Agora é oficial: PIG reconhece refluxo da revolta dos coxinhas

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Agora é oficial! Até o Partido da Imprensa Golpista (PIG) reconheceu o fracasso dos protestos de ontem que, como eu já havia apontado, reuniram menos pessoas em menos cidades.  O dia de hoje deve estar tenso nas redações do PIG que já estão sendo assombradas por centenas de demissões. Agora com a falta de retorno no investimento feito nas “mobilizações espontâneas”, o problema passa a ser no que fazer para equilibrar as contas. 

Número de cidades com protestos cai e frustra expectativas de grupos de oposição

Em São Paulo

 

Natinho Rodrigues/Divulgação

Protesto em Fortaleza; neste domingo houve manifestações em 152 localidades

Protesto em Fortaleza; neste domingo houve manifestações em 152 localidades

Cientes de que a mobilização para os protestos deste domingo (12) tinham menor volume, os grupos de oposição ao governo Dilma Rousseff e ao PT tentaram aumentar a capilaridade do movimento e atingir mais cidades pelo país do que em 15 de março.

Mas a iniciativa não funcionou: em vez de 212 municípios, como no mês passado, neste domingo houve manifestações em 152 localidades de 24 Estados e no Distrito Federal, conforme levantamento do jornal “O Estado de S. Paulo”.

A expectativa dos movimentos era dobrar o número de cidades com protestos. O Vem Pra Rua dizia até sexta-feira ter atos previstos em 413 municípios de todas as 27 unidades da federação e fora do país. Na madrugada de domingo, pelo Facebook, o grupo liderado pelo empresário Rogério Chequer postou uma imagem com manifestações confirmadas em 452 cidades.

Até esta edição ser concluída, o Vem Pra Rua divulgou imagens dos protestos e agradeceu “a todos que sacrificaram o domingo de descanso para se manifestar por um Brasil melhor”, mas não divulgou o número de localidades em que de fato ocorreram protestos.

Sem comparação

Também organizador das manifestações, o Movimento Brasil Livre (MBL) havia previsto protestos em 161 cidades. Pelo Facebook, o grupo postou uma série de fotos e vídeos dos atos. O MBL diz ter promovido manifestações em 181 municípios brasileiros.

Líder do movimento, Renan Santos minimizou o fato de o protesto de ontem ter atraído menor adesão de manifestantes em comparação com o ato de 15 de março.

“Não queremos ficar disputando para fazer uma foto bonita da avenida Paulista lotada. Nossa proposta agora é promover ações para interferir diretamente na política.” Segundo ele, o ato deve ser o último grande protesto de abrangência nacional, nos moldes dos que ocorreram ontem e em março.

Para David Martins de Carvalho, presidente estadual do Solidariedade, partido que participou dos protestos de ontem, a menor mobilização de manifestantes era esperada. Apesar disso, a legenda voltou a coletar assinaturas para pedir o impeachment de Dilma no Congresso.

“O povo pode ficar desanimado porque, depois do 15 de março, que foi um movimento com milhões de pessoas na rua, praticamente não houve nenhuma mudança na forma de governar”, disse Carvalho. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

FONTE: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2015/04/13/numero-de-cidades-com-protestos-cai-e-frustra-expectativas-de-grupos-de-oposicao.htm

Trotsky e os coxinhas

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Já vai longe o tempo em que eu tinha tempo para fazer minhas leituras das principais obras de Leon Trotsky. Aliás, essa é uma coisa que eu deveria rapidamente mudar, pois a atualidade do pensamento de Trotsky em várias esferas é uma demonstração de seu brilhantismo intelectual.

Mas em face das manifestações de ontem, onde ficaram novamente explícitas formas de intolerância que remontam aos regimes impostos por Adolf Hitler e Benito Mussolini, não há outra saída para mim a não ser lembrar uma das mais famosas tiradas de Trotsky: a crise histórica da humanidade reduz-se à crise da direção revolucionária. Ainda que esta frase se explicasse no contexto da luta de Trotsky contra a burocracia stalinista, creio que o que vemos hoje, com a crise agônica do neoPT, e a incapacidade de partidos e agrupamentos de esquerda de apresentarem uma direção para a classe trabalhadora brasileira é que possibilita eventos como os de ontem.

Como do ninho do neoPT deverão sair apenas pequenas rupturas do pequeno número de militantes sinceros que ainda restaram ao partido, o problema está realmente nos diversos partidos que se proclamam de esquerda, visto que não consigo ver na maioria deles uma queda pela ação panfletária sem qualquer tipo de enraizamento social. É esse o nó que deverá ser desamarrado , caso queiramos apresentar uma resposta ao projeto de destruição da classe trabalhadora que hoje é movido pelas forças mais retrógradas da direita brasileira não nas manifestações coxinhas, mas dentro do congresso nacional.

