A internet, os idiotas da aldeia e o debate sobre as condições mínimas necessárias para a volta das aulas presenciais na Uenf

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Ao receber o título de doutor honoris causa em Comunicação e Cultura, na Universidade de Turim, o escritor e filólogo italiano Umberto Eco vaticinou que o “drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade. Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel. Antes, os idiotas da aldeia tinham direito à palavra em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade“.  Morto em 2016, Eco nem chegou a ver a ascensão ao poder de figuras como Donald Trump e Jair Bolsonaro que bem representam o resultado político da internet sobre o sistema político e, pior, sobre a vida política cotidiana em um sistema capitalista cada vez mais anti-democrático e injusto.

A lembrança a Umberto Eco me veio à cabeça assim que li alguns comentários postados em redes sociais sobre um assunto que virou matéria jornalística na cidade de Campos dos Goytacazes a partir das ações da Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Aduenf) para denunciar a falta de condições para um retorno seguro às atividades presenciais (incluindo aulas) naquela que Darcy Ribeiro gostava de chamar de “Universidade do Terceiro Milênio”.

O aparecimento do assunto na forma de matéria jornalística foi o que bastou para uma pequena legião de “idiotas da aldeia” se pusesse em movimento para atacar os professores da Uenf com adjetivos pouco lisonjeiros, a começar por “vagabundos”.   E o pior que alguns desses que se deram ao trabalho de dirigir esses ataques foram ou ainda são estudantes da instituição, o que evidencia que não estamos fazendo o nosso trabalho de criar os profissionais com consciência cidadã que Darcy Ribeiro tanto desejou que a universidade do Terceiro Milênio formasse.

A questão é que se esses “idiotas da aldeia” se dessem ao trabalho de minimamente se informar sobre o que aconteceu dentro da Uenf desde o início da pandemia da COVID-19, eles saberiam que ao contrário do que eles andaram escrevendo, os professores da Uenf ralaram muito para manter a instituição funcionando remotamente.  A quantidade de aulas dadas, o número de reuniões de realizadas, as bancas de mestrado e doutorado realizadas? Nada disso interessa aos “idiotas da aldeia”, pois nada disso lhes interessa, pois o que vale mesmo é descarregar sua ira para os que são percebidos como “vagabundos”.

Entretanto, não culpa os “idiotas da aldeia” por serem tão assim, digamos, idiotas. Na verdade, a culpa é dos professores da Uenf que bancaram com seus salários corroídos pela inflação os custos de energia elétrica e serviços de internet que, ressalte-se, são inexistentes dentro da Uenf. É que dentro do campus Leonel Brizola, o que continua existindo é uma rede interna que não passa de uma “lesma lerda” quando comparada com aquelas que os professores contrataram a custo pessoal para seguirem pesquisando, orientando e dando aulas desde as suas casas. Tivessem eles se recusando a bancar os custos de trabalhar em suas casas, o mais provável é que os idiotas da aldeia os rotulassem da mesma forma que estão agora. 

Finalmente, não me preocupam os ataques dos idiotas da aldeia, pois estes refletem o ambiente de hostilidade política criada pelos que comandam o Brasil neste momento, e que se revezam em ataques cotidianos a tudo que lhes parece diferente. O que me preocupa é que passados dois anos de pandemia, e com muito trabalho duro realizado, os professores da Uenf não tenham conseguido expor tudo o que foi feito para que a instituição possa voltar a ter aulas presenciais como se nada tivesse feito para evitar a descontinuidade de nossas atividades essenciais.

 

Três doses da CoronaVac induzem anticorpos contra a ômicron em 95% dos vacinados, mostra estudo chinês

Dose de reforço do imunizante também garantiu memória imunológica contra a nova variante ao ativar as células B

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Caixas com vacina da Sinovac contra a COVID-19 REUTERS/Tingshu Wang

Em um trabalho publicado na última sexta (28/1) na revista Nature, pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências mostraram que a dose de reforço da CoronaVac promove resposta imune contra a variante ômicron do SARS-CoV-2 em 95% dos vacinados, além de aumentar a capacidade de neutralização dessa cepa ao ativar rapidamente as células B de memória, que produzem anticorpos.

