Reino Unido obrigará empresas a rastrear desmatamento no exterior

Importadores terão que comprovar que seguem legislação dos países de origem de produtos como carne e soja

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O governo britânico planeja introduzir uma nova lei para exigir que as empresas assegurem que todos os alimentos e insumos por elas importados não contribuam para o desmatamento. A lei visa combater a “pegada de desmatamento” – a perda de florestas tropicais associada à produção de commodities como soja, óleo de palma, carne de vaca, cacau, polpa e papel, principalmente importados de países da América Latina, da África e do Sudeste Asiático.

É a primeira vez na legislação britânica que se atribui às empresas a responsabilidade de saber de onde vêm estas commodities e que assegurem o cumprimento da lei dos seus países de origem. O governo do Reino Unido informou que as empresas serão multadas se não cumprirem a obrigação. A França adotou uma lei semelhante em 2017.

O anúncio vem com a crescente preocupação dos consumidores quanto aos alimentos que compram poderem contribuir para o desmatamento da Amazônia e de outras florestas tropicais. Em uma recente sondagem do YouGov, 55% dos entrevistados disseram que considerariam não comprar carne ligada ao desmatamento. A maior rede de supermercado do Reino Unido, a Tesco, também apelou por esta lei há algumas semanas e faz parte de um grupo de investidores, empresas de bens de consumo e retalhistas que participaram recentemente na Iniciativa Global de Recursos, um fórum multilateral sobre desmatamento que apelou, entre outras coisas, à criação de uma obrigação de “due diligence” no Reino Unido.

As empresas que fazem parte do comércio multi-bilionário de produtos como soja, carne bovina e óleo de palma esperam que, ao estabelecer requisitos e normas legais mínimas, o Governo as ajude a escapar aos apelos à proibição total ou ao boicote destes produtos; e que a nova lei reduza a contínua escalada de críticas que enfrentam por parte dos consumidores britânicos, cada vez mais inquietos quanto às suas compras semanais estarem relacionadas com a destruição das florestas tropicais.

O atual governo brasileiro tem estado sob fogo de investidores internacionais, empresas e governos, bem como de empresas brasileiras, devido à redução das proteções ambientais e ao aumento das taxas de desmatamento. Em maio, supermercados e empresas como Burger King, ameaçaram boicotes commodities brasileiras por conta do famigerado PL 2.633, de regularização fundiária. A Tesco não compra carne de vaca, frango e porco do Brasil por causa das preocupações com o desmatamento e é possível que a nova lei possa levar outras empresas a seguirem o exemplo.

Os legisladores britânicos propõem que a medida seja introduzida na próxima Lei do Ambiente, que deverá regressar ao Parlamento em Londres em Setembro.

Crise no horizonte: Brasil dependente da exportação de commodities vê seu saldo comercial despencar

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As reformas ultraneoliberais implementadas ao longo de 2019 pelo dublê de ministro da Fazenda e banqueiro, Paulo Guedes, prometiam permitir a retomada do crescimento da economia brasileira.  Entretanto, os números da balança comercial mostram que as promessas dos benefícios em troca de mais sacrifício dos brasileiros não saíram do papel (ver figura abaixo).

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O mais preocupante é que dos 11 principais produtos de exportação, 10 deles foram commodities agrícolas e minerais, o que evidencia a fragilidade da posição brasileira em um economia globalizada que é comandada por um portfólio que vai na direção da alta tecnologia com produtos com alto valor agregado.

Com a crise militar instalada no Oriente Médio pelo assassinato do general iraniano Qasem Soleimani a possibilidade é que diminua o apetite pelas commodities que impediram o Brasil de ter déficit no lugar de superávit em 2019.  Em outras palavras, as perspectivas econômicas para a economia brasileira são ainda piores em 2020 do que foram no ano que acaba de se encerrar.

