Jair Bolsonaro, o presidente do tiro no pé

tiro no pé

Ao observar as manifestações que se realizaram ontem para repudiar o golpe de estado que ocorreu efetivamente no dia 01 de abril de 1964 (irônico, não?), fiquei com uma certeza ainda maior de que o presidente Jair Bolsonaro e seu entorno imediato (seus três filhos e mais um punhado de militares reformados) deu mais um tiro no pé ao convocar as forças armadas a realizar celebrações pró-golpe. 

É que, convenhamos, os partidos de oposição (ou que se dizem de oposição pelo menos) certamente iriam deixar o aniversário de 55 anos passar em branco, e pouca coisa seria feita para mobilizar segmentos populares que hoje já entenderam a gravidade das medidas econômicas que o governo Bolsonaro tem na manga para tornar o Brasil um misto de paraíso do capital financeiro e uma fronteira de exploração de recursos minerais e de commodities agrícolas.

Ao anunciar e demandar as celebrações por parte das forças armadas, o que o presidente Jair Bolsonaro foi soprar uma ventania em brasas adormecidas. E, pior, fez isso e partiu para uma viagem a Israel que tem tudo para inviabilizar exportações das mesmas commodities que fazem parte do plano estratégico do ministro Paulo Guedes e seus “Chicago boys“.  Em outras palavras, o presidente fez como aquele menino do playground que provoca uma briga e vai viajar para não participar dela.

Há quem diga que os pobres que votaram e ajudaram a colocar Jair Bolsonaro na presidência merecem tudo o de ruim que está acontecendo com o Brasil. Eu discordo disso. Quem merece sofrer duras consequências por se envolver em uma aventura eleitoral são as elites brasileiras que turbinaram uma campanha que não passaria, com ou sem facada, de 20% dos votos válidos. A maioria pobre da nossa população não merece o retrocesso que já está posto e que deverá ser aprofundado com a aplicação das várias contrarreformas que o governo Bolsonaro pretende executar para tornar o Brasil ainda mais atraente para os especuladores financeiros mundiais. 

Por outro lado, quem caminha pelas ruas de cidades médias e grandes em diferentes partes do território nacional tem dificuldades cada vez maiores de não pisar naqueles cidadãos cujos meios de vida já foram destruídos por pelo menos quatro anos de grave crise econômica. Apesar de haver pouca ou nenhuma estatística sobre o número de brasileiros que hoje estão vivendo nas ruas, o certo é que cedo ou tarde vamos desembocar em uma revolta social que poucas vezes se viu na história brasileira.

E quando isso acontecer, e vai acontecer, ficará ainda mais explícito que todas as ações estapafúrdias realizadas por Jair Bolsonaro e seus ministros tresloucados (ou que se fingem ser) terão representados um imenso tiro no pé dos que queriam retirar os poucos direitos e pequenas concessões que a luta dos trabalhadores logrou arrancar com lágrimas, suor e sangue das elites que colocaram Jair Bolsonaro no poder.

Relatório do Banco Mundial aponta para aumento do preço das commodities

Silhouette of crude oil pump in the oilfield at sunset. Photo: P.V.R.Murty/Shutterstock

O Banco Mundial publicou na última 3a. feira um relatório intitulado “Commodity Markets Outlook. Oil exporters: policies and challenges” acerca da variação dos preços das principais commodities agrícolas e minerais que mostram um aumento de preços acima do esperado para 2018 [1]. 

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As razões para essa elevação dos preços se deve basicamente a uma combinação clássica entre aumento de demanda e diminuição da oferta. No caso do petróleo a estimativa do Banco Mundial é que o preço médio do barril do petróleo gire em torno de 65 dólares ao longo deste ano, devido principalmente à restrições na produção de óleo originada de “fracking” nos EUA e à restrições impostas pelos países produtores de petróleo, sejam eles ligadas à OPEC ou não.

No caso das commodities agrícolas, a elevação de preços seria devida à diminuição da área plantada e não à ação de fenômenos climáticos como o da La Ninã. O relatório antecipa que possíveis reações da China às punições tarifárias impostas pelo governo Trump poderão elevar o preço da soja.

Antes que muita gente se anime com as novidades trazidas pelo Banco Mundial, o relatório traz a informação de que no caso de 4/5 das commodities analisadas o aumento de preços que ocorrerá em 2018 continuará distante dos valores que eram praticados em 2011 quando houve a queda abrupta que acabou gerando o atual ciclo de crise nos países e áreas produtoras de commodities.

