Começou 2015: um ano que promete ser muito atribulado

Faz tempo que deixei de lado a ilusão de que o fim de cada ano representa um tipo de chance mágica de mudarmos tudo o que está errado em nossas vidas num processo que se for replicado transformaria o mundo. A verdade é que o mundo não se transforma de forma mágica, e normalmente a realidade só é transformada pela ação consciente de homens e mulheres que eventualmente se cansam das injustiças sociais cotidianas, e que a maioria confunde com algum tipo de castigo divino.

Se me perguntassem qual é a minha expectativa para 2015, eu diria que homens e mulheres conscientes terão muitas chances de tentar transformar a realidade. É que vendo os primeiros discursos de novos e velhos governantes, vejo e ouço o rufar dos tambores de guera contra direitos sociais que foram duramente conquistados pela classe trabalhadora brasileira.

E que ninguém se deixe enrolar pelas supostas rachaduras dentro do bloco de governo liderado pelo PT. É que se observarmos a trajetória do neopetismo desde 2003, a inflexão para direita se tornou tão persistente que não  espero sequer rupturas pela esquerda, visto que já apareceram diversos “esquerdistas” justificando a necessidade de se manter o apoio a Dilma Rousseff, ainda que pressionando para que ela faça uma improvável guinada à esquerda. Tudo isso é para mim puro diversionismo.

Além disso, se ampliarmos a análise para a escala mundial também é possível notar que o mar está revolto, ainda que com aparentes chances de que o status quo seja alterado, como nos casos de Grécia e Espanha. Aliás, é na Europa que as emoções mais fortes deverão estar concentradas nestes primeiros meses de 2015. O que acontecer por lá provavelmente definirá o ritmo dos embates nos países da periferia do capitalismo, incluindo o Brasil.

2 comentários sobre “Começou 2015: um ano que promete ser muito atribulado

  1. Petrobras suspende negócio com empreiteiras e abre espaço para o imperialismo.

    Suspensão de contratos novos com 23 fornecedoras, reivindicado pela direita, servirão para abrir mercado da Petrobras a empresas estrangeiras.

    A entrada de novas empresas internacionais para substituir as empreiteiras afetadas era uma das reivindicações do imperialismo, expressa abertamente em matéria do jornalista do O Globo, Merval Pereira. Neste sentido, o anúncio do governo Dilma mostra a sua capitulação na tentativa de evitar um desgaste ainda maior com a Operação Lava Jato e um possível golpe de Estado.

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    • Jurema, vamos ter que esperar para ver se essa será uma concessão única ou apenas a primeira de muitas. O problema é que a experiência histórica mostra que fazer concessões ao imperialismo raramente é eficiente no tocante à garantia da estabilidade democrática, vide o caso de Salvador Allende no Chile.

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