Com isso é bem provável que o Brasil passe pelas mesmas fortes turbulências que sacudiram diversos países sul americanos em 2019. E, pior, com um governo que não consegue apontar nenhum caminho de construção de alternativas, visto que se apoia em uma proposta de destruição do Estado nacional e de um forte alinhamento com a economia e com a ação intervencionista dos EUA. 

Brasil envenenado por agrotóxicos: dominância chinesa na produção e alta proibição na União Europeia

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Finalmente tive a chance de consolidar a base de dados que criei para acompanhar e caracterizar os agrotóxicos liberados pelo governo Bolsonaro para serem comercializados no Brasil ao longo de 2019. Até segunda ordem, o total de agrotóxicos liberados em 2019 atingiu o valor estratosférico de 467, e não 439 como muitas fontes alardeiam.

Dentro de uma análise ainda básica, duas características dos agrotóxicos liberados pelo Ministério da Agricultura, sob o comando lépido e faceiro da ministra Tereza Cristina (DEM/MS), quais sejam, a dominância das importações de produtos produzidos na China, ainda que a constelação de países estrangeiras aportando agrotóxicos no Brasil seja composta por 18 países. Entretanto, as empresas sediadas na República Popular da China representam incríveis 67% dos produtos autorizados pelo governo Bolsonaro (ver figura abaixo).

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Outro detalhe igualmente saliente das aprovações realizadas pelo Ministério da Agricultura é o fato de que 30% dos produtos liberados estão proibidos na União Europeia (ver figura abaixo).

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Ainda que isso seja apenas uma sinalização de que estamos consumindo produtos que já não podem ser vendidos em mercados mais exigentes com a saúde humana e ambiental, o fato é que o Brasil está aceitando utilizar vários produtos que foram retirados dos mercados internacionais por terem associados a diversas doenças sérias, incluindo diversos tipos de câncer. Além disso, várias das substâncias que agora estão sendo comercializadas legalmente no Brasil também já foram proibidas internacionalmente por causarem danos graves ao meio ambiente.

Quem acessar a base completa e estudar alguns dos seus elementos mais salientes, tais como a função das substâncias aprovadas, o status na União Europeia, os graus de toxicidade humana e ambiental, bem como o tipo de substância aprovada, notará coisas curiosas.  Uma delas é que determinadas substâncias combinam mais de um princípio ativo que dotam os produtos em que eles resultam em mais de função. Além disso, existem agrotóxicos que contêm princípios ativos permitidos e proibidos pela União Europeia.  Tudo isso tende a desmentir que se está aumentando o nível de segurança dos agrotóxicos, e, quando muito, o que se faz é baratear o custo desses insumos que é relativamente alto, mesmo para os grandes latifundiários na exportação de commodities.

O número altíssimo de autorizações de “produtos técnicos” ou “produtos técnicos clones” indica que as aprovações realizadas ao longo de 2019 também podem ter aumentado o número de agrotóxicos disponíveis no mercado brasileiro para muito além dos aprovados, visto que esses produtos técnicos geram um número maior de produtos prontos para consumo. Em outras palavras, a onda tóxica que foi gerada por essas aprovações pode ser bem maior do que está se estipulando quando se considera apenas o número de aprovações.

A minha expectativa é que, lamentavelmente, a onda de venenos autorizados pelo governo Bolsonaro ainda está longe de terminar e que teremos uma repetição do que vimos em 2019 no próximo ano. E sabe-se lá quais produtos indesejados por mercados mais exigentes a segurança serão trazidos para o Brasil para continuar alavancando o nível de lucro das corporações produtoras de venenos agrícolas, a começar pelas sediadas na China.

Quem desejar acessar a base completa com os 467 agrotóxicos liberados pelo governo Bolsonaro em 2019, basta clicar Aqui!