Quem desejar acessar o relatório completo, basta clicar [Aqui!].

Artigo analisa papel da especulação financeira nos preços do minério de ferro

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O professor e pesquisador da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Bruno Milanez publicou o artigo “Boom ou bolha? A influência do mercado financeiro sobre o preço do minério de ferro no período 2000-2016″, onde ele avalia o impacto do setor financeiro no comportamento dos preços das commodities metálicas, com foco no minério de ferro. Esta análise se mostra particularmente relevante para a economia do Brasil, uma vez que a balança comercial brasileira se encontra estruturalmente dependente do minério de ferro, sendo consideravelmente vulnerável à volatilidade do seu preço.

Uma primeira análise apresentada no artiigo se refere ao debate existente sobre a relevância do setor financeiro sobre o mercado físico de commodities. Em seguida, é analisado o papel dos diferentes grupos de operadores do mercado financeiro no controle dos preços do minerio de ferro. Posteriormente, é feita uma descrição dos ciclos longos de preço das commodities e uma análise mais detalhada do último ciclo de boom e pós-boom do minério de ferro.

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Segundo o que o artigo aponta, o aumento da demanda global por minério de ferro não parecer ter causado nem escassez nem excesso significativos do produto no mercado físico que justificassem a variação de preço identificada.  A causa desse ciclo de elevação e queda do preço do minério de ferro no passado recente seria consequência de uma relação de causalidade de mão-dupla entre preço e especulação, segundo o qual a expectativa de preços mais elevados induziria à especulação que, por sua vez, puxaria os preços ainda mais para cima.

Quem desejar baixar e ler este artigo, basta clicar Aqui!

Para quem pensa que haverá recuperação econômica rápida, melhor olhar para a China!

Ontem (09/050, a agência chinesa de notícias. Xinhua, publicou uma matéria (Aqui!) que sinaliza que a crise econômica brasileira ainda pode piorar (ver imagem abaixo), e a explicação para isso está no título: exportações sobem, importações caem.

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E a razão para isto é simples: com o Brasil cada vez mais dependente da exportação de commodities agrícolas e minerais, a retração do apetite chinês por minérios e produtos agrícolas representará uma perda significativa de divisas para uma economia que hoje claramente agoniza.

Mas não chegamos a esta situação por falta de avisos, pois todo o esquema imposto a partir do governo Lula estava ancorado na capacidade chinesa de adquirir quantidades massivas e crescentes das nossas commodities. Agora,  a economia brasileira está literalmente sem ter para onde exportar os grandes estoques formados nos últimos anos.

Presidente da Anglo American reconhece que preço de commodities não se recuperará tão cedo

Segundo a Agência Reuters, o presidente da Anglo American, Mark Cutifani, reconheceu que os preços das commodities minerais não deverão se recuperar tão cedo, e que as principais culpadas por essa situação são as próprias mineradoras que causaram um super abundância de seus produtos no mercado mundial (Aqui!).

Apesar de eu haver insistido nessa tese em várias entrevistas que concedi nos últimos meses havia gente, principalmente entre os áulicos das mineração, que se negavam a admitir essa situação óbvia, especialmente em face do desaquecimento da economia chinesa.

O pior é que esse vaticínio do CEO da Anglo American é acompanhado de análises pouquíssimo animadoras sobre o ano de 2016, o qual ele declarou ter um potencial de causar muitos danos ao setor da mineração.

No caso do Brasil, especialmente para os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro onde a Anglo possui ativos significativos, a avaliação de Mark Cutifani deve implicar na disposição de  vender as jazidas localizadas em Conceição do  Mato Dentro (MG) e do mineroduto Minas-Rio.  De toda forma, aspectos mais práticos dos ajustes que a Anglo American realizará em seu portfólio de ativos deverão ser divulgados até a próxima semana, como informou a Reuters.

Essa situação negativa da mineração também está alimentando a crise das bolsas na Ásia e no Japão, num processo de espiral que poderá causar ainda mais abalos na economia mundial nas próximas semanas. A ver!

Retornando ao reino desencantado das commodities

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No dia 03 de junho de 2012 publiquei o artigo abaixo na Revista Somos Assim. Ao reencontrá-lo em uma dessas buscas que se faz na rede mundial de computadores, eu não consegui resistir à tentação de republicá-lo aqui no blog. É que ao reler o que eu mesmo escrevi há mais de 3 anos, não posso deixar de dizer o famoso “eu avisei!“. 

