Feira de Ciências da UENF: um ato de resistência contra o projeto de privatização do (des) governo Pezão

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O Centro de Convenções da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) foi palco hoje de uma poderosa demonstração de que a população do Norte e Noroeste Fluminense, especialmente a sua juventude, entendem a importância que a universidade do Terceiro Milênio, criada por Darcy Ribeiro, possui para um futuro melhor para todos.  E como dizem os portugueses… foi bonita de se ver a festa, pá!

É que em pleno sábado ensolarado, centenas de estudantes e pais puderem interagir com estudantes e professores para ver de perto algumas mostras das múltiplas atividades de ensino, pesquisa e extensão que são desenvolvidas na Uenf. 

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Mas é importante ressaltar que esta Feira de Ciências foi um ato de resistência contra a política de privatização que está sendo executada pelo (des) governo Pezão contra o sistema de universidades estaduais que além da Uenf, também inclui a Uerj e a Uezo.

Abaiixo uma declaração que dei para a comunidade  UENF-resiste que foi criada na rede social Facebook para disseminar a mensagem de resistência contra o (des) governo Pezão.

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Vamos salvar a Universidade do Terceiro Milênio

Por Isaac Roitman,  professor emérito da UnB, escreve artigo para o Jornal da Ciência

A Universidade do Terceiro Milênio como foi chamada por Darcy Ribeiro, que a concebeu, foi criada em 1993 como uma universidade experimental para introduzir inovações no ensino superior brasileiro em um ambiente interdisciplinar, com um corpo docente composto 100% por doutores com dedicação exclusiva. Esta universidade foi instalada na cidade de Campos dos Goytacazes, Norte do Estado do Rio de Janeiro tendo como uma das suas finalidades promover transformações sociais através da interiorização do ensino público de qualidade. Alguns frutos dessa experiência rapidamente foram colhidos. A Universidade do Norte Fluminense Darcy Ribeiro foi considerada pelo MEC entre 2007 e 2010 como uma das 15 melhores universidades brasileiras, com base no Índice Geral dos Cursos (IGC). No IGC/2011, divulgado em 2012, ela foi considerada a melhor universidade do estado do Rio de Janeiro e a 11º melhor do país. Em 2003 e em 2009 ela ganhou o Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica, conferido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

As dificuldades da UENF surgiram em outubro de 2015 com a interrupção do repasse de recursos orçamentários que acarretou no não pagamento de energia, segurança patrimonial, serviços de limpeza e manutenção, e telefonia. Estes problemas persistem até hoje e a cada dia está sendo agravado gerando insegurança em toda comunidade acadêmica. Em março de 2016 o Conselho Universitário da instituição afirmou que se os problemas persistirem o fechamento seria inevitável. Em agosto de 2016 a UENF tinha cerca de R$ 17 milhões em dívidas acumuladas e hoje ultrapassam os R$ 55 milhões de reais. A atual situação é catastrófica com atraso e parcelamento no pagamento de professores e servidores. Os salários de novembro de 2016 estão sendo parcelados em janeiro de 2017. Ninguém sabe quando serão pagos os salários de dezembro de 2016, o 13º salário e o salário de janeiro de 2017. A comunidade acadêmica sente-se humilhada, ultrajada e moralmente abalada. Servidores docentes e técnicos estão com dificuldades para manterem suas famílias e até mesmo chegar ao seu trabalho. Mesmo diante de tantas dificuldades a comunidade acadêmica continuou atuando até o final de 2016, porém há uma séria dificuldade para retornar as atividades em 2017 caso não haja uma normalização dos pagamentos de salários.