 

Em Bonn, indígenas pedem boicote a commodities brasileiras

Organizações recomendarão a europeus que não comprem produtos vindos de áreas de conflito fundiário

guajajara bonnSônia Guajajara fala em Bonn- Foto: Cláudio Angelo/OC

DO OC, EM BONN 

Indígenas brasileiros pedirão à Comissão Europeia e a investidores que boicotem commodities brasileiras produzidas em áreas de conflito fundiário, como terras indígenas invadidas. O recado foi dado nesta sexta-feira (21) em Bonn pela líder indígena Sônia Bone Guajajara.

A coordenadora da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) deu uma entrevista coletiva nesta manhã ao fim da primeira semana de negociações técnicas preparatórias para a COP25, a conferência do clima do Chile.

Os indígenas visitarão empresas consumidoras de produtos agrícolas brasileiros em cinco países e farão reuniões no Parlamento Europeu. “Vamos exigir o respeito a direitos ambientais e direitos humanos e conscientizar as pessoas sobre de onde vêm os produtos”, afirmou Bone.

As visitas são parte de uma estratégia de incidência econômica reforçada neste ano depois de o governo Bolsonaro ter cortado todos os canais de diálogo com os indígenas, fatiado a Funai e entregue a demarcação de terras para a banda podre do ruralismo – o que ele fez de novo nesta semana.

A Apib foi co-signatária da carta de 107 cientistas europeus em abril pedindo à União Europeia que condicionasse qualquer acordo comercial com o Mercosul ao cumprimento de uma série de salvaguardas socioambientais. No mês seguinte, o advogado da Apib Luiz Henrique Eloy, do povo terena, sentou-se na assembleia de acionistas da BlackRock, a maior gestora de investimentos do mundo, para pedir boicote a commodities produzidas em terra indígena.

Um relatório lançado pelos indígenas em abril mostrou que dezenas de empresas estrangeiras, entre bancos, madeireiras e fabricantes de acessórios, financiaram a devastação da Amazônia ou compraram produtos de propriedades multadas pelo Ibama por desmatamento ilegal, inclusive em terra indígena.

Somente quando incidirmos sobre a economia o governo vai começar a se preocupar”, disse Sônia Guajajara.

Ela também criticou duramente as políticas socioambientais de Bolsonaro, em especial a nova Medida Provisória que altera a competência sobre demarcação de terras indígenas e – mais uma vez – a põe nas mãos do Ministério da Agricultura.

“Bolsonaro se coloca contra a Constituição Federal e o Congresso, porque ignorou a regra que proíbe a reedição de uma Medida Provisória com o mesmo objeto [após derrota de uma MP no Congresso, o que foi o caso com a das terras indígenas]. “Por mais que ele diga que não é um ditador, as atitudes estão mostrando isso.”

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Este artigo foi originalmente publicado pelo Observatório do Clima [Aqui!].

Governo Bolsonaro sucateia o MMA e coloca políticas ambientais em xeque

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Antiministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles executa projeto de desmanche das políticas de Meio Ambiente, enquanto coloca Brasil na rota de punições no comércio internacional.

Duas matérias (uma publicada pela “Deutsche Welle” e outra pelo site “The Intercept“) mostram que o governo Bolsonaro, sob a batuta do ainda ministro (ou seria antiministro?) Ricardo Salles, vem operando uma série de ações para paralisar as ações de monitoramento, aplicação de leis ambientais contra desmatadores, e de engajamento do Brasil em ações de adaptação às mudanças climáticas. Na prática, o governo Bolsonaro e seu antiministro do Meio Ambiente age para sucatear o Ministério do Meio Ambiente (MMA) ao ponto de inviabilizar a atuação de seus principais órgãos, o IBAMA e o ICMBio.

Um exemplo bizarro dado pelo “The Intercept” tem a ver com a quantidade de madeira ilegalmente extraída e apreendida por fiscais do IBAMA que passou de 25.000 metros cúbicos em 2018 para inexpressivos 40 metros cúbicos nos primeiros 4 meses de 2019. Como já existem evidências mostrando que o desmatamento aumentou na Amazônia, há algo de fundamentalmente errado acontecendo com o processo de fiscalização, e a matéria do “The Intercept” mostra que o arauto da impunidade é obviamente Ricardo Salles.

