Paulo Fonteles Filho: Dilma e um tiro no pé chamado Kátia Abreu

Dilma e Kátia Abreu

por Paulo Fonteles Filho, em seu blog 

Em uma entrevista ao jornal paraense O Liberal no dia 15 de março de 2009, a senadora e então dirigente máxima da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Kátia Abreu, expôs as estratégias fundamentais do latifúndio brasileiro para fazer a luta de ideias na sociedade. No fundamental, procurou apresentar a sua classe, historicamente arcaica e violenta, de forma mais palatável para aquilo que chamamos de opinião pública.

Naqueles dias, o governo da petista Ana Júlia (2007/2011) buscava enfrentar a grilagem de terras, o trabalho escravo e os crimes de encomenda, questões centrais do turbulento mapa agrário da Amazônia.

Tais medidas fizeram recuar, e muito, os assassinatos de lideranças sindicais e populares. Os índices só voltaram a ‘normalidade’ estatística com o governo tucano de Simão Jatene, mandatário máximo do Pará até os nossos dias.

O centro do discurso da senadora propunha a criação da Rede Social Rural e para isso buscava se apoiar na malsã experiência histórica da União Democrática Ruralista (UDR) e de antigos quadros políticos da grande propriedade rural do Sul do Pará.

O sentido e conteúdo da iniciativa dos ruralistas anunciavam uma nova etapa na contenda pela posse da terra no Pará e no Brasil, tal o nível maior de politização alcançado pela representação máxima do patronato rural tupiniquim.

As bases do discurso e da prática dos oligarcas do campo – da qual Kátia Abreu é um dos principais expoentes – procuram fazer a integração subalterna da agricultura brasileira aos mercados internacionais, com o risco de nossa soberania alimentar e fundamentaram-se, historicamente, com a premissa ideológica de ódio aos movimentos sociais, procurando com o apoio da mídia hegemônica, criminaliza-los.

Para eles, os herdeiros das Sesmarias, o problema é o povo e, concomitantemente, quem organiza a resistência popular e a civilizatória luta pela democratização da terra no Brasil, base indiscutível para nosso desenvolvimento duradouro.

O convite de Dilma para que Kátia Abreu assuma o Ministério da Agricultura cria uma tensão desnecessária com sua base social que, nas ruas e nas redes fizeram a diferença e asseguraram vitória na maior batalha política travada no país desde 1989.

Em 2009, procurando esmiuçar a tática do Agronegócio e estabelecer as necessárias conexões com a ocupação econômica da Amazônia é que escrevi o artigo abaixo:

As mãos que trabalham ou as botas que escravizam?

Por Paulo Fonteles Filho

Em uma extensa entrevista a um dos mais lidos jornais do Pará, no último domingo, 15 de março, a demo-senadora e dirigente máxima da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Kátia Abreu, expôs com robustez as estratégias fundamentais do latifúndio brasileiro para fazer a luta de ideias na sociedade e, no fundamental, apresentar a sua classe, historicamente arcaica e violenta, de forma mais palatável para aquilo que chamamos de opinião pública.

No corolário de suas vociferações contumazes contra o movimento social camponês, leia-se MST, e contra a governadora Ana Júlia, a demo-senadora propõe a criação da Rede Social Rural, uma espécie de gabinete social sob a consigna de “Mãos que trabalham” e que funcionará em Redenção, sul do Pará.

O município escolhido pelos arautos da grande propriedade rural albergou, em 17 de maio de 1986, o surgimento em terras paraenses da famigerada União Democrática Ruralista – UDR e entre os convidados, o mais ilustre era o presidente da UDR de Goiás, Ronaldo Caiado, além dos prefeitos Arceline Veronese, do próprio município anfitrião e Orlando Mendonça, de Conceição do Araguaia, que foram denunciados pelo então Deputado Estadual Paulo Fonteles na tribuna da Assembleia Legislativa paraense como ávidos participantes de reuniões onde se confeccionavam as macabras listas de marcados para morrer, onde o próprio parlamentar e advogado de trabalhadores rurais teve sua vida ceifada um pouco mais de um ano depois, em junho de 1987.