Os cientistas chineses coletaram amostras de sangue de 60 voluntários que tomaram três doses da CoronaVac para avaliar os títulos de anticorpos neutralizantes contra as variantes ômicron e delta – neste estudo, usou-se vírus vivo. Nenhum dos indivíduos recrutados tinha sido infectado pelo vírus SARS-CoV-2 antes da análise. 

Segundo a pesquisa, após a terceira dose, 95% dos participantes apresentaram soroconversão contra a ômicron. Os títulos de anticorpos neutralizantes contra a cepa original (de Wuhan, que desencadeou a pandemia) e contra as variantes delta e ômicron foram, respectivamente, 254, 78 e 15,5. A contagem de títulos de anticorpos, no entanto, representa apenas uma parte da resposta imune, que é completada pelas células B de memória, que podem reconhecer um invasor, se dividir e rapidamente começar a produzir anticorpos para combatê-lo. 

Para avaliar o potencial da memória imunológica de vacinados com três doses, os cientistas isolaram 323 anticorpos monoclonais derivados de células B, metade dos quais (163) reconheceu o domínio de ligação ao receptor (RBD) do vírus. Também foi identificado um subconjunto dos anticorpos monoclonais (24 dos 163) que foi capaz de neutralizar todas as variantes de preocupação do SARS-CoV-2, inclusive a ômicron.

De acordo com os pesquisadores, estudos têm mostrado que a ômicron pode resistir aos anticorpos produzidos com duas doses de vacina, o que reforça a necessidade de uma terceira dose. “Nosso estudo revelou que o regime de vacinação de três doses da CoronaVac induz uma resposta imune melhorada, com neutralização significativamente aumentada. Além disso, um subconjunto de anticorpos neutralizantes altamente potentes contra as variantes de preocupação estava presente em pelo menos quatro indivíduos [entre 60 investigados].”

Campos dos Goytacazes: TJ suspende decisão pró-proprietários de escolas que autorizava aulas para crianças não vacinadas

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Em uma decisão que eu já esperava, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro cassou a liminar expedida pela justiça de Campos dos Goytacazes que autorizava o início das aulas para crianças ainda não vacinadas contra a COVID-19 (ver imagem abaixo).

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Um ponto que merece ser ressaltada é a observação pelo juiz Celso Luiz de Matos Peres é o que aponta para um fato elementar, qual seja, a “nítida pretensão por parte do Ministério Público no sentido de influenciar e ditar, não só as políticas municipais de saúde, bem como as políticas educacionais locais, sendo consistente e razoável a argumentação expendida pelo ente público recorrente“. Além disso, o meritíssimo observou outro aspecto elementar afirmando que “observo que as medidas prudenciais adotadas pelo agravante (i.e., a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes (PMCG))  se justificam plenamente, até porque não vislumbro prejuízo substancial ao ano letivo com a postergação do início das aulas para o dia 07/03/2022..”

Trocando em miúdos, o juiz Celso Luiz de Matos Peres assinalou a inapropriada interferência do Ministério Público em duas áreas de competência da PMCG, quais sejam, as políticas de saúde e educacionais; além de observar algo óbvio que não haverá prejuízo pedagógico substancial para a postergação do semestre letivo para depois do Carnaval.

Aos proprietários das escolas que se moveram para literalmente forçar a reabertura dos seus estabelecimentos em momento de franca expansão da variante “Ômicron” restará recorrer dessa decisão em instância superior ou reconhecer o óbvio para seguir a decisão em nome da saúde de seus empregados e clientes.

No enfrentamento da pandemia, os trânsfugas da esquerda são aliados preferenciais do negacionismo

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Em meio ao debate sobre a volta às aulas presenciais, em meio ao agravamento da disseminação da variante “ômicron” que é considerada como mais nociva às crianças e não vacinados, tenho visto posicionamentos vindos de dentro das fileiras acadêmicas que se assemelham muito ao que vejo saindo do interior da redes de robôs negacionistas que comandam a sabotagem contra os esforços para acabar com a pandemia da COVID-19 no Brasil.