Já a matéria da “Deutsche Welle” mostra que sob o comando de Ricardo Salles,  as políticas de combate às mudanças climáticas tiveram um corte de 95% de seus recursos bloqueados. Dos R$ 11,8 milhões antes previstos para o programa, que tem como um de seus objetivos reduzir emissões, restaram menos de R$ 600 mil. Com isso, além de paralisar uma série de projetos e inviabilizar o necessário processo de ajuste às mudanças climáticas (que objetivamente Ricardo Salles nega existirem) está colocando em risco o aporte de verbas internacionais que viriam na forma de contrapartidas aos investimentos brasileiros nessa área.   A “Deutsche Welle” mostra que só com a Alemanha há o risco de uma perda de 5 milhões de euros apenas em um programa, o Adapta.

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Paralisação da fiscalização ambiental está contribuindo para aumento drástico do desmatamento e emissões de CO2 a partir da Amazônia.

A resposta de Ricardo Salles às críticas, incluindo as vindas de uma reunião realizada por ex-ministros do Meio Ambiente, é de fazer cara de paisagem como se não estivesse fazendo nada de errado. Aliás, a partir de algumas declarações de Salles, errados estão os que apontam para o evidente processo de precarização do MMA e do aumento dos crimes ambientais em todo o território brasileiro.

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Ex ministros do Meio Ambiente se reunem para denunciar desmonte da governança ambiental no Brasil. (foto: Nelson Almeida/AFP)

Uma coisa que Salles e seus patrocinadores parecem esquecer é que o resto do mundo não é tão desinformado sobre o que está acontecendo no Brasil como eles gostariam que fosse. A carta assinada por 602 pesquisadores na revista Science cobrando uma atitude pró-ativa da União Europeia sobre o desmantelamento da governança ambiental foi apenas uma pequena sinalização do que está sendo preparado para isolar o Brasil e impor fortes restrições à compra de nossas commodities.

Como o Brasil está cada vez mais dependente do seu setor primário para gerar reservas de moedas fortes, o governo Bolsonaro deverá ser chamado às falas sobre o que está permitindo, e até incentivando, que ocorra em termos de desmatamento e degradação ambiental na Amazônia.  O problema é que com o ministério das Relações Exteriores nas mãos de Ernesto Araújo, os sinais que já estão sendo emitidos fora do Brasil estão sendo solenemente ignorados, o que cedo ou tarde nos colocará diante de barreiras comerciais que não serão resolvidas facilmente. O pano de fundo disso será o aprofundamento da recessão econômica e do desemprego. Nada muito animador para um país que hoje já apresenta níveis quase intoleráveis de desemprego e de estagnação econômica.

Quem acompanha este blog poderá até achar que estou sendo chato e repetitivo em minhas análises sobre as repercussões que ainda virão por causa da quebra da governança ambiental e do retorno a um conjunto de práticas que retrocedem o Brasil a pelo menos os anos de 1970. Entretanto, quando o pior se confirmar, pelo menos os leitores deste blog não poderão se dizer surpresos.  É que o que está sendo feito por Ricardo Salles no MMA terá repercussões, duras repercussões sobre o Brasil.  E quando isto acontecer ele não terá outro remédio a não se retornar à sua insignificância.  

Grande parte das emissões por desmatamento estão embutidas em commodities agrícolas consumidas na China e na Europa

Segundo artigo publicado recentemente no jornal científico Global Environmental Change, do total das emissões de CO2 relacionadas ao desmatamento em florestas tropicais entre 2010 e 2014, de 29% a 39% estão vinculadas a commodities exportadas, principalmente gado e produtos oleaginosos como soja e óleo de palma.

