Estudos mostram que principais rios europeus estão tomados por microplásticos. Fontes incluem de pneus a fibras texteis

Os microplásticos invadiram os rios europeus, de acordo com 14 estudos publicados simultaneamente na revista Environmental Science and Pollution Research, divulgados neste domingo (6)

Por RFI

“A poluição está em todos os rios europeus” estudados, diz Jean-François Ghiglione, diretor de pesquisa do CNRS, o centro nacional francês de pesquisa científica, que coordenou os estudos feitos em 2019 em nove grandes rios europeus. A operação envolveu 40 químicos, biólogos e físicos de 19 laboratórios, além de estudantes de doutorado e pós-doutorandos, com o apoio da Tara Ocean Foundation. 

Os cientistas percorreram noves rios em diferentes países, como Alemanha, França, Itália, Inglaterra e Espanha. Entre eles, o Elba, Ebro, Loire, Ródano, Reno, Sena, Tâmisa e o Tibre, onde obtiveram e analisaram amostras em toda a extensão, da foz até o desemboque nas cidades.

“Os microplásticos são menores que um grão de arroz”, explica Alexandra Ter Halle, cientista do CNRS em Toulouse, no sul da França, que realizou as análises. As partículas do material, lembra, têm menos de 5 milímetros e as menores são invisíveis a olho nu.

Elas podem ser fibras têxteis sintéticas de lavagem, ou que “voam” dos pneus dos carros ou das tampas de uma garrafa, por exemplo, quando elas são abertas. Segundo os cientistas, a poluição observada equivale, em média, a “três microplásticos por metro cúbico de água” nos rios estudados. 

O volume é preocupante, apesar de ser bem inferior aos 40 microplásticos por m³ detectados nos 10 rios mais poluídos do mundo: Rio Amarelo, Yangtzé, Mekong, Ganges, Nilo, Níger, Hindus, Amur, Pearl e Hai He. Eles irrigam os países que produzem mais plástico ou que processam mais resíduos. 

Mas, levando em consideração os volumes vendidos, “em Valence e no Ródano, temos um fluxo de 1.000 metros cúbicos por segundo, o que significa que temos 3.000 partículas de plástico a cada segundo”, diz Jean-François Ghiglione. No Sena, em Paris, são 900 por segundo. 

Os cientistas detectaram uma “novidade” que os “surpreendeu”, graças a um avanço nos métodos de análise desenvolvidos durante o estudo: “a massa de pequenos microplásticos, aqueles que não podemos ver a olho nu, é maior do que a daqueles que vemos”, observa Ghiglione. 

No entanto, “grandes microplásticos flutuam e são retirados da superfície, enquanto os invisíveis se distribuem por todo o volume d’água e são ingeridos por muitos animais e organismos”. 

“Poluição difusa”

Um dos estudos identificou uma bactéria virulenta em um microplástico no rio francês Loire, capaz de desencadear infecções em humanos. 

Os cientistas também obtiveram outro resultado inesperado: um quarto dos microplásticos descobertos nos rios não são de resíduos, mas de plásticos primários industriais. Esses grânulos, também conhecidos como “lágrimas de sereia”, também são encontrados às vezes em praias infestadas após um acidente marítimo. 

Este resultado, obtido na França, foi estabelecido graças a uma operação científica participativa que envolve 350 classes de escolas francesas. Todos os anos, 15 mil alunos coletam amostras nas margens dos rios. 

Segundo os cientistas, era inútil estabelecer um ranking dos rios europeus mais poluídos: os números são geralmente “equivalentes” e os dados são insuficientes. O mesmo vale para o impacto das cidades. “O que vemos é poluição difusa e instalada” que “chega de todos os lugares” nos rios, diz o cientista.

“A coalizão científica internacional da qual fazemos parte (como parte das negociações internacionais da ONU sobre a redução da poluição plástica) está pedindo uma grande redução na produção do material, porque sabemos que a produção de plástico está completamente ligada à poluição”, conclui. 

(Com informações da AFP)


Fonte: RFI

Luta contra os fabricantes de agrotóxicos sacode o campo nos EUA

A batalha continua contra as proteções legais propostas para proteger os fabricantes de agrotóxicos

Por Carey Gillam para o “The New Lede”

Os esforços das empresas de agrotóxicos para aprovar leis que possam bloquear litígios contra elas estão gerando batalhas em vários estados agrícolas dos EUA e colocando alguns grupos agrícolas uns contra os outros.

Leis foram introduzidas em pelo menos 8 estados até agora e rascunhos estão circulando em mais de 20 estados, apoiados por uma enxurrada de publicidade apoiando as medidas.

A luta é particularmente feroz agora em Iowa, onde os oponentes chamam a lei proposta apoiada por agrotóxicos de “Cancer Gag Act”, devido aos altos níveis de câncer em Iowa que muitos temem estar ligados ao grande uso agrícola de agrotóxicos no estado. Iowa tem a segunda maior taxa de novos casos de câncer nos EUA e a taxa de câncer que mais cresce. 

Os organizadores contra o projeto de lei de Iowa estão planejando um comício no capitólio estadual na segunda-feira, depois que o senado estadual votou em 5 de fevereiro para avançar a medida. O projeto de lei impediria as pessoas de processar os fabricantes de agrotóxicos por não alertá-los sobre os riscos à saúde, desde que os rótulos dos produtos sejam aprovados pela Agência de Proteção Ambiental (EPA).  

Os oponentes dizem que a legislação impedirá que agricultores e outros usuários de agrotóxicos responsabilizem as empresas na justiça caso seus produtos causem doenças ou ferimentos.

“Estamos muito preocupados. Nossos fazendeiros acham que se tiverem ferimentos ou doenças devido ao uso de um agrotóxico, eles devem ter acesso aos tribunais”, disse Aaron Lehman, um fazendeiro de milho e soja de Iowa que é presidente do Iowa Farmers Union . “Nós simplesmente não achamos que o campo de jogo deva ser inclinado (em favor dos fabricantes de agrotóxicos).”

Mas os defensores da legislação dizem que estão tentando garantir que os agricultores não percam o acesso a herbicidas benéficos, inseticidas e outros produtos químicos que são comumente usados ​​no cultivo de alimentos. Eles sustentam que os advogados de responsabilidade civil exploram e induzem pessoas doentes a entrar com ações judiciais que não são apoiadas por evidências científicas, e tais ações devem ser limitadas.

Vários grandes grupos agrícolas, incluindo a Iowa Farm Bureau Federation, estão apoiando o projeto de lei.

As ações nos estados vêm junto com uma pressão simultânea por mudanças na lei federal que efetivamente protegeriam as empresas de processos movidos por pessoas que alegam ter desenvolvido câncer ou outras doenças devido ao uso de agrotóxicos.

A Bayer, proprietária alemã da antiga Monsanto Co., é a principal arquiteta da estratégia, projetada como um meio de combater milhares de processos movidos por fazendeiros e outros que culpam o uso dos herbicidas Roundup da Monsanto por causar câncer.

O litígio custou até agora à Bayer bilhões de dólares em acordos e vereditos do júri favorecendo os demandantes, e mais casos estão pendentes. A empresa diz que a busca pelas mudanças legislativas é necessária para proteger seus “investimentos importantes” e garantir que os fazendeiros não percam o acesso ao Roundup.

