A crise da UENF é a crise do futuro fluminense

Perdas inflacionárias superiores a 50%, salários iniciais pouco competitivos e carreiras fragilizadas expõem o desinvestimento público e ameaçam o futuro científico e tecnológico do Rio de Janeiro

A crise salarial que atinge os docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) não é um fenômeno isolado nem conjuntural.  Esta crise é uma expressão concreta de um modelo persistente de desvalorização do trabalho intelectual no setor público brasileiro — um modelo que, no caso fluminense, assume contornos particularmente agudos.

Ao longo dos últimos anos, os servidores da instituição acumularam perdas inflacionárias superiores a 50%. Esse dado, por si só, já seria suficiente para caracterizar um processo de corrosão sistemática do poder de compra e, consequentemente, das condições materiais de vida desses profissionais. No entanto, a gravidade do quadro se aprofunda quando se observa a estrutura remuneratória vigente. O salário inicial de um professor doutor em regime de dedicação exclusiva — R$ 10.858,66 — posiciona a universidade entre os piores pisos salariais dentre as principais economias estaduais brasileiros. Em um contexto de crescente competição por quadros altamente qualificados, isto se revela como sendo uma política que beira a autossabotagem institucional.

A precarização não se limita ao valor nominal dos salários. A ausência de mecanismos clássicos de progressão e valorização — como triênios e licenças especiais — retira da carreira docente elementos fundamentais de previsibilidade e atratividade. Jovens doutores, formados em programas de excelência e frequentemente disputados por instituições nacionais e estrangeiras, encontram na Uenf um cenário pouco convidativo: baixos salários, escassas perspectivas de evolução e instabilidade normativa. A consequência é previsível — e já observável: dificuldade de renovação dos quadros e envelhecimento progressivo do corpo docente.

No outro extremo da carreira, a situação tampouco é menos preocupante. A estratégia adotada para mitigar, ainda que parcialmente, a defasagem salarial — a concessão de adicionais — revela-se, na prática, um mecanismo de transferência do problema para o futuro. Esses adicionais, ao não serem incorporados à aposentadoria, produzem uma perda abrupta de renda, frequentemente em torno de 30%, no momento em que o professor se retira da ativa. Trata-se de uma penalização tardia, mas não menos severa, aplicada justamente àqueles que dedicaram décadas à consolidação da instituição. O resultado é um duplo efeito perverso: desincentivo à permanência e insegurança quanto ao futuro.

Diante desse quadro, a inação do governo estadual torna-se ainda mais difícil de justificar. Medidas relativamente simples — como a reposição, ainda que parcial, das perdas inflacionárias — poderiam representar um alívio imediato. De forma mais estrutural, a aprovação do novo plano de cargos e vencimentos, em análise desde 2021, ofereceria uma base institucional mais sólida para a reorganização da carreira docente. No entanto, a ausência dessas iniciativas indica não apenas uma limitação fiscal, mas uma escolha política: a de relegar a universidade pública a um papel secundário nas prioridades do estado.

As implicações dessa política ultrapassam, em muito, o universo corporativo dos docentes. A fragilização das condições de trabalho compromete diretamente a capacidade da universidade de cumprir suas funções essenciais: ensino, pesquisa e extensão. Projetos científicos tornam-se mais difíceis de sustentar diante da evasão de talentos e da sobrecarga dos que permanecem. A formação de novos pesquisadores é prejudicada por um ambiente institucional instável. Parcerias estratégicas, tanto nacionais quanto internacionais, tendem a rarear à medida que a reputação da instituição se deteriora.

Em um estado como o Rio de Janeiro, cuja economia demanda diversificação e inovação, o enfraquecimento de um polo científico como a Uenf representa um retrocesso significativo. A produção de conhecimento — especialmente em áreas estratégicas para o desenvolvimento regional — não é um luxo, mas uma condição necessária para a construção de alternativas econômicas sustentáveis. Ao negligenciar a valorização de seus docentes, o estado não apenas compromete o presente da universidade, mas também limita suas próprias possibilidades de futuro.

Finalmente, o que está em jogo é a própria ideia de universidade pública como instrumento de desenvolvimento social e econômico. A crise salarial da Uenf não deve ser interpretada como um problema localizado, mas como um sintoma de uma política mais ampla de desinvestimento. Persistir nesse caminho é aceitar, de forma tácita, a erosão de um dos pilares fundamentais da produção de conhecimento no estado. E essa é uma escolha cujos custos, cedo ou tarde, serão cobrados de toda a sociedade.