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Por Caspar Trimmer e Cristiane Fontes para a Trase em Português

A produção agrícola é a principal causa do desmatamento em florestas tropicais e a segunda maior fonte de emissões de gases de efeito estufa, como demonstram vários estudos publicados nos últimos anos. Cerca de 80% da perda de florestas é impulsionada pela expansão de pastagens e terras cultiváveis, e aproximadamente 15% das emissões estão vinculadas apenas à pecuária, segundo relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).

Um novo estudo revela que uma grande parte dessas emissões está embutida em commodities agrícolas e florestais exportadas, principalmente óleo de palma, soja, gado (carne bovina e couro) e produtos de madeira (incluindo papel).

Publicada na edição de maio de 2019 do Global Environmental Change e disponível on-line, a pesquisa mostra que mais da metade das 2,6 Gt de CO2 das emissões líquidas emitidas anualmente por desmatamento entre 2010 e 2014 está vinculada à pecuária e produtos oleaginosos, principalmente soja e óleo de palma. O artigo descobriu ainda que de 29% a 39% dessas emissões de CO2 estão vinculadas ao comércio internacional de commodities agrícolas, dependendo do modelo adotado.

Javier Godar, pesquisador sênior do Instituto Ambiental de Estocolmo (SEI, em inglês) e co-fundador da Trase, é um dos autores do artigo. O trabalho, que tem como autores principais Florence Pendrill e Martin Persson, da Chalmers University, foi elaborado em colaboração com pesquisadores do Centro de Pesquisas de Biodiversidade e Clima Senckenberg, na Alemanha, e da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia.

De acordo com Godar, o estudo é um passo importante para entender o papel do comércio internacional de commodities agrícolas nas emissões globais, porque pela primeira vez todos os países tropicais foram analisados e calculados não apenas as emissões para os fluxos diretos, mas também o consumo de produtos mais complexos em que as commodities agrícolas estão embutidas.

“O resultado mais surpreendente está relacionado ao fato de que as emissões por desmatamento embutidas nas commodities agrícolas exportadas rivalizam com as emissões da produção agrícola e pecuária dos países importadores. Isso ressalta a necessidade de incluir as emissões extraterritoriais na contabilidade nacional e do apoio e financiamento por parte dos países consumidores a políticas de combate ao desmatamento e práticas agrícolas mais sustentáveis nos países produtores”, afirma o pesquisador.

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O documento também mostra uma grande variação entre países e commodities vinculadas às emissões por desmatamento. Por exemplo, a América Latina exporta 23%-34% de suas emissões em suas commodities agrícolas e florestais. Destes, 71–89% estão em oleaginosas e 11–21% em carne de gado. A região da Ásia-Pacífico exporta uma parcela maior de suas emissões (44–49%) e a África, uma parcela menor (9–32%).

Em todo o mundo, as exportações de produtos oleaginosos respondem por 62–76% das emissões relacionadas ao desmatamento, principalmente provenientes da Ásia-Pacífico e da América Latina para a Europa, China e Oriente Médio.

O mesmo vale para outras culturas de alto valor, como cacau, café, chá e especiarias, com 68–75% das emissões exportadas.

 

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Resumo das emissões embutidas na produção para grupos de commodity por região

Do produtor para o consumidor

A Europa e a China são os principais importadores de gado e produtos oleaginosos advindos de florestas tropicais. Para muitos países desenvolvidos, as emissões por desmatamento embutidas nas importações rivalizam ou excedem as emissões da agricultura doméstica. O desmatamento foi responsável por cerca de um sexto da pegada de carbono de uma dieta padrão na União Europeia (UE), por exemplo.

Os resultados do estudo podem ainda orientar políticas de mitigação aos impactos das mudanças climáticas.

Além de reforçar que os esforços para reduzir o desmatamento tropical devem se concentrar em um punhado de commodities e de relações comerciais, os autores sugerem que impostos em produtos alimentícios exportados poderiam ajudar a lidar com as pegadas de carbono por desmatamento de alguns produtos agrícolas e florestais.