A Bayer diz que se uniu a mais de 360 ​​grupos de produtores e da indústria para impulsionar as mudanças legislativas federais e à coalizão de organizações agrícolas Modern Ag Alliance para lutar pelas mudanças nas leis estaduais que ajudam a proteger os fabricantes de pesticidas de litígios.

A CropLife America, que faz lobby em nome da Bayer e de outros fabricantes de agrotóxicos, afirma que a EPA é a “ agência federal especialista ” encarregada pelo Congresso de avaliar a segurança dos pesticidas. As empresas não têm a opção de adicionar avisos aos seus rótulos se a EPA não tiver considerado tais avisos precisos, de acordo com a CropLife .

Além de Iowa, as medidas estão avançando em outros estados. No Missouri, o antigo estado natal da Monsanto, a proposta de lei de proteção foi aprovada pelo House Agriculture Committee em 4 de fevereiro.

A legislação ainda não foi formalmente introduzida em Idaho, mas um rascunho tem circulado entre os legisladores, disse Jonathan Oppenheimer, diretor de relações governamentais da Idaho Conservation League. A liga e um contingente de outros grupos de oposição realizaram uma coletiva de imprensa na semana passada denunciando os esforços para aprovar o que os grupos chamam de lei de “Imunidade de Empresas Químicas”.

Eles citaram pesquisas que mostram níveis elevados de agrotóxicos em mulheres grávidas que vivem perto de campos agrícolas e um estudo que descobriu que a ocorrência elevada de câncer  está correlacionada à exposição ao uso destes produtos. 

“Há preocupações significativas com o fato de que a EPA não conduz seus próprios estudos de segurança sobre esses produtos antes de serem aprovados”, disse Oppenheimer. “Eles confiam nesses estudos de pesquisa da indústria. E quando você olha para o histórico de aprovação de agrotóxicos, houve vários casos em que os fabricantes sabiam que seus produtos causavam certos danos, mas buscavam limitar a divulgação pública desses estudos. Como resultado, muitos produtos perigosos estão no mercado há anos. Muitas vezes, leva décadas para a EPA retirar a aprovação desses produtos.”

Junto com as ações legislativas estaduais, a EPA abriu no mês passado um período de comentários públicos sobre uma petição apresentada pelos procuradores-gerais de Nebraska, Iowa, Alabama, Arkansas, Geórgia, Indiana, Louisiana, Montana, Dakota do Norte, Carolina do Sul e Dakota do Sul buscando uma emenda à lei federal que tornaria mais difícil para as pessoas processarem os fabricantes de agrotóxicos.

As modificações propostas proibiriam quaisquer requisitos de rotulagem estaduais que fossem “inconsistentes” com as conclusões da EPA sobre a segurança de um agrotóxico.

“Declarações ou conclusões sobre os efeitos do produto na saúde humana, incluindo a probabilidade de causar câncer, defeitos congênitos ou danos reprodutivos, que sejam diferentes das descobertas e conclusões da EPA” seriam consideradas “rotulagem enganosa”, afirma a emenda proposta.

Assim como as leis estaduais propostas, o texto essencialmente impediria ações judiciais contra fabricantes de pesticidas que os acusassem de não alertar o consumidor sobre certos riscos à saúde se a EPA não tivesse exigido que esses riscos fossem explicitados no rótulo do produto.

A EPA está aceitando comentários até 20 de fevereiro.

De volta a Iowa, espera-se que o projeto de lei seja aprovado pelo senado estadual, mas a projeção é de que enfrentará uma batalha difícil na câmara dos deputados.

Apesar de uma “enxurrada” de anúncios online e em jornais por parte dos proponentes do projeto de lei de Iowa, a oposição é forte, disse Andrew Mertens, diretor executivo da Associação de Justiça de Iowa, que se opõe ao projeto de lei.

“ Pesquisas em Iowa indicariam que o público em geral simplesmente não vai cair na mensagem da Bayer”, disse Mertens. “Mas os legisladores podem ser influenciados de maneiras que os eleitores não podem, então a luta está longe de acabar.” 


Fonte: The New Lede

Embargo chinês afeta 5 empresas exportando soja brasileira por contaminação com agrotóxicos

Especialistas advertem que o uso extensivo de insumos químicos na agricultura é prejudicial à economia do Brasil

Por Leonardo Fernandes para o Brasil de Fato

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou, nesta quarta-feira (22), que foi notificado pela Administração-Geral de Aduanas da China (GACC) sobre a detecção de pestes e revestimento de pesticidas na soja exportada por cinco empresas brasileiras ao país asiático. As autoridades chinesas decidiram suspender o embarque do grão brasileiro ao país até que a situação seja esclarecida.

Carregamentos das empresas Cargill Agrícola SA, ADM do Brasil, Terra Roxa Comércio de Cereais, Olam Brasil e C.Vale teriam sido afetados pela medida, de acordo com a Reuters. A agência de notícias noticiou a decisão das autoridades chinesas em 8 de janeiro. O Brasil de Fato entrou em contato as cinco companhias, mas não obteve retorno.  

Para Diana Chaib, economista e pesquisadora das relações sino-brasileiras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a decisão da China de suspender as importações de parte da soja do Brasil pode ser interpretada como “um alerta ao agronegócio brasileiro, principalmente no que diz respeito à necessidade de aprimorar os controles de qualidade e rever práticas relacionadas ao uso de agrotóxicos”. 

“A manutenção e expansão do mercado e comércio chinês dependem do cumprimento rigoroso de padrões sanitários e ambientais exigidos, e isso pode acarretar a necessidade de mudanças significativas nas práticas agrícolas brasileiras”, avalia Chaib. 

Alan Tygel, da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, lembra que os movimentos de agroecologia alertam há anos sobre a qualidade dos produtos agrícolas brasileiros, baseados na utilização de insumos químicos altamente tóxicos e prejudiciais ao meio ambiente. O ativista critica o modelo do agronegócio brasileiro, baseado em uma economia dependente de países mais desenvolvidos, e de costas para a concretização de uma política nacional de produção de alimentos.  

“Casos como esse não são incomuns, e já afetaram outros produtos, como a laranja, ou a própria carne. A aposta brasileira das últimas décadas em colocar todas as fichas no agronegócio gerou este tipo de dependência, tornando nosso país vulnerável a crises catastróficas caso os grandes importadores resolvam retaliar o Brasil por algum motivo”, afirma Tygel. 

“O que estamos vendo neste caso pode ser de fato um caso de contaminação por agrotóxicos, ou alguma doença, mas também pode ser uma barreira política ou econômica às exportações brasileiras”, avalia o ativista. “Num cenário geopolítico cada vez mais desafiador, a escolha mais estratégica para o país seria adotar um modelo de agricultura soberano, com foco na produção de alimentos saudáveis para o Brasil, e no fortalecimento dos laços com a América Latina e África, diversificando o mercado externo e deixando o país menos vulnerável às crises externas”, conclui Tygel. 

Chaib afirma que o impacto dessa medida poderá ser medido de acordo com o tempo de permanência do embargo, ou mesmo de novas restrições a outros produtos brasileiros. “Isso pode afetar os preços internos da soja no Brasil e aumentar os custos de ração para gado, o que pode tornar a carne bovina do Brasil menos competitiva no mercado internacional”, analisa a economista. “Mas esse impacto no comércio de carne bovina vai depender da extensão e da duração da suspensão de soja que a China praticar”, finaliza.

