Manifestantes pedem ao BNDES o fim do financiamento a petróleo, gás e carvão

Ação da 350.org e da Ahomar, no Rio de Janeiro, convoca o banco a destinar recursos para setores que apoiem comunidades vulneráveis e ajudem o país a lidar com a crise climática

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Rio de Janeiro, 12 de novembro – Na manhã desta quinta-feira, ativistas da 350.org e pescadores da Associação dos Homens e Mulheres do Mar da Baía de Guanabara (Ahomar) realizaram uma manifestação em frente à sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Centro do Rio de Janeiro, para convocar a instituição a deixar de financiar projetos dos setores de petróleo, gás e carvão, responsáveis pela crise climática que já prejudica milhões de pessoas em todo o mundo.

Cálculo elaborado pela 350.org, a partir de dados do próprio BNDES, indica que o banco financiou mais de R$ 90 bilhões, entre 2009 e 2019, em projetos do setor de combustíveis fósseis. Os manifestantes pedem que o banco público direcione os recursos dos contribuintes para iniciativas que melhorem a qualidade de vida das comunidades mais vulneráveis e contribuam para que o Brasil adapte-se às mudanças no clima, em áreas como energias renováveis, transporte público eficiente nas grandes cidades e habitação popular para moradores de zonas de risco.

“O país enfrenta uma grave crise econômica, provocada pela pandemia, e uma severa crise ambiental, agravada pelas mudanças climáticas, como mostram os incêndios recentes no Pantanal. É urgente que o BNDES e outros bancos de desenvolvimento parem de queimar o dinheiro do cidadão em setores que só pioram a emergência climática e concentram lucros nas mãos de poucas grandes empresas”, afirma Ilan Zugman, diretor da 350.org na América Latina.

Ativistas ambientais também realizaram protestos pelo fim do financiamento às energias sujas em Paris, Manila (Filipinas) e Abuja (Nigéria), como parte de uma semana de mobilizações para exigir que os bancos de desenvolvimento contribuam com a recuperação justa da economia global frente à pandemia de Covid-19.

As ações ocorreram simultaneamente à cúpula Finance in Common, primeiro encontro internacional de representantes de cerca de 450 bancos de desenvolvimento, com a finalidade de discutir medidas coordenadas de estímulo à economia e enfrentamento às mudanças climáticas.

Contato para a imprensa

Peri Dias

Comunicação da 350.org na América Latina  peri.dias@350.org / +591 7899-2202

Grupos da sociedade civil convocam bancos públicos de desenvolvimento a apoiar as pessoas e o planeta

Ações no Brasil e em países da África, Ásia e Europa, durante a cúpula Finanças em Comum, chamam atenção para o papel dos bancos de desenvolvimento em uma recuperação justa

COMBUSTIVEIS

Esta semana, 450 bancos públicos de desenvolvimento e instituições financeiras de todo o mundo, que controlam aproximadamente US$ 2 trilhões em dinheiro público, estão reunidos pela primeira vez para discutir ações para garantir uma recuperação justa frente à COVID-19 e uma transição para sistemas econômicos mais sustentáveis. A cúpula Finanças em Comum (Finance in Common Summit – FiC) visa obter compromissos dos bancos participantes de que, de fato, adotarão políticas coerentes com metas de clima, desenvolvimento sustentável e biodiversidade.

Para chamar a atenção para a necessidade de os bancos de desenvolvimento liderarem essa transição, grupos da sociedade civil estão realizando ações virtuais e presenciais em vários países, tomando todas as precauções necessárias em tempos de pandemia. A mensagem dos manifestantes para as instituições financeiras públicas é bem clara: está na hora de direcionar o dinheiro dos contribuintes para uma recuperação verdadeiramente saudável, equitativa, sustentável e justa.

