CODIN faz mais desapropriações de “réus ignorados” na retroárea do Porto do Açu

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Apesar do colapso do Grupo EBX que colocou em xeque a continuidade do megaempreendimento conhecido “Complexo do Açu”, a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) continua com sua marcha de desapropriações contra agricultores familiares no V Distrito de São João da Barra. A imagem acima reproduz um novo pacote de desapropriações na localidade de Campo da Praia que engloba uma área aproximada de 52,00 hectares que formam hoje sete propriedades.

Pois bem, destes sete proprietários, seis estão sendo citados ou intimados como “réus ignorados” pela justiça de São João da Barra. Apesar de transitar pela área só desde 2010, fico pasmo com essa incapacidade (para não dizer outra coisa) da CODIN em identificar os proprietários dessas áreas ,visto que em Campo da Praia todos literalmente se conhecem e sabem com grande grau de exatidão a quem pertence cada palmo de terra.

Então por que a CODIN continua utilizando a granel a figura do “réu ignorado” nos processos que move contra centenas de famílias do V Distrito de São João da Barra? Para principiantes nesse tipo de querela judicial, a primeira explicação é a de que esta estratégia dificulta bastante que as famílias desapropriadas constituam advogados em tempo hábil. Como decorrência disso, elas ficam desprotegidas tanto no processo de perícia judicial para definir o real valor das terras desapropriadas,  como no momento em que a imissão de posse é realizada. Em suma, as famílias desapropriadas ficam desprotegidas e à mercê da ação do Estado que não hesita em usar a força policial para removê-las sem que haja o pagamento do valor justo e em tempo  hábil.

Agora a questão que mais merece atenção dos que se preocupam com essa situação é que essas desapropriações não possuem nem sentido e nem urgência, visto que a CODIN não tem demonstrado que haja qualquer viabilidade para o natimorto “Distrito Industrial de São João da Barra” que é a justificativa oficial para toda essa tomada de terras. Na prática, o que vem ocorrendo é a passagem das terras desapropriadas para as mãos de corporações privadas (antes o Grupo EBX e agora o fundo estadunidense EIG).  E há nome para esse tipo de ação nos compêndios dos estudos agrários brasileiros. Basta procurar que se acha.

Desapropriações do Porto do Açu e suas principais vítimas: agricultores idosos!

Uma das facetas mais obscuras do processo de desapropriação de terras promovido pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN), primeiro em prol do conglomerado do ex-bilionário Eike Batista e agora do fundo estadunidense EIG é a expulsão de agricultores idosos de terras que ocupam historicamente. Apesar de ainda não existir um registro acadêmico, minhas andanças pelo V Distrito de São João da Barra desde 2010 mostram que muitos idosos não resistiram ao estresse e acabaram morrendo de angústia.

Para reforçar essa minha experiência empírica, recebi hoje comentário de um leitor desse blog reagindo à publicação da mensagem que me foi enviada pela Sra. Elza Toledo, filha do agricultor Walter Alves Barreto:

“Li o relato da filha do Sr. Walter e fiquei bastante comovido, pois imagino o sofrimento da família e todas afetadas por essas desapropriações em favor do porto . Além do sr Walter tenho informação de outros casos de infarto . O Sr. Aires Alves também infartou , está hospitalizado . O Sr Amaro Toledo que não teve a mesma sorte e faleceu sábado passado vítima também de infarto e das desapropriações. Esses idosos pagam seus impostos , têm documentação de suas terras e trabalharam a vida inteira para ter uma velhice mais tranquila . O porto é uma grande potência. Não sou contra o desenvolvimento e sim a maneira cruel , desumana, desrespeitosa como vem sido tratado o povo do V Distrito de SJB onde os direitos dos idosos não são respeitados ! Todos tem nomes ! Não são réus ignorados ! ” RESPEITO ” É MUITO BOM !”

Este comentário sintetiza a visão da imensa maioria dos moradores do V Distrito que, embora tenha sido violentamente afetados pelas desapropriações não são contra o porto do Açu. O problema é que todo esse mar de desrespeito não era sequer necessário para a construção do porto, e decorre apenas da especulação de terras que está sendo fomentada pelo (des) governo de Sérgio Cabral às custas da agricultura familiar e de agricultores idosos. Para isso não há outra posição a ser tomada que não seja de registrar e denunciar todos os abusos que estão sendo cometidos contra famílias indefesas.

Desapropriações no Porto do Açu: a voz das vítimas e suas perguntas inconvenientes

No dia 07/01 publiquei uma postagem sobre o que eu considerei “esquisitices” que continuam emergindo do processo de desapropriações que foram feitas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) citando o caso do agricultor Walter Alves Barreto, cuja advogada desertou a representação do cliente justamente no momento crucial da desapropriação.

