Em entrevista, Kátia Abreu decreta a extinção do latifúndio no Brasil

A indicação da dublê de latifundiária e senadora, Kátia Abreu, para ocupar o posto de ministra da Agricultura foi uma escolha pessoal de Dilma Rousseff. Essa escolha visou enviar um sinal claro no sentido de que a opção de seu governo pelo latifúndio agro-exportador não apenas está mantido, mas como deverá ser aprofundado ao longo dos próximos quatro anos. Mas pensando bem, há uma nova segunda mensagem embutida nessa indicação: os números pífios de novos assentamentos de reforma agrária também continuarão ou, quiça, serão piorados.

É que a trajetória de Kátia Abreu não deixa dúvidas sobre seu compromisso com os setores mais truculentos do latifúndio, o que foi evidenciado ao longo dos anos no seu combate à proteção das florestas e contra a luta pela erradicação do trabalho escravo que, sem nenhuma surpresa, está concentrado nas áreas controladas por latifundiários.

A visão que deverá guiar o exercício do cargo de ministra da Agricultura acaba de ficar ainda mais explicito em uma entrevista dada por Kátia Abreu à jornalista Mônica Bergamo da Folha de São de Paulo (Aqui!). A leitura do conteúdo dessa entrevista permite a todos nós entender a lógica que guiará a ação da nova grande amiga de Dilma Rousseff, e por isso lê-la deveria ser uma tarefa a ser assumida por todos os que anseiam por um novo modelo de agricultura, tanto no plano da produção quanto da distribuição das terras.

A entrevista está repleta de declarações espetaculosas, mas a principal é a de que não existe mais latifúndio no Brasil e, consequentemente, não haveria mais necessidade de uma reforma agrária “massiva”, seja isso lá o que for. Essa concepção não resiste ao exame mínimo dos dados cadastrais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), mas é problemática porque reflete uma posição que, ao negar o óbvio, nos manterá presos num sistema que combina concentração da terra com um modelo suicida de agricultura.

Além disso, Kátia Abreu põe sobre as costas largas dos indígenas a causa dos conflitos de terras que estão ocorrendo em todo o território nacional. Segundo Kátia Abreu, a culpa é dos índios que estão saindo das florestas para ocupar terras produtivas! É a velha estratégia de culpar a vitima, apenas revestida de um cinismo maior. É que muitos índios foram desprovidos de florestas pelo desmatamento, nem as áreas que eles reclamam como suas estão tendo qualquer uso produtivo.

Mas, convenhamos, destrinchar e desmontar os argumentos toscos de Kátia Abreu não coisas difíceis. Difícil mesmo serão os enfrentamentos com uma presidente que se dispôs a colocar Kátia Abreu para dirigir uma pasta tão estratégica, sem sequer considerar os conflitos que inevitavelmente ocorrerão no campo em função das políticas que serão implementadas para beneficiar ainda mais os latifundiários, enquanto se mantém a reforma agrária no congelador.  

Caberá aos movimentos sociais e organizações de apoio traçarem estratégias de resistência contra o balde de maldades que serão gestadas por Kátia Abreu sob o olhar aprovador de Dilma Rousseff. Agora, a questão que se coloca é se haverá disposição para enfrentar um governo que parte significativa julga, de forma equivocada, ser seu. Já o latifúndio que sabe que, na verdade, o governo é seu terá apenas que se preocupar com a necessidade de arrancar ainda mais dinheiro público para tocar seus negócios em meio a uma crise mundial que deprecia inercialmente os preços das commodities. Mas para isso eles sabem que poderão contar com Kátia Abreu. Já os trabalhadores rurais e o sem terra terão, quando muito, Patrus Ananias que deverá liderar o esvaziado ministério do Desenvolvimento Agrário.

 

Brasil, pátria educadora?

Em seu discurso de posse a presidenta Dilma Roussef anunciou que o lema de seu governo será Pátria Educadora. A governante apontou que o esforço de todas as áreas será em prol de tal questão. Porém, a mesma não demonstra como serão feitas tais gestões, parecendo desta maneira ser apenas um mote vazio. Seu discurso se assemelha à época de eleições, onde são feitas apenas promessas. Ao escolher a palavra pátria como discurso de mobilização a governante cai em um ufanismo que remonta aos tempos dos milicos empedernidos.