O curioso é que a derradeira reunião que decretou o fim da UDR no sul do Pará aconteceu em inicios de março de 1991 e o patrimônio ativo e passivo daquela macabra organização fora transferida, como doação, para o Sindicato Rural de Redenção que sediará a propalada “agenda social” dos violentos liderados pela demo-senadora tocantinense.

As ações políticas do latifúndio, trombeteadas por suas lideranças nacionais revelam uma posição de força, ofensiva, e de imediato precisam ser diagnosticadas e combatidas.

O sentido e conteúdo da iniciativa dos ruralistas podem anunciar uma nova etapa na contenda pela posse da terra no Pará e no Brasil, tal o nível maior de politização que engendra a representação máxima do patronato rural tupiniquim.

A atual ofensiva política e ideológica do latifúndio emanam do eixo mais dinâmico e atuante do agrobusiness brasileiro, cujo modelo encontra-se em franca expansão, altamente capitalizado, e se dirige resoluto em direção à Amazônia, território decisivo para se custodiar qualquer projeto de nação.

O fato é que o agronegócio que é a nova indumentária para a mais atrasada estrutura da sociedade brasileira procura, analisando as experiências organizativas passadas, imprimir fôlego contra a histórica bandeira pela democratização das terras do Brasil. E todos nós sabemos que a agenda pública fundiária não está sob a hegemonia da ótica dos trabalhadores, muito ao contrário, e para isso é só observar a tímida reforma agrária do governo Lula. Mas, contraditoriamente, o atual mandatário dos destinos nacionais estabelece uma relação democrática com os agentes mais importantes da luta pela posse da terra no país e este aspecto incomoda, e muito, os setores mais recalcitrantes e xiitas do patronato rural brasileiro.

Analisando experiências passadas, a inteligência da moderna nomenclatura do latifúndio, me parece, vai buscando inspiração em uma das suas mais torpes criaturas que é a própria UDR. A questão aqui não é de mera coincidência geográfica, mas de certo saudosismo por parte do latifúndio no sentido de reeditar a sua mais infame experiência de violações aos direitos humanos a partir da segunda metade do século XX.

E é claro que neste caso a história, em tendência, se repetirá como tragédia e sua maior vocação é intentar contra o próprio Estado Democrático de Direito no sentido de que um banho de sangue pode estar por vir, prática contumaz do latifúndio, antecedida por ameaças e verborragias como faz a demo-senadora Abreu da CNA contra os movimentos sociais e experiências de governos democráticos, como é o caso do Pará.

A questão tem centralidade porque se trata de memória revisitada, aos terríveis e dolorosos exemplos engendrados pela UDR na metade da década de oitenta do século passado. A emergência daquela agremiação fascista estava ligada a duas questões novas para a sociedade brasileira de então, a Redemocratização, conquista histórica do povo brasileiro, depois de vinte e um anos de ditadura militar e o projeto de Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA) que o novo momento procurava engendrar. É preciso que se diga que tal plano fora elaborado no início da Nova República, contando com a elaboração de conhecidas personalidades pró-Reforma Agrária e seu anúncio ocorreu no IV Congresso de Trabalhadores Rurais da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), em 1985.

O modelo preconizado durante o período dos generais buscou colonizar as fronteiras em favor do grande capital, nacional e estrangeiro, permitindo a expansão do latifúndio improdutivo em escalas galopantes através de vultosos projetos agropecuários e de “modernização” da agricultura brasileira a partir de milhardárias somas em créditos e subsídios estatais que imprimiam novas tecnologias para privilegiar o mercado externo, o que correspondeu a submissão de nossa política agrícola aos interesses estrangeiros. Para se aplicar tal modelo houve uma intensa militarização da questão da fundiária no país e os custos sociais de tal política foram absolutamente desastrosos por conta da elevada exclusão social e, concomitantemente, dos conflitos gerados na luta pela posse da terra.