Pois bem, hoje recebi o seguinte comentário da senhora Elza Toledo, filha do Sr. Walter Barreto, que julgo meritório de aparecer numa postagem própria e não como um simples rodapé. Eis o que a filha do Sr. Walter nos diz:

“Sou filha do sr Walter Alves Barreto. Meu pai sofreu um infarto . Ficou 6 dias na UTI e 30 dias hospitalizado por conta dessas desapropriações. Agora graças a Deus ele melhorou e está com uso contínuo de remédios. Eu pergunto: Cadê os direitos dos cidadãos ? E os direitos humanos? Grata a quem publicou esta nota!Assim as pessoas tomam conhecimento da verdade sobre as arbitrariedades das desapropriações em torno do Porto do Açu”.

Os fatos aqui são narrados de forma clara e contundente, e a filha do Sr. Walter Barreto levanta questões que deveriam ser respondidas pelos causadores e beneficiários de um drama que se abateu sobre centenas de famílias de trabalhadores.

E que depois não nos venham dizer que aquilo que aconteceu foi só invenção de opositores políticos! Com a palavra os senhores Sérgio Cabral, Eike Batista e Júlio Bueno.

Previsão meteorológica para a região do Porto do Açu: chuva forte com pancadas de agravos

Um profissional que está acompanhando de perto a situação das desapropriações feitas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) no Porto do Açu está prevendo que a calmaria que prevalece atualmente na atmosfera do Fórum de São João da Barra sofrerá uma grande modificação nas próximas semanas, quando ocorrerá ocorrer a entrada de uma frente que causará uma forte chuva de agravos.

Esse mesmo profissional prevê que novos efeitos suspensivos deverão ser concedidos à desapropriações já autorizadas pela justiça sanjoanense, mas ainda não realizadas por causa da incapacidade da CODIN de garantir os meios necessários para sua realização.

A antes quase onipotente e onipresente CODIN ainda deverá ter surpresas salgadas com a realização de perícias judiciais que vão rever alguns dos preços camaradas que haviam sido pleiteados e concedidos na fase da imissão provisória de posse. Se tudo andar como a meteorologia indica vai faltar dinheiro nos cofres da CODIN.

Uma coisa é certa: o tempo da moleza para a CODIN acabou e não será surpresa alguma se muitas desapropriações já realizadas forem anuladas pela justiça. A ver!

Convite para reunião do Comitê de Bacia Hidrográfica da Baía da Guanabara

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Mobilização Unificada DIA 9 DE JANEIRO (quinta feira), às 14 horas no 
auditório do INEA, Av. Venezuela nº 110, 6º andar, Saúde, Rio de Janeiro, será realizada a REUNIÃO PÚBLICA do Comitê de Bacia Hidrográfica da Baía da Guanabara.

Teremos a presença de agricultores familiares do município de Cachoeiras de Macacu ameaçados de remoção e despejo pelo projeto de construção de mega-barragem da refinaria do COMPERJ / PETROBRAS no rio Guapiaçu, que provocará a perda de 6 mil empregos e a redução de 80% dos produtos agrícolas que chegam diariamente ao CEASA e feiras com consequente aumento do custo dos alimentos, a extinção de rica biodiversidade através da inundação criminosa de remanescentes florestais da Mata Atlântica (represa de 3 km de extensão e + de 20 metros de altura com custo de R$ 1 bilhão e 250 milhões).

Haverá participação tbém dos mov. sociais, grupos ecologistas e pescadores artesanais, e o Fórum dos Pescadores e Amigos do Mar que tem sido prejudicados pela poluição oriunda das dragagens de lama (sedimentos) contaminados inclusive por metais pesados de obras de petroleiras e portos situados no interior da baía que lançam ilegalmente grande volume de lama dragada (volume estimado em 3 a 4 estádios do Maracanã!) no “bota-fora” (área de descarte definido sem ouvir os pescadores e técnicos!) localizado na entrada da baía em áreas de tradicionais pesqueiros com grande biodiversidade marinha e de relevância p/ a pesca, o lazer náutico, mergulho, pesquisas científicas e o turismo.

Estão sendo convidados moradores de Jardim América, Acarí, Vigário Geral, Cordovil, do Complexo do Alemão e de Manguinhos (Zona Norte do Rio) e de municípios da Baixada Fluminense impactados pelas recentes inundações que exigem indenizações financeiras do Estado e da grandes empreiteiras pelos prejuízos patrimoniais, danos à saúde coletiva e moral provocados pelas recentes inundações cujos impactos negativos foram intensificados por obras mal feitas da Prefeitura do Rio e da CEDAE com recursos do governo federal que apresentam obras subdimensionadas de custos superfaturados e caríssimos, uso de material de péssima qualidade nas obras, falta de diálogo com as comunidades em situação de vulnerabilidade social e ambiental, ausência de participação popular e de controle social na execução de obras e projetos, conforme amplamente previsto na legislação de gestão dos recursos hídricos e de saúde ambiental.

