Wilson Witzel aprofunda arrocho do (des) governo Pezão nas universidades estaduais do Rio de Janeiro

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O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, tomando posse na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro,

As universidades estaduais do Rio de Janeiro (Uenf, Uerj e Uezo) comeram o pão que o diabo amassou ao longo dos últimos 6 anos sob o comando do hoje presidiário Luiz Fernando Pezão.  Em um dos seus primeiros atos, o novo governador fluminense, Wilson Witzel tratou de aprofundar esse arrocho, ao incluir a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia e Inovação (Secti) em um corte de 30% dos valores liquidados em 2018 com as chamadas “despesas operacionais” (ver extrato do decreto abaixo).

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Essa forma de realizar este corte de 30% é especialmente danosa, na medida em que o (des) governo Pezão/Dornelles já havia baixado drasticamente os valores alocados para as chamadas despesas operacionais. Além disso, a liquidação do que havia sido aprovado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para 2018 ainda sofreu com o chamado de contigenciamento que baixou ainda mais os valores executados pelas universidades estaduais.

Ao ordenar este corte sobre um orçamento já comprimido, o que o governo Witzel anuncia é que não possui compromisso maior com a recuperação da saúde financeira das universidades estaduais, impedindo ainda a reposição de equipamentos fundamentais para o avanço de pesquisas estratégicas. De quebra, o governo Witzel sinaliza que o sistema fluminense de ciência e tecnologia continuará sendo secundário na formulação de política estratégicas que poderiam retirar a economia do estado do Rio de Janeiro da crise agônica em que foi metido por várias décadas de controle do PMDB e seus aliados.

Para as universidades estaduais e para as escolas da rede Faetec, o ano de 2019 se anuncia como a continuidade de uma crise que tem impedido que haja um avanço ainda maior na produção científica relevante e, de quebra, ameaça a sobrevivência de instituições que já foram testadas e aprovadas pelos diferentes sistemas de avaliação existentes no Brasil.

Em outras palavras, aos setores das comunidades universitárias que votaram em Wilson Witzel esperando algum tipo de apoio para as universidades estaduais, o primeiro sinal foi, no mínimo, negativo. Resta ver quais outros “presentes” ainda estão reservados para as universidades e escolas técnicas.

Em carta a ministro da Educação, CAPES adverte sobre caos por causa de cortes orçamentários

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Se o sistema de pós-graduação brasileiro já não precisa mais de más notícias, eis que o Conselho Superior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) enviou ontem uma correspondência ao ministro de Educação, o Sr. Rossieli Soares da Silva, dando conta da interrupção de pelo menos 198 mil bolsas a partir de agosto de 2019 em função de cortes orçamentários promovidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do ano que vem (ver documento abaixo).

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Segundo o que afirma a nota assinada por Abílio Baeta Neves, atual presidente da Capes, os cortes promovidos no montante aprovado pelo congresso nacional terá efeitos profundos não apenas no sistema nacional de pós-graduação (afetando em torno de 93 mil discentes e pesquisadores), mas também na formação de profissionais da educação básica no âmbito da chamada Universidade Aberta do Brasil (atingindo 245.000 beneficiados, entre alunos e bolsistas, professores, tutores, assistentes e coordenadores).

Se confirmados estes cortes e a paralisação dos programas citados pelo presidente da Capes, teremos certamente um agravamento da crise de migração de pesquisadores brasileiros e a liquidação de importantes instrumentos de qualificação profissional e científica que são atualmente financiados com os recursos que agora estão sendo eliminados.

Por essas e outras é que não podemos continuar assistindo a processo político como espectadores de uma telenovela da Rede Globo. A situação é grave e merece ser tratada com a mais profunda seriedade. E melhor que seja mais cedo do que tarde.

Quem desejar ler o arquivo no formato pdf, basta clicar [Aqui!]

 

Evento discute os rumos da ciência no Brasil pós corte

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“É o fim? Um debate sobre os rumos da ciência no Brasil. E inspirações de Berlim” é o tema do debate que acontece no dia 1º de fevereiro, às 18h30, no espaço de eventos da livraria Fnac Paulista. Depois do ano tumultuado no Brasil – ainda sem uma perspectiva de alívio –, convidados de peso discutem por que é importante para o país investir em ciência.