A UDR, portanto, surgiu como um instrumento daquilo que é arcaico e velho na luta contra o novo e mudancista. Apareceu no cenário político brasileiro como uma radicalização e, sobretudo, como expressão maior da politização do latifúndio em face da elevação do nível da luta pela terra alcançada no país. É claro que o surgimento daquela organização de sombria lembrança fez aparecer certas disputas e desequilíbrios com o tradicional patronato rural brasileiro por conta do papel de liderança de classe, logo, porém, foram dissipadas no curso das ações políticas das oligarquias rurais fruto de um maior nível de unidade dos endinheirados do campo.

O fato é que a UDR fez intensa propaganda através dos muitos leilões realizados que, para além da arrecadação de recursos que seguramente financiaram a liquidação de muitos lutadores do povo, serviam para atrair simpatizantes, sócios novos, além de infundir laços e convivência social, ou seja, valores de retesado apego à propriedade e ao poder econômico.

A grande arma daquela organização, porém, fora a militância de seus quadros e dirigentes, dotados por rigorosa disciplina capazes de intervir no curso dos acontecimentos do Brasil de então. Do ponto de vista numérico, teria passado segundo o estudo da professora Sonia Regina de Mendonça, especialista no assunto e autora de “A classe dominante agrária: natureza e comportamento- 1964/1990” e publicado pela Expressão Popular, de 3 a 5 mil associados em junho de 1986 para cerca de 130 a 230 mil em novembro de 1987.

O lamentável disso tudo é que uma enorme parcela era formada por pequenos e médios proprietários conquistados pela UDR através da propaganda ideológica que reproduzia medo porque satanizava a Reforma Agrária, além, é claro da inabilidade de certos setores sectários que ocupavam ínfimas ou medianas propriedades rurais.

O fato é que o latifúndio tem grande capacidade e experiência política e organizativa e a ofensiva atual que faz prosperar têm como referência o modus-operandi já experimentados e amplamente conhecidos. Afinal, tal acúmulo não data desde 1850 quando se constituiu o moderno mapa agrário brasileiro cuja expressão representou à vitória dos coronéis contrários as posições renovadoras de José Bonifácio, o Patriarca da Independência, que em 1823 já apresentava para a agenda política brasileira, quando dos debates de nossa primeira Constituição, a necessidade de mudanças estruturais como a democratização das terras e a abolição da escravatura? O projeto de nação defendido pelo mais culto e conhecido dos Andradas o levaram à prisão e ao infortúnio do exílio no continente europeu.

As bases do atual discurso dos oligarcas do campo fundamentam-se a partir de odiosas manifestações contra os movimentos sociais, procurando com o apoio da grande mídia, criminaliza-los. Aqui o problema é o povo e, concomitantemente, quem organiza a resistência popular.

Procuram, portanto, impedir o novo, açodar o que é pujante e brota da consciência social avançada e têm em sua conduta mais lancinante e temerária a manutenção de uma estrutura que mais nos liga a um passado colonial que haveremos de superar pela própria necessidade histórica do desenvolvimento da civilização brasileira.

Afinal, o que está incluso nas provocações da demo-senadora Abreu, senão a contumaz e visceral violência do latifúndio com seus escravocratas e assassinos? E as violações aos direitos humanos perpetrados pelos donos do poder no campo brasileiro já superaram, em muito, questões pontuais ou táticas, aparecem no limiar do século XXI como estratégia para manutenção e perpetuação do poder dos coronéis, velha lobos felpudos travestidos de cordeiros legalistas.

O que podemos esperar da “agenda social” dos grandes proprietários senão a agudização dos conflitos no campo?

FONTE: http://paulofontelesfilho.blogspot.com.br/2014/11/katia-abreu-udr-e-o-tiro-no-pe-de-dilma.html

Dilma Rousseff convida Kátia Abreu para ser ministra da Agricultura: vem mais desmatamento e agrotóxicos por ai!

Eu não votei em Dilma Rousseff no segundo turno da última eleição presidencial, apesar dos clamores de muitas pessoas. Me neguei a cair no engodo do mal menor como muitos neopetistas e até pessoas iludidas com a propaganda de que o segundo mandato seria de “esquerda”. 