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, superando China e Estados Unidos juntos. Ao invés de desincentivar o uso desses agentes químicos na produção agrícola, o Estado brasileiro oferece bilhões de reais em isenções fiscais a empresas do mercado de agrotóxicos no país, fomentando sua utilização. Desde 2012, o país conta com um Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) que, segundo as organizações da sociedade civil, foi desmontado pelos governos anteriores. O Pronara ainda não foi retomado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por resistência do Ministério da Agricultura.

E por que só agora? 

Em entrevista ao Brasil de Fato, a biomédica e pesquisadora da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), Karen Friedrich, chama a atenção para os efeitos nocivos do uso extensivo de agrotóxicos na produção agropecuária, além de todas as evidências de danos à saúde coletiva e ao meio ambiente. E isso pode ter a ver com esses “incidentes” comerciais.  

“Essas substâncias usadas há décadas, elas já vão desenvolvendo as próprias pragas, vão desenvolvendo resistência. É a mesma lógica do antibiótico hospitalar. De tanto usar indiscriminadamente, desenvolveram bactérias super-resistentes. E na agricultura a gente tem essas pragas que estão desenvolvendo resistência”, afirmou a pesquisadora.   

“Então isso não é bom para o agricultor e para o agronegócio. Isso é bom para a fábrica, para a Bayer, Basf, Monsanto, Syngenta etc, que estão querendo manter esse produto no mercado até o último segundo”, disse Friedrich, referindo-se a algumas das empresas produtoras de agentes químicos usados amplamente na agricultura brasileira, e que já são proibidos em diversos outros países por comprovada relação com a incidência de cânceres e distúrbios neurológicos em humanos, além de perigosos para o meio ambiente. A pesquisadora cita o caso da atrazina, um herbicida que há mais de 20 anos tem seu uso proibido em diversos países da União Europeia, e é um dos mais utilizados nas lavouras brasileiras.  

Em nota, o Mapa afirmou que “outras unidades das empresas notificadas seguem exportando normalmente para a China, sendo as suspensões válidas apenas para as 5 unidades oficialmente notificadas”. Portanto, segue o ministério, “os volumes negociados pelo Brasil não serão afetados em função desta suspensão temporária destas 5 unidades notificadas”. 

O ministério afirmou ainda que o monitoramento dos produtos importados é “parte da rotina de fiscalização”, adotados tanto no Brasil como na China. O ministério disse ainda que aguarda os planos de ações que devem ser adotados pelas empresas para evitar novas ocorrências, e declarou ter expectativa de que o embargo seja suspenso brevemente pelas autoridades chinesas.

O Brasil de Fato questionou o ministério sobre o motivo do embargo, ou seja, ‘a contaminação química provenientes de agrotóxicos utilizados nos cultivos de soja pelo agronegócio brasileiro’, mas não obteve resposta. O Mapa se limitou a encaminhar a nota mencionada.  

A reportagem também questionou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que possui uma secretaria dirigida à gestão do comércio exterior, e à Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja); ambos sem retorno. 

A China é o maior consumidor de soja do mundo, concentrando mais de 60% do comércio mundial do grão. Segundo a Administração Geral das Alfândegas chinesa, as importações totais de soja da China em 2024 ultrapassaram os 100 milhões de toneladas, o que representou um aumento de 6,5% em relação a 2023. E a soja brasileira foi responsável por 54% das importações chinesas, seguido dos Estados Unidos, com outros 38%. Do lado brasileiro, dois terços de toda a soja produzida no país é embarcada para o gigante asiático. 

Edição: Martina Medina


Fonte: Brasil de Fato

População dos EUA está exposta a produtos químicos não regulamentados na água potável, segundo estudo

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Por Shannon Kellher para o “The New Lede”

Quase 100 milhões de pessoas nos EUA podem estar expostas a produtos químicos industriais não regulamentados em sua água potável, com comunidades compostas por negros e latinos, especialmente em risco, de acordo com uma nova análise de dados de monitoramento federal para sistemas de água em todo o país.

O estudo, publicado quarta-feira no periódico Environmental Health Perspectives , analisou dados coletados pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) de 2013 a 2015 para quatro tipos de produtos químicos não regulamentados, descobrindo que 27% desses quase 5.000 sistemas públicos de água tinham níveis detectáveis ​​de pelo menos um contaminante.

No geral, mais de 97 milhões de residentes dos EUA foram atendidos por um sistema público de água com níveis detectáveis ​​dos contaminantes examinados no estudo.

O solvente incolor e inflamável 1,4-dioxano foi o mais difundido, aparecendo em 22% dos sistemas públicos de água, de acordo com o estudo . Os pesquisadores também encontraram o refrigerante HCFC-22, bem como um solvente chamado dicloroetano usado na produção de plásticos, e substâncias tóxicas per- e polifluoroalquil (PFAS) em cerca de 4-6% dos sistemas de água. Os dados da EPA contabilizaram seis tipos de PFAS, uma categoria que inclui milhares de produtos químicos: ácido perfluorooctanoico (PFOA), ácido perfluorononanoico (PFNA), ácido perfluorohexano sulfônico (PFHxS), ácido perfluoroheptanoico (PFHpA) e ácido perfluorobutano sulfônico (PFBS).

Populações hispânicas e negras correm risco especialmente alto de exposição a produtos químicos não regulamentados em sua água potável, relataram os autores. Sistemas públicos de água com níveis detectáveis ​​dos contaminantes atendiam condados com maiores proporções de residentes hispânicos do que aqueles sem detecções, por exemplo, disseram os autores.

“Nossa análise encontrou detecções mais frequentes de contaminantes industriais não regulamentados em sistemas públicos de água que atendem maiores proporções de residentes hispânicos e negros não hispânicos”, afirma o estudo. “Embora algumas das associações entre raça, etnia e contaminantes não regulamentados possam ser explicadas pela localização desproporcional de instalações industriais, nossa análise sugere que outros fatores contribuem para disparidades nas exposições a contaminantes não regulamentados da água potável.”

O coautor do estudo Aaron Maruzzo, pesquisador do Silent Spring Institute, que estuda as ligações entre poluição ambiental e saúde feminina, disse que pesquisas anteriores se concentraram em contaminantes regulamentados, identificando disparidades raciais e étnicas na exposição a nitratos e arsênico.

Em 2021, mais de 6.500 sistemas públicos de água que atendem quase 20 milhões de pessoas nos EUA tiveram violações por exceder os níveis máximos de contaminantes, de acordo com dados da EPA . No entanto, as preocupações em torno da segurança da água potável são mais profundas – embora os padrões federais tenham sido definidos para cerca de 90 contaminantes, mais de 86.000 “potenciais contaminantes químicos” são usados ​​no comércio dos EUA, de acordo com o estudo.

As descobertas destacam “a necessidade de considerar contaminantes regulamentados e não regulamentados em futuras avaliações nacionais de saúde humana sobre água potável”, disse Kelly Smalling, uma hidrologista pesquisadora do US Geological Survey que não estava envolvida no estudo.

Desde que os autores começaram o estudo, a EPA reuniu novos dados, mas usar os dados mais antigos permitiu que os pesquisadores avaliassem as disparidades demográficas de pessoas expostas aos produtos químicos visados ​​em um momento anterior à regulamentação de qualquer um deles, disse Laurel Schaider, cientista sênior do Silent Spring Institute e outra coautora do estudo.

“Isso nos deu a chance de destrinchar quais são os fatores que influenciam a ocorrência de contaminantes na água potável, talvez separadamente da parte de fiscalização”, disse Schaider.