Para [a membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) ] Helena Nader , que esteve por 10 anos à frente da SBPC (Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência) e participa do debate, esse investimento não é despesa. Pesquisadora da Unifesp, ela fala em impactos negativos da redução de recursos para pesquisa, que abalam a prosperidade econômica e social do Brasil.

Não falta só dinheiro. Falta estratégia. Essa é a crítica feita por Paulo Artaxo , pesquisador da USP, Universidade de São Paulo [ e Acadêmico da ABC]. Um dos cientistas brasileiros de maior prestigio internacional, Artaxo vê a diminuição da importância do Brasil no cenário mundial como uma das sequelas da perda de recursos.

Para que tenha defensores, a ciência não pode ficar restrita aos laboratórios. Esse é o trabalho que Herton Escobar, jornalista do Estadão e colaborador da Science, leva muito a sério, e que ele dará mais detalhes no debate. O jornalista é um dos organizadores da USP Talks, iniciativa que aproxima o público da universidade.

De Berlim, capital da Alemanha, um dos países que mais investem em pesquisas científicas, Nina Mikolaschek, da Humboldt-Universität zu Berlin, trará exemplos de como o investimento é considerado uma das prioridades. Berlim, que carregou por décadas o slogan “É pobre, mas é sexy”, tenta cumprir à risca um planejamento para se tornar a “cidade cérebro”, novo slogan a ser emplacado.

O evento será mediado pela jornalista Nádia Pontes, que organizou o debate como parte das atividades do Berlin Science Communication Award, concedido pela Humboldt-Universität zu Berlin e financiado pela Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG), com apoio do Ministério de Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF).

Serviço:
“É o fim? Um debate sobre os rumos da ciência no Brasil. E inspirações de Berlim”
Data: 01/02
Horário: Às 18h30
Local: Fnac Paulista (Av. Paulista, 901 – Bela Vista, São Paulo). 
Entrada livre

FONTE: http://www.abc.org.br/centenario/?Evento-discute-os-rumos-da-ciencia-no-Brasil-pos-corte

Em carta a Michel Temer, 23 vencedores do Prêmio Nobel condenam cortes orçamentários na C&T

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Publico abaixo a reportagem assinada pelo jornalista Herton Escobar, que foi publicada hoje pelo O ESTADO DE SÃO PAULO,  e que dá a devida repercussão a uma carta enviada ao presidente “de facto” Michel Temer por 23 vencedores do prêmio Nobel para denunciar os efeitos desastrosos que os cortes orçamentários sendo realizados na área de ciência e tecnologia terão sobre o futuro do Brasil.

Essa carta é um movimento inédito e deverá tornar aumentar ainda mais  em nível internacional o grande desprestígio que cerca o governo nascido do golpe parlamentar realizado contra a presidente Dilma Rousseff.

A minha expectativa é que esta carta sirva para mobilizar a até agora maioria silenciosa da comunidade científica brasileira. É que os impactos que serão impostos ao desenvolvimento nacional ainda não serviram para que haja um movimento robusto de denúncia dos cortes sendo realizados nos principais órgãos de fomento da ciência brasileira. Esperemos que este apoio vindo de alguns dos principais cientistas do mundo sirva como um estopim da necessária reação ao processo de desmanche em curso, o qual pode implicar num grave êxodo de quadros científicos brasileiros.

Cortes na Ciência ameaçam o futuro do Brasil, dizem ganhadores do Nobel

Carta enviada a Temer traz assinatura de 23 ganhadores do prêmio; mesmo argumento está em outro texto, enviado por 250 pesquisadores da área de Matemática

Por Herton Escobar

 

Os cortes orçamentários em Ciência e Tecnologia “comprometem seriamente o futuro do Brasil” e precisam ser revistos “antes que seja tarde demais”, segundo um grupo de 23 ganhadores do Prêmio Nobel, que enviou nesta sexta-feira, 29, uma carta ao presidente Michel Temer, recomendando mudanças na postura do governo com relação ao setor.