Um dos motivos pelos quais me mantive intransigente em não apoiar Dilma Rousseff foi sua aliança com o latifúndio agro-exportador, personificado de forma objetiva nas juras de amor que ela trocou de forma insistente com a dublê de latifundiária e senadora Kátia Abreu do PMDB de Tocantins. Aliás, para quem não liga o nome à latifundiária, Kátia Abreu é conhecida internacionalmente como a “Chainsaw Queen” (rainha da motosserra) por causa de sua defesa intransigente da derrubada das florestas amazônicas como meio de fortalecer o latifúndio agro-exportador.

Passada a eleição, eis que “Dilma coração de leão” resolveu selar de vez sua aliança com o latifúndio ao convidar sua amigona Kátia Abreu para ser a nova ministra da Agricultura. Com essa indicação, Dilma Rousseff está sinalizando duas coisas básicas:  mais desmatamento na Amazônia e uso mais intensivo de agrotóxicos na agricultura brasileira. Não é à toa que Kátia Abreu fez campanha para Dilma Rousseff justamente por ver nela uma parceira mais confiável para avançar o ataque às florestas e disseminar ainda mais venenos agrícolas no Brasil.

Agora vamos ver como reagirão os movimentos sociais do campo, a começar pelo MST. Será que eles engolirão essa ministra em nome de um apoio ao governo de “esquerda” de Dilma Rousseff? Uma coisa já se sabe: ao convidar Kátia Abreu para ser ministra da Agricultura e de lhe dar carta branca para montar sua equipe ministerial, Dilma Rousseff já está avisando quem serão seus aliados no campo no seu segundo mandato, e eles certamente não serão os trabalhadores rurais sem terra, indígenas, quilombolas e caboclos.

Dilma convida Kátia Abreu para a Agricultura

A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) foi convidada na quarta-feira à noite pela presidente Dilma Rousseff para ser a futura ministra da Agricultura. Presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), ela sinalizou positivamente.

Kátia Abreu tem o apoio do presidente do PMDB, Michel Temer, e agora está conversando com outras lideranças do partido a fim de ampliar a rede de apoios. Dilma disse à senadora que ela terá “carta branca” para montar a nova equipe.

FONTE: http://g1.globo.com/politica/blog/blog-do-camarotti/post/dilma-convida-katia-abreu-para-agricultura.html

 

Quem tem medo do Petrolão? Mais fácil perguntar quem não tem

Enquanto muitos cidadãos, alguns até honestos, ficam esperneando nas ruas e pedindo o impeachment de Dilma Rousseff por causa do chamado escândalo do Petrolão que, aliás, deveria ser chamado de “estripulias das grandes construtoras”,  os principais líderes do PSDB agora adotaram um tom estranhamento conciliador.

Eu até estranharia se não tivesse acessado a figura que vai abaixo e que mostrar algo bastante interessante: seis das nove empreiteiras citadas no caso do Petrolão financiaram a campanha do candidato Aécio Neves! Em outras palavras, os grandes doadores da campanha de Aécio Neves estão agora enrascados com a justiça.

psdb-financiamento

Por essas e outras é que eu quero ver até onde vai a apuração desse escândalo. É que seria uma verdadeira revolução nos modos e costumes da política nacional se todos os culpados, e não apenas os petistas, fossem parar nas barras dos tribunais.  Mais fácil é tudo terminar em pizza! A ver!

O que seria a democracia burguesa senão a ditadura da burguesia?

Tenho visto entre professores da UENF, e em certos setores direitistas da sociedade brasileira, repetidas manifestações ressentidas acerca da reeleição de Dilma Rousseff. Para mim, o chorôrô é até aceitável, menos quando se transpõe os limites da incitação ao golpe de Estado, como fizeram manifestantes liderados por Lobão e um dos filhos de Bolsonaro na Avenida Paulista. 

A invocação da volta dos militares seria patética se as pessoas que o fazem não estivessem praticando crimes contra a segurança nacional, pois teve gente defendendo o fuzilamento de Dilma Rousseff e, até onde eu saiba, a ordem de prisão ainda foi dada já que estão propondo a eliminação física de uma presidente democraticamente eleita, ao contrário do ocorreu com os manifestantes de Junho de 2013 que protestavam contra as políticas do governo federal.

