Primeiro resultado indica que Jair Bolsonaro estaria contaminado pelo Coronavírus

bolso corona 1O presidente Jair Bolsonaro teria testado positivo para coronavírus, e aguarda apenas o resultado da contra-prova para ter sua contaminação confirmada ou não.

Algo que já se especulava desde que o secretário de Comunicação Social da presidência da república, Fábio Wajngarten, apareceu infectado pelo coronavírus parece agora estar se confirmando. Falo aqui do resultado do exame feito no presidente Jair Bolsonaro que teria dado um resultado positivo para infecção pelo coronavírus (ver imagem abaixo).

bolso corona

Se confirmada a infecção do presidente da república pelo coronavírus, as repercussões políticas, econômicas e ideológicas serão imensas. É que até onde se tem notícia, Jair Bolsonaro seria o primeiro chefe de executivo a ser declarado com a enfermidade em todo o planeta, o que, convenhamos, é uma honraria macabra.  

As consequências da confirmação da infecção por Jair Bolsonaro poderão trazer resultados devastadores sobre seu governo, na medida em que ficarão evidente os limites de uma variante ideológica que desdenha do conhecimento científico acumulado ao longo de quase 400 anos em prol de uma negação em regra da ciência, a começar pela questão das mudanças climáticas.

O interessante é ler a matéria escrita pelo jornalista Leandro Mazzini que aponta a mansão do presidente Donald Trump na Flórida como possível ponto de origem da contaminação não apenas de Fábio Wajngarten e  Jair Bolsonaro, mas de boa parte da delegação brasileira que acompanhava o presidente da república em seu tour pelos EUA.   Se isso for confirmado, é bem provável que também Donald Trump esteja contaminado pelo coronavírus, o que terá também efeitos devastadores para a sua campanha de reeleição.

Enfim, aguardemos o resultado da contra-prova para verificar se Jair Bolsonaro está mesmo com coronavírus, visto as repercussões que isso inevitavelmente trará para seu governo. A ver!

Despreparado para a pandemia, o SUS perdeu quase 50 mil leitos desde 2007

uti leitgosCoronavírus chega ao Brasil em um momento em que o SUS já está altamente sobrecarregado e sem leitos suficientes para acomodar os doentes.

O gráfico abaixo mostra a evolução negativa do estoque de leitos hospitalares disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos 12 anos, indicando a perda de quase 50 mil unidades. Esse é o resultado de um ataque contínuo do acesso a hospitais públicos que hoje deixa os mais pobres basicamente desamparados, enquanto diversas enfermidades graves circulam no Brasil, a começar pelo Coronavírus.wp-1584098908582.jpg

A questão da diminuição de leitos hospitalares é apenas uma faceta do desmanche do SUS, uma experiência que, mesmo com uma série de problemas, logrou dotar os brasileiros mais pobres do acesso à saúde universal.  E é por isso mesmo que desde a sua criação, o SUS tem estado na mira de diferentes administrações federais cuja opção preferencial é de favorecer os interesses das grandes corporações financeiras que se alimentam da dívida pública brasileira, ainda que causando enormes sacrifícios aos mais pobres que não tem como pagar planos privados de saúde.

As autoridades do setor da saúde, a começar pelo ministro da Saúde, claramente subestimaram o impacto que a chegada do Coronavírus no Brasil, especialmente em termos da necessidade de um estoque maior do que aquele que existe nos hospitais. E como o Brasil não é a China que demonstrou a capacidade de construir unidades hospitalares em menos de duas semanas apenas para atender os infectados pelo Coronavírus, as expectativas para um eventual alastre dessa enfermidade não têm como ser boas, e provavelmente passaremos por momentos caóticos, onde os servidores públicos da área da saúde serão chamados a se colocar na linha de frente do combate sem que sequer estejam preparados para não serem eles mesmos contaminados.

Enquanto isso, o governo Bolsonaro seguirá tentando impor retrocessos a esses e outros servidores públicos, como se a causa da bancarrota das contas públicas fossem os salários dos empregados do estado e não as exorbitantes quantias que são entregues aos bancos todos os dias sob a desculpa de pagar uma dívida pública para a qual não se tem a menor transparência.