Tais discursos geralmente são recheados de palavras vazias, belas em seu formato, mas sem nenhum conteúdo, como faz Dilma, por exemplo, ao assinalar que irá agir pautada em práticas cidadãs, compromisso de ética e sentimento republicano.

Se comprometer com a educação é uma prática cotidiana. Os profissionais da educação sabem quantos golpes em seus direitos já sofreram dos governos lulo-petistas nos últimos anos. As medidas de arrocho e contingenciamento de recursos em plano federal, estadual e municipal já sinalizam que a educação sairá perdendo, principalmente no que se refere à retirada de gratificações.

Um ataque que será perpetrado no próximo período é a tentativa nefasta já anunciada pelo novo ministro da Educação Cid Gomes, de que serão feitas gestões para alterar o currículo escolar. O que se desenha é a  reprodução do modelo “escolão” baseado em moldes neoliberais de um saber tecnicista e reprodutor. Nunca é demais lembrar que Cid Gomes quando governador afirmou que os professores não deveriam trabalhar pautados em salários, mas como uma prática vocacional, voltada para o amor. Um verdadeiro desrespeito à classe docente que ano após ano assiste seus salários serem defasados e soma perdas por conta dos níveis de inflação.

Ainda no bojo das tentativas de mudança curricular, estão as declarações recentes da presidenta em campanha  que tem por objetivo retirar as disciplinas filosofia e sociologia da grade curricular por serem consideradas pelos alunos “chatas”. Tais menções são gestões no sentido de esvaziar disciplinas de cunho crítico e reflexivo.

Palavras como competitividade dão a tônica do discurso, demonstrando uma concepção de educação pautada no mercado e nas relações de trabalho, onde a perspectiva humana e solidária é negligenciada. A prioridade da educação, principalmente a técnica, seria assim alimentar as empresas com mão-de-obra.

Essa é também a perspectiva quando as universidades são citadas, onde existe a defesa de que tais centros devem estar afinados com os setores mais dinâmicos da nossa economia e da nossa sociedade. Leia-se nesse quesito uma universidade pautada não na produção de conhecimento público, mas subordinada ao deus mercado

O cenário que se aproxima demonstra que os profissionais envolvidos na educação, aliados à sociedade civil organizada, devem estar prontos para resistir aos planos orquestrados dos Governos de desmontar a educação pública de qualidade.

FONTE: http://marciomalta.blogspot.com.br/2015/01/brasil-patria-educadora.html

Começou 2015: um ano que promete ser muito atribulado

Faz tempo que deixei de lado a ilusão de que o fim de cada ano representa um tipo de chance mágica de mudarmos tudo o que está errado em nossas vidas num processo que se for replicado transformaria o mundo. A verdade é que o mundo não se transforma de forma mágica, e normalmente a realidade só é transformada pela ação consciente de homens e mulheres que eventualmente se cansam das injustiças sociais cotidianas, e que a maioria confunde com algum tipo de castigo divino.

Se me perguntassem qual é a minha expectativa para 2015, eu diria que homens e mulheres conscientes terão muitas chances de tentar transformar a realidade. É que vendo os primeiros discursos de novos e velhos governantes, vejo e ouço o rufar dos tambores de guera contra direitos sociais que foram duramente conquistados pela classe trabalhadora brasileira.

E que ninguém se deixe enrolar pelas supostas rachaduras dentro do bloco de governo liderado pelo PT. É que se observarmos a trajetória do neopetismo desde 2003, a inflexão para direita se tornou tão persistente que não  espero sequer rupturas pela esquerda, visto que já apareceram diversos “esquerdistas” justificando a necessidade de se manter o apoio a Dilma Rousseff, ainda que pressionando para que ela faça uma improvável guinada à esquerda. Tudo isso é para mim puro diversionismo.

Além disso, se ampliarmos a análise para a escala mundial também é possível notar que o mar está revolto, ainda que com aparentes chances de que o status quo seja alterado, como nos casos de Grécia e Espanha. Aliás, é na Europa que as emoções mais fortes deverão estar concentradas nestes primeiros meses de 2015. O que acontecer por lá provavelmente definirá o ritmo dos embates nos países da periferia do capitalismo, incluindo o Brasil.