Ações principais

Brasil

Em 12 de novembro, quinta-feira, às 10h, a 350.org e seus parceiros realizarão uma ação criativa para exigir que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pare de financiar combustíveis fósseis e redirecione o dinheiro dos brasileiros para projetos de expansão de energias renováveis ​​e socialmente justas. Para saber mais, por favor entre em contato com nossa equipe.

Nigéria

Em 9 de novembro, segunda-feira, grupos da sociedade civil em Abuja, capital da Nigéria, entregaram uma carta conjunta da sociedade civil ao Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), pedindo à instituição financeira que deixe de investir em combustíveis fósseis e aumente o financiamento para as energias renováveis ​​em toda a África.

Filipinas

Em 10 de novembro, terça-feira, a 350.org e seus parceiros doarão um gerador portátil de energia solar para uma comunidade impactada pelo supertufão Goni, que passou pelas Filipinas no começo do mês e provocou mortes, destruição e cortes de energia em diversos locais.

Os ativistas também farão um protesto criativo em Manila, capital das Filipinas, usando hologramas e faixas de luz para pedir aos bancos de desenvolvimento asiáticos que direcionem o dinheiro público sob sua gestão para medidas de recuperação justa pós-COVID-19. Entre essas medidas estão iniciativas para mitigar a crise climática e construir resiliência frente aos extremos climáticos, de modo a reduzir o risco das comunidades mais vulneráveis.

França

Em 12 de novembro, quinta-feira, às 9h30 do horário local, a 350.org e seus parceiros abrirão quatro faixas gigantes (20 metros de comprimento) em diferentes pontes de Paris, ao lado das principais instituições financeiras públicas francesas.

Os banners contêm as mensagens:

  • “Salvem bilhões de vidas: financiem pessoas, e não criminosos climáticos”
  • “Destruindo nossos pulmões, nossas terras, inundando nossas comunidades / Exxon, BP, Gazprom, Shell, Total & Eni: faça-os pagar”
  • “Os direitos humanos também são obrigações – cumpram o seu dever”
  • “Dívida ambiental dos países ricos: a única dívida legítima”

Aspas

Ilan Zugman, diretor da 350.org na América Latina

“O BNDES destinou mais de R$ 90 bilhões a projetos do setor de combustíveis fósseis desde 2009. São recursos que agravaram a crise climática e tornaram ainda mais rico um setor que concentra riqueza nas mãos de poucas empresas e que frequentemente desrespeita os direitos das comunidades mais vulneráveis. Esse dinheiro é do contribuinte brasileiro e poderia ter estimulado a geração de empregos em áreas muito mais benéficas, como as de energias renováveis e mobilidade urbana”.

“Na América Latina, exigir uma ação climática mais efetiva dos bancos de desenvolvimento é importante não só para o Brasil, mas para todos os países da região. O Banco Interamericano de Desenvolvimento anunciou, há menos de um mês, que planeja aumentar seu capital disponível para empréstimos de US$ 12 bilhões para US$ 20 bilhões, para atender às necessidades de recursos da América Latina e do Caribe no pós-pandemia, mas não especificou se terá políticas para garantir que esses recursos estimularão atividades sustentáveis. ​​Precisamos dizer ao BID e aos outros bancos da região que nós, cidadãos, exigimos que nossos recursos sejam direcionados a atividades que, além de gerar empregos, ajudem nossos países a construir resiliência climática”.

Clémence Dubois, líder da equipe da 350.org na França

“A crise climática exige que o planeta fique abaixo do limite de 1,5ºC do aquecimento global, e a única maneira de fazer isso é nos afastando rapidamente da produção e do uso de combustíveis fósseis. Precisamos que as instituições financeiras públicas sejam as primeiras a impulsionar essa transição”.