E como o Sr. Júlio Bueno continua ocupando papel de relevo no (des) governo Pezão, também fico com aquela tremenda vontade de perguntar a ele onde anda o prometido desenvolvimento que viria após se retirar centenas de famílias de suas terras em troco de nada!

Aliás, esta semana comi um delicioso maxixe que ganhei de presente de um agricultor do V Distrito, o qual até hoje está sem receber a justa compensação financeira por uma de suas pequenas propriedades que foi 

expropriada pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin). E saibam todos que o maxixe estava delicioso.

Problemas à vista no reino desencantado das commodities 

Marcos A. Pedlowski, artigo publicado no número 247 da Revista SOMOS ASSIM em 03.06.2012

O fato de que a economia brasileira se tornou perigosamente dependente da exportação de commodities minerais e agrícolas já deveria ter feito soar o alarme de perigo para as autoridades federais há quase uma década. Mas não foi o que se viu e, aliás, o caminho assumido por Lula e Dilma Rousseff foi justamente o oposto, pois todas as apostas feitas foram no sentido de fortalecer o papel ocupado pelas commodities na balança comercial. Assim, bilhões de reais retirados do FGTS e do Fundo de Apoio ao Trabalhador (FAT) foram usados para apoiar um pequeno número de empresas. Exemplos desta aposta nas commodities são a JBS-Friboi, atualmente a maior empresa da área de carnes, a Vale que atua na área de minérios, e o Grupo EBX cujo motor é a área de petróleo e gás. Mas, além de turbinar os negócios destas mega empresas, o governo federal também investiu vultosas somas de recursos na área de infraestrutura e logística através do chamado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). 

A aposta no peso econômico das commodities estava ancorada em dois aspectos básicos: a elevação sem precedentes nos preços de recursos minerais e produtos agrícolas, e o crescimento vertiginoso da economia da China, que passou a se comportar como um aspirador de pó gigante que absorvia grande parte da produção mundial de produtos primários. Além disso, a transformação das commodities em elemento com os quais as grandes corporações financeiras faziam o seu jogo especulativo contribuiu para dar uma aura de inevitabilidade de que o Brasil se dobrasse ao seu apelo comercial. 

Mas, agora que a economia chinesa está dando claros sinais de que vai entrar num ciclo menos virtuoso e os países europeus permanecem enredados numa colossal crise econômica, a aposta nas commodities está se mostrando um erro descomunal. E os sinais disto estão por todo lado. Primeiro foram as indústrias de celulose que congelaram seus planos de expandir os plantios de eucalipto e pinus na região Sul; só a papeleira sueca Stora Enso diminuiu em 80% as suas metas de plantio, além de ter fechado o escritório que mantinha em Porto Alegre, num claro sinal de que está querendo dar um “adjö” ao Brasil. Outra evidência apareceu numa entrevista dada à Revista Exame por Ruben Ometto, que até recentemente jogava fundo na área de produção de açúcar e álcool, mas que repentinamente decidiu mudar o seu foco para a área de logística, e se manter o mais distante possível de tudo que tenha a ver com a cana de açúcar. Mas um sinal mais próximo de que o chamado “superciclo” das commodities pode ter chegado a um final pouco glorioso foi a desistência das multinacionais Ternium (francesa) e Wisco (chinesa) de instalarem siderúrgicas no chamado Complexo Portuário-Industrial do Açu. Apesar de Eike Batista ter tentado, como sempre aliás, colocar uma face risonha na derrocada de suas sonhadas siderúrgicas, o fato é que a produção do aço também está comprometida com o que está acontecendo na China e na Europa. 

Os mais puros de alma poderiam dar de ombros para a débâcle das commodities e se refugiar no mito disseminado pelos ideólogos do governo Dilma de que a economia brasileira está forte o suficiente para resistir à pulverização dos valores estratosféricos que as commodities desfrutaram por mais de duas décadas. Aliás, há que se ressaltar: os valores inflacionados das commodities serviram ainda para disseminar e legitimar o mito de que o Brasil tinha superado nosso histórico atraso econômico para se inserir no fechado clube das economias desenvolvidas. 

