Ambientalistas cobram NYT sobre fim dos anúncios de combustíveis fósseis

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Uma coalizão de 13 organizações ambientais lançou uma campanha clamando ao New York Times que interrompa imediatamente a publicidade de combustíveis fósseis. A campanha vem em meio ao aumento da pressão sobre gigantes da mídia, como Facebook , para agir sobre a desinformação climática.

Apesar de ter uma seção inteira de seu jornal dedicada ao clima, o jornal promove os combustíveis fósseis que causam a crise. A coalizão diz que a política do Times é contraditória com sua ética jornalística, que frequentemente comunica sobre as mudanças climáticas e até patrocina eventos climáticos, como o Climate Hub na COP26 .

“O New York Times ostenta um dos melhores jornalismos climáticos do mundo, mas é como se os editores não acreditassem em seus próprios jornalistas”, diz Genevieve Gunther do End Climate Silence. “Sua política de anúncios de combustíveis fósseis é uma forma de negação do clima”, completa Gunther. Para ela, quando anúncios de combustíveis fósseis apareceram diretamente ao lado de artigos sobre soluções para a mudança climática, isso cria uma forte associação que é enganosa para o público geral.

O NYT tem uma política que impede que o jornal faça propaganda de substâncias ou produtos que causam danos ao corpo, o que a coalizão diz que deveria incluir os combustíveis fósseis. O argumento do grupo é que os combustíveis fósseis têm sido inextricavelmente ligados à mudança climática por meio dos impactos na saúde causados pela poluição do ar e pelos desastres naturais que resultaram em mortes, doenças crônicas e enfermidades e deslocamentos .

“O New York Times proibiu os anúncios de cigarros há mais de 20 anos. Já é hora de fazerem o mesmo com os combustíveis fósseis, que matam muito mais pessoas do que fumar e ameaçam a estabilidade de todo o nosso planeta”, disse Jamie Henn, diretor da Fossil Free Media. “O Times não pode dizer que leva a crise climática a sério se ainda está lucrando com a desinformação da indústria de combustíveis fósseis”, completa.

“Há duas décadas, o Times reforçou seu jornalismo de saúde pública ao decidir parar de veicular anúncios de tabaco”, lembra Kathy Mulvey, diretora da campanha de prestação de contas do Union of Concerned Scientists. “Agora o Times tem uma oportunidade – e responsabilidade – de evitar cumplicidade no engano e com o greenwash da indústria de combustíveis fósseis, recusando anúncios de poluidores como ExxonMobil, Chevron e Shell”.

“As empresas de combustíveis fósseis são a principal causa da mudança climática, assim como a principal causa da desinformação sobre as causas da mudança climática”, ressalta Duncan Meisel, Clean Creatives. “Os leitores do Times merecem a verdade, apresentada de forma honesta e clara.”

A coalizão de parceiros inclui Badvertising, Clean Creatives, Climate Hawks Vote, Climate Power Education Fund, End Climate Silence, Evergreen Action, Fossil Free Media, Green Faith, Oil Change International, Periodistas por el Planeta, Stop Funding Heat, The Years Project e Union of Concerned Scientists.

FMI sabota metas climáticas ao aconselhar investimento em combustíveis fósseis, diz pesquisa

Fundo orientou países a privatizar empresas de eletricidade em condições que dificultam o abandono da energia suja
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) tem minado a ação climática global ao promover a expansão dos combustíveis fósseis por meio de seus conselhos de política pública, afirma uma pesquisa do Projeto Bretton Woods e a ActionAid EUA divulgada nesta quarta-feira (25/8). O estudo afirma que o incentivo do FMI tem amarrado principalmente países pobres e de renda média à dependência cada vez maior de carvão e gás, prejudicando também o desempenho dessas economias em meio à corrida global pela descarbonização.

O relatório IMF Surveillance and Climate Change Transition Risks baseia-se na análise de todos os 595 relatórios do Artigo IV realizados nos 190 países membros do FMI entre a assinatura do Acordo de Paris em dezembro de 2015 e março deste ano. Os relatórios do Artigo IV contêm conselhos de política aos países que moldam suas economias para os próximos anos.

Em mais da metade dos países membros (105), a assessoria política do FMI tem apoiado a expansão da infraestrutura de combustíveis fósseis. Isto deixa os países em risco de ficarem com “ativos irrecuperáveis”, tais como usinas de carvão que perdem seu valor devido à competição da energia limpa, enquanto estabelecem um caminho poluente em desacordo com as metas climáticas globais.

Outra descoberta do relatório é que para um terço dos países (69), o FMI tem defendido a privatização das empresas estatais de energia ou de eletricidade para reduzir os gastos públicos. A privatização, segundo os autores, pode vincular os governos a acordos de longo prazo com investidores estrangeiros e dificultar o fim da energia de origem fóssil.

Um terço de todos os países foi aconselhado a acabar com os subsídios para a energia – uma área que o FMI está definindo como um primeiro passo para descarbonizar as economias. Mas a pesquisa descobriu que o conselho se concentra principalmente nos subsídios ao consumidor, em vez de acabar com os benefícios para a produção de combustíveis fósseis. Com poucas alternativas à energia e ao transporte baseados em combustíveis fósseis na maioria dos países em desenvolvimento, é pouco provável que isso reduza as emissões em escala. Ao mesmo tempo, a medida empurra os custos para os ombros dos cidadãos comuns.

“O Fundo Monetário Internacional tem sido um defensor da necessidade de uma transição de baixo carbono nos últimos meses, mas este relatório mostra que a vigilância do Artigo IV do FMI desde a assinatura do Acordo de Paris tem apoiado em grande parte os negócios de sempre, aprofundando a dependência de muitos países em relação aos combustíveis fósseis”, afirma Jon Sward, gerente de Projeto Ambiental do Projeto Bretton Woods.

“Ao iniciar o processo de criação de novas orientações para seu pessoal sobre como integrar a mudança climática em sua vigilância, o FMI deve desenvolver novas estruturas políticas que sejam inclusivas e garantam que os países de renda baixa e média tenham o espaço fiscal necessário para proporcionar uma transição energética justa para seus cidadãos”, defende Sward.