Cortes na Ciência ameaçam o futuro do Brasil, dizem ganhadores do Nobel
Marcha. Pesquisadores protestam contra corte de verbas  Foto: Felipe Rau/Estadão

O documento, enviado por e-mail ao gabinete da Presidência, faz referência ao corte de 44% no Orçamento deste ano do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), assim como à perspectiva de um novo corte em 2018 – que deverá ser da ordem de 15%, caso o Projeto de Lei Orçamentária Anual enviado pelo governo ao Congresso seja aprovado como está.

“Isso danificará o Brasil por muitos anos, com o desmantelamento de grupos de pesquisa internacionalmente reconhecidos e uma fuga de cérebros que afetará os melhores jovens cientistas” do País, escrevem os pesquisadores.

A carta, à qual o Estado teve acesso com exclusividade, é assinada pelo físico francês Claude Cohen-Tannoudji e outros 22 laureados com o Prêmio Nobel nas áreas de Física, Química e Medicina. “Sabemos que a situação econômica do Brasil é muito difícil, mas urgimos o senhor a reconsiderar sua decisão antes que seja tarde demais”, conclui a carta.

Repercussão

“É uma iniciativa que mostra a importância da ciência brasileira e a gravidade da situação”, disse o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, que também recebeu uma cópia da carta. A Presidência da República foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até as 21 horas.

“A situação é trágica, não há outra palavra para descrevê-la”, disse ao Estado o pesquisador David Gross, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, vencedor do Nobel de Física em 2004 e também signatário da carta. Ele prevê que muitos jovens pesquisadores brasileiros vão desistir da carreira científica ou migrar para outros países, mais favoráveis à ciência. “Eles vão embora e não voltarão”, alertou. “É uma política estúpida, autodestrutiva”, completou Gross, referindo-se aos cortes horizontais aplicados pelo governo em todas as áreas, sem definição de prioridades. 

A ciência, de acordo com ele, é uma área que precisa de investimentos consistentes e de longo prazo para produzir resultados que são essenciais para qualquer sociedade moderna. “Não é algo que você liga e desliga sem ter consequências graves.”

A carta dos laureados reproduz argumentos que vem sendo usados exaustivamente pela comunidade científica brasileira nos últimos anos. Em uma carta enviada à Presidência da República no início da semana, mais de 250 pesquisadores da área de Matemática pedem também a Temer que reconsidere os cortes orçamentários do setor.

“À fria luz dos fatos e além de qualquer partidarismo, repudiamos os repetidos e substanciais cortes de verba que sabotam o potencial transformador da ciência brasileira”, diz o documento. Entre os signatários está o matemático Artur Avila, ganhador da Medalha Fields, considerada o Prêmio Nobel da Matemática.

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O orçamento deste ano do MCTIC é o menor de todos os tempos, com cerca de R$ 3,2 bilhões disponíveis (depois do contingenciamento de 44% no início do ano) para o financiamento de pesquisas e pagamentos de bolsas em todo o País. Isso equivale a um terço do que o ministério tinha quatro anos atrás (antes de ser unificado com a pasta de Comunicações), e a proposta inicial do governo para 2018 é reduzir esse valor ainda mais, para R$ 2,7 bilhões.

Signatários

Nobel de Medicina

Harold Varmus (1989)

Jules Hoffman (2011)

Tim Hunt (2001)

Torsten Wiesel (1981) 

Nobel de Química

Martin Chalfie (2008)

Johann Deisenhofer (1988)

Robert Huber (1988)

Ada Yonath (2009)

Dan Shechtmann (2011)

Venkatraman Ramakrishnan (2009)

Jean-Marie Lehn (1987)

Yuan Lee (1986) 

Nobel de Física

Albert Fert (2007)

David Gross (2004)

Serge Haroche (2012)

Claude Cohen-Tannoudji (1977)

Andre Geim (2010)

Robert Laughlin (1998)

Frederic Haldane (2016)

Klaus von Klitzing (1985)

Arthur McDonald (2015)

Takaaki Kajita (2015)

Jerome Friedman (1990)

FONTE: http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,cortes-na-ciencia-ameacam-o-futuro-do-brasil-dizem-ganhadores-do-nobel,70002021809

Governo Temer corta orçamento pela metade e coloca em grave risco a sobrevivência da ciência brasileira

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A revista Nature publicou ontem um artigo assinado pelo jornalista Cláudio Angelo, coordenador de comunicação do Observatório do Clima, onde são apresentados dados sobre o corte de quase 50% do orçamento destinado ao financiamento de projetos científicos pelo governo “de facto” de Michel Temer ( Aqui!  ).