André Singer: A presidente parece uma personagem de Kafka

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O Planalto de Kafka

ANDRÉ SINGER, na Folha de S. Paulo, sugerido por Caio N. Toledo

A divulgação de duas listas complementares — a de 28 políticos arrolados na delação premiada de Paulo Roberto Costa (19/12) e a de 13 ministros indicados por Dilma Rousseff (23/12) — deram um toque de absurdo ao Natal de 2014. É tal a proximidade entre uma e outra que a presidente chegou a consultar, sem sucesso, a Procuradoria Geral da República para evitar repetições. Parece anedota: “Em que lista você entrou?”. “Na da Dilma”. “Ufa!”.

Tem mais. Depois de entregar a política econômica à direita, tendo feito uma campanha classista, a nomeação de símbolos conservadores para outras pastas sem, por enquanto, qualquer compensação à esquerda, somou o insulto à ofensa. A presidente parece uma personagem de Kafka, condenada a cumprir papel que sabe não ter sentido. Senão, vejamos.

A duras penas, graças à manutenção do emprego e da renda, ela conseguiu recuperar e manter parte da alta popularidade que tinha até as manifestações de junho de 2013. Agora, por meio de Joaquim Levy, vai serrar o galho no qual está sentada em nome de uma austeridade feita para agradar o capital financeiro que sempre a odiou e ela combateu. Pior: a cada rodada, os novos “amigos” da presidente vão exigir mais austeridade para resolver os problemas que a própria austeridade vai criar.

De outro lado, com o megaescândalo da Petrobras, o intuitivo seria Dilma nomear um honrado ministério técnico de alto nível. Além de ser compatível com o seu próprio perfil, isso a blindaria contra qualquer possível denúncia. Porém, por mais paradoxal que pareça, à medida que as revelações prosseguem, a presidente fica refém da opção oposta.

Ocorre que Dilma precisa munir-se agora da maior base congressual possível, pois quando o navio começar a balançar, os mais fisiológicos irão rápido para a oposição, tornando o palácio alvo de isolamento e a chantagem. Mas para montar tal suporte, ela precisa recorrer exatamente àqueles que estão na mira da Operação Lava a Jato. Afinal, simplesmente não há outras forças com as quais possa se aliar.

Em outras palavras, para proteger-se do escândalo, precisa apoiar-se nos que estão nele enredados. É como tentar avançar caminhando sobre areia movediça com um peso enorme nas costas.

Para completar, tendo a Petrobras papel produtivo central — por vezes portadora de mais investimentos que a União –, os danos provocados na companhia podem ter também repercussão econômica. Para não falar do que significa paralisar as maiores empreiteiras do país. And last but not least: o solavanco russo da semana passada acena com a possibilidade de turbulência externa.

Apesar do cenário ruim, desejo a todos o melhor 2015 possível.

FONTE: http://www.viomundo.com.br/politica/andre-singer-presidente-parece-uma-personagem-de-kafka.html

Sakamoto destrincha as reinações de Dilma Rousseff

Se 2014 não terminar logo, Dilma indica o Tiririca para ministro

Por Leonardo Sakamoto
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Se 2014 não terminar logo, é capaz da gente acordar e ver que a Dilma indicou o Tiririca para alguma coisa.

(Ressaltando que o palhaço e deputado federal reeleito Francisco Everardo Oliveira Silva, que não falta em sessões parlamentares, seria mais dedicado e transparente do que alguns dos nomes já anunciados.)

Você pode escolher, o estelionato eleitoral  (Joaquim Levy, controlando a economia), a afronta (Kátia Abreu à frente da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a provocação (Gilberto Kassab, no Ministério das Cidades) ou o professor-tem-que-trabalhar-por-amor-não-por-dinheiro (Cid Gomes, na Educação).

Ou um comunista (Aldo Rebelo), que afirmou não acreditar que o ser humano é responsável pelo processo de aquecimento global, no Ministério da CIÊNCIA e Tecnologia.

Teve até espaço para as velhas tradições, como a família Barbalho (Helder, na Pesca). Sem contar, o Ministério do Esporte, que foi entregue a Deus.

