, o que se deu foi uma aposta justamente no sentido contrário. Assim, o que temos hoje é um aumento acelerado na concentração da terra para o cultivo das monoculturas agroexportadoras. Por isso, apenas a COSAN de Rubens Ometto detém 100.000 hectares de terras nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Bahia e Maranhão que estão usando exclusivamente apenas para o plantio de cana de açúcar voltado para a produção de açúcar e álcool. Mas não seria preciso ir tão longe para ver como a opção pelas commodities está afetando a produção de alimentos, pois aqui mesmo no V Distrito de São João da Barra, centenas de famílias tiveram suas terras altamente produtivas tomadas para a implantação do Complexo do Açu! O problema é que agora toda a aposta feita no mirabolante Eike Batista está parecendo apenas outro erro trágico dos adoradores de commodities. Aliás, neste caso, caberia perguntar ao secretário estadual de Desenvolvimento, Júlio Bueno, que disse um dia que preferia aço ao maxixe, o que ele fará com as terras desapropriadas agora que o sonho da siderurgia virou pesadelo. 

O mais trágico disto tudo é que se o pior cenário se confirmar, o Brasil terá de se defrontar com uma grave crise econômica e social. Mas talvez aí as mudanças venham finalmente a ocorrer.

A crise chinesa e os atrasadinhos do governo Dilma Rousseff

china

A reação do governo Dilma Rousseff à hecatombe das bolsas mundiais (e em especial as da China) é uma demonstração típica de que estamos muito mal governados. É que segundo matéria assinada pelo jornalista Valdo Cruz da Folha de São Paulo, o Palácio do Planalto recebeu com apreensão o “crash” das bolsas chinesas já que isto poderá (fiz questão de grifar o poderá) causar uma recessão no Brasil em 2016 (Aqui!).

Alguém por favor avise ao Palácio do Planalto que a recessão já está aqui, e que, em 2016, a possibilidade é de que ela se aprofunde ainda mais, já que tudo indica que o apetite chinês para consumir as commodities brasileiras vai diminuir ainda mais, como aliás já sinalizam “as cotações das principais commodities agrícolas negociadas nas bolsas de Chicago (milho, trigo e soja) e Nova York (açúcar, cacau, café, suco de laranja e algodão)”, segundo matéria do jornal Valor Econômico (Aqui!).

 

Exame: Bovespa reduz queda a 3,4%, mas segue em níveis de 2009

thinkstock
Bolsas

Bolsas: todas as ações da carteira teórica seguiam no vermelho

Paula Arend Laier, da REUTERS

São Paulo – O principal índice da Bovespa seguia nos níveis de meados de 2009 nesta segunda-feira, mas recuperava-se das mínimas da sessão, quando chegou a cair mais de 6 por cento, contaminado pelo pânico que tomou conta dos mercados globais por preocupações com a economia chinesa.

Às 12:38, horário de Brasília, o Ibovespa caía 3,32 por cento, a 44.201 pontos, tocando a mínima durante os negócios desde abril de 2009. No pior momento até esse horário, a queda foi de 6,5 por cento, a 42.749 pontos.

Todas as ações da carteira teórica seguiam no vermelho. O volume financeiro na bolsa somava 3,3 bilhões de reais.

Na China, o índice SSE, da bolsa de Xangai, perdeu 8,46 por cento, conforme medidas do governo da segunda maior economia do mundo para conter o declínio no mercado acionário e a desaceleração econômica não surtiam efeito.

Na Europa, o índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações do continente, fechou em queda de 5,39 por cento, segundo dados preliminares. Em Wall Street, o S&P 500 caía quase 3 por cento e o Nasdaq cedia 5,4 por cento, distanciando-se das mínimas.

“Todos os dados de atividade da economia chinesa apontam para uma desaceleração maior do que vem indicando o PIB (Produto Interno Bruto) oficial. E essa é a grande questão de fundo por trás dessa deterioração do mercado acionário”, disse o analista Marco Aurelio Barbosa, da CM Capital Markets.

A decisão chinesa de permitir que fundos de pensão administrados por governos locais invistam no mercado acionário pela primeira vez não trouxe alívio ao mercado. Conforme nota do Credit Suisse, havia expectativa de corte da taxa de depósito compulsório dos bancos chineses para estimular a economia, o que não aconteceu.[nL1N10Z0C4] Entre as commodities, o minério de ferro caiu 4 por cento na China e o petróleo perdia cerca de 4 por cento.

Em nota a clientes, Barbosa, da CM Capital Markets, escreveu que as medidas do governo chinês visam estancar o pânico entre investidores pessoas físicas e evitar o contágio da economia real pela perda de lastro para o consumo devido à redução da poupança.

