Copa e Olimpíada deixarão Rio endividado por 10 anos, diz estudo

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Qual o legado que a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos deixarão para a cidade do Rio de Janeiro?

 O pesquisador suíço Christopher Gaffney, da Universidade de Zurique, levantou esse questionamento em um novo estudo, entitulado “Transforming Rio – for the benefit of whom?”, em que revela que a dívida deixada por esses grandes eventos demorará 10 anos para ser paga pela cidade.

Segundo o pesquisador, o modelo de negócios desses grandes eventos precisa mudar para se adequar à realidade da população local, que acaba sofrendo com a dívida deixada.

Gaffney conta que o Comitê Olímpico Internacional e a FIFA oferecem às elites locais grandes promessas ao sediar tais eventos, no entanto, ao contrário do que parece, não conseguem entregar infraestruturas úteis aos moradores desses países.

FONTE: http://www.msn.com/pt-br/esportes/olimpiadas/copa-e-olimp%C3%ADada-deixar%C3%A3o-rio-endividado-por-10-anos-diz-estudo/ar-BBvgwlH?li=AAggXC1

Auditoria pública da dívida: uma necessidade urgente

Por um desses acasos interessantes ontem assisti num canal alternativo de TV fechada uma entrevista com Maria Lúcia Fatorelli que é auditora da Receita Federal e membro da coordenação da coordenação  da Auditoria Cidadã da Dívida (Aqui!) sobre a grave situação financeira que assola estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Em um tom bem didática, Maria Lúcia Fatorelli começou a descrever parte dos mecanismos que estão sendo utilizados no Brasil por estados e municípios para realizar captações que implicam num aumento exponencial da dívida pública, a qual tem seus beneficiários bancos e fundos privados que, por sua vez, possuem relações diretas com os primeiros.

Para Fatorelli, que participou das auditorias das contas públicas feitas pelo Equador e pela Grécia, existem exemplos abundantes de como fundos privados e as chamadas “sociedades de propósito especifico” (SPE) tem atuado para que sejam realizadas operações de captação cujo resultado objetivo é aumentar a dívida pública.

Ouvindo as explanações de Maria Lúcia Fatorelli, eu fiquei me perguntando se ela já ouviu falar da operação realizada pelo (des) governo do Rio de Janeiro, sob autorização da Alerj, de captar US$ 3,1 bilhões no paraíso fiscal de Delaware usando as exatas estratégias que ela destacou como tendo causado o colapso da economia grega. É que eu tenho quase certeza que se ela ouvir falar da operação envolvendo o RioPrevidência e a criação do “Rio Oil Finance Trust” ela poderá acrescentar mais um exemplo lapidar de como a gigantesca dívida dos estados brasileiros está sendo montada.

Mas eu fiquei com um certeza após ouvir essa entrevista: demandar a realização de uma rigorosa dívida pública no Rio de Janeiro tem que se tornar uma bandeira não apenas dos sindicatos de servidores públicos, mas de toda a sociedade fluminense. E antes disso que se congele novos pagamentos da dívida pública, pois, do contrário, o colapso dos serviços públicos se tornará inevitável.

 

Custo da Linha 4 do Metrô como amostra do jeito “PMDB de endividar”

Confesso que ainda não tinha visto nenhuma análise da matemática financeira envolvendo a construção da Linha 4 do Metrô e de seu impacto na criação de uma dívida pública bilionária no Rio de Janeiro.

Mas agora o deputado estadual Eliomar Coelho (PSOL) resolveu nos dar uma análise sintética do tamanho do custo presente e futuro da construção da Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro. 

E só posso dizer que se a construção da Linha 4 do Metrô reflete outras obras em andamento para abrigar os Jogos Olímpicos, precisamos de um urgente auditoria independente sobre os custos de todas elas. Caso contrário, o Rio de Janeiro continuará financeiramente inviável por várias décadas.