O estudo descobriu que contaminantes não regulamentados foram detectados com mais frequência em grandes sistemas de água potável, sistemas em áreas urbanas e sistemas que dependiam de águas subterrâneas ou de uma combinação de águas subterrâneas e superficiais.

Dados recentes coletados pela EPA usaram limites de detecção mais baixos e exigiram que as concessionárias de água testassem 29 tipos de PFAS, em comparação com apenas seis do conjunto de dados anterior, sugerindo que os dados mais antigos provavelmente subestimaram o número de pessoas expostas a esses chamados “produtos químicos eternos”, disseram os autores.

Enquanto o estudo Environmental Health Perspectives descobriu que apenas cerca de 4% dos moradores expostos a contaminantes não regulamentados tinham PFAS em sua água potável, os dados governamentais mais recentes relataram que mais de 143 milhões de pessoas foram expostas. Os autores do estudo disseram que planejam comparar ambos os conjuntos de dados da EPA em uma análise futura.

Em abril passado, a EPA anunciou os primeiros limites legalmente aplicáveis ​​para seis produtos químicos PFAS na água potável.

“Ficarei interessado em ver como pesquisas futuras sobre disparidades na água potável com base em dados de amostragem PFAS mais abrangentes (ou seja, amostras com limites de detecção mais baixos e amostras coletadas de pequenos sistemas de água adicionais) contribuem para nossa compreensão das associações avaliadas neste artigo”, disse Clare Pace, uma cientista que estuda questões de equidade hídrica na Universidade da Califórnia, Berkeley, e não estava envolvida no estudo.

Além do PFAS, as descobertas do estudo fornecem “um lembrete importante de que ainda há outros contaminantes industriais não regulamentados na água potável aos quais precisamos prestar atenção”, disse Schaider.

À medida que os sistemas de água potável implementam tratamentos para remover PFAS, eles podem ter o benefício adicional de filtrar outros produtos químicos nocivos, como produtos farmacêuticos, retardantes de chamas e produtos de cuidados pessoais, disse ela.


Fonte: The New Lede

‘Todos os rios do Brasil estão contaminados’, alerta pesquisador sobre uso de agrotóxicos

Estudo divulgado nesta semana pelo governo federal mostra que rio Tocantins contém substância proibida na Europa

tractor sprayAtualmente, mais de 100 agrotóxicos diferentes usam o glifosato em sua composição – PABLO AHARONIAN / AFP

Por Lucas Weber para o Brasil de Fato

Neste final de semana, o governo  federal divulgou o resultado da análise sobre a qualidade do rio Tocantins, após a ameaça de contaminação da água por agrotóxicos, por causa da queda de caminhões que transportavam herbicidas e ácido sulfúrico.

O estudo trouxe alívio ao revelar que os tonéis onde as substâncias estavam armazenadas não se romperam. A tragédia da queda da ponte Juscelino Kubitschek, que ligava Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO), em 22 de agosto, portanto, não contaminou o rio.

Mas os dados do governo mostram que já havia a presença na água de agrotóxicos proibido em diversos países do mundo, incluindo a União Europeia. Foi detectado uma concentração de 0,2 microgramas por litro (µg/L) do herbicida 2,4-D, apontado como cancerígeno por agências internacionais, mas amplamente utilizado no Brasil.

“Com as doses, frequências e diversidade de agrotóxicos usados no Brasil, dá para afirmar que todos os rios estão contaminados. Sem nenhuma dúvida. O grau de contaminação é que pode variar”, denuncia Danilo Rheinheimer dos Santos, professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e referência na análise de agrotóxicos em água.

A presença de agrotóxicos na água não é novidade no Brasil. Estudo do ano passado realizado pela Repórter Brasil mostrou que 27 tipos de agrotóxicos foram encontrados na água consumida por parte da população de 210 municípios brasileiros, como São Paulo (SP), Fortaleza (CE) e Campinas (SP).

Os dados surgiram a partir de informações do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), do Ministério da Saúde, com testes feitos em 2022.

O agrotóxico 2,4-D, encontrado no rio Tocantins e considerado “normal” pelo estudo do governo federal, é o mesmo usado como componente do chamado “agente laranja”, um desfolhante químico altamente tóxico, usado pelos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. A arma química era utilizada pelas tropas estadunidenses para desmatar florestas e impedir que soldados vietnamitas se escondessem na vegetação.

A análise do rio Tocantins, divulgado nesta sexta-feira (27), aconteceu dias após a queda da ponte que matou 10 pessoas, com outras sete ainda desaparecidas. 


Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, sobre o Rio Tocantins, que caiu com grande quantidade de agrotóxicos / AFP

No comunicado com os dados, o governo reconhece que “essa concentração de 2,4-D é considerada normal em rios que atravessam áreas agrícolas, como o rio Tocantins, e, por isso, não foram encontrados indícios de contaminação da água por defensivos agrícolas decorrente do acidente na Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira”.

Mas o professor Rheinheimer contesta a conclusão oficial: “A gente só faz, sempre, um questionamento: se fosse os europeus, a água seria imprópria para consumo pois está acima de 0,1 ug/L. Mas somos brasileiros e daí tudo bem”.

“Valemos menos”

O fato de o Brasil ser mais flexível no uso de agrotóxicos que países da União Europeia (UE) é investigado pela pesquisadora Larissa Bombardi, que já recebeu ameaças por após a publicação de estudos que denunciam a situação. Foi ela quem constatou que, dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil, cinco são proibidos na UE.

“Quando eu olho o fato de que no Brasil o resíduo de glifosato autorizado na água potável é cinco mil vezes maior do que aquele autorizado na União Europeia. Quando eu vejo que o resíduo de malationa no Brasil é 400 vezes maior do que o autorizado na União Europeia, sou obrigada a pensar que, no conjunto das relações internacionais, a população brasileira, latino-americana e africana é tida como sub-humana. Nós valemos menos”, disse ao Brasil de Fato quando lançou o livrAgrotóxicos e Colonialismo Químico, em julho esse ano

“Quando a gente vê por exemplo, casos criminosos de uso de agrotóxicos, vai ver que a substância utilizada foi produzida por justamente por uma dessas empresas sediadas na União Europeia. Fica claro um mecanismo que remete ao período colonial, ou seja, um deslocamento dessa agricultura capitalista, dessa monocultura, que avança sobre áreas de camponeses, de povos originários, utilizando como arma nessa violência dos conflitos fundiários, uma substância que é proibida no território em que ela foi produzida.”

Edição: Rodrigo Durão Coelho


Fonte: Brasil de Fato

Alimentos importados encontrados com resíduos de 48 agrotóxicos não aprovados para uso no Reino Unido

Análise da Pesticide Action Network sobre dados de testes do governo descobre produtos químicos associados ao câncer e prejudiciais às abelhas

Uma videira carregada de frutos

Algumas uvas importadas continham resíduos de até 13 agrotóxicos, e 87% das amostras continham um coquetel químico. Fotografia: Zoonar GmbH/Alamy

Por Helena Horton para o “The Guardian” 

Análises mostram que alimentos importados continham resíduos de 48 agrotóxicos que não foram aprovados para uso por agricultores britânicos, incluindo produtos químicos associados ao câncer e imidacloprido, que é prejudicial às abelhas.

A Pesticide Action Network (PAN) analisou dados de testes do governo do Reino Unido, comparando os resultados de testes de agrotóxicos em alimentos importados e produzidos internamente. Eles descobriram que havia resíduos de 46 agrotóxicos relacionados ao câncer em produtos importados, em comparação com 19 em alimentos de origem do Reino Unido. Os exportadores incluem a UE, Peru, Tailândia, Turquia e os EUA.

O PAN também descobriu que 29 agrotóxicos associados à desregulação endócrina, que podem interferir nos sistemas hormonais e levar a problemas de saúde, incluindo câncer e defeitos congênitos, estavam presentes em produtos importados, em comparação com 12 em alimentos cultivados no país.

Também foi detectado o pesticida imidacloprida, cujo uso foi proibido em plantações do Reino Unido em 2018. Vários estudos descobriram que o produto químico, que pertence ao grupo dos neonicotinoides, é extremamente prejudicial às abelhas. Traços do agrotóxico foram encontrados em produtos como batatas, ervilhas e uvas.

Nick Mole, da PAN UK, disse: “Embora os resultados para produtos do Reino Unido também sejam preocupantes, quando se trata de agrotóxicos que representam um risco à saúde do consumidor, as importações tendem a ser muito piores do que os alimentos cultivados aqui no Reino Unido. Os alimentos importados testados pelo governo continham quase três vezes o número de agrotóxicos altamente perigosos, incluindo carcinógenos, disruptores endócrinos e neurotoxinas.

“O governo do Reino Unido está permitindo que quantidades maiores de produtos químicos apareçam em uma lista cada vez maior de itens alimentares comuns. Eles precisam reverter urgentemente essa tendência atual.”

Junto com sua análise, o grupo de campanha lançou sua lista anual Dirty Dozen, que destaca os produtos que têm múltiplos resíduos de agrotóxicos presentes. Isso ocorre porque há evidências de que quando um produto tem mais de um pesticida, isso pode resultar em um efeito “coquetel” que agrava os problemas de saúde causados.

No topo da lista deste ano estão as frutas cítricas macias, que incluem satsumas, tangerinas e clementinas, das quais 96% tinham mais de um agrotóxico presente quando testadas. O maior número de agrotóxicos encontrados em um pedaço de fruta cítrica foi nove.

Laranjas ficaram em segundo lugar com 95% contendo um coquetel de produtos químicos, e nove agrotóxicos foram encontrados na fruta. Uvas foram encontradas com o maior número de agrotóxicos, 13, e 87% das amostras de uva continham um coquetel químico.

“Ao permitir agrotóxicos proibidos em nossas importações, o Reino Unido está exportando sua pegada ambiental e de saúde humana para o exterior. Trabalhadores rurais e a vida selvagem em países onde nossos alimentos são cultivados estão expostos a esses produtos químicos perigosos e sofrerão os danos associados. Isso também prejudica os agricultores britânicos em um momento em que pedimos que eles produzam de forma mais sustentável”, disse Mole.

“Mas qualquer queda nos padrões britânicos de agrotóxicos será um grande problema para o comércio com a União Europeia, o que também pode devastar a agricultura do Reino Unido. Se o governo for sério sobre proteger os consumidores britânicos e apoiar nossos fazendeiros, ele pode matar dois coelhos com uma cajadada só, não permitindo que importações de alimentos cultivados usando agrotóxicos proibidos para uso doméstico entrem na Grã-Bretanha.”

Um porta-voz do departamento de meio ambiente, alimentos e assuntos rurais disse: “Temos limites rígidos para resíduos de agrotóxicos em vigor, definidos após rigorosas avaliações de risco para garantir que os níveis sejam seguros para o público. Esses limites se aplicam tanto a alimentos produzidos domesticamente quanto importados de outros países.”


Fonte: The Guardian

Estudo relaciona níveis mais altos de PFAS a riscos tóxicos e acesso limitado a alimentos frescos

Os resultados destacam como o ambiente construído em bairros de baixa renda apresenta múltiplas rotas de exposição ao PFAS

pfas torneiraEnchendo um copo de água em uma torneira de cozinha em Santa Ana em 26 de abril de 2024. Fotografia: MediaNews Group/Orange County Register/Getty Images

Por Tom Perkins para o “The Guardian” 

Uma nova pesquisa que visa identificar quais bairros dos EUA enfrentam maior exposição aos tóxicos “produtos químicos eternos” PFAS descobriu que aqueles que vivem perto de locais “superfund” e outros grandes poluidores industriais, ou em áreas com acesso limitado a alimentos frescos, geralmente têm níveis mais altos dos compostos perigosos no sangue.

O estudo analisou centenas de pessoas que vivem no sul da Califórnia e descobriu que aqueles que não moram a menos de 800 metros de um supermercado têm níveis 14% mais altos de PFOA e PFOS – dois compostos comuns de PFAS – no sangue do que aqueles que moram.

Enquanto isso, aqueles que vivem a menos de cinco quilômetros de um local de superfundo — um local contaminado com substâncias perigosas — têm níveis até 107% mais altos de alguns compostos, e pessoas que vivem perto de uma instalação conhecida por usar PFAS apresentaram níveis sanguíneos significativamente mais altos.

As descobertas destacam como o ambiente construído em bairros de baixa renda apresenta múltiplas rotas de exposição a PFAS, disse Sherlock Li, pesquisador de pós-doutorado na University of Southern California. As soluções não são fáceis, ele acrescentou.

“É uma pergunta difícil porque você não pode dizer às pessoas para simplesmente se mudarem ou comprarem filtros de ar e filtros de água e comerem alimentos saudáveis”, disse Li. “Esperamos que o governo veja a análise e tome medidas… porque é mais econômico reduzir a poluição na fonte.”

PFAS são uma classe de cerca de 15.000 compostos normalmente usados ​​para fazer produtos que resistem à água, manchas e calor. Eles são chamados de “produtos químicos eternos” porque não se decompõem e se acumulam naturalmente, e estão ligados a câncer, doença renal, problemas de fígado, distúrbios imunológicos, defeitos congênitos e outros problemas de saúde sérios.

O estudo também descobriu que pessoas que vivem em bairros com água contaminada com PFAS têm níveis sanguíneos 70% mais altos de PFOS e PFOA, embora não haja correlação entre alguns outros compostos.

Pesquisadores dizem que a dieta é provavelmente um fator contribuinte para os níveis mais altos em bairros com acesso limitado a alimentos frescos. Pesquisas anteriores descobriram que alimentos processados ​​e fast foods que são mais acessíveis nesses bairros geralmente contêm níveis mais altos de PFAS – os produtos químicos são comumente adicionados para resistir à umidade e à gordura em embalagens de fast food e recipientes para viagem . Por outro lado, comer uma dieta com mais alimentos frescos pode ajudar a reduzir os níveis sanguíneos de PFAS.

Embora a Food and Drug Administration tenha anunciado no ano passado que os compostos PFAS não eram mais aprovados para uso em embalagens de papel para alimentos produzidas nos EUA, os produtos químicos podem estar em embalagens importadas ou em recipientes de plástico.

As embalagens estão entre as “principais fontes” de níveis elevados nos bairros, disse Li, mas a solução é em parte estrutural – melhorar o acesso a alimentos frescos com mais supermercados ou hortas comunitárias também terá o benefício de reduzir os níveis de PFAS.

Alguns participantes do estudo moravam perto de várias antigas bases da Força Aérea e de uma instalação de galvanoplastia que agora são locais de superfundos contaminados com PFAS.

A ligação entre as águas subterrâneas no local e a água potável era fraca, e os autores levantam a hipótese de que os níveis mais altos de PFAS no sangue ao redor dos locais de superfundo e instalações industriais que usam os produtos químicos derivam em grande parte da poluição do ar. O PFAS pode ser volátil, o que significa que ele é liberado no ar de uma área poluída, ou pode entrar na poeira e, então, ser inalado ou ingerido.

“Precisamos ser mais holísticos para reduzir a exposição à água, aos alimentos, ao ar do solo – todos eles”, disse Li.


Fonte: The Guardian

Reino Unido: Limites de resíduos de agrotóxicos em alimentos sofreram fortes aumentos após o Brexit

Exclusivo: Ao contrário da União Europeia (UE), a Grã-Bretanha cortou proteções para vários tipos de alimentos

trator agrotóxicosOs níveis máximos de resíduos foram enfraquecidos para 49 agrotóxicos diferentes, 15 dos quais estão em uma lista de ‘agrotóxicos altamente perigosos’ compilada pela Pesticides Action Network UK. Fotografia: Juice Flair/Shutterstock

A quantidade de resíduos de pesticidas permitida em vários tipos de alimentos na Inglaterra, no País de Gales e na Escócia aumentou desde o Brexit , revela uma análise, e alguns agora são milhares de vezes maiores.

Mudanças nas regulamentações na Grã-Bretanha significam que mais de 100 itens agora podem conter mais agrotóxicos quando vendidos ao público, desde batatas a cebolas, uvas a abacates, e de café a arroz.

Para o chá, o nível máximo de resíduo (MRL) foi aumentado em 4.000 vezes para o inseticida clorantraniliprole e o fungicida boscalida. Para o controverso herbicida glifosato, classificado como um “ provável carcinógeno humano ” pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o MRL para feijões foi aumentado em 7,5 vezes.

O propósito do regime de MRL de pesticidas é proteger a saúde pública, a vida selvagem e o ambiente natural. Os ativistas disseram que a lista de agrotóxicos incluía toxinas reprodutivas e carcinógenos e que os MRLs mais fracos reduziam as proteções para os consumidores na Grã-Bretanha. A Irlanda do Norte manteve os MRLs da UE.

As mudanças ocorreram entre 2022 e 2024 sob o governo conservador anterior e substituíram os LMRs mais fortes da UE. Em contraste com a Grã-Bretanha, a UE não enfraqueceu os LMRs para os agrotóxicoss e, em alguns casos, está tornando-os ainda mais rigorosos. Os ativistas pediram ao governo trabalhista que revertesse as mudanças.

Os LMRs foram enfraquecidos para 49 pesticidas diferentes, 15 dos quais estão em uma lista de “ agrotóxicos altamente perigosos ” compilada pela Pesticides Action Network UK (Pan UK), com base em dados de autoridades nacionais e internacionais.

A análise dos MRLs foi conduzida pela Pan UK usando dados do Health and Safety Executive (HSE), que regula os pesticidas no Reino Unido, e os detalhes foram compartilhados com o Guardian. Em um exemplo, os MRLs para abacates e romãs para o inseticida bifentrina, um disruptor hormonal, foram aumentados 50 vezes. O agrotóxico é proibido tanto no Reino Unido quanto na UE, mas não em muitos países importadores.

“Os limites de segurança foram minados para uma lista preocupante de agrotóxicos”, disse Nick Mole da Pan UK. “Em um momento em que cânceres e outras doenças crônicas estão aumentando, deveríamos fazer tudo o que podemos para reduzir nossa exposição química. Na realidade, não temos ideia do que essa exposição contínua a dezenas – ou mesmo centenas – de produtos químicos diferentes está fazendo à nossa saúde a longo prazo.” Cientistas concluíram em 2022 que a poluição química global haviultrapassado o limite seguro para a humanidade.

Um porta-voz do HSE disse: “Tomamos decisões independentes com base em uma avaliação científica cuidadosa dos riscos, com o objetivo de atingir um alto nível de proteção para as pessoas e o meio ambiente. A decisão de alterar qualquer MRL deve ser apoiada por uma avaliação de risco para garantir que os requisitos de segurança reconhecidos internacionalmente sejam atendidos.” Ele disse que os MRLs britânicos foram definidos abaixo do nível considerado seguro para as pessoas que comem o alimento.

Os novos e mais fracos LMRs adotados pela Grã-Bretanha vêm do Codex Alimentarius, um conjunto de padrões alimentares internacionais produzidos pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação e pela OMS. O Codex foi criticado por ativistas por “um histórico de definição de padrões de segurança mais fracos do que os equivalentes europeus devido à influência do lobby dos EUA e corporativo”.

Surpreendentemente, o Reino Unido escolheu adotar os MRLs do Codex somente onde eles ofereciam menor proteção aos consumidores. Onde o padrão do Codex era mais rigoroso, o HSE decidiu manter o MRL britânico mais fraco.

“Isso realmente é inacreditável”, disse Mole. “O novo governo precisa urgentemente inverter essa abordagem de cabeça para baixo.” O HSE disse que um MRL britânico pode ser maior porque um pesticida foi aplicado em maiores quantidades na Grã-Bretanha do que no cenário considerado para o padrão do Codex.

O The Guardian revelou em janeiro que o Reino Unido havia abandonado uma série de proteções ambientais derivadas da UE , apesar de Michael Gove, Boris Johnson e outros arquitetos do Brexit terem prometido que elas seriam fortalecidas após o Reino Unido deixar o bloco. Em particular, a UE baniu 30 pesticidas nocivos desde o Brexit – o Reino Unido não baniu nenhum deles.

Quinze dos pesticidas para os quais os MRLs foram aumentados são proibidos tanto no Reino Unido quanto na UE, incluindo dois neonicotinoides, notórios por seus danos aos insetos polinizadores. A Pan UK disse que isso deu uma vantagem competitiva aos produtores em países onde esses pesticidas permanecem legais, como os EUA, Canadá e Austrália no caso dos neonicotinoides.

Um neonicotinoide, o tiametoxam, teve seu LMR para aveia aumentado 25 vezes em relação ao padrão anterior da UE, enquanto para a clotianidina, o LMR para trigo aumentou 7,5 vezes. Em contraste, a UE deve reduzir seus LMRs para esses inseticidas em até 80% em 2026.

“Estamos essencialmente exportando nossa pegada de agrotóxicos para o exterior”, disse Mole. “Para o bem da crise global da biodiversidade, o novo governo precisa urgentemente desfazer essa bagunça. Deveríamos adotar uma abordagem de precaução, que priorize a saúde e o meio ambiente em vez das preocupações econômicas.”

Um porta-voz do Defra disse: “As decisões sobre os MRLs são tomadas somente após rigorosas avaliações de risco para garantir que os níveis sejam seguros para o público. Este governo mudará as políticas existentes para proibir o uso de agrotóxicos que matam abelhas e estabelecerá planos para minimizar os riscos e impactos dos pesticidas por meio de uma maior adoção do manejo integrado de pragas .”


Fonte:The Guardian

Hipocrisia dos agrotóxicos: a União Europeia está envenenando a América do Sul e enriquecendo “às nossas custas”?