“Se você der suporte aos países tropicais em seu trabalho para proteger a floresta tropical, e der aos agricultores alternativas ao desmatamento para aumentar a produção, isso pode ter um grande impacto”, acrescenta a autora principal, Florence Pendrill.

No entanto, os autores enfatizam que as intervenções nos países produtores são essenciais, pois a demanda doméstica ainda é responsável por mais da metade das emissões relacionadas ao desmatamento.

O estudo foi parcialmente financiado pelo PRINCE, projeto que explorou novos indicadores ambientais relevantes para a política de consumo da Suécia.

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Este artigo foi originalmente publicado pela Trase em Português [Aqui!]

Quanto tempo mais para começar o banimento das commodities agrícolas brasileiras?

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Desmatamento explosivo e uso intensivo de agrotóxicos banidos aumentam pressão sobre parceiros comerciais para que parem de comprar commodities agrícolas brasileiras.

Um das razões pelas quais foi fácil anunciar no início de janeiro, exatos 11 dias após o início do governo, que a ciência brasileira passaria por tempos difíceis nas mãos do governo de Jair Bolsonaro é que seria inevitável a ocorrência de um choque entre a visão messiânica que guia boa parte dos ministros e as evidências que os cientistas possuem em variadas áreas do conhecimentos, especialmente no tocante às consequências socioambientais do desmatamento e do uso intensivo de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos.

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Desmatamento ilegal no sul do estado do Amazonas, em 2017

O que se vê agora é uma combinação entre um arremedo de guerra cultural contra as ciências ditas humanas, asfixia financeira generalizada, e um esforço concentrado para sumir com o conhecimento acumulado nas áreas que examinam o avanço do latifúndio agroexportador sobre os biomas nacionais, a começar pela Amazônia e pelo Cerrado. Tenho inclusive certeza de que a guerra cultural pode estar até começando pela tentativa de impor um sufocamento de filósofos e sociólogos, mas tenderá a rapidamente a alcançar aqueles segmentos da ciência que se dedicam a assuntos de natureza aparentemente mais técnica, como dos estudos dos agrotóxicos e do sensoriamento remoto (especialmente para aqueles que estudam a dinâmica da mudança na cobertura florestal na Amazônia).

Entretanto,  a recente publicação de uma carta da revista Science assinada por 602 pesquisadores que atuam na Europa exigindo que a União Europeia condicione a continuidade da compra de commodities brasileiras a um compromisso do governo Bolsonaro às boas práticas ambientais e ao respeito aos direitos dos povos indígenas mostra que os problemas para controlar e subordinar os cientistas brasileiros encontrará barreiras e oponentes fora de nossas fronteiras.

Em relação à carta/manifesto publicada na Science, notei a ausência da questão da contaminação das commodities brasileiras por resíduos de uma quantidade significativa do batalhão de agrotóxicos usados nas grandes monoculturas de exportação, tais como soja, milho e café.  A ausência dessa referência certamente se deu por uma escolha do que deveria ser o centro do argumento orientador desse documento histórico.  Entretanto, não me surpreenderei nenhum pouco se em um futuro não distante, tivermos uma carta específica sobre o fato que hoje os países da União Europeia estão importando produtos agrícolas brasileiras contendo resíduos de agrotóxicos muito acima do que é tolerado por aquele bloco econômico.

A verdade é que o Brasil não está apenas exportando “desmatamento” para a União Europeia, mas também “água invisível” e, pior, resíduos de agrotóxicos. Quando esta trinca for colocada junta não apenas por cientistas preocupados, mas principalmente pelos consumidores europeus, certamente haverá uma decisão da União Europeia para exigir que o Brasil volte a adotar as melhores práticas já existentes para equilibrar a atividade econômica com esforços de sustentabilidade socioambiental.