LINHA 4 PODE CUSTAR 550% A MAIS DO QUE O PREVISTO

Por Eliomar Coelho*

custos metro

Fizemos um levantamento em cima de todos os empréstimos relativos à fajuta Linha 4 do Metrô, e concluímos que, se o estado pagar todos até o final dos contratos, a dívida total (somados os valores dos empréstimos mais o pagamento de juros) será de R$ 32 BILHÕES. UM ESCÂNDALO!

Isso tudo para uma Linha 4 que foi feita contra todas as associações de moradores da cidade e exclusivamente para que não houvesse uma nova licitação. Já está claro, através de vários depoimentos, que muita propina rolou para os governantes.

Os empréstimos que terão valores aplicados na Linha 4 são:
BNDES – LINHA 4
BANCO DO BRASIL – PRÓ CIDADES
AGÊNCIA FRANCESA DE DESENVOLVIMENTO – PMU

*Eliomar Coelho é engenheiro e deputado estadual pelo PSOL

FONTE: https://www.facebook.com/eliomarcoelho/photos/a.458709430830745.92883.442179582483730/1048866951814987/?type=3&theater

 

A farra continua: Alerj aprova novo empréstimo de R$ 1 bilhão para a Linha 4 do metrô

Faz tempo que eu acho que o sistema partidário do Rio de Janeiro adotou uma inflexão para o cada vez pior, sempre às custas do dinheiro do contribuinte e do sacrifício dos servidores estaduais.

Uma prova cabal disso é a aprovação do empréstimo  R$ 1 bilhão que foi solicitado pelo ainda (des) governador Luiz Fernando Pezão . Com mais este empréstimo, o valor da obra já supera os R$19 BILHÕES (!!) contra um valor inicial de R$5,3 BILHÕES!

O pior  é que o próprio governo estima que a obra da Linha 4 não será concluída a tempo para ser usada nos Jogos Olímpicos que ocorrerão na cidade do Rio de Janeiro. Em outras palavras, todo esse endividamento de um estado que já beira a falência não resultará na conclusão desta obra bilionária.

Nunca é demais lembrar que participam do consórcio encarregado de construir a Linha 4 várias empreiteiras implicadas no escândalo da Lava Jato, a começar pela Odebrecht. 

Enquanto isso, o (des) governo do Rio de Janeiro ainda não sabe quando conseguirá pagar os salários de Março de quase 600 mil servidores (incluindo os da ativa e os aposentados), o que deverá gerar um caos social sem precedentes.

Mas nada disso parece intranquilizar os deputados da base governista. Vamos ver até quando durará tamanha tranquilidade. Uma coisa é certa: estão brincando com fogo, e podem acabar tostados. 

 

A dívida do Rio de Janeiro é quase 3 bilhões, mas sobre isso ninguém por aqui parece quer falar

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Eu não sou nem de perto um apoiador das políticas e práticas do grupo político comandado pelo Sr. Anthony Garotinho. No plano da Prefeitura de Campos, vejo a ação dos Garotinho como, no mínimo, paroquial e atrelada a uma visão de mundo que os torna prisioneiros de interesseiros políticos que ocupam cargos relevantes sem ter muito o que propor. 

Mas o espaço deste blog tem sido pouco usado para criticar Anthony Garotinho e a forma de governar do seu grupo político. É que já existem tantos blogs fazendo isso que eu me arriscaria a ser apenas mais um na multidão se centrasse o que publico na arte de jogar pedra e tudo o que vier na mão contra Garotinho e seu modus operandi. Para isso há gente mais ressentida e magoada que possui uma sede insaciável de sangue. Mas para ser justo, Garotinho também não leva desaforo para casa e sempre parece conseguir revidar com mais pontaria e intensidade nos seus muitos adversários locais. Tampouco é raro ver mudanças incríveis de lado, onde quem odeia hoje é o que ama Garotinho amanhã, e vice-versa.

Nada disso para dizer a verdade me importa, pois considero isso como um resultado inevitável da política paroquial, onde não raro há parentes e contraparentes envolvidos, o que sempre traz uma pitadinha a mais de novo. Algo que deixaria os Borgia roxos de inveja.