Neste processo todo o Brasil perdeu a oportunidade de efetivamente reorganizar para melhor o modus operandi da economia brasileira. Assim, ao invés de apostar em políticas estruturantes como a reforma agrária e o desenvolvimento de alternativas de ponta na área energética, o que se deu foi uma aposta justamente no sentido contrário. Assim, o que temos hoje é um aumento acelerado na concentração da terra para o cultivo das monoculturas agroexportadoras. Por isso, apenas a COSAN de Rubens Ometto detém 100.000 hectares de terras nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Bahia e Maranhão que estão usando exclusivamente apenas para o plantio de cana de açúcar voltado para a produção de açúcar e álcool. Mas não seria preciso ir tão longe para ver como a opção pelas commodities está afetando a produção de alimentos, pois aqui mesmo no V Distrito de São João da Barra, centenas de famílias tiveram suas terras altamente produtivas tomadas para a implantação do Complexo do Açu! O problema é que agora toda a aposta feita no mirabolante Eike Batista está parecendo apenas outro erro trágico dos adoradores de commodities. Aliás, neste caso, caberia perguntar ao secretário estadual de Desenvolvimento, Júlio Bueno, que disse um dia que preferia aço ao maxixe, o que ele fará com as terras desapropriadas agora que o sonho da siderurgia virou pesadelo. 

O mais trágico disto tudo é que se o pior cenário se confirmar, o Brasil terá de se defrontar com uma grave crise econômica e social. Mas talvez aí as mudanças venham finalmente a ocorrer.

Manchete que está faltando: contagiadas pela China, bolsas mundiais afundam e ameaçam aprofundar recessão mundial

china

Tenho hábito de todas as manhãs ler os principais veículos de mídia em inglesa, e na manhã desta segunda-feira (23/08) estou lendo manchetes sobre o mergulho profundo que ocorreu nas bolsas de valores da Ásia e que já contaminou o mercado de ações na Europa. Os principais motivos para essa segunda-feira devastadora são o desaquecimento da economia da China e o seu efeito sobre a tímida recuperação que se esboçava na economia dos EUA. O jornal inglês inglês “The Guardian” já colocou online uma matéria com a estimativa que só nas bolsas chinesas as perdas alcançaram 40 bilhões de libras esterlinas (uma bagatela equivalente a 220 bilhões de reais ao câmbio de hoje) (Aqui!).

Ainda que eu saiba que a imprensa corporativa brasileira possui horários diferenciados, procurei ver o que apareceu e para minha surpresa, quase nada. Aliás, há que se mencionar o site brasileira da Agência Reuters que já colocou no ar uma pequena matéria com um título muito revelador “Ações chinesas têm queda brutal e devolvem ganhos do ano (Aqui!).

Em relação ao Brasil, a expectativa é de que a Bolsa de Valores de São Paulo vá sofrer também um forte impacto, mas esse é o menor dos problemas. É que muitos analistas avaliam que haverá uma queda ainda maior no preço do petróleo e um desaquecimento ainda maior no preço das principais commodities minerais, ameaçando, entre outras coisas, colocar o custo da extração do pré-sal acima do valor pago pelo petróleo. Ambos fatores atingem diretamente o modelo neodesenvolvimentista (ou seria neoextrativista?) abraçado pelo Brasil desde a ascensão do neoPT ao poder. 

A questão que se coloca é sobre quando começaremos a ter uma cobertura pela mídia brasileira que esteja à altura dessa pequena hecatombe que assola as bolsas mundiais e que ameaça recolocar a economia mundial em um modus operandi de recessão profunda?

A queda no apetite chinês por minério de ferro indica que a crise da economia brasileira vai piorar

CHINA

Não estivessem a economia brasileira vivendo um péssimo momento, eu diria que a notícia abaixo, publicada pela revista “The Economist“, revela que o pior ainda está para chegar. E mais do que isso, que o cavalo vem a galope da China. É que trocando em miúdos o que a matéria diz é que o consumo de aço deverá começar a cair, tanto no quesito da produção como do consumo. Essa é uma péssima notícia para o Brasil, pois muitos dos projetos de infraestrutura construídos na última década (o Porto do Açu incluso) estavam direcionados a aplacar o apetite chinês por minério de ferro e outras commodities. 

Agora, o que o “The Economist” é que a festa do ferro pode acabar em breve, o que já está causando sérios problemas financeiros em empresas mineradoras que apostaram no “boom” chinês, a começar pela empresa australiana Fortscue que está tentando, sem sucesso até agora, alavancar cerca de US$ 2,5 bilhões para continuar suas operações que vem enfrentando demoras e cancelamentos num projeto justamente voltado para atender o mercado chinês.