Entre as pérolas ditas por esses “intelectuais” é uma que equivale  a ação dos sindicatos docentes que cobram a cobertura vacinal de docentes e estudantes como condição para a volta às aulas presenciais como um exemplo de preguiça sindical.  Além disso, como cobertura desse “bolo” ainda aparecem frases de efeito como “já passou a hora de voltarmos às aulas presenciais” que, não raramente, são ditas por profissionais cuja presença em sala de aula é, digamos, rara.

Como alguns desses membros das fileiras acadêmicas já tiveram alguma pretensão de serem de “esquerda”,  não posso deixar de considerar que muitos dessas figuras estão jogando o papel de trânsfugas em meio a uma guerra contra um vírus assassino, apenas para explicitar a sua ojeriza ao papel dos sindicatos na defesa da segurança de seus membros, mesmo que discursivamente adotem um tom crítico do status quo. Nesse sentido,  essas figuras acabam ocupando por opção própria o papel de colunas preferenciais de sustentação do negacionismo oficialista que continua jogando pesado contra o acesso às vacinas contra a COVID-19, seja pela disseminação de propagandas pagas com o dinheiro público para disseminar o medo e a negação, seja pela demora na compra e disseminação das mesmas.

A questão é que em minha experiência de mais de duas décadas como docente de uma universidade pública,  já vi várias vezes, esses mesmos trânsfugas ocupando a cabeça das filas que se formam para auferir os direitos conquistados pelas lutas organizadas pelos sindicatos e pelos “membros preguiçosos” da sua própria categoria. Penso que seria mais coerente que depois combater a ação organizada dos sindicatos, se negassem a receber o fruto das lutas organizadas por eles.  Entretanto, a partir do que vivenciei no meu próprio sindicato, parece mais fácil que esses trânsfugas, mesmo após atrasarem as mensalidades sindicais, continuem se refestelando com os frutos  da luta alheia.

Então qual é o moral da história? É que os pós-pandemia demandará um devido ajuste de contas com aqueles que escondidos pelo verniz acadêmico estão atuando para desmantelar os instrumentos de resistência da classe trabalhadora brasileira. Sem esse ajuste me parece que continuaremos a ter que conviver não apenas com os bolsonaristas raiz, mas com um séquito de ex-esquerdistas que com seus discursos bonitos dão sustentação ao Bolsonarismo.

Por que será que no pior momento da pandemia para as crianças, proprietários e MP querem reabrir escolas campistas?

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Venho assistindo com um misto de curiosidade e preocupação o movimento encabeçado por donos de escolas privadas e pelo Ministério Público para forçar o início das aulas para crianças não vacinadas em Campos dos Goytacazes. É que esse movimento opta por desconhecer um fato já apontado por pesquisadores e médicos: vivemos o pior momento da pandemia da COVID-19 para as crianças até 12 anos que fazem parte do grupo de não vacinados contra a infecção pelo novo coronavírus!

A razão para essa “pressa” não me parece estar ancorada em uma preocupação pedagógica, mas sim econômica. É que, por algum estranho motivo, não vi grandes movimentos por parte dos operadores do sistema privado de ensino para estabelecerem calendários que levem em conta os riscos que continuam postos não apenas para os profissionais que atuam nas escolas, mas principalmente para as crianças que estão sendo empurradas para escolas em meio a um agravamento da pandemia entre os mais jovens não vacinados.

Como está noticiado que foi proferida uma liminar em prol dessa demanda que me parece desfocada dos reais interesses das crianças, a minha expectativa é que o setor jurídico da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes aja para derrubá-la em instâncias superiores.

Finalmente, aos pais que estão neste momento, como eu, diante da decisão de recolocar seus filhos nas escolas sem que eles estejam vacinados, eu diria que deveriam se preocupar muito com o que pode acontecer caso os piores cenários de contaminação se confirmem. É que com UTIs em ritmo crescente de lotação, talvez seja melhor aguentar um pouco mais com as crianças em casa do que ceder aos apelos dos donos de escolas que,tudo indica, estão pensando nos cifrões primeiro do que na segurança de seus empregados e clientes.

