Jair Bolsonaro, o presidente do tiro no pé

tiro no pé

Ao observar as manifestações que se realizaram ontem para repudiar o golpe de estado que ocorreu efetivamente no dia 01 de abril de 1964 (irônico, não?), fiquei com uma certeza ainda maior de que o presidente Jair Bolsonaro e seu entorno imediato (seus três filhos e mais um punhado de militares reformados) deu mais um tiro no pé ao convocar as forças armadas a realizar celebrações pró-golpe. 

É que, convenhamos, os partidos de oposição (ou que se dizem de oposição pelo menos) certamente iriam deixar o aniversário de 55 anos passar em branco, e pouca coisa seria feita para mobilizar segmentos populares que hoje já entenderam a gravidade das medidas econômicas que o governo Bolsonaro tem na manga para tornar o Brasil um misto de paraíso do capital financeiro e uma fronteira de exploração de recursos minerais e de commodities agrícolas.

Ao anunciar e demandar as celebrações por parte das forças armadas, o que o presidente Jair Bolsonaro foi soprar uma ventania em brasas adormecidas. E, pior, fez isso e partiu para uma viagem a Israel que tem tudo para inviabilizar exportações das mesmas commodities que fazem parte do plano estratégico do ministro Paulo Guedes e seus “Chicago boys“.  Em outras palavras, o presidente fez como aquele menino do playground que provoca uma briga e vai viajar para não participar dela.

Há quem diga que os pobres que votaram e ajudaram a colocar Jair Bolsonaro na presidência merecem tudo o de ruim que está acontecendo com o Brasil. Eu discordo disso. Quem merece sofrer duras consequências por se envolver em uma aventura eleitoral são as elites brasileiras que turbinaram uma campanha que não passaria, com ou sem facada, de 20% dos votos válidos. A maioria pobre da nossa população não merece o retrocesso que já está posto e que deverá ser aprofundado com a aplicação das várias contrarreformas que o governo Bolsonaro pretende executar para tornar o Brasil ainda mais atraente para os especuladores financeiros mundiais. 

Por outro lado, quem caminha pelas ruas de cidades médias e grandes em diferentes partes do território nacional tem dificuldades cada vez maiores de não pisar naqueles cidadãos cujos meios de vida já foram destruídos por pelo menos quatro anos de grave crise econômica. Apesar de haver pouca ou nenhuma estatística sobre o número de brasileiros que hoje estão vivendo nas ruas, o certo é que cedo ou tarde vamos desembocar em uma revolta social que poucas vezes se viu na história brasileira.

E quando isso acontecer, e vai acontecer, ficará ainda mais explícito que todas as ações estapafúrdias realizadas por Jair Bolsonaro e seus ministros tresloucados (ou que se fingem ser) terão representados um imenso tiro no pé dos que queriam retirar os poucos direitos e pequenas concessões que a luta dos trabalhadores logrou arrancar com lágrimas, suor e sangue das elites que colocaram Jair Bolsonaro no poder.

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