Alex Lenferna, coordenador de campanhas da 350.org na África

“Quando as principais instituições financeiras emprestam dinheiro aos governos para desenvolverem projetos de combustíveis fósseis, elas estão destruindo o clima, enfraquecendo os processos democráticos e as leis, aprofundando a pobreza e a desigualdade e violando os direitos humanos”

Relatório da Agência Internacional de Energia favorece combustíveis fósseis, diz estudo

Edição deste ano inclui pela primeira vez cenário com medidas para limitar aquecimento global a 1,5˚C

GLACIERImagem: Henryk Sadura Getty Images

O lançamento da edição 2020 do relatório Perspectivas Energéticas Mundiais (World Energy Outlook – WEO) da Agência Internacional de Energia (AIE) foi acompanhado de fortes críticas de setores científicos e organizações financeiras. Esses analistas apresentam estudos que apontam vieses nos relatórios da instituição para favorecer o setor de combustíveis fósseis.

Na edição deste ano, a AIE incluiu pela primeira vez um cenário que leva em conta ações para o cumprimento da meta de manter o aquecimento global em 1,5˚C. A medida atende aos pedidos de uma coalizão de investidores, empresários e estudiosos que vêm alertando a organização para essa necessidade há pelo menos 2 anos. O cenário de desenvolvimento sustentável que já existia nos relatórios anteriores previa um caminho para a redução de emissões que só atingiria emissões zero líquidas em 2070, ou seja, 20 anos mais tarde do que preconiza o Acordo de Paris.

Horas antes da divulgação do relatório, foi apresentado um estudo da University of Technology Sydney, na Austrália, mostrando que de 2000 a 2020 a AIE superestimou de modo sustentado o papel dos combustíveis fósseis, da energia nuclear e dos mecanismos de captura e armazenamento de carbono (CCS) no mercado de energia global, ao mesmo tempo em que subestimou o crescimento das energias renováveis.

O otimismo exagerado da agência em relação às tecnologias de CCS, diz o estudo, se deve ao fato de que elas poderiam tornar as fontes fósseis viáveis por mais tempo em um cenário de descarbonização da economia global. Segundo o texto, metas climáticas mais ambiciosas acabaram por reduzir o interesse em medidas de mitigação desse tipo, embora isso não tenha sido observado pelos relatórios da AIE.

Antes disso, a ONG Reclaim Finance já havia publicado uma análise em que aponta armadilhas que impedem que os cenários climáticos sejam alinhados com o Acordo de Paris, colocando as estudos da AIE como fonte fundamental dessas “ciladas”. Segundo a organização, a agência age para manutenção dos investimentos em combustíveis fósseis. Em paralelo, a consultoria de investimentos Analytica Advisors publicou um informe com evidências sobre a influência do relatório anual da AIE nas decisões de investimento das principais companhias de óleo e gás.

O Perspectivas Energéticas Mundiais é produzido anualmente desde 1977 e mapeia as expectativas de oferta e demanda de energia para médio e longo prazos, tendo se tornado uma referência no tema, com influência sobre decisões de governo e de empresas. Criada em 1973 no âmbito da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a AIE expandiu suas atividades para além do foco original, o setor de petróleo e gás, mas seus laços com a indústria fóssil permanecem fortes.

Avanço pequeno

Para o chefe do setor de compras da Unilever, Marc Engel, a nova postura da agência é um passo importante, mas a organização continua criando cenários distorcidos. Tipicamente, o relatório da AIE traz três cenários, que podem mudar de nome ao longo dos anos, mas que ainda podem ser diferenciados entre pessimista (chamado nesta edição de “business as usual”), provável (“Central”) e otimista (“Climático”). Na edição deste ano foi incluído um quarto cenário chamado de “net zero emission” (NZE2050).

Segundo Engel, a AIE deve se comprometer a tornar o novo cenário o “Central” do próximo relatório. “Empresas como a Unilever, assim como investidores e tomadores de decisão política, precisam urgentemente de ferramentas para planejar o sucesso no alcance de nossas metas climáticas. Este não é um momento para meias medidas, e o mundo precisa que a AIE esteja liderando e não seguindo a nova agenda energética global”, afirma.

