Cruesp manifesta preocupação com a situação orçamentária do CNPq

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O Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas encaminhou ofício ao presidente Michel Temer, aos ministros Gilberto Kassab (da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações); Henrique Meirelles (da Fazenda); e Dyogo Oliveira (do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão): “Sem pesquisas cientificas, será impossível criar riquezas”

Veja o documento abaixo:

O Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (CRUESP) representando conjuntamente as administrações da USP, UNICAMP, e UNESP, vêm expressar sua profunda preocupação com a situação orçamentária do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq). Preocupa-nos também o contingenciamento do FNDCT, que tem contribuído ao longo dos anos com cerca de 25% da receita do CNPq. Até o presente momento, foi liberado somente 4,6% dos recursos totais ao Conselho (aproximadamente R$ 60 milhões).

Nos últimos anos, temos acompanhado a redução das verbas federais alocadas aos investimentos em ciência, tecnologia e inovação, em função das dificuldades econômicas que nosso país ainda enfrenta. Compreendemos a necessidade da redução das despesas do governo federal de forma a atingir o equilíbrio fiscal, o que demanda visão de nossas autoridades para priorizar a alocação dos escassos recursos disponíveis.

O contingenciamento desses recursos afeta direta e drasticamente o pagamento de bolsas de estudo, que tem por fim a formação de pessoal de nível superior altamente qualificado, o financiamento de projetos científicos e de desenvolvimento tecnológico e de programas de excelência como, por exemplo, os institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), que congregam os mais destacados cientistas do Brasil.

Um eventual atraso no pagamento das bolsas de estudo traria consequências imponderáveis, mas seguramente deletérias, ao sistema nacional de pós-graduação, pois essas bolsas são o único meio de subsistência desses jovens cientistas, que mantêm um vínculo não empregatício com o CNPq, porém de dedicação integral e exclusiva durante a vigência da bolsa.

O sistema nacional de ciência e tecnologia experimentou vigoroso crescimento nas ultimas décadas, fruto de vários esforços coletivos e de um constante amadurecimento de nossa comunidade acadêmica e tecnológica. Nosso país, por sua importância internacional, por suas dimensões e pelo tamanho de sua população, precisa almejar ainda muito mais. A simples manutenção do sistema exige um aporte mínimo de recursos, sob pena de rapidamente destruirmos aquilo que foi duramente conquistado por sucessivas gerações de cientistas.

Junte-se a isso o fato de que o financiamento aos projetos e programas de pesquisa alavancou a produtividade acadêmica do Brasil, que é hoje o 13º maior produtor de ciência do mundo e abriga cinco das dez melhores universidades da América Latina, segundo ranking divulgado em 20 de julho de 2017 pela Times Higher Education (THE). O desenvolvimento tecnológico resultante desses projetos de pesquisa revela a importância dos investimentos em ciência para o avanço econômico e social do país.

O CNPq existe há 66 anos como a principal agência de fomento à pesquisa científica no País. Atualmente, além de financiar equipamentos e materiais para a consecução de projetos que permitem o avanço de nosso conhecimento, o CNPq possui uma importante dimensão humana: mais de cem mil estudantes e pesquisadores recebem bolsas de estudo. Para a maioria deles, a bolsa é sua única fonte de renda, inclusive porque se comprometem a manter dedicação exclusiva aos programas de que participam.

No século XXI, está mais do que demonstrado que a geração de receitas e o crescimento econômico advêm de inovações que resultam de conhecimentos novos. Sem pesquisas cientificas, será impossível criar riquezas.

Estamos todos cientes de que a atual crise financeira é sem precedentes neste país. Os reflexos negativos para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia são visíveis na redução da dotação orçamentária do CNPq nos últimos anos, mas o contingenciamento dos recursos que se vislumbra trará danos irreparáveis a este importante setor da economia.

O CRUESP, representando aqui o conjunto das Universidades responsáveis por mais que um terço da produção científica brasileira, vem externar sua profunda preocupação com relação aos recursos contingenciados e espera que o MCTIC logre êxito junto às demais pastas do governo federal para garantir o aporte financeiro ao CNPq o quanto antes.

Certos de que podemos contar com a compreensão e ação de Vossa Excelência, diante dessa importante questão, agradecemos seu empenho.

Cordialmente,

Sandro Roberto Valentini

Presidente do CRUESP

Ascom – Cruesp

FONTE: http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/4-cruesp-manifesta-preocupacao-com-a-situacao-orcamentaria-do-cnpq/

Universidades paulistas entram em greve contra arrocho salarial

Decisão da USP, Unicamp e Unesp ocorre após reunião sem solucão com o Cruesp

Por Redação

Professores, funcionários e alunos da Universidade de São Paulo (USP) entrarão em greve por tempo indeterminado a partir de terça-feira (27). A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) também aderiram à paralisação. O motivo é o congelamento de salários anunciado na quarta (21) pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), composto pelas reitorias das três universidades paulistas.

O Cruesp comunicou em reunião que haveria 0% de reajuste nos salários e o fim das negociações. No mesmo dia, professores e funcionários da USP definiram o início da greve e foram seguidos pelos alunos, que realizaram assembleia na parte da noite.

A Unicamp aderiu à greve, após assembleia realizada na tarde de quinta-feira (22). Os funcionários já entraram em greve a partir desta sexta (23) e os professores começam a paralisação, assim como na USP, a partir de terça (27). Já a Unesp, segundo informações passadas nesta sexta (23) à tarde pela assessoria de comunicação, tem 13 de seus campi ao menos parcialmente paralisados. Outros 21 campi da instituição ainda funcionam normalmente e assembleias ainda acontecem em todas as unidades para deliberar sobre a greve.

Segundo comunicado divulgado pelo Cruesp, “os níveis de comprometimento do orçamento com a folha de pagamento passaram a ser 95,42% na Unesp, 97,33% na Unicamp e 105,33% na USP”. Assim, as discussões salariais foram postergadas para setembro e outubro. O Conselho se comprometeu a agendar reuniões mensais com a Comissão Técnica para acompanhar a situação financeira das universidades.

A USP é a universidade com o orçamento mais prejudicado. No mês de abril, o reitor Marco Antonio Zago divulgou uma carta a docentes, funcionários e alunos, em que explica a crise financeira pela qual a instituição passa e anuncia que “todas as novas contratações de pessoal foram suspensas por tempo indeterminado, incluindo as substituições de aposentados ou demitidos. Novas construções tiveram que ser suspensas, sem consideração de prioridade ou interesse acadêmico”.

Uma audiência pública sobre a crise financeira nas universidades estaduais paulista foi marcada também para a terça (27), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, às 14h.

Após a decisão dos professores da USP, os estudantes do campus em São Paulo também realizaram assembleia e decidiram por greve geral “em defesa da universidade pública e em apoio aos funcionários e professores”.

FONTE: http://www.carosamigos.com.br/index.php/cotidiano-2/4153-universidades-paulistas-entram-em-greve-em-protesto-a-arrocho-salarial