Amazônia no centro do mundo, à margem das telas: por uma cota amazônica no audiovisual brasileiro

Por Ismael Machado* 

Se há um consenso contemporâneo no debate público nacional e internacional, ele atende pelo nome de Amazônia. A floresta (ou o imaginário que se tem dela) ocupa o centro das discussões sobre emergência climática, soberania territorial, transição energética e futuro civilizatório. Chefes de Estado, organismos multilaterais, universidades e corporações globais convergem seus discursos para esse território que representa quase 60% do Brasil e abriga a maior floresta tropical do planeta. No entanto, quando deslocamos o olhar da geopolítica para a cultura e, mais especificamente, para o audiovisual, a centralidade desaparece. A Amazônia, que é centro no discurso global, continua periferia na produção de imagens sobre si mesma.

Esse descompasso revela algo estrutural, onde o Brasil debate a Amazônia, mas raramente a Amazônia debate o Brasil em igualdade de condições. O cinema, a televisão e, mais recentemente, as plataformas de streaming tornaram-se arenas privilegiadas de disputa simbólica. Nelas, constroem-se imaginários, consolidam-se estereótipos e projetam-se visões de mundo. É algo para além do entretenimento. Trata-se de poder narrativo. De capital simbólico e circulação de riquezas.

Historicamente, o setor audiovisual brasileiro concentrou-se no eixo Rio–São Paulo. Desde a consolidação da indústria cinematográfica nacional no século XX até a estruturação contemporânea dos mecanismos de fomento, a maior parte dos recursos, das produtoras estruturadas, das distribuidoras e das redes de exibição permaneceu nesses dois estados, com algumas exceções dignas de nota. Mesmo após a criação da Agência Nacional do Cinema (Ancine), em 2001, e do fortalecimento do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), relatórios públicos ao longo da década de 2010 reiteraram a concentração majoritária dos investimentos em produções sediadas no Sudeste, frequentemente ultrapassando dois terços do volume total aplicado em longas-metragens.

A Região Norte, por sua vez, permaneceu durante anos com participação residual. Antes da implementação de mecanismos de indução regional, sua presença no volume total de investimentos era frequentemente inferior a 5%. A desproporção é evidente: um território que ocupa mais da metade do mapa brasileiro não ocupava sequer fração equivalente no mapa simbólico das telas.

Essa assimetria não é meramente econômica; é discursiva. Ao longo das últimas décadas, a Amazônia foi reiteradamente representada como exotismo, como estratégia ambiental, como fronteira violenta ou como santuário intocado. Raramente como território urbano complexo, produtor de ciência, arte, tecnologia e pensamento político próprio. Quando a imagem é majoritariamente produzida de fora, consolida-se uma forma de colonialismo interno, onde o centro interpreta e a periferia é interpretada.

A política de descentralização implementada nos anos 2000, sobretudo durante as gestões de Gilberto Gil no Ministério da Cultura e de Manoel Rangel na Ancine (parece que este, sócio de uma grande produtora do eixo Rio-SP, esqueceu o que ele próprio defendeu com sucesso), introduziu mecanismos de regionalização nos editais do FSA. Em diversos programas, aproximadamente 30% dos recursos eram destinados às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste conjuntamente. Essa inflexão produziu efeitos concretos: surgiram produtoras estruturadas no Pará, Amazonas, Amapá, Rondônia e Acre; festivais se consolidaram; profissionais foram formados; longas-metragens deixaram de parecer um horizonte inalcançável.

Mas a política tinha limites. Ao agrupar Norte, Nordeste e Centro-Oeste em uma mesma cota, mantinha-se uma disputa interna desigual. O Nordeste, com maior densidade populacional e cadeia produtiva mais amadurecida, naturalmente absorvia e continua a absorver, parcela significativa desses recursos. É de lá (principalmente Pernambuco e Bahia) que muitas produções mostraram a força criativa para além do chamado eixo. Mas é fato que nesse contexto, a Região Norte continuava competindo dentro da própria política compensatória. Houve avanço, mas não equidade.