“Estamos satisfeitos em ver que há um cenário de 1,5˚C no WEO 2020, entretanto, este cenário não está incluído na análise principal e termina em 2030”, lamenta Odd Arild Grefstad, CEO da Storebrand, uma empresa de finanças e seguros norueguesa. “Eu conclamo a AIE a estender o cenário de 1,5˚C para pelo menos 2040 como o resto dos cenários e dar a ele a posição central no WEO de 2021, para que seja visto como necessário e possível de ser implementado.”

A inclusão de um cenário para o mercado de energia que inclui a meta de limitar o aquecimento global a 1,5˚C foi o segundo aceno da AIE para a sustentabilidade este ano. Antes, a agência publicou um relatório especial de Recuperações Sustentáveis pós-COVID e convocou em julho uma Cúpula de Transição Limpa, com ministros de energia de dezenas de países.

“A AIE deu um pequeno passo hoje e isto não teria acontecido se os atores preocupados não tivessem se manifestado e exigido mudanças”, avalia David Tong, ativista sênior da ONG Oil Change International. “Mas a AIE permanece presa em uma crise existencial: servir aos interesses dos combustíveis fósseis em que foi fundada ou se transformar para liderar uma revolução de energia limpa? A AIE e seu chefe, o Dr. Fatih Birol, não podem ter as duas coisas.

Fontes disponíveis para entrevistas:

• Autor do estudo The IEA World Energy Outlook: a critical review 2000-2020: Sven Teske, Research Director at the Institute for Sustainable Futures, University of Technology Sydney: Sven.Teske@uts.edu.au

• Hannah McKinnon, Director, Energy Transitions and Futures Program da ONG Oil Change International: hannah@priceofoil.org

Sete maiores empresas de petróleo rebaixam ativos em US $ 87 bilhões em nove meses

Thinktank afirma que as mudanças nas previsões refletem uma mudança acelerada dos combustíveis fósseis

PLATAFORMAUma plataforma de petróleo do Mar do Norte. Fotografia: Alamy

Por Jillian Ambrose para o  The Guardian

As maiores empresas petrolíferas listadas no mundo eliminaram quase US $ 90 bilhões do valor de seus ativos de petróleo e gás nos últimos nove meses, à medida em que a pandemia de coronavírus acelera uma mudança global para longe dos combustíveis fósseis.

Nos últimos três trimestres financeiros, sete das maiores empresas de petróleo reduziram suas projeções para os preços futuros do mercado de petróleo, desencadeando uma onda de rebaixamentos no valor de seus projetos de petróleo e gás, totalizando US $ 87 bilhões.

A análise feita pelo instituto de finanças climáticas Carbon Tracker mostra que apenas nos últimos três meses, empresas como a Royal Dutch Shell, BP, Total, Chevron, Repsol, Eni e Equinor relataram rebaixamentos no valor de seus ativos, totalizando quase US $ 55 bilhões.

Os prejuízos na valorização do petróleo começaram no final do ano passado em resposta ao crescente apoio político para a transição dos combustíveis fósseis para fontes de energia mais limpas, e eles se aceleraram conforme a pandemia afetou a indústria do petróleo.

Os bloqueios provocaram o colapso mais acentuado na demanda por combustíveis fósseis em 25 anos, fazendo com que os mercados de commodities de energia caíssem para níveis históricos.

O colapso do mercado de petróleo, que atingiu seu ponto mais baixo em abril, obrigou as empresas a reavaliarem suas expectativas de preços nos próximos anos.

A BP cortou suas previsões para o petróleo em quase um terço, para uma média de $ 55 o barril entre 2020 e 2050 , enquanto a Shell cortou suas previsões de $ 60 o barril para uma média de $ 35 o barril este ano, subindo para US$40 no próximo ano, US$ 50 em 2022 e US$ 60 a partir de 2023.

Ambas as empresas reduziram seus pagamentos aos acionistas depois que as revisões geraram um rebaixamento de US$ 22,3 bilhões no portfólio de combustíveis fósseis da Shell e um prejuízo de US$ 13,7 bilhões nos ativos de petróleo e gás da BP.