Os autores do relatório defendem que o FMI deveria melhorar a consulta nacional sobre o Artigo IV, inclusive com organizações da sociedade civil, grupos de direitos das mulheres, sindicatos, grupos climáticos e organizações de povos indígenas, num esforço para integrar o diálogo social na vigilância e na concepção de seus programas de empréstimo.

“O mundo está à beira do colapso ecológico. O Fundo Monetário Internacional deve agir agora para garantir que os países tenham espaço fiscal para implementar seus planos climáticos e alcançar as Metas de Desenvolvimento Sustentável”, diz Niranjali Amerasinghe, Diretor Executivo da ActionAid EUA e especialista em finanças climáticas. “O Fundo deve assegurar que sua assessoria política torne mais fácil, e não mais difícil, a transição dos países para a energia renovável.”

Moçambique e Indonésia

O relatório apresenta dois estudos de caso – em Moçambique e na Indonésia – que exemplificam como o FMI está prendendo países em desenvolvimento em armadilhas fósseis.

A análise dos conselhos fornecidos a Moçambique descobriu que o FMI superestimou o crescimento futuro das descobertas de carvão – prevendo um “boom do carvão” que tornaria o país africano um dos principais exportadores mundiais de carvão. Mas em 2021 a principal usina de carvão de Moçambique foi fechada, com a operadora, a multinacional brasileira Vale, citando suas metas climáticas como razão principal.

Da mesma forma, o conselho do FMI sobre a receita das exportações de gás deixou Moçambique com mais problemas depois que a gigante francesa de combustíveis fósseis Total abandonou seu projeto de GNL no início deste ano depois que o local foi atacado por insurgentes na conturbada região de Cabo Delgado.

A assessoria política do FMI também ignorou questões de macroestabilidade relacionadas ao carvão na Indonésia e impulsionou a privatização de seu setor elétrico. O país asiático tem 52 usinas de carvão em fase de pré-construção, ficando atrás apenas da China globalmente. Uma análise de 2.500 usinas de carvão em todo o mundo constatou que 73% das minas de carvão terão perdido seu valor até 2025. Com isso, a Indonésia já está exposta a potenciais passivos de usinas de carvão de propriedade privada: o valor estimado das 12 usinas elétricas a carvão da Indonésia protegidas por acordos internacionais de solução de controvérsias para o investidor pode chegar a US﹩ 7,9 bilhões.

Países ricos não têm nenhum plano para cumprir suas promessas de financiamento climático, indica relatório

Membros do G7 anunciaram recuperação verde pós-pandemia em 2020, enquanto investiam

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US $190 bi em combustíveis fósseis, revela Tearfund Os planos de financiamento climático dos países desenvolvidos são fracos e imprevisíveis, alerta o relatório da CARE divulgado hoje (3/6) . O estudo “Compromissos Ocos” analisou 24 planos recentes anunciados pelos países ricos e afirma que nenhum deles forneceu informações sobre como e quando as promessas serão cumpridas. A pesquisa afirma também que os países não explicam de que forma seus novos compromissos contribuem com a meta de US $100 bilhões para o financiamento climático das nações pobres estabelecida na Conferência do Clima de Copenhague (COP15), em 2009, para o ano de 2020.

O tema deve estar na pauta do próximo encontro do G7, quando líderes de Reino Unido, Canadá, EUA, Alemanha, França, Japão e Itália se encontrarão na Cornualha, Inglaterra, entre 11-13 de junho. Coréia do Sul, Austrália, Índia e África do Sul também participarão do evento como convidadas.

A recuperação da economia após a COVID-19 também será assunto do G7. Enquanto as principais economias anunciavam em 2020 projetos para “reconstruir melhor”, com sustentabilidade e justiça social, os países do G7 injetaram quase US ﹩190 bilhões em combustíveis fósseis no mesmo período, revela um levantamento liderado pela Tearfund, uma agência internacional cristã de ajuda humanitária.

Segundo a pesquisa, carvão, petróleo e gás receberam US $189 bilhões em apoio, em comparação com US $147 bilhões para formas limpas de energia, desde o início da pandemia. Nos planos de recuperação, mais de 8 em cada 10 dólares foram comprometidos com combustíveis fósseis sem nenhuma contrapartida verde.

O histórico recente do Reino Unido destaca a tensão entre as ambições verdes do governo e as decisões de gastos reais do Tesouro: o país assumiu os maiores compromissos per capita com os combustíveis fósseis do G7, com apenas 4% deste apoio tendo qualquer critério de sustentabilidade associado. Por outro lado, o Reino Unido anunciou o fim do apoio público a projetos de combustíveis fósseis no exterior e a proibição em 2030 de novos carros a gasolina e diesel.

Além da Tearfund, colaboraram com a pesquisa o Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável ( IISD ) e a ODI , que trabalharam com organizações em cada país para analisar 517 políticas aprovadas desde o início da pandemia.

“Se cada um dos líderes do G7 não anunciar claramente em Cornualha, no dia 11, um aumento significativo no financiamento climático para cumprir e superar sua promessa de US $100 bilhões até 2020 e aumentar em trilhões de dólares as medidas de recuperação verde global, isso só pode ser interpretado como uma quebra maciça de confiança e responsabilidade”, avalia Tasneem Essop, diretora executiva da Climate Action Network.

Para Mohamed Adow, diretor do think tank Power Shift Africa, as descobertas dos dois estudos são “terríveis”. “O processo da ONU, e de qualquer negociação razoável, só funciona se uma das partes puder confiar na outra para fazer o que foi acordado, o que foi prometido. Os países mais ricos prometeram 100 bilhões de dólares até 2020 e ainda assim decidiram simplesmente não cumprir esta obrigação”, declarou.

A jovem ativista Vanessa Nakate, do Fridays For Future Uganda, afirmou que os países ricos têm “obrigação moral” de ajudar países pobres na transição dos combustíveis fósseis. “A demanda por eletricidade na África pode dobrar nos próximos dez anos e, com o atraso dos países ricos, o dinheiro está saindo de seus bancos para construir mais infraestrutura de combustíveis fósseis que nós não queremos.”

