New York Times mostra a “Amazônia sem lei” do governo Bolsonaro

bife bolsonaro

A Amazônia ainda está queimando. Culpe bife (e Bolsonaro)

O vídeo abaixo é parte de um artigo publicado neste domingo pelo principal jornal dos EUA e do mundo, o “The New York Times” e assinada pelo jornalista Brent McDonald sob o título “Threats and promises in Brazil´s Lawless Amazon” (em português Ameaças e promessas na Amazônia brasileira sem lei”)  . O artigo essencialmente mostra a situação que, de fato, está sendo encontrada no chão da Amazônia brasileira por quem se interessa em efetivamente reportar o que está ocorrendo.

O vídeo mostra presença de uma representante do governo Bolsonaro, no caso o ruralista e líder da União Democrática Ruralista (UDR),  Nabhan Garcia, em reunião organizada em Novo Progresso (PA), para apresentar as demandas para que se desmanche o sistema de proteção ambiental que protege a biodiversidade amazônia e os povos indígenas certamente deixará ainda mais exposta a posição anti-ambiental que impulsiona as ações que resultaram, entre outras coisas, no infame “Dia do Fogo”.  No vídeo Garcia não se restringe a ouvir, mas a apoiar as demandas que apontam no caminho inverso do que pleiteiam muitos parceiros comerciais do Brasil.

Mas outras evidências são apresentadas na matéria para demonstrar os resultados do desmanche do sistema de governança ambiental que existia até a chegada do presidente Jair Bolsonaro ao poder, incluindo incêndios dentro de unidades de conservação e caminhões transportando madeira extraída ilegalmente.

Tudo isso junto deverá aumentar o isolamento político do Brasil, pois esse tipo de artigo tem audiência certo dentro dos EUA, principalmente entre aqueles segmentos da população que resistem ao processo de desmanche ambiental promovido pelo governo de Donald Trump.

Dia do fogo: IBAMA sabia que ia ocorrer e não fez nada para impedir

Bolso fogoBolsonaro e o incêndio na floresta amazônica (Montagem)

O presidente Jair Bolsonaro  e seu anti-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, já deram várias explicações para a erupção do devastador ciclo de queimadas que atinge a Amazônia brasileira neste momento.

Em um momento apontou-se o dedo para as organizações não-governamentais pró-ambiente e para “produtores rurais”, ou ainda para o hábito da queima de lixo doméstico. Isso tudo depois de se ter negado que havia qualquer anormalidade no número de queimadas que estavam ocorrendo na maioria dos estados da Amazônia brasileira.

Agora se sabe que, ao menos no sul do Pará, grandes latifundiários combinaram a a realização do “Dia do Fogo”  como uma forma de “mostrar serviço ao presidente Jair Bolsonaro”.  Mas mais do que isso, agora surgem evidências de que o Ministério Pùblico Federal do Pará havia informado a direção do IBAMA em Santarém que haveria o início coletivo de queimadas, e a direção do órgão simplesmente não fez nada (ver imagem abaixo).

mpf alerta fogo

O aparecimento deste comunicado ao MPF ao IBAMA de Santarém mostra fundamentalmente duas coisas: 1) que houve uma articulação de grandes proprietários rurais para potencializar o tamanho das queimadas, e 2) que o governo Bolsonaro optou por não fazer nada para impedir isso.

Por essas e outras que ainda deverão vir à tona que eu digo que o Brasil será em breve o alvo de um boicote internacional contra suas commodities agrícolas. É que apesar dos capitalistas dos países centrais terem o lucro acima da conservação, a Amazônia e sua biodiversidade são importantes demais para a sustentação climática da Terra para que eles continuem de braços cruzados enquanto o governo Bolsonaro estimula a sua destruição. Os ataques que foram desferidos por Jair Bolsonaro e Abraham Weintraub contra Emmanuel Macron e o sexismo demonstrado contra sua esposa certamente não vão ajudar o Brasil depois dessa revelação que incrimina diretamente o governo Bolsonaro na devastação amazônica.