Mortes por COVID-19 no Brasil, subnotificação é o teu nome

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Com um número “oficial” em torno de 628 mil mortes por COVID-19, o Brasil continua firme na posição de segundo país com mais mortes causadas pela doença gerada pela infecção com o novo coronavírus. O problema é que esse número está aquém do número real, visto a sabotagem governamental não apenas no combate à COVID-19, mas também na contagem dos contaminados e mortos. Há que se observar que subnotificação é uma característica do sistema de controle de doenças no Brasil. Apenas para se ter uma noção do problema, a intoxicação por agrotóxicos tem uma subnotificação de 50:1 (isto é, para cada caso notificado, outros 50 ficam sem ser devidamente registrados).

O interessante (na ausência de melhor palavra) é que existem poucas menções à deformação das estatísticas oficiais em torno da COVID-19. É como se os números precários divulgados pela mídia corporativa fossem os corretos, o que claramente não o é.  Apenas como referência, uma pesquisa do Datafolha em janeiro dá conta que os casos oficiais de contaminação por COVID-19 seriam apenas metade do que efetivamente aconteceu. Se isso for verdade, e a taxa de mortes seguir algo aproximado, chegaremos facilmente a 1 milhão de mortes que foi previsto pelo Imperial College de Londres logo no início da pandemia em 2020. O neurocientista Miguel Nicolelis, uma das poucas vozes que continuam alertando para a contínua gravidade da pandemia no Brasil, pontuou recentemente a possibilidade de que a subnotificação das mortes por COVID-19 “poderia ser alta” ( ver imagem abaixo).  Há ainda que se citar um estudo feito pela Fiocruz em 2021 justamente sobre as disparidades regionais dos impactos da pandemia.

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Da minha parte, considerando o espalhamento vertiginoso da variante “Ômicron” não tenho como deixar de deixar de apontar que não apenas a subnotificação de casos é alta, mas também a de mortos. As razões para essa consideração é que o processo de testagem no Brasil continua sendo precário, enquanto que o número de pessoas não vacinadas ou vacinadas de forma parcial continua sendo muito alto, o que possibilita a manutenção da pandemia em níveis graves, afetando especialmente os mais pobres em meio ao agravamento do processo de fome resultante das políticas ultraneoliberais do governo Bolsonaro.

Mas se olharmos para toda a movimentação político-partidária que está ocorrendo no âmbito das tratativas para alianças para as eleições que deverão ocorrer em 2022, o debate sobre continuidade da pandemia e seus efeitos devastadores sobre os brasileiros, especialmente os da classe trabalhadora, claramente não é uma das prioridades. A verdade é que essas articulações estão sendo feitas enquanto as lideranças políticas, incluindo aquelas que se dizem de esquerda, tropeçam sobre a multidão de cadáveres das vítimas das políticas negacionistas do governo Bolsonaro em relação à pandemia da COVID-19.  E é graças à omissão dessa situação que Jair Bolsonaro ainda continua sendo um candidato com chances viáveis de chegar ao segundo turno e até vencer as eleições presidenciais deste ano.

E é aí que a porca torce o rabo. Por que está se deixando passar a impressão de que a pandemia é uma etapa quase vencida no Brasil? Além disso, por que não está se discutindo os efeitos não apenas sanitários da pandemia, mas principalmente econômico sobre centenas de milhares de famílias que perderam seus provedores de renda não para o desemprego, mas para a COVID-19? Uma das principais consequências da característica etária dos mortos por esta doença é que um número considerável era de aposentados que eram o único aporte de renda para suas famílias. Ao não se fazer o debate sobre essa situação, o que se está  sinalizando é que as famílias atingidas serão deixadas ao léu por quem quer que seja que se eleja. E este me parece ser já o principal fato político desse início de corrida eleitoral.

À luz do que disse acima, me parece fundamental que a questão da subnotificação de contaminados e mortos pela COVID-19 seja colocado como elemento prioritária por aqueles que desejem que a corrida eleitoral tenha um mínimo de conexão com a realidade, sob pena de colaboração com o genocídio que está efetivamente em curso contra os brasileiros pobres.