Diann Black-Layne, embaixadora de Antígua e Barbuda, comentou os resultados em evento da ONU, e afirmou em nome do grupo de países-ilha (AOSIS) que o financiamento climático não pode ser confundido com financiamento ao desenvolvimento. “O financiamento necessário para se recuperar após um furacão não é financiamento para o desenvolvimento. Sejamos claros: o financiamento climático paga pelo impacto da poluição de outros”.

Eco-Leninismo 2.0

Poder estatal socialista e crescimento zero como solução para a crise climática? O que o marxista Andreas Malm propôs já foi esboçado por Wolfgang Harich há quase 50 anos na RDA. 

Com Lênin e pela ditadura ecológica? Estátua em frente à siderúrgica Magnitogorsk. Foto: Imago Images / Christian Thiel
Por Alexander Amberger para o Neues Deutschland

No VIII Congresso Pan-Russo dos Soviets em 1920, Vladimir Ilyich Lenin emitiu o slogan: “Comunismo – isto é o poder soviético mais a eletrificação de todo o país”. Em seguida, a Rússia atrasada. Lenin confiou em uma industrialização abrangente – portanto, é inicialmente surpreendente quando os protetores radicais do clima hoje defendem o ecoleninismo. Seu representante mais importante é provavelmente o ecologista humano e ativista climático sueco Andreas Malm. Ele atualiza Lenin no contexto das crises atuais. “Resgate do clima = poder do estado mais o fim dos combustíveis fósseis”, isso poderia ser dito hoje. Mas os pensamentos de Malm não são tão novos.

Quando Malm escreve que as empresas de energia fóssil são “a maior e mais perigosa força”, que elas atrapalham uma verdadeira reviravolta energética e, portanto, devem ser “liquidadas”, é uma forte reminiscência de um “eco-leninista” da antiga República Democrática Alemã (RDA): Wolfgang Harich. Ele escreveu em 1977: “O dogma das necessidades crescentes de energia deve ser decididamente lançado ao mar. As usinas a carvão, como toda combustão de recursos fósseis, sobrecarregam a atmosfera com dióxido de carbono.” Harich foi um filósofo, marxista, vítima do sistema judiciário da RDA e provavelmente o primeiro defensor do“ crescimento zero” no Oriente. A era do »milagre econômico« estava chegando ao fim desde o início dos anos 1970. Um bom quarto de século após o fim da guerra, o crescimento econômico estagnou, especialmente no Ocidente.

Wolfgang Harich contra o SED

Ainda outra grande reclamação mudou para a consciência social: a superexploração cada vez maior da natureza, florestas morrendo, água envenenada, acidentes químicos, poluição e pilhas de lixo tornaram-se sintomas visíveis de uma crise ecológica. Esses fenômenos foram cientificamente apoiados pelo primeiro relatório do “Clube de Roma”. Sob o título »The Limits of Growth«, publicado em alemão em 1972, a equipe de pesquisa liderada por Dennis Meadows olhou para o futuro pela primeira vez usando dados e tendências existentes usando simulação de computador. O resultado foi devastador: se a humanidade continuasse assim, o planeta não seria mais habitável em 100 anos. Maior industrialização, crescimento populacional exponencial, desnutrição no Sul Global, As escassas reservas de matéria-prima e a destruição de habitats naturais já eram tendências perigosas há 50 anos. Como consequência desses cálculos, os cientistas exigiam uma estratégia econômica de crescimento zero.

Embora vivesse na RDA, Wolfgang Harich tinha muitos contatos na República Federal da Alemanha por meio de sua posição especial como intelectual comunista freelance e recebia literatura ocidental atualizada. As previsões do eco-alarmista logo o alcançaram. Para o marxista, estava claro que a interrupção do crescimento não era possível nas condições capitalistas, uma vez que o sistema deve crescer permanentemente com o propósito de sua autopreservação. Uma economia sem crescimento só é possível em condições comunistas. Em 1975, ele descreveu como isso poderia ser em “Comunismo sem crescimento?” Este clássico do eco-socialismo foi recentemente relançado junto com outros materiais no Volume 14 dos escritos póstumos de Harich sob o título “A Década Verde”. “Comunismo sem crescimento?” Foi publicado por Rowohlt no Ocidente, o SED não estava interessado em uma edição da RDA. Alguns anos antes, em 1971, o novo Primeiro Secretário do Comitê Central, Erich Honecker, havia proclamado a “unidade da política econômica e social” no 8º congresso do partido – o partido queria marcar pontos com a população com mais crescimento, o programa de construção de moradias e melhores oportunidades de consumo.

As demandas máximas de Harich significavam o contrário, eram politicamente indesejáveis ​​e não poderiam ter sido transmitidas: uma ditadura ecológica global sem crescimento; planejamento de acordo com a necessidade e valor de uso para evitar superprodução e desperdício; um “conselho econômico mundial” que elabora um “plano econômico mundial” para esse fim e regula a distribuição. Aos olhos de Harich, tratava-se de medidas que poderiam dar a todos neste planeta uma “vida decente”, nem menos, nem, sobretudo, mais. Quem não renuncia voluntariamente “por compreensão da necessidade” deve, se necessário, ser “reeducado”, mesmo por meios repressivos. Ao restringir certas liberdades no presente, mais liberdades permaneceriam no longo prazo.

Novo comunismo de guerra

Depois do colapso da União Soviética há 30 anos, as demandas de muitos esquerdistas por medidas autoritárias, um Estado forte e a “ditadura do proletariado” no espírito de Lenin e o fim rápido do capitalismo silenciaram. Harich também se afastou dele. Mas hoje essas palavras da moda estão de volta, mas nem em vista da crescente divisão social, nem por causa de novos escândalos nos mercados financeiros globais desregulamentados. Em vez disso, eles se referem às consequências cada vez mais perceptíveis da mudança climática, que os especialistas também incluem o surto da pandemia corona. Na primavera de 2020, o sueco Andreas Malm escreveu sua polêmica “Corona, Clima, Emergência Crônica: Comunismo de Guerra no Século XXI”.