O fomento à pesquisa está totalmente interrompido, pois a Fundação de Amparo à Pesquisa Carlos Chagas Filho (Faperj) também sofre com dificuldades de repasse de verbas. Muitos estudantes perderam bolsas de estudos e os que não perderam vem recebendo os valores financeiros relativos às suas bolsas de maneira precária e sem calendário definido. Essa triste conjuntura gera sérios desdobramentos que transcendem as fronteiras estaduais. Um dos projetos na área de meio ambiente conduzidos por pesquisadores da UENF em colaboração com um grupo do Instituto Marx Planck da Alemanha, está comprometido pela falta de aporte de recursos já aprovados pela Faperj o que tem forçado os pesquisadores a tirarem recursos do próprio bolso para pequenas despesas. No entanto, para as grandes despesas essa solução doméstica é inviável. O projeto será interrompido e a credibilidade dos pesquisadores e da instituição irão pelo ralo abaixo. Outras situações semelhantes poderiam ser relatadas.  A própria segurança da universidade está comprometida. No período entre o Natal e o Ano Novo os prédios da UENF foram invadidos, roubados e vandalizados.

A Universidade do Terceiro Milênio está neste momento como um prisioneiro que seus últimos passos no corredor da morte. Temos que salvá-la. Não podemos ficar calados. É fundamental que a comunidade acadêmica e toda a sociedade brasileira se mobilizem para que a UENF atravesse sem sequelas essa tempestade de insensatez que ocorre no Brasil. A saúde financeira da UENF deve ser prontamente reestabelecida para que ela possa continuar com sua nobre e virtuosa missão. A sociedade campista e do Rio de Janeiro e de todo o país deve pressionar os governantes para que não morra o sonho de Darcy Ribeiro.  Segundo ele, “a crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto”. Vamos todos combater esse projeto. É também pertinente lembrar outro pensamento desse grande brasileiro: “Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca.” Vamos à luta pois a causa é virtuosa. Lembremos também o pensamento de outro grande brasileiro, Oswaldo Cruz: “Não esmorecer para não desmerecer.”

* Professor emérito e coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro da Universidade de Brasília, pesquisador emérito do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ciências e membro do Movimento 2022 O Brasil que queremos. Foi diretor do Centro de Biociências e Biotecnologia da UENF (1995-1996).

FONTE: http://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/20-vamos-salvar-a-universidade-do-terceiro-milenio/

23 anos da Uenf são marcados pela disposição de resistir ao projeto de destruição do (des) governo Pezão

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A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) celebra hoje (16/08) os seus 23 anos de existência em meio a uma forte incerteza quanto ao seu futuro que se encontra ameaçado por uma política de destruição deliberada por parte do (des) governo liderado por Luiz Fernando Pezão e Francisco Dornelles.

O fato inescapável é que após transcorridos quase 8 meses do ano de 2016, a Uenf não viu a cor do dinheiro necessário para poder funcionar em condições mínimas. As dívidas acumuladas beiram os R$ 20 milhões, ameaçando atividades essenciais que comprometem duas décadas de conhecimento acumulado.

Mas esqueçamos um pouco a crise para celebrar as inúmeras conquistas que esta jovem instituição já alcançou em pouco mais de duas décadas. Com programas de pós-graduação tendo formado quase 1.000 mestres e quase 700 doutores, a Uenf também já recebeu duas vezes o prêmio nacional oferecido pelo Conselho Nacional de Pesquisa e Tecnologia (CNpq) em função da alta qualidade do treinamento de pesquisadores em nível de graduação para adentrarem a pós-graduação. Além disso, a Uenf tem sido constantemente bem avaliada pelo Ministério da Educação no tocante aos seus cursos de graduação.

Essas conquistas não são pequenas e expressam de forma objetiva a importância que a Uenf tem não apenas para o estado do Rio de Janeiro, mas também para Minas Gerais e Espírito Santo de onde se originam muitos dos membros do seu corpo estudantil. 

Em função disso é que a asfixia financeira imposta à Uenf representa um ataque indesculpável à universidade pública brasileira. Nesse sentido, é importante ler e divulgar a carta à população que foi publicada hoje pela Associação de Docentes da Uenf (Aduenf) e que apresenta de forma mais acabada o sentimento existente dentro da universidade em face dos ataques que estão sendo desferidos pelo (des) governo do Rio de Janeiro (ver reprodução integral do documento logo abaixo). 