E o que o esfriamento do apetite por minério de ferro dos chineses implica não apenas para o Brasil, mas particularmente para o Rio de Janeiro? Em rápidas palavras: mais problemas.

Também não custa lembrar que a Anglo American, principal parceira da Prumo Logística no Porto do Açu, já vem sendo sangrada em bilhões de dólares, mesmo antes deste cenário regressivo que está vindo da China.  Assim, se a Anglo American não conseguir se ajustar a esse cenário depressivo, é bem provável que se livrar do mineroduto Minas-Rio e de suas minas em Conceição do Mato Dentro se torne uma opção real. A ver!

China’s steel production and consumption may soon start falling

FOR three decades China has been a steelman’s paradise. Years of double-digit economic growth and relentless urbanisation gave the country an increasing appetite for the alloy. Steel went into everything, from buildings and infrastructure to cars and appliances. Consumption in China has risen at an average rate of 15% a year since the turn of the century, and at 689m tonnes last year it made up almost half of the world’s total usage.

Alas, the ferrous fiesta may soon fade. China’s annual growth rate has slowed from double-digit figures to around 7%. The massive investments in infrastructure that the government unleashed as a stimulus response to the global financial crisis are subsiding. Property markets around the country are cooling fast, leaving developers with a nasty debt hangover.

For the handful of big firms that produce most of the world’s iron ore, the raw material for steel, such arguments are hard to swallow. BHP Billiton, an Australian miner, insists that Chinese demand will keep growing robustly for years. Sam Walsh of Rio Tinto, a British colossus, has predicted that steel production in China will keep rising and eventually reach 1 billion tonnes a year (compared with about 823m tonnes last year). But such notions may prove to be wishful thinking. By one estimate, these and other mining firms have together splashed out $120 billion since 2011 on new iron-ore deposits.

In a sign of how China’s cooling demand for steel is affecting ore miners, last month Fortescue, an Australian company, was forced to call off a $2.5 billion bond issue, having days earlier tried to raise the same amount through the loans market. CITIC, China’s largest state-run conglomerate, recently announced that its net profits fell by nearly 18% last year thanks in part to the troubled iron and steel markets. It was forced to take an impairment charge of $2.5 billion on a massive iron-ore project in Australia that has run into delays and cost overruns.

Aside from the risk of undermining the rationale for investments such as these, what are the potential knock-on effects of China hitting peak steel? Trade wars, for a start. Unable to peddle all of their output at home, Chinese steel producers have been exporting increasing quantities—to the consternation of producers elsewhere, who accuse them of dumping. MEPS, a consulting firm, estimates that China exported more than 90m tonnes of steel last year, which is greater than the entire output of America’s steel industry and was a rise of over 50% on the previous year. Exports are continuing to surge this year.

Western steelmakers are pressing their politicians to protect them against the wave of cheap Chinese imports. On March 25th the European Union said it would impose anti-dumping duties of up to 25.2% on various stainless-steel products from China, as well as from Taiwan, after European steelmaking’s trade body, Eurofer, accused mills in both countries of unfair dumping. The next day, the bosses of America’s steel companies went to Capitol Hill to press their congressmen to take similar action. Unless China finds ways to moderate its exports (the recent elimination of an export-tax rebate on certain steel alloys may help, for example), these grumbles may end up at the World Trade Organisation.

The bigger impact, though, could be in China itself. Its steel industry is highly fragmented, woefully inefficient and burdened with excess capacity. The central government has tried to force the many state-supported firms to consolidate, but recalcitrant provincial officials keen on preserving local jobs have scuppered such efforts. There are reports that the industry ministry is preparing a fresh push to restructure Chinese steelmaking by making it easier for troubled mills to go bust.

A sign of the central government’s desire for a shakeout is its recent decision to end a long-standing ban on foreign investors owning majority stakes in local steel firms. In the current climate, however, it seems unlikely there will be any great rush by foreigners to buy them. Even though senior industry figures such as Mr Zhang are acknowledging that the good times are over, it may yet be some time before economic logic prevails in the Chinese steel business.