“O que vem ocorrendo é que as medidas de ‘socorro’ à bolsa (chinesa) vêm afastando os poupadores e atraindo mais especulação. Há uma sensação de que o governo chinês está perdendo o controle da situação”, afirmou. O Credit Suisse destacou que o movimento recente do banco central da China de desvalorizar o iuan levou a um choque negativo no apetite de risco e, em caso de piora, poderia afetar negativamente também o crescimento global.

Na cena local, era visto como novo elemento de incerteza a decisão do vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, de pedir investigação das contas de campanha da presidente Dilma Rousseff, assim como o risco de saída do vice-presidente Michel Temer da articulação politica.

“Passado o ‘modo pânico’, a bolsa tende a reagir um pouco conforme os investidores começam a fazer contas”, disse o chefe da mesa de renda variável da corretora de um banco estrangeiro em São Paulo.

Destaques

VALE tinha queda entre 6 e 7 por cento para as ordinárias e as preferenciais de classe A, em meio aos temores sobre a China, uma vez que uma desaceleração mais forte naquele país tende a trazer impactos relevantes sobre o preço das commodities.

Os preços do minério de ferro na China recuaram nesta segunda-feira, com os contratos futuros atingindo limite diário de queda.

USIMINAS e CSN caíam 8,14 e 8,20 por cento, respectivamente, entre as maiores quedas do Ibovespa, também afetadas pelas apreensões ligadas à economia chinesa, com relatórios do Itaú BBA e do Credit Suisse negativos sobre o setor.

No caso do Itaú BBA, o analista abre sua análise afirmando que boas notícias para as siderúrgicas e mineradoras brasileiras são improváveis por ora. GERDAU, mesmo citada ainda como a preferida dos analistas, recuava quase 10 por cento.

PETROBRAS perdia perto de 6 por cento, tanto as preferenciais como as ordinárias, em meio ao declínio acentuado dos preços do petróleo no exterior.

ITAÚ UNIBANCO diminuía o declínio para 2,77 por cento e BRADESCO recuava 3,01 por cento.

TIM PARTICIPAÇÕES caía 4,86 por cento, também afetada pela notícia de que a TELEFÔNICA BRASIL não está mais disposta a fatiar a companhia controlada pela Telecom Italia e mira a Sky, do grupo AT&T, segundo reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico nesta segunda-feira.

O Credit Suisse avaliou também que a notícia seja negativa para OI, que caía 8,33 por cento, pois uma potencial compra da empresa nao é mencionada, conforme nota a clientes. Para ver as maiores baixas do Ibovespa, clique em Para ver as maiores altas do Ibovespa, clique em (Edição de Cesar Bianconi)

FONTE: http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/bovespa-reduz-queda-a-3-4-mas-segue-em-niveis-de-2009

Exame: Wall Street abre em queda livre após queda de ações chinesas

©AFP/Archives / Timothy A. Clary
Placa indicando Wall Street

Wall Street: às 10h57 (horário de Brasília), o indicador Dow Jones caía 3,9 por cento, a 15.819 pontos

Da REUTERS

Wall Street entrou no território de correção nesta segunda-feira, com a Dow ficando abaixo dos 16.000 pontos pela primeira vez desde fevereiro de 2014, na sequência da queda de mais de 8 por cento das ações chinesas e a venda generalizada no petróleo e outras commodities.

Às 10h57 (horário de Brasília), o indicador Dow Jones caía 3,9 por cento, a 15.819 pontos, depois de chegar a cair 6,6 por cento. Já o S&P 500 tombava 4,2 por cento, a 1.889 pontos, após recuar 5,3 por cento. O índice de tecnologia Nasdaq .IXIC operava em baixa de 4,5 por cento, a 4.494 pontos, depois de chegar a desabar 8,8 por cento.

Mais informações em instantes

FONTE: http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/wall-street-abre-em-queda-livre-apos-queda-de-acoes-chinesas

Refletindo crise, preço do petróleo cai ao menor valor desde 2009

 

petroleo

Um indicativo de que o comportamento regressivo da economia chinesa já está tendo impactos importantes, a Bloomberg News já colocou no ar uma matéria mostrando que o Índice Brent, principal indicador dos preços do petróleo bruto no mundo, caiu para menos de 45 dólares, o menor valor desde 2009 (algo em torno de US$ 43.72 como mostrado no infográfico acima).

Como os efeitos do desaquecimento da economia chinesa precisam ser associados ao aumento da oferta de petróleo, incluindo a entrada do óleo iraniano no mercado mundial, as expectativas é de que a queda nos preços vá continuar. Dai se depreende que a extração do petróleo do pré-sal poderá se tornar inviável economicamente.  Por outro lado, diante de preços cada vez menores, é de se esperar que em algum momento o preço da gasolina comece a cair no mercado brasileiro. Ou não!