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E esse sentimento é de disposição para continuar o processo de resistência. É que dada a importância que a Uenf possui para além de seus muros, não haveria outra posição a ser adotada.

E como finaliza a carta da Aduenf, eu repito: Longa vida à Uenf! E aos que querem propositalmente destruí-la enquanto universidade pública, eu aviso: Não passarão!

Uenf divulga agenda de celebrações do aniversário de 23 anos

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Em que pesem a grave crise financeira imposta na Universidade Estadual do Norte Fluminense  (Uenf) pelo (des) governo comandado por Luiz Fernando Pezão e Francisco Dornelles, a vida ainda pulsa e precisa ser celebrada.

É que a despeito de todas as tentativas de desmoralizar e desestruturar a universidade criada a partir da demanda da população de Campos dos Goytacazes, há ainda muito a ser festejado. O fato é que em seus 23 anos de história, a Uenf tem confirmado o papel que a ela foi demandado por aqueles que queriam sua criação na região Norte Fluminense. 

Ainda que longe da perfeição, a Uenf tem contribuído para mudar a situação historicamente desfavorável de amplos setores da população a partir de intensas atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Eu que cheguei na Uenf no início de 1998 a partir de uma opção por contribuir com a consolidação de um universidade que então tinha apenas 5 anos de existência, posso testemunhar que evoluímos muito ao longo do tempo. E não será este (des) governo antipopular que tirará a Uenf de seu destino manifesto.

Abaixo a matéria produzida pela Assessoria de Comunicação da Uenf para divulgar as atividades que vão ocorrer a partir desta segunda-feira (15/08). Como diz o informe da reitoria, todos estão convidados. Afinal, a Uenf é de todos!

UENF completa 23 anos de existência

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Em 16 de agosto de 1993, começava a se tornar realidade um sonho antigo dos campistas: a Universidade Estadual do Norte Fluminense  Darcy Ribeiro (UENF). Para marcar os 23 anos da UENF, a Reitoria programou um dia inteiro de visitas ao campus universitário. É o “UENF de Portas Abertas”, a ser realizado nesta segunda-feira, 15/08/16, das 9h às 17h.

– Convidamos todos aqueles que ainda não conhecem o campus da UENF a participarem deste dia de congraçamento. Diversos setores da Universidade estarão de portas abertas, com funcionários preparados para receber os visitantes. A UENF é um patrimônio de Campos e da região e queremos que a comunidade local esteja efetivamente aqui dentro – disse a vice-reitora da UENF, Teresa Peixoto, que está à frente da organização do evento.

Dentre os locais a serem abertos à visitação nesta segunda, estão: Casa de Cultura Villa Maria, Centro de Convenções, Hospital Veterinário, Museu Anatômico, Casa Ecológica, Centrífuga Geotécnica, Herbário, Espaço da Ciência, Oficina do Projeto de Extensão ‘Caminhos de Barro’, entre outros espaços.

Como parte da programação de aniversário será exibida, na segunda-feira, uma mostra de documentários sobre Darcy Ribeiro, idealizador da UENF. E na terça-feira, 16/08, será realizada uma Sessão Solene do Conselho Universitário da UENF (Consuni) em homenagem aos 23 anos da Universidade, com a presença de diversas autoridades.

Veja a programação completa:

15/08 (Segunda-feira)
9h às 17h –  Uenf de Portas Abertas: visitas guiadas aos diversos espaços da UENF
Centro de Convenções, Hospital Veterinário, Casa Ecológica, Espaço da Ciência, Herbário, Centrífuga Geotécnica, Emário, Projeto Caminhos de Barro etc
– Obs. Reservas de grupos podem ser feitas pelo email conhecendoauenf@uenf.br
 
14h às 18h – UENF de Portas Abertas – Casa de Cultura Villa Maria
Pé de que? – Leitura nos jardins da Casa de Cultura Villa Maria. Livros disponíveis para leitura sob as árvores da Villa.
Polo Arte na Escola – Lápis, tinta e papel para que os interessados expressem artisticamente o belo cenário da Villa Maria e Quadrilátero.
Visitação do Acervo Fonográfico e Audição – Visita ao acervo com audição de fonogramas.
 