Na verdade o que me motiva aqui é notar, mais uma vez, como a crítica furibunda contra Anthony Garotinho não chega nem perto de ser aplicada ao Sr. Luiz Fernando Pezão e seu Sancho Pança, o ex-(des) governador Sérgio Cabral. Por exemplo, fala-se muito da crise financeira que a Prefeitura de Campos está passando ,mas a omissão é quase completa quando se trata do mega rombo de quase R$ 3 bilhões em que foram afundados os cofres estaduais. As evidências são de casos incríveis de, pelo menos, descuido no uso do dinheiro público. Mas aqui na planície dos Goytacazes, essa situação parece nem existir, a despeito dos graves problemas que afetam, por exemplo, a Universidade Estadual do Norte Fluminense que hoje amarga todo  tipo de débitos que colocam em risco o seu funcionamento ao longo de 2015.

Para mim esse tratamento desequilibrado evidencia que precisamos tomar cuidado com certas gritarias sobre corrupção e incompetência, pois para terem um mínimo de credibilidade teríamos que ter exibido um mínimo de equilíbrio no tratamento dos problemas rondando não apenas a Prefeitura de Campos, mas também o Palácio Guanabara. Até lá, eu que não estou do lado de qualquer dessas facções, vou apenas me restringir a apontar esse paradoxo. 

Pátria educadora? Está mais para pátria dos bancos!

O governo Dilma anda nos bombardeando com uma campanha publicitária sobre uma tal “Pátria educadora”. Mas como para saber para quem e qual finalidade se governo basta olhar o orçamento de um dado governo, mostra a figura abaixo com a distribuição orçamentária de 2014 para pagamento da dívida pública e de investimento em educação.

orçamento

Esses números mostram que estamos mais para a pátria dos bancos (o HSBC das contas secretas na Suíça incluso) do que para a da educação.

Em suma, a coalizão PT/PMDB, como já fizeram os tucanos, adora mesmo é pagar juros bancários e tem o maior medo de investir em educação. Afinal, povo educado, já mostraram os islandeses, deixam os bancos quebrarem e investem em escolas de excelência para todos.

 

Grécia: Presidente do Parlamento anuncia auditoria da dívida

Serão formadas três comissões: além da auditoria, serão investigadas as responsabilidades pela assinatura do primeiro resgate, e também o pedido de reparação à Alemanha pela Segunda Guerra Mundial.

A presidente do Parlamento da Grécia, Zoe Konstantopoulou. Foto left.gr
A presidente do Parlamento da Grécia, Zoe Konstantopoulou. Foto left.gr

A presidente do Parlamento da Grécia, Zoe Konstantopoulou, anunciou a constituição de uma comissão de auditoria da dívida grega. Para Zoe Konstantopoulou, a auditoria será “uma ferramenta que permitirá reparar uma grande injustiça cometida para com o povo grego”.

Além dessa comissão de auditoria, o Parlamento deverá constituir outras duas comissões: uma para investigar a situação que deu origem ao primeiro plano de resgate à Grécia de maio de 2010; e outra para examinar os pedidos de reparação à Alemanha pela Segunda Guerra Mundial.

O anúncio foi feito depois de um encontro entre a presidente do Parlamento e o seu homólogo cipriota, Yiannakis Omirou, em que Zoe Konstantopoulou afirmou que os memorandos da troika levaram os Parlamentos de ambos os países a serem chantageados. Konstantopoulou prometeu ajuda ao Parlamento cipriota para levantar a verdade sobre as causas que levaram ao memorando para Chipre.

FONTE: http://www.esquerda.net/artigo/grecia-presidente-do-parlamento-anuncia-auditoria-da-divida/35994

Cortes no orçamento e pagamento da dívida afetam direitos dos trabalhadores

Educação foi a área que sofreu maior corte, 31% do total bloqueado. Em manifesto, Auditoria Cidadã da Dívida denuncia que o pagamento da dívida pública brasileira traz prejuízos aos direitos dos trabalhadores.