Andrew Grant, chefe de petróleo, gás e mineração do Carbon Tracker, disse que o coronavírus acelerou uma tendência inevitável de redução dos preços do petróleo – uma tendência que muitos ativistas climáticos alertaram que levará a ativos perdidos e a um risco cada vez maior para os fundos de pensão que investem em petróleo firmas.

“A COVID-19 certamente fez sua parte para eliminar o valor dos livros das empresas de petróleo, mas está claro que também acelerou uma tendência das empresas mudando suas premissas de preços de longo prazo para melhor refletir as realidades da transição energética”, ele disse.

No último trimestre financeiro de 2019, a petrolífera francesa Total e a espanhola Repsol apontaram a política climática do governo como a razão para rebaixamentos na avaliação do petróleo, totalizando US$ 6,2 bilhões.

“O fato de que os principais jogadores europeus estão baixando ativos com referência ao acordo de Paris é uma mudança muito positiva”, disse Grant. “Definir os preços de depreciação em linha com uma estimativa conservadora da demanda futura de combustível fóssil com base no acordo de Paris só pode ajudar a evitar o desperdício de capital e aumentar a resiliência das empresas.”

A BP revelou seu acentuado rebaixamento na avaliação de ativos e seu primeiro corte de dividendos em uma década, juntamente com um novo plano ambicioso para mudar seu portfólio de energia de combustíveis fósseis para alternativas de baixo carbono. Até o final da década, a BP espera produzir 40% menos petróleo e gás e está aumentando seus gastos com energia limpa em dez vezes, em um movimento bem-vindo por grupos verdes e investidores.

“No entanto, existem retardatários”, disse Grant. “As grandes petrolíferas dos EUA não divulgam suas premissas de preço e fazem poucas menções às mudanças climáticas em seus relatórios trimestrais. Nem a ExxonMobil nem a ConocoPhillips relataram quaisquer prejuízos materiais este ano, sugerindo que a administração está se apegando a uma visão otimista do preço do petróleo ”.

A companhia petrolífera estatal da Noruega, Equinor, rompeu com seus pares europeus ao manter suas previsões de longo prazo para o preço do petróleo Brent em US $ 80 o barril – “o mais alto de alguma forma”, disse Grant.

“Aferrar-se obstinadamente às previsões de preços business-as-usual pode levar as empresas a alocar capital incorretamente em detrimento de seus investidores”, acrescentou.

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Este artigo foi originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Óleo de palma, calor no Ártico e o apoio aos combustíveis fósseis

Como o legado colonial fez um gigante de óleo de palma belga originalmente ótima. Porque a Sibéria sucumbe ao calor. E como a indústria de combustíveis fósseis pode contar com bilhões de euros dos Estados membros  

Police block peaceful action by women affected by SOCFIN oil palm ...

Por Jan Walraven para a Apache

Império colonial do óleo de palma

Esta semana foi o 60º aniversário do Congo se tornando independente. Isso despertou a discussão sobre a era (pós) colonial. O papel da comunidade empresarial também foi discutidoApós a descolonização na década de 1960, muitas ex-colônias africanas tiveram que contar com capital estrangeiro. As empresas que foram estabelecidas durante o período colonial são hoje ativos em ex-colônias, como o Mongabay lembrou . Uma dessas empresas é a empresa belga Socfin, que administra plantações de óleo de palma e borracha espalhadas pela África e sudeste da Ásia.

A empresa, que floresceu durante o período colonial, tem sido fortemente criticada por ONGs por violações de direitos humanos há anos. Socfin continua negando isso. No entanto, a história da empresa com mais de um século não pode ser reescrita.