A reação do eixo dominante não tardou. A descentralização significava dividir orçamento, prestígio e poder. Circularam críticas sobre suposta “fragilidade técnica” de produtoras amazônicas e questionamentos sobre sua capacidade de gerir grandes orçamentos — argumentos que ecoam antigas justificativas utilizadas historicamente para concentrar terra, renda e infraestrutura nas regiões centrais do país. Uma das associações criadas para defender pequenas produtoras praticamente passou a sofrer censura por parte de um grupo autodenominado ‘eixinho’, que impede a discussão sobre cotas regionais em assembleias e grupos de zap. É assim que a banda toca.

O agravante geral é que, em alguns casos, grandes produtoras passaram a abrir (ou pelo menos tentar) CNPJs em estados do Norte ou a firmar parcerias formais com empresas locais apenas para acessar cotas regionais, prática que revela a permanência de uma lógica extrativista também no campo simbólico.

Ainda assim, os resultados demonstraram que a descentralização não significou perda para o setor como um todo. Ao contrário, o audiovisual brasileiro experimentou crescimento, geração de emprego e ampliação de diversidade estética durante o período em que a política regionalizada esteve mais estruturada. O problema, portanto, nunca foi eficiência econômica; foi redistribuição de poder.

Nos últimos anos, alguns sinais concretos indicam que o audiovisual brasileiro começa, ainda que timidamente, a olhar para a Amazônia não apenas como cenário exótico, mas como território de produção. Há centenas de projetos em execução ou em fase de contratação com recursos públicos por meio da ANCINE e do Fundo Setorial do Audiovisual, o que demonstra a potencialidade de uma política de fomento estruturada no país. Dentro desse movimento mais amplo, a região Norte passou a receber investimentos específicos, inclusive via arranjos regionais coordenados pelo Ministério da Cultura (que retorna neste ano de 2026), além de aportes extraordinários como os da Lei Paulo Gustavo e a consolidação anual da Lei Aldir Blanc.

É um avanço inegável. Durante décadas, a Amazônia foi objeto de narrativas produzidas majoritariamente fora dela. O fato de haver hoje dezenas de obras financiadas por editais públicos com produção local, entre curtas, documentários, séries e longas, já altera esse quadro. Mais recursos têm chegado aos estados da Amazônia Legal, fortalecendo produtoras independentes, coletivos audiovisuais e novos realizadores.

O impacto econômico dessa movimentação também é promissor. Em âmbito nacional, o audiovisual movimenta bilhões de reais e sustenta centenas de milhares de empregos diretos e indiretos. Trata-se de uma cadeia produtiva extensa: roteiristas, técnicos de som e imagem, diretores, montadores, figurinistas, profissionais de transporte, hospedagem, alimentação, tecnologia e comunicação. Cada obra financiada ativa uma pequena economia ao seu redor. Em contextos amazônicos marcados por forte dependência da mineração, do agronegócio ou do funcionalismo público, o audiovisual pode representar uma alternativa estratégica de diversificação econômica.

E, no entanto, é justamente aqui que emerge a dimensão crítica dessa positividade.

Se já existem investimentos, eles ainda são desproporcionais diante da centralidade geopolítica, ambiental e simbólica que a Amazônia ocupa no Brasil e no mundo. Se o bioma é apresentado como eixo das discussões sobre clima, biodiversidade e futuro civilizatório, por que a produção de imagens e narrativas a partir de dentro ainda é relativamente pequena quando comparada ao eixo Rio–São Paulo? Se milhares de projetos são financiados nacionalmente, quantos têm origem efetiva na região amazônica? Quantos são dirigidos por realizadores amazônidas? Quantos constroem cadeias permanentes de trabalho e não apenas produções pontuais?

Os recursos que chegam são importantes, mas poderiam ser estruturantes. Poderiam consolidar polos técnicos permanentes em Belém, Manaus, Santarém, Porto Velho, Rio Branco etc. Poderiam fomentar escolas de formação audiovisual articuladas com universidades e institutos federais. Poderiam estimular redes de exibição regionais, fortalecendo circuitos próprios e ampliando a circulação das obras.