Um amigo diz que tudo isso é uma estratégia de gênio de Dilma: ela indica um punhado de nomes polêmicos para as vagas de ministros, contrariando seus eleitores e rasgando o que prometeu em campanha. Isso deixa todos tão, mas tão indignados, que acaba por fomentar uma revolução socialista – o que era a intenção dela desde sempre.

O melhor de tudo é que essa tentativa de garantir governabilidade, trânsito e sustentação em um Congresso Nacional hostil não será muito frutífera. Nesse sentido, Dilma vai deixando claro que prefere tentar a sorte com os leões a se respaldar junto à sociedade civil e aos movimentos sociais.

Olha, tá ficando tão complicado que ela vai ter que escalar Jesus, Buda e Maomé na próxima leva de ministros para compensar.

E eu achei que 2015 ia ser mais tranquilo para nós, jornalistas. Mas estou vendo que o governo gosta mesmo é de um bom protesto! Principalmente, da esquerda – seja la o que isso significar hoje em dia.

FONTE: http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/12/23/se-2014-nao-terminar-logo-dilma-indica-o-tiririca-para-ministro/

Dilma “Coração de Leão” usa tribunais para solapar direitos dos trabalhadores

Direitos do proletariado são atacados com reforma trabalhista realizada por tribunais

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 Mais um brutal ataque aos direitos trabalhistas do proletariado está em curso no país, mas agora de forma diferente. Em vez de uma ‘reforma trabalhista’ clássica e tradicional, enviada ao Congresso em um pacote fechado para que ali seja modificada a legislação em benefício do patronato, com todo o desgaste político que isto significaria, o governo Dilma e aliados optaram por outra tática: pulverizar progressivamente tópicos da legislação através de outra instância do estado burguês, o Poder Judiciário, onde as leis são modificadas e/ou reinterpretadas em prejuízo dos trabalhadores, servindo-se, para isto, de brechas e dispositivos inseridos ardilosamente nas próprias leis burguesas quando de sua promulgação por pressão do movimento do proletariado. 

Esta forma fatiada de ataque aos direitos do proletariado teve, recentemente, dois lances de grande impacto negativo para os trabalhadores brasileiros, embora esse mesmo impacto venha sendo propositalmente escamoteado pela mídia burguesa.

No dia 13 de novembro deste ano, por exemplo, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o FGTS devido pelo patrão ao trabalhador só poderá ser cobrado na justiça em, no máximo, até 5 anos depois de sonegado pelo patrão. Detalhe: antes, o trabalhador tinha até 30 anos para cobrar este direito na justiça. Com a redução brutal nesse prazo de prescrição (de 30 para 5 anos), empresas de todo o país vão aumentar ainda mais suas margens de lucro às custas do saque. Ou seja: a decisão do STF, que foi tomada em resposta a uma ação individual impetrada por um trabalhador que queria corrigir seu FGTS, na prática ‘legalizou’ o calote dos patrões sobre o proletariado brasileiro. É que, no ordenamento jurídico brasileiro, as decisões do STF têm a chamada ‘repercussão geral’, ou seja, são seguidas pelos tribunais inferiores.

Novos ataques ao proletariado
Mas o ataque aos direitos do proletariado não fica só aí. No dia 4/12 último, o STF decidiu, por maioria dos votos de seus ministros, que a utilização de Equipamento de Proteção Individual (EPI) em trabalho insalubre, considerado ‘eficaz’ na proteção do trabalhador, pode retirar o direito à aposentadoria especial. Detalhe: quem declara a eficácia do EPI é o patrão. Em outras palavras, a raposa foi chamada pra tomar conta do galinheiro.

A decisão do STF foi proferida em resposta a recurso interposto pelo INSS questionando a concessão de aposentadoria especial para trabalhadores que utilizem EPIs considerados eficazes.

Com o golpe na aposentadoria especial, o próprio Estado burguês, por meio do INSS, economizará milhões às custas dos trabalhadores.