Frutos do dendê (Foto: tk tan (Pixabay))

Onda de calor siberiano

Verkhoyansk. Esta pequena cidade siberiana pode não tocar imediatamente um sino. No entanto, a cidade tem dois registros notáveis ​​em seu nome. O registro da temperatura mais baixa já registrada (-67,7 ° C) é compartilhado por Verkhoyansk com outra cidade da Sibéria. O recorde que quebrou recentemente não precisa compartilhá-lo por enquanto. A 38 ° C, a cidade registrou a temperatura mais alta já registrada no Círculo Polar Ártico no sábado, 20 de junho. A Sibéria enfrenta uma onda de calor sem precedentes, escreve o The New Yorker. As mudanças climáticas previram que o aquecimento global induzido pelo homem aqueceria o Ártico duas vezes mais rápido. Não havia previsão de quanto tempo isso aconteceria.

A Sibéria é excepcionalmente quente o ano todo. Em abril, a área ainda foi devastada por incêndios florestais. Recentemente, houve a gigantesca poluição do petróleo causada pelo derretimento do permafrost. A crise climática é fortemente atingida na Sibéria.

Bilhões de dólares em apoio ao setor fóssil

A União Européia pode ter despejado suas ambições climáticas em um verdadeiro Acordo Verde, uma pesquisa da  Investico e da Investigate Europe , publicada no De Groene Amsterdammer,  mostra que os Estados membros ainda doam bilhões de euros em ajuda e favoritos fiscais ao setor de petróleo e gás. Além disso, nenhum país prevê a eliminação gradual das várias medidas de apoio. Não é fácil ser o primeiro país a dar esse passo. Os países competem entre si por medidas fiscais e outras favoráveis ​​para manter ou atrair empresas de combustíveis fósseis e seus investimentos.

A Comissão Europeia está à sua espera, porque a tributação continua a ser o território exclusivo dos Estados-Membros.

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Este artigo foi escrito originalmente em holandês e publicado pela Apache [Aqui!].

Estudo afirma que políticas climáticas da China, Rússia e Canadá ameaçam uma mudança de 5°C

O ranking das metas dos países mostra que até mesmo a UE está em curso por mais que o dobro do nível seguro de aquecimento

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Vendedores perto de uma usina movida a carvão na China. Foto: Kevin Frayer / Getty Images

Por Jonathan Watts, editor de questões do Clima Global do “The Guardian”, [1]
As atuais políticas climáticas de China,  Rússia e  Canadá poderão levar o mundo a um catastrófico aquecimento de 5°C até o final do século XXI, de acordo com um estudo que classifica as metas climáticas de diferentes países.

Os Estados Unidos ea Austrália estão apenas um pouco atrasados, com o aumento da temperatura global perigosamente acima dos 4°C acima dos níveis pré-industriais, diz o jornal, enquanto a União Europeia, que normalmente é vista como líder climática, está a caminho de mais que dobrar o 1,5 °C que os cientistas dizem que é um nível moderadamente seguro de aquecimento.

O estudo, publicado na sexta-feira na revista Nature Communications, avalia a relação entre a ambição de cada nação de reduzir as emissões e o aumento de temperatura que resultaria se o mundo seguisse seu exemplo.

O objetivo do artigo é informar os negociadores climáticos ao iniciarem um processo de dois anos de aumento dos compromissos climáticos, que atualmente estão muito aquém da meta de 1,5 a 2 anos estabelecida na França há três anos.

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O site relacionado também serve como um guia de como as nações estão compartilhando o fardo de responder à maior ameaça ambiental que a humanidade já enfrentou.

Entre as principais economias, o estudo mostra que a Índia está liderando o caminho com uma meta que está apenas ligeiramente fora do curso para a 2 °C. Os países menos desenvolvidos são geralmente mais ambiciosos, em parte porque têm menos fábricas, usinas e carros, o que significa que eles têm menos emissões para controlar. 