Spotify perde bilhões de dólares em valor de mercado após Neil Young retirar suas músicas da plataforma

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Neil Young se apresenta no Farm Aid 2017 no KeyBank Pavilion em Burgettstown, Pensilvânia, em 2017. O Spotify perdeu bilhões em valor de mercado depois que Young retirou seu catálogo de músicas da gigante do streaming por causa de suas preocupações de que o podcaster Joe Rogan estava espalhando informações erradas sobre o COVID-19. Foto de arquivo por Archie Carpenter/UPI | Foto da licença

Por Adam Schrader para a UPI

30 de janeiro (UPI) – O Spotify perdeu bilhões em valor de mercado depois que Neil Young retirou seu catálogo de músicas da gigante do streaming por causa de suas preocupações de que o podcaster Joe Rogan estava espalhando informações erradas sobre o COVID-19.

As ações do Spotify estavam em US$ 172,98 no fechamento do mercado na sexta-feira, uma queda de 12% em relação aos US$ 195,53 no fechamento do pregão da semana passada antes da controvérsia começar, depois de atingir uma baixa de 19 meses na quinta-feira em meio a campanhas de mídia social para cancelar assinaturas da plataforma de streaming.

As estimativas do valor de mercado perdido pelo Spotify variaram de US$ 2 bilhões relatados pela Variety e US$ 4 bilhões relatados pelo San Francisco Chronicle’s Datebook .

As ações do Spotify podem continuar sendo afetadas quando o mercado abrir na segunda-feira, depois que a cantora e compositora Joni Mitchell anunciou na sexta -feira que removeria sua música da plataforma, seguida por Nils Lofgren no sábado .

No domingo, a empresa Archewell Productions, do príncipe Harry e Meghan Markle, divulgou um comunicado atribuído a um porta-voz abordando a recente controvérsia de desinformação do COVID-19 com o Spotify, informou o Deadline .

Atualmente, o casal real tem um acordo de US$ 25 milhões para fazer podcasts para a plataforma.

“Desde o início da Archewell, trabalhamos para lidar com a crise global de desinformação em tempo real”, diz o comunicado. “Centenas de milhões de pessoas são afetadas pelos graves danos da desinformação desenfreada e da desinformação todos os dias.” 

O porta-voz observou na declaração um tanto enigmática que Harry e Meghan levantaram preocupações sobre as “consequências da desinformação do COVID-19” no Spotify desde abril de 2021.

“Continuamos a expressar nossas preocupações ao Spotify para garantir que mudanças em sua plataforma sejam feitas para ajudar a lidar com essa crise de saúde pública”, diz o comunicado. “Aguardamos o Spotify para atender a este momento e estamos comprometidos em continuar nosso trabalho juntos como está.”

Não ficou imediatamente claro se o casal real tentaria sair do acordo se acreditasse que o Spotify não estava abordando a desinformação do COVID-19. 

Lofgren, o renomado guitarrista de rock e membro de longa data da E Street Band de Bruce Springsteen, anunciou no sábado que retiraria seu catálogo de músicas, que inclui 28 discos solo, em uma mensagem postada no site Neil Young Archives .

Além de ser membro da E Street Band, pela qual foi introduzido no Hall da Fama do Rock and Roll em 2014, Lofgren também é membro do Crazy Horse – que há muito se associa e se apresenta com Young. Algumas das músicas de Longren já haviam sido removidas da plataforma durante o êxodo de Young.

“Neil e eu nos conhecemos há 53 anos. Amy e eu estamos honrados e abençoados por chamar Neil e Daryl de amigos, e sabíamos que ficar com eles era a escolha certa”, escreveu Lofgren antes de encorajar “todos os músicos, artistas e amantes da música” a cortar os laços. com Spotify.

Ele se tornou o terceiro grande artista a retirar sua música depois que Mitchell disse na sexta-feira que removeria sua música do Spotify em protesto após a recente controvérsia entre Neil Young e a gigante do streaming de música sobre a “desinformação” COVID-19 do podcaster Joe Rogan.