E aqui é preciso lembrar outra frase célebre de Trotsky que dizia que “Expor aos oprimidos a verdade sobre a situação é abrir-lhes o caminho da revolução.”  Resta saber quem na esquerda brasileira vai conseguir sair do estado de acomodação à crise pós-fim da URSS e começar a dizer a verdade. E a verdade começa por algo simples: a luta de classes em tempos de reação completa só pode ser superada com a organização da classe trabalhadora, dos camponeses e da juventude sob um claro projeto de oposição à burguesia e de todos os grupelhos que se organizam para manter a sua ordem opressora. Entretanto, uma pré-condição para que isto ocorra será ter a capacidade da autocrítica. Ai é que mora o problema!

Menos cidades, menos gente: apesar da confusão está claro que a revolta coxinha refluiu

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Acompanhando a avaliação da Rede Globo, vi o tom tristonho com que se divulgou os números das manifestações deste domingo. É que segundos os números houve uma diminuição no número de cidades onde ocorreram protestos (de 252 para 192) e das pessoas envolvidas (de 3 milhões para 750 mil).

Em que pese a minha descrença em relação ao número de participantes nos dois dias de revolta coxinha, o fato é que a maré baixou. Mas uma explicação deste recuo pode ser mais sombrio do que se pode inicialmente avaliar.

O problema é que nesse intervalo, o governo Dilma ja recuou tanto que os fomentadores da revolta coxinha já conseguiram parte dos seus objetivos funestos. Basta ver o caso do PL da precarização.

Em tempo: o nada insuspeito jornal “O ESTADO DE SÃO PAULO” publicou números ainda mais baixos para o número de cidades em que teriam ocorrido atos no dia de ontem. Em vez das 192 propaladas pela GLOBO News, o número seria de 152.  Apesar disso mudar muito pouco a qualidade, é certo que os números refletem o limite atual da capacidade em que os movimentos pró-golpe operam. 

Enquanto os coxinhas protestam em Copacabana, o esgoto de suas “choupanas” emporcalha o mar

É interessante notar o autismo social em que vive a classe média brasileira, e a carioca não é exceção. Hoje temos mais um protesto coxinha em diversas partes do Brasil, e na cidade do Rio de Janeiro o evento é no bairro de Copacabana.

O interessante é que enquanto protestam contra Dilma, o esgoto in natura vindo da Barra da Tijuca emporcalha o mar e as praias da orla da cidade dita maravilhosa!

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Pensando bem, faz sentido. É que emporcalha o mar de merda, também emporcalha a avenida com seu lixo ideológico!

A evidente dupla moral dos revoltados coxinhas

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Venho observando imagens e lendo textos que expressam o que pensa aquela massa de gente branca que saiu às ruas para protestar contra o governo Dilma e o PT.

E qual conclusão que eu tirei? Que esse segmento da população brasileira não quer realmente um país melhor para todo mundo, mas apenas para si mesmos. Nada de exigir mais saúde e educação ou o fim do genocídio negro. O que eles demandam é justamente o contrário. Pedem mais privatização e ainda mais intervenção militar, como se os pobres já não vivessem as agruras da privatização e da intervenção militar todos os dias.

E mesmo aqui em Campos dos Goytacazes, eu vejo expressões óbvias desse padrão de dupla moral quando leio texto de gente que ganha sem trabalhar em cargos de confiança em órgãos públicos, ou do que sobreviveu sempre das benesses de (des) governos cleptocraticos. E nem é preciso voltar muito tempo já que quem fala grosso contra Dilma e o PT, defendeu com unhas e dentes a reeleição de Pezão!

Mas o pior é ter que aturar Dilma Rousseff querendo fazer ainda mais concessões para esses setores que foram aqueles que justamente mais ganharam sob os 12 anos de (des)governo do neoPT!

Por mim deveriam todos ir para a Disneylândia viver seu mundinho neoliberal e deixar a maioria do povo brasileiro construir uma sociedade mais justa e igualitária!

 

 

A democracia que os coxinhas querem e seus sonhos de exterminio

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Manifestantes em Jundiaí “enforcam” bonecos representando a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula.

Tenho visto todo tipo de análise de gente que eu até respeito, tentando explicar e legitimar as manifestações que ocorreram em diferentes pontos do Brasil. Eu sinceramente acho que isso é perda de tempo se não formos ao elemento central do que essas manifestações sintetizam. E ele é simples: uma ojeriza a qualquer esforço de democratização da sociedade brasileira e a manutenção de um sistema social profundamente vinculado ao uso da repressão formal e informal para se manter desde que os conquistadores portugueses encostaram suas naus exploradoras no litoral da Bahia.

A presidente Dilma ao tentar apaziguar esse setor nada mais fez do que chamar ainda mais fúria para si. É que apesar dos mais de 12 anos de esforços para gerar um capitalismo sem classes no Brasil, o neoPT apenas deixou a classe média mais alienada da nossa realidade, visto que ficou espremida entre a ascensão dos pobres e o enriquecimento ainda maior dos que já eram ricos. Essa alienação é que explica tanto ódio, visto que a classe média se vê incapacitada de alcançar os luxos dos ricos, e ainda vê os pobres com ganhos periféricos, mas que expressam uma elevação social que priva os semi-privilegiados de empregados domésticos subservientes e amedrontados.

