Abandono e destruição do Museu Olavo Cardoso coloque em xeque discurso pró-conservação do governo Wladimir Garotinho

wp-1674822491834

Desde meados de 2022 temos sido premiados pela mídia corporativa campista com cenas de um imbróglio interminável envolvendo o governo Wladimir Garotinho e a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense em torno do uso de uma verba de R$ 20 milhões que foi cedida pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para a realização da reforma do Solar do Colégio, edíficio histórico que abriga o Arquivo Público Municipal.

As últimas chuvas que ocorreram no município de Campos dos Goytacazes obviamente tiveram um efeito altamente negativo sobre muitas edifícios históricos, incluindo o já citado Solar do Colégio. Isso motivou uma nova rodada de recriminações contra a Uenf, vista como sendo a culpada pelo processo de reforma ainda não ter sido iniciado. Em função disso, até a normalmente comedida Auxiliadora Freitas, atualmente presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), veio a público para lamentar o atraso das obras, afirmando que “Angustiante termos o projeto, o recurso e nossa história se perdendo. A cada chuva, parte de nossa história se perde. Estamos com o coração muito triste. Pedimos neste momento, já que é uma obra que precisa começar em caráter de urgência, urgentíssima, que a Uenf, seus gestores, equipe técnica, docentes e pesquisadores entrem nesta caminhada burocrática para a obra sair do papel e acontecer.

Tudo estaria certo se outro próprio municipal, o prédio que abriga o Museu Olavo Cardoso não estivesse hoje vivendo uma situação tão ou mais catástrófica que aquela aflige o Solar do Colégio, sem que a própria presidente da FCJOL, a quem cabe cuidar deste importância objeto arquitetônico da cidade de Campos dos Goytacazes tenha feita qualquer manifestação pública no sentido de indicar que o socorro está a caminho (ver imagens abaixo tiradas na manhã desta 6a. feira).

Este slideshow necessita de JavaScript.

O curioso é que em julho de 2022, a mídia campista noticiou que enquanto um processo de restauração do prédio que abriga o Museu Olavo Cardoso não fosse feito,  a Prefeitura de Campos estaria realizando “uma pequena reforma para que o equipamento cultural abrigue setores da Fundação Cultural Jornalista Osvaldo Lima (FCJOL), que estaria orçada em módicos R$ 32.665,20. A questão evidente é que essa pequena obra não só não foi realizada, como não houve qualquer início das ações para proteger e conservar um próprio municipal de importância histórica.

É interessante notar que  o Museu Olavo Cardoso foi criado para cumprir a última vontade de seu patrono, o usineiro  campista Olavo Cardoso, que registrou em testamento que sua residência deveria ser destinada à conservação e divulgação da memória de Campos após a morte de seu último herdeiro. 

E antes que me esqueça, penso que não custa perguntar por onde andam os membros do Conselho de Preservação do Patrimônio Arquitetônico Municipal – Campos dos Goytacazes (COPPAM) nessa situação lamentável em que se encontram vários edifícios históricos pertencentes à Prefeitura Municipal? Aparentemente, tomou Doril e sumiu!

Devolve a verba, reitor!

Em face dessa postura para lá de dual da Prefeitura de Campos que age para jogar sobre as costas da Uenf uma culpa que é sua, renovo aqui o meu convite ao reitor Raúl Palácio para que devolva imediatamente a verba de R$ 20 milhões para a Alerj.  O problema é que ao ficar com a pecha de incompetente, ele acaba coletivizando uma decisão pessoal sua de transformar a Uenf em barriga de aluguel de uma gestão municipal que objetivamente possui preocupação com o patrimônio histórico apenas de fachada.

A preocupação seletiva do prefeito coloca em risco o patrimônio histórico de Campos dos Goytacazes

Recentemente a mídia corporativa local deu espaço para o prefeito Wladimir Garotinho tecer ameaças nada veladas ao reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense por supostamente fazer corpo mole na liberação de R$ 20 milhões enviados pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para a realização de reformas no Solar do Colégio onde fica localizado o Arquivo Municipal.  O imbróglio envolvendo os R$ 20 milhões foi aparentemente resolvido após uma audiência pública realizada na Alerj onde se acordou o chamado óbvio ululante que é a realização de licitações para a contratação das empresas envolvidas na reforma do Solar do Colégio.

Mas tudo indica que o prefeito de Campos dos Goytacazes é um sujeito dotado de uma preocupação seletiva com a preservação de prédios históricos. É que as chuvas torrenciais que caem sobre a cidade estão servindo para escancarar a situação de completo abandono de outro prédio que pertence ao patrimônio arquitetônico municipal e que, pasmemos todos, também está de posse da Prefeitura Municipal. Além disso, diferente do Solar do Colégio, o prédio em questão está localizado em uma área de grande trânsito de carros e de pessoas, pois está localizado na esquina das ruas Marechal Deodoro (antiga rua do Príncipe)  e Saldanha Marinho (ver imagem abaixo).

casarão histórico

A questão é que este prédio não está nessa condição lamentável por falta de dinheiro nos cofres municipais como, aliás, não está o prédio que abriga o Arquivo Municipal.  Por outro lado, uma pergunta que se coloca é o porquê do silêncio sepulcral do Conselho de Preservação do Patrimônio Municipal (COPPAM) que não toma qualquer medida para obrigar o prefeito Wladimir Garotinho a iniciar as urgentes reformas que vários prédios históricos de propriedade do município se encontram neste momento. Estão esperando exatamente o quê? Um incêndio que consuma o prédio e que obrigue a sua demolição?

Já o prefeito precisa explicar a razão (ou razões) da dualidade de comportamento que ele mostra em relação à preservação do rico acervo arquitetônico que existe na cidade que ele governa.