Malm descreve Covid-19 como um problema caseiro do modo de produção industrial capitalista. A destruição contínua dos trópicos aumenta o risco de que doenças se espalhem dos animais para os humanos. A necessidade da classe alta global por carne, soja, madeira, óleo de palma, chá, café e matérias-primas não apenas garante que os habitats naturais sejam desmatados cada vez mais rapidamente, mas também que os patógenos se espalhem mais rapidamente. As causas são múltiplas. Desde a diminuição da biodiversidade, o contato com patógenos anteriormente isolados nas profundezas da floresta tropical, até a expansão das cadeias de abastecimento globais. O habitus da elite também desempenha aqui um papel importante, pois o consumo de animais tão exóticos quanto possível é considerado um sinal de luxo e exclusividade nestes círculos.

Alcance o poder do estado

Atualmente, está se tornando cada vez mais claro que a estratégia de reestruturação sócio-ecológica vagarosa não é suficiente para atingir os objetivos do Acordo do Clima de Paris. Para Malm, no entanto, as emissões de CO2 significativamente reduzidas devido ao bloqueio global no ano passado são a prova de que, em primeiro lugar, medidas drásticas de estado são possíveis para lidar com uma crise global e, em segundo lugar, tais medidas seriam bem-sucedidas e necessárias em termos de política climática. No entanto, entra em jogo algo que provavelmente causará dor de estômago em muitos esquerdistas, mas que Malm descreve como inevitável: “Não podemos simplesmente desejar que o estado desapareça em tempos de emergência. É difícil imaginar como poderia ser uma transição dos combustíveis fósseis para as energias renováveis ​​sem a ação do Estado. 

Durante a crise global de um século atrás, Lenin assumiu o controle central do aparelho de estado para poder implementar imediatamente medidas urgentes para acabar com a guerra, a fome e a desigualdade social. Para hoje, segundo Malm, isso significa usar o estado para expropriar o “capital fóssil” e implementar leis de proteção ao clima. Somente um estado forte poderia fazer isso no curto período de tempo que restou. As abordagens anarquistas, por outro lado – Malm concorda com Lenin e Harich – estão fadadas ao fracasso aqui. No entanto, ele não pode responder à questão de como o perigo de uma burocracia excessiva pode ser combatido e a independência totalitária de uma elite do poder permanentemente evitada – embora ele esteja bem ciente do problema.

Wolfgang Harich: A década verde. Ed. Andreas Heyer. Tectum, 852 pp., Capa dura, € 99; Andreas Malm: Clima | x. Matthes & Seitz Berlin, 263 pp., Br., 15 €.

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Este texto foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo “Neues Deutschland”  [Aqui!].

Greenpeace se manifesta contra Banco Central Europeu

 Novo estudo mostra: títulos de empresas de energia fóssil são preferidos pelo BCE

bce greenpeaceFoto: Bernd Hartung / Greenpeace

Berlim. Ativistas do Greenpeace manifestam-se hoje na sede do Banco Central Europeu (BCE), em Frankfurt, contra a política monetária dos bancos centrais, que é prejudicial ao clima. Depois de pousarem com parapentes, eles rolaram uma grande faixa do telhado do prédio de entrada do BCE com as palavras: “Parem de financiar assassinos do clima!”

Ao mesmo tempo , o Greenpeace publica um novo estudo que mostra, usando o exemplo das garantias de empréstimo aceitas para títulos corporativos, que o BCE favorece maciçamente empresas que são particularmente prejudiciais ao clima. A próxima reunião do conselho com a Comissão Executiva e os presidentes dos bancos centrais europeus terá lugar no BCE na quinta-feira, sob a liderança da Presidente do BCE, Christine Lagarde. »Nosso estudo mostra que o BCE está sistematicamente minando a proteção climática. O Conselho Deliberativo deve apresentar rapidamente uma estratégia de política monetária baseada no Acordo do Clima de Paris ”, afirma Mauricio Vargas, especialista financeiro do Greenpeace.

BCE prefere empresas de energia fóssil

O novo estudo “Tornando o Quadro de Garantias do Eurosistema mais ecológico” analisa o quadro para as garantias de empréstimo aceites pelo Banco Central Europeu. É uma publicação conjunta do Greenpeace e da New Economics Foundation (NEF) e de duas universidades da Grã-Bretanha.

O Greenpeace é particularmente crítico quanto ao fato de que títulos de emissores prejudiciais ao clima se beneficiam de descontos mais baixos ao avaliar o risco, enquanto o BCE classifica os setores mais favoráveis ​​ao clima como mais arriscados e lhes dá descontos maiores. Além disso, o BCE aceita um número desproporcionalmente grande de títulos de empresas de energia fóssil. O estudo sugere três maneiras de reduzir a parcela intensiva em carbono e, portanto, os riscos associados à crise climática do quadro de garantias. Enquanto no primeiro cenário apenas os descontos de risco são aumentados de acordo com os danos climáticos, os dois cenários mais rigorosos também excluem empresas particularmente prejudiciais ao clima.

Com o seu poder de controlo e investimento, a política monetária do BCE é o enquadramento da área do euro. Em particular, a forma como lidam com os riscos climáticos é um sinal para o mundo financeiro europeu. Embora o chefe do BCE, Lagarde, tenha chamado a atenção para a conexão entre os riscos climáticos e a estabilidade de preços no ano passado, uma reforma da política monetária ainda está pendente. A nova estratégia de política monetária anunciada para a primavera de 2021 foi adiada até agora. WL

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo Neues Deutschland [Aqui! ].

Paradoxo verde

Duas novas publicações falham ao tentar combinar proteção climática e teoria econômica,  pois omitem que esse é todo o conflito.