A positividade existe, pois há mais editais, mais obras, mais discussão sobre descentralização. Mas a escala ainda não corresponde ao tamanho do desafio histórico. A Amazônia não pode ser apenas tema recorrente de financiamento; precisa ser centro de decisão sobre o próprio financiamento. Não basta aparecer nas telas, é preciso controlar câmeras, roteiros, orçamentos e estratégias de distribuição. Controlar histórias. Se a energia promovida por hidrelétricas polêmicas abastece mais os de fora que os daqui, se uma das maiores mineradoras do mundo, tudo ganha e pouco deixa, se o latifúndio é exercido por maioria de pessoas do sul maravilha, porque então não temos uma compensação maior?

O potencial de geração de emprego e renda é real. O crescimento da cadeia produtiva audiovisual pode significar trabalho qualificado, retenção de talentos locais, economia criativa articulada com turismo cultural e memória social. Porém, para que isso se torne política de desenvolvimento e não apenas política cultural pontual é necessário ampliar volume, continuidade e autonomia regional. É nesse contexto que a defesa de uma cota amazônica específica se impõe como necessidade estrutural. Não se trata de privilégio regional, mas de mecanismo federativo de correção histórica. A Amazônia possui singularidade territorial, ambiental e geopolítica que justifica tratamento próprio nas políticas culturais. Sua sub-representação acumulada ao longo de décadas exige instrumentos mais precisos do que cotas genéricas compartilhadas com outras regiões. Além disso, a fragilidade estrutural da cadeia produtiva local, resultado direto da ausência prolongada de investimentos, não pode ser usada como argumento para perpetuar a exclusão.

Se a Amazônia é hoje epicentro do debate climático global e é um dos alvos preferenciais do atual ocupante da Casa Branca, ela precisa ser também centro de produção narrativa. A soberania ambiental está intrinsecamente ligada à soberania cultural. Não basta proteger a floresta; é necessário proteger o direito de narrá-la. Em um mundo mediado por imagens, quem controla a representação controla parte significativa da percepção pública e, consequentemente, das decisões políticas.

Uma cota amazônica no audiovisual brasileiro significaria mais do que financiamento. Significaria fortalecer instâncias decisórias com presença efetiva de profissionais da região, criar editais exclusivos para a Amazônia Legal, garantir distribuição nacional das obras produzidas e consolidar políticas de formação técnica contínua. Em outras palavras, reconhecer que diversidade territorial não é obstáculo, mas condição de uma democracia cultural plena.

O Brasil que reivindica protagonismo ambiental não pode continuar sendo figurante quando se trata de suas próprias imagens amazônicas. Se a floresta é central para o futuro do planeta, as vozes que nela habitam precisam ser centrais para o imaginário nacional. Permanecer como cenário exótico ou problema a ser resolvido é perpetuar a lógica colonial que marcou nossa história.

Em outras palavras, há razões sim para reconhecer avanços. Mas, diante da dimensão amazônica, o que foi feito até agora parece mais um começo do que um horizonte. E talvez o verdadeiro debate não seja apenas quantas obras já foram financiadas, mas quantas ainda poderiam existir se a Amazônia deixasse de ser periferia decisória e se tornasse protagonista estrutural do (mas não só) audiovisual brasileiro.

A Amazônia já é centro no mapa geopolítico. Está na hora de ser centro também nas telas. Porque não há democracia audiovisual possível enquanto metade geográfico do país continuar assistindo à própria história contada apenas e tão somente por outros.

Ismael Machado é jornalista

Campos, voltando a ser uma cidade que produz cinema?

TRÊS ATOS COM AMIGAS E AMIGOS

Lançamento do filme “Três Atos” da cinesta campista Carolina de Cássia ocorreu no Teatro de Bolso no dia 13 de maio de 2025

Acabo de assistir um simpático vídeo que tem o prefeito Wladimir Garotinho com “garoto propaganda” de um festival internacional de cinema que deverá ocorrer este ano em Campos dos Goytacazes no segundo semestre de 2025.  O prefeito, que de bobo não tem nada, aproveita a deixa para vender o seu peixe de que o município (certamente sob seu comando sábio) está diversificando a sua economia que se encaminha para um inevitável pós-petróleo.

