Porto do Açu: Reviravolta na desapropriação da família Toledo

Desembargador do TJ pede informações à CODIN e a juiz de São João da Barra sobre a desapropriação realizada no dia da morte do proprietário.

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Os leitores deste blog devem ainda lembrar sobre a vergonhosa desapropriação promovida pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) na localidade de Água Preta no dia 01/08/2013. Nesse dia enquanto a família do Sr. José Irineu Toledo estava ocupada com os preparativos para enterrá-lo, a CODIN fez cumprir uma mandado de imissão de posse da propriedade conhecida como Sítio Camará. Ali o Sr. José Irineu criou sua família ao longo de um período de 40 anos, desde que a recebeu de herança de seu pai. Mas nem o falecimento do proprietário foi suficiente para demover a CODIN, e o que se viu naquele dia foi especialmente lamentável.

Agora passados quase  quatro após o fato, o desembargador Cherubin Schwartz decidiu requisitar informações à CODIN e ao meritíssimo juiz que deferiu o pedido de imissão de posse “especialmente, quanto às alegações de que o mandado de imissão prévia na posse aponta coordenadas geográficas que não se referem à respectiva propriedade e de que o imóvel em questão não fora incluído em algum dos anexos do respectivo decreto expropriatório, pois não teria constado em tal ato administrativo o número identificador do bem expropriado”. Em outras palavras, o desembargador Schwartz quer saber se o imóvel era passível de desapropriação ou não!

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Essa é uma questão básica que, caso a CODIN não prove a correção de suas ações, não só poderá resultar na retrocessão (ou seja o retorno da propriedade à família do Sr. José Irineu Toledo), como também poderá resultar em situações desagradáveis para quem possivelmente a justiça a cometer um erro gravíssimo. Agora é uma questão de tempo para que saibamos como esse imbróglio terminará. Mas uma coisa é certa: do (des) governo de Sérgio Cabral tudo é possível, inclusive desapropriar o que não pode ser desapropriado!

CODIN e as desapropriações no Açu: acabou o milho, acabou a pipoca?

Tive informações de fontes confiáveis de que a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) está enfrentando graves dificuldades para executar as imissões de posse que ainda conseguiu obter na justiça sanjoanense. As razões são as mais pueris, incluindo a falta de combustível para alimentar os veículos da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros que normalmente dão cobertura às expropriações de terras promovidas pelo (des) governo de Sérgio Cabral.

A situação beira o grotesco, mas é explicável. A explicação pode ser encontrada num balanço financeiro publicado pela Grussai Siderúrgica do Açu (GSA) onde está afirmado com todas as letras que era essa empresa (na prática uma subsidiária da LL(X)) que autorizava e fornecia os recursos para as desapropriações serem viabilizadas. Até ai nada de filantrópico, pois as terras desapropriadas eram rapidamente transferidas para o seu controle. Enquanto isso, um número incalculável de proprietários continua sem as indenizações devidas.

Agora com a crise financeira corroendo o poder da LL(X) e, por extensão, da GSA, a CODIN está com mandados de imissão de posse nas mãos e não consegue cumpri-los porque o (des) governo de Sérgio Cabral tampouco está bancando as operações.  Seria cômico, se não fosse trágico.

Do Blog do Bastos: Gabeira no Açu

Gabeira no Açu

No domingo (08), às 18h30, o programa “Gabeira na Globo News” vai apresentar histórias de produtores rurais do 5º Distrito de São João da Barra. Em uma conversa franca com o ex-deputado federal, homens e mulheres humildes relatam que lagoas doces ficaram salgadas e como o sal arruinou a plantação de pequenos produtores de abacaxi da região.

FONTEhttp://www.blogs1.fmanha.com.br/bastos/2013/12/06/gabeira-no-acu/

A cultura e a agricultura dos que resistem à expropriação nos arredores do Porto do Açu

Hoje estive mais uma vez no V Distrito de São João da Barra para checar a condição atual do Canal do Quitingute. Aproveitei a ocasião para visitar mais uma vez a família do Sr. Reinaldo Toledo (aquele que em vez de receber a indenização por suas terras guarda até hoje uma folha de papel entregue por um funcionário da CODIN dizendo o valor das terras que lhe foram tomadas).

Chegando na propriedade que restou ao Sr.Reinaldo, um homem nos seus 78 anos, encontrei-o trabalhando num plantio de de abacaxi que possui atrás de sua residência.

As imagens abaixo dão conta perfeitamente de porquê esse agricultor e sua família resistem às tentativas do (des) governo de Sérgio Cabral de tomar as suas terras para entregá-las à corporação estadunidense EIG que agora é dona do Porto do Açu.