O estado deve definir os preços dos combustíveis fósseis diretamente e torná-los mais caros. dpa

O tempo é essencial: a Alemanha deve ser quase neutra em termos de clima até 2035 se quisermos ajudar a evitar que a Terra aqueça mais de 1,5 graus. Mas o que isso significa para a economia alemã? Duas novas publicações tratam dessa questão.

Primeiro, há a antologia da “economistsforfuture”: 25 economistas alemães descrevem como a Economia teria de mudar para capturar adequadamente a crise climática. Infelizmente, a maioria dos textos permanece em um meta-nível destacado e exige que a economia seja “pluralista”, “reflexiva”, “transparente”, “holística” e “interdisciplinar”. Isso não está errado, mas não fica mais correto com a repetição constante.

Apenas o breve texto de Helge Peukert se destaca. O professor de economia de Siegen dá uma explicação concisa e clara sobre as teorias que existiam na economia até agora e como elas poderiam ser aplicadas à crise climática. Tudo ocorre da economia institucional ao feminismo. Seria desejável que este pequeno texto fosse a introdução – e que todos os outros autores tivessem feito o trabalho específico para iluminar economicamente a crise climática. Mas talvez isso aconteça, é de se esperar.

Sem conceitos viáveis

Também o ex-economista-chefe da Unctad (Conferência Mundial de Comércio e Desenvolvimento), Heiner Flassbeck , afirma que não existem conceitos viáveis ​​para resolver a crise climática. Por isso escreveu um texto polêmico em que acertou contas com os verdes, os neoliberais e os “representantes da transição energética”, entre outros.

Flassbeck está claramente descobrindo por que os impostos sobre o CO 2 causariam o caos nos mercados de energia. Em vez disso, o estado deve definir os preços dos combustíveis fósseis diretamente e tornar o gás, o petróleo e o carvão cada vez mais caros – para que as empresas possam fazer cálculos previsíveis e investir cada vez mais em energias renováveis.

Flassbeck também está convencido de que a cooperação global entre todos os países é necessária. Se a Alemanha renunciasse à energia fóssil, a demanda por petróleo ou gás cairia neste país – mas a consequência seria que os preços da energia fóssil também cairiam, o que deveria encorajar outros países a consumir ainda mais petróleo, porque isso acontece qunado o petróleo é tão barato.

Flassbeck escreve furioso, como se fosse o único a reconhecer que a proteção do clima, de todas as coisas, pode levar ao consumo de ainda mais petróleo. Mas, na verdade, esse “paradoxo verde” é tão óbvio que o economista neoliberal Hans-Werner Sinn escreveu um livro inteiro sobre isso em 2008. Estranhamente, o significado não aparece em nenhum lugar de Flassbeck. Isso não é apenas cientificamente desonesto, mas afasta os leitores da compreensão de que os economistas keynesianos e conservadores ocasionalmente concordam.

Crise climática subestimada

Além disso, surge a suspeita de que Flassbeck está subestimando a crise climática. Ele felizmente escreve: “No futuro, as mudanças climáticas irão determinar nossas vidas da mesma forma que o clima hoje, ou seja, de forma alguma.”

Essa presunção danifica o livro. Flassbeck é um economista importante, mas quando se trata de proteção climática, ele permanece muito abaixo de seu potencial.

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Este texto foi inicialmente escrito em alemão e publicado pelo “TAZ” [Aqui!].

‘Assassino invisível’: estudo mostra que combustíveis fósseis causaram 8,7 milhões de mortes em todo o mundo em 2018

Poluição de usinas de energia, veículos e outras fontes foi responsável por uma em cada cinco de todas as mortes naquele ano, uma análise mais detalhada revela

poluiçãoDois homens caminham ao longo de Rajpath em meio às condições nebulosas de Nova Delhi, no mês passado. Fotografia: Jewel Samad / AFP / Getty Images

Por Oliver Milman para o “The Guardian”

A poluição do ar causada pela queima de combustíveis fósseis como carvão e petróleo foi responsável por 8,7 milhões de mortes em todo o mundo em 2018, uma impressionante proporção de uma em cinco de todas as pessoas que morreram naquele ano, descobriu uma nova pesquisa.

Os países com o consumo mais prodigioso de combustíveis fósseis para abastecer fábricas, residências e veículos estão sofrendo o maior número de mortes, com o estudo descobrindo que mais de uma em cada 10 mortes nos Estados Unidos e na Europa foram causadas pela poluição resultante, junto com quase um terço das mortes no leste da Ásia, que inclui a China. As taxas de mortalidade na América do Sul e na África foram significativamente menores.

Uma média de mais de 30% das mortes de adultos com 14 anos ou mais no Leste Asiático são atribuíveis à poluição por combustíveis fósseis

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O enorme número de mortos é maior do que as estimativas anteriores e surpreendeu até mesmo os pesquisadores do estudo. “Inicialmente, ficamos muito hesitantes quando obtivemos os resultados porque eles são impressionantes, mas estamos descobrindo cada vez mais sobre o impacto dessa poluição”, disse Eloise Marais, geógrafa da University College London e coautora do estudo. “É generalizado. Quanto mais procuramos impactos, mais encontramos. ”

As 8,7 milhões de mortes em 2018 representam um “contribuinte chave para o fardo global de mortalidade e doenças”, afirma o estudo, que é o resultado da colaboração entre cientistas da Harvard University, da University of Birmingham, da University of Leicester e da University College London . O número de mortos excede o total combinado de pessoas que morrem globalmente a cada ano por fumar tabaco, mais aquelas que morrem de malária .

Os cientistas estabeleceram ligações entre a poluição do ar generalizada da queima de combustíveis fósseis e casos de doenças cardíacas , doenças respiratórias e até mesmo a perda de visão . Sem as emissões de combustíveis fósseis, a expectativa média de vida da população mundial aumentaria em mais de um ano , enquanto os custos econômicos e de saúde globais cairiam em cerca de US $ 2,9 trilhões .