No lado oposto do espectro estão a potência industrial chinesa e os principais exportadores de energia que não estão fazendo quase nada para limitar as emissões de dióxido de carbono. Estes incluem a Arábia Saudita (petróleo), a Rússia (gás) e o Canadá, que está atraindo grandes quantidades de óleo sujo das areias betuminosas. Os lobbies de combustíveis fósseis nesses países são tão poderosos que as promessas climáticas do governo são muito fracas, colocando o mundo em rota para mais de 5  ºC de aquecimento até o final do século. 

Apenas um pouco melhor é o grupo de países que está empurrando o planeta para além do 4°C. Entre eles estão os EUA, que têm enormes emissões de energia, indústria e agricultura, um pouco compensadas por promessas de cortes modestos e mais renováveis. A Austrália, que continua fortemente dependente das exportações de carvão, também está nessa categoria. 

As ricas sociedades de compras da Europa se saem ligeiramente melhor – em grande parte porque as emissões dos produtos são calculadas na fonte de manufatura e não no ponto de consumo – mas os autores do artigo dizem que suas ações estão aquém de suas promessas de dar um exemplo positivo.

O estudo provavelmente será controverso. Sob o acordo de Paris, não há um consenso de cima para baixo sobre o que é uma parcela justa de responsabilidade. Em vez disso, cada nação estabelece suas próprias metas de baixo para cima de acordo com vários fatores diferentes, incluindo vontade política, nível de industrialização, capacidade de pagamento, tamanho da população, responsabilidade histórica pelas emissões. Quase todos os governos, dizem os autores, selecionam uma interpretação da equidade que serve a seus próprios interesses e permite que eles obtenham um ganho relativo em outras nações. 

Para contornar esses conceitos diferentes de justiça, o jornal avalia cada nação pelos padrões menos rigorosos que eles mesmos definem e, em seguida, extrapola isso para o mundo. Ao fazê-lo, os autores dizem que podem “operacionalizar discordâncias”. 

Levando em conta as diferentes interpretações, eles dizem que o mundo precisa se comprometer com uma meta virtual de 1.4°C para atingir uma meta de 2°C. Eles esperam que sua métrica de patrimônio possa ser usada nas negociações climáticas da ONU no mês que vem, em Katowice, e em casos de litígio climático. 

Os autores disseram que o estudo poderia no futuro ser estendido para o nível subnacional, como estados individuais dos EUA. Eles também observam que alguns setores-chave estão atualmente omitidos, incluindo a mudança no uso da terra (que é fundamental em nações com rápido desmatamento, como Brasil, Argentina e Indonésia), transporte marítimo internacional e aviação.

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O Brasil está perdendo grandes extensões de florestas naturais para atividades como mineração, extração de madeira e agricultura. Foto: Carl de Souza / AFP / Getty Images

Embora o estudo ressalte a enorme lacuna entre a vontade política e o alarme científico, Robiou du Pont disse que isso deve inspirar e não desestimular as pessoas. “O resultado positivo deste estudo é que temos uma métrica para avaliar o aumento da ambição. A sociedade civil, especialistas e tomadores de decisão podem usar isso para responsabilizar seus governos e, possivelmente, realizar casos de litígio climático, como aconteceu recentemente na Holanda ”, disse ele.

“Esta métrica traduz a falta de ambição em escala global em escala nacional. Se olharmos para o objetivo de tentar evitar danos à Terra, então estou pessimista, pois isso já está acontecendo. Mas isso deve ser uma motivação para aumentar a ambição e evitar o aquecimento global o mais rápido possível. Cada fração de um grau terá um grande impacto ”.

Comentando sobre o estudo, outros acadêmicos disseram que ele poderia ser usado por qualquer um para mostrar como a ação climática pode ser navegada em um mundo em que cada país se classifica baseado no que eles consideram justo.

“Este documento fornece um meio para os países verificarem como sua contribuição pode ser percebida por outros países e, assim, julgar se eles são percebidos como líderes climáticos ou retardatários”, disse Joeri Rogelj, do Imperial College London.