Mas deixemos esses defensores do golpe de Estado para examinar algo que é recorrente a denúncia de que o PT quer implantar uma ditadura comunista no Brasil. Como um estudioso colateral da história da Revolução Russa e de todos os movimentos revolucionários que mudaram parcialmente a característica do Estado em diversos Estados-Nação, tenho a dizer que nunca houve e não existe uma ditadura comunista, pois jamais tivemos a instalação do comunismo. Se as pessoas quiserem ser mais precisas e dizer que foram ditaduras de partidos que se reclamavam comunistas, isto, tampouco, resolverá o debate acerca do tipo de ditadura que eles instalaram. Haveria ainda que debater o contexto histórico em que isto se deu, bem qual foi o papel dos Estados burgueses frente a esse avanço de uma forma distinta de controlar o Estado.

Eu até indico que alguns mais desavisados assistam a uma série da rede estadunidense CNN chamada “Cold War”, onde é dito com todas as letras como os EUA e a OTAN sabotaram, mataram e fizeram guerras em nome de uma suposta democracia, que no final do dia visava apenas garantir a sobrevivência de suas corporações. Em relação a isto nunca vi nada dito aqui.

Por último, precisamos urgentemente de um mini-curso sobre as origens da democracia liberal burguesa e o que ela representa em termos do controle cotidiano da vida das pessoas. Eu sugeriria de cara a leitura de um autor maldito entre os defensores da atual forma de democracia que a burguesia nos impõe para esconder sua ditadura de classe. O nome dele é Thomas Paine, um pensador do Iluminismo escocês, que teve uma incrível trajetória de militância democrática, tendo ajudado na confecção da constituição dos EUA. Eu sempre digo que a visão de Paine sobre a democracia se implantada no Brasil resultariam numa revolução, dada a radicalidade de sua visão do que seria democracia. Além disso, outro xodó teórico dos que acreditam na democracia burguesa que poderia ser lido é Alexis de Tocquivelle, cuja principal obra se chamou “Democracia na América”.  É capaz que algum leitor desatento da obra vá pensar que a escreveu foi o falecido presidente venezuelano Hugo Chavez. Entre outras coisas Tocqueville que só uma sociedade civil organizada livremente poderia impedir que o Estado (burguês) se tornasse ditatorial!

Finalmente, como diria Luciano Genro, há que se estudar. Até para que não se corra o risco de se ficar espalhando elementos de senso comum sem que se faça a devida análise de como outros partidos se comportam, aqui me refiro ao PSDB, nos mesmos tipos de esquema de ataque ao tesouro público. E aqui não custa lembrar que enquanto o pessoal do PT foi condenado sem provas como nos casos dos Josés (Genoíno e Dirceu), o pessoal do PSDB mineiro nem foi a julgamento. Se é para defender o combate à corrupção, tem que valer para todo mundo.

Danilo Gentili virou prova viva de que se deve tomar cuidado quando se posta no Twitter

 Apresentador e candidato a humorista Danilo Gentili virou prova viva de que se deve tomar muito cuidado com o que se posta e quando se posta qualquer coisa nas redes sociais. É que se baseando em informação errada sobre o resultado do segundo turno da eleição presidencial, Gentili, que não tem nada de gentil, postou a maravilha de comentário que vai logo abaixo.

danilo-gentili

Depois que o resultado saiu, Gentili apagou a postagem, mas não antes que algum leitor rápido no gatilho tirasse um printout do material. Agora, além de ser um exemplo de ejaculação mental precoce, Gentili vai ter que aturar a reação de quem achou sua maneira de tratar Dilma Rousseff deselegante e desnecessariamente provocativa. 

Mas, sinceramente, por mim Gentili poderia dar os braços para o Roger e o Lobão e partirem para qualquer lugar do mundo, pois para mim ele e seus companheiros não fariam a menor falta.

Mário Magalhães e a direção que Dilma Rousseff vai tomar: direita ou esquerda?

Dilma venceu com discurso à esquerda; virada à direita seria estelionato

Por Mário Magalhães

 

Três milhões, quatrocentos e cinquenta e oito mil, oitocentos e noventa e um.

Repetindo: 3.458.891.

Essa foi a diferença entre os sufrágios conferidos no domingo à candidata Dilma Rousseff, reeleita para a Presidência da República, e ao seu contendor, Aécio Neves.