Aliás, seria bem mais proveitoso para a caravana organizada pelo deputado Roberto Henriques, que pretende visitar na próxima segunda- feira (02/12) as obras semi-paralisadas do Porto do Açu, desse uma passada na casa do Sr. Reinaldo Toledo e perguntar como é ter parte de suas terras tomadas e ser deixado sem seu meio de sustento. Afinal, lá no porto, o máximo que vai se ver são obras paralisadas ou semi-paralisadas. Isto se a caravana do deputador Henriques não for submetido à fabula que é mostrada no vídeo corporativo usado por Eike Batista para vender nuvens a investidores incautos.

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Caderno Norte Fluminense do O GLOBO/EXTRA traz matéria sobre desapropriações e salinização no Porto do Açu

O Caderno Norte Fluminense que é publicado como encarte na edição deste domingo (24/11) traz uma matéria sobre a situação das famílias de agricultores que foram desapropriadas pelo (des) governo de Sérgio Cabral para beneficiar o Grupo EBX de Eike Batista. Além de tocar no assunto dos valores irrisórios das desapropriações, a matéria também aborda os diferentes problemas associados ao processo de salinização que foi causado pelo aterro hidráulico construído no Porto do Açu.

Como se vê, apesar dos desejos de alguns, essa problemática atrai cada vez mais a atenção até da mídia corporativa. Assim, mais do que nunca, há que se cobrar que seja feita a retrocessão com a devolução das propriedades aos agricultores. Afinal, se não pagaram e o motivo público alegado para os decretos já não existe mais, nada mais natural que após serem indenizados por todos os problemas que sofreram, os agricultores possam voltar para o que é seu de direito.

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Canal do Quitingute: mortandade de peixes pode ser a gota final na paciência dos habitantes do V Distrito

 

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Estou recebendo nesse feriado uma série de ligações de moradores do V Distrito de São João da Barra dando conta que peixes mortos estão aparecendo em pontos mais ao norte de Água Preta. A razão disso pode ser o transporte pela corrente dos peixes mortos ou um espalhamento da onda de anoxia que causou a mortandade inicial nas proximidades da ponte que liga Água Preta a Sabonete. De toda forma, esses ligações trazem indicativos ‘in loco” de que o problema que começou na semana passada ainda não seguir o seu curso completo.

Uma informação adicional que saiu dos resultados das análises que estão sendo realizadas no Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da UENF indica que há uma forte contaminação biológica nas águas do Quitingute neste momento, o que desaconselha qualquer tipo de uso de suas águas se forem seguidas as determinações da RESOLUÇÃO CONAMA Nº 357, DE 17 DE MARÇO DE 2005. Como o LCA deverá continuar o monitoramento das águas do Canal Quitingute o certo é que teremos medidas confiáveis sobre a evolução do problema. Mas já parece seguro dizer que a situação está longe da normalidade.

A questão aqui é que o elemento ambiental está sendo agravado pela tensão social já existente, o que torna crítico que as autoridades responsáveis, a começar pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEA) venham a público dar a devida publicidade sobre o que realmente aconteceu e quais são os reais prognósticos para a normalização da situação.  É bom lembrar que depois de quase cinco anos de enfrentamentos com a CODIN e o Grupo EBX, a paciência dos moradores do V Distrito está por um fio.

De qualquer forma, a indignação das pessoas estão aumentando na medida em que o fenômeno persiste e causa mais danos à população de peixes no Canal de Quitingute da qual centenas de famílias dependem para obtenção de proteína animal e geração de renda.

Linha de transmissão que não transmite simboliza fracasso do megaempreendimento de Eike Batista no Açu

Estive hoje visitando agricultores na localidade de Água Preta no V Distrito de São João da Barra, Passando pela estrada de acesso à localidade me deparei com o que deveria ser a linha de transmissão de energia elétrica que iria alimentar o Complexo Industrial e Portuário do Açu e um detalhe chamou a minha atenção: as torres estão lá, mas “esqueceram” de colocar os cabos de eletricidade.

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O mais desastroso disso tudo é que um número desconhecido de propriedades passou pelo doloroso processo de desapropriação, e muitas famílias que tiveram suas terras expropriadas continuam sem receber a devida compensação financeira.

E o que restou em Água Preta, além de linhas de transmissão que não transmitem, foram as placas da CODIN que hoje já estão tão desbotadas como o discurso megalômano de Eike Batista.

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Banda “Ateh Maria” lança vídeo com música sobre a expropriação do Sítio Camará pela CODIN

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A banda campista “Ateh Maria” acaba de lançar um vídeo com a música “Desocupar para Eike entrar” ( Lágrima de água preta) que fala da desapropriação do Sítio Camará que ocorreu no dia 01 de Agosto de 2013, mesmo dia em que o seu proprietário José Irineu Toledo faleceu.

Para acessar o vídeo basta acessar o seguinte endereço:

https://www.youtube.com/watch?v=f5MeRzlftTg#t=354