A realidade que se avizinha é dura e passaremos por uma dura prova. Mas o essencial aqui é entender a importância de se proteger o SUS e impedir o seu desmantelamento. O fato é que a rede privada de saúde não está nem preparada ou interessada em enfrentar situações como o país está começando a enfrentar neste momento. Por isso, a necessidade estratégica de defender o SUS dos ataques que vem recebendo sob o argumento de diminuir as despesas do Estado brasileiro.

 

Caos à vista: Com economia paralisada, o Brasil vê no horizonte uma recessão global

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E o tamanho do PIB é…. 

Ontem ouvi por poucos minutos um entrevistado de programa local analisando a situação econômica do Brasil em meio às “reformas” de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes que nos isolaria de uma crise que se levanta na economia global.  A similaridade de argumentos e a defesa de mais “reformas” não me deixaram dúvidas, e mudei rapidamente de estação. É que até para ouvir besteira há limites.

O problema é que qualquer observador minimamente capacitado de oferecer uma análise superficial da situação teria dito ao “locutor” que a situação do Brasil já beirava o dramático antes da erupção da pandemia do Coronavírus e da eclosão das disputas entre os países produtores acerca dos preços do petróleo.  Com esses dois desdobramentos, passamos do dramático para o desesperado.

A verdade é que o Brasil já ensaia uma recessão desde que a então presidente Dilma Rousseff iniciou seu segundo mandato praticando um estelionato eleitoral quando colocou no cargo de ministro da Fazenda o neoliberal Joaquim Levy. Como a história já mostra, esse estelionato eleitoral abriu espaço para um golpe parlamentar que tirou Rousseff do poder, colocando em seu lugar Michel Temer que, efetivamente, aprofundou as medidas neoliberais de Levy, o que foi consumado com a aprovação da chamada PEC do Teto de Gastos (PEC-241 na Câmara de Deputados e PEC-55 no Senado Federal).

Ao congelar os investimentos públicos por pelo menos 20 anos, Michel Temer jogou o Brasil ainda mais para o pântano recessivo em que Dilma e Levy já tinham colocado o país. A eleição de Jair Bolsonaro e a assunção de Paulo Guedes resultaram apenas em mais recessão. Em função disso, o nosso país está atolado em uma situação calamitosa, visto que o Estado não investe por causa dos limites impostos pela PEC do Teto de Gastos, e os barões da iniciativa privada estão mais preocupados em migrar seus dólares para paraísos fiscais para salvá-los do naufrágio do que colocar suas fortunas a serviço da recuperação econômica brasileira.

Mas como não há nada que não esteja tão ruim que não possa piorar, agora temos todos os elementos indicadores de que a economia global entrará em uma recessão tão ou mais profunda do que aquela experimentada em 2008. A primeira consequência dessa situação é a fuga de divisas, pois os especuladores internacionais vão colocar suas fortunas em ativos mais seguros, e consequente depreciação acachapante do Real. Mas outra consequência importante é a perda de valor das commodities agrícolas e minerais cuja comercialização é hoje a principal boia de salvação do comércio exterior do Brasil. Com isso, temos o somatório de dois fatores que servirão para tensionar ainda mais as contas brasileiras, devendo ainda obrigar o governo Bolsonaro a torrar as reservas nacionais de dólar que foram acumuladas nos anos dourados de Lula e Dilma. Em suma, não há nada de bom ou estável no horizonte, especialmente porque os preços do petróleo dos quais a União e os chamados estados produtores dependem para obter renda não deverão se recuperar tão cedo.

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Variação dos preços do petróleo e do cobre após a erupção da crise do coronavirus

Demonstrando sua completa incapacidade de oferecer respostas que façam o Brasil se mover para fora do lamaçal econômica onde está colocado, o governo Bolsonaro tem apenas uma receita a oferecer: mais recessão e mais ataques à capacidade de investimento do Estado brasileiro disfarçados de “reformas“.  Com isso, uma situação que já é profundamente problemática tenderá a se agudizar.   Mas novamente,  é preciso dizer que aquilo que está ruim sempre pode piorar. Assim, eu não me surpreenderei nenhum pouco com uma saída intempestiva de Paulo Guedes do governo Bolsonaro, culpando inclusive o chefe pela patranha onde estamos metidos. Se isso acontecer, quem terá que se preocupar com o próprio destino será o presidente Jair Bolsonaro.

Resumo da ópera: quem ainda tiver algo a perder, melhor pensar bem sobre os próximos passos. Já para os que já perderam tudo, não há nada de bom no horizonte.  Simples assim!