Mitchell, cuja música atrai 3,7 milhões de ouvintes mensais na plataforma, divulgou uma mensagem em seu site na sexta-feira intitulada “I Stand With Neil Young!” Ela foi a primeira grande artista a seguir Young ao deixar o Spotify.

A cantora e compositora, que ganhou nove prêmios Grammy, incluindo um Lifetime Achievement Award por suas contribuições à música, vendeu milhões de seus 19 álbuns de estúdio desde que sua carreira começou em 1968. Ela também foi introduzida no Rock and Roll Hall of Fame e ficou em nono lugar na lista da Rolling Stone dos 100 Maiores Compositores de Todos os Tempos.

O Spotify concordou em pagar a Rogan US$ 100 milhões em 2020 pelos direitos exclusivos de transmissão de The Joe Rogan Experience , que é um dos programas mais populares do mundo.

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Este texto foi escrito orginalmente em inglês e publicado pela UPI [Aqui!].

Spotify remove músicas de Neil Young por disputa com podcaster negacionista das vacinas

O Spotify disse na quarta-feira que o serviço de streaming lamenta a decisão de Young, mas espera “recebê-lo de volta em breve”

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O Spotify disse na quarta-feira que concordou em remover a música de Neil Young depois que o famoso cantor e compositor disse que não compartilharia a plataforma com o podcaster Joe Rogan, que foi criticado por espalhar desinformação sobre vacinas.

“Eles podem ter Rogan ou Young. Não os dois”, disse Young, de 76 anos, em uma carta aberta ao seu empresário e gravadora que foi postada em seu site Neil Young Archives na segunda-feira, segundo a Rolling Stone. A NBC News não viu o post original e não está claro por que foi removido do site de Young.

Um porta-voz do Spotify disse em um comunicado por e-mail que a empresa concordou em remover o trabalho de Young. O Spotify disse que lamenta a decisão de Young, mas espera “recebê-lo de volta em breve”.

“Queremos que todo o conteúdo de música e áudio do mundo esteja disponível para os usuários do Spotify”, disse o serviço de streaming. “Com isso, vem uma grande responsabilidade em equilibrar a segurança dos ouvintes e a liberdade dos criadores. Temos políticas de conteúdo detalhadas e removemos mais de 20.000 episódios de podcast relacionados ao COVID-19 desde o início da pandemia.”

O catálogo solo do cantor de “Heart of Gold” abrange mais de cinco décadas, desde seu álbum auto-intitulado de 1969 até seu álbum mais recente, “Barn”, de 2021. Um representante de Young não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Young chamou “The Joe Rogan Experience” em sua carta e o perigo do Spotify permitir a distribuição de desinformação potencialmente fatal.

“Com uma estimativa de 11 milhões de ouvintes por episódio, JRE, que é hospedado exclusivamente no Spotify, tem uma tremenda influência”, disse Young. “O Spotify tem a responsabilidade de mitigar a disseminação de desinformação em sua plataforma.”

Roganconhecido por suas opiniões contrárias e muitas vezes infundadas sobre a medicina , enfrentou uma reação generalizada por questionar a segurança das vacinas durante a pandemia. Ele assinou um acordo com o Spotify em 2020 que lhe renderia mais de US$ 100 milhões, dependendo do desempenho.

O Dr. Anthony Fauci, principal conselheiro médico do presidente, criticou Rogan no ano passado sobre os comentários de Rogan dizendo que não acreditava que os jovens deveriam ser vacinados contra o coronavírus.

“Bem, isso está incorreto, e a razão pela qual você está falando de si mesmo no vácuo”, disse Fauci a Savannah Guthrieno programa “TODAY”.

No início deste mês, quando o YouTuber Ethan Klein criticou publicamente as declarações de Rogan sobre a desinformação do COVID-19, os fãs de Rogan inundaram Klein com comentários gordofóbicos e antissemitas.

O YouTube derrubou um episódio recente de “The Joe Rogan Experience” por violar as diretrizes da comunidade da plataforma, que proíbem informações erradas relacionadas a eleições, COVID-19 e vacinas.