De todas as mortes de crianças com menos de cinco anos na Europa causadas por infecção respiratória inferior, 13,6% são atribuíveis aos combustíveis fósseis

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A nova estimativa de mortes, publicada na revista Environmental Research, é maior do que outras tentativas anteriores de quantificar o custo mortal dos combustíveis fósseis. Um importante artigo publicado pela revista Lancet em 2019 , por exemplo, encontrou 4,2 milhões de mortes anuais por poluição do ar proveniente de poeira e fumaça de incêndio florestal, bem como da combustão de combustível fóssil.

Número de mortes atribuídas à poluição atmosférica causada por combustíveis fósseis em diferentes partes do mundo

Esta nova pesquisa implanta uma análise mais detalhada do impacto de partículas aerotransportadas de fuligem lançadas por usinas de energia, carros, caminhões e outras fontes. Esse material particulado é conhecido como PM2.5, pois as partículas têm menos de 2,5 micrômetros de diâmetro – ou cerca de 30 vezes menores que o diâmetro do cabelo humano médio. Essas minúsculas partículas de poluição, uma vez inaladas, se alojam nos pulmões e podem causar uma variedade de problemas de saúde.

“Não apreciamos que a poluição do ar seja um assassino invisível”, disse Neelu Tummala, um médico de ouvido, nariz e garganta da Escola de Medicina e Ciências da Saúde da Universidade George Washington. “O ar que respiramos afeta a saúde de todas as pessoas, mas principalmente de crianças, idosos, pessoas de baixa renda e pessoas de cor. Normalmente, as pessoas em áreas urbanas têm os piores impactos. ”

Em vez de depender apenas de estimativas médias de observações de satélite e de superfície que representam PM2.5 de uma variedade de fontes, os pesquisadores usaram um modelo 3D global de química atmosférica supervisionado pela Nasa que tem uma resolução mais detalhada e pode distinguir entre as fontes de poluição. “Em vez de depender de médias espalhadas por grandes regiões, queríamos mapear onde está a poluição e onde as pessoas vivem, para que pudéssemos saber mais exatamente o que as pessoas estão respirando”, disse Karn Vohra, estudante de pós-graduação da Universidade de Birmingham e co -autor.

Os pesquisadores então desenvolveram uma nova avaliação de risco com base em uma tranche de novas pesquisas que encontraram uma taxa de mortalidade muito maior por emissões de combustíveis fósseis do que se pensava anteriormente, mesmo em concentrações relativamente baixas. Os dados foram coletados de 2012 e também de 2018 para contabilizar as rápidas melhorias na qualidade do ar na China. As mortes foram contadas para pessoas com 15 anos ou mais.

Os resultados mostram um quadro global variado. “A qualidade do ar da China está melhorando, mas suas concentrações de partículas finas ainda são incrivelmente altas, os EUA estão melhorando, embora haja pontos de acesso no nordeste, a Europa é uma bolsa mista e a Índia é definitivamente um ponto de acesso”, disse Marais. 

Uma usina de carvão em Niederaussem, oeste da Alemanha. Fotografia: Ina Fassbender / AFP / Getty Images

O número de mortos delineado no estudo pode até ser uma subestimação da verdadeira imagem, de acordo com George Thurston, um especialista em poluição do ar e saúde na escola de medicina da NYU que não esteve envolvido na pesquisa. “No geral, entretanto, este novo trabalho deixa mais claro do que nunca que, quando falamos sobre o custo humano da poluição do ar ou das mudanças climáticas, as principais causas são uma e a mesma – a combustão de combustível fóssil”, disse ele.

Philip J Landrigan, diretor do programa de saúde pública global e o bem comum, disse: “Uma pesquisa recente tem explorado o uso de funções de exposição-resposta mais recentes, e vários artigos recentes que usam essas funções mais recentes produziram estimativas mais altas de poluição- mortalidade relacionada do que as análises da Carga Global de Doenças. ” Ele acrescentou: “Considero importante que diferentes modelos de avaliação de risco estejam sendo desenvolvidos agora, porque seu desenvolvimento forçará o reexame das premissas que fundamentam os modelos atuais e os aprimorará”.

Ed Avol, chefe da divisão de saúde ambiental da University of Southern California (USC), disse: “Os autores aplicaram metodologias aprimoradas para quantificar melhor as exposições e documentar melhor os resultados de saúde a fim de chegar à conclusão inquietante (mas não surpreendente) de que a poluição do ar relacionada à combustão de combustíveis fósseis é mais prejudicial à saúde humana global do que anteriormente estimado. Os especialistas em exposição a imagens remotas de satélite e epidemiologistas de saúde da equipe de pesquisa são investigadores altamente competentes e estão entre os acadêmicos mais talentosos neste campo dinâmico. ”

“Os combustíveis fósseis têm um impacto muito grande na saúde, no clima e no meio ambiente e precisamos de uma resposta mais imediata”, disse Marais. “Alguns governos têm objetivos neutros em carbono, mas talvez precisemos levá-los adiante devido aos enormes danos à saúde pública. Precisamos de muito mais urgência. ”

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Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [   ].

Manifestantes pedem ao BNDES o fim do financiamento a petróleo, gás e carvão

Ação da 350.org e da Ahomar, no Rio de Janeiro, convoca o banco a destinar recursos para setores que apoiem comunidades vulneráveis e ajudem o país a lidar com a crise climática

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Rio de Janeiro, 12 de novembro – Na manhã desta quinta-feira, ativistas da 350.org e pescadores da Associação dos Homens e Mulheres do Mar da Baía de Guanabara (Ahomar) realizaram uma manifestação em frente à sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Centro do Rio de Janeiro, para convocar a instituição a deixar de financiar projetos dos setores de petróleo, gás e carvão, responsáveis pela crise climática que já prejudica milhões de pessoas em todo o mundo.

Cálculo elaborado pela 350.org, a partir de dados do próprio BNDES, indica que o banco financiou mais de R$ 90 bilhões, entre 2009 e 2019, em projetos do setor de combustíveis fósseis. Os manifestantes pedem que o banco público direcione os recursos dos contribuintes para iniciativas que melhorem a qualidade de vida das comunidades mais vulneráveis e contribuam para que o Brasil adapte-se às mudanças no clima, em áreas como energias renováveis, transporte público eficiente nas grandes cidades e habitação popular para moradores de zonas de risco.