A figura abaixo que aparece na referida matéria mostra o aprofundamento de um ritmo de esvaziamento dos cofres das agências federais, mas que desemboca no menor orçamento para a área da ciência nos últimos 12 anos!

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As consequências deste verdadeiro ataque ao desenvolvimento científico e tecnológico são muitas, pois o enxugamento orçamentário terá efeitos drásticos sobre o andamento de projetos estratégicos, bem como diminuirá o nível de formação de recursos humanos. Apenas estes dois fatores somados já deverão causar um profundo e duradouro retrocesso na capacidade brasileira de responder a uma série de desafios emergentes, começando, por exemplo, pelo retorno de doenças como a febre amarela.

Entretanto, o que este corte radical num orçamento que já vinha encolhendo deverá trazer como efeito colateral é a perda da capacidade ainda incipiente de gerar dinamismo a partir de tecnologia própria, aumentando ainda mais a nossa pesada dependência em conhecimento produzido fora do território nacional.

Entretanto, é preciso notar que se colocarmos a situação do financiamento da ciência dentro do projeto já esboçado pelo governo “de facto” de Michel Temer, há um perfeito encaixe. Afinal, um governo que avança um processo radical de terceirização do trabalho e quer impor um dos sistemas de pensões e aposentadorias mais draconianos do planeta não pode ter mesmo nenhum compromisso com o desenvolvimento científico.  Convenhamos que não haja porque Michel Temer ou o seu ministro/banqueiro Henrique Meirelles fazerem diferente. Aliás, é preciso lembrar que essa tesourada radical no orçamento da ciência e tecnologia objetiva pura e simplesmente injetar mais dinheiro no sistema de especulação financeira. Em outras palavras, deixa-se a ciência à mingua por um lado e, por outro, se colcoa ainda mais recursos públicos no sistema de especulação rentista.

O problema até aqui é que as reações a estes cortes continua sendo mínimo, e mesmo os posicionamentos expressos pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) foram meramente protocolares, pois não expressam de forma objetiva o tipo de desorganização que a falta de investimentos causará na ciência brasileira.

Toda essa situação deveria, ou deverá causar uma forte resposta de toda a comunidade científica brasileira. Denunciar o caráter obscurantista e retrógrado desses cortes é uma tarefa que toda a comunidade científica tem a obrigação de realizar. Ou é isso ou o caminho do aeroporto, ao menos para aqueles que ainda são jovens o suficiente para rumarem para o exterior.  

Entidades lançam nota de repúdio contra cortes no orçamento nas áreas de educação e ciência

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NOTA DE REPÚDIO

As entidades abaixo relacionadas, que representam comunidades acadêmicas, científicas, tecnológicas e de inovação, vêm a público denunciar a operação desastrosa feita pelo Congresso Nacional na Lei Orçamentária Anual – LOA 2017 com a criação de uma nova fonte de recursos (fonte 900) retirando verbas das áreas de educação e C,T&I. Esses recursos estavam antes assegurados pela fonte 100, que tem pagamento garantido pelo Tesouro Nacional.

Essa transferência para a fonte 900 não tem recursos assegurados, tanto que passam a ser chamados de “recursos condicionados ” de acordo com manual orçamentário. A fonte 900 inclusive põe em dúvida o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF, que exige para cada empenho a definição clara da fonte de recursos. Qual a fonte real que o governo utilizará para honrar os pagamentos prometidos pela LOA 2017 à área de C,T&I se a fonte usada está “condicionada” a um apontamento futuro?