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pela NBC News [Aqui!].

Projeto da UFSCar publica e-book que reúne reflexão e arte a partir de festivais culturais durante a pandemia

Publicação é gratuita e tem acesso livre a todo o público na internet

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“Arte porque é pandemia: cultivando cuidados criativos por meio de festivais remotos”: esse é o título de obra lançada recentemente que reúne as reflexões e as obras de arte produzidas por diversas pessoas e apresentadas nos Festivais Culturais remotos CutlivAR-TE e Uni-Diversa, realizados durante a pandemia por um grupo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com apoio do InformaSUS-UFSCar. 

Os festivais foram realizados em 2021 e tiveram como objetivo mostrar a importância da arte em um momento de mudanças na vida cotidiana, assim como vem ocorrendo na pandemia da Covid-19. Os eventos também abriram espaço para a reflexão sobre o papel da arte em momentos de crise para repensar quem somos, que presente estamos oferecendo e como podemos construir futuros possíveis.

Diversas formas de expressão da arte foram expostas durante os festivais e, junto de importantes reflexões, estão reunidas na obra atual, que pode acessada no site da Comissão Permanente de Publicações Oficiais e Institucionais (CPOI) da UFSCar [Aqui!]

As autoras da publicação são Carla Silva, docente do Departamento de Terapia Ocupacional (DTO) da UFSCar; Alice Bispo Fernandes de Andrade, graduanda em Terapia Ocupacional da Universidade; Helena Zoneti Rodrigues, graduanda em Filosofia da UFSCar; e Larissa Campagna Martini, docente do Departamento de Medicina (DMed) da Instituição. O acesso ao material é gratuito e o download pode ser feito [Aqui!].  

Pesquisa indica estratégia para produção de vacinas de maior eficácia

Com participação de cientista da UFSCar, artigo publicado na Nature indica que geometria de nanopartículas afeta resposta imune a vacinas

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Pesquisador da UFSCar coordena etapa de investigação teórica e modelagem (Imagem: André Moura)

Para desencadear a resposta imune que nos protege em infecções futuras, vacinas carregam, além do antígeno – vírus inativados ou partes dele, dentre outras estratégias –, os chamados adjuvantes, compostos que ajudam na ativação do sistema imune. Artigo publicado ontem (19/1) na Nature, com participação de cientistas brasileiros, mostra que a atenção a um atributo geométrico de nanopartículas usadas como adjuvantes, a quiralidade, pode resultar em vacinas mais eficazes.

A quiralidade define um objeto – ou molécula – com tal distribuição espacial que não pode ser sobreposto à sua imagem refletida em um espelho. Macroscopicamente, um exemplo conhecido são as nossas mãos direita e esquerda. Microscopicamente, podemos dizer que a vida é quiral, pois moléculas essenciais como aminoácidos e açúcares apresentam quiralidade.

Assim como, ao cumprimentarmos alguém, o encaixe é melhor entre mãos direitas (ou esquerdas), a interação de uma molécula biológica com compostos com orientação à esquerda ou à direita acontece de formas distintas, sendo mais precisa se há encaixe entre elas, ou seja, se ambas têm, por exemplo, orientação à esquerda (ou, mais precisamente, são enantiômeros à esquerda, nome dado aos isômeros das moléculas quirais).

Por isso, a quiralidade pode resultar em diferentes propriedades e, importante no caso de materiais usados nas vacinas, em respostas biológicas distintas. O encaixe, no entanto, não significa, necessariamente, algo bom, como a capacidade de prevenção ou tratamento de doenças, podendo também levar a algo que é tóxico ou venenoso.

Um exemplo famoso é a talidomida, fármaco usado para tratar náuseas em gestantes que, na década de 1960, descobriu-se causar má formação nos fetos. No medicamento, enquanto um dos enantiômeros tem o efeito terapêutico, o outro causa os problemas no desenvolvimento fetal. Como, neste caso, não é possível manter apenas um dos enantiômeros, não existe possibilidade de uso seguro da substância por gestantes.

Porém, no caso de nanomateriais, é possível obter a forma enantiopura estável, ou seja, composta apenas por um dos enantiômeros.