É que confrontados com o fato de que o Brasil está cada vez mais autorizando o uso de agrotóxicos banidos em seus próprios limites territoriais, a União Europeia não terá outra alternativa a não ser puxar o freio de mão na compra de commodities brasileiras. Mesmo porque hoje já existem fortes reclamações dos agricultores europeus sobre o descompasso entre as regras que precisam seguir para diminuir as taxas de resíduos de agrotóxicos em sua produção e a aceitação de commodities que levam para a Europa produtos já banidos para eles mesmos (um caso é o do inseticida organofosforado Acefato).

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Café produzido no Brasil utiliza 121 agrotóxicos, 30 deles banidos pela União Europeia.

E que ninguém se iluda que a exigência de bons modos não resultará de nenhuma forma de grande consciência ambiental, pois daqui e de outros países da periferia do capitalismo é que saem as gordas margens de lucro que sustentam praticas menos danosas ao ambiente nos países desenvolvidos. A pressão virá porque estaremos exportando problemas acima do que é tolerável pela União Europeia.  

Não custa lembrar que até a Rússia já alertou o governo Bolsonaro sobre o fato de que vai parar de comprar soja brasileira se não for diminuída a contaminação pelo herbicida Glifosato. E é como eu tenho dito, se a Rússia já sinalizou isso, outros parceiros comerciais irão seguir igual rumo, e não apenas com a soja.

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Dentro desse quadro é que muito provavelmente veremos consequências concretas não apenas da carta dos 602 pesquisadores europeus, mas também do alerta da Rússia que parece ter caído em ouvidos moucos no governo Bolsonaro.  E quando o banimento vier, que não se tente sequer culpar a comunidade científica brasileira.  É que não se deve culpar quem alerta para as consequências de ações que hoje não são mais toleráveis, mesmo em plena vigência e hegemonia do sistema capitalista.

Jair Bolsonaro, o presidente do tiro no pé

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Ao observar as manifestações que se realizaram ontem para repudiar o golpe de estado que ocorreu efetivamente no dia 01 de abril de 1964 (irônico, não?), fiquei com uma certeza ainda maior de que o presidente Jair Bolsonaro e seu entorno imediato (seus três filhos e mais um punhado de militares reformados) deu mais um tiro no pé ao convocar as forças armadas a realizar celebrações pró-golpe. 

É que, convenhamos, os partidos de oposição (ou que se dizem de oposição pelo menos) certamente iriam deixar o aniversário de 55 anos passar em branco, e pouca coisa seria feita para mobilizar segmentos populares que hoje já entenderam a gravidade das medidas econômicas que o governo Bolsonaro tem na manga para tornar o Brasil um misto de paraíso do capital financeiro e uma fronteira de exploração de recursos minerais e de commodities agrícolas.

Ao anunciar e demandar as celebrações por parte das forças armadas, o que o presidente Jair Bolsonaro foi soprar uma ventania em brasas adormecidas. E, pior, fez isso e partiu para uma viagem a Israel que tem tudo para inviabilizar exportações das mesmas commodities que fazem parte do plano estratégico do ministro Paulo Guedes e seus “Chicago boys“.  Em outras palavras, o presidente fez como aquele menino do playground que provoca uma briga e vai viajar para não participar dela.

Há quem diga que os pobres que votaram e ajudaram a colocar Jair Bolsonaro na presidência merecem tudo o de ruim que está acontecendo com o Brasil. Eu discordo disso. Quem merece sofrer duras consequências por se envolver em uma aventura eleitoral são as elites brasileiras que turbinaram uma campanha que não passaria, com ou sem facada, de 20% dos votos válidos. A maioria pobre da nossa população não merece o retrocesso que já está posto e que deverá ser aprofundado com a aplicação das várias contrarreformas que o governo Bolsonaro pretende executar para tornar o Brasil ainda mais atraente para os especuladores financeiros mundiais. 