Não se trata de mero registro protocolar e atrasado, mas de contraste necessário ao noticiário do dia. O tom empregado por numerosos observadores sugere que a concorrente petista foi derrotada pelo senador tucano.

Não apenas não foi, como sua conquista possui abissal envergadura histórica.

É incrível que Dilma tenha vencido, tamanha a adversidade do cenário que enfrentou: economia capengando, roubalheira na Petrobras, bombardeamento midiático de última hora.

Ela só ganhou devido ao progresso que os anos Lula-Dilma significaram para dezenas de milhões de brasileiros, que agora têm muito pouco, mas antes nada tinham.

Seu triunfo oconteceu numa das eleições mais politizadas da história do Brasil. Desde 1989 não havia tanta clareza entre os eleitores sobre o caráter político dos postulantes ao Planalto, independentemente da autenticidade ou hipocrisia da pregação de cada um.

Na noite do sábado, jantei na churrascaria-botequim que constitui o epicentro do Baixo Gávea, tradicional reduto boêmio da zona sul do Rio, região carioca mais abonada, onde Dilma só bateria Aécio na zona eleitoral das favelas da Rocinha e do Vidigal.

As mesas do estabelecimento estavam tomadas por comensais que identificavam suas inclinações com adesivos de Aécio. Não todas as mesas, mas quase.

Já os garçons, eu vim a saber, estavam com Dilma.

Quem era servido e quem servia, todo mundo com voto consciente, puxando a brasa para o seu lado.

Dilma só deslanchou na campanha, ainda no primeiro turno, ao pincelar sua campanha com tons vermelhos. Primeiro, confrontando Marina Silva. Mais tarde, Aécio.

Sem a inflexão da campanha a bombordo, a timoneira teria naufragado.

Mal anunciado o resultado do pleito épico, pipocaram indicações para o futuro Ministério.

O presidente do Bradesco seria nome cotado para suceder Guido Mantega.

Um banqueiro, ou executivo de confiança dos banqueiros, na Fazenda? Depois da demonização de Marina por ter uma herdeira do Itaú entre os conselheiros mais influentes?

Outro ministeriável, palavra esteticamente medonha como presidenciável, é Sérgio Cabral.

O ex-governador foi o vilão supremo das Jornadas de Junho de 2013, que mobilizaram mais gente no Rio do que em qualquer outro Estado. A única palavra de ordem que unificava os manifestantes era “Ei, Cabral, vai tomar…”. Que não venham dizer que o vascaíno fez o sucessor, com a vitória do botafoguense Luiz Fernando Pezão, por isso sua impopularidade ficou no passado. O sapato 48 só sobrepujou Marcello Crivella porque escondeu o antecessor.

Sérgio Cabral ministro equivaleria a cuspir na cara da geração de junho de 2013.

Governo novo, ideias novas, o inspirado slogan de Dilma, não resulta em Cabral ministro, certo? Pelo menos não foi o que deram a entender.

Há quem considere que o recado das urnas, mais precisamente a menor diferença numa eleição presidencial no país, seria a prioridade de diálogo com o mercado, sobretudo o financeiro.

Pois me parece que a mensagem é outra: os movimentos sociais, maltratados por Dilma, é que deveriam receber preferencialmente novo tratamento (sem prejuízo do diálogo com o empresariado). Sem eles, a antiga brizolista agora estaria preparando a mudança para Porto Alegre.

Ontem, no “Jornal Nacional”,  assisti a Dilma falar muito em conversa com os empresários, mas calar sobre os movimentos sociais.

Não sei o que a presidente planeja, mas entendi o pronunciamento dos brasileiros. O PT só levou a eleição ao se comprometer com um governo voltado para quem mais precisa.

Aproximar-se de segmentos que rejeitaram Dilma não implica tripudiar sobre aqueles que a sufragaram.

Se a marquetagem mais à esquerda da campanha se transformar num segundo mandato mais à direita, haverá estelionato eleitoral.

Como nos ensinaram os sábios portugueses, o prometido é devido.