Na pesquisa relatada na Nature, o objetivo foi justamente comparar nanomateriais quirais – enantiômeros à esquerda e à direita – e seu correspondente aquiral (simétrico) no que diz respeito à resposta do sistema imune. Para tanto, foram usadas nanopartículas de ouro. Em estudos in vitro (com células de origem animal) e in vivo (em animais – camundongos – vivos), os resultados mostraram maior eficácia na ativação da resposta imune nas nanopartículas orientadas à esquerda.

Para a realização do estudo, o primeiro passo foi a preparação das nanopartículas com os atributos desejados – aquiral, quiral à esquerda e quiral à direita –, induzindo a quiralidade desejada por meio de uma combinação de peptídeos e luz circularmente polarizada, que é uma forma quiral de luz. Depois, o estudo in vitro consistiu na incubação dessas partículas junto a células do sistema imune, com acompanhamento de diversas respostas, como a velocidade de entrada das nanopartículas nessas células; a expressão, pelas células, de marcadores bioquímicos associados à ativação da resposta imune; dentre outros parâmetros. In vivo, as medidas confirmaram os resultados encontrados nas células e, para testar as respostas no nível sistêmico, os pesquisadores usaram as nanopartículas como adjuvantes em vacinas contra uma cepa do vírus influenza (H9N2) aplicadas nos camundongos.

Em todos os experimentos, a resposta gerada pelos enantiômeros à esquerda foi ampliada em relação aos enantiômeros à direita e às partículas aquirais. Além dessa constatação, os pesquisadores também investigaram e descrevem no artigo os mecanismos biológicos que podem explicar essas diferenças. Segundo os responsáveis, a descoberta abre caminho para o uso dessas nanoestruturas produzidas com controle de sua quiralidade na produção de respostas imunes sob medida. Além disso, alertam para a importância da parametrização da quiralidade em estudos biomédicos e toxicológicos, já que enantiômeros distintos de um mesmo princípio ativo podem ter impactos muito distintos sobre os organismos vivos.

“As pessoas podem se perguntar por que não realizamos o estudo pensando na COVID-19, ou mesmo com a cepa de influenza que circula atualmente. No entanto, a pesquisa começou muito antes da pandemia, e é importante lembrar que as vacinas contra a Covid só puderam ser produzidas tão rapidamente porque o conhecimento aplicado veio sendo produzido nas últimas décadas”, situa André Farias de Moura, docente no Departamento de Química (DQ) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) que é um dos autores do artigo. “Temos agora um primeiro passo dado, uma prova de conceito, e sabemos que podemos seguir nessa direção”, complementa Moura, vinculado também ao Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF).

O trabalho é mais um capítulo na parceria de Moura com o grupo de pesquisa coordenado por Nicholas A. Kotov, na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e com o grupo de Chuanlai Xu, na Universidade de Jiangnan, na China. Além deles, assinam o artigo outros pesquisadores da Universidade de Michigan; parceiros na Universidade de Jiangnan; e os brasileiros Felipe M. Colombari, Weverson R. Gomes e Asdrubal L. Blanco, todos eles egressos do Programa de Pós-Graduação em Química (PPGQ) da UFSCar.

A parte experimental da pesquisa acontece nos laboratórios parceiros. Na UFSCar, Moura coordena a etapa de investigação teórica e modelagem e simulação computacional, que ajuda a compreender os mecanismos por trás dos resultados encontrados empiricamente.

No Brasil, a pesquisa teve financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp); e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), além de bolsa do Programa de Educação Tutorial (PET) do Ministério da Educação. Contou também com o uso de recursos de computação científica de alto desempenho do Laboratório Nacional de Computação Científica (supercomputador Santos Dumont) e da Cloud@UFSCar.

O artigo publicado na Nature é intitulado “Enantiomer-dependent immunological response to chiral nanoparticles” e já está disponível no site da revista (Aqui!).

Confira também vídeo com Moura produzido pelo Laboratório Aberto de Interatividade (LAbI) da UFSCar (em https://www.youtube.com/watch?v=nsGzCFqX5ak).