O Orçamento Federal proposto pelo Executivo para 2015 reserva R$ 1,3 trilhão para os gastos com a dívida pública, o que corresponde a 47% de tudo que o país arrecadará com tributos, privatizações e emissão de novos títulos, entre outras rendas, segundo dados da Auditoria Cidadã da Dívida, que apontam que este montante representaria 13 vezes os recursos inicialmente previstos para a Educação.

“A dívida é hoje o principal instrumento de transferência de recursos da nação para o capital internacional, que nada mais é que a articulação dos monopólios industriais comerciais com os bancos, e uma estreita relação com o agronegócio”, afirma Alexandre Aguiar dos Santos, 1º vice-presidente da Regional Planalto do ANDES-SN e representante do Sindicato Nacional na Auditoria Cidadã da Dívida.

Além da reserva para pagamento da dívida pública e das medidas que alteram as regras para a concessão de benefícios, como pensões por morte e seguro-desemprego, o governo Dilma Rousseff, por meio do decreto publicado nesta quinta-feira (8), bloqueou R$ 22,7 bilhões para os ministérios e secretarias especiais. O ministério da Educação responde pela maior parte do montante afetado, com o equivalente a R$ 7 bilhões anuais, o que corresponde a 31% do total de cortes.

O manifesto divulgado pela  Auditoria Cidadã explica que o ajuste fiscal anunciado pelo governo federal, aprovado pelo mercado financeiro, que prevê uma economia de R$ 18 bilhões em 2015 “é a velha política macroeconômica assentada em juros elevados, sob a justificativa de ‘combater a inflação’”. “Juros altos aumentam os gastos com a dívida pública, beneficiando apenas o setor financeiro, e são a receita infalível para o baixo crescimento, que não deu certo em nenhum país da Europa, mas que o Brasil teima em seguir”, prossegue a declaração.

Os novos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, anunciaram a meta de poupar em 2015 R$ 66,3 bilhões para o abatimento da dívida pública – R$ 55,3 bilhões na área federal e o restante nos estados e municípios.

De acordo com Alexandre Aguiar dos Santos, as medidas indicam que o alvo para a contenção de recursos não é o grande capital, mas sim os trabalhadores. “Ao invés de atacar o maior dos gastos públicos, que é a dívida pública e os elevadíssimos juros incidentes, o governo vai em cima dos direitos dos trabalhadores revendo regras do seguro-desemprego, concessão de benefícios, da segurança do trabalhador, do fundo de amparo ao trabalhador, do abono salarial”.

Auditoria, já

A dívida interna federal, atualmente, ultrapassa os R$ 3 trilhões e somente uma auditoria é capaz de reverter essa situação. “Nós não estamos falando na possiblidade de pagamento da dívida. Estamos falando em rolagem da dívida, pagamento de juros e ampliação dela. Não existe no horizonte da política do estado brasileiro uma perspectiva de fazer o pagamento da dívida, ao contrário se constitui num escoamento de recursos contínuos para o grande capital financeiro internacional. Esse 1,3 trilhão é uma ampliação do nosso endividamento, o que é uma lógica irracional do ponto de vista da saúde financeira, de qualquer nação”, explica Alexandre.

Para o docente, a temática da dívida pública precisa adquirir centralidade nas lutas política e econômica da população brasileira em 2015. “É necessário a auditoria da dívida pública para identificar quem são os proprietários desse grande negócio que não é subordinado a Lei de Licitações”, concluiu.

FONTE: http://www.andes.org.br/andes/print-ultimas-noticias.andes?id=7236

Auditória Cidadã da Dívida e as perguntas que a mídia corporativa não quer fazer

Em 2013, R$ 718 bilhões de reais foram destinados aos serviços da dívida ou mais de 40% do Orçamento Geral da União. Mas parece que esse escândalo não chamou a atenção da grande imprensa. Por que será? Seria porque os grandes conglomerados de comunicação – controlados por pouquíssimas famílias – se beneficiam do alto rendimento da Dívida Pública, assim como os acionistas que investem em suas empresas?