Pois bem, apesar de não ser um cinéfilo, convivo cotidianamente com alguém que é.  E, até por isso, sou testemunha do problema que é fazer algo básico aqui em Campos dos Goytacazes: sair de casa para assistir um filme em uma sala de cinema. A ´cidade tem hoje no máximo dois espaços para que se assista produções comerciais e outros poucos espaços para que se tenha acesso a produções alternativas, sendo o Cine Darcy da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, um desses poucos espaços. Em outras palavras, até assistir cinema é difícil em Campos, que dirá produzir.

E aí que me vem à cabeça perguntar ao prefeito, quanto é que ele pretende investir (ou seu vice que ocupará a sua cadeira em um futuro não muito distante) para que Campos dos Goytacazes “volte a produzir cinema”.  É que até onde eu sei, essa peça de propaganda deve ser a primeira vez em que o prefeito sequer vislumbra saber que aqui há algum tipo de potencial produtivo para cinema.

Eu que tenho como amiga a cineasta e documentarista campista Carolina de Cássia que vem produzindo peças super sensíveis sobre a realidade local, sei que ela o faz por obstinação e senso criativa, mas nunca por apoio do governo local.  Aliás, a sua última produção, o “Três Atos”  que foi apresentado recentemente no Teatro de Bolso, eu lamentavelmente não pude assistir por causa de tarefas familiares que ocorriam no horário em que o mesmo foi lançado (ver abaixo).

Assim, se é verdade que o prefeito ou o seu eventual sucessor tem algum compromisso com a produção local, não basta apoiar um congresso que virá e irá ao sabor dos ventos que sopram nesta planície. Há que se ter investimento (muito investimento mesmo) para que a peça de propaganda não seja apenas um folha espalhada por um vento sudeste em dia de entrada de frente fria.

Suderj informa: não vai ter “répi endi” na terra dos Goytacazes

Douglas Barreto da Mata

Dias desses assisti uma reportagem-propaganda do grupo Globo, em um de seus noticiosos. Na oportunidade, o grupo de mídia promovia o seu acervo cinematográfico, no caso concreto, o lançamento do Auto da Compadecida 2 (horrível, por sinal, um desserviço à memória de Suassuna, e da própria maravilhosa representação do primeiro filme).

A matéria tecia loas ao “poder transformador” do cinema, e mostrava cidades-locações, como Pacatuba e Cabaceiras. Pacatuba, no Ceará, foi o cenário das sequências de Cine Roliúdi 1 e 2, dentre outros, enquanto a paraibana Cabaceiras foi locação do Auto da Compadecida, quando recebeu o nome fictício de Taperoá. Deu tristeza e vergonha alheia. A tentativa da empresa de mídia Globo, e sua subsidiária cinematográfica, a Globo filmes, em descrever supostos benefícios e legados para o “desenvolvimento” daquelas cidades foi constrangedor. Porém, não se poderia esperar nada diferente, afinal, é da Globo que falamos.

O que dá desespero mesmo, não é assistir aquela pobre gente se pendurando em retalhos e memórias de uma grandeza que nunca houve, ou disputando nacos de um brilho que nunca existiu, a não ser pela convivência figurante e fugaz com uma indústria (do entretenimento) tão exógena quanto uma nave alienígena.

Não ficou nada em Cabaceiras ou Pacatuba, além de adereços que servem a uma subsistência de sub sub sub celebridades dos pobres (ainda mais pobres), que um dia foram tocados (de longe) pelo sonho de desenvolvimento de alguma atividade econômica que os livrasse daquela pobreza endêmica.  É mais ou menos o enredo e roteiro que estão a contar na planície goytacá, ou na “Campos dos Goytacazes, cidade de cinema”.