Por outro lado, quem caminha pelas ruas de cidades médias e grandes em diferentes partes do território nacional tem dificuldades cada vez maiores de não pisar naqueles cidadãos cujos meios de vida já foram destruídos por pelo menos quatro anos de grave crise econômica. Apesar de haver pouca ou nenhuma estatística sobre o número de brasileiros que hoje estão vivendo nas ruas, o certo é que cedo ou tarde vamos desembocar em uma revolta social que poucas vezes se viu na história brasileira.

E quando isso acontecer, e vai acontecer, ficará ainda mais explícito que todas as ações estapafúrdias realizadas por Jair Bolsonaro e seus ministros tresloucados (ou que se fingem ser) terão representados um imenso tiro no pé dos que queriam retirar os poucos direitos e pequenas concessões que a luta dos trabalhadores logrou arrancar com lágrimas, suor e sangue das elites que colocaram Jair Bolsonaro no poder.

Relatório do Banco Mundial aponta para aumento do preço das commodities

Silhouette of crude oil pump in the oilfield at sunset. Photo: P.V.R.Murty/Shutterstock

O Banco Mundial publicou na última 3a. feira um relatório intitulado “Commodity Markets Outlook. Oil exporters: policies and challenges” acerca da variação dos preços das principais commodities agrícolas e minerais que mostram um aumento de preços acima do esperado para 2018 [1]. 

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As razões para essa elevação dos preços se deve basicamente a uma combinação clássica entre aumento de demanda e diminuição da oferta. No caso do petróleo a estimativa do Banco Mundial é que o preço médio do barril do petróleo gire em torno de 65 dólares ao longo deste ano, devido principalmente à restrições na produção de óleo originada de “fracking” nos EUA e à restrições impostas pelos países produtores de petróleo, sejam eles ligadas à OPEC ou não.

No caso das commodities agrícolas, a elevação de preços seria devida à diminuição da área plantada e não à ação de fenômenos climáticos como o da La Ninã. O relatório antecipa que possíveis reações da China às punições tarifárias impostas pelo governo Trump poderão elevar o preço da soja.

Antes que muita gente se anime com as novidades trazidas pelo Banco Mundial, o relatório traz a informação de que no caso de 4/5 das commodities analisadas o aumento de preços que ocorrerá em 2018 continuará distante dos valores que eram praticados em 2011 quando houve a queda abrupta que acabou gerando o atual ciclo de crise nos países e áreas produtoras de commodities.

Quem desejar acessar o relatório completo, basta clicar [Aqui!].

Artigo analisa papel da especulação financeira nos preços do minério de ferro

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O professor e pesquisador da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Bruno Milanez publicou o artigo “Boom ou bolha? A influência do mercado financeiro sobre o preço do minério de ferro no período 2000-2016″, onde ele avalia o impacto do setor financeiro no comportamento dos preços das commodities metálicas, com foco no minério de ferro. Esta análise se mostra particularmente relevante para a economia do Brasil, uma vez que a balança comercial brasileira se encontra estruturalmente dependente do minério de ferro, sendo consideravelmente vulnerável à volatilidade do seu preço.

Uma primeira análise apresentada no artiigo se refere ao debate existente sobre a relevância do setor financeiro sobre o mercado físico de commodities. Em seguida, é analisado o papel dos diferentes grupos de operadores do mercado financeiro no controle dos preços do minerio de ferro. Posteriormente, é feita uma descrição dos ciclos longos de preço das commodities e uma análise mais detalhada do último ciclo de boom e pós-boom do minério de ferro.

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Segundo o que o artigo aponta, o aumento da demanda global por minério de ferro não parecer ter causado nem escassez nem excesso significativos do produto no mercado físico que justificassem a variação de preço identificada.  A causa desse ciclo de elevação e queda do preço do minério de ferro no passado recente seria consequência de uma relação de causalidade de mão-dupla entre preço e especulação, segundo o qual a expectativa de preços mais elevados induziria à especulação que, por sua vez, puxaria os preços ainda mais para cima.

Quem desejar baixar e ler este artigo, basta clicar Aqui!