Com o aprofundamento da crise capitalista em nível mundial e a tendência estrutural de queda nas taxas de lucro, esses e outros ataques têm sido e serão cada vez mais intensos, demandando uma reação ainda mais organizada do proletariado e suas organizações. Inclusive porque tais ataques vêm, no Brasil, contando com apoio descarado das centrais pelegas e patronais, como CUT, Força Sindical, CTB, UGT e NCST, verdadeiros balcões de negócios cujo único objetivo é vender os interesses dos trabalhadores e garantir polpudos lucros aos patrões. Em declaração divulgada dia 25 de novembro, após reunião com o Ministério da Fazenda, essas centrais mafiosas defenderam abertamente a redução salarial e a política de conciliação de classes, sob o argumento de que, na crise atual, seria ‘melhor’ para os trabalhadores garantirem seus empregos do que insistirem na conquista de direitos.

Que ninguém se iluda, pois novos ataques virão. O governo de direita do PT, pelos compromissos cada vez mais profundos que vem assumindo junto ao grande capital (agronegócio, bancos, indústria e setor exportador, entre outros), tudo fará para intensificar a redução/retirada de direitos dos trabalhadores, ao mesmo tempo em que promove a rapinagem das estruturas do Estado, abrindo caminho para a privatização de áreas como saúde, educação e saneamento, até então ‘preservadas’ da sanha privatista iniciada nos anos 90 por Collor e aprofundada por FHC.

Somente na perspectiva classista, denunciando o peleguismo, a acomodação, a conciliação de classes e o reformismo é que o proletariado e suas organizações genuinamente revolucionárias poderão avançar no sentido de reconstruir as bases da luta contra governos burgueses e patrões, em defesa dos direitos históricos conquistados pelos trabalhadores, denunciando o caráter direitista do PT e aliados, pontas-de-lança do imperialismo no Brasil e na América Latina.

FONTE: http://www.mmarxista5.org/sindical/179-direitos-do-proletariado-sao-atacados-com-reforma-trabalhista-realizada-por-tribunais

 

 O ministério de Dilma e a esquerda dos manifestos

Por Sérgio Domingues
A nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda foi saudada pelos editoriais da grande imprensa e pelo “mercado”. O indicado promete “ajuste fiscal”. Definição genérica para mais apertos nos já estrangulados programas sociais. Enquanto isso, continua o pagamento dos juros da ilegítima dívida pública que come metade dos orçamentos públicos. 

Dias atrás, intelectuais e dirigentes de movimentos sociais divulgaram um manifesto contra a indicação de Levy e Kátia Abreu para o ministério. Foi assinado por lideranças e personalidades que apoiaram a reeleição de Dilma.

O episódio poderia lembrar as reações do PCB ao ministério montado pelo governo Goulart no início dos anos 1960. Os comunistas faziam pressões para que o presidente nomeasse ministros menos hostis às lutas populares e operárias. Mas a comparação é frouxa. 

São momentos históricos bem diferentes. Goulart era um latifundiário que foi empurrado para a esquerda pelos golpistas de sua própria classe. Os governantes petistas se jogaram nos braços da direita porque viraram as costas para a classe da qual surgiu e onde se fortaleceu.

Por outro lado, acerta quem diz que Dilma não tinha opção. Há 12 anos, o PT governa sem romper com o essencial da política neoliberal. Agora que o País caminha para uma crise econômica e a reeleição foi conquistada a duras penas, os petistas jamais mudariam de rumo. 

Muito mais grave é a fragilidade da reação da maior parte das forças de esquerda. Nos anos 1960, o PCB também ficou a reboque de um governo reformista. Mas, pelo menos, convocou uma greve geral por um “gabinete nacionalista”. Hoje, nos limitamos ao lançamento de manifestos. 

FONTE: http://pilulas-diarias.blogspot.com.br/2014/11/o-ministerio-de-dilma-e-esquerda-dos.html

Leonardo Sakamoto dá recado para direitistas após analisar nomeação bomba de Kátia Abreu

Com esse governo, pergunto: por que a direita está nas ruas?

Por Leonardo Sakamoto
Presidente do Sistema CNA/FAET/SENAR, senadora Kátia Abreu
Desde que foi divulgado que a senadora Kátia Abreu teria sido convidada para o ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, alguns colegas me perguntaram se Dilma não poderia ser acusada de estelionato eleitoral.

Para responder a essa indagação, primeiro, claro, é necessário esperar o anúncio oficial. Porque a esquerda que ainda sobrou no PT está em pânico com a suposta indicação e deve estar ameaçando se acorrentar a uma colheitadeira de soja ou beber agrotóxico.