Desta forma, agora que o modelo do capitalismo sem classes está claramente destroçado, podemos voltar a debates mais transparentes sobre a natureza da exploração capitalista e de suas formas peculiares no Brasil. E precisamos fazer este debate objetivo não apenas na academia, mas nas ruas com os que têm mais a perder com toda essa reação que se expressou ontem nas ruas que são os segmentos mais pobres da população brasileira.

É que se o enforcamento alegórico feito ontem em Jundiaí (SP) da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula pode ficar relegado apenas a um plano simbólico, os pobres precisam conviver todos os dias nas mãos das classes ricas de forma direta ou pelas mãos da mesma polícia que ontem posava alegremente (em vez de dar tiros e jogar bombas como faz nas manifestações dos movimentos sociais de forma corriqueira) com os membros de uma classe média que definitivamente fez a opção pelo confronto e pedidos de retorno da ditadura militar.

O The i-Piauí Herald informa: próximo pronunciamento de Dilma ensinará receita de coxinha

Próximo pronunciamento de Dilma ensinará receita de coxinha

Encontrada a foto do líder da campanha “Michel Temer Presidente”

GERO – Por sugestão do chef de marketing João Santana, o próximo pronunciamento de Dilma Rousseff trará sugestões para que os cidadãos de bem possam melhor utilizar as panelas. “Meus amigos e minhas amigas, é muito importante ressaltar que, já no próximo pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, diante da conjuntura econômica e das condições culinárias que se apresentam, trarei uma receita de coxinha para o povo brasileiro. Esta receita poderá ser realizada com três recheios, que agradarão a todas as classes sociais: chã, frango Friboi ou ossobuco”, explicou. “Não basta oferecer panelas, tem que ensinar a cozinhar”, completou, sem gaguejar.

O ministro Chef da Cozinha Civil, Aloizio Mercadante, apressou-se em dar uma resposta à altura dos panelaços. “Venho aqui apresentar meu bigodaço”, disse. Em seguida, anunciou o aumento de IPI para a nova linha da Tramontina.

Revoltados com a resposta da presidenta, cidadãos de bem, que produzem e pagam seus impostos em dia, organizaram, via Whatsapp, uma nova manifestação: “Durante o novo pronunciamento, convocamos os brasileiros a bater paletas mexicanas na varanda”, incendiou Verinha Albuquerque Figueiroa, do Movimento Gourmetiza Brasil. A seguir confessou: “O PT está nos obrigando a cometer atos extremos. Ontem segurei um cabo de panela pela primeira vez na vida”.

FONTE: http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/herald/brasil/proximo-pronunciamento-de-dilma-ensinara-receita-de-coxinha

O panelaço dos ricos é só mais um ponto na curva da luta de classes no Brasil

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Não votei na presidente Dilma Rousseff em nenhuma das vezes em que ela foi eleita, pois discordo frontalmente do modelo de governo que ela e o PT escolheram para o Brasil. Entre as questões que mais me afastaram de qualquer simpatia por Dilma Rousseff estão o abandono da reforma agrária e a persistente opção por uma política de financeirização da economia nacional que impede qualquer possibilidade de desenvolvimento econômico real.

Na noite de ontem que coincidentemente era o dia internacional da mulher, a presidente Dilma Rousseff decidiu fazer um pronunciamento em cadeia nacional, o qual eu sinceramente não tive o menor interesse de ouvir. É que por conhecer o discurso adotado por ela para manter suas políticas neoliberais, agora comandadas por um ministro reconhecidamente adepto desse modelo falido de gerir a economia, decidi me concentrar em outras coisas.

Pouco depois fui navegar na internet e me deparei com notícias de panelaços e xingamentos coletivos que teriam ocorrido nas áreas mais ricas de algumas cidades brasileiras. E querem saber, não me surpreendi. É que fruto de uma combinação do escândalo da Petrobras com a piora da economia, e com o acréscimo de uma inconformidade eleitoral, os habitantes das áreas ricas não estão conseguindo mais se conter em sua histeria de classe. O interessante é que não estão nesse setor francamente minoritário aqueles que mais sofrem ou sofreram na história brasileira. Nesses prédios, muitas vezes luxuosos, estão aqueles que se refastelaram com as políticas pró-mercado que o PSDB começou e o PT continuou.

Mas lamentavelmente para estes segmentos abastados, eles são franca minoria no conjunto da população brasileira. E não diga apenas numericamente, mas ideologicamente. É que a maioria, na qual me incluo, ainda lembra o que o governo de Fernando Henrique Cardoso significou para o Brasil e a maioria do povo. Esse mesmo Fernando Henrique que hoje flerta com um golpe de estado simplesmente comandou um saque sem precedentes aos bens públicos, e depois saiu do Palácio do Planalto pelas portas do fundo. Tivesse Lula feito uma auditoria das privatizações feitas pelo PSDB, talvez hoje o PT e Dilma não estivessem tão enrolados em práticas que antes condenavam.

Agora, voltando aos ricos e sua inconformidade com as migalhas de melhora que o povo trabalhador desfruta sob os governos do PT, eu diria apenas que deveriam ir para Miami e se encontrar com Rodrigo Constantino. E de preferência que fiquem por lá, pois ai assim poderão ver como é que a vaca tosse.