Artigo publicado originalmente em inglês [1]

Combustíveis fósseis e aquecimento do clima da Terra: uma novidade há mais de 100 anos

Há toda uma sorte de céticos sobre os processos de mudança climática pelo qual passa a Terra neste momento que associam este fenômeno a algum tipo de conspiração que visa impingir crenças cientificamente infundadas sobre os humanos desejosos de continuar consumindo combustíveis fósseis como se nenhum problema houvesse.

Mas o fato é que as previsões científicas acerca da possível contribuição dos combustíveis fósseis na mudança do clima da Terra datam do final do século 19, inclusive alcançando publicações na mídia corporativa.

Achei no Twitter a imagem abaixo que mostra um artigo publicado no jornal neozelandês “The Rodney and Otamatea Times, Waitemata and Kaipara Gazette” que foi publicado no dia 14 de agosto de 1912 (exatamente 106 anos atrás).

previsão 106 anos

O artigo explica que “os fornos do mundo agora estão queimando cerca de 2.000.000.000 de toneladas de carvão por ano. Quando isso é queimado, unindo-se com oxigênio, ele adiciona cerca de 7.000.000.000 de toneladas de dióxido de carbono à atmosfera anualmente. Isso tende a tornar o ar um cobertor mais eficaz para a terra e elevar sua temperatura. O efeito pode ser considerável em alguns séculos.

O incrível é que 106 anos depois da publicação deste artigo ainda existe tanta gente sendo ludibriada pelas corporações do carvão e do petróleo que insistem na inexistência de provas científicas de que a queima de combustíveis fósseis esteja causando uma elevação nas temperaturas da Terra e disparando uma série de modificações no funcionamento climático do planeta.

Desta forma, mesmo com todas as incertezas que cercam os modelos científicos voltados para estimar os impactos advindos do aquecimento da atmosfera em função principalmente da emissão de gases oriundos da queima de combustíveis fósseis, questionamentos sem base científica devem ser solenemente ignorados, mesmo quando oriundos de setores minoritários da própria comunidade científica. 

Para maiores informações sobre a questão das mudanças prognosticadas pelo “”The Rodney and Otamatea Times, Waitemata and Kaipara Gazette” há 106 anos atrás, sugiro acessar o site do Intergovermental Panel on Climate Change [Aqui!]

 

Greve dos caminhoneiros cortou 50% da poluição atmosférica em São Paulo

Nenhum texto alternativo automático disponível.

Hoje o Direto da Ciência do competente jornalista Maurício Tuffani traz uma informação para lá de interessante: a greve dos caminhoneiros serviu para cortar em 50% os níveis de poluição atmosférica na cidade de São Paulo [1]

direto da ciencia 1

Esse é um outro aspecto que, querendo ou não, os caminhoneiros acabaram expondo com seu exitoso movimento paredista. É que apesar de se saber que o material particulado e gases expelidos pela queima do diesel impactam a qualidade do ar, o que estamos vendo agora são medidas objetivas de quanto este impacto se trata, e ele é considerável.

O que fica claro é que a diminuição da importância do transporte rodoviária não será bom apenas para a diminuição do peso dos combustíveis fósseis na matriz energética brasileira.  É que com menos consumo de combustíveis fósseis ainda teremos um ganho significativo na qualidade do ar das nossas cidades e, por extensão, na saúde dos seus habitantes.

Lamentavelmente os últimos dias em que vimos inúmeros casos de violência entre consumidores em postos de gasolina são uma demonstração de que o Brasil ainda terá que evoluir muito até que possamos ter o grau de consciência que já existe em nações mais desenvolvidas e que, coincidentemente, estão diminuindo o seu consumo de combustíveis fósseis e os substituindo por matrizes energéticas mais limpas e menos impactantes sobre o clima da Terra, dos ecossistemas naturais e seres humanos que deles dependem para sua sobrevivência.


[1] http://www.diretodaciencia.com/2018/05/30/boletim-de-noticias-greve-de-caminhoes-reduziu-poluicao-a-metade-em-sao-paulo/