Dito isso, é preciso lembrar que o governo Dilma não é um governo sensível à dignidade no campo. Indígenas foram aviltados em seus direitos, quilombolas ignorados, camponeses desterrados, trabalhadores rurais tiveram que suar a camisa para manter direitos conquistados, enfim, vocês conhecem a história.

Em suma, um governo que tem dado importância primeiro à defesa de uma noção deturpada de desenvolvimento (em que o de cima sobe e o de baixo desce). Só depois, à ralé que será impactada diretamente no processo de colocar em marcha essa noção. E não me venham falar de Bolsa Família que ele não é, nem de perto, compensação para o rolo-compressor do “progresso”. E ai da ralé se estiver no meio do caminho! O pessoal da região da Volta Grande do rio Xingu que o diga com Belo Monte…

Ou seja, nesse contexto e com um governo com esse espírito, não é surpresa Kátia Abreu assumir um ministério. Ainda mais quando a política agrícola que ela colocaria em marcha não difere muito da que já existe hoje – de prioridade aos grandes empreendimentos agropecuários ligados à indústria e à exportação em detrimento às dificuldades encontradas pela pequena agricultura familiar.

Ela discorda da forma como o combate ao trabalho escravo ocorre no Brasil? Estou desde 1999 acompanhando o tema e posso afirmar que não seria a primeira nem a última pessoa que ocupou aquela cadeira a fazer isso.

Aliás, para muita gente, é até melhor que ela vá para o ministério e não crie mais entraves no Congresso.

Do ponto de vista simbólico, é claro, a coisa muda de figura. Pois oferecer esse cargo a uma pessoa que representa o que há de mais atrasado no pensamento e na prática do setor agropecuário é uma ofensa a todos que tiveram seus direitos negados no campo. E também aos que ainda vão ter nos próximos quatro anos.

Pois, certamente, a senadora usará o peso do cargo e sua boa oratória para fazer uma disputa política em outro nível, não mais na planície do Congresso Nacional mas com a chancela presidencial.

Se isso se concretizar, isso dirá muito sobre ela. Não sobre Kátia Abreu, que estará apenas defendendo suas posições bem conhecidas. Mas sobre Dilma e o Brasil que ela prometeu no segundo turno das eleições.

Diante disso, a minha surpresa não é com indicações ministeriais. Mas com os ultraconservadores, que estão na rua denunciando o governo “bolivariano” do PT.

Pessoal… Vai pra casa.

E dá lugar para a esquerda. Que essa sim vai ter muito o que protestar.

FONTE:http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/11/23/com-esse-governo-pergunto-por-que-a-direita-esta-nas-ruas/

Esquerda do PT pede para Dilma desistir de Kátia Abreu. E se ela insistir, vão fazer o que?

http://3.bp.blogspot.com/-a1UNScDA7vk/ThJt_G1iXhI/AAAAAAAAC0w/uTDhaGaM-ws/s1600/129_328-alt-28-MHG-pais-katia-abreu.jpg

Sai do PT em 1998 quando assisti à sua irreversível guinada à direita que ficou célebre por uma entrevista de José Genoíno à Revista Exame onde anunciava o abandono da luta pelo socialismo enquanto bandeira estratégica do partido. Desde então assisto até com alguma incredulidade a insistência dos chamados esquerdistas do PT.  

É forçoso reconhecer que a esquerda é cada vez mais diminuta dentro dos órgãos dirigentes do PT, e hoje não é nem sombra do que foi em termos de representação. Além disso, muitos dos que se dizem de esquerda estão também adaptados aos usos e costumes que imperam na direita petista.

Agora com o convite feito por Dilma Rousseff para que a senadora/latifundiária Kátia Abreu assuma o poderoso ministério da Agricultura, a chamada “esquerda petista” veio a público pedir para que a presidente desista do convite.

Como Dilma não é de voltar atrás em suas decisões, fico pensando no que farão os esquerdistas do PT para mostrar o seu desprazer. Arrisco que farão pouco ou quase nada, tal qual a sua força objetiva do neoPT nos dias de hoje.  E depois que engolirem a pílula amarga chamada Kátia Abreu, a esquerda do PT vai continuar seu papel de ser a retaguarda de um governo neoliberal. A ver!