O mesmo vale para a sonegação, que prejudica a arrecadação pública, enquanto os mais pobres não tem escolha de não pagar impostos, uma vez que todo o seu salário é gasto no decorrer do mês no consumo, que é altamente taxado.

E sem esquecer a dívida ativa (aquela que tem a União como credora) que chegou este ano ao patamar de R$ 1,2 trilhões.
Quando é que os microfones dos jornalistas e as lentes dos fotógrafos vão se virar ao problema do endividamento público?

FONTE:https://www.facebook.com/auditoriacidada.pagina/photos/a.568059073252337.1073741829.179192175472364/814795391912036/?type=1&theater

A verdade oculta: União gasta 47% do orçamento com pagamentos de juros aos bancos!

União gasta 47% do orçamento no pagamento da dívida pública

 Aline Louise – Hoje em Dia
Enquanto municípios, estados e a União enfrentam problemas com as contas públicas, arrochando os investimentos em diversas áreas, o valor gasto pelo governo federal com a dívida pública deve crescer 35% em relação à previsão para 2014. É o que demonstra o Projeto de Lei Orçamentária para 2015 enviado ao Congresso pela União. O texto prevê despesas de R$ 2,863 trilhões, dos quais R$ 1,356 trilhão – 47% – destinam-se ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública.
 
O cálculo é do Movimento Auditoria Cidadã da Dívida, que reforça que este valor representa 13 vezes mais que os recursos previstos para a saúde e 13 vezes mais que para educação, ou 54 vezes o estimado para o transporte. 
 
O movimento, que conta com apoio de mais de 45 entidades nacionais e várias regionais, luta há anos para que a dívida pública brasileira passe por uma auditoria. “Feita pelo poder público, mas com participação cidadã”, diz a economista Maria Eulália Alvarenga, coordenadora do Núcleo Mineiro da Auditoria Cidadã da Dívida. 
 
Ela explica que diversos levantamentos, inclusive os realizados pela CPI da Dívida Pública, que encerrou os trabalhos em 2010, apontam irregularidades e ilegitimidades no cálculo total da dívida, com suspeita até de contratos vencidos que continuam sendo pagos.
 

Juros indevidos

O economista Rodrigo Ávila, que também integra o movimento, diz ainda que o valor exorbitante da dívida pública hoje é resultado da cobrança de juros indevidos. “A gente sabe que a dívida decorre de juros sobre juros, não de um excesso de gastos sociais. Nos últimos 20 anos fizemos superávit primário (economia do governo para pagar juros da dívida) e ela cresceu por ela mesma. Existe uma súmula do Supremo Tribunal Federal que diz que cálculo de juros compostos é ilegal”, acrescenta. 
 
Maria Eulália lembra que este problema se arrasta há anos, já que a dívida brasileira começou a tomar a forma que tem hoje na época da ditadura militar. “De lá para cá, nenhum governo enfrentou isso”, destaca.
 
De acordo com Rodrigo Ávila, sem acesso a informações “transparentes” sobre a dívida pública, conforme solicitado, sem sucesso, pela associação e pela própria CPI, não é possível estimar em quanto ela poderia ser reduzida depois de feita a auditoria e aplicados os parâmetros “justos”.
 
Porém, segundo ele, a queda poderia ser drástica. “O Equador, por exemplo, fez auditoria que começou em 2007 e teve resultados a partir de 2009. Lá, eles conseguiram uma redução de 70% na dívida externa com bancos privados, dívida em títulos com o setor financeiro, uma dívida bem parecida com a do Brasil”. 
 

Auditoria Cidadã contesta dado oficial

 Dados do Tesouro Nacional revelam que, em setembro, o estoque da dívida pública federal alcançou R$ 2,183 trilhões. A Auditoria Cidadã da Dívida contesta. “O governo contabiliza de forma equivocada, de modo a tentar reduzir o peso da dívida no orçamento”, diz o economista Rodrigo Ávila. Nos cálculos da organização, a dívida hoje superaria os R$ 3 trilhões.
 