FONTE: http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2014/10/28/dilma-venceu-com-discurso-a-esquerda-virada-a-direita-seria-estelionato/

Mídia corporativa joga todas as moedas em Aécio Neves. O que querem em troca?

O período que se abriu após o final do primeiro turno das eleições presidenciais trouxe o compromisso escancarado de grandes, médios e pequenos grupos da imprensa corporativa em prol da vitória de Aécio Neves. O que temos visto nos jornalões e jornalecos é de deixar qualquer professor de cursos de comunicação social coçando a cabeça tal a parcialidade e torcida escancarada dos proprietários e asseclas da maioria destes veículos.

Aliás, se não fosse pela blogosfera, Aécio Neves já teria entrado na fila de canonização do Vaticano, enquanto Dilma Rousseff já teria sido encaminhada para a fogueira de Tomás de Torquemada.

Mas há alguma surpresa nisso? Como não conheço nenhum órgão da imprensa corporativa que seja propriedade dos trabalhadores não vejo surpresa alguma. Agora, o problema é que os governos do PT alimentaram a maioria dos que hoje jogam pedras na sua vidraça com bilhões de reais dos contribuintes, de norte a sul do Brasil. Tivessem os governos Lula e Dilma parado de injetar dinheiro nesses supostos órgãos de informação, a maioria já teria falido para o bem da liberdade de expressão no Brasil, diga-se de passagem. 

Melhor fez Cristina Kirchner que impôs a chamada “Lei de Medios”  para quebrar o monopólio da informação, acabando com a mamata do Grupo Clarín. No Brasil, quanto antes tivermos algo assim, melhor será para a nossa claudicante democracia. Mas pelo momento, que se corte as verbas publicitárias dessa gente. Vamos ver como eles se virariam.

Devendo 1 bilhão de dólares e de volta à classe média, Eike Batista ainda fala em “legados”

O jornal Folha de São Paulo acaba de colocar no ar uma entrevista com Eike Batista, onde ele reconhece que atualmente tem um saldo negativo de US$ 1 bilhão, mesmo que vende o que ainda possui nas empresas que ainda é controlador (OGPar, OS(X) e MM(X),  e naquelas que possui ações depois de ter repassado o controle (Prumo (ex LL(X) Eneva (ex MP(X)) (Aqui!). Após chegar aos píncaros da glória corporal/especulativa, Eike Batista diz que voltou à classe média e que isto representa um baque gigantesco na família dele.

Ao ser perguntado sobre uma afirmação polêmica de que seus negócios eram à prova de idiotas, emitida nos tempos em que reinava soberano e desfrutava de companhias importantes como Lula, Sérgio Cabral e Dilma Rousseff, Eike Batista respondeu dizendo que existem vários legados em fase de conclusão, citando os portos Sudeste e do Açu.

De minha parte, Eike Batista parece ainda não ter entendido o buraco em que se meteu, já que a entrevista representa uma espécie de defesa prévia contra as pesadas acusações que está sofrendo do Ministério Público Federal em São Paulo e Rio de Janeiro. Para mim, em particular o problema é ele falar que deixou legados. Se examinarmos de perto, o belo “legado” que está plantado no V Distrito de São João da Barra, veremos que a coisa está mais para praga do que para benção. Basta perguntar às centenas de famílias que tiveram suas terras expropriadas ou salgadas que elas vão logo dizer qual é o “legado” de Eike Batista nas vidas delas. Aliás, perguntem aos moradores da Praia do Açu para ver o que eles acham deste “legado” de Eike Batista, e talvez a resposta que virá não seja tão adequada à visão positiva que ele tenta disseminar. 

De toda forma, o destino pessoal de Eike Batista é irrelevante para mim. Importa mais analisar o tipo de modelo econômico que permitiu que ele tivesse uma ascendência tão meteórica quanto sua queda, onde os custos efetivos estão sendo distribuídos e colocados nas costas de quem não tem nada a ver com o peixe. E de quebra, vemos a desnacionalização de recursos estratégicos e dos pesados investimentos que foram feitos em suas empresas pré-operacionais. É deste legado que deveríamos nos ocupar. Eike Batista, como outros no passado, é apenas um pião no tabuleiro.