Eu nem vou mencionar a cafonice provinciana intelectual da classe média e certa parte da elite local, sempre ávidas por auto reconhecimento de virtudes culturais e civilizatórios que nunca cultivaram, não porque não falem “javanês”, mas pela conhecida selvageria das suas relações sócio-econômicas, que nos rendeu o título de uma das cidades mais conservadoras do país, terra da TFP, ou das usinas onde queimaram corpos de presos políticos da ditadura de 1964.

Não vamos perder tempo com isso, e de certa forma, vai ser divertido ver o “vendedor de monotrilho” destruindo o que resta de auto estima desse pessoal (ver episódio dos Simpsons, temporada 4, episódio 12, onde um forasteiro “engana” os moradores de Springfield, com promessa de grandeza, com a instalação de uma traquitana).

Vamos falar de história e seus contingentes. O cinema, como atividade econômica e, claro, como um produto histórico, não brota do chão ou é um “triunfo da vontade”(ver Mein Kampf, de Adolf,  sim aquele mesmo).

Não é um ato de abnegados e iluminados desbravadores, que chegam com miçangas e espelhos cinematográficos para a troca “civilizatória” com os bugres da terra, que por encanto começarão a prosperar com essa relação e seu legado. Bem, no caso dos índios e portugueses não deu muito certo.

Todo processo histórico de formação de uma atividade econômica, ainda que vinculada ao campo “cultural” ou do entretenimento, requer uma série de condições materiais específicas e próprias, ao mesmo tempo que obedece regras gerais, dinâmicas as quais chamamos de relações desenvolvimento dialético, para então se estabelecerem, com mais ou menos vigor, como um fenômeno perene. Sendo mais amplo ainda, é justamente esse o entrave que nos condenou ao nosso subdesenvolvimento como país. O entrave da história.

Há vários teóricos e teorias disponíveis sobre isso, e com mais ou menos acerto, todas as que merecem respeito concordam que não há espaço para voluntarismo, apesar de reconhecerem que é o agir humano que transforma a realidade, ao passo que é transformado por ela.

A ideia de que um festival de cinema vá dotar a cidade da condição e capacidade de receber algum tipo de reconhecimento ou atração de investimentos, para permitir a comunidade local ocupar-se nesse ramo econômico, desencadeando a virtuosa cadeia produtiva de emprego e renda, além do inestimado e incalculável patrimônio imaterial que o cinema proporciona, é uma tolice que, se não for tolice, é uma tentativa de levar que nos resta de pau-brasil, em troca de algumas plumas e bijuterias.

Não nego que seja atraente esse “sonho de grandeza”, a gente quase quer acreditar nessa chance de sermos “alguém”, sem cumprirmos os requisitos necessários, as danadas das condições materiais históricas.

Queremos o milagre, como não?  Não queríamos que o Senhor X, o Barão de SJB, o messias do porto, e agora arauto da supercana e ex presidiário, Eike Batista tivesse nos libertado de nossa pobreza? Claro que sim. Não queríamos uma Brigitte Bardot a fazer aqui o que fez no vilarejo de pescadores, não por coincidência, meca da elite caipira do chuvisco? Sim, queremos. Não queremos que o quiprocopolla do cinema da Uenf não transforme essa terra árida em um oásis de planos sequências de felicidade e prosperidade pela arte? Óbvio. Mas eu sinto dizer: não é desta vez, e não é com esse tipo de “santo”. E nem com santo algum.

O porto deu no que deu, gente desterrada de suas casas e ancestralidades, terra salgada e erodida no Açu, e muita pobreza, eis que SJB ainda ostenta índices criminosos de desenvolvimento humano.

Búzios virou lugar de argentino classe média baixa mal educada, um enclave de mega especulação imobiliária e desastre ambiental, onde os pescadores continuam em condições ainda piores, já que perderam as belezas naturais, e não conseguem acompanhar os preços inflados dos bens e serviços oferecidos ao turista.

O que será então de nossa cidade do cinema? Não, não vai haver “répi endi” na terra dos Goytacazes.