“O país enfrenta uma grave crise econômica, provocada pela pandemia, e uma severa crise ambiental, agravada pelas mudanças climáticas, como mostram os incêndios recentes no Pantanal. É urgente que o BNDES e outros bancos de desenvolvimento parem de queimar o dinheiro do cidadão em setores que só pioram a emergência climática e concentram lucros nas mãos de poucas grandes empresas”, afirma Ilan Zugman, diretor da 350.org na América Latina.

Ativistas ambientais também realizaram protestos pelo fim do financiamento às energias sujas em Paris, Manila (Filipinas) e Abuja (Nigéria), como parte de uma semana de mobilizações para exigir que os bancos de desenvolvimento contribuam com a recuperação justa da economia global frente à pandemia de Covid-19.

As ações ocorreram simultaneamente à cúpula Finance in Common, primeiro encontro internacional de representantes de cerca de 450 bancos de desenvolvimento, com a finalidade de discutir medidas coordenadas de estímulo à economia e enfrentamento às mudanças climáticas.

Contato para a imprensa

Peri Dias

Comunicação da 350.org na América Latina  peri.dias@350.org / +591 7899-2202

Grupos da sociedade civil convocam bancos públicos de desenvolvimento a apoiar as pessoas e o planeta

Ações no Brasil e em países da África, Ásia e Europa, durante a cúpula Finanças em Comum, chamam atenção para o papel dos bancos de desenvolvimento em uma recuperação justa

COMBUSTIVEIS

Esta semana, 450 bancos públicos de desenvolvimento e instituições financeiras de todo o mundo, que controlam aproximadamente US$ 2 trilhões em dinheiro público, estão reunidos pela primeira vez para discutir ações para garantir uma recuperação justa frente à COVID-19 e uma transição para sistemas econômicos mais sustentáveis. A cúpula Finanças em Comum (Finance in Common Summit – FiC) visa obter compromissos dos bancos participantes de que, de fato, adotarão políticas coerentes com metas de clima, desenvolvimento sustentável e biodiversidade.

Para chamar a atenção para a necessidade de os bancos de desenvolvimento liderarem essa transição, grupos da sociedade civil estão realizando ações virtuais e presenciais em vários países, tomando todas as precauções necessárias em tempos de pandemia. A mensagem dos manifestantes para as instituições financeiras públicas é bem clara: está na hora de direcionar o dinheiro dos contribuintes para uma recuperação verdadeiramente saudável, equitativa, sustentável e justa.

Ações principais

Brasil

Em 12 de novembro, quinta-feira, às 10h, a 350.org e seus parceiros realizarão uma ação criativa para exigir que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pare de financiar combustíveis fósseis e redirecione o dinheiro dos brasileiros para projetos de expansão de energias renováveis ​​e socialmente justas. Para saber mais, por favor entre em contato com nossa equipe.

Nigéria

Em 9 de novembro, segunda-feira, grupos da sociedade civil em Abuja, capital da Nigéria, entregaram uma carta conjunta da sociedade civil ao Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), pedindo à instituição financeira que deixe de investir em combustíveis fósseis e aumente o financiamento para as energias renováveis ​​em toda a África.

Filipinas

Em 10 de novembro, terça-feira, a 350.org e seus parceiros doarão um gerador portátil de energia solar para uma comunidade impactada pelo supertufão Goni, que passou pelas Filipinas no começo do mês e provocou mortes, destruição e cortes de energia em diversos locais.

Os ativistas também farão um protesto criativo em Manila, capital das Filipinas, usando hologramas e faixas de luz para pedir aos bancos de desenvolvimento asiáticos que direcionem o dinheiro público sob sua gestão para medidas de recuperação justa pós-COVID-19. Entre essas medidas estão iniciativas para mitigar a crise climática e construir resiliência frente aos extremos climáticos, de modo a reduzir o risco das comunidades mais vulneráveis.

França

Em 12 de novembro, quinta-feira, às 9h30 do horário local, a 350.org e seus parceiros abrirão quatro faixas gigantes (20 metros de comprimento) em diferentes pontes de Paris, ao lado das principais instituições financeiras públicas francesas.

Os banners contêm as mensagens:

  • “Salvem bilhões de vidas: financiem pessoas, e não criminosos climáticos”
  • “Destruindo nossos pulmões, nossas terras, inundando nossas comunidades / Exxon, BP, Gazprom, Shell, Total & Eni: faça-os pagar”
  • “Os direitos humanos também são obrigações – cumpram o seu dever”
  • “Dívida ambiental dos países ricos: a única dívida legítima”

Aspas

Ilan Zugman, diretor da 350.org na América Latina

“O BNDES destinou mais de R$ 90 bilhões a projetos do setor de combustíveis fósseis desde 2009. São recursos que agravaram a crise climática e tornaram ainda mais rico um setor que concentra riqueza nas mãos de poucas empresas e que frequentemente desrespeita os direitos das comunidades mais vulneráveis. Esse dinheiro é do contribuinte brasileiro e poderia ter estimulado a geração de empregos em áreas muito mais benéficas, como as de energias renováveis e mobilidade urbana”.

“Na América Latina, exigir uma ação climática mais efetiva dos bancos de desenvolvimento é importante não só para o Brasil, mas para todos os países da região. O Banco Interamericano de Desenvolvimento anunciou, há menos de um mês, que planeja aumentar seu capital disponível para empréstimos de US$ 12 bilhões para US$ 20 bilhões, para atender às necessidades de recursos da América Latina e do Caribe no pós-pandemia, mas não especificou se terá políticas para garantir que esses recursos estimularão atividades sustentáveis. ​​Precisamos dizer ao BID e aos outros bancos da região que nós, cidadãos, exigimos que nossos recursos sejam direcionados a atividades que, além de gerar empregos, ajudem nossos países a construir resiliência climática”.