Salientamos que só na área de C,T&I o impacto financeiro será de R$ 1,712 bilhão, deixando a operação das OSs e das bolsas de pesquisa com apenas R$ 206 milhões na fonte 100, de pagamento direto pelo Tesouro Nacional. Em todo o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação – MCTIC, somente a pesquisa científica foi atingida pela transferência de recursos para a fonte 900.

A operação realizada pelos parlamentares gerará, na prática, um corte de 89,24% nas dotações orçamentárias previstas para administração do setor, as Organizações Sociais (OSs) e as bolsas de formação e capacitação em C,T&I. Isso porque a nova fonte 900 poderá ser uma mera ficção, ao tirar a garantia de pagamento dos recursos previstos na LOA para coloca-los na dependência futura de uma nova lei que, de fato, defina uma fonte segura que cubra a previsão orçamentária.

Para educação e C,T&I a situação é gravíssima tendo em vista a aprovação, por este mesmo Congresso Nacional, da PEC dos Gastos Públicos, que congelará os investimentos em educação para os próximos 20 anos. É triste ver o país continuar encarando educação e C,&I como gasto e não como investimento, como ocorre em países avançados, por falta absoluta de compreensão dos que decidem.

Apesar do que afirma o governo, a transferência de recursos da pesquisa para a fonte 900 gerará impactos dramáticos no sistema educacional já em 2017, caso não seja imediatamente revertida, prejudicando milhares de pesquisadores em todo o pais que dependem de bolsas da CAPES e do CNPq para dar sequencia a seus trabalhos.

Oficialmente, alegam que os recursos suspensos serão pagos por meio da Desvinculação de Receitas da União – DRU. Fosse isso verdade, porque então não manter as verbas na fonte 100, já que será o mesmo Tesouro Nacional quem irá administrar as verbas desvinculadas futuramente?

No jogo político, o sequestro das verbas aprovado pelo Congresso Nacional nos parece uma forma não ortodoxa para garantir a aprovação da controversa Lei de Repatriação de Recursos (PL 2.617/2015), de onde supostamente viria a verba capaz de voltar a garantir o pagamento efetivo dos recursos colocados na fonte 900.

É lamentável constatar esses fatos que serão extremamente prejudiciais ao país. Qualquer Nação na era da economia do conhecimento sabe que educação e C,T&I são as peças fundamentais para atingir os objetivos de cidadania num mundo global. A comunidade acadêmica, científica, tecnológica e de inovação está perplexa com a sequencia de ações tomadas pelo governo federal em parceria com o Congresso Nacional, que claramente colocam em risco o futuro do Brasil. Sinceramente esperamos que essas decisões sejam revistas pelo bem da Nação e do povo brasileiro.

  • Academia Brasileira de Ciências (ABC)
  • Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec)
  • Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento de Empresas Inovadoras (Anpei)
  • Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap)
  • Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti)
  • Sociedade Brasileira de Física (SBF)
  • Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

(Des) governo Temer age para inviabilizar a ciência nacional com corte de R$ 1,4 bi

Governo cortará R$ 1,41 bi dos projetos de pesquisa e inovação

Em vez de presente em 2017 no setor de Ciência & Tecnologia, por causa de adequações no orçamento, brasileiros terão de conviver com suspensão de projetos de inovação e de milhares de bolsas de pesquisa. Pasta afirma que pretende reverter a situação

 Por Eduardo Militão

Cientistas e especialistas em orçamento ouvidos pelo Correio apontam que uma mudança nas fontes de financiamento do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), na prática, vão retirar R$ 1,72 bilhão do setor em 2017. Nas contas do Ministério do Planejamento, a tesourada é de R$ 1,41 bilhão. A alteração está na Lei Orçamentária Anual (LOA) sancionada na terça-feira pelo presidente Michel Temer. Estão em risco projetos como a Rede Nacional de Pesquisa (RNP), laboratórios nacionais — como os de nanotecnologia – e 176 mil bolsas de pesquisadores de todo o país (veja quadro). Só no orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o corte é de 66%, de acordo com levantamento do jornal com base nos números da Lei Orçamentária.