9h às 17h – Mostra de documentários científicos e sobre Darcy Ribeiro – Sala de Cinema do Centro de Convenções. Veja aqui a programação da  Mostra.
 
16/08 (Terça-feira)
9h – Hasteamento das Bandeiras na entrada do campus Leonel Brizola
10h – Inauguração da foto do ex-reitor Silvério de Paiva Freitas na Galeria dos Ex-reitores da UENF, prédio da Reitoria
11h30 – Almoço de Aniversário no Bandejão (menu especial e bolo), com roda de capoeira e homenagem ao Mestre Peixinho, que completa 21 anos contribuindo com a extensão na UENF para a valorização e difusão da cultura afrobrasileira
15h – Sessão Solene do Conselho Universitário da UENF (CONSUNI) no Centro de Convenções Oscar Niemeyer
 
21/08 (Domingo)
8h às 13h – Domingo no Parque da UENF na área externa arborizada no entorno da quadra do CCH, com piquenique e atrações culturais(dirigida à comunidade interna da UENF e seus familiares)
 
25/08 (Quinta-feira)
19h – Festa caipira na quadra do prédio do CCH (dirigida à comunidade interna da UENF e seus familiares).

Aduenf lança novo material para fortalecer a defesa da Uenf

A Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte (Aduenf) acaba de lançar um novo material para fortalecer o processo de luta contra o sucateamento promovido pelo (des) governo do Rio de Janeiro.

E nesse material aparece de forma central a figura de seu idealizador, o antropólogo Darcy Ribeiro, que se ainda estivesse vivo estaria na linha de frente da Uenf. 

A charge que ancora esta nova fase do material de campanha da Aduenf foi cedida gentilmente pelo cientista político e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Campos dos Goytacazes, Márcio Malta,   que também é um chargista de mão cheio sob o condinome de “Nico”. 

Abaixo um primeiro material com a charge produzida pelo Prof. Márcio Malta. 

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Não vai ter golpe!

Por João Batista Damasceno*

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A semana transcorreu com alardes de golpe de Estado. Análise do Brasil na década de 50 e no início da de 60 demonstra similitude dos discursos, em realidades diversas. Não há condições para que tenham êxito os algozes da democracia. O golpe de 1964 foi articulado por industriais, por banqueiros, por proprietários rurais e pelo capital internacional. A intervenção militar com apoio das lideranças políticas conservadoras foi apenas o desfecho das pretensões do capital. Próceres da política aparentemente democráticos também tinham interesse no afastamento dos trabalhistas e da esquerda do poder e apoiaram o golpe empresarial-militar. Foi o caso de Ulysses e JK. Tancredo, por ser parente de Vargas e compreender que o poder que se toma com o auxílio das armas pertence ao dono delas, foi uma das poucas lideranças do campo conservador que não aderiram ao golpe de 1964.

A UDN, partido formado por homens letrados ligados ao capital, não conseguia hegemonia pela via democrática. Daí suas reiteradas tentativas de golpe, dentre eles o apoio ao Manifesto dos Coronéis em 1953, que levou à queda de Jango do Ministério do Trabalho depois de aumento do salário mínimo; a República do Galeão, que propiciou o suicídio de Vargas, em 1954; a tentativa de impedir a posse de JK em 1955; as revoltas na Aeronáutica em Jacareacanga em 1956 e em Aragarças em 1959; os entraves à posse de Jango em 1961, até o 1º de abril de 1964. Todas demonstraram que o compromisso da classe dominante com as instituições subsiste enquanto contemplados seus interesses.

Naquele período havia ameaça real aos interesses do capital, ante compromissos populares de Brizola e Jango. Os projetos — educacional com Darcy Ribeiro, de desenvolvimento do Nordeste com Celso Furtado, de erradicação da fome com Plínio Sampaio, de reforma agrária com João Pinheiro e Almino Afonso — se direcionavam no sentido da emancipação popular e descontentavam a classe dominante.

