A vitória de Alberto Fernández e Cristina Kirchner e o medo do contágio assombram Jair Bolsonaro

cristina alberto 1A vitória acachapante de Alberto Fernández e Cristina Kirchner contra Maurício Macri gera ansiedade no Brasil pelo simples medo de que haja um contágio político que tire os brasileiras da apatia e da sonolência política.

Eu realmente não me lembro quando as eleições brasileiras foram transformadas em um processo asséptico e chato sob a escusa de se controlar o uso indevido de recursos e as pressões indevidas.  Isso vem acontecendo sob a batuta de uma justiça eleitoral cada vez mais poderosa e que não hesita em se comportar como uma polícia política, enquanto as redes sociais são usadas à vontade como uma espécie de ariete contra as aspirações democráticas do povo brasileiro.

Fechemos o pano para as eleições brasileiras para reabrir em uma avenida onde acabam de ocorrer as eleições primárias para a presidência da república e os governadores das providências argentinas (ver vídeo abaixo).

Mesmo quem não entende o que está sendo cantado sabe que essa multidão de argentinos está enviando uma mensagem política clara de apoio aos candidatos de oposição ao presidente Maurício Macri, Alberto Fernández e Cristina Kirchner.  E a multidão faz não apenas com palavras de ordem claras, mas também com uma energia esfuziante que não se vê no Brasil faz tempo.

Por isso, mesmo com as graves dificuldades que a Argentina e seu povo enfrentam neste momento, me parece óbvio que lá as eleições estão servindo para liberar energias que serão fundamentais para que se encontrem soluções que beneficiem a maioria dos argentinos, e não apenas os seus ultrarricos.

Por isso, o mesmo o tom desesperado das declarações proferidas pelo presidente Jair Bolsonaro no sentido de que se houver um retorno do peronismo kirchenerista ao poder haveria a possibilidade de que o Rio Grande do Sul se transforme em uma nova Roraima (em referência à migração de venezuelanos que fogem da crise econômica em seu país). O medo real de Jair Bolsonaro não é que o Rio Grande do Sul vire Roraima, mas de que a energia dos argentinos sirva também para mobilizar os brasileiros que hoje recebem passivamente a mesma receita amarga que Maurício Macri empurrou goela abaixo do seu povo.

Alberto Fernandez e Cristina Kirchner derrotam Macri nas primárias argentinas

CRISTINA ALBERTOAlberto Fernandez e Cristina Kirchner. (Reprodução/Instagram)

O candidato Alberto Fernández, da Frente de Todos, venceu as eleições primárias realizadas neste domingo na Argentina, se impondo com ampla vantagem sobre o atual presidente Mauricio Macri. Segundo os números divulgados por volta das 22h30min, com 58,7% das urnas apuradas, Fernández tinha 47% dos votos e Macri 32%. O resultado coloca o candidato da oposição, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como companheira de chapa, como favorito para vencer as eleições presidenciais de outubro.

As primárias argentinas servem para definir os candidatos habilitados a participar das eleições presidenciais que ocorrerão dia 27 de outubro. Como nenhum dos partidos indicou mais de uma chapa, o pleito funcionou como uma espécie de pesquisa de intenção de voto, já que os cidadãos argentinos são obrigados a participar. Cerca de 75% dos eleitores habilitados a votar compareceram às urnas, segundo as autoridades argentinas.

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Logo após a divulgação dos primeiros números, Macri reconheceu a derrota, dizendo que o resultado não foi bom para o governo.

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Este artigo foi publicado originalmente foi site Sul 21 [Aqui!].