 

A presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, disse que a situação é “muito séria”. “É melhor pôr um anúncio em todos os jornais: ‘Mudem de país’”, afirmou, depois de reclamar da situação com o ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab. A pasta afirma apenas que “considera a possibilidade de que essa decisão seja revertida”. O Ministério do Planejamento — antes comandado pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR) e, agora sob a batuta de Dyogo Oliveira — também põe a responsabilidade no Congresso, embora a sanção da lei seja do Poder Executivo, e afirma que “é possível realocar as fontes de recursos conforme as prioridades de governo”.

A situação conflita com o que os brasileiros poderiam esperar receber de presente em 2017 na área de Ciência & Tecnologia. Em vez de propostas de criação de institutos e de aumento de investimentos, a medida age para suspender programas em andamento e impedir a expansão do setor. Série de reportagens do Correio mostra como os políticos poderiam presentear a sociedade no ano que vem com melhorias em áreas como saúde, educação e meio ambiente.

Origem desconhecida

Todo o problema acontece porque o Congresso aprovou e Temer sancionou uma mudança na origem do dinheiro para bancar uma série de programas da Ciência e Tecnologia. Antes, era o próprio Tesouro quem garantia que os projetos seriam financiados. Mas a Lei Orçamentária diz que é preciso criar uma outra lei para garantir que esse R$ 1,7 bilhão em projetos saiam do papel — mecanismo conhecido tecnicamente como “fonte 900”. Até isso acontecer, nada será pago a partir de 1º de janeiro.

O problema ainda é mais complicado por causa da PEC do Teto de Gastos, que congela despesas por 20 anos, avaliam Helena Nader, da SPBC, a presidente da Sociedade Brasileira de Física, Belitta Koiller, e dois especialistas em orçamento do Congresso. Para todos eles, é no mínimo “bem provável” que tudo se converta em um corte agora. O jornal apurou que, nos corredores do Legislativo, cogitou-se que essas verbas de origem a definir seriam extraídas da repatriação de dinheiro escondido no exterior — proposta criticada pelo Ministério Público por legitimar a lavagem de capitais e a corrupção e defendida por congressistas a fim de legalizar recursos de parentes fora do país.

Com a situação econômica do país, que pode ter um crescimento de PIB menor do que o previsto na Lei Orçamentária, mesmo projetos que tenham verbas garantidas pelo Tesouro podem sofrer cortes. “Um país que não consegue enxergar que a educação, a ciência e a tecnologia são investimentos não merece ser chamado de país”, protesta Helena. Para Belitta, a fusão do pasta de C&T com a de Comunicações, a vinculação de órgãos como CNPq e a agência espacial a uma diretoria “de Serviços Postais e de Governança” são indicativos da prioridade que o governo dá ao setor. “É lamentável, mas não é surpreendente.”

 Para Helena, o presente que os brasileiros merecem neste novo ano que se aproxima é que o setor de educação e de C&T estejam fora dos limites da PEC do Teto. Para Belitta, é preciso que 200 projetos de institutos nacionais de tecnologia saiam do papel e que se garanta verba dos estados e da União para manter os 101 que estão em funcionamentos, nas mais diversas áreas, como oceanografia, nanotecnologia e física quântica.

Avaliação

O orçamento do MCTI é de R$ 7,3 bilhões para o ano que vem. O do CNPq, de R$ 1,6 bilhão, dos quais R$ 1 bilhão na chamada “fonte 900”. Em nota, o Planejamento diz que “avalia” as mudanças e que “pretende” revê-las analisando as receitas de cada ministério. A pasta diz que pode substituir a “fonte 900” por uma menos sujeita a cortes. Também é possível que saia do papel alguma lei para bancar as despesas básicas. E como tudo será pago a partir de 1º de janeiro? “Não é possível responder”, afirma o ministério. “No momento, não é possível estimar eventual prejuízo para o país em decorrência da citada mudança.”

FONTE: http://www.ocafezinho.com/2016/12/29/para-o-setor-de-ciencia-tecnologia-2017-sera-tenebroso/