Agora, não. Nunca os bancos ganharam tanto dinheiro; a dívida é regiamente paga, com o sacrifício dos direitos dos trabalhadores; os empresários se fartam com verbas do BNDES, ainda que a crise tenha reduzido a farra; as empresas de comunicação continuam a receber verbas de publicidade, ainda que queiram mais; o capital internacional, volátil, não tem controle, e os serviços públicos foram privatizados para satisfação dos empresários. Os discursos do ex-presidente FHC, de Aécio Neves e de Roberto Freire em favor do golpe é conversa fiada de quem precisa da mídia para ter a existência lembrada. Não vai ter golpe!

FONTE:  http://odia.ig.com.br/noticia/opiniao/2015-07-11/joao-batista-damasceno-nao-vai-ter-golpe.html

*João Batista Damasceno ocupa o cargo de juiz de direito no tribunal de justiça do Estado do Rio de Janeiro. É doutor em Ciência Política.

Na eleição para a reitoria da UENF, vou de Luís Passoni e Teresa Peixoto

Nesta sexta-feira (19/06) ocorreu a homologação das chapas que vão concorrer na eleição para a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) para o período 2015-2019.  Essa será uma eleição acirrada, pois, apesar de todos os seus erros e equívocos na condução da UENF, a reitoria tem sua chapa preferencial, já que o recentemente exonerado pró-reitor de Pós-Graduação, Antonio Amaral, concorre ao cargo vice-reitor num esforço claro de continuidade.

Felizmente, há uma chapa de oposição com chances reais de vencer este pleito que é composta pelo ex-presidente da ADUENF, Luis Passoni, e pela ex-diretora do Centro de Ciências do Homem, Teresa Peixoto.  Acredito que esses dois professores há uma chance de recolocarmos a UENF no caminho que foi idealizado por Darcy Ribeiro,

Deste modo, sem mais delongas, aproveito do espaço para declarar o meu apoio à chapa composto por Luís Passoni e Teresa Peixoto. Além disso, convido a todos que queiram que a UENF viva dias melhores a se empenharem na campanha deles. É vencer ou vencer, pois a continuidade da reitoria que ai está não é algo que pode ser permitido, visto que os danos causados à instituição já passaram faz tempo de todos os limites.

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UENF: um aniversário para lembrar o passado e lutar por um futuro melhor

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A Universidade Estadual do Norte (UENF) celebra hoje (15/08) 21 anos de existência. Essa instituição que é fruto das visões de longa profundidade de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola, também é produto da organização da população de Campos dos Goytacazes.  Essa junção de vontades gestou uma instituição com ideias e práticas que revolucionaram a forma com que as universidades públicas brasileiras.

Darcy Ribeiro viajou por diversas partes do mundo para produzir um modelo institucional que permitisse a todos os membros da UENF realizar o máximo de suas potencialidades. Darcy começou por quebrar as amarras departamentais que, em sua opinião, sufocavam a criatividade e burocratizavam o cotidiano das universidades brasileiras. Além disso, Darcy Ribeiro elevou a barra dos requisitos para alguém fosse professor na UENF ao estabelecer o título de doutor para que alguém pleiteasse o direito de trabalhar na instituição. Além disso, Darcy estabeleceu que todos os professores deveriam trabalhar em regime de Dedicação Exclusiva.  Com o passar dos anos, todas as universidades públicas brasileiras se dirigiram no sentido de adotar esses pré-requisitos, mesmo esquecendo que toda essa mudança começou com a criação da UENF.

Agora a UENF vive uma crise sem precedentes em sua jovem história. E o principal problema, não o único, é a rala compreensão que os atuais (des) governantes estaduais possuem da importância das universidades públicas fluminenses para um modelo de desenvolvimento econômico, social e ambiental que seja inclusivo e democrático. Ao contrário, nos anos de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, o que temos é o encurtamento de salários, o aprofundamento da terceirização e o desrespeito pela autonomia universitária.  Essa visão rala é o ponto de partida da situação de quase insolvência financeira em que não só a UENF, mas também a UERJ e a UEZO se encontram!