Contamos de contar com sua participação e ajuda na divulgação do evento.

Acesse o link: https://www.facebook.com/events/251867038310843/

À guisa de comparação: Pecém, Açu e Quissamã

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O Jornal Valor Econômico publicou hoje (07/01) uma matéria tratando do empréstimo de R$ 630,5 milhões que foi concedido pelo BNDES para a ampliação do Complexo Portuário Industrial do Pecém. Um dos itens a serem ampliados é a retroárea do Porto do Pecém que deverá ter um tamanho de 69 hectares. Para quem não sabe, o Complexo do Pecém é quase que uma cópia do projeto do Porto do Açu. A única e significativa diferença é que no caso do Pecém, a maioria dos projetos já saiu do papel, e o que o BNDES está financiando é a ampliação.

Pois bem, diante do tamanho da retroárea do Porto do Pecém que já é um dos principais nós logísticos do Brasil, fica ainda mais evidente a aberração que foi a desapropriação de 7.5000 hectares no V Distrito de São João da Barra (uma área que é mais de 100 vezes maior do que a do Pecém, e onde hoje não há absolutamente nada construído. Essa análise que é possibilitada pela comparação dos números demonstra mais uma vez o absurdo que se cometeu contra centenas de famílias de agricultores familiares e pescadores artesanais do V Distrito.

Mas o tamanho da retroárea do Pecém também desnuda outro absurdo que se está tentando fazer no município de Quissamã a partir do Decreto Municipal 1851/2013 onde está apontada a desapropriação de 5.000 hectares para a construção de um aeródromo! Vejam que a área prevista para desapropriação em Quissamã é 72 vezes maior do que a retroárea do Porto do Pecém!

Como estive recentemente na área do Porto do Pecém em São Gonçalo do Amarante e pude ver o que pode ser construído em 69 hectares, o tamanho das áreas desapropriadas em São João da Barra e Quissamã simplesmente não atende ao critério da razoabilidade social, econômica e ambiental.

Finalmente, não custa nada lembrar que a área que se pretende desapropriar em Quissamã tem porções são limítrofes do Parque Nacional de Jurubatiba, o que deverá aumentar ainda mais o movimento contra esse decreto da Prefeitura de Quissamã.

CODIN e as desapropriações no Açu: acabou o milho, acabou a pipoca?

Tive informações de fontes confiáveis de que a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) está enfrentando graves dificuldades para executar as imissões de posse que ainda conseguiu obter na justiça sanjoanense. As razões são as mais pueris, incluindo a falta de combustível para alimentar os veículos da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros que normalmente dão cobertura às expropriações de terras promovidas pelo (des) governo de Sérgio Cabral.

A situação beira o grotesco, mas é explicável. A explicação pode ser encontrada num balanço financeiro publicado pela Grussai Siderúrgica do Açu (GSA) onde está afirmado com todas as letras que era essa empresa (na prática uma subsidiária da LL(X)) que autorizava e fornecia os recursos para as desapropriações serem viabilizadas. Até ai nada de filantrópico, pois as terras desapropriadas eram rapidamente transferidas para o seu controle. Enquanto isso, um número incalculável de proprietários continua sem as indenizações devidas.

Agora com a crise financeira corroendo o poder da LL(X) e, por extensão, da GSA, a CODIN está com mandados de imissão de posse nas mãos e não consegue cumpri-los porque o (des) governo de Sérgio Cabral tampouco está bancando as operações.  Seria cômico, se não fosse trágico.

Caderno Norte Fluminense do O GLOBO/EXTRA traz matéria sobre desapropriações e salinização no Porto do Açu

O Caderno Norte Fluminense que é publicado como encarte na edição deste domingo (24/11) traz uma matéria sobre a situação das famílias de agricultores que foram desapropriadas pelo (des) governo de Sérgio Cabral para beneficiar o Grupo EBX de Eike Batista. Além de tocar no assunto dos valores irrisórios das desapropriações, a matéria também aborda os diferentes problemas associados ao processo de salinização que foi causado pelo aterro hidráulico construído no Porto do Açu.

Como se vê, apesar dos desejos de alguns, essa problemática atrai cada vez mais a atenção até da mídia corporativa. Assim, mais do que nunca, há que se cobrar que seja feita a retrocessão com a devolução das propriedades aos agricultores. Afinal, se não pagaram e o motivo público alegado para os decretos já não existe mais, nada mais natural que após serem indenizados por todos os problemas que sofreram, os agricultores possam voltar para o que é seu de direito.

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Portal G1 faz ampla cobertura dos efeitos do colapso do Grupo EBx em São João da Barra

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O Portal G1, da Globo, publicou online no dia de hoje uma ampla matéria, com vídeos e sequências fotográficas, documentando os efeitos dramáticos que a implantação do porto do Açu e o colapso do Grupo EBX vem causando em São João da Barra.

Os links para acessar todo o material são os seguintes: