Em meio à pandemia, Bolsonaro edita MP que permite suspender contratos de trabalho por 4 meses

bolsonaro vendaJair Bolsonaro, indo de encontro ao que resto do mundo está fazendo, pune ainda mais a classe trabalhadora ao permitir a suspensão de contratos de trabalho em meio à pandemia do coronavírus

Seguindo os passos diametralmente opostos da maioria dos governos mundiais que estão liberando grandes volumes de dinheiro para proteger os trabalhadores, o presidente Jair Bolsonaro fez publicar uma Medida Provisória (a MP 927) que permitirá aos patrões suspender por até 4 meses o contrato de trabalho de seus empregados, segundo informam os jornalistas William Castanho e Alexa Salomão em matéria publicado pelo jornal “Folha de São Paulo”.

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Que Jair Bolsonaro possui uma grande dívida política com as elites nacionais não há dúvida. Sem o dinheiro e o apoio político dos ultrarricos brasileiros nas eleições de 2018, é bem possível que hoje tivéssemos um  outro presidente no Brasil neste momento.  E como naquela máxima de quem “paga a orquestra, escolhe a música”, o governo Bolsonaro acaba tentando jogar sobre as costas dos trabalhadores o ônus de uma pandemia que continua a ser negligenciada por Jair Bolsonaro, que a a apresenta como uma “gripezinha“.

O problema é que o Brasil possui uma das maiores concentrações de renda do planeta, o que possibilita que nesta hora de grande dificuldade, o patronato possa ser chamado a dar a dose de sacrifício que as vastas fortunas acumuladas às custas do suor alheio permite.  Como disse o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, em relação aos ricos salvadorenhos, os ricos podem viver facilmente por várias gerações com uma perda mínima nas suas fortunas neste momento.

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Já os trabalhadores, cujo volume de sacrifícios tem sido gigantesco ao longo dos últimos anos, já se encontravam em graves dificuldades antes da erupção da pandemia do coronavírus.  Esperar que eles aceitem ficar com contratos suspensos (e sem salários) é uma grande maldade que, entretanto, poderá gerar uma convulsão social sem precedentes na história do Brasil. Assim, até por motivos de autopreservação, caberá ao grande empresariado brasileiro recusar esse passe livre que está sendo ofertado pelo governo Bolsonaro. É que não haverá como impedir saques a supermercados e empresas se esse plano  sinistro for concretizado.