Ativistas do Greenpeace protestam contra o uso de agrotóxicos em frente ao Congresso Nacional em Brasília, Brasil. Outubro de 2023. - Sputnik World, 1920, 04/09/2024

©AP Foto/Eraldo Peres

Por Davi Carlos Acácio e Ludmila Zeger para o Sputnik

O Brasil foi o país que mais consumiu agrotóxicos em 2022, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Além do mais, o Brasil tornou-se famoso nos últimos anos por ser o principal importador de agrotóxicos proibidos na União Europeia (UE).

Os especialistas entrevistados pela Sputnik explicam porque é que os agrotóxicos proibidos na UE são vendidos para a América Latina, quais os riscos que isso acarreta e como o Governo está a tentar resolver o problema.

De acordo com um estudo encomendado pela Pesticides Action Network (PAN-Europe), uma coalizão de organizações da sociedade civil de países europeus, intitulado ” Agrotóxicos da UE, proibições de exportação: quais poderiam ser as consequências?”, o Brasil foi eleito o maior importador de produtos proibido na Europa, entre os países em desenvolvimento em 2018.

A investigação mostra que o Brasil importou 10.080.462 quilos de agrotóxicos proibidos na União Europeia, o que equivale a 36%. Entre os 18 países que mais realizaram transações desse tipo, seis são sul-americanos. Além do Brasil, a lista inclui Chile, Peru, Argentina, Colômbia e Equador .

“A Europa está ficando mais rica às custas dos países sul-americanos. Vou dar dois números muito claros. O primeiro é que nos últimos dez anos o uso de agrotóxicos na UE diminuiu cerca de 3% e no Brasil , no mesmo período, aumentou 78% ”, argumenta a professora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), pesquisadora associada do Centro de Estudos sobre América, Ásia e África (CESSMA) da Universidade de Paris e autora de “Agroquímicos e colonialismo químico” (2023), Larissa Mies Bombardi. A professora revela ainda que a América Latina é o local onde mais cresce o uso de agrotóxicos. “Nos últimos 20 anos, o uso de agrotóxicos na América Latina aumentou 143%”, destaca.

Ela acrescenta que em nenhum outro lugar do mundo o uso de agrotóxicos aumentou tanto e, dessa forma, a Europa enriquece às custas dos países sul-americanos, dos quais o Brasil é o principal.  O relatório PAN-Europa mostra que a UE foi o principal exportador de agrotóxicos em 2022. No total, foram exportadas 714 mil toneladas de agrotóxicos em um valor estimado em 6,6 bilhões de euros . Desse montante, 81.615 toneladas de 41 agrotóxicos proibidos foram exportados para uso agrícola em outros países.

Nova lei sobre agrotóxicos ou “Pacote do Veneno”?

No final de 2023, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou com vetos a Lei 14.785 de 2023, conhecida como Nova Lei dos Agrotóxicos , que tem origem no Projeto de Lei 1.459/2022, proposto inicialmente em 1999. Porém, em maio de 2024, o Congresso Nacional derrubou parte dos vetos do presidente e a lei entrou em vigor.

A questão dos agrotóxicos também está diretamente ligada à reforma tributária, uma vez que não foram incluídos no Imposto Seletivo pelo Governo federal e pela Câmara dos Deputados. Além disso, uma reportagem publicada por O Joio e O Trigo , em colaboração com Fiquem Sabendo (organização sem fins lucrativos especializada no acesso à informação pública), mostra que a reforma prevê que os agrotóxicos recebam um desconto de 60% no Imposto sobre o Valor Acrescentado (CUBA).

A diretora-executiva do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos Fitossanitários (Sindiveg), Eliane Kay , considera que a lei, fruto de um projeto que está no Congresso há mais de 20 anos, “foi amplamente debatida junto à sociedade civil organizada”.

“O texto aprovado reflete o desejo do setor por uma regulamentação mais moderna, sem prejuízo do rigor técnico e da segurança para os trabalhadores rurais, para a população e para o meio ambiente. O uso de agrotóxicos e o sistema regulatório brasileiro são rígidos e seguem as normas dos organismos internacionais”, ele diz.

Por outro lado, na opinião de Bombardi, o projeto, que já foi apelidado de Pacote do Veneno , “destrói o princípio da precaução que existia na Lei dos Agrotóxicos de 1989”.

A especialista comenta que embora a Lei de 1989 diga que se “uma substância tiver evidências de que pode ser cancerígena, de que pode ter efeitos na formação dos fetos, de que pode causar problemas hormonais, essa substância pode ser revista e pode ser proibida”. , a nova Lei de Agrotóxicos, por outro lado, afirma que “se uma determinada substância apresenta um risco inaceitável de câncer ”.

Para ela, a ideia de risco inaceitável pode abrir precedentes para o que pode ou não ser considerado aceitável.  “O que é um risco inaceitável de câncer? Do que estamos falando? Cria uma enorme janela legal”, argumenta.

Além disso, a professora e pesquisadora destaca outra mudança: se antes os ministérios da Saúde, da Agricultura e do Meio Ambiente tinham equivalência para decidir se aprovavam ou não o uso de determinada substância no Brasil, agora, com a nova lei, a competência dos registros dos agrotóxicos caberá exclusivamente ao Ministério da Agricultura e Pecuária .

“Isso também coloca em risco, obviamente, que substâncias nocivas ao meio ambiente e à saúde humana possam ser aprovadas”, enfatiza.

Lobistas na corrida?

O assunto é resultado de discussões entre os setores político, econômico e de saúde. Uma reportagem publicada pelo Fiquem Sabendo mostra que o Governo Federal, durante o período de tramitação e aprovação do Projeto de Lei e da Reforma Tributária, recebeu agentes privados identificados como lobistas.

Segundo a investigação, entre 18 de outubro de 2022 e 5 de agosto de 2024, o governo federal teve 752 reuniões com a presença de pelo menos um lobista ou empresa de defesa ou produção de agroquímicos.

Segundo a própria organização, a análise visa problematizar “o papel e a influência exercida pelos lobistas dos

O Brasil foi o país que mais consumiu agrotóxicos em 2022, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Além do mais, o Brasil tornou-se famoso nos últimos anos por ser o principal importador de agrotóxicos proibidos na União Europeia (UE).

Os especialistas entrevistados pela Sputnik explicam porque é que os agrotóxicos proibidos na UE são vendidos para a América Latina, quais os riscos que isso acarreta e como o Governo está a tentar resolver o problema.

De acordo com um estudo encomendado pela Pesticides Action Network (PAN-Europe), uma coalizão de organizações da sociedade civil de países europeus, intitulado ” Agrotóxicos da UE, proibições de exportação: quais poderiam ser as consequências?”, o Brasil foi eleito o maior importador de produtos proibido na Europa, entre os países em desenvolvimento em 2018.

A investigação mostra que o Brasil importou 10.080.462 quilos de agrotóxicos proibidos na União Europeia, o que equivale a 36%. Entre os 18 países que mais realizaram transações desse tipo, seis são sul-americanos. Além do Brasil, a lista inclui Chile, Peru, Argentina, Colômbia e Equador .

“A Europa está ficando mais rica às custas dos países sul-americanos. Vou dar dois números muito claros. O primeiro é que nos últimos dez anos o uso de agrotóxicos na UE diminuiu cerca de 3% e no Brasil , no mesmo período, aumentou 78% ”, argumenta a professora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), pesquisadora associada do Centro de Estudos sobre América, Ásia e África (CESSMA) da Universidade de Paris e autora de “Agroquímicos e colonialismo químico” (2023), Larissa Mies Bombardi. A professora revela ainda que a América Latina é o local onde mais cresce o uso de agrotóxicos. “Nos últimos 20 anos, o uso de agrotóxicos na América Latina aumentou 143%”, destaca.