Enquanto o governo alega gastar cerca de 5% do Produto Interno Bruto com a dívida, a associação fala em algo em torno de 15% do PIB. “O governo desconsidera nos seus cálculos as amortizações da dívida. Eles usam um dado do Banco Central que relaciona apenas juros, mesmo assim descontadas algumas parcelas. Mas a verdade é que o governo gasta dinheiro vivo do orçamento para pagar amortizações da dívida”, explica Rodrigo Ávila.
 
Ainda de acordo com o Tesouro Nacional, em setembro o país não conseguiu fazer superávit para amortizar os juros da dívida, registrando déficit de R$ 20,4 bilhões, contra o de R$ 10,4 bilhões de agosto. “Quando o governo não tem dinheiro para amortizar a dívida, faz contingenciamento dos gastos sociais. O pagamento da dívida tem preferência sobre todos os investimentos, exceto os vinculados constitucionalmente. Isso quer dizer que o Estado retira dinheiro de gastos sociais, salários, educação, saúde para pagar a dívida”, diz a economista Maria Eulália Alvarenga.
 

Tesouro e associação divergem sobre o destino do dinheiro 

 O dinheiro gasto com a dívida pública, que é muito superior ao aplicado em saúde, educação, segurança pública e outros setores prioritários, vai para as mãos de poucos. Segundo a Auditoria Cidadã da Dívida, o maior montante beneficiaria poucos credores. Segundo dados do Tesouro Nacional relativos a agosto deste ano, as instituições financeiras detêm 28,4% da dívida pública, seguidas dos fundos de investimentos, com 21,2%.
 
A associação apresenta outros dados. De acordo com o movimento, os bancos nacionais e estrangeiros são detentores de 47,24% da dívida pública federal. Este percentual, somado com o que está nas mãos de investidores estrangeiros e das seguradoras, que pertencem principalmente aos grandes bancos, faz com que esse grupo fique com 62% do estoque da dívida. 
 
A diferença, segundo a organização, acontece mais uma vez porque o governo desconsidera alguns aspectos importantes, como as “Operações de Mercado Aberto”, que representam a dívida do Banco Central com os bancos, “conforme comprovado na recente CPI da Dívida Pública na Câmara dos Deputados”, destaca relatório da organização.
 
Os economistas da associação dizem ainda que os fundos de investimentos representam apenas 17,7% do estoque da dívida. “Isso desfaz a ideia de que é a classe média que ganha com a dívida quando investe no Tesouro Direto ou em fundos de investimento. Claro que tem um percentual pequeno que se enquadra neste caso, mas isso serve mais para legitimar a dívida. O governo faz isso para dizer que ela beneficia o povo como um todo. Mas quando pedimos informações para saber qual percentual é de classe média e qual é de grandes investidores, o governo diz que não sabe ou não pode responder por causa do sigilo bancário”, diz Rodrigo Ávila.
 
Para Maria Eulália Alvarenga, a força do setor econômico na política brasileira é um dos entraves para que a auditoria da dívida seja feita. “Se mudarmos a forma de financiamento das campanhas eleitorais, isso teria reflexo na dívida, porque o poder do capital nas eleições do Brasil é muito grande. O governo e o Congresso são eleitos com dinheiro desses grupos econômicos, que não têm interesse de resolver o impasse. Quando as empresas financiam a campanha de um político querem alguém que beneficie esse sistema, porque empresário não faz doação, faz investimento. Quem paga a banda, escolhe a música”. 
 
Maria Eulália defende uma reforma política que alcance a questão do financiamento das campanhas eleitorais como um dos primeiros passos para se conseguir fazer a auditoria da dívida pública. A economista ainda lembra que a auditoria está prevista na Constituição de 1988 e precisa ser feita pelo Congresso Nacional.
Editoria de Arte/Hoje em Dia
União gasta 47% do orçamento no pagamento da dívida pública
FONTE: http://www.hojeemdia.com.br/noticias/politica/uni-o-gasta-47-do-orcamento-no-pagamento-da-divida-publica-1.282362