Para compor esses problemas, temos na reitora da UENF um grupo de gestores que simplesmente não entendem a estatura dos cargos que ocupam. É por isso que, em vez de enfrentarem o (des) governo de frente, preferem insistir num diálogo de surdos e mudos com o (des) governo Pezão, enquanto precisam assumir que já não conseguem pagar os fornecedores e prestadores de serviços.

Mas como alguém que já está na UENF desde 1998, eu acredito firmemente que a comunidade universitária tem plenas capacidades de superar tudo isso, e continuar realizando as tarefas idealizadas por Darcy Ribeiro e seu parceiro de projeto, Leonel Brizola, nos deixaram. 

Darcy Ribeiro dizia que “a crise na educação não é uma crise, mas um projeto”. Assim, em vez de cairmos no desânimo e na apatia, creio que o caminho devemos ampliar a resistência aos que querem destruir a UENF com um projeto político de privatização do estado do Rio de Janeiro.  Só dessa forma estaremos à altura das tarefas que nos foram deixadas pelos fundadores da UENF.

Por isso tudo, é que devemos celebrar esse aniversário com altivez e não com meras celebrações de fachada. E só lembrando Chico Buarque de Holanda, eu dedico ao (des) governador Luiz Fernando Pezão, que aqui simboliza os inimigos da UENF, a canção “Apesar de você”.

Uenf: de Darcy Ribeiro a Regina Duarte?

Muitos ainda devem ser lembrar daquela propaganda feita pelo então candidato José Serra mostrando a atriz global e latifundiária Regina Duarte dizendo que estava com medo pelo futuro do Brasil caso Lula ganhasse as eleições presidenciais. Pois bem, mais de uma década depois daquela peça ter sido levada ao ar, eu tenho ouvido repetidas manifestações dentro do campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) que me transportam ao mundo previsto por Regina.É que, invariavelmente, muitos que criticam a situação em que a UENF foi colocada se declaram estar “com medo” de vir a público para proferir algo que seria básico em uma instituição universitária: uma simples opinião.

Uma das explicações para essa situação de medo é estrutural. É que apesar do ciclo autoritário ter sido oficialmente encerrado em 1985, os impactos da ditadura militar de 1964 têm sido duradouros sobre a sociedade brasileira, onde as universidades estão inseridas. Assim, se a herança autoritária da ditadura está permeada nas relações gerais da sociedade brasileira, não haveria por que não estar dentro das universidades.

Mas existem outras explicações mais simples do que a herança da ditadura. A carta-ameaça do reitor Silvério Freitas ao signatários do “Manifesto em Defesa da UENF” é um exemplo prático de como muitos, especialmente entre os professores, foram levados ao estado “Regina Duarte” de ser e vivenciar o cotidiano da instituição. Afinal, fica patente que a universidade é dirigida por um grupo que não tolera a crítica, e não hesita em lançar mão de instrumentos administrativos para tentar coagir quem ousa fazer aquela coisa básica que é emitir uma opinião crítica.

Por outro lado, não é possível deixar de notar que o homem que idealizou o projeto UENF não entrou na história por ter medo. Aliás, muito pelo contrário. Darcy Ribeiro, com todas as suas contradições e ambivalências políticas, pode ser chamado de qualquer coisa, menos de medroso. Darcy viveu na sua plenitude e desafiou por anos a fio a sentença de morte ditada por um câncer, e morreu sem medo.

Assim, me parece no mínimo contraditório que a sua última obra, a UENF, seja dominada pelo espírito de Regina Duarte e não de Darcy Ribeiro. Se for para ser assim, que se mude o nome da universidade para “Uenf Regina Duarte”.  Pelo menos ficaria mais fidedigno e correto com Darcy.

De minha parte, prefiro continuar construindo a instituição sonhada por Darcy Ribeiro, onde o medo não tenha espaço e, tampouco, a mediocridade.