FONTE: http://www.economist.com/news/business/21647617-chinas-steel-production-and-consumption-may-soon-start-falling-twin-peaks?fsrc=scn/tw/te/pe/ed/twinpeaks

Hoje em Dia: Minas exporta 12 trilhões de litros em “água virtual”

Bruno Moreno – Hoje em Dia

Minas exporta 12 trilhões de litros em "água virtual"
Para serem fabricados ou extraídos, os principais produtos exportados por Minas no ano passado consumiram quase 12 bilhões de metros cúbicos de água. São 15 itens, que representam 84% do valor das exportações do Estado, o equivalente a US$ 24 bilhões. 
 
Essa quantidade de água seria suficiente para encher 42 vezes os reservatórios Serra Azul, Vargem das Flores e Rio Manso, que abastecem a Região Metropolitana de Belo Horizonte. Para se ter uma ideia do montante, o volume equivale a 4,6 milhões de piscinas olímpicas cheias ou 12 trilhões de litros de água.
 
Em um cenário de crise hídrica, especialistas alertam para a necessidade de redução da quantidade gasta, por meio da modernização dos processos produtivos.
 
Não há uma estimativa do governo do Estado sobre o volume de “água virtual” exportada. Mas na balança comercial divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior há o peso, em quilos, dos produtos que foram vendidos para outros países. 
 
Utilizando estimativas padronizadas de organizações que calculam a quantidade necessária de água no processo produtivo – como a Unesco, o Exporta Minas e o Pegada Hídrica –, é possível saber, aproximadamente, qual o total de água empregada.
 
Composição
 
Nesse rol de produtos exportados, a maioria não contém quantidade significativa de água, mas utiliza o recurso em alguma etapa da produção. Da lista dos produtos mais exportados, apenas seis contêm água em sua composição: café, açúcar, soja, celulose e carne de boi e de frango. 
 
Os outros nove são minério de ferro, ferro liga, ouro, tubo de ferro fundido, ferro fundido bruto (ferro gusa), semifaturados de ferro ou aço, laminados planos de ferro ou aço, automóveis (veja retranca) e fio máquina e de ferro ou aço. Os maiores consumidores estão na Ásia (veja infografia).
 
Na conta da exportação de água, não estão incluídos os milhões de metros cúbicos utilizados para levar o minério de ferro até o litoral por meio dos minerodutos. O cálculo para o uso da água nesse processo contabiliza apenas o beneficiamento básico.
 
Realidade reflete atraso na economia no Estado, avalia consultor em projetos
 
A grande quantidade de água utilizada na fabricação dos produtos que Minas Gerais exporta reflete um atraso na economia mineira. É no que acredita o professor de comércio exterior e consultor em projetos internacionais, Caio Radicchi.
 
“Infelizmente, nós somos exportadores de matéria-prima e a pauta de exportação de Minas depende muito de água. Essa crise hídrica nos pegou no contrapé. Novas tecnologias deveriam ter sido desenvolvidas para diminuir o consumo de água”, argumentou.
 
Procurados para falar sobre o consumo de água pela indústria mineira, não se manifestaram a Vale, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e a Secretaria do Estado de Desenvolvimento Econômico.
 
Carros
 produção da fiat
Fiat afirma ter reduzido em 68%o uso de água na planta industrial de Betim (Foto: Fiat/Divulgação)

De acordo com o Fórum Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), a produção de um carro consume 35 mil litros de água, o que dá 29,17 litros por quilo, se o cálculo for para um carro com 1,2 toneladas. 
 
Na Fiat, em Betim, alguns procedimentos estão sendo implementados para economizar água. De acordo com o gerente de Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Trabalho da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) para a América Latina, Cristiano Felix, desde 1994 foi possível reduzir em 68% o consumo de água na planta industrial de Betim por cada carro produzido.
Felix garante que o consumo da Fiat é bem menor que 35 mil litros por carro, e a maior parte é recirculada, ou seja, volta para a linha de produção. Segundo ele, nas últimas semanas, com a intensificação da crise hídrica em Minas Gerais, foi identificada a possibilidade de “economizar 10 milhões de litros de água por mês, o equivalente ao consumo de 71.500 habitantes/dia”.
 

Atualmente, o índice de recirculação na empresa chega a 99%. Em 1992, esse índice era de 92%, e R$ 12 milhões foram investidos para diminuir ainda mais o consumo. 

FONTE: http://www.hojeemdia.com.br/noticias/minas-exporta-12-trilh-es-de-litros-em-agua-virtual-1.300611