Clémence Dubois, líder da equipe da 350.org na França

“A crise climática exige que o planeta fique abaixo do limite de 1,5ºC do aquecimento global, e a única maneira de fazer isso é nos afastando rapidamente da produção e do uso de combustíveis fósseis. Precisamos que as instituições financeiras públicas sejam as primeiras a impulsionar essa transição”.

Alex Lenferna, coordenador de campanhas da 350.org na África

“Quando as principais instituições financeiras emprestam dinheiro aos governos para desenvolverem projetos de combustíveis fósseis, elas estão destruindo o clima, enfraquecendo os processos democráticos e as leis, aprofundando a pobreza e a desigualdade e violando os direitos humanos”

Relatório da Agência Internacional de Energia favorece combustíveis fósseis, diz estudo

Edição deste ano inclui pela primeira vez cenário com medidas para limitar aquecimento global a 1,5˚C

GLACIERImagem: Henryk Sadura Getty Images

O lançamento da edição 2020 do relatório Perspectivas Energéticas Mundiais (World Energy Outlook – WEO) da Agência Internacional de Energia (AIE) foi acompanhado de fortes críticas de setores científicos e organizações financeiras. Esses analistas apresentam estudos que apontam vieses nos relatórios da instituição para favorecer o setor de combustíveis fósseis.

Na edição deste ano, a AIE incluiu pela primeira vez um cenário que leva em conta ações para o cumprimento da meta de manter o aquecimento global em 1,5˚C. A medida atende aos pedidos de uma coalizão de investidores, empresários e estudiosos que vêm alertando a organização para essa necessidade há pelo menos 2 anos. O cenário de desenvolvimento sustentável que já existia nos relatórios anteriores previa um caminho para a redução de emissões que só atingiria emissões zero líquidas em 2070, ou seja, 20 anos mais tarde do que preconiza o Acordo de Paris.

Horas antes da divulgação do relatório, foi apresentado um estudo da University of Technology Sydney, na Austrália, mostrando que de 2000 a 2020 a AIE superestimou de modo sustentado o papel dos combustíveis fósseis, da energia nuclear e dos mecanismos de captura e armazenamento de carbono (CCS) no mercado de energia global, ao mesmo tempo em que subestimou o crescimento das energias renováveis.

O otimismo exagerado da agência em relação às tecnologias de CCS, diz o estudo, se deve ao fato de que elas poderiam tornar as fontes fósseis viáveis por mais tempo em um cenário de descarbonização da economia global. Segundo o texto, metas climáticas mais ambiciosas acabaram por reduzir o interesse em medidas de mitigação desse tipo, embora isso não tenha sido observado pelos relatórios da AIE.

Antes disso, a ONG Reclaim Finance já havia publicado uma análise em que aponta armadilhas que impedem que os cenários climáticos sejam alinhados com o Acordo de Paris, colocando as estudos da AIE como fonte fundamental dessas “ciladas”. Segundo a organização, a agência age para manutenção dos investimentos em combustíveis fósseis. Em paralelo, a consultoria de investimentos Analytica Advisors publicou um informe com evidências sobre a influência do relatório anual da AIE nas decisões de investimento das principais companhias de óleo e gás.

O Perspectivas Energéticas Mundiais é produzido anualmente desde 1977 e mapeia as expectativas de oferta e demanda de energia para médio e longo prazos, tendo se tornado uma referência no tema, com influência sobre decisões de governo e de empresas. Criada em 1973 no âmbito da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a AIE expandiu suas atividades para além do foco original, o setor de petróleo e gás, mas seus laços com a indústria fóssil permanecem fortes.

Avanço pequeno

Para o chefe do setor de compras da Unilever, Marc Engel, a nova postura da agência é um passo importante, mas a organização continua criando cenários distorcidos. Tipicamente, o relatório da AIE traz três cenários, que podem mudar de nome ao longo dos anos, mas que ainda podem ser diferenciados entre pessimista (chamado nesta edição de “business as usual”), provável (“Central”) e otimista (“Climático”). Na edição deste ano foi incluído um quarto cenário chamado de “net zero emission” (NZE2050).

Segundo Engel, a AIE deve se comprometer a tornar o novo cenário o “Central” do próximo relatório. “Empresas como a Unilever, assim como investidores e tomadores de decisão política, precisam urgentemente de ferramentas para planejar o sucesso no alcance de nossas metas climáticas. Este não é um momento para meias medidas, e o mundo precisa que a AIE esteja liderando e não seguindo a nova agenda energética global”, afirma.

“Estamos satisfeitos em ver que há um cenário de 1,5˚C no WEO 2020, entretanto, este cenário não está incluído na análise principal e termina em 2030”, lamenta Odd Arild Grefstad, CEO da Storebrand, uma empresa de finanças e seguros norueguesa. “Eu conclamo a AIE a estender o cenário de 1,5˚C para pelo menos 2040 como o resto dos cenários e dar a ele a posição central no WEO de 2021, para que seja visto como necessário e possível de ser implementado.”

A inclusão de um cenário para o mercado de energia que inclui a meta de limitar o aquecimento global a 1,5˚C foi o segundo aceno da AIE para a sustentabilidade este ano. Antes, a agência publicou um relatório especial de Recuperações Sustentáveis pós-COVID e convocou em julho uma Cúpula de Transição Limpa, com ministros de energia de dezenas de países.

“A AIE deu um pequeno passo hoje e isto não teria acontecido se os atores preocupados não tivessem se manifestado e exigido mudanças”, avalia David Tong, ativista sênior da ONG Oil Change International. “Mas a AIE permanece presa em uma crise existencial: servir aos interesses dos combustíveis fósseis em que foi fundada ou se transformar para liderar uma revolução de energia limpa? A AIE e seu chefe, o Dr. Fatih Birol, não podem ter as duas coisas.

Fontes disponíveis para entrevistas:

• Autor do estudo The IEA World Energy Outlook: a critical review 2000-2020: Sven Teske, Research Director at the Institute for Sustainable Futures, University of Technology Sydney: Sven.Teske@uts.edu.au

• Hannah McKinnon, Director, Energy Transitions and Futures Program da ONG Oil Change International: hannah@priceofoil.org