Ela acrescenta que em nenhum outro lugar do mundo o uso de agrotóxicos aumentou tanto e, dessa forma, a Europa enriquece às custas dos países sul-americanos, dos quais o Brasil é o principal.  O relatório PAN-Europa mostra que a UE foi o principal exportador de agrotóxicos em 2022. No total, foram exportadas 714 mil toneladas de agrotóxicos em um valor estimado em 6,6 bilhões de euros . Desse montante, 81.615 toneladas de 41 agrotóxicos proibidos foram exportados para uso agrícola em outros países.

Uso de agrotóxicos no Brasil

Os dados fornecidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) ao relatório Fiquem Sabendo mostram um aumento considerável na aprovação de agrotóxicos no Brasil desde 2000. Em 2017, foi a primeira vez que o país registrou mais de 400 substâncias autorizadas. Entre 2021 e 2023 foram autorizados 1.769 produtos .

A CEO do Sindiveg, Eliane Kay, destaca que “todo produto utilizado no Brasil foi avaliado pelas autoridades reguladoras nacionais e atende às exigências legais vigentes, que são tão rigorosas quanto as de qualquer outro grande país agrícola do mundo”.

Ou seja, quando são avaliados e colocados à venda, passam por uma série de estudos, como “análises toxicológicas e ecotoxicológicas realizadas sob boas práticas laboratoriais e avaliadas pelos órgãos reguladores, de acordo com os critérios estabelecidos na legislação”, ele explica.

Apesar dos processos legais, os pesquisadores questionam algumas regulamentações brasileiras. Citando o livro Agrotóxicos e o colonialismo químico , a professora associada do Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Evelize Folly das Chagas , ressalta que o tebuconazol, proibido na Europa, no Brasil “é permitido estar presente na água potável cerca de 1.800 vezes mais do que o estabelecido na UE “e já está comprovado que isso causa problemas de malformações e do aparelho reprodutor.

“ O glifosato , considerado potencialmente cancerígeno para humanos em 2015 pela Organização Mundial da Saúde, autorizamos um resíduo dessa substância 5 mil vezes maior na água, na água potável do Brasil, do que na União Europeia”, diz Bombardi.

Quando a nova Lei dos Agrotóxicos foi aprovada pelo Senado e enviada ao presidente para aprovação, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) publicou um comunicado contrário ao projeto, alegando que o Senado havia ignorado uma consulta pública em que 80% dos entrevistados votaram contra o projeto .

Além de se opor ao projeto, o INCA enfatizou “os impactos nocivos à saúde humana e ambiental decorrentes da exposição a esse contaminante químico”, afirmando que “cerca de 80% a 85% dos casos de câncer são consequência da exposição a substâncias químicas, físicas ou biológicas”. agentes presentes no ambiente .”

Como cada país segue sua própria legislação, Bombardi indica que a COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas 2025) tem papel central nesses debates e que ela, como coordenadora da Aliança Internacional de Padrões de Pesticidas, tem intenção de propor um debate sobre a necessidade para um quadro regulamentar internacional para pesticidas .

“Hoje temos três convenções globais sobre substâncias tóxicas, mas nenhuma delas trata diretamente de pesticidas”, argumenta.

Também destaca as diferenças entre o que se aplica na Europa e o que a Europa acredita que se aplica no resto do mundo.

Da mesma forma que durante o período histórico colonial na Europa não era tolerada a escravatura de pessoas [uma actividade económica lucrativa nas colónias americanas], hoje na Europa, algumas substâncias, como a atrazina, que está relacionada com vários tipos de cancro , a doença de Parkinson, a infertilidade, a malformação fetal, estão proibidas na UE há 20 anos, e estas substâncias continuam a ser vendidas pela União Europeia aos países do sul [global] e o Brasil é um dos principais consumidores”, conclui.


Fonte: Sputnik 

Relatório científico revela ineficácia da lavagem de frutas contra agrotóxicos

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Por Terra Brasil

Um novo relatório científico reforça as preocupações dos consumidores sobre resíduos de agrotóxicos em alimentos. As evidências apontam que lavar as frutas antes de comê-las não remove vários produtos químicos tóxicos comumente usados na agricultura.

Os pesquisadores publicaram o artigo sobre a ineficácia da lavagem de frutas na quarta-feira no periódico Nano Letters da American Chemical Society. Segundo o documento, as tradicionais “operações de limpeza de frutas não conseguem remover totalmente os agrotóxicos”.

Penetração Profunda dos Pesticidas nas Frutas

Os resultados da pesquisa são preocupantes. Utilizando uma técnica especializada para examinar uma maçã, os cientistas descobriram que os agrotóxicos penetram não apenas na camada da casca, mas também na camada da polpa. Esta penetração torna a simples lavagem ineficaz para a remoção completa dos produtos químicos.

Segundo os pesquisadores, “os resultados de imagem provam que os agrotóxicos penetram na camada da casca e na camada da polpa”. Isso significa que, mesmo após uma lavagem meticulosa, muitos resíduos podem ainda estar presentes dentro da fruta.

Os Riscos dos Agrotóxicos são reais?

Essa descoberta levanta uma preocupação importante: quão esses agrotóxicos afetam nossa saúde? Diversos estudos documentam os riscos à saúde relacionados aos agrotóxicos, mas a maioria das pesquisas foca na exposição ocupacional, ao invés da exposição dietética.

As principais agências de saúde mundial afirmam que resíduos de agrotóxicos em alimentos, quando dentro dos limites legais, não são geralmente uma preocupação para a saúde. No entanto, essa nova pesquisa poderia motivar uma revisão desses limites e práticas de segurança alimentar.

Como Minimizar a Exposição a Agrotóxicos?

Embora a remoção da casca da maçã tenha mostrado diminuir a contaminação por agrotóxicos, essa solução pode não ser prática ou desejável para todos, dado que a casca de muitas frutas contém nutrientes importantes.

  • Opte por alimentos orgânicos: Os alimentos orgânicos geralmente contêm menos pesticidas.
  • A utilização de soluções de lavagem específicas: Produtos de limpeza próprios para frutas podem ser mais eficazes do que a água simples.
  • Investigue métodos alternativos: Métodos como imersão em soluções de vinagre ou bicarbonato de sódio podem ajudar, mas exigem mais estudo para determinação de eficácia.
  • Consuma variedades de frutas: Diversificar os tipos de frutas consumidas pode ajudar a minimizar o risco de exposição a um único tipo de agrotóxico.

Higienização de Frutas Ainda É Necessária?

Enquanto a higienização não pode eliminar completamente os pesticidas, ela é fundamental para a segurança alimentar em geral. A lavagem com água corrente e a utilização de soluções apropriadas ajudam a remover a sujeira e microorganismos, como bactérias e vírus, que são prejudiciais à saúde.

Portanto, é importante continuar a higienizar bem todas as frutas e vegetais antes do consumo. Além disso, considerar a compra de produtos orgânicos e diversificar a dieta pode ajudar a reduzir ainda mais a exposição a pesticidas.

Em resumo, enquanto a lavagem não é a solução completa para os agrotóxicos, continuar com boas práticas de higienização e fazer escolhas informadas ao comprar frutas pode melhorar nossa saúde e bem-estar.


Fonte: Terra Brasil Notícias