Notícias da Aduenf: Professores mantém greve para continuar luta de defesa da UENF

Greve dos professores continua na UENF

Em assembleia realizada na tarde desta 5a. feira (21/09), os professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) avaliaram a situação causada pela falta do pagamento dos salários de Agosto e da inexistência de soluções para a questão  da asfixia financeira causada na universidade pelo governo Pezão.

Após quase duas horas de discussões, a decisão da maioria dos presentes foi pela manutenção da greve e a realização de ações políticas para informar a população e pressionar o governo Pezão. O placar final nesta votação foi de 64 a favor, 24 contrários e 4 abstenções.

assembleia aduenf
Uma das atividades aprovadas foi a participação no Festival Doces Palavras que está ocorrendo no Jardim do Liceu de Humanidades até o próximo dia 24/9.

Além disso,  a assembleia também aprovou moções de solidariedade ao povo Mexicano e às populações de países localizados no Mar do Caribe que estão sofrendo com as consequências de terremotos e furações que causaram perdas de vidas humanas e de infraestrutura.

O Comando de Greve se reunirá nesta 6a. feira a partir das 10:00 horas para organizar as próximas atividades do movimento dos professores.

Finalmente, uma nova assembleia será realizada no dia 27/9 para avaliar entre outras coisas a pertinência do movimento de greve.

FONTE: http://aduenf.blogspot.com.br/2017/09/greve-dos-professores-continua-na-uenf.html?spref=fb

Professores da Uerj acampam na frente do Palácio Guanabara para demandar pagamento de salários e bolsas estudantis

Num movimento que pode ter repercussões amplas dentro do funcionalismo estadual do Rio de Janeiro que se vê completamente desrespeitado pelo morimbundo (des) governo Pezão, os professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), mobilizados pela Associação de Docentes da Uerj (Asduerj), decidiram acampar em frente do Palácio Guanabara no final da tarde desta 3a. feira (16/05)  após realizar um ato de protesto com aula pública (ver imagens abaixo)

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Essa ação dos professores da Uerj ocorre no exato momento em que mais de 45.000 servidores continuam esperando o pagamento dos seus salários de Março, sem que o (des) governador Pezão ou o (des) secretário estadual de Fazenda, Gustavo Barbosa, venham a público para oferecer explicações plausíveis para mais este vexame.

A Asduerj está convocando uma assembleia dos docentes da Uerj para amanhã, ainda com local indefinido, provavelmente para discutir a continuidade da ocupação que foi iniciada no dia de hoje.

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Tenho convicção que esta ação corajosa dos professores da Uerj vai causar grandes reverberações no funcionalismo estadual do Rio de Janeiro cuja paciência com o (des) governo Pezão já se esgotou faz tempo. A ver!

Notícias da ADUENF dá informe sobre visita de dirigentes do ANDES-sindicato nacional ao campus da UENF

Informe da Diretoria da ADUENF sobre visita de dirigentes do ANDES-SN à UENF e participação em atividade na UERJ

visita andes

A diretoria da ADUENF considera que foi exitosa a vinda da diretoria do ANDES a UENF no dia de ontem (10/05). Em primeiro lugar esta visita serviu para aprofundar o conhecimento do ANDES-SN quanto à gravidade da situação imposta pelo governo do Rio de Janeiro às universidades estaduais, Faetec e Cecierj.  Em segundo lugar, a reunião também possibilitou um debate sobre o cotidiano de vivências no quadro de uma crise que se intensifica a cada dia com o não pagamento de salários.

E por último, a reunião serviu para encaminhar a articulação de uma luta conjunta entre as comunidades universitárias da UENF, UERJ e UEZO para derrotar o projeto de destruição comandado pelo governador Luiz Fernando Pezão contra o ensino superior estadual.

A diretoria da ADUENF aproveita para informar que nesta sexta-feira (12/05) ocorrerá na UERJ Campos Maracanã um painel sobre a crise das Universidades Estaduais. Este painel ocorrerá a partir 14 horas no 1º. Andar, auditório 11.  Para viabilizar a presença da UENF nesta importante atividade de organização da luta contra o projeto de desmanche das universidades estaduais, uma van sairá da sede ADUENF às 7:30.  Em função disso, solicitamos que os interessados entrem em contato com a secretaria da ADUENF para fornecerem seus nomes e dados pessoais.

Unidos somos mais fortes!

DIRETORIA DA ADUENF

Gestão Resistência  & Luta

FONTE: http://aduenf.blogspot.com.br/2017/05/